terça-feira, 22 de outubro de 2019

Liberação de água do mar engarrafada incomoda fabricantes da bebida mineral

Fabricantes de água mineral natural preparam reação contra a iminente chegada da concorrência de água do mar dessalinizada, que poderá ser vendida engarrafada. Menos de uma semana após a Anvisa regulamentar o produto, a Abinam (associação da indústria de águas minerais), quer questionar a agência e pedir consulta pública. A Anvisa diz que publicou a norma por causa de uma decisão judicial que exigiu regulamentação do tema e que definiu os requisitos técnicos com rigor.
Funcionários trabalham no carregamento dos caminhões com galoes de água mineral - Moacyr Lopes/Folhapress
Copo O presidente da Abinam, Carlos Alberto Lancia, critica a resolução da Anvisa, dizendo que ela abre caminho a uma regulação mais branda para a água dessalinizada, com exigência inferior de padrões de contaminantes.  
Garrafa Lancia aproveita o contexto do vazamento de óleo no litoral brasileiro para questionar a qualidade da futura concorrente e também reclama da definição das embalagens. Para ele, a diferença entre sua água mineral natural e a dessalinizada precisará ficar mais explícita.
Lupa O texto da resolução, que foi antecipado pela coluna, determina a proporção das letras que vão indicar a designação do produto nos rótulos. Segundo a Anvisa, a nova norma define padrões de segurança compatíveis com os demais alimentos disponíveis no mercado brasileiro. 
Mudança A agência afirma que suas normas podem ser revisadas em caso de apresentação de dados novos.   
Escola A compra da Adtalem pela Yduqs (ex-Estácio), anunciada nesta segunda (21), deixou ciúmes no setor. Outros investidores que também estavam interessados na instituição se queixam por não terem tido oportunidade de fazer suas propostas na negociação que foi exclusiva.
Aula Com marcas como Ibmec e Damásio, a Adtalem era uma instituição que a maior parte das grandes empresas do setor poderiam querer comprar, segundo Carlos Monteiro, presidente da CM Consultoria. “Eles precisavam vender, e a operação estava redonda. Era uma questão de aproximação”, diz Monteiro.
Latinha A corrente de apoio do setor privado à tragédia ambiental no mar do Nordeste começa por um mercado sensível à qualidade das praias: a indústria cervejeira.
Mutirão Na quinta-feira (24), cerca de 400 funcionários da Corona vão parar suas atividades para limpar praias atingidas em Salvador, Recife e Natal. A ação tem parceria com a rede Parley for the Oceans. 

Joana Cunha, Folha de São Paulo