É a primeira vez que o Fed coloca
recursos no mercado desde a crise
de 2008; no início da tarde foi
anunciado o corte de 0,25 ponto
percentual e porta ficou aberta
para futuras baixas
O Federal Reserve, o banco central dos Estados Unidos, cortou os juros do país em 0,25 ponto porcentual, baixando a taxa básica para a faixa entre 1,75% e 2% e deixou a porta aberta para futuros cortes. É a segunda vez que faz isso desde a crise global de 2008. A primeira foi em julho, após forte pressão do presidente americano, Donald Trump.
Nesta semana, o Fed também injetou US$ 128 bilhões (cerca de R$ 524 bilhões) no mercado. É a primeira vez que o Fed coloca recursos de maneira pesada, nos últimos dez anos.
Além da taxa básica, o banco central americano também cortou a taxa sobre compulsório e excesso de reservas nos Estados Unidos. O Ibovespa perdeu os 104 mil pontos se o dólar encostou em R$ 4,10.
Pressão interna e global
Concluída nesta quarta-feira, a reunião foi influenciada por dados econômicos conflitantes, pressão constante da Casa Branca, cortes acentuados nas taxas de juros no mundo e na esteira de um salto inesperado nos custos de empréstimos overnight, num movimento que por si só exigiu ação.
O corte de 25 pontos-base se alinha aos movimentos de bancos centrais de todo o mundo no sentido de relaxar a política monetária para compensar o impacto de uma guerra comercial EUA-China e outros riscos para a economia global. Apesar de ter vindo em linha com as expectativas, nem de longe ele atendeu ao ajuste demandado por Trump.
Após a decisão, o presidente do Fed, Jerome Powell, afirmou que os dirigentes do banco central americano estão dedicados a adotar a melhor decisão de política monetária em um contexto internacional de muitas incertezas, marcadas por desaceleração na Europa e na China. Powell afirmou que o mercado de trabalho nos EUA continua apresentando bom desempenho, ao mesmo tempo que o avanço dos salários é baixo por causa de remuneração menor. “A inflação continua correndo abaixo de 2%”, afirmou.
'Repo'
A injeção de recursos foi feita para atender à pressão nos mercados monetários, principalmente no segmento overnight em operações de recompra de títulos (chamados repo). "Estamos cientes das pressões nos mercados de repo, com respostas mais fortes do que o esperado", afirmou Powell, que disse também não prever qualquer recessão.
Por trás da alta das taxas esteve um descasamento entre oferta e demanda. De um lado, o dinheiro saiu, reduzindo a quantidade de dólares disponível, porque acabou a necessidade de empresas americanas de fazerem alocações de curto prazo no segmento de recompra que vinha ocorrendo até 15 de setembro, data do pagamento de imposto dessas companhias. De outro, aumentou o interesse de tomadores para financiarem a compra de US$ 54 bilhões em títulos do Tesouro que chegaram ao mercado por causa do vencimento de dívidas já acordadas. O movimento coincidente foi agravado pelo trabalho do próprio Fed de reduzir o tamanho de seu balanço, deixando Treasuries e os títulos hipotecários comprados após a crise financeira rolarem. Essa tarefa reduz a quantidade de reservas em caixa que os bancos mantêm no BC dos EUA. / COM REUTERS
Ricardo Leopoldo, Mateus Fagundes e Célia Froufe, O Estado de S.Paulo
