segunda-feira, 31 de julho de 2017

As ligações de Bendine e Léo Pinheiro

Ricardo Brandt, Julia Affonso e Fausto Macedo - O Estado de São Paulo



O Ministério Público Federal encontrou ligações entre o ex-presidente da Petrobrás e do Banco do Brasil Aldemir Bendine, preso desde o dia 27, alvo da 42ª fase da Operação Lava Jato, e o ex-presidente da OAS José Aldemário Pinheiro, o Léo Pinheiro – condenado e candidato a delator.
A força-tarefa destacou no pedido de conversão da prisão temporária em preventiva, contra Bendine, encaminhada nesta segunda-feira, 31, ao juiz federal Sérgio Moro, ligações telefônicas entre os publicitários ligados ao ex-presidente da Petrobrás e Léo Pinheiro.

“Conforme Relatório de Informação nº 109/2017, da Assessoria de Pesquisa e Análise – ASSPA PR-PR15 , Aldemir Bendine registra ao menos uma ligação telefônica com o então presidente do Grupo OAS, Léo Pinheiro, no ano de 2014.”
O documento produzido pelo MPF e anexado ao pedido de prisão mostra que o publicitário André Gustavo, que seria um operador de propinas de Bendine, segundo a força-tarefa, “registrou, apenas no ano de 2014, 27 ligações telefônicas com Léo Pinheiro.

Documento

“Deixando claro havia ampla interlocução entre o operador e o executivo do Grupo OAS, atualmente preso por ordem desse i. Juízo justamente pelo envolvimento em fatos típicos da mesma modalidade.”
OAS. A Lava Jato encontrou na cada de Bendine também documentos que reforçam as suspeitas de ligação do ex-presidente do BB e da Petrobrás com a OAS.
“Na mesma pasta em que se encontravam os documentos relacionados à Odebrecht, foram localizados vários outros, com as mesmas características, na qual Aldemir Bendine, à primeira vista, busca inteirar-se de assuntos da OAS no Banco do Brasil”, destaca o novo pedido de prisão do MPF.
“A referida documentação é indiciária de que a mesma conduta de solicitação de vantagens indevidas potencialmente pode ter ocorrida em face da OAS.”
Um dos docuentos é o cartão de visitas de Mateus Coutinho, diretor financeiro da OAS Investimentos, “que era um dos responsáveis pelo gerenciamento das vantagens indevidas pagas pela OAS a agentes públicos, conforme denunciado”.
Os procuradores afirmam ainda que “documentação referente à OAS, acompanhada de anotações do então presidente do Banco do Brasil, apreendida na residência deste, mesmo após ter deixado o comando da instituição, levanta suspeitas acerca do procedimento relacionado a vantagens que a empresa possa ter usufruído durante a presidência do investigado”.

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