Ministro do STF derruba sigilo de despacho que fundamentou a prisão de ex-dono do Banco Master
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça retirou o sigilo da decisão que ordenou a prisão preventiva do banqueiro Daniel Vorcaro nesta quarta-feira, 4. O documento, baseado em investigações da Polícia Federal (PF), expõe a estrutura da Operação Compliance Zero e revela como o banqueiro utilizava o grupo “A Turma” para monitorar desafetos e garantir seus interesses privados.
1. O “Sicário” e a “mesada” de R$ 1 milhão Luiz Phillipi Mourão, apelidado de “Sicário”, atuava como o coordenador operacional do grupo “A Turma”. A PF identificou que Mourão recebia uma remuneração de R$ 1 milhão por mês para executar serviços ilícitos, incluindo monitoramento de pessoas e obtenção de dados sigilosos de plataformas do Ministério Público Federal, da Organização Internacional de Polícia Criminal e da própria PF. Em mensagens interceptadas, o “Sicário” explicava a Vorcaro que dividia o montante entre os integrantes da equipe.
2. Plano de atentado contra Lauro Jardim A decisão também detalha uma trama violenta contra o colunista Lauro Jardim, do jornal O Globo. Em diálogos pelo WhatsApp, Vorcaro manifestou o desejo de agredir o jornalista depois da publicação de notícias contrárias aos seus interesses. O banqueiro ordenou expressamente: “Quero mandar dar um pau nele. Quebrar todos os dentes. Num assalto”. Segundo Mendonça, o plano visava a “calar a voz da imprensa”.
3. Pagamentos de Vorcaro ao site DCM O inquérito revela que a organização criminosa financiava influenciadores e veículos de comunicação para atacar a reputação do Banco Central. Nas mensagens sobre a divisão do repasse mensal de R$ 1 milhão, Mourão menciona o Diário do Centro do Mundo (DCM) e outros dois editores como beneficiários dos valores. O objetivo era construir um cenário de enfraquecimento das autoridades investigativas. Ao jornal Folha de S.Paulo, a PF confirmou que o DCM citado na decisão de Mendonça é, de fato, o veículo de esquerda.
4. Corrupção no Banco Central e “mimos” na Disney O documento ainda revela que dois integrantes do alto escalão do Banco Central (BC), Paulo Sérgio Neves de Souza e Belline Santana, atuavam como “consultores privados” de Vorcaro dentro da autarquia. Eles revisavam minutas de ofícios que o próprio Banco Master enviaria ao BC. Como contrapartida, Vorcaro teria financiado vantagens indevidas, como a contratação de guias para uma viagem de Paulo Sérgio à Disney, em Orlando, no Estado norte-americano da Flórida.
5. “Sacode” em chef e perseguição a empregada A agressividade do grupo atingia funcionários e prestadores de serviço. Vorcaro ordenou que Mourão desse um “sacode” (agressão física) em um chefe de cozinha ligado a um ex-funcionário para intimidá-lo. Ao se sentir ameaçado por uma empregada doméstica chamada Monique, o banqueiro determinou: “Tem que moer essa vagabunda”.
6. Crítica contundente à PGR André Mendonça incluiu na decisão uma crítica direta à Procuradoria-Geral da República (PGR). O órgão havia pedido mais tempo para análise e afirmou não ver “perigo iminente” nas condutas. O ministro rebateu ao afirmar que “a demora se revela extremamente perigosa para a sociedade”, diante das evidências de planos contra a integridade física de jornalistas e autoridades. Ao defender a prisão de Vorcaro e outros membros do grupo “A Turma”, o ministro ressaltou: “Verifica-se, ainda, a capacidade de influência institucional, em razão da condição pessoal ostentada pelos alvos das medidas”.
Erich Mafra - Revista Oeste