quinta-feira, 31 de janeiro de 2019

Para o Brasil, sanções petrolíferas serão fatais ao celerado Maduro

Conselheiro de Segurança Nacional dos Estados Unidos, John Bolton, durante o anúncio das sanções contra a PDVSA Foto: JIM YOUNG / REUTERS
Conselheiro de Segurança Nacional dos Estados Unidos, John Bolton, durante o anúncio das sanções contra a PDVSA Foto: JIM YOUNG / REUTERS

As sanções anunciadas contra a petrolífera estatal venezuelana PDVSA pelos Estados Unidos podem acelerar o desfecho de uma solução para a crise naquele país. É essa a expectativa do governo brasileiro, segundo uma fonte. Em um golpe visto como certeiro, Washington proibiu, na segunda-feira, que as refinarias americanas transfiram dinheiro à PDVSA ou lhe vendam nafta — produto essencial à diluição do óleo pesado venezuelano — no que na prática significou uma proibição da compra de petróleo do país.
Segundo a fonte, essa é a medida que faltava para concluir o processo de estrangulamento da economia venezuelana e, com isso, derrubar o regime de Nicolás Maduro. Representantes do governo americano estudavam o bloqueio há dias, mas, devido a interesses, principalmente, de empresários daquele país, “havia uma certa hesitação”, segundo essa fonte.
O petróleo responde por 95% das exportações da Venezuela e 70% dos recursos orçamentários do país. Os EUA são o principal comprador do óleo venezuelano, respondendo por 40% das exportações da PDVSA, que agora terá de buscar outros mercados. A filial americana da companhia, a Citgo, continua em operação, mas seu dinheiro ficará bloqueado numa conta nos EUA.
Num sinal de que o governo americano vai continuar apertando o cerco econômico ao governo Maduro, o assessor de Segurança Nacional do presidente Donald Trump, John Bolton, advertiu o mercado, nesta quarta-feira, a não fazer negócios com ouro, petróleo ou outrascommodities “que estão sendo roubadas” do povo venezuelano após a declaração de sanções.

REUNIÃO NO CANADÁ

Em outra frente, o governo brasileiro trabalha, junto à Organização dos Estados Americanos (OEA), para que sejam convocadas novas eleições na Venezuela. O assunto será discutido no próximo dia 4, no Canadá, em uma reunião do Grupo de Lima, formado por 14 nações do continente. A expectativa é que o ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, participe do encontro e depois siga para os EUA, onde se reunirá com autoridades americanas para preparar a ida do presidente Jair Bolsonaro àquele país, em viagem marcada para março.
Em uma rede social, o assessor para Assuntos Internacionais da Presidência da República, Filipe Martins, afirmou, ontem, que há muitas possibilidades inexploradas nas relações Brasil-EUA. Segundo ele, o momento atual representa uma oportunidade única de reverter escolhas ideológicas feitas no passado. “As duas nações têm muito a ganhar”, afirmou.
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Nas Américas, o Brasil, os EUA e parte dos países que integram o Grupo de Lima — como Colômbia, Chile, Peru, Argentina e Paraguai — não reconhecem o governo Maduro. Ao mesmo tempo, dão total apoio ao autoproclamado governo de transição do presidente da Assembleia Nacional, Juan Guaidó, que na semana passada se declarou presidente interino da Venezuela.
Por ora, não se cogita o fechamento da Embaixada do Brasil em Caracas, sob o comando do encarregado de negócios José Wilson Moreira. Em dezembro de 2017, o então embaixador brasileiro no país foi declarado “persona non grata” por Maduro.

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