quinta-feira, 20 de fevereiro de 2020

BC reduz compulsório dos bancos e libera R$ 49 bilhões para economia

O Banco Central informou nesta quinta-feira (20) que reduziu a alíquota do recolhimento compulsório sobre recursos a prazo de 31% para 25%.
O compulsório é a parcela de dinheiro dos clientes que os bancos não podem usar em operações de crédito e que precisa ficar retida no BC.
Esta é a segunda redução na alíquota em menos de um ano. Em junho de 2019, o BC diminuiu de 33% para 31%.
De acordo com o Banco Central, a redução da alíquota representa em termos de estoque uma liberação de R$ 49 bilhões, com efeito a partir de 16 de março.
Desde 2008, o BC usou o compulsór io como forma de estimular ou esfriar a economia, além de criar reservas de valor para reduzir ou aumentar a exposição dos bancos a risco de inadimplência.
Edifício do Banco Central em São Paulo - Rahel Patrasso/Xinhua
Ao reduzir o percentual a ser coletado, o BC permite que os bancos usem esses recursos e emprestem mais, o que poderia ajudar o país em momentos de crescimento mais lento, como o atual.
 
Além disso, o BC ainda informou que aumentou a parcela dos recolhimentos compulsórios considerados no LCR (Indicador de Liquidez de Curto Prazo), o que significa uma redução estimada em outros R$ 86 bilhões na necessidade de as instituições carregarem outros ativos líquidos de alta qualidade necessários para o cumprimento do LCR.
Essa medida, segundo o BC, vai na direção de reduzir a sobreposição entre estes instrumentos.
 
"Em decorrência das duas medidas, o percentual de cada nova captação de depósito que a instituição financeira deve direcionar para o cumprimento desses requisitos regulatórios deve se reduzir em média em 8,5 pontos percentuais", explicou o BC em comunicado.
O LCR determina que as instituições devem manter uma reserva mínima de ativos líquidos para absorverem choques em cenários de estresse de liquidez.
Os recolhimentos compulsórios podem, por sua vez, servir como mecanismo de incentivo à redistribuição de liquidez no sistema e de suporte à estabilidade financeira, como ocorreu ao longo da última década, informou o BC.
"O BC ressalta que as medidas são consistentes com as regras prudenciais internacionalmente recomendadas e a manutenção da estabilidade financeira do Sistema Financeiro Nacional, apenas mitigando sobreposições entre os instrumentos", completou o comunicado.

ENTENDA O COMPULSÓRIO

É o percentual de recursos dos clientes que estão no banco e que não podem ser usados para emprestar
Esse percentual varia conforme o tipo de depósito:
Depósito à vista
É o dinheiro em conta-corrente
25% é quanto os bancos precisam deixar no BC, sem rendimento
Depósito a prazo 
São investimentos como CDB (emitidos por bancos) e RDB (por financeiras)
25% é quanto precisa ficar no BC, que rende a Selic
Depósitos de poupança 
20% das aplicações, que rendem o mesmo que a caderneta

Reuters