
Foi o primeiro de uma provável série de placares semelhantes na Segunda Turma. Cármen Lúcia entrou no colegiado em setembro, quando deixou a presidência do STF. Dias Toffoli, que estava na turma, trocou de lugar com ela e assumiu a presidência da Corte. Antes, os placares costumavam ser de três votos a dois em prol dos réus. Agora, a tendência é que o jogo vire.
O presidente da Segunda Turma, Ricardo Lewandowski, foi o primeiro a apoiar a sugestão de adiamento feita por Zanin. Foi acompanhado pelo colega Gilmar Mendes. Os dois também defenderam que o julgamento fosse transferido da Segunda Turma, formado por cinco ministros, para o plenário, com a presença dos onze ministros. Foram também derrotados pela maioria.
Além de Cármen Lúcia e de Fachin, o decano do STF, Celso de Mello, também votou para que o julgamento ocorresse hoje mesmo, na Segunda Turma. A expectativa é de que a turma negue o pedido de liberdade de Lula – daí a estratégia da defesa de adir o julgamento e de levar o caso ao plenário.
No pedido que será julgado hoje, os advogados disseram que Moro “revelou clara parcialidade e motivação política” nos processos contra o ex-presidente. Um dos elementos apontados pela defesa é o fato do juiz ter aceitado o convite de Bolsonaro para ser ministro da Justiça. Eles consideram que o magistrado atuou para impedir o ex-presidente de ser candidato, o que teria beneficiado Bolsonaro. Depois que aceitou o convite, Moro anunciou que não vai mais conduzir a Lava-Jato. O juiz tirou férias e só pedirá exoneração da magistratura quando o período de descanso terminar.
Lula foi condenado por Moro, em julho do ano passado, a nove anos e meio de prisão, por corrupção passiva e lavagem de dinheiro, no caso do triplex do Guarujá (SP). Em janeiro, a sentença foi confirmada TRF-4, que aumentou a pena para 12 anos e um mês. O ex-presidente foi preso em abril, após esgotarem os recursos em segunda instância.
Carolina Brígido, O Globo