sábado, 21 de fevereiro de 2015

“Libération” debocha do Brasil governado pelos corruptos Lula e Dilma: ditador da Guiné Equatorial é o novo rei do carnaval

Fernando Eichenberg - O Globo

Reportagem publicada pelo jornal 'Libération' faz críticas ao patrocínio do carnaval pelo governo do país africano


Matéria do jornal francês Libération sobre a Beija-Flor - Reprodução


 
PARIS - Como ocorrem em todos os anos, o Carnaval carioca recebeu destaque na mídia francesa, mas desta vez menos pelos quesitos de luxo e beleza na avenida, e mais pela polêmica envolvendo a homenagem da escola campeã Beija-Flor à ditadura da Guiné Equatorial. Sob o título “Obiang faz dançar os brasileiros”, o jornal “Libération” relata como Teodoro Obiang Nguema Mbasogo, no comando do pequeno país da África Central desde 1979, se tornou “o novo rei do célebre Carnaval do Rio” ao ver triunfar “sua” escola de samba.

“Obiang pagou pela prestigiada escola a bagatela de R$ 10 milhões (€ 3 milhões), um recorde segundo O Globo, o grande jornal do Rio que revelou o caso”, escreveu a correspondente do jornal em São Paulo, Chantal Rayes. Em troca, a Beija-Flor não economizou esforços para exaltar a Guiné Equatorial, em um desfile que contou com a presença do ditador africano nos camarotes do Sambódromo. A escola quase alcançou a nota máxima, enquanto sua concorrente que prestava homenagem à Nelson Mandela amargava o sexto lugar”, afirma “Libération”.

O jornal assinala que os jurados “não foram sensibilizados pelos abusos de um ditador”, e aponta a preocupação com o controle do Carnaval pelo crime organziado, com a benção do Estado. “A maior parte das escolas de samba, Beija-Flor à frente, estão na verdade nas mãos de bicheiros, os chefes dos jogos clandestinos, uma máfia temível. Mais recentemente, empresas entraram na disputa para financiar as escolas. Estados também colocam a mão no bolso, mas é uma estreia para uma ditadura”, conclui o jornal francês.

No mesmo tom, o “Le Monde” definiu Teodoro Obiang Nguema como “mecenas” do Carnaval do Rio, um festa que este ano “prestou homenagem a uma ditadura”. O célebre vespertino francês descreve a apresentação da Beija-Flor como uma “coreografia luxuriante, transbordando cores feéricas e carros alegóricos monumentais”, e ressalta: “Uma estética e uma técnica que agradou a um júri menos preocupado, ao que parece, com os aspectos éticos e financeiros do desfile”.

“O Sr. Obiang – que é alvo junto com seu filho Teodorin Obiang de um inquérito por corrupção e lavagem de dinheiro – teria dado cerca de R$ 10 milhões à Beija-Flor para patrocinar o desfile, segundo o jornal O Globo”, escreve o correspondente do “Le Monde” no Rio, Nicolas Bourcier.

A Beija-Flor é descrita como uma escola que no passado exaltou por diversas vezes os grandes feitos da ditadura militar brasileira. O jornal aponta os bicheiros como os benfeitores tradicionais do carnaval carioca, mas com alterações no sistema nos últimos anos:

“Há pouco mais de uma década, os mecenas e patrocinadores aprovados se convidaram para a festa. São incontáveis os grandes grupos implicados nos desfiles. Oito das doze mairoes escolas de samba do carnaval foram financiadas por doadores em 2014. Entretanto, nunca um tal valor havia sido mecionado”, finaliza o “Le Monde”