Presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), articulou a queda do advogado-geral da União
Em derrota histórica para o governo Lula, o Senado rejeitou a indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, para a vaga de ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), nesta quarta-feira, 29.
Messias teve 42 votos contrários e 34 a favor (eram necessários 41 favoráveis) na sessão plenária, cujo sufrágio ocorreu de forma secreta. O placar desfavorável se deu mesmo com a liberação bilionária de emendas parlamentares e entrega de cargos em agências reguladoras, pelo Palácio do Planalto, a nomes indicados pelos senadores.
O presidente Lula fez ainda trocas na composição da Comissão de Constituição e Justiça para deixá-la “mais governista” na sabatina, onde Messias obteve o apoio de 16 parlamentares, depois de quase oito horas sob escrutínio.
Nos bastidores, a queda de Messias é atribuída ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), contrário à indicação desde o princípio.
Alcolumbre gostaria de ver, no STF, um candidato de sua confiança, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), seu antecessor no comando do Senado. Por isso, passou a trabalhar pela derrota do chefe da Advocacia-Geral da União (AGU).
Congressistas ouvidos pela reportagem, em caráter reservado, dizem que o recado é claro: Lula está fraco e precisa se sentar à mesa de negociação.
A Oeste, parlamentares disseram que o STF também perde com o resultado. Isso porque ministros, entre eles Nunes Marques e André Mendonça, entraram em campo para emplacar Messias no tribunal. Posteriormente, Cristiano Zanin e o decano do tribunal, Gilmar Mendes, saíram em defesa do chefe da AGU.
Além disso, os congressistas veem a queda de Messias como um recado direto ao STF no que diz respeito a impeachment de ministros.
Cristhyan Costa - Revista Oeste