segunda-feira, 27 de junho de 2016

"Inadimplência atinge mais Norte e Nordeste", por Maria Inês Frias

Folha de São Paulo


A inadimplência não cresce de maneira uniforme no Brasil, aponta uma pesquisa da Serasa Experian.

O Norte e o Nordeste têm altas maiores do índice. Na comparação entre março deste ano com o mesmo mês de 2015, os Estados do Acre, Bahia e Ceará lideram as porcentagens de aumentos.

Os menores incrementos aconteceram no Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Paraná -ainda assim, houve altas em todo o país.

Apesar de ter atingido o Brasil inteiro, a inadimplência é impelida por motivos específicos em diferentes regiões do país, diz Luiz Rabi, economista da Serasa.

"No Centro-Oeste, Sudeste e Sul, a renda não caiu tanto, mas o desemprego subiu e foi a principal razão para a falta de pagamentos."

Já nos Estados do Nordeste e do Norte, é a queda da renda real que explica o aumento da inadimplência, afirma o economista.

Nas regiões com menos deterioração, no entanto, o valor médio da falta de pagamentos é mais alto.

No Centro-Oeste, as dívidas não honradas são de R$ 5.540, em média. No Nordeste, esse número é de R$ 3.066, o menor do Brasil.

O problema bate recordes no país. "São 60 milhões de brasileiros [inadimplentes], é 40% da população adulta do país, nunca tivemos um nível que afetasse tanta gente. Não sei quanto pior o número pode ficar."

Em 2012, quando começou essa aferição, eram 50,2 milhões de pessoas na situação.
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Setor de massas e biscoitos vende 5% a mais no 1º quadrimestre

As empresas fabricantes de massas e biscoitos cresceram 5% em faturamento nos quatro primeiros meses deste ano, na comparação com igual período de 2015.

Os dados da Abimapi (que reúne empresas do setor) e da Nielsen não consideram a inflação do período, de 3,25% no acumulado do IPCA deste ano até abril.

A associação afirma estimar o fechamento de 2016 entre 6% e 7% acima do ano passado -sem contar a inflação.
"A alta de faturamento é uma reposição de custos. E só o fato de o volume estar se mantendo já é ótimo, ao se comparar com alguns setores que tiveram quedas maiores."

O último boletim Focus, do Banco Central, projeta a inflação para todo o ano de 2016 em 7,39%.

Em volume, o crescimento estimado é de até 2%. No período, houve queda de 2% nas toneladas produzidas pelo segmento, mesmo com uma elevação do faturamento.

Também ocorreu reajuste nos preços, para repor custos de energia e compensar a variação do dólar que influi no preço do trigo, diz Claudio Zanão, presidente da entidade.

A maioria das empresas do setor, no entanto, ainda não se sente segura para fazer grandes aportes neste ano.

"Isso também acontece porque os investimentos de 2016 foram planejados no ano passado, já em um cenário de crise econômica."
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Pão de fel

A fluminense Piraquê tem sentido as dificuldades econômicas que o Rio de Janeiro enfrenta. O Estado representa cerca de 60% de suas vendas.

Mais baratos e considerados de primeira necessidade, os biscoitos tipo cream cracker (sem recheio) cresceram 5% de janeiro a maio em vendas. Os recheados, que custam mais, caíram 4%.

"Também notamos a mudança de hábito do consumidor, que opta por produtos mais baratos. Nossas mercadorias têm um preço maior", diz Alexandre Colombo, que é presidente da empresa.

A marca estima aporte de até R$ 20 milhões neste ano, sobretudo em manutenção das fábricas.


R$ 915 MILHÕES
foi o faturamento em 2015
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O preço da idade

Em quatro anos, o envelhecimento da população deverá elevar os gastos médico-hospitalares da saúde suplementar em 10,5%. Até 2030, a alta pode chegar a 34%, aponta o IESS, instituto do setor.

As internações, responsáveis por 56% dos custos, deverão aumentar 30% nos próximos quinze anos.
O impacto no preço dos planos de saúde deve afetar todas as faixas etárias, diz Antonio Carlos Abbatepaolo, diretor-executivo da Abramge, que reúne empresas do ramo.

Apesar da iminente mudança, as operadoras não têm priorizado a busca por soluções de longo prazo, segundo ele. "É um momento de transição do modelo de negócios, mas é difícil pensar em ações mais consistentes em meio a uma crise econômica."
Entre as medidas-chave para enfrentar o novo cenário estão o estímulo à prevenção e a criação do VGBL Saúde, diz Luiz Augusto Carneiro, superintendente do IESS.

O plano de previdência com recursos destinados à saúde já foi aprovado na Câmara e espera votação no Senado.
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Hora do café
Lézio Junior/Editoria de Arte/Folhapress
Charge Mercado Aberto de 27.jun.2016
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com FELIPE GUTIERREZDOUGLAS GAVRAS e TAÍS HIRATA