A Petrobrás fechou o ano de 2019 com lucro de R$ 40,1 bilhões, uma alta de 55,7% em relação ao ano anterior. O resultado se trata de um recorde histórico, de acordo com o presidente da Petrobrás, Roberto Castello Branco. A máxima anterior, de R$ 35,2 bilhões, havia sido registrada em 2010. O resultado de 2019 foi fortemente influenciado pelo ganho de capital sobre desinvestimentos (principalmente TAG, BR Distribuidora e ativos de E&P).
No quarto trimestre, o lucro da estatal de petróleo disparou 288%, para R$ 8,15 bilhões, contra R$ 2,1 bilhões do mesmo período de 2018. Na comparação com o terceiro trimestre, o ganho líquido diminuiu 10%. Por outro lado, houve melhora nas margens de petróleo, menores despesas financeiras e ganhos de capital com a venda de ativos de E&P, de acordo com a petroleira.
"Estamos num negócio com horizonte de longo prazo, em que temos os desafios de mitigar os efeitos negativos dos muitos erros cometidos no passado, cuidar do curto prazo e nos prepararmos para as próximas décadas", disse Castello Branco, no documento do balanço da Petrobrás, divulgado na noite desta quarta-feira, 19.
Já o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização, que evidencia a geração de caixa) ajustado da petroleira foi de R$ 36,53 bilhões no quarto trimestre, alta de 25,27% ante os R$ 32,58 bilhões em igual período de 2018.
A receita líquida somou R$ 81,77 bilhões no quarto trimestre de 2019, queda de 1,22% na comparação com o mesmo período do ano passado e alta de 6,13% em relação ao trimestre imediatamente anterior. No ano, a receita de vendas totalizou R$ 302,245 bilhões, queda de 2,58% em relação a 2018.
Endividamento
A Petrobrás encerrou 2019 com uma relação dívida líquida sobre o Ebitda ajustado de 2,41 vezes, um aumento em relação ao índice de 2,40 vezes registrado em 30 de setembro de 2019. A empresa destacou que "a desalavancagem é uma prioridade para a Petrobras". A empresa quer reduzir a relação entre dívida e geração de caixa, medida pelo Ebitda, para 1,5 vez ainda neste ano.
Segundo a empresa, a entrada de recursos de desinvestimento levou a uma queda de 25% na dívida bruta ao fim de 2019, atingindo US$ 63 bilhões. A estatal destacou ainda que a gestão da dívida abriu espaço para aumentar o prazo médio de 9,14 anos, em dezembro de 2018, para 10,8 anos, em 31 de dezembro de 2019.
Resultado financeiro
A Petrobrás reportou um resultado financeiro negativo de US$ 6,59 bilhões no quarto trimestre de 2019, queda de 7,9% na comparação com igual trimestre do ano anterior e de 39,4% ante o terceiro trimestre de 2019.
A empresa afirmou ter sido ativa na gestão de dívida no período, com forte acesso ao mercado internacional de capitais, com a recompra de R$ 39,1 bilhões em títulos. "Esse movimento, essencial para a redução contínua da dívida, resultou em despesa com ágio de R$ 3,378 bilhões", apontou a empresa, em balanço.
Ainda conforme a estatal, o esforço para reduzir a dívida resultou em uma diminuição de 11,5% nos juros sobre dívida financeira, passando de R$ 20,6 bilhões em 2018 para R$ 17,6 bilhões em 2019. No ano, o resultado financeiro ficou negativo em R$ 34,459 bilhões, queda de 46,6%. / CRISTIAN FAVARO, WAGNER GOMES, FERNANDA NUNES e DENISE LUNA
O Estado de S.Paulo
