domingo, 9 de julho de 2017

Vídeo de Meirelles pró-Temer saiu pela culatra

Com Blog do Josias - UOL


O vídeo do Twitter está carregando

Pendurado no cargo de presidente da República por um fiapo, Michel Temer recebeu a solidariedade de Henrique Meirelles. O ministro da Fazenda gravou, a pedidos, um vídeo. Nele, armado de um ceticismo à flor da pele, pronunciou as palavras como se praticasse uma roleta russa, na certeza de que manipulava uma sinceridade completamente descarregada.
Num instante em que um pedaço do conglomerado governista articula o pós-Temer, Meirelles disse coisas assim: “…Nossa avaliação é que o presidente Temer continua, que esse governo continua. A equipe econômica está junto e foi escolhida por ele, vai continuar.” O ministro reiterou que a “trajetória de recuperação da economia é um fato consolidado.”
Quando Meirelles precisa achegar-se à boca do palco para dizer que o presidente “continua”, a plateia fica com a incômoda sensação de que o governo não tem um ministro da Fazenda. O ministro é que tem o governo. Diante do inusitado, os repórteres cercaram Meirelles na Alemanha , onde se desenrolava o encontro do G20, para perguntar por que diabos o ministro gravara o vídeo.
Indagou-se de Meirelles se avalia que a gestão Temer reúne mais condições de promover as mudanças do que outro hipotético governo. E ele: “As reformas são hoje consenso, são uma necessidade do país. […] Enfatizei, no entanto, que o governo apoia as reformas e isso é muito importante”.
Meirelles engatou uma segunda. E foi adiante: “Temos que trabalhar, fazer as reformas macroeconômicas, alcançar equilíbrio fiscal do país, e fazer com que retorne ao crescimento. E depois crescer mais. Isso está acontecendo. O desemprego parou de subir”.
Lero vai, lero vem, um repórter voltou ao ponto: um novo governo não apoiaria as reformas? Meirelles poderia dizer muitas coisas: que a pergunta é absurda, que Temer é extraordinário, que o clima em Hamburgo estava ameno… Qualquer coisa! Mas o ministro optou por dizer o seguinte: “Não sei inclusive quem é novo governo.”
Meirelles foi instado a comentar a tese segundo a qual o mercado começa  avaliar que a saída se Temer faria bem ao governo e à economia. De novo, o cardápio de respostas era vasto. E o ministro, abstendo-se de pegar em lanças por Temer, optou por soar assim: “Vivemos numa democracia, todos têm liberdade de opinião e de expressão. Não me cabe fazer colocações de ordem política.”
Vitaminado pelo suposto apoio de Meirelles, Temer aterrissou de volta na crise brasileira na noite deste sábado. Chegou da Alemanha ainda mais convencido de que não é o problema do país. Mas encontrou na Base Aérea de Brasília o seu problema: o presidente da Câmara, Rodrigo Maia. Sob atmosfera de desconfiança, trocaram um dedo de prosa a sós. Coisa de cinco minutos. Ficaram de marcar uma conversa mais longa.
Na ausência de Temer, Maia estreitou sua inimizade com o tucanato. Em conversa com Tasso Jereissati, presidente interino do PSDB, o substituto constitucional de Temer sinalizou a intenção de manter Meirelles e o resto da equipe econômica caso a Presidência da República lhe caia no colo. Em consequência, Tasso passou a dinamitar Temer e a tratar Maia como uma alternativa ao Planalto.
Quer dizer: no momento, a parte do vídeo de Meirelles que mais se aproxima da realidade é o trecho em que o ministro declara que a equipe econômica “vai continuar.” Além do ineditismo de ser denunciado por corrupção sentado no trono, Temer conseguiu a proeza de entrar para a história como um caso rado de político que passou a ser considerado ex-presidente ainda no exercício da Presidência.


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