Rennan Setti - O Globo
Vale sobe com real mais fraco e, junto com Petrobras, puxa Bovespa
O dólar retomou seu movimento de alta nesta terça-feira, depois de os Estados Unidos informarem que sua economia cresceu 5%, em dado anualizado, durante o terceiro trimestre, o maior avanço em uma década e bem acima das projeções do mercado financeiro (3,9%). O dólar comercial, que passou a manhã estável, agora sobe 1,80%, cotado a R$ 2,708 para compra e a R$ 2,710 para venda. O real é a moeda que mais perde valor frente ao dólar hoje entre as 16 principais moedas do mundo.
Notícias positivas sobre a economia americana tendem a valorizar a divisa do país porque tornam mais provável o aumento de juros nos EUA, tornando os investidores mais avessos a risco e estimulando a procura por aplicações seguras como o dólar.
— Dados mais fortes de atividade nos EUA tendem a deixar o mercado mais ansioso quanto a um aumento de juros nos EUA. Isso gera valorização para o dólar e afasta investidores de mercados como o brasileiro, já que investir nos EUA fica mais atraente — afirmou Marcelo Castello Branco, economista da Saga Investimentos. — Mas eu ainda acredito que os juros só subirão por lá em 2016, uma vez que, mesmo com forte crescimento, o país ainda não vê aceleração inflacionária.
Também deve influenciar a divisa a interpretação do relatório trimestral de inflação, divulgado nesta terça-feira pelo Banco Central brasileiro. O BC aumentou a projeção para a inflação oficial de 6,3% para 6,4% em 2014. Nas contas dos técnicos, a inflação não voltaria para a meta nem daqui dois anos. No entanto, na contramão das estimativas, a autoridade monetária afirmou que fará “o que for necessário” para colocar o IPCA no objetivo em 2016. As projeções sobre a inflação influenciam o câmbio porque o BC costuma intervir no valor do dólar para prevenir uma aceleração maior dos preços, sobretudo de produtos importados.
Entre as ações, a Petrobras registra seu terceiro pregão consecutivo de alta nesta terça-feira e a Vale avança com força, deixando a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) em terreno positivo. O índice de referência Ibovespa operava, às 15h35m, com uma alta de 0,94%, aos 50.546 pontos.
PETROLÍFERA SOBE MAIS DE 3%
Hoje, as ações da petroleira avançam 4,84% (ON, com direito a voto) e 4,94% (PN, sem voto). Na avaliação de Elad Revi, da corretora Spinelli, a valorização da companhia reage ao “respiro” no preço do petróleo no mercado internacional. O barril do tipo Brent registra valorização de 1,10% nesta terça, cotado a US$ 60,76.
— Eu chamo de respiro porque o preço simplesmente parou de cair, mas não dá para saber a tendência futura. O que podemos dizer é que, aparentemente, o mercado parece trabalhar com um cenário mais positivo para o produto em 2015 — afirmou o analista.
Em se tratando de Petrobras, sempre há também a influência política no valor dos papéis, observou Revi. Em entrevista ao GLOBO na segunda-feira, na sede da Petrobras, a presidente da empresa, Maria das Graças Foster, disse que nunca foi avisada pela ex-gerente executiva, Venina Velosa da Fonseca, sobre irregularidades que estariam acontecendo dentro da empresa.
Segundo Graça Foster, Venina só a informou em 2009, através de um email, sobre problemas na área de comunicação da diretoria de Abastecimento, à época sob o comando de Paulo Roberto Costa. Graça, que naquele ano era diretora de Gás e Energia da estatal, disse ter passado as informações a Costa, fornecendo ao então diretor uma série de documentos entregues a ela pela própria Venina.
Na entrevista, a presidente revelou que a estatal bateu novo recorde de produção de petróleo no último dia 21. Segundo Graça Foster, a produção nesse dia atingiu 2,286 mil barris diários de petróleo. Considerando os parceiros privados, a produção total de petróleo no país atingiu 2,470 mil barris diários.
A JBS sobe 2,41% hoje. Ontem, a companhia registrou queda de 8,7%, afetada por notícia do “Valor Econômico” que disse que a empresa fez depósitos de R$ 800 mil em duas contas de empresa-fantasma investigada pela Polícia Federal na operação Lava-Jato.
A Vale registra alta de 4,16% (ON) e 4,23% (PN). Exportadora, a companhia se favorece do real mais fraco. Segundo Elad Revi, também é positivo para a companhia uma economia americana mais pujante. A Fíbria, também exportadora, avança 3,23%.
Os bancos registram queda. O Banco do Brasil recua 0,85%, enquanto o Itaú Unibanco cai 0,11%. O Bradesco é exceção e avança 0,34% nas ações PN.
MERCADOS EXTERNOS EM ALTA
Na Europa, as ações sobem pelo sexto pregão consecutivo, ainda reagindo às sinalizações do Fed (Federal Reserve, banco central dos EUA) de que terá paciência no aumento dos juros americanos. Puxam as Bolsas europeias as ações do setor de construção. O índice de referência Euro Stoxx sobe 0,63%, enquanto a Bolsa de Londres avança 0,35%, a de Paris tem alta de 0,90% e a de Frankfurt, 0,37%.
Em Wall Street, as ações também sobem, depois da divulgação do maior PIB desde 2003. O índice Dow Jones avança 0,26%; o Nasdaq sobe 0,19%; o S&P 500 valoriza-se em 0,38%.