Anotação divulgada pelo senador Rand Paul afirma que imunologista da USP pediu ajuda ao norte-americano
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Uma anotação atribuída ao imunologista norte-americano Anthony Fauci afirma que o professor da Universidade de São Paulo (USP) Jorge Kalil pediu seu apoio durante a pandemia de covid-19 por causa da atuação do então presidente Jair Bolsonaro. O registro integra o diário pessoal de Fauci, divulgado recentemente pelo senador republicano Rand Paul.
“Ele me pediu, por favor, que os ajudasse e permanecesse ao lado deles, já que Bolsonaro é terrível”, escreveu Fauci no diário.
O documento afirma que, durante a conversa com Queiroga, o ministro relatou a gravidade da situação enfrentada pelo Brasil e demonstrou interesse na obtenção de vacinas produzidas pelos Estados Unidos.
Fauci registrou que ofereceu cooperação em pesquisas e na discussão de estratégias de enfrentamento da pandemia, mas explicou que o governo norte-americano só pretendia doar vacinas excedentes depois de concluir a imunização da própria população.
Segundo relato de Anthony Fauci, o professor da USP Jorge Kalil pediu ajuda e também vacinas norte-americanas - Foto: Reprodução/Redes Sociais/Instagram/Pesquisador Jorge Kalil
Na mesma anotação, Fauci comparou Bolsonaro ao então ex-presidente Donald Trump e afirmou que a condução do governo brasileiro prejudicava o país.
O diário divulgado por Rand Paul traz apenas o relato escrito por Fauci. A suposta mensagem enviada por Jorge Kalil não aparece no material divulgado, e o documento não apresenta evidências de um pedido de interferência política ou científica no Brasil nem revela que Fauci tenha adotado qualquer medida em resposta.
Naquele período, Kalil ocupava cargos de destaque na comunidade científica. Professor titular de imunologia clínica e alergia da Faculdade de Medicina da USP e diretor do Laboratório de Imunologia do InCor, ele também integrava um conselho do governo norte-americano responsável por acompanhar a segurança dos testes de vacinas contra a covid-19, o que ajuda a explicar o contato direto com Fauci.
Ao mesmo tempo, coordenava um projeto brasileiro de desenvolvimento de uma vacina nasal contra o coronavírus, ainda na fase pré-clínica e dependente de recursos para avançar aos testes em seres humanos.
Victória Batalha - Revista Oeste