
Duas manifestações contra a concessão de habeas corpus para o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e em apoio à prisão após condenação em segunda instância acontecem na noite desta terça-feira na Praia de Copacabana. Em outras dez capitais, foram realizados atos contra o ex-presidente e a favor da prisão após a segunda instância. Em São Paulo e e Belo Horizonte, também há atos em defesa de Lula.
No Rio, o grupo Vem Pra Rua reúne centenas de manifestantes em frente ao hotel Rio Othon Palace. O grupo alugou um telão, que passa vídeos e fotos contra a corrupção. Os militantes entoam cânticos contra os ministros do STF, como Gilmar Mendes e Celso de Melo.
Mais atrás, em frente ao Posto Cinco, algumas dezenas de pessoas se reúnem em torno do trio elétrico do Movimento Brasil Livre (MBL). A passeata é engrossada por ex-funcionários da Varig, que protestam no mesmo local.
Em discurso no carro de som, o humorista Marcelo Madureira disse que os ministros do STF não poderão andar na rua se derem o habeas corpus a Lula.
— Vocês não vão poder descer na garagem do prédio sem serem baixados — diz.
Dominada por camisas da seleção brasileira e cartazes contra a corrupção, poucos participantes fazem alusão a políticos ou partidos.
O estudante de Direito Victor Ben, de 23 anos, foi pela primeira vez a uma manifestação.
Segundo ele, o STF vai se mostrar partidário caso vete a prisão em segunda instância nesta quarta-feira.
— Se soltarem o Lula ficará claro que o STF é parcial. Não podem mudar uma decisão para ajudar um político.
— Se soltarem o Lula ficará claro que o STF é parcial. Não podem mudar uma decisão para ajudar um político.
O empresário Sergio Miranda, de 60 anos, diz que seu medo é que uma mudança no entendimento do Supremo beneficie todos os criminosos.
— O STF vai abrir as portas do inferno. Amanhã essa regra vai beneficiar o Fernandinho Beira-Mar e o Marcinho VP — afirma.
O empresário conta que votou em Lula em 1989, mas se sente traído hoje.
— Eu fui enganado por esse sistema podre.
As manifestações prejudicam o trânsito na Zona Sul do Rio. De acordo com o Centro de Operações Rio (COR), o trânsito na Avenida Atlântica foi interditado no sentido Leme, entre a Rua Francisco Otaviano e a Rua Miguel Lemos. Equipes da CET-Rio realizam o desvio de tráfego de veículos que está na Rua Francisco Otaviano para a Avenida Nossa Senhora de Copacabana. Há congestionamento próximo aos pontos de bloqueio na região.
A melhor opção para os motoristas é seguir pela Avenida Epitácio Pessoa, o corte do Cantagalo e a Avenida Nossa Senhora de Copacabana para ir da Zona Sul para o Centro e Zona Norte. Os acessos da Avenida Borges de Medeiros e Epitácio Pessoa na chegada ao Túnel Rebouças estão congestionados.
