Cristiane Jungblut e Simone Iglesias - O Globo
Com o avanço do processo de impeachment na Câmara, a direção nacional do PMDB articula o "fechamento de questão", o voto unânime da bancada de 68 deputados, a favor do afastamento da presidente Dilma Rousseff.
A executiva, comandada pelo senador Romero Jucá (RR), se reunirá na próxima quinta-feira, véspera do começo da votação em plenário, para discutir o tema. Jucá vem costurando esta posição internamente.
Apesar do PMDB nunca ter adotado este tipo de postura em votações congressuais, a cúpula entende que a simples discussão desta proposta seria uma forma de pressionar os dissidentes, que já chegaram a 25 parlamentares, mas que hoje estariam em cerca de dez.
Na noite de segunda-feira, o vice-presidente Michel Temer jantou, no Palácio do Jaburu, com o líder do PMDB na Câmara, Leonardo Picciani (RJ). A avaliação feita é de que o grupo governista do partido diminuiu nos últimos dias pelas negociações em curso.
Mapeamento da cúpula indica que, no momento, não chegam a dez os parlamentares aliados a Dilma, dentre eles, Picciani; os ministros Celso Pansera (Ciência e Tecnologia), Marcelo Castro (Saúde), Mauro Lopes (aviação Civil), que retomarão os mandatos para votar no domingo; além de deputados do Pará e de Alagoas.
Segundo interlocutores do vice-presidente, a conversa foi em torno de um "roteiro de procedimento" para evitar desgastes entre direção e deputados após a votação do impeachment. Piccini explicou a Temer sua dificuldade em mudar o voto, já declarado a favor de Dilma. Temer, por sua vez, sinalizou que independentemente da posição do parlamentar, não haverá nenhum tipo de "retaliação".