Bastidores de uma semana na Oeste | Foto: Montagem Revista Oeste
Desde o número 1, já era possível vislumbrar o caminho que seria consolidado nas 156 edições seguintes: a defesa incondicional do livre mercado, da liberdade individual e da democracia
Segunda-feira, 6 horas. O editor-assistente Cristyan Costa abre os trabalhos de mais uma semana em Oeste. Morador do município de Cotia, a 30 quilômetros do centro da capital paulista, ele escreve as primeiras notas antes mesmo de partir para a redação. Também faz a ronda por várias publicações brasileiras e internacionais, atualiza a página com os destaques do site e seleciona os temas que serão repassados aos repórteres.
Cristyan está em Oeste desde o número 1, publicado em 27 de março de 2020, exatos três anos atrás. Naquele momento, o mundo começava a enxergar com mais nitidez o fantasma da pandemia de covid-19. A escassez planetária de informações sobre aquele inimigo invisível refletiu-se já na inauguração da sala de reuniões. Quanto tempo o vírus ficaria entre nós?, perguntavam os presentes aos companheiros de reunião e a si próprios. Quão mortal seria? Quais medidas de segurança se mostrariam eficazes? Valia a pena falar de um assunto que corria o risco de envelhecer em poucas semanas?

O tema não só inspirou diversos artigos da primeira edição, como garantiu a primeira de muitas capas que a revista publicaria sobre a covid-19. O conteúdo das reportagens permitiria vislumbrar os valores que balizariam o caminho percorrido por Oeste nas 156 edições seguintes: a defesa incondicional do livre mercado, da liberdade, do capitalismo moderno e da democracia. Alguns títulos dos artigos publicados naquela semana: “Como voltar a produzir”, “Viver em quarentena é apenas existir” e “A politização do vírus”.
Ainda pela manhã
Guilherme Lopes chega uma hora depois de Cristyan. Rápido na produção e na publicação de textos, ele demonstra especial apreço por temas ligados à segurança pública. O taquaritinguense Artur Piva, um apaixonado por cálculos, estatísticas e algarismos em geral, também integra a equipe matutina. Piva é um dos raros jornalistas que se entusiasmam quando confrontado com uma planilha de 50 páginas repleta de dados aparentemente indecifráveis. Ao seu lado, Joice Maffezzolli completa a dupla responsável pela cobertura do agronegócio. Os dois sabem mostrar as razões que fizeram do Brasil um gigante mundial neste setor.
Recém-chegado ao time de Oeste, Vitor Marcolin se exprime no bom português que costuma identificar os que cursaram faculdades de letras. Ele, o repórter especial Dagomir Marquezi e o estagiário Estêvão Júnior preferem encarar manadas de dinossauros, chuvas de meteoros ou supercomputadores a tentar desvendar intrigas costuradas nos corredores de Brasília.
Esse papel de desbravador é um dos desempenhados por Silvio Navarro, editor do site de Oeste e especialista em incursões pelas catacumbas do Planalto Central. Graças à memória prodigiosa, Navarro não precisa consultar o Google para evocar com nitidez, por exemplo, os principais personagens, fatos e datas da Operação Lava Jato.
É ele quem comanda, às 12 horas da segunda-feira, a reunião de pauta da redação. Todos os repórteres estão lá, com três exceções. A correspondente Rute Moraes permanece em Brasília. Loriane Comeli mora em Tatuí, no interior de São Paulo, e Fernando de Castro vive no Recife. Nesse encontro semanal são selecionadas reportagens especiais e entrevistas publicadas no site ou no próximo número da revista.

Apesar de ter nascido e atravessado a infância durante uma pandemia, a redação adotou o home office durante apenas quatro meses. É um tempo decididamente curto se comparado a redações que seguem obedecendo à bandeira de ordem aposentada há bastante tempo: “Fique em casa”. Assim que foram abrandadas as medidas de restrição, nossos profissionais retornaram fisicamente ao trabalho. Não há jornalismo que mereça esse nome sem essa espécie de convivência e uma permanente troca de informações.
Às segundas-feiras, quase sempre todos os repórteres fazem pelo menos uma escala na redação. Depois disso, seus destinos são condicionados pelo rumo das apurações
Na reunião de pauta, que conta com os diretores e os editores, as coisas foram diferentes. Não houve uma única tarde de segunda-feira em que eles não se encontraram pessoalmente para analisar a edição que acabou de ser publicada e escolher os assuntos da que virá na sexta-feira. Dessas conversas, que podem durar mais de três horas, participam Jairo Leal, idealizador, fundador e publisher de Oeste, os jornalistas J.R. Guzzo e Augusto Nunes, sócios da empresa, Silvio Navarro, Dagomir Marquezi, Paula Leal, diretora-chefe da área de vídeo, colunistas de passagem por São Paulo, além da signatária desta reportagem.
A ideia de criar o site e a revista semanal nos moldes de Oeste foi lapidada meses a fio em diversos almoços e jantares entre Jairo, Guzzo e Augusto. Se a qualidade dos veículos de comunicação estava tão ruim, por que não criar um novo?, perguntavam-se. Não era hora de lançar uma revista contendo textos elegantes na forma e claros no conteúdo, reportagens baseadas em fatos, sempre evidenciando a disposição de defender a liberdade de expressão e o liberalismo econômico? O Brasil não estava precisando de uma publicação que garantisse sua saúde financeira sem aceitar um único centavo de governos e empresas estatais? Os três enfim chegaram à resposta certa: sim para todas as perguntas.

Durante a tarde
Nestes três anos, Oeste formou uma equipe irretocavelmente alinhada com tais valores — fenômeno raro num país que espalha pelas redações amantes de Che Guevara e devotos de Hugo Chávez. Os talentos foram surgindo e se multiplicando. Um exemplo é Edilson Salgueiro. Sob o comando de Navarro, Edilson coordena os trabalhos no período da tarde. E encontra tempo para seguir devorando livros — especialmente os escritos por autores liberais. O time vespertino é completado por Camila Abdo e Roberto Marques, que só deixa a sede de Oeste às 23 horas.

Às segundas-feiras, quase sempre todos os repórteres fazem pelo menos uma escala na redação. Depois disso, seus movimentos são condicionados pelo rumo das apurações. Há poucas semanas, Dagomir Marquezi zanzava pelo litoral norte de São Paulo investigando como está a vida das vítimas da tempestade que devastou a região um mês atrás. Edilson Salgueiro acaba de voltar de uma viagem a Taiwan. Foi o único jornalista brasileiro convidado pelo governo local a conhecer in loco o território cobiçado pela China. Oeste acredita num velho e sábio mandamento: lugar de repórter é na rua.

(Outro trunfo de Oeste, que os atuais consumidores juram jamais ter encontrado em qualquer outra concentração de jornalistas, é o café de qualidade excepcional. A distribuição impecável fica por conta de Fernanda Samartins, secretária da redação.)
A semana
Em acelerada ampliação, o estúdio de vídeo de Oeste aquece os motores diariamente com o Oeste Sem Filtro. A temperatura sobe com os programas semanais, sempre às 20h30: As Liberais (terça-feira), OesteCast (quarta) e Estúdio Oeste (quinta). A grade de programação ficará mais densa em abril e maio.
Na terça-feira, com boa parte da pauta já definida, intensifica-se a movimentação da equipe de arte, chefiada por Daniela Giorno. Com a experiência adquirida em quase duas décadas no comando dessa editoria na Veja São Paulo, Daniela recorre a fotos e vídeos cuidadosamente selecionados, para tornar ainda mais atraentes os textos agrupados na revista.

Não é pouca coisa. Mas não é tudo. É preciso também cuidar de redes sociais, assinaturas, marketing, administrativo, financeiro. São mais de 50 os profissionais incumbidos de manter a curva ascendente desenhada pela trajetória de Oeste. No site, que funciona sete dias por semana, 24 horas por dia, são mais de 50 milhões os usuários únicos e passam de 5 milhões os visitantes mensais. A revista exibe solidez nas redes sociais, com 1,3 milhão de inscritos em seu canal no YouTube, 1 milhão no Twitter, 800 mil no Instagram e 150 mil no Facebook. Outra proeza: o número de assinantes supera o alcançado por revistas fundadas há décadas.
No jornalismo brasileiro, toda história de sucesso é a história de uma grande equipe. Isso ajuda a explicar por que Oeste não para de crescer.

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