quarta-feira, 9 de julho de 2014

A 'Copa das Copas' e o 'pior pesadelo' de Dilma ´trambique`

Veja

Presidente-candidata usou politicamente o mundial de futebol nas últimas semanas e anunciou que entregará a Taça ao campeão. Com vexame histórico, Palácio do Planalto e PT calculam o prejuízo

Dilma reproduz gesto famoso de Neymar em homenagem ao atacante
MEME – Na véspera da eliminação, Dilma reproduz gesto de Neymar em homenagem ao atacante. Minutos depois do vexame, imagem virou piada nas redes sociais (Reprodução / Twitter)
Um dia depois da humilhante eliminação da seleção brasileira na Copa do Mundo no Brasil — uma eliminação como nunca antes na história deste país —, a presidente-candidata Dilma Rousseff afirmou que não imaginava uma derrota tão acachapante "nem em seu pior pesadelo". A afirmação foi feita em entrevista à correspondente da rede CNN Christiane Amanpour, na manhã desta quarta, no Palácio do Planalto. Segundo escreveu a jornalista em sua conta no Twitter, a presidente completou seu raciocínio afirmando que "O Brasil vai ser capaz de superar essa situação extremamente dolorosa".
O que não veio à tona é a questão que deve estar rondando a cabeça da candidata: se a derrota do Brasil vai se transformar em situação dolorosa também para a sua campanha. Desde antes do início da competição, o governo tenta aproximar o torcedor que hoje vai aos estádios do eleitor que em outubro vai às urnas – mas a operação tem se provado das mais complicadas. Foram várias as idas e vindas. Na abertura do mundial de futebol, Dilma ouviu vaias e xingamentos em coro no estádio Itaquerão, em São Paulo. Com o torneio transcorrendo sem sobressaltos fora de campo – como protestos violentos nas ruas ou caos nos aeroportos –, aliado ao oba-oba com as vitórias da seleção, pesquisas mostraram que o vento poderia estar a favor da presidente-candidata: segundo o Datafolha, para 76% dos entrevistados, quem vaiou ou xingou Dilma no Itaquerão agiu mal. Com base nessa avaliação, a equipe de Dilma, que tenta tatear como lidar com o torcedor – e futuro eleitor – desde o começo da Copa, confirmou na última segunda-feira que Dilma entregará a Taça à seleção campeã, domingo, no estádio do Maracanã.

Reinaldo Azevedo: 'É Tóis', Dilma!
Nas últimas semanas, Dilma aproveitou cada discurso para bradar que a "Copa das Copas" calaria os "pessimistas", numa ofensiva contra os futuros adversários do PT nas urnas. Na segunda-feira, ela chegou a simular o "É tóis" do atacante Neymar, em bate-papo nas redes sociais, para tentar pegar carona na comoção nacional pela ausência do ídolo. Minutos após o fiasco em campo, a foto virou meme e a imagem foi usada para fazer piada. É fato que nem o mais pessimista dos brasileiros poderia prever um desastre como o ocorrido no estádio do Mineirão. Porém, para Dilma e o PT, que tentaram faturar politicamente – e eleitoralmente – tudo o que foi possível com o Mundial de futebol até a véspera da derrota, como lidar com o vexame da eliminação da sua "Copa das Copas" tornou-se uma grande dor de cabeça.
Para tentar blindar Dilma, o staff da petista também decidiu adiar para o dia 19 os eventos de campanha – liberados desde o último dia 5. Na próxima semana, ela só terá agenda como presidente, a principal delas a reunião dos Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) em Fortaleza e Brasília. A equipe de comunicação do governo também agendou uma série de entrevistas de Dilma a correspondentes estrangeiros que estão no Brasil, como a feita nesta manhã à CNN, para tentar emplacar o discurso que a Copa foi um sucesso fora dos gramados. Com a campanha em curso, as próximas pesquisas mostrarão se, passada a euforia da Copa, será essa a avaliação dos eleitores.


A 'Copa das Copas' e o 'pior pesadelo' de Dilma

Às vésperas do torneio, ataque aos críticos


 "Os pessimistas diriam que não teríamos Copa porque não tínhamos estádios. Os estádios estão aí, prontos. Diziam que não teríamos Copa porque não teríamos aeroportos. Praticamente dobramos a capacidade dos nossos aeroportos", em pronunciamento em rede nacional de rádio e televisão, em 10 de junho.

Sobre as vaias e xingamentos na cerimônia de abertura


“Não são xingamentos que vão me intimidar, atemorizar. Não me abaterei”, em discurso no dia 13 de junho, em cerimônia em Brasília.

Copa 'padrão Brasil'


"Eu quero dizer para vocês que a Copa tá sendo um orgulho para nós porque o Brasil e o povo brasileiro estão demonstrando que nós somos capazes fora do campo e dentro do campo de fazer uma Copa como se deve fazer - no padrão Brasil", ao anunciar investimentos do PAC 2 em Santos, em 26 de junho, logo após a classificação do Brasil para as oitavas de final.

Goleada


"Estamos dando uma goleada nos pessimistas", em 30 de junho, dois dias após a vitória do Brasil sobre o Chile, em inauguração de um hospital em Saquarema (RJ).

E a presidente sobe o tom


"Belezura mesmo, azar dos urubus", ao celebrar o sucesso da Copa em conversa com usuários do Facebook na página do Planalto na rede social, em 7 de julho.

Dilma, a 'fã número 1' da seleção


"Todo o Brasil já se sente vitorioso porque, além de estarmos realizando a Copa das Copas, temos a mais linda e aguerrida Seleção da disputa. Avante, porque o principal já foi feito!", trecho de carta enviada à seleção brasileira em 5 de julho, três dias antes da derrota por 7 a 1 para a Alemanha.

Dilma 'É Tóis'


"A dor de Neymar ao ser atingido feriu o coração de todos os brasileiros", em 7 de julho, sobre a falta que provocou uma fratura na coluna do atacante e o tirou da Copa do Mundo. A presidente aproveitou, ainda, para reproduzir o gesto 'É Tóis' do atacante.

A taça


"São ossos do ofício", sobre ter de entregar a taça ao campeão do Mundial, ainda que não fosse para o Brasil, em 7 de julho.

'Sacode a poeira'


"Não vamos nos deixar alquebrar. Brasil, 'levanta, sacode a poeira e dá a volta por cima'", em 8 de julho, após a humilhante derrota do Brasil na semifinal do torneio.