quinta-feira, 27 de julho de 2017

Preso hoje, ex-presidente do Banco do Brasil e da Petrobras imprimiu provas do crime, diz Ministério Público Federal


Uma das mensagens impressas indica justamente o endereço da casa de um dos investigados. (Foto: AG)

Com O Globo


O MPF (Ministério Público Federal) descobriu que Aldemir Bendine e André Vieira conversavam pelo aplicativo Wickr, com destruição automática das mensagens trocadas. Mas, por algum motivo, fizeram print de mensagens que serviram de prova para a operação realizada nesta quinta-feira (27) pela Lava-Jato, que levou os dois à prisão.
Uma das mensagens impressas indica justamente o endereço da casa de Vieira em Brasília, onde Marcelo Odebrecht e Fernando Reis relataram ter tido uma reunião em que Bendine disse a senha da cobrança de propina, que seria mencionar um empréstimo concedido pelo Banco do Brasil à Odebrecht Agroindustrial.
Há ainda referência à aprovação de empréstimos pelo banco: “O processo tá pronto e vai p a diretoria na terça” seguida de “pra aprovar os pagtos?”. Nestas mensagens, Bendine chegou a mandar informações sobre licitação da Petrobras para o publicitário.
Segundo despacho do juiz Sergio Moro, em outra mensagem impressa Vieira mandou para Bendini uma lista de pessoas próximas a Lúcio Bolonha Funaro, operador do ex-deputado federal Eduardo Cunha e já preso pela Lava-Jato. De acordo com o juiz, as mensagens foram encontradas em arquivos mantidos em “nuvem” dos aparelhos de celular ou dos aplicativos, graças à quebra de sigilo telemática, uma vez que os aparelhos ainda não haviam sido apreendidos.
Moro disse que a quebra de sigilo fiscal indica que a empresa MP Marketing Planejamento Institucional e Sistema de Informação, usada por Vieira para receber os valores da Odebrecht, é uma empresa de fachada.
Taxista
Foi também por meio de mensagens trocadas entre o grupo que a Lava-Jato descobriu que o irmão de André Vieira, Antônio Carlos Vieira da Silva Júnior, teria sido o responsável por providenciar o recebimento do dinheiro da Odebrecht – os pagamentos eram relacionados com o codinome de Bendine: Cobra.
Antonio Carlos mandou mensagens a Marcelo Marques Casimiro, um taxista.
Chamado a prestar depoimento, o taxista contou que presta serviços a Antonio Carlos, que lhe pediu para pegar três pacotes nas datas das entregas de dinheiro feitas a Vieira – segundo a Odebrecht, a entrega foi feita na Rua Sampaio Viana, em São Paulo. Disse, porém, que não sabia que se tratava de dinheiro e deixou os pacotes no apartamento. Para pegar os pacotes ele teve de usar três senhas diferentes, uma para casa ocasião (Oceano, Rio e Lagoa).
O flat da Rua Sampaio Viana havia sido alugado por Antonio Carlos entre abril de 2014 a abril de 2016. Ele negou conhecer o taxista, mas além desta ligação os investigadores descobriram, pelos registros do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), que ele fez vultosas transações em espécie.
No celular de Antonio Carlos foi localizado ainda registro do pagamento de despesas de hospedagem, em janeiro de 2016, para Amanda Bendine, filha de Aldemir Bendine. Para Moro, o pagamento eventualmente pode representar uma forma de transferir, indiretamente, a propina recebida da empreiteira.
Além das conversas, o Ministério Público Federal confirmou ainda, por meio de registro em hotéis e emissão de passagens aéreas, os encontros relatados pelos delatores da Odebrecht.
Bloqueio
Moro determinou o bloqueio de até R$ 3 milhões de contas e aplicações de Aldemir Bendine, André Vieira e do irmão dele, Antônio Carlos Vieira da Silva Júnior. A medida vale ainda para contas da MP Marketing, Planejamento Institucional e Sistema de Informação. Ele negou bloqueio das contas de outras empresas, como ZB Empreendimentos e Arcos Propaganda, até que sejam descobertas provas que elas foram usadas para movimentar propina.

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