quinta-feira, 6 de julho de 2017

"Uma alternativa para o Brasil", por Rogério Chequer

Folha de São Paulo


A governabilidade escorre pelo ralo. Como previsto, deputados oportunistas —uma desconfortável maioria— espremem Temer em troca de apoio. Fica cada vez mais caro, para o presidente e para o país, sua sobrevivência. Enquanto isso, vivemos os efeitos de uma recuperação interrompida. Economistas e agentes financeiros começam a mudar as projeções de crescimento, como sempre, lentamente. Passarão meses nesse processo. No campo jurídico, Janot decide acelerar nos cem metros finais de sua maratona, aproveitando para lançar suas últimas flechas com uma voracidade que nunca usou contra Dilma, Lula e seus amigos.

Do outro lado, e nada lentamente, o Brasil real sucumbe. Das agonizantes balas perdidas nas comunidades à paralisação de investimentos e contratações, fica caracterizado mais um voo de galinha. Vão embora as últimas esperanças de que um governo de velhos políticos poderia fazer algo diferente do que sempre fez. A intenção existiu, teve implementação parcial, mas tropeçou nas práticas e costumes do que há de mais antigo e podre no poder.

Há solução? Sim. Esse quadro miserável escancara a necessidade de construção de algo novo, de uma alternativa. Observo várias entidades, sem fins lucrativos, se empenhando na confecção de princípios que transformem o modus operandi falido de nossa República. Vejo essas entidades empreendendo um esforço para construir as bases que servirão de catapulta à renovação de 2018, com critérios, condições e diretrizes para quem quiser participar dela. Da mesma forma que uma descoberta científica é feita simultaneamente por cientistas distantes e desconectados, está ocorrendo no Brasil uma profusão de iniciativas parecidas, com objetivos alinhados, mas que ainda não se conhecem. O momento é de uni-las.

Chegou a hora de montarmos uma coalizão de entidades da sociedade civil que se encarregue de coordenar a transformação que a sociedade busca. Uma coalizão que não tenha como objetivo levar o país para a direita ou para a esquerda, mas para a frente.

Em complemento aos movimentos de rua, que agregaram indivíduos nos últimos três anos, essa frente agora agregará grupos. Muitas das ferramentas serão as mesmas que foram utilizadas nas gigantescas manifestações: mídias sociais, comunidades e grupos de ação virtuais, pesquisas e monitoramento digital. O processo será a continuação do anterior. Aproveitará a capilaridade já conquistada, mas agora com um público que se politizou, a duras penas, pelos escárnios a que foi submetido. Um público que, além de informado, está organizado em estrutura de voluntários, trabalhando de graça com uma gana de fazer inveja a qualquer estrutura capitalista. Essa matéria-prima humana, de alta qualidade, espalhada pelos quatro cantos do país, vai ecoar os gritos de mudança e criar uma dinâmica nunca antes vista num processo eleitoral.

Urge aglutinarmos as diversas entidades, organizações, associações, ONGs, movimentos e grupos de "advocacy" para que remem na mesma direção. 

Nenhuma delas, individualmente, consegue resolver esse problema. Juntas, com a coragem de se contrapor ao status quo, podem transformar o país em 15 meses, desde que comecemos agora.

Já aprendemos que não podemos mais deixar nosso país nas mãos dos tradicionais vampiros, hoje no poder. Sugarão nossos recursos até a última gota.

Cabe a nós, imediatamente, tomar as rédeas da responsabilidade de aproveitar a última janela de oportunidade da nossa geração para renovar essa corja, mudar os costumes, e levar o Brasil para frente.

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