segunda-feira, 2 de abril de 2018

Há que se respeitar opiniões diferentes, diz Cármen sobre julgamento de Lula, corrupto maior da Lava Jato. Claro! Desde que não seja para manter impune um depravado que debocha da justiça e do povo brasileiro desde o Mensalão




A ministra Cármen Lúcia, presidente do STF - Ailton Freitas/Agência O Globo/22-03-2018


André de Souza, O Globo


Em meio ao clima tenso no Supremo Tribunal Federal (STF), que se prepara para julgar o habeas corpus do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva na quarta-feira, a presidente da corte, ministra Cármen Lúcia, gravou um pronunciamento a ser veiculado na TV Justiça no começo da noite desta quarta-feira em que pede serenidade. Ela também prega respeito à democracia e às opiniões diferentes, e afirma que "vivemos tempos de intolerância e de intransigência contra pessoas e instituições".

"Por isso mesmo, este é um tempo em que se há de pedir serenidade. Serenidade para que as diferenças ideológicas não sejam fonte de desordem social. Serenidade para se romper com o quadro de violência. Violência não é justiça. Violência é vingança e incivilidade. Serenidade há de se pedir para que as pessoas possam expor suas ideias e posições, de forma legítima e pacífica", diz trecho do pronunciamento.

Depois, acrescenta: "Gerações de brasileiros ajudaram a construir uma sociedade, que se pretende livre, justa e solidária. Nela não podem persistir agravos e insultos contra pessoas e instituições pela só circunstância de se terem ideias e práticas próprias. Diferenças ideológicas não podem ser inimizades sociais. A liberdade democrática há de ser exercida sempre com respeito ao outro."

De acordo com Cármen Lúcia, "o sentimento de brasilidade deve sobrepor-se a ressentimentos ou interesses que não sejam aqueles do bem comum a todos os brasileiros". Segundo a Secretaria de Comunicação da corte, o vídeo será exibido no "Jornal da Justiça", que começa às 18h30 na TV Justiça.

Confira a íntegra do pronunciamento:

"A democracia brasileira é fruto da luta de muitos. E fora da democracia não há respeito ao direito nem esperança de justiça e ética.

Vivemos tempos de intolerância e de intransigência contra pessoas e instituições.

Por isso mesmo, este é um tempo em que se há de pedir serenidade.

Serenidade para que as diferenças ideológicas não sejam fonte de desordem social.

Serenidade para se romper com o quadro de violência. Violência não é justiça. Violência é vingança e incivilidade.

Serenidade há de se pedir para que as pessoas possam expor suas ideias e posições, de forma legítima e pacífica.

Somos um povo, formamos uma nação. O fortalecimento da democracia brasileira depende da coesão cívica para a convivência tranquila de todos. Há que serem respeitadas opiniões diferentes.

Problemas resolvem-se com racionalidade, competência, equilíbrio e respeito aos direitos. Superam-se dificuldades fortalecendo-se os valores morais, sociais e jurídicos. Problemas resolvem-se garantindo-se a observância da Constituição, papel fundamental e conferido ao Poder Judiciário, que o vem cumprindo com rigor.

Gerações de brasileiros ajudaram a construir uma sociedade, que se pretende livre, justa e solidária. Nela não podem persistir agravos e insultos contra pessoas e instituições pela só circunstância de se terem ideias e práticas próprias. Diferenças ideológicas não podem ser inimizades sociais. A liberdade democrática há de ser exercida sempre com respeito ao outro.

A efetividade dos direitos conquistados pelos cidadãos brasileiros exige garantia de liberdade para exposição de ideias e posições plurais, algumas mesmo contrárias. Repito: há que se respeitar opiniões diferentes. O sentimento de brasilidade deve sobrepor-se a ressentimentos ou interesses que não sejam aqueles do bem comum a todos os brasileiros.

A República brasileira é construção dos seus cidadãos.

A pátria merece respeito. O Brasil é cada cidadão a ser honrado em seus direitos, garantindo-se a integridade das instituições, responsáveis por assegurá-los."