Centro de distribuição em uma fábrica de carros | Foto: Eugene_Photo/Shutterstock
Enquanto os pátios das montadoras lotam por causa do anúncio atabalhoado da implementação do carro popular, empresas estrangeiras de tecnologia anunciam investimentos privados no interior paulista
As maiores lideranças do setor automotivo falam em “absurdo total” e “falta de rumo” do governo federal na implementação do programa do carro popular. No entanto, mais do que as expressões usadas, CEOs e fundadores de montadoras falam que o setor viveu três semanas de paralisação com pátios lotados de carros sem compradores por causa das indefinições. “Eles nunca souberam o que queriam e como iriam abaixar o preço”, diz o presidente de uma das maiores montadoras do país.
Briga em concessionária
A revolta maior do setor se centra no anúncio antecipado e atabalhoado do governo em um momento de queda nas vendas. De acordo com o CEO de uma importante montadora, houve diversos cancelamentos de clientes nas últimas semanas. “Deu até briga em concessionária”, diz. “Imagina se você vai comprar um carro de menos de R$ 120 mil e falam que vão baixar o preço. É claro que você aguarda e não vai comprar.”
Setor automotivo: falta de rumo incomoda dirigentes de montadoras | Foto: Shutterstock
Baixas vendas
As vendas de veículos caíram em maio, como era esperado. A Bright Consulting, especializada no setor automotivo, calcula que a retração do consumidor levou à perda de vendas de mais de 15 mil carros. As locadoras também seguraram pedidos. A queda nas vendas só não foi mais significativa porque a maior parte dos veículos vendidos no país custam mais de R$ 120 mil. A consultoria é categórica ao afirmar que as vendas mais baixas nas últimas semanas se devem ao anúncio do programa do carro popular.
Gosto amargo
A semana se encerrou com gosto amargo para o governo federal com o programa do carro popular. Motivo: montadoras importantes, como Hyundai (do HB20) e Renault (do compacto Kwid) ignoraram as medidas dos descontos e suspenderam a produção de carros.
Onix, da Chevrolet: paralisação da produção do carro mais popular do Brasil | Foto: Divulgação
O carro mais popular
A decisão mais impactante envolveu justamente o carro mais popular do país, o Onix. A General Motors anunciou a paralisação da produção do veículo inicialmente por dez dias na fábrica de Gravataí (RS), dias depois de anunciar outra parada na planta de São José dos Campos, no interior paulista, que afeta 2,7 mil funcionários. A razão é clara: falta comprador.
Recordar é viver
Em dezembro de 2021, esta coluna falou com o então presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores, Luiz Carlos Moraes, que disse uma frase que repercutiu na época: “O carro popular acabou no Brasil”. Isso porque o Onix, carro de entrada da Chevrolet/GM, tinha passado a custar R$ 91 mil. “Não existe mais a figura do carro pé de boi, sem segurança, sem airbag“, disse Moraes. “A sociedade não aceita mais esse tipo de veículo. Para cumprir as exigências, como redução de consumo e de emissões, é preciso mais investimentos e, por isso, os veículos ficam mais caros. O carro básico não vai existir mais.”
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De casas a grandes corporações
A Nice, multinacional italiana que desenvolve soluções de automação residencial e corporativa, vai anunciar na próxima segunda-feira, 12, o investimento de R$ 140 milhões no Brasil. O dinheiro vai direto para Limeira, no interior de São Paulo, para uma fábrica que possibilitará que a companhia avance na América Latina com foco na automação de casas e grandes corporações.
Nice: multinacional italiana vai investir R$ 140 milhões no interior paulista | Foto: Divulgação
Fábrica Inteligente
Com forte presença na automação de portões, controle de acesso e segurança, a empresa presente em cinco continentes colocou como meta a liderança do mercado de automação residencial, corporativa e comercial na América Latina em cinco anos. A fábrica de Limeira já ganhou um nome pela sede italiana: é a Fábrica Inteligente. A planta vai receber um centro próprio de pesquisa e desenvolvimento da área para atender às demandas e aos desejos dos consumidores locais e globais.
A pujança de São Paulo
A Nice se junta a 100 empresas estrangeiras que já anunciaram investimentos privados no Estado de São Paulo em 2023. O caso mais recente é da Bracell, produtora de celulose asiática, que vai aportar R$ 2,5 bilhões para uma nova fábrica de papéis de higiene em Lençóis Paulista. O início da operação está marcado para 2024.
Bracell, produtora asiática de celulose | Foto: Divulgação
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Revista Oeste