terça-feira, 4 de dezembro de 2018

Moro indica general que foi candidato pelo PSDB para Secretaria Nacional de Segurança

O general da reserva Guilherme Theophilo Foto: Antonio Cruz/Agência Brasil/07-11-2017
O general da reserva Guilherme Theophilo Foto: Antonio Cruz/Agência Brasil/07-11-2017

O futuro ministro da Justiça, Sergio Moro, anunciou nesta terça-feira o nome do general da reserva Guilherme Theophilo, que foi candidato ao governo do Ceará pelo PSDB nas eleições deste ano, para o cargo de Secretário Nacional de Segurança Pública (Senasp). De acordo com Moro, o general se desfiliou do partido e, por isso, não se trata de uma indicação "político-partidária".

— O general foi, como é sabido, candidato nas eleições deste ano, mas ele já se desfiliou do partido político ao qual ele estava filiado, então não existe aí nenhuma indicação político-partidária — afirmou Moro, durante pronunciamento no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) de Brasília, onde a equipe de transição se reúne.

A candidatura de Theophilo foi patrocinada pelo senador Tasso Jereissati (PSDB-CE). Ele teve 11,3% dos votos válidos e ficou em segundo lugar, atrás do atual governador, Camilo Santana (PT), reeleito com 79,9% dos votos.
O futuro ministro disse que, ao fazer a indicação, se inspirou no trabalho que o general Walter Braga Netto tem feito na intervenção federal no Rio de Janeiro. 
— Ele tem uma larga experiência, um longo currículo de trabalhos relevantes efetuados no exército. E mais do que um homem de ação, embora ele seja de ação, eu queria um homem de gestão e fiquei impressionado positivamente com o trabalho que vem sendo feito no Rio de Janeiro pelo general Braga Netto e um trabalho similar, respeitada a autonomia dos estados, é o objetivo na Senasp.

Secretário prendeu Youssef

Outro nome anunciado por Moro nesta terça foi o de Luiz Pontel de Souza, atual secretário nacional de Justiça, para ser o secretário-executivo do ministério. Pontel, que é delegado da Polícia Federal (PF), fez parte da força-tarefa responsável por parte das investigações do Banestado, a primeira grande investigação sobre lavagem internacional de dinheiro oficiada pelo então jovem juiz Moro:
— Para secretário-executivo eu convidei o delegado da PF Luiz Pontel, pessoa que eu conheço há bastante tempo, participou da investigação do caso Banestado. Inclusive foi um dos principais responsáveis pela primeira prisão de Alberto Youssef, e naquela época já foi possível constatar a absoluta integridade do delegado Pontel, que sofreu pressões de várias espécies. Tentaram, inclusive, retirá-lo do posto, mas ele se manteve firme. Atualmente ele é o secretário nacional de Justiça do ministério da Justiça, então já conhece a estrutura burocrática.
Pontel foi diretor diretor-executivo da Polícia Federal, segundo cargo mais importante na hierarquia da instituição, de 2009 a 2011. Também foi diretor de Gestão de Pessoal duas vezes, uma  entre 2007 a 2009, e a segunda  2015 e 2017. Em 2013 foi adido em Lisboa.

Daniel Gullino, Eduardo Bresciani e Mateus Coutinho, O Globo