Sem medo de ser feliz: viva o direito de roubar sem ser investigado!
— Vitória!!!!!
— Viva o Brasil!
— Viva a democracia!
— Abaixo o fascismo!
— Perdeu, playboy!
— É nóis na fita, mano!
— Viva a soberania!
— Ninguém toca nos assaltantes do INSS!
— Hein?
— Ué, não é isso que a gente tá comemorando?
— Mas não precisa gritar.
— Tá bom. Desculpa. Vou por outro caminho.
— Melhor.
— Liberdade!
— Apoiado!
— Liberdade para o calvo do INSS
— Aí não…
— Mas eu falei de um jeito elegante. Não dá?
— Não.
— OK. Liberdade para o moderno sindicalismo brasileiro!
— Viva o trabalhador!
— Viva a mamata dos descontos involuntários!
— Menos.
— Ops. Me distraí.
— Vamos manter o foco.
— Foco é tudo.
— Em defesa dos aposentados desta nação!
— Bravo!
— Que nada falte aos que mais necessitam!
— Até porque a nossa gangue precisa deles!
— Se distraiu de novo.
— Poxa. Sinto muito. A euforia dificulta minha concentração.
— Faz um esforço adicional. É um momento decisivo.
— Deixa comigo. Viva o governo do povo!
— Viva!
— Não toquem na classe trabalhadora!
— Muito bem!
— Não toquem na mesada dos nossos filhos!
— Melhor deixar mesada de fora.
— OK. Pelo direito de ir e vir dos nossos filhos!
— Apoiado! — Pelo direito de ir e vir de carona com os nossos comparsas!
— Não precisa ser tão específico. O direito não precisa do detalhe.
— Bonito, isso.
— Obrigado.
— Então chega de floreios. Vou direto ao ponto, sem medo de ser feliz: viva o direito de roubar sem ser investigado!
— Que é isso?! Ficou louco?
— Por quê?
— Tá todo mundo vendo.
Por Guilherme Fiuza - Revista Oeste