sexta-feira, 21 de agosto de 2026

‘Eu quero 100 milhões esse ano’, diz mensagem de Roberta, sócia de Lulinha, e debocha: ‘Sou modesta’

Relatório da PF descreve esquema de corrupção e tráfico de influência


Roberta Luchsinger, amiga de Lulinha e intermediária na relação com o Careca do INSS. (Foto: Reprodução/Instagram/Acervo Pessoal).


A lobista Roberta Luchsinger deixou registrado em mensagens recuperadas pela Polícia Federal sua meta explícita: faturar, só ela, R$100 milhões em um único ano (2024). “Eu quero 100 milhões esse ano”, escreveu ela. Questionada se estava desmotivada, respondeu: “Sou modesta”. O trecho integra o inquérito sigiloso da PF a que a revista Veja teve acesso e que investiga suspeitas de tráfico de influência e corrupção envolvendo Fábio Luís Lula da Silva (Lulinha), filho de Lula (PT), a própria Roberta, o empresário Fernando Bittar (amigo e antigo sócio de Lulinha) e outros.

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Segundo o relatório policial, os elementos probatórios revelam “a existência de um núcleo de atuação permanente e coordenada composto por Roberta Moreira Luchsinger, Fabio Luis Lula da Silva e Fernando Bittar, voltado à interlocução de interesses privados perante agentes e órgãos da Administração Pública Federal”. Lulinha aparece como figura de elevada relevância e “beneficiário indireto” das articulações, embora adotasse postura de menor exposição. As mensagens dele, todas apagadas, só foram recuperadas com software especial da PF.

A “sociedade” e o grupo “Musaranhos”

Roberta descrevia a relação com precisão. Em conversa com um empresário em 2024, afirmou: “Fui das poucas pessoas q o Lula chamou e perguntou: escolhe onde vc quer ficar. (…) Eu disse: aonde eu tô. Na minha sociedade com Fábio e Fernando. (…) Tô em cargo nenhum e ando onde quero”. Em outro diálogo: “Fefe (Fernando Bittar), Fábio e eu somos uma coisa só. Se um fala vai, tds (todos) vão. A gente é mesmo irmão”. E sobre o papel do filho do presidente: “Fábio não faz nada. Ele só entra em campo qdo (quando) precisa. Tem q se preservar”.

O trio mantinha um grupo de WhatsApp batizado “Musaranhos” (mamífero parecido com rato) para discutir negócios com o governo. Lulinha e Bittar eram os “Musos”; Roberta, a “Musa”.

Canabidiol, Ministério da Saúde e “costura política”

Um dos principais alvos era a regulamentação do canabidiol e um possível contrato bilionário (superior a R$ 1 bilhão) no Ministério da Saúde com empresa ligada a Antônio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS”. Roberta, contratada como consultora dele, explicava o método: “Eu trabalho a política via Palácio. Eu sou boa de costura política”.Em 23 de janeiro de 2025, escreveu: “Ontem eu disse para Fábio: Antonio tá pressionando e acho bom vc se mexer”. Para abrir portas, o então chefe de gabinete de Lula, Marco Aurélio Santana Ribeiro (Marcola), marcou reunião de Roberta com Swedenberger Barbosa (Berge), então secretário-executivo da Saúde — só após interferência de Lulinha. Em 6 de março de 2024, Roberta avisou: “Pousei. Vou lá no Berge”. Lulinha respondeu: “Que ótimo. Vai com tudo. Manda bjo (beijo) pro Berge e fala que não fui pq vc não chamou”. Ela reforçou: “Precisamos 100% do Berger”. Após o encontro, Marcola recebeu a minuta de documento que liberava a produção de medicamentos à base de canabidiol. No mesmo período, Roberta pagou contas pessoais de Marcola (cerca de R$ 217 mil entre fevereiro e novembro de 2024, incluindo cartão, boletos, financiamento de carro e joias de diamantes).

Outros tentáculos, dinheiro vivo e finanças de Lulinha

As mensagens mostram atuação também na Dataprev. Roberta perguntou a um empresário: “Ta indo tudo ok na Dataprev ou preciso apertar Gabas?” (referência a Carlos Gabas). Na Telebras, ela reclamou a Lulinha que Kalil Bittar (irmão de Fernando) estaria “vendendo vc e a grande influência dele p (para) o presidente da Telebras. Quase fechando um negócio gigante”. Lulinha orientou desmentir.Dinheiro circulava em espécie. Roberta dava instruções ao motorista para entregas de malas com dinheiro vivo a destinatários, incluindo Fernando Bittar. Sobre uma viagem à África (custeada por ela, a US$ 20 mil por pessoa), Lulinha perguntou: “A gente tem grana pra bancar essas coisas?” e acrescentou: “Vc que cuida das minhas finanças”. Em outro momento, animado com perspectiva de lucro, escreveu: “coisa boa paporra”. A PF suspeita que pagamentos recebidos pela empresa de consultoria de Roberta (RL Consultoria) tinham Lulinha como destino final. O próprio Careca do INSS se referiu a destinatário de valores como “o filho do Rapaz”.

Havia interesse em abrir empresas e contas no exterior, em locais de difícil rastreamento. Em janeiro de 2025, Roberta escreveu que precisava destravar negócios porque “As coisas irão acontecer pq eu tenho q tirar o Fábio e família do país até junho”. Lulinha de fato se mudou para Madri. Em outra mensagem, ela resumiu o risco: “Ou a gente vai ficar milionário ou vamos nos f… grande”.

O inquérito aponta indícios de corrupção e tráfico de influência. Lulinha, por meio de advogado, nega envolvimento com negócios da administração pública e fala em “peso do sobrenome”. Roberta e os demais seguem investigados.

Diário do Poder

quinta-feira, 20 de agosto de 2026

'Cabides de Emprego', por Artur Piva

 No governo Lula, o BNDES garante altos salários para os companheiros no setor privado


O presidente do Luiz Inácio Lula da Silva | Foto: Ricardo Moraes/Reuters

E x-ministro de Lula e de Dilma Rousseff, Paulo Bernardo não conseguiu empregos em estatais, órgãos públicos ou autarquias federais depois do retorno do PT ao poder. Em vez disso, ficou com uma vaga no conselho da JBS, onde permanece desde 2023. A cadeira é garantida pelo BNDES, dono de parte expressiva das ações da empresa dos irmãos Batista. O banco do governo é o segundo maior sócio do grupo, posição que é fonte de influência no negócio e de rendimentos milionários para os indicados a ocupá-la. Em 2025, por exemplo, Paulo Bernardo ganhou US$ 388 mil pela função. São R$ 2,2 milhões, de acordo com a cotação média daquele ano. 

A cifra equivale a um salário de R$ 180 mil por mês. Em tese, quem ocupa este cargo participa das reuniões de alta cúpula para influenciar os rumos da companhia. Daí a tendência de os maiores cotistas terem assentos à mesa. Ao longo de 2025, os conselheiros da JBS se reuniram pouco mais de 20 vezes. A presença de Paulo Bernardo foi registrada nas atas de apenas sete delas. São R$ 314 mil por reunião. Kátia Abreu, ex-senadora e ministra durante o governo Dilma, também conseguiu a função graças à proximidade com o PT e recebe a mesma quantia de seu par. O caso da dupla não é isolado, embora os rendimentos deles sejam os maiores.


Paulo Bernardo, ex-ministro do Planejamento do governo Lula e das Comunicações do governo Dilma | Foto: Antônio Cruz/Agência Brasil


Conhecido por emprestar dinheiro (dos pagadores de impostos), o BNDES também compra ações de empresas que pretende alavancar. As participações garantem o poder de escolher membros para o conselho de administração, cargos acompanhados de gordos salários. Parte das companhias tem capital aberto na bolsa, como a JBS. Tais empresas precisam manter parte de seus documentos públicos. Muitos desses registros mostram a distribuição de cargos a aliados políticos sem notório conhecimento sobre o negócio da companhia em questão. Algumas vagas ficam com quem está empregado como ministro, outras estão com nomes menos famosos ou até quase esquecidos.


https://revistaoeste.com/revista/edicao-335/cabides-de-emprego-oficiais/?logged

Celso Amorim, ministro das Relações Exteriores e da Defesa nas gestões petistas anteriores, tornou-se assessor especial da Presidência da República com a volta do partido ao Palácio do Planalto em 2023. Ao salário mensal de R$ 32 mil já se soma a aposentadoria de R$ 36 mil. Em outubro do mesmo ano, entrou para a lista dos indicados pelo BNDES para a cúpula da Naturgy Brasil, distribuidora de gás natural no Estado do Rio de Janeiro. O posto deve render quase R$ 22 mil por mês ao longo de 2026, R$ 260 mil até o fim do ano.


Celso Amorim, ex-ministro das Relações Exteriores e da Defesa | Foto: Wilson Dias /Agência Brasil

Ao todo, o banco controla três cadeiras na distribuidora de gás. As outras estão ocupadas por Mathias Jourdan de Alencastro, cientista político que fez parte do primeiro governo Lula, e Sandra Márcia Chagas Brandão, assessora especial do Ministério do Trabalho. Desde o retorno do PT a Brasília, também passaram por esses cargos aliados como o ministro da Defesa, José Múcio (conselheiro de outubro de 2023 a abril de 2025), e o ex-ministro dos Direitos Humanos e da Cidadania Silvio Almeida (conselheiro de outubro de 2023 até setembro de 2024). Almeida saiu do governo pela porta dos fundos em setembro de 2024, quando foi demitido da pasta em meio a acusações de assédio sexual. Anielle Franco, autora da denúncia e ex-ministra da Igualdade Racial, também teve cargo de conselheira por intermédio do BNDES, mas em outra empresa. 

Trata-se da Tupy S.A., de Joinville, Santa Catarina, do setor de metalurgia. Ela ficou na vaga de novembro de 2023 a abril de 2025. Anielle estava à mesa com Carlos Luppi, ex-ministro do Trabalho. Os rendimentos para cada um foram de cerca de R$ 55 mil por mês, segundo os relatórios de gestão de 2024.


Anielle Franco, ex-ministra da Igualdade Racial | Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

 
Além disso, o governo do PT não distribuiu vagas garantidas pelo banco de desenvolvimento apenas aos aliados de alto escalão. O coronel Geraldo Corrêa de Lyra Junior nunca foi ministro e nem dirigiu departamento ou autarquia do governo federal, mas conseguiu se tornar membro do conselho da Companhia Paranaense de Energia. Embora seja das Forças Armadas, tampouco faz parte de algum batalhão de engenharia, o que seria gabarito para o emprego. A qualificação veio com o serviço de piloto da aeronave presidencial de 2003 a 2011. 

Na função, transportou e conversou com Lula por anos, tempo suficiente para se tornarem íntimos. Quando o petista encerrou o segundo mandato, em 2010, fez questão de despedir-se pessoalmente do militar, a quem condecorou poucos meses antes de deixar o Palácio do Planalto. A honraria do passado se torna um mimo, quando comparada à remuneração como conselheiro, de R$ 176 mil por mês, de acordo com o planejado para 2026. O mandato dele à frente do cargo está previsto para se encerrar em abril de 2027, mas pode ser renovado, basta o antigo passageiro se reeleger presidente do Brasil. 




Garantir os empregos em empresas privadas custa mais do que pagar os salários diretamente. As compras das ações das empresas aparecem na contabilidade como “Carteira de Renda Variável”, estimada em mais de R$ 100 bilhões pelo próprio BNDES. Lula encontrou um modo de não deixar os companheiros para trás e ainda camuflar a conta.

Artur Piva - Revista Oeste

Covil do Lula - Detalhes do inquérito sigiloso da PF que investiga tráfico de influência por 'Lulinha' no governo corrupto do ex-presidiário Lula

 

Lulinha, Roberta e Bittar: segundo investigação da PF, o trio está envolvido na defesa de negócios privados milionários junto ao governo federal em diversas áreas, incluindo incluindo o Ministério da Saúde (Juca Varella/Estadão Conteúdo; Instagram @roberta.luchsinger/.) 




Em abril do ano passado, a Polícia Federal realizou a primeira fase da Operação Sem Desconto, investigação que desmantelou uma quadrilha formada por empresários, servidores públicos e lobistas que se ... Leia mais em: https://veja.abril.com.br/politica/caso-lulinha-os-detalhes-do-inquerito-sigiloso-da-pf-que-investiga-trafico-de-influencia-no-governo/

 Ricardo Chapola e Laryssa Borges - Revista Veja



André Mendonça mantém caso Lulinha no STF

 Ministro negou pedido da PGR para transferir o caso à a primeira instância; contra a oposição, a PGR tem entendimento contrário


André Mendonça. (Foto: Rosinei Coutinho/STF).



O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, decidiu manter as investigações dos inquéritos contra Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, na Suprema Corte. A decisão do ministro vem após parecer da Procuradoria-Geral da República (PGR) solicitar a ida das investigações contra o filho do presidente Lula (PT) para a primeira instância.

De acordo com o SBT News, o ministro ressalta que há pessoas citadas no caso com foro privilegiado. A decisão tramita em sigilo.

Segundo a PGR, os casos envolvendo Lulinha não têm pessoas com foro privilegiado em nenhuma relação com as fraudes contra o INSS, nas quais ele também é citado.

A movimentação causou estranheza em alas do STF, para que apenas o caso de relatorias de André Mendonça fosse para a primeira instância. O inquérito que está com Flávio Dino não recebeu a mesma sondagem.

A Polícia Federal (PF) optou por separar as investigações contra o filho do presidente petista. Os dois inquéritos que estão com André Mendonça e um terceiro com Flavio Dino tratam de suposto tráfico de influência do filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em órgãos como Ministério da Saúde e Dataprev.

Luan Carlos - Diário do Poder


Ministro André Mendonça decide manter caso Lulinha no STF

Ele negou pedido da PGR para transferir o caso à a primeira instância; contra a oposição, a PGR tem entendimento contrário


Ministro do STF André Mendonça. (Foto: Rosinei Coutinho/STF).

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, decidiu manter as investigações dos inquéritos contra Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, na Suprema Corte. A decisão do ministro vem após parecer da Procuradoria-Geral da República (PGR) solicitar a ida das investigações contra o filho do presidente Lula (PT) para a primeira instância.

De acordo com o SBT News, o ministro ressalta que há pessoas citadas no caso com foro privilegiado. A decisão tramita em sigilo.

Segundo a PGR, os casos envolvendo Lulinha não têm pessoas com foro privilegiado em nenhuma relação com as fraudes contra o INSS, nas quais ele também é citado.

A movimentação causou estranheza em alas do STF, para que apenas o caso de relatorias de André Mendonça fosse para a primeira instância. O inquérito que está com Flávio Dino não recebeu a mesma sondagem.

A Polícia Federal (PF) optou por separar as investigações contra o filho do presidente petista. Os dois inquéritos que estão com André Mendonça e um terceiro com Flavio Dino tratam de suposto tráfico de influência do filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em órgãos como Ministério da Saúde e Dataprev.

Diário do Poder

Covil do Lula - Lulinha, ‘Careca’, Marcola e lobista negociavam contrato de R$626 milhões do governo Lula

Era o que constava da minuta do contrato sem licitação obtida pela PF


Turma do ex-presidiário Lula -  Reprodução


Era estimado em até R$ 626 milhões o negócio envolvendo Lulinha, filho de Lula (PT), a lobista Roberta Luchsoinger Antonio Camilo Antunes (o “Careca do INSS”) e Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, então chefe do Gabinete Pessoal do presidente da República para a venda de medicamentos ao Ministério da Saúde com base no canabidiol, substância econtrada na planta da maconha.


O plano de negócios, obtido pelo jornal O Globo e localizado nos celulares de Roberta e do “Careca do INSS”, previa o fornecimento de 1,2 milhão de frascos de 36 tipos de remédios. Os três são investigados pela Polícia Federal por suspeita de tráfico de influência. Com o escândalo envolvendo a participação do “Careca” no roubo bilionário a mais de 9 milhões de aposentados e pensionistas, o negócio do canabidional não chegou a ser concretizado.


Em 30 de julho, a PF pediu ao STF autorização para investigar Lulinha por possíveis crimes de corrupção e tráfico de influência no Ministério da Saúde envolvendo negócios com cannabis medicinal. Segundo o inquérito, Roberta teria sido contratada pelo “Careca” para viabilizar a compra e contado com a intermediação de Lulinha.


Mensagens de WhatsApp confirmam o envio da minuta a Marcola. O ex-chefe de gabinete reconheceu ter recebido o arquivo, classificou o ato como “inadequado” e afirmou que jamais deu andamento, negociou ou encaminhou qualquer termo da proposta no âmbito da administração pública.


Antes do envio, o plano teria sido estruturado pela equipe do “Careca do INSS”, preso por envolvimento em esquema de desvios e descontos indevidos em aposentadorias. A proposta detalhava o fornecimento milionário de frascos e foi mencionada em depoimento de uma testemunha ligada à World Cannabis, empresa do lobista.


Investigadores apreenderam versões de um “termo de referência” nos celulares dos investigados. A principal suspeita é de que o grupo pretendia entregar o documento pronto à pasta para influenciar e agilizar a compra. Áudios e mensagens mostram que Roberta e o “Careca” articulavam o negócio com base na dispensa de licitação, alegando um “cenário de emergência” com base na Nova Lei de Licitações. O lobista buscou fornecedores nos EUA e na Colômbia e afirmou que faria reuniões com técnicos do Ministério da Saúde.


Em nota, o Ministério da Saúde esclareceu que a investida não teve resultado prático, que o canabidiol não está incorporado ao SUS e que a pasta nunca comprou, forneceu ou debateu a oferta do produto na rede pública.

 Especialistas em direito sanitário reforçam que a pasta não realiza aquisições espontâneas desses fármacos, pois eles não integram a lista padronizada do SUS — compras ocorrem apenas pontualmente por importação para cumprir decisões judiciais.


As defesas do “Careca do INSS”, de Roberta Luchsinger e de Marcola foram procuradas pelo jornal, mas não se manifestaram até a publicação.

Diário do Poder

quarta-feira, 19 de agosto de 2026

Flávio diz que esquema do roubo aos aposentados do INSS chegou ao gabinete de Lula

Senador cita Lulinha e ex-chefe do Gabinete Pessoal de Lula no caso dos descontos ilegais


Flávio Bolsonaro, candidato ao Planalto. (Foto: Reprodução/ Youtube/Canal Flávio Bolsonaro).


A investigação sobre as fraudes no roubo de aposentadorias e pensões do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) ganhou novos elementos envolvendo pessoas próximas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência, afirmou nesta terça-feira (18) que as apurações mostram que o caso alcançou o entorno do Palácio do Planalto.

Em entrevista à rádio Itatiaia, Flávio citou Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente, e Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola, que ocupou o cargo de chefe de gabinete de Lula.

Segundo o senador, Lulinha teria utilizado a influência decorrente da proximidade com o pai para tratar de negócios em diferentes ministérios, enquanto Marcola teria facilitado o acesso ao gabinete presidencial.

A declaração ocorre após a divulgação de informações obtidas pela Polícia Federal em investigações relacionadas ao esquema do INSS.

Um dos elementos analisados pela PF é uma conversa na qual a lobista Roberta Luchsinger teria enviado a Marcola uma minuta de contrato envolvendo a venda de medicamentos à base de canabidiol ao Ministério da Saúde.

Segundo informações divulgadas sobre a investigação, o documento previa uma contratação sem licitação. O negócio, entretanto, não avançou.

Marcola confirmou ter recebido o material, mas afirmou que não o encaminhou e negou ter atuado para favorecer a proposta.

A relação entre Roberta e as investigações do INSS também chama a atenção dos investigadores.

De acordo com a apuração, ela foi contratada pelo empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS” e preso pela Polícia Federal. Roberta teria recebido R$1,5 milhão em cinco parcelas para atuar na tentativa de viabilizar a venda dos medicamentos ao Ministério da Saúde.

As autoridades também encontraram mensagens entre Roberta e Lulinha relacionadas a negócios.

O material integra investigações que tramitam no Supremo Tribunal Federal e que apuram possíveis práticas de tráfico de influência envolvendo o filho do presidente.

Em outro trecho da apuração, a PF identificou conversas e pagamentos relacionados a Marcola.

Segundo as informações divulgadas, Roberta teria pago boletos e adquirido presentes destinados ao ex-chefe de gabinete. Entre os itens mencionados estão joias solicitadas para o Dia das Mães de 2024.

Marcola declarou que recebeu valores de Roberta referentes a um empréstimo e que a quantia, inicialmente de R$217 mil, foi posteriormente quitada por R$249 mil.

A Polícia Federal também passou a investigar se Lulinha teria mantido participação não declarada em negócios ligados a Antônio Camilo Antunes e se Roberta teria custeado despesas relacionadas ao filho do presidente.

A partir dos elementos encontrados, foram instaurados três inquéritos no STF para apurar suspeitas de tráfico de influência em diferentes áreas da administração federal.

Em declaração divulgada nas redes sociais, Flávio afirmou que o ponto central das novas informações é a suposta conexão entre integrantes investigados no esquema e pessoas que tiveram acesso ao núcleo presidencial.

O senador disse que “a corrupção do INSS chegou dentro do gabinete do Lula” e associou essa ligação à atuação de Marcola.

As investigações ainda não estabeleceram, nas informações divulgadas até o momento, que Lula tenha participado pessoalmente das irregularidades.

As apurações estão concentradas nas relações entre Lulinha, Roberta Luchsinger, Marcola e outros personagens investigados.

A defesa de Lulinha afirmou que ele não pode ser responsabilizado por declarações feitas por Roberta e contestou conclusões atribuídas à Polícia Federal.

Os advogados também disseram que só irão se manifestar de forma definitiva depois de terem acesso integral ao material obtido nas quebras de sigilo.

O caso continua sob investigação, enquanto novas informações sobre as relações financeiras e profissionais dos envolvidos são analisadas pelas autoridades.

Paralelamente, o escândalo dos descontos indevidos segue envolvendo milhares de aposentados e pensionistas.

O próprio INSS informou que, em balanço divulgado no fim de 2025, mais de 6,3 milhões de pedidos de contestação haviam sido registrados e cerca de R$2,82 bilhões em pagamentos de ressarcimento já haviam sido gerados.

Pedro Taquari - Diário do Poder