quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

"A lógica da reforma ministerial", por Ilimar Franco

O Globo




          A presidente Dilma fez uma reforma de olho na sucessão de 2018. Fortaleceu seu governo nos estados com maior eleitorado, a começar por São Paulo, com nove ministros políticos. Ela injetou sangue novo para que isso leve à criação de programas inéditos. A longa negociação com os parceiros PT-PMDB e com os aliados teve como objetivo atender e manter unidos os partidos que a elegeram.
De olho na maioria dos eleitores
Além de São Paulo, a presidente Dilma privilegiou nomear ministros dos maiores colégios eleitorais do país. Sua intenção foi construir um Ministério politicamente forte para enfrentar as agruras de 2015: o arrocho fiscal e o escândalo na Petrobras. O objetivo é sustentar o projeto de poder do PT até que o vento sopre a favor. Ela escalou na Esplanada ministros de Minas (2), Bahia (1), Rio Grande do Sul (3), Pernambuco (1), Ceará (1), Pará (1), Centro-Oeste (1) e Amazonas (1). Buscou ainda interlocução com o mercado financeiro (Joaquim Levy), o agronegócio (Kátia Abreu) e a indústria (Armando Monteiro). E teve a cautela de estender as mãos para a opinião pública ao não nomear citados na Lava-Jato.
Não se pode misturar as duas coisas, publicidade e jornalismo. Não podemos ter uma relação comercial com a mídia” 

Ministro
Integrante da coordenação de governo, explicando porque não sairá da Secom a administração das verbas publicitárias, que se orienta por regras técnicas.
Tudo está no seu lugar
Os petistas da EBC, a TV estatal, que queriam se libertar da Secretaria de Comunicação (Secom) da Presidência, dançaram. Vão ficar onde estão. A presidente Dilma definiu também que a verba publicitária não irá para as Comunicações.
Sensibilidade
O destino do PP e do PSD é o tema mais enrolado da reforma ministerial. O PP quer ficar na pasta das Cidades, que foi prometida ao presidente do PSD, Gilberto Kassab. Na cúpula do PP, explica-se porque o partido resiste à ida para a Integração. Alegam que Kassab foi acintoso, pois a 90 dias ele já se vendia como ministro, e isso insuflou os brios do partido.
Cota pessoal da presidente
O Planalto confirmou ontem que a ministra Izabella Teixeira vai ser mantida no Meio Ambiente. O senador Jorge Viana (PT-AC), que esteve cotado, ficou prejudicado com a citação do irmão e governador, Tião Viana, na Lava-Jato.
Quem quer o que ninguém quer
Patinho feio da Esplanada, a pasta da Pesca será ocupada pelo ex-prefeito Helder Barbalho, que concorreu ao governo do Pará. Ele é filho do ex-presidente do Senado Jader Barbalho. A escolha ocorreu porque o Pará é o maior produtor de pescado, 728 mil toneladas/ano, cuja atividade envolve 275 mil pescadores /cabos eleitorais.
Renan 4 x 2 Temer
Clássico no PMDB. Renan Calheiros, presidente do Senado, acabou fazendo quatro ministros: Eduardo Braga, Helder Barbalho, Vinícius Lages e Kátia Abreu. Já o vice-presidente Michel Temer, apenas dois: Eliseu Padilha e Edinho Araújo.
Não tem viagem perdida
O futuro ministro da Fazenda, Joaquim Levy, fez ontem uma visita de cortesia ao presidente do Supremo, Ricardo Lewandowski. O ministro do STF aproveitou para pedir aumento para os servidores do Judiciário, sem reajuste desde 2006.
O presidente da Câmara, Henrique Alves (PMDB-RN), ficou aliviado por ter pedido ao vice Michel Temer a retirada de seu nome da lista de ministeriáveis.