PELOTAS - O presidente Jair Bolsonaro disse nesta segunda-feira, 12, que “o Rio Grande do Sul pode virar um Estado como Roraima”, caso o kirchnerista Alberto Fernández vença as eleições presidenciais argentinas em outubro.
Fernández, companheiro de chapa da ex-presidente Cristina Kirchner, teve mais de 15 pontos de vantagem para o presidente Mauricio Macri nas primárias de ontem, que servem como uma espécie de termômetro para a disputa pela Casa Rosada. O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva felicitou Fernández, por meio do Twitter.
“Se esta esquerdalha voltar na Argentina, nós poderemos ter no Rio Grande do Sul um novo Estado, como o de Roraima, e não queremos isso”, disse o presidente em referência ao êxodo migratório provocado pela crise econômica na Venezuela. “Não queremos ver irmãos argentinos fugindo para cá, caso essas eleições se confirmem.”
O presidente ainda vinculou os kirchneristas a outras lideranças de esquerda no Brasil, na Venezuela e em Cuba. “Não esqueçam que na Argentina a turma da Cristina Kirchner, que é a mesma da Dilma (Rousseff), (Nicolás) Maduro, (Hugo) Chávez e Fidel Castro deram um sinal de vida (sic) aqui no Brasil (o presidente se referia à Argentina), ao lado do povo gaúcho”, disse.
“Existe uma turma aí que quer roubar nossa liberdade, e essa turma apoia a Venezuela, Cuba e Coreia do Norte. Não podemos esquecer isso”, acrescentou o presidente.
Fernández, ex-chefe de gabinete de Néstor Kirchner e de Cristina, foi escolhido como cabeça de chapa pela ex-presidente, que enfrenta problemas na Justiça argentina em abril. Em julho, ele visitou Lula na prisão, em Curitiba, e defendeu sua libertação.
A origem da crise argentina
Macri chegou ao poder em 2015, depois de dois mandatos de Cristina Kirchner e um do marido dela, Néstor, que assumiu o país em 2003 depois da maior crise econômica da história do país. A alta das commodities permitiu que o país voltasse a crescer e saísse do vermelho, com bons índices de crescimento.
Apesar disso, a economia continuou fechada e dependente de subsídios. No segundo mandato, entre 2011 e 2015, Cristina maquiou índices de inflação e restringiu as reservas de dólares do BC, o que agravou a crise.
Macri apostou em reformas liberalizantes e no corte de subsídios, o que aumentou a inflação. Sem conseguir conter a alta nos preços, recorreu a um acordo com o FMI - profundamente impopular no país em consequência da crise de 2001. Em abril deste ano, o presidente passou a congelar preços para tentar segurar a alta da inflação.
Luiz Raatz e Luciano Nagel, O Estado de S.Paulo
