Juízes do Supremo devem estar acima de qualquer suspeita, lembra o governador de Minas Gerais
Romeu Zema (Novo-MG), governador de Minas Gerais - Foto: Cadu Gomes/VPR.
O governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), e seu partido decidiram protocolar na próxima segunda-feira (9) mais um pedido de impeachment contra o ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes, após a divulgação de mensagens de Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, sugerindo relações muito próximas e até cobrança ao magistrado para a atuar em favor de interesses do banqueiro investigado.
“O ministro Alexandre de Moraes não tem condição de permanecer no cargo depois da revelação de que trocou mensagens com Daniel Vorcaro no dia da prisão do banqueiro”, afirmou Romeu Zema. “É inaceitável. Juízes do Supremo devem estar acima de qualquer suspeita, submetidos à lei e à transparência, como todos os cidadãos. O Brasil precisa acabar com a farra dos intocáveis”.
O partido novo avalia que as mensagens indicam possível tentativa de provocar decisões judiciais que podem bloquear ou interferir em investigações. Os fatos, segundo os autores do pedido, levantam suspeitas sobre a eventual prática de crimes como favorecimento pessoal, tráfico de influência ou corrupção passiva.
Outro ponto citado no pedido é o pagamento de cerca de R$130 milhões em honorários advocatícios à esposa do ministro, que atua como advogada em processos relacionados ao caso. Segundo os proponentes, mesmo sem manter contato direto com Vorcaro, a advogada pode ter se beneficiado dos valores, o que reforçaria a necessidade de apuração sobre eventual conflito de interesses.
O presidente do partido, Eduardo Ribeiro, afirmou que o Novo pretende atuar de forma ampla e coordenada diante das suspeitas envolvendo o caso. Segundo ele, o partido decidiu mobilizar diferentes instrumentos institucionais para garantir a apuração dos fatos e cobrar responsabilidades das autoridades envolvidas. “O Novo decidiu agir em várias frentes porque não é possível tratar um caso dessa gravidade com silêncio ou omissão. Nosso compromisso é com a transparência, com a fiscalização e com o respeito às instituições. Quando surgem indícios de irregularidades envolvendo autoridades do mais alto nível da República, a resposta precisa ser firme e institucional”, declarou Ribeiro.
O anúncio será feito durante coletiva de imprensa convocada também pelo senador Eduardo Girão (Novo-CE), na próxima segunda-feira, às 14h30, em frente à Presidência do Senado Federal. Na coletiva, parlamentares da bancada do Novo também devem detalhar novas frentes de atuação política e legislativa relacionadas ao caso Master.
O senador Eduardo Girão, por exemplo, anunciará a apresentação de uma representação ao Conselho de Ética do Senado contra o presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP), motivada por uma série de condutas que, em sua avaliação, comprometem o funcionamento institucional do Senado.
Entre os pontos citados estão a não análise de pedidos de impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal, a omissão na leitura e instalação de Comissões Parlamentares de Inquérito (CPIs) sobre o Banco Master e medidas que, segundo o parlamentar, dificultariam o exercício da função fiscalizatória da Casa.
O deputado Marcel van Hattem (Novo-RS), líder da bancada na Câmara, deve anunciar ainda uma notícia-crime na PGR contra Moraes.
Serviço
– Coletiva de imprensa – pedido de impeachment / representação no Conselho de Ética / outra medidas no caso Master
– Data: segunda-feira, 9 de março
– Horário: 14h30
– Local: em frente à Presidência do Senado Federal, no salão Azul
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