
Nota da edição:
Neste final de semana, Donald Trump traiu uma das principais promessas que fez na campanha para presidência de 2024 e envolveu os Estados Unidos em mais um conflito com o Irã que pode escalar ainda mais e ter desdobramentos nocivos para a população tanto americana quanto mundial. Seguindo esse espírito, o artigo a seguir foi originalmente escrito no final de janeiro pelo ex-senador e grande ativista do libertarianismo mundial Ron Paul. O texto abaixo é um apelo para que o presidente Trump entenda a necessidade de promover a paz e não engajar os Estados Unidos em aventuras de política externa que contém muitos riscos e pouca possibilidade de trazer benefícios.
No fim de semana, enquanto um grupo de ataque de porta-aviões dos Estados Unidos se deslocava em direção ao Irã, o presidente Trump disse ao Politico: “É hora de procurar uma nova liderança no Irã”. Essa declaração pró “mudança de regime” veio apenas alguns dias depois de a operação secreta liderada pelos Estados Unidos e por Israel para derrubar o governo iraniano ter sido finalmente derrotada pelas autoridades do Irã.
O presidente dos EUA está deixando claro que não está desistindo da “mudança de regime” no Irã. No fim da semana passada, o mundo prendeu a respiração à espera de um ataque de mísseis dos Estados Unidos contra o Irã, depois que Trump prometeu que “a ajuda está a caminho” para os manifestantes apoiados pelos EUA. O presidente Trump afirmou que cancelou os ataques no último minuto, quando lhe disseram que o Irã suspenderia a execução dos líderes da revolta.
Ironicamente, o próprio Trump ordenou a execução de mais de 100 indivíduos em embarcações no Caribe e no Oceano Pacífico, sem acusações, julgamentos ou condenações.
As ameaças militares renovadas contra o Irã surgem após a quinta visita sem precedentes a Washington (DC) neste ano do primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu, que, segundo se informou, teria chegado com uma nova exigência de ação militar dos Estados Unidos contra o Irã. Some-se a isso a recente operação militar dos EUA para sequestrar o ditador e a primeira-dama da Venezuela e se apropriar do petróleo do país, bem como as crescentes exigências do presidente Trump por controle sobre a Groenlândia, e o militarismo agressivo desta Administração está praticamente no extremo oposto daquilo que foi prometido pelo Trump candidato.
E o povo americano está percebendo isso.
Três pesquisas divulgadas recentemente podem significar um desastre para o segundo mandato de Trump — e para os republicanos nas eleições de meio de mandato deste ano.
De acordo com uma pesquisa da Quinnipiac University divulgada na semana passada, sete em cada dez americanos se opõem ao uso da força pelos Estados Unidos contra o Irã, incluindo uma sólida maioria de eleitores republicanos. Oitenta por cento dos eleitores independentes, grupo extremamente importante para definir eleições, se opõem a qualquer ataque dos EUA ao Irã.
Quanto à renovada exigência do presidente Trump por controle da Groenlândia — controle que ele afirmou que obteria “do jeito fácil ou do jeito difícil” — essa mesma pesquisa da Quinnipiac mostra que 86% dos americanos entrevistados se opõem a tomar o território pela força. Uma maioria de 55% dos americanos pesquisados sequer quer que o presidente Trump compre a enorme ilha.
Uma pesquisa da Associated Press com a NORC, também divulgada na semana passada, mostrou que a taxa de aprovação do presidente Trump em política externa caiu para um novo patamar mais baixo ao longo de sua presidência. De acordo com a pesquisa, “45% dos adultos querem que os Estados Unidos assumam um papel menos ativo nos assuntos globais, acima dos 33% registrados em setembro de 2025”.
Os americanos estão claramente mais interessados em ver nossos problemas resolvidos aqui dentro do país do que em agir como polícia do mundo.
Talvez ainda pior para o presidente Trump e para os republicanos, de acordo com uma pesquisa recém-divulgada do Real Clear Politics, a taxa de aprovação do presidente Trump atinge um novo mínimo de 42,1% em seu segundo mandato.
Seja qual for o elogio que o presidente Trump possa estar recebendo de seu círculo mais próximo — que está se tornando cada vez mais neoconservador — e de um pequeno grupo de apoiadores MAGA, tais operações agressivas no exterior estão rapidamente fazendo com que ele perca o apoio do restante do povo americano. E isso inclui os republicanos.
Trump concorreu sob os slogans “nenhuma nova guerra” e “chega de operações de mudança de regime no exterior”. Essas são posições extremamente populares. Abandonar essas posições custou caro a Trump. Podemos esperar que, nos três anos restantes, o presidente Trump redescubra as posições do candidato Trump e demita seus conselheiros neoconservadores.
Ron Paul - Mises Brasil