Na reforma ministerial, sai um comunista discreto e entra um teólogo animador
No país da “Copa das Copas” e da Olimpíada que colocará o Brasil no top 10 das potências esportivas, segundo o governo federal, o novo ministro do Esporte é um “radialista, apresentador de TV, teólogo e animador''.
Com os senhores, o deputado George Hilton, baiano, mas deputado federal pelo PRB de Minas Gerais. E, em uma semana, o comandante da pasta até então nas mãos de Aldo Rebelo, que vai para a pasta da Ciência e Tecnologia
Motivo da troca
A conta é simples: o PCdoB terá apenas 10 deputados e um senador, na próxima legislatura. O PRB terá o dobro, 21 deputados e um senador.
Mais: o PRB foi fiel a Dilma na campanha eleitoral. Agora, o ministério é um reconhecimento ao senador Marcelo Crivella (PRB/RJ). Com o apoio do correligionário George Hilton, Crivela poderá explorar o potencial e a visibilidade do Esporte, em plena temporada olímpica, para pavimentar a sua campanha à Prefeitura do Rio, em 2016.
Memória
Quando Lula ofereceu o Ministério do Esporte ao PCdoB, em 2003, a senadora Vanessa Grazziotin protestou: “A pasta do Esporte é uma coisa menor para a importância da história do PCdoB”. Ela queria algo mais grandioso. Não vingou.
Agora, 11 anos depois, o PCdoB sai do Ministério com triste saldo: teve muito dinheiro, mas, sem gestão eficiente, não formulou política pública nem para o alto rendimento. Foi mero repassador de verbas; fez a alegria dos cartolas, principalmente, que deveriam ser fiscalizados.
Sob o comando do PCdoB, o Esporte foi pasta de farta corrupção, principalmente nos mandatos de Agnelo Queiroz e Orlando Silva.
Futuro
O que esperar do ministro George Hilton?
O distinto parlamentar não frequenta a Comissão de Esporte. Sem conhecer o setor, a estrutura – falida – do esporte, e os vícios e espertezas dos cartolas ele não terá voz expressiva, segura,confiável para as mudanças urgentes que precisamos.
Com essa escolha, a presidente Dilma conseguiu reduzir a nada o ministério que já era inexpressivo, apesar de sua importância no contexto social, econômico, de representatividade internacional etc.
O Ministério continuará apenas administrando recursos que privilegiam a elite do esporte, e suas autoridades frequentando espaços para chegarem a cargos eletivos mais atrativos. O Ministério do Esporte é apenas um palanque de transição.
E só.
