| Diego Padgurschi/Folhapress | |
| O ex-senador Gim Argello (PTB-DF) é preso na Operação Lava Jato |
FELIPE BÄCHTOLD
JULIANA COISSI
UOL
JULIANA COISSI
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O ex-senador Gim Argello (PTB-DF) indicou a conta corrente de uma igreja para receber parte da propina de empreiteiras, segundo os investigadores da Operação Lava Jato.
Argello é o alvo principal da 28ª fase da operação, deflagrada nesta terça-feira (12), e foi preso preventivamente sob suspeita de atuar para barrar investigações na CPI da Petrobras, em 2014.
De acordo com o procurador da República Athayde Ribeiro da Costa, a Paróquia de São Pedro de Taguatinga, no Distrito Federal, foi indicada pelo então senador para receber dinheiro da OAS. O procurador afirma que o político era frequentador da igreja à época.
Foram pagos R$ 350 mil em uma conta corrente da paróquia, aponta a investigação. Para o Ministério Público Federal, no entanto, não há nenhum indício de culpa contra os integrantes da igreja.
Além dos recursos para a igreja, a Lava Jato também aponta que houve pagamentos de R$ 5 milhões por meio de doações oficiais da UTC para a coligação dele na campanha de 2014.
O procurador Carlos Fernando dos Santos Lima diz que os pagamentos para a paróquia serão ainda mais investigados. O objetivo é saber se havia algum tipo de influência de pessoas dessa igreja nas campanhas eleitorais. Lima afirma que uma paróquia é "muito suscetível" a receber dinheiro em espécie porque obtém muitas doações. "Não é porque é uma Igreja Católica ou de qualquer outra denominação que nós não vamos aprofundar as investigações."
Argello foi vice-presidente da CPI da Petrobras. Segundo os procuradores, ele foi inicialmente procurado pelos empreiteiros da UTC, Ricardo Pessoa, e Léo Pinheiro, da OAS. As tratativas aconteceram de maio a julho de 2014.
As convocações de empreiteiros para depoimentos na comissão no Congresso acabaram não acontecendo. A CPI foi instaurada para apurar irregularidades que já estavam sendo investigadas na Operação Lava Jato, naquela época ainda em fase inicial. A investigação foi deflagrada em março de 2014.
Argello foi candidato por uma coligação formada pelo PR, DEM, PRTB e PMN, mas não se reelegeu. Segundo a Procuradoria, não há indício de que o então senador tenha agido "em conluio" ou a mando de algum outro político. Também apontou que o filho de Argello, Jorge, participou das negociações com os empreiteiros.
O Ministério Público Federal afirma que mensagens no celular de Léo Pinheiro apontavam o pagamento de propina para o então senador. Os repasses, dizem os investigadores, eram chamados de "projeto alcoólico", em alusão ao apelido do político, Gim. O dinheiro, diz a investigação, vinha de uma obras na Refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco, da Petrobras.
A investigação partiu da delação de Ricardo Pessoa, firmada em maio de 2015. A parte relativa a Argello foi cindida e enviada à primeira instância da Justiça Federal. Trechos que abordam autoridades com foro privilegiado estão com a Procuradoria-Geral da República.
A reportagem ainda não localizou os advogados do ex-senador.