segunda-feira, 17 de julho de 2017

Londres encabeça lista de melhores cidades; SP ocupa a 25ª posição

Cláudio Bernardes - Folha de São Paulo



Tendo as pessoas como foco, as cidades são estruturadas por complexos sistemas, como os de energia, mobilidade, saúde, educação, lazer, saneamento, comunicações, segurança, governança, fluxos de suprimentos e muitos outros. As combinações entre os elementos dessa matriz urbana têm enorme potencial para criar oportunidades e, consequentemente, desenvolvimento socioeconômico.

Esse foi o tema de recente estudo publicado pela PwC, envolvendo 30 cidades do mundo, entre elas São Paulo e Rio de Janeiro que, além de avaliadas, tiveram seus dados comparados, a fim de garantir um melhor entendimento dos padrões urbanos e de suas potencialidades.

As comparações partiram de 67 variáveis, distribuídas em dez grupos de indicadores: transporte e infraestrutura, capital intelectual e inovação, tecnologia, facilidade de realizar negócios, influência econômica, sustentabilidade, custo, demografia e qualidade de vida.

Tabulados todos os indicadores, a classificação das dez melhores cidades foi a seguinte: Londres, Singapura, Toronto, Paris, Amsterdam, Nova York, Estocolmo, São Francisco, Hong Kong e Sidney. São Paulo ficou na 25ª posição e Rio de Janeiro, na 27ª, entre 30 cidades avaliadas.

Algumas importantes conclusões desse estudo podem ajudar outras cidades a buscar oportunidades de desenvolvimento.

Qualidade de vida, que não significa luxo, mostrou ser um requisito básico para as cidades captarem e manterem talentos, ou seja, elas devem apoiar as necessidades humanas para funcionar como um ecossistema harmônico.

O centro econômico das cidades modernas é o trabalho intelectual. Sem uma boa infraestrutura educacional, nenhuma cidade prosperará.

Um sistema de tributação equilibrado, com destinação e uso dos recursos de forma eficiente e otimizada, é ingrediente fundamental não só para a saúde econômica, mas para o equilíbrio entre os sistemas político-sociais e para atender as necessidades das cidades e de seus cidadãos.

Desafios importantes também apareceram nos resultados, ressaltando a necessidade de aperfeiçoar os modelos de gestão e operação.

As cidades devem estar preparadas para se recuperarem rapidamente de desastres naturais e de riscos modernos à sociedade, como criminalidade e terrorismo. Cada vez mais, a atenção a essas questões torna-se crucial.

A falta de habitações acessíveis a todos é um grande entrave ao desenvolvimento. Embora a qualidade das habitações tenha forte relacionamento com o sucesso das cidades, muitas vezes, aquelas com maior porte econômico têm habitações com preços fora do alcance da população.

Segundo o estudo citado anteriormente, cinco das dez cidades mais influentes economicamente –Londres, Nova York, São Francisco, Pequim e Xangai–, não têm habitações universalmente acessíveis em quantidade suficiente. Isso configura em grande dificuldade na atração e retenção de talentos.

A distribuição de renda pode ser um sério problema para que as cidades sejam conscientes e gerenciadas adequadamente em matéria de impacto social e político; e pode influenciar a capacidade de construir e sustentar economias resilientes, que incluam ampla gama de ocupações e níveis salariais que façam as cidades funcionar.

Cidades bem-sucedidas congregam os setores público e privado, criando força importante para alcançar a prosperidade compartilhada. O trabalho conjunto é essencial para colaborar com o molde de ambientes operacionais positivos.

Afinal, há muito a ser feito na maioria das cidades do mundo. Com o intuito de estabelecer estratégias apropriadas para gerar oportunidades, elas devem compreender suas próprias forças, fraquezas e identidades, a fim de harmonizar seu crescimento de forma compatível com o seu perfil.

Presidente do Conselho Consultivo do Secovi-SP

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