quinta-feira, 20 de julho de 2017

"12 de julho", por Rogério Chequer (Dia histórico por condenar o mais mentiroso, inescrupuloso e perigoso personagem político...)

Folha de São Paulo


Nossa memória é altamente relacionada às nossas emoções. Você se lembra onde estava quando ficou sabendo do acidente de Ayrton Senna? E do ataque às Torres Gêmeas? Por que consegue se lembrar do dia 11 de setembro há 15 anos, e não consegue se lembrar do último 11 de setembro? Porque a experiência veio acompanhada de forte emoção.

Pois você vai se lembrar do 12 de julho de 2017 para sempre. Neste caso, por excelentes motivos.

O dia 12 de julho é histórico por condenar o mais mentiroso, inescrupuloso e perigoso personagem político que o Brasil já teve. 

Ninguém, sozinho, causou tanto mal para o nosso país quanto Luiz Inácio.

Os 14 milhões de brasileiros desesperados, à procura de um emprego, já seriam suficientes para dar-lhe tal título.

Mas, infelizmente, mas para por aí.

No comando de Dilma, do PT e da organização criminosa, Lula desiludiu os mais carentes. Como legado, deixou na penúria a mesma classe que inflara de maneira efêmera (e sem mérito, dado que foi agraciado pelas condições globais mais favoráveis deste século). Pior, Lula construiu um exemplo de conduta que ampliou a impunidade do nosso sistema, passando a aflitiva impressão de que ela seria indestrutível, eterna. Essa percepção é letal para a esperança de um povo, e foi responsável por um longo período de letargia da sociedade. 12 de julho é o antídoto para esse veneno.

O dia 12 de julho é histórico porque resgata a esperança do país, ao mostrar que comportamentos novos podem, sim, criar um país diferente. Resgata a esperança na Justiça ao demonstrar que há juízes não corrompidos (mesmo que falíveis), com coragem de enfrentar o establishment, e criam exemplo para outros. Resgata a esperança da sociedade ao recompensá-la pelos maiores protestos da história, feitos de forma pacífica e contundente. Mostra que queimar pneus, depredar patrimônio público, ou comer marmita na mesa diretora do Senado Federal é coisa de fracos, desespero de quem se tornou minoria, artifício de quem teve todos os seus argumentos destruídos e tornou-se incapaz de combater de forma democrática. O dia 12 de julho mostra que uma mentira repetida mil vezes não mais se torna verdade. E escancara os mentirosos que ainda insistem na falácia.

Um adulto de 25-30 anos, que teve sua puberdade contaminada pelas mentiras que pareciam ser a solução do mundo, passa hoje por um difícil período de queda na realidade. Não deve ser fácil descobrir que uma figura vendida como salvadora da pátria não passa na realidade de um charlatão. Deve ser duro assistir seu ex-ídolo esconder falcatruas com mentiras patéticas —chegando ao extremo de utilizar sua finada esposa. O dia 12 de julho cria uma nova geração de brasileiros, que ao passar pelo mesmo período de formação de valores presencia uma Justiça que funciona, uma impunidade que não perdura, um crime que não compensa.

Não pretendo transformar a vitória de uma batalha no resultado da guerra. Tudo pode acontecer. Mas o dia 12 de julho começa a substituir valores e exemplos que só nos fizeram mal. Seu ineditismo estimula novos comportamentos, estabelece novos parâmetros, amplia possibilidades, explicita riscos que viraram hábitos, muda régua de julgamentos e árvores de decisão.

O dia 12 de julho não chegou por acaso —ele é obra conjunta de uma sociedade que está se redescobrindo. Parabéns a cada um que, mesmo sofrendo a cada hora de sua demora, se superou e conseguiu lutar para que ele chegasse, deste jeito. Sejamos resilientes para criarmos, com essa nova sociedade unida, muitos outros 12 de julho de 2017.

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