LA PAZ | AFP
A Justiça eleitoral da Bolívia negou nesta quinta-feira (20) o registro de candidatura do ex-presidente Evo Morales, que planejava disputar uma vaga no Senado.
O Supremo Tribunal Eleitoral considerou que Evo não comprovou que reside de forma permanente no distrito do território boliviano que pretendia representar na Casa.
O líder indígena deixou o país em novembro, após renunciar por ser acusado de fraudar eleições nas quais concorria a um quarto mandato. Ele inicialmente viajou ao México e agora está refugiado na Argentina.
"A decisão do Supremo Tribunal Eleitoral é um golpe contra a democracia. Os membros do tribunal sabem que eu cumpro todos os requisitos para ser candidato. O objetivo final é banir o MAS", escreveu ele numa rede social.
A candidatura de Luís Arce, apontado por Evo como seu sucessor na Presidência, foi aprovada pela Corte.
Em entrevista à Folha na terça (18), Arce afirmou que desconfia se o processo eleitoral boliviano, marcado para o dia 3 de maio, será completamente justo.
"Só nos resta confiar em vocês, nos meios de comunicação internacionais, e nos organismos e observadores estrangeiros", disse.
O último pleito foi marcado por confusão na apuração e denúncias de fraude.
Uma comissão independente da OEA (Organização dos Estados Americanos) concluiu que houve “ações deliberadas para manipular os resultados" das eleições de 20 de outubro na Bolívia, incluindo alteração e queima de atas de votação e falsificação de assinaturas.
Os resultados questionados davam vitória para Evo no primeiro turno.
À época, milhares de manifestantes tomaram as ruas do país, tanto apoiando como criticando o líder indígena. A repressão violenta das forças de segurança deixou dezenas de mortos.
Na quinta (19), a procuradoria boliviana abriu um processo criminal contra o ex-presidente e alguns de seus colaboradores mais próximos por fraude.
O ex-presidente Carlos Mesa, que disputou as eleições contra Evo em outubro, pediu na semana passada que a procuradoria ampliasse investigações já abertas sobre suspeitas de crimes eleitorais cometidos pelo ex-presidente, seu ex-vice-presidente, Álvaro García Linera, e os ex-ministros Juan Ramón Quintana (Presidência), Héctor Arce (Justiça) e Carlos Romero (Governo).
Os crimes denunciados por ele são uso de documento falsificado e alteração e obstrução dos processos eleitorais, bem como a ocultação de resultados.
A Justiça também investiga Evo pelos delitos de sedição e terrorismo.
ELEIÇÕES NA BOLÍVIA
20.out: eleições gerais, denunciadas como fraudulentas pela OEA, dão vitória a Evo Morales
10.nov: pressionado pelo Exército, Evo Morales renuncia
12.nov: após renúncia em massa de membros do governo, senadora Jeanine Añez se declara presidente interina; Evo chega ao México, que lhe concede asilo
12.dez: Evo viaja à Argentina, onde passa a viver como refugiado
3.jan: Justiça Eleitoral da Bolívia marca novas eleições para 3 de maio
24.jan: Añez anuncia que disputará a Presidência
10.nov: pressionado pelo Exército, Evo Morales renuncia
12.nov: após renúncia em massa de membros do governo, senadora Jeanine Añez se declara presidente interina; Evo chega ao México, que lhe concede asilo
12.dez: Evo viaja à Argentina, onde passa a viver como refugiado
3.jan: Justiça Eleitoral da Bolívia marca novas eleições para 3 de maio
24.jan: Añez anuncia que disputará a Presidência











