
Com O Globo
Ex-editor de Opinião do GLOBO, o jornalista Luiz Garcia morreu nesta terça-feira, em Petrópolis, aos 81 anos. Garcia estava em uma clínica de reabilitação na Região Serrana do Rio há treze dias, onde realizava tratamento reabilitacional. Ele havia sido diagnosticado com mal de Alzheimer há quatro anos. Luiz Garcia deixa dois filhos.
Ao longo de seis décadas dedicadas ao jornalismo, Luiz Garcia exerceu diversas funções na profissão desde que iniciou a carreira aos 17 anos como repórter na “Tribuna da Imprensa”. A experiência adquirida como correspondente em Nova York, editor-chefe da revista “Veja”, editor de Política do GLOBO e, depois, editor de Opinião, entre outras atribuições, o transformou em um mestre para uma geração de jornalistas. Compartilhou seus conhecimentos quando esteve à frente do programa de treinamento de estágios no GLOBO.
Em sua trajetória no GLOBO, Luiz Garcia zelou pela qualidade do conteúdo do jornal publicado diariamente. Em 1986, ele começou a produzir uma crítica diária enviada aos jornalistas, o que determinou o padrão de estilo do jornal. Suas observações passaram a ser publicadas na edição impressa em 1999 e permaneceram até 2006, quando a tarefa passou para o atual editor de Opinião, Aluizio Maranhão — até hoje, a crítica é publicada.
Persistente no ofício de ensinar, Garcia não hesitava em voltar aos mesmos temas sempre que os erros eram recorrentes. Nos anos 1990, Luiz Garcia compilou suas observações sobre o jornalismo e criou o “Manual de Redação e Estilo” do GLOBO, publicado pela primeira vez em 1992.
Em 2003, passou a se dedicar à coluna no GLOBO, que foi publicada semanalmente, às terças e sextas-feiras, até setembro de 2015. Na estreia da coluna, no dia 3 de janeiro daquele ano, combinou o tom professoral com o humor fino, descrito por quem conviveu com Garcia na redação.
“Atenção, classe. Nas ciências exatas, a análise de fenômenos que se repetem permite a previsão de comportamentos imutáveis. [...] Nos fenômenos sociais e políticos, a coisa encrespa. Nada se repete da mesma maneira, há excesso de variáveis e de coisas que a gente nunca poderia ter imaginado. Estamos cercados por escravos do palpite, com a agravante de que raramente ele atende por esse nome — e nos deixamos levar, avançando pela futurologia adentro, com a segurança do cego que marcha trepado nos ombros do paralítico”, escreveu Garcia.
Em 2000, Garcia publicou o livro “O mundo, esse lírio — Artigos sobre jornalismo e outras coisas”, uma coletânea de textos que oferecia uma reflexão sobre a natureza do jornalismo.