quinta-feira, 19 de janeiro de 2023

Ação da Americanas (AMER3) desaba 42,5% e vai a R$ 1 com pedido de recuperação judicial e anúncio de saída de índices

As dívidas da empresa somam R$ 43 bilhões e envolvem credores financeiros, trabalhistas e fornecedores; em 6 pregões, a baixa acumulada é de 91,67%



As ações da Americanas (AMER3) tiveram uma queda forte na sessão desta quinta-feira (19), dia marcado pelo pedido de recuperação judicial da companhia. Os papéis caíram 42,53%, fechando a simbólicos R$ 1,00, em uma sessão novamente marcada por diversos leilões devido as oscilações extremas. Em seis pregões, as ações saíram de R$ 12,00 para R$ 1,00, ou uma baixa de 91,67%.

Cabe destacar que, nesta tarde, a B3 informou que vai retirar as ações da Americanas de 14 índices da Bolsa de Valores, sendo o principal deles o Ibovespa, em meio ao pedido de recuperação judicial. Além do Ibovespa, as ações da Americanas deixaram os índices IGCX, ICO2, ICON, IBXX, IGCT, IGNM, IBRA, IVBX, ISEE, ITAG, SMLL, IBXL e GPTW. A medida vale após o pregão desta sexta-feira (20). De acordo com a Bolsa brasileira, a participação dos papéis da varejista será redistribuída proporcionalmente aos demais integrantes da carteira dos índices.

No pedido de RJ, a companhia informou que suas dívidas somam R$ 43 bilhões e envolvem credores financeiros, trabalhistas e fornecedores e é o quarto maior caso já registrado no país.

Durante a tarde, o juiz Paulo Assed, da 4ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro, aprovou o pedido. 

“A Americanas informa que deu entrada hoje em seu pedido de Recuperação Judicial na 4ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro. Dado o pedido de Recuperação Judicial da empresa, a Administração da Americanas vem a público informar que seguirá operando normalmente dentro das novas regras da recuperação judicial, cujo um dos objetivos principais é a própria manutenção de empregos, pagamento de impostos e a boa relação com seus fornecedores e credores e investidores de forma geral”, afirmou a companhia em comunicado.

A empresa também afirmou que, para tanto, o grupo de acionistas de referência da empresa informou ao presidente do Conselho de Administração que pretende manter a liquidez da companhia em patamares que permitam o bom funcionamento da operação de todas as lojas, do seu canal digital, Americanas.com, da AME e suas coligadas.

A varejista também pediu o engajamento dos “colaboradores nesta nova fase e principalmente dos fornecedores com quem temos relações históricas. A história da Americanas segue com determinação rumo a uma nova fase, com o compromisso com a sociedade e disposta a construir soluções que possam vir atender aos credores da empresa”.

Durante a manhã, a varejista tinha afirmado que avaliava entrar com um pedido de recuperação judicial em caráter de urgência “nos próximos dias” ou “nas próximas horas” diante de sua posição de caixa, uma semana após revelar um escândalo contábil de pelo menos R$ 20 bilhões. Com isso, os papéis já abriram a sessão em forte queda, que se intensificaram após a confirmação do pedido.

No documento em que destacou a iminência (depois confirmada) do pedido de recuperação judicial, a Americanas citou a decisão da Justiça do Rio de Janeiro na quarta-feira que reverteu entendimento anterior que protegia a companhia contra credores por 30 dias. O caso envolveu o BTG Pactual (BPAC11) e uma dívida de R$ 1,2 bilhão.

Na véspera, a Americanas ainda informou que o Bradesco (BBDC4) reteve mais de R$ 450 milhões do caixa da companhia, o que, segundo a varejista, descumpria a proteção que a empresa obteve da Justiça contra o bloqueio de bens.

Assim, a recuperação judicial é uma trégua que a companhia pede à Justiça para não pagar suas dívidas enquanto tenta se recuperar.

InfoMoney