Partido articula 'fechamento de questão' para angariar apoio total ao impeachment
Os últimos três dias foram de pressão sobre o líder do PMDB na Câmara, Leonardo Picciani (PMDB). Reuniões promovidas por seu pai, Jorge Picciani, desde sábado, no Rio de Janeiro, tiveram tom consensual sobre o abandono do bloco ao governo. Com isso, peemedebistas favoráveis ao impeachment enxergam no chamado "fechamento de questão" uma estratégia para cooptar mais votos contra Dilma, inclusive o do próprio Leonardo Picciani, que, na comissão especial, votou a favor do governo.
No jargão legislativo, fechar a questão significa elaborar um documento aprovado pela executiva de um partido dando diretrizes sobre um determinado tema. Em tese, depois de fechada a questão, todos os membros do partido devem votar de acordo com o documento. O fechamento da questão sobre o impeachment liberaria Picciani de seus compromissos com o governo sem atribuir-lhe tão diretamente a pecha de traidor.
A estratégia dos que advogam pela saída de Dilma Rousseff é tentar chegar a um entendimento entre os membros da bancada de que o governo atual não deve encontrar sustentação no apoio vulnerável do PP e do PR. Os próprios parlamentares do PP já tentam articular entre eles um fechamento de questão sobre o impeachment. Diante disso, ao restar apenas o PMDB de Picciani a reboque do governo, a aliança ficaria por um fio. Até o momento, os peemedebistas que apoiam o governo se restringem a uma pequena parcela que inclui ministros e poucos convertidos por Picciani. O governo sonha com um apoio de 19 parlamentares do PMDB na votação em Plenário. Mas, até agora, apenas seis declararam voto favorável.
Para viabilizar o fechamento de questão, é preciso que a maioria da bancada (metade mais um) aprove um pedido a ser enviado à executiva do partido. A partir daí, convoca-se uma reunião de urgência dos 13 membros da executiva para deliberar sobre o tema. Peemedebistas contrários ao governo afirmam que, entre eles, apenas os senadores Renan Calheiros, que preside a Casa, e Eunício Oliveira (PMDB-CE) não seriam votos certos a favor de se fechar a questão sobre o impeachment.
Ainda assim, a aprovação pela maioria da executiva seria suficiente para encerrar o assunto. Peemedebistas dizem, contudo, que não agirão com truculência para forçar a definição. Dizem que o fechamento só será possível se houver consenso, inclusive de grupos aliados a Renan, ao senador Jader Barbalho e ao próprio Picciani. Um reunião de bancada será convocada para quinta-feira. Contudo, Picciani negou a ÉPOCA que o encontro seja para definir fechamento de questão, e sim para conversar sobre o impeachment. Um ministro peemedebista ouvido por ÉPOCA confirma as discussões sobre o fechamento de questão mas se diz cético sobre sua visibilidade. "Não há consenso para o partido se levantar isso hoje".