quinta-feira, 6 de julho de 2017

"BNDES é público e deve estar sob exame minucioso da sociedade", por Miriam Leitão

Com O Globo e CBN

O Tribunal de Contas da União fará uma auditoria no BNDES para analisar os efeitos, na economia, dos empréstimos concedidos pelo banco. O TCU tenta, assim, responder se as operações deram retorno econômico para o país, se vale à pena todo o custo que a sociedade tem com os subsídios do BNDES. Não se trata de uma perseguição. O banco é público, está sob o escrutínio dos cidadãos brasileiros. A análise do tribunal não é um problema que deva preocupar. O quadro técnico do BNDES é excelente, mas em alguns casos fez escolhas questionáveis e até erradas.   
A instituição existe para financiar o desenvolvimento, mas em alguns momentos também fez opções por liberar grandes recursos a empresas escolhidas. Foi assim no governo militar e no período petista. Nos últimos anos, o Tesouro se endividou em R$ 500 bi, com taxas mais altas, para transferir ao banco, que emprestou a juros mais baixos. Ao menos um dos empresários beneficiados, o Joesley Batista, conta que pagou propina ao ministro da Fazenda. Mas, em outros casos, também há decisões equivocadas. O frigorífico Independência recebeu empréstimo do banco e poucos meses depois quebrou. O JBS acabou comprando o concorrente, salvando também o BNDES.
O TCU, que assessora o Legislativo, vai analisar quantos empregos foram gerados a partir dos financiamentos, se a arrecadação de impostos subiu e a melhora na infraestrutura do país. É normal que os parlamentares saibam mais sobre as operações com dinheiro público.
As instituições do país, não apenas o TCU, devem mesmo avaliar. O BNDES é importante para o desenvolvimento. É preciso saber de que forma ele pode contribuir mais e reduzir o ônus para a sociedade. O subsídio é um gasto direto pago pelo contribuinte brasileiro.
Ouça o comentário feito na CBN.  


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