quinta-feira, 30 de abril de 2026

Senado rejeita Messias para o STF e impõe derrota ao ex-presidiário Lula

 Presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), articulou a queda do advogado-geral da União


O advogado-geral da União, Jorge Messias, durante sabatina, no Senado, para o cargo de ministro do STF - 29/4/2026 - Foto: Wilton Júnior/Estadão Conteúdo 

Em derrota histórica para o governo Lula, o Senado rejeitou a indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, para a vaga de ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), nesta quarta-feira, 29. 

Messias teve 42 votos contrários e 34 a favor (eram necessários 41 favoráveis) na sessão plenária, cujo sufrágio ocorreu de forma secreta. O placar desfavorável se deu mesmo com a liberação bilionária de emendas parlamentares e entrega de cargos em agências reguladoras, pelo Palácio do Planalto, a nomes indicados pelos senadores.

O presidente Lula fez ainda trocas na composição da Comissão de Constituição e Justiça para deixá-la “mais governista” na sabatina, onde Messias obteve o apoio de 16 parlamentares, depois de quase oito horas sob escrutínio. 

Nos bastidores, a queda de Messias é atribuída ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), contrário à indicação desde o princípio.

Alcolumbre gostaria de ver, no STF, um candidato de sua confiança, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), seu antecessor no comando do Senado. Por isso, passou a trabalhar pela derrota do chefe da Advocacia-Geral da União (AGU). 

Congressistas ouvidos pela reportagem, em caráter reservado, dizem que o recado é claro: Lula está fraco e precisa se sentar à mesa de negociação.


Abertura do Ano Judiciário, no STF, em 2/2/2026; por decisão do Senado, Messias não fará parte da Corte | Foto: Wilton Junior/Estadão Conteúdo 

A Oeste, parlamentares disseram que o STF também perde com o resultado. Isso porque ministros, entre eles Nunes Marques e André Mendonça, entraram em campo para emplacar Messias no tribunal. Posteriormente, Cristiano Zanin e o decano do tribunal, Gilmar Mendes, saíram em defesa do chefe da AGU. 

Além disso, os congressistas veem a queda de Messias como um recado direto ao STF no que diz respeito a impeachment de ministros. 

Cristhyan Costa - Revista Oeste

terça-feira, 28 de abril de 2026

PF diz que abordou morador para impedir ‘crime contra a honra’ de Lula. Honra de Lula? Fala sério!

 Órgão afirma que cumpriu ação de segurança voltada ‘à proteção de autoridades, conforme protocolos estabelecidos’




A Polícia Federal (PF) afirmou nesta terça-feira, 28, que a abordagem a um morador de Presidente Prudente (SP) teve como objetivo apurar eventual “crime contra a honra”. O episódio ocorreu neste domingo, 26, depois que o homem exibiu, na janela do próprio apartamento, uma faixa com a palavra “ladrão” nas proximidades de um evento que teria a participação do presidente Lula da Silva nesta segunda-feira, 27. 

Em nota, a PF declarou que “realiza, de forma rotineira, ações de segurança voltadas à proteção de autoridades, conforme protocolos estabelecidos”. Lula, que está em recuperação depois de cirurgia para retirada de uma lesão de câncer de pele, não compareceu à cidade. 

PF para morador, sobre problema: “Já vai dar” Vídeo que circula nas redes sociais mostra o diálogo entre o morador — chamado de “Marcelo” — e os agentes. Em determinado momento, um policial afirma que a faixa “faz referência ao presidente” e que PF diz que abordou morador para impedir ‘crime contra a honra’ https://revistaoeste.com/politica/pf-diz-que-abordou-morador-para-impedir-crime-contra-a-honra-de-lula/ 2/10 seria “considerada ofensiva”, e pede que a opinião fosse manifestada de outra forma. 

Quando o homem diz que retiraria o material “se der algum problema”, o agente responde que “já vai dar” e que a equipe havia ido ao local justamente por esse motivo. Na gravação (íntegra abaixo), um dos policiais afirma que, com a chegada de superiores no dia do evento, a situação poderia ser tratada “com mais rigor”, pois o morador já teria sido alertado.


Space Liberdade - Homem é interrogado pela PF por ter uma faixa escrito “ladrão” na janela de seu apartamento, em prédio próximo a evento que receberia o Lula Os agentes disseram que os superiores poderiam impor a retirada da faixa, mesmo sem ter o nome do Lula nela.


Eles não vão considerar isso como opinião”, diz um agente. Ao defender que se tratava de manifestação pessoal, o morador ouve que “liberdade de expressão vai até onde você não fere a liberdade do SPACE LIBERDADE @NewsLiberdade · Os agentes disseram que os superiores poderiam impor a retirada da faixa, mesmo sem ter o nome do Lula nela.  PF diz que abordou morador para impedir ‘crime contra a honra’ https://revistaoeste.com/politica/pf-diz-que-abordou-morador-para-impedir-crime-contra-a-honra-de-lula/ 3/10 outro”. O homem argumenta ainda que a faixa não citava nominalmente nenhuma autoridade e que estava instalada dentro de propriedade privada. 


Segundo ele, a manifestação não tinha vínculo partidário. Acrescentou ainda, em tom de pergunta, o que ocorreria se escrevesse “ladrão” numa faixa com a cores do Brasil. A PF acrescentou que realizou “diligências iniciais e orientações no local” diante de dizeres que, em tese, poderiam configurar crime contra a honra.


Leia íntegra da nota oficial da PF - “A Polícia Federal informa que realiza, de forma rotineira, ações de segurança voltadas à proteção de autoridades, conforme protocolos estabelecidos. No caso mencionado, foram realizadas diligências iniciais e orientações no local, em razão da presença de faixas com dizeres que, em tese, poderiam configurar crime contra a honra, nos termos da legislação vigente. Esclarece-se que os procedimentos e práticas relacionados à proteção de autoridades não são detalhados publicamente, em razão da natureza das atividades. Informações como estratégias de atuação, protocolos operacionais e demais aspectos sensíveis são resguardados, tendo em vista que sua divulgação pode comprometer a segurança das pessoas protegidas e a efetivida das ações

Fábio Bouéry - Revista Oeste

Recuo atinge um dos dois agentes alvos do ato de reciprocidade exagerado e considerado abusivo



Ex-presidiário Lula mandou diretor da PF Andrei Rodrigues retaliar agentes dos EUA. (Foto: Arquivo/Ricardo Stuckert/PR)


A Polícia Federal devolveu, nesta segunda-feira (28), as credenciais tomadas de um dos dois agentes federais dos Estados Unidos que foram alvos de retaliação determinada pelo presidente Lula (PT) sob alarde e alegação de “reciprocidade e defesa de soberania”. O ato foi considerado exagerado e equivocado, após o governo de Donald Trump expulsar o delegado da PF, Marcelo Ivo, acusado de atuar em campo de forma ilegal nos EUA, para espionar e prender o ex-deputado federal cassado Alexandre Ramagem (PL-RJ), foragido desde sua condenação por crimes na “trama golpista”.

A retaliação foi evitada pela PF porque o Itamaraty já havia mandado expulsar do Brasil outro agente americano Michael William Myers, do Serviço de Imigração (ICE), que sem demora deixou o território brasileiro na quinta-feira (23). A medida nada tem de reciprocidade porque “puniu” o funcionário americano que, ao contrário do delegado brasileiro, não é acusado de fazer qualquer coisa errada. A medida do Brasil é classificada na diplomacia como Retaliação.

Com isso, a PF considerou que um segundo agente americano não poderia ser punido como forma de reciprocidade efetiva, porque haveria exagero e desproporcionalidade, já que apenas um brasileiro, o delegado Marcelo Ivo, havia sido punido pelo governo de Trump.

Diário do Poder enviou às assessorias de imprensa do Itamaraty e da PF os seguintes questionamentos: “O que motivou a nova decisão? O Itamaraty foi consultado? Qual o posicionamento a respeito desta sequência de decisões envolvendo reciprocidade após a expulsão de um policial federal brasileiro pelo governo estadunidense?”. E publicará eventuais respostas, não enviadas até a última atualização desta matéria.

Ao anunciar cumprir a ordem de Lula contra o agente americano do ICE, na semana passada, o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, disse ter cumprido determinação “com pesar” e  “pelo princípio da reciprocidade”. E negou que o delegado brasileiro Marcelo Ivo tenha sido expulso pelos EUA. Bem como negou que iria expulsar o agente do qual cassou credenciais.

“Ele [o delegado brasileiro] voltou por determinação minha, em razão desse episódio, para que nós consigamos esclarecer se há um processo formal no Departamento de Estado, no próprio ICE, seja onde for. […]Tanto o Marcelo Ivo não foi expulso dos Estados Unidos, como nós, Polícia Federal, não vamos expulsar ninguém. Não é nosso papel”, disse o chefe da PF, no último dia 22.

Advogado Jeffrey Chiquini. Foto: Gustavo Moreno/STF

‘PF deu as costas para decisão do Lula’

Ainda assim, o advogado Jeffrey Chiquini, defensor do ex-assessor presidencial Filipe Martins, afirma que a desproporcionalidade permanece, porque Marcelo Ivo foi punido por atuar fora do que determina o acordo de cooperação internacional, ao atuar como detetive na caça de Ramagem, o que pode ser considerado crime de perseguição e espionagem.

“Na visão do governo americano, como delegado não tinha autorização legal nem judicial para atuar em campo, ele cometeu crime de espionagem contra Ramagem. Então, o delegado violou um acordo de cooperação. Por isso que ele foi expulso”, disse Chiquini.

O advogado ressalta que revidar a medida legal dos Estados Unidos foi ato de vingança e de insegurança jurídica. “Se esse agente americano nada de errado fez no Brasil, não descumpriu acordo e é punido dessa forma, isso inviabiliza esse acordo com os Estados Unidos. Não tem como combater narcotráfico nem proteger nossas fronteiras, nem fazer segurança pública neste País, rompendo com os Estados Unidos. [Lula] teve que colocar o rabinho entre as pernas e voltar atrás”, concluiu o advogado que atuou no mesmo processo em que o ex-deputado Ramagem foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a mais de 16 anos de prisão como réu na “trama golpista”.

Com Diário do Poder

'O déficit como método e a desordem como política', por Antonio Vladika

 

O dado mais revelador do PLDO (Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias) do governo Lula sobre 2027 talvez não seja o montante do déficit das estatais, mas a serenidade com que ele é admitido. O governo projeta resultado negativo de R$ 7,5 bilhões em 2027, seguido de novos déficits de R$ 6,1 bilhões em 2028, R$ 5 bilhões em 2029 e R$ 5,7 bilhões em 2030. O próprio Anexo de Riscos Fiscais reconhece que 2027 é o pior ponto da série, admite risco possível de descumprimento da meta nos anos mais próximos e ainda ressalva que certas despesas podem ser retiradas do cálculo, inclusive até R$ 5 bilhões do Novo PAC e até R$ 10 bilhões de empresas com plano de reequilíbrio econômico-financeiro aprovado. Em outras palavras, não se trata de um acidente, mas de uma perda prevista, tolerada e cercada de cláusulas de alívio.

Aqui vale a crítica austríaca, para iluminar o obscurantismo orçamentário petista. Para Mises, a economia de mercado é um sistema de coordenação social no qual lucros e prejuízos cumprem uma função cognitiva. Eles informam se os recursos foram empregados de acordo com as preferências reais dos indivíduos. Quando essa disciplina é enfraquecida, o problema não é apenas financeiro, acaba por ser epistemológico. Em Ação Humana, Mises sustenta que o cálculo monetário só faz sentido quando opera do ponto de vista de indivíduos que compram, vendem, arriscam e respondem às consequências de suas escolhas. O lucro e a perda tornam “legível” o sucesso e o fracasso. Quando uma organização permanece de pé apesar de déficits recorrentes, amparada por exceções normativas e tolerância política, ela já não está sujeita ao mesmo processo de descoberta que corrige os erros no mercado.

Huerta de Soto desenvolve essa mesma intuição de forma ainda mais firme. O cálculo econômico, diz ele, é sempre estimativo, monetário e empresarial. Só existe porque a ação humana, em ambiente de propriedade e troca, produz continuamente a informação necessária para comparar cursos alternativos de ação. Portanto, apesar de suas imperfeições, o cálculo econômico é o único guia disponível para descobrir desajustes e coordená-los socialmente. Quando o estado preserva empresas que não passam integralmente pelo teste da perda, o que se bloqueia não é apenas a punição de maus gestores, mas sim o próprio mecanismo pelo qual a sociedade aprende onde o capital está sendo mal empregado. A estatal deficitária não é apenas uma empresa ruim. Ela é um ponto de opacidade econômica.

A tradição austríaca nunca viu o intervencionismo como uma terceira via estável. Mises o descreve como uma cadeia de interferências que, ao corrigirem artificialmente um efeito, criam condições para novos distúrbios. O PLDO de 2027 encaixa-se perfeitamente nessa lógica. Há uma meta de superávit primário para o governo central, mas há também um déficit explicitamente autorizado para o Programa de Dispêndios Globais das estatais. Há uma aparência de disciplina, mas ela convive com zonas de exceção. Há um discurso de responsabilidade, mas ele já pressupõe mecanismos de amortecimento para o descumprimento. O texto não exprime uma decisão de submeter o setor público à lógica severa da escassez. Manifesta, antes, a intenção de administrar politicamente a aparência do desequilíbrio.

Böhm-Bawerk ajuda a compreender por que isso é mais grave do que parece. Sua teoria do capital ensina que o tempo não é um detalhe da economia, mas sua própria nervura. Uma sociedade que consome hoje o que deveria servir à estrutura produtiva de amanhã corrói o próprio fundo de capital sobre o qual repousa sua prosperidade futura. Quando o setor público mantém ativos empresariais sob seu comando, tolerando perdas reiteradas e prometendo reequilíbrios futuros, o risco não é apenas a perda corrente. É a transformação de capital em instrumento de conveniência política presente. O dado de que o fluxo estimado de dividendos e juros sobre capital próprio cai de R$ 54,6 bilhões para R$ 33,5 bilhões torna esse ponto ainda mais evidente. O estado conserva o controle, mas espera menos retorno. O capital permanece politicamente capturado, enquanto sua capacidade de sustentar o próprio edifício fiscal enfraquece. Isso se parece menos com investimento racional e mais com consumo administrativo de riqueza acumulada.

Vale ressaltar que a descoordenação fiscal raramente permanece fiscal. Quando o poder político se habitua a viver acima da disciplina econômica, a tentação seguinte é sempre a monetização indireta, a expansão de crédito, a complacência inflacionária ou a socialização mais difusa do custo. Mises advertia que o funcionamento do cálculo econômico exige justamente impedir que o governo sabote o sistema monetário e estimule a expansão de crédito. Huerta de Soto mostra que a expansão artificial do crédito gera maus investimentos, e que a crise posterior não destrói riqueza do nada; apenas revela, tardiamente, a má alocação que já havia ocorrido antes. Hayek, no mesmo espírito, insiste que tentar evitar o reajuste por meio de novos estímulos apenas prolonga e agrava a dor. O déficit das estatais, assim, não precisa ser coberto apenas com aportes explícitos para produzir dano. Basta que contribua para o ambiente geral em que o estado se sente autorizado a empurrar a conta para o futuro.

Há ainda uma dimensão política que Hoppe e a tradição austríaca tardia ajudam a tornar nítida. Quando o poder público opera com alta preferência temporal, ele prefere preservar posições presentes mesmo à custa da estrutura produtiva futura. O setor estatal passa então a funcionar como uma grande máquina de postergação. A perda de hoje é tratada como custo administrável. A promessa de amanhã torna-se a justificativa para a exceção de hoje. É por isso que a linguagem do “reequilíbrio” deve ser lida com cautela. Em tese, ela pode designar correção séria. Na prática, muitas vezes serve para suspender o juízo econômico normal e substituí-lo por uma esperança política cronicamente renovada. A empresa permanece, o problema continua e o contribuinte herda o intervalo entre a realidade e a retórica.

As previsões decorrentes desse quadro são pessimistas, mas nada misteriosas. A primeira é o aumento da dependência de exceções contábeis e normativas. Quando a perda se torna estrutural, o impulso do poder não é extingui-la, mas reinterpretá-la. A segunda é a retenção improdutiva de capital em usos politicamente preservados. Recursos que poderiam ser realocados por critérios de rentabilidade e utilidade permanecem imobilizados em estruturas cujo fracasso não produz liquidação proporcional. A terceira é a crescente distância entre a linguagem da responsabilidade fiscal e a realidade da administração econômica. O governo pode manter uma arquitetura verbal de superávit, metas e compatibilização, mas se as empresas que controla seguem operando com perdas recorrentes, a substância já se afastou da forma. O PLDO, nesse ponto, é quase uma metáfora involuntária do Brasil contemporâneo: muita engenharia normativa para conter um problema que a própria estrutura política se recusa a enfrentar em sua raiz.



Antonio Vladika - Mises Brasil

‘Faxina’ afasta 8 ministros do Supremo da Venezuela que perseguiam a oposição

 Destituição foi articulada pelo representante de Trump em Caracas


Maikel Moreno, destituído do Tribunal Supremo, foi um dos símbolos de uma era de perseguições a opositores da tirania e da blindagem do ditador da Venezuela.



A “faxina” promovida no regime ditatorial da Venezuela pelo governo Donald Trump promoveu uma das mudanças mais significativas na transformação do regime em uma democracia, com a destituição de oito ministros do Tribunal Supremo de Justiça, todos envolvidos em decisões cruéis, de condenações e perseguiçao a oposidores do chavismo.

Foram substituídos os agora ex-ministros Maikel Moreno, Elsa Gómez, Edgar Gavidia, Carmen Alves, Henry Timaure, Malaquías Gil, Juan Carlos Hidalgo Pandares e Luis Damiani Bustillos.

Essa nova fase da Venezuela ocorre após a queda e prisão do tirano Nicolás Maduro, que aguarda julgamento em uma penitenciária de Nova York. Desde então, cúmplices da ditadura em diversas instâncias têm sido afastados para responderem pelos seus crimes. Agora chegou a vez desses integrantes do equivalente na Venezuela ao Supremo Tribunal Federal (STF) brasileiro.

Homem de confiança de Trump na Venezuela, John Barrett é quem conduz as providências que reorganizam o país.

O principal símbolo do mando da ditadura no Tribunal Supremo de Justiça foi seu presidente: Maikel Moreno. Ele liderou iniciativas para blindar a ditadura dos crimes que cometia, incluindo prisões ilegais, tortura e assassinato, para além de censura à imprensa e perseguição de opositores.

Diário do Poder

segunda-feira, 27 de abril de 2026

Agentes da Gestapo tupiniquim, leia-se PF, pedem para cidadão retirar faixa de 'ladrão' em cidade que ia receber Lula

 Vídeo que circula nas redes sociais mostra a interação do morador com os agentes; eles mencionam que superiores poderiam 'impor' a retirada do material




Um morador de Presidente Prudente (SP) foi abordado por agentes da Polícia Federal (PF) para retirar uma faixa com a palavra “ladrão” exibida na janela de seu apartamento, na cidade que receberia o presidente Luiz Inácio Lula da Silva nesta segunda-feira, 27. Fontes ouvidas pela equipe de Oeste confirmaram que os agentes envolvidos pertencem à corporação. 

Um vídeo que circula nas redes sociais mostra a interação do morador com os agentes da PF. Nas imagens, eles mencionam que superiores poderiam “impor” a retirada do material. 


Sam Pacher - Um morador de Presidente Prudente foi abordado por agentes da PF por exibir uma faixa com a palavra “ladrão” na sua própria janela, em um prédio proximo a um evento que receberia o presidente Lula. Policiais chegam a dizer que superiores iriam “impôr” a retirada da faixa que Mostrar mais 


Segundo o relato, a faixa não citava diretamente o nome de Lula. Outras faixas, que se encontram no mesmo condomínio, também mostram frases de apoio ao senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-SP).


Adolfo Padilha - O vídeo dura 3 minutos mas vale a pena porque se nada fizermos estaremos cada vez mais presos e calados. A indignação pode durar uma vida inteira — principalmente quando nada é feito. E amanhã pode ser com você. Em Presidente Prudente, moradores são intimados a retirar faixas de protesto contra o governo. No maior estado do país, a pergunta fica: até onde vai o direito de se manifestar, e o silêncio daqueles que tinham que colocar a cara a tapa ? Se vc concordar compartilhe. Ok ! View all 135 comments Add a comment... View more on Instagram 🟡🟢 Faça parte desse Brasil 🟢🟡 Clique aqui para falar com a nossa equipe e ganhe um presente exclusivo! 


O vice-presidente Geraldo Alckmin, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, e o ministro da Educação, Leonardo Barchini estiveram na cidade do interior paulista para inaugurações e entregas nas áreas de saúde e educação. 

Lula, que se recupera de cirurgia para retirada de câncer de pele, não viajou para Presidente Prudente.

 Reações de políticos diante da postura de agentes da PF Em publicação nas redes sociais, o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) criticou a ação dos agentes da PF. Ele destacou o fato de a faixa com “ladrão” não fazer referência direta ao petista. 


Nicholas Ferreira - A faixa não tava nem o nome do Lula… a carapuça serviu? SPACE LIBERDADE @NewsLiberdade Homem é interrogado pela PF por ter uma faixa escrito “ladrão” na janela de seu apartamento, em prédio próximo a evento que receberia o Lula Os agentes disseram que os superiores poderiam impor a retirada da faixa, mesmo sem ter o nome do Lula nela. 


O vice-prefeito de São Paulo, Ricardo Mello Araújo (PL), classificou o episódio como “absurdo”. Em publicação, afirmou que a faixa estava na propriedade do morador e indagou a atuação dos agentes. Nikolas Ferreira @nikolas_dm · Seguir A faixa não tava nem o nome do Lula… a carapuça serviu? SPACE LIBERDADE @NewsLiberdade Homem é interrogado pela PF por ter uma faixa escrito “ladrão” na janela de seu apartamento, em prédio próximo a evento que receberia o Lula Os agentes disseram que os superiores poderiam impor a retirada da faixa, mesmo sem ter o nome do Lula nela. 


Já o vereador paulistano Rubinho Nunes (União) afirmou que houve violação de liberdade de expressão. Ele, que é advogado, disse esperar apuração dos órgãos competentes e criticou a eventual retirada do material.


Rubinho Nunes - ABSURDO! Com uma faixa escrita “ladrão” na janela de um morador em Presidente Prudente. A PF foi até o local antes de um evento com Alckmin e avisou que, no dia, os “superiores” viriam com mais rigor. Detalhe: a faixa nem citava Lula. A carapuça serviu? Facção mandando no Mostrar mais


Com informações de Rachel Diaz - Revista Oeste

Contratada da J&F por R$11 milhões pagou comprador de cotas de Toffoli no resort

 Advogada que atua em sala compartilhada pagou milhões à PHB e a um banco suspeito de ligação com facção


Joesley e Wesley Batista, controladores da J&F (JBS, PicPay etc.) | Foto: Divulgação / Grupo J&F


Documento do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) expõe que uma advogada que faturava R$ 9 mil mensais em sala compartilhada em Goiânia recebeu R$ 11,5 milhões da J&F e da JBS, em dezembro de 2023. Segundo reportagem do Estadão desta segunda-feira (27), Maisa de Maio Lima Marciano repassou R$ 3,5 milhões deste montante recebido para Paulo Humberto Barbosa, dono da holding que comprou cotas do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli, no Resort Tayayá. Além disso, advogada repassou R$ 6,9 milhões ao BK Bank, investigado por suspeita de ligação com uma facção paulista.

O escritório da advogada contratada pelas companhias dos irmãos Joesley e Wesley Batista recebeu R$ 8 milhões em 15 de dezembro de 2023 da JBS. No mesmo dia, o Coaf identificou o repasse ao BK Bank. E, três dias depois, a J&F, que controla a JBS, pagou outros R$ 3,5 milhões. E este valor foi repassado pela empresa da advogada, no mesmo dia 18, ao dono da PHB Holding.

Ministro Dias Toffoli (STF), e o Resort Tayayá – (Foto: Rosinei Coutinho/STF | Sam Pancher/Metropoles)

Paulo Humberto Barbosa já advogou para a JBS. E, em 21 de fevereiro de 2025, sua holding comprou as últimas cotas da empresa da qual Toffoli é sócio, no resort Tayayá, no Paraná. O ministro chegou a confirmar o negócio com entre a PHB e a Maridit Participações, de sua família, após investigação da Polícia Federal revelar pagamento de R$ 35 milhões via fundos usados pelo dono do Banco Master, Daniel Vorcaro.

Em dezembro de 2023, quando houve repasses milionários para Maisa Marciano, o ministro Dias Toffoli suspendeu a multa de R$ 10,3 bilhões do acordo de leniência da J&F com o Ministério Público Federal (MPF). O pedido da defesa da companhia alegou irregularidades no processo decorrentes da Operação Spoofing, que apontou conluio acusatório entre o MPF e a Justiça Federal, para condenações no escândalo do “petrolão” investigado na Operação Lava Jato.

Elos e suspeitas

Além das cotas adquiridas pela PHB, o Fundo Arllen, ligado a Vorcado, comprou em 27 de setembro de 2021 as primeiras cotas da Maridit no resort paranaense. E a revelação dos negócios levaram o ministro a deixar a relatoria do caso Master, no STF, em investigação sobre a maior fraude financeira da história do Brasil.

Paulo Humberto Barbosa reagiu com irritação à reportagem do Estadão: “Estou doido para processar vocês. Essa informação de vocês é falsa, fraudulenta. Vai você e o gerente do banco para a cadeia. Vou fazer questão de colocar o senhor na cadeia. Moleque! Vá para o quinto dos infernos”.

Em março, a revelação de outro repasse da J&F, de R$ 25,9 milhões, para a PHB, levou Toffoli a se pronunciar, reforçando que o negócio da Maridt foi feito sem participação da companhia dos irmãos Batista, “exclusivamente com a PHB Holding”. E o ministro ressaltou que todas movimentações financeiras estão declaradas às autoridades.

O BK Banking foi apontado na Operação Carbono Oculto, em agosto de 2025, como suspeito de favorecer crimes do PCC por atuar com as chamadas “contas bolsão”, que embaralha dinheiro de diversos clientes e dificulta o rastreamento das origens dos recursos. A movimentação suspeita da fintech atinge R$ 17,7 bilhões e envolveria exploração de jogos de azar, venda de combustíveis adulterados e fraudes metrológicas na venda de combustível.

Ao Estadão, o BK disse não integrar a relação comercial entre seus clientes e terceiros, negou receber e enviar recursos em seu nome para a empresa mencionada. “Todas as transações processadas por meio de sua plataforma são devidamente identificadas e registradas nas contas individualizadas dos clientes, com origem e destino dos recursos, garantindo elevados padrões de transparência e rastreabilidade”, disse a nota do BK Bank.

A JBS e a J&F informaram em nota que os pagamentos ao escritório de Maisa Marciano se referem a produtos ou serviços jurídicos prestados e comprovados.

“A empresa [JBS] não dispõe de informações sobre movimentações financeiras desse fornecedor para terceiros. A Companhia aguarda que a reportagem esclareça qual a conexão entre suas operações e as transferências de recursos relatadas”, disse a JBS, ao Estadão.

“A J&F mantém auditorias independentes que certificam e confirmam a governança e a retidão dos processos internos. Todo pagamento realizado pela J&F se refere a produtos ou serviços comprovadamente prestados, mediante emissão de nota fiscal e recolhimento de todos os tributos devidos”, manifestou-se a J&F, também em nota.

Diário do Poder solicitou à assessoria de imprensa do STF um posicionamento do ministro Dias Toffoli sobre a reportagem. E publicará eventuais esclarecimentos. O espaço segue aberto para todos os citados pela reportagem.

Diário do Poder

Sob Lula, endividamento das famílias atinge recorde em fevereiro, diz Banco Central

Dados divulgados nesta segunda-feira, 27, mostram que 49,9% dos lares enfrentam comprometimento financeiro




O mais recente levantamento do Banco Central sobre o endividamento das famílias mostra que o comprometimento financeiro atingiu novo patamar em fevereiro, alcançando 49,9%. Esse índice, divulgado nesta segunda-feira, 27, representa o maior já registrado pela instituição. O aumento foi de 0,1 ponto porcentual no mês e de 1,3 ponto porcentual ao longo do último ano.

Além desse avanço, o relatório traz outro dado relevante: a fatia da renda familiar comprometida com dívidas chegou a 29,7%. Esse porcentual teve elevação de 0,2 ponto porcentual em fevereiro e de 1,9 ponto porcentual em 12 meses, indicando aumento expressivo da pressão financeira sobre as famílias brasileiras.

Na divisão por perfil, empresas marcaram taxa de 2,7%, enquanto pessoas físicas ficaram em 5,3%.

O relatório evidencia também que, entre os créditos com recursos livres — onde bancos e clientes negociam diretamente as condições —, a inadimplência teve leve queda de 0,1 ponto porcentual, atingindo 5,7% em março.


Banco Central divulgou nesta segunda-feira, 27, dados sobre endividamento | Foto: Divulgação/BC


Crescimento do crédito e recuo nos juros do cartão 

No mês de março, o crédito ampliado para o setor não financeiro avançou para R$ 21,0 trilhões, valor que corresponde a 162,3% do PIB. O Banco Central atribui esse resultado principalmente à redução de 3,1% nos títulos públicos. Endividamento das famílias atinge recorde em fevereiro, diz BC Já a taxa de juros do cartão de crédito rotativo caiu 7,6 pontos porcentuais em março, chegando a 428,3% ao ano. O juro do cartão parcelado também diminuiu, com recuo de 4,4 pontos porcentuais, e alcançou 192,1% ao ano. A taxa global do cartão de crédito ficou em 93,2% ao ano, com redução de 2,6 pontos porcentuais segundo o Banco Central. 


Loriane Comeli - Revista Oeste

Flávio Gordon: E tentaram novamente...

A pergunta que a grande imprensa se recusa a formular é a única que importa: quem escreveu o roteiro que trouxe esse homem até ali?


O ex-presidente Donald Trumpo, no comício, logo depois do atentado - 13/7/2024 | Foto: Reprodução/Twitter/X


Na noite do sábado 25, Cole Tomas Allen, 31 anos, residente de Torrance, Califórnia, rompeu os cordões de segurança do jantar da Associação de Correspondentes da Casa Branca empunhando múltiplas armas — entre elas um fuzil —, disparou ao menos meia dúzia de tiros e feriu um agente do Serviço Secreto, salvo pelo colete à prova de balas. É o terceiro atentado contra Donald Trump em dois anos. Alguém ainda se atreve a chamar isso de coincidência? 

Quando Tyler Robinson assassinou Charlie Kirk, em setembro passado, escrevi nestas páginas sobre a estrutura espiritual do ódio revolucionário — essa pseudo-transcendência do ressentimento que substitui a busca do bem pela perseguição obsessiva do mal a destruir. Robinson explicou o crime com uma frase que merece ser gravada em bronze como documento de época: “Eu não aguentava mais o ódio dele”. O sujeito que acabara de cometer um homicídio atribuía o ódio à vítima — um notório apologista do diálogo, que construiu a carreira inteira sobre o confronto civilizado de ideias.


Trata-se da inversão revolucionária em estado puro: o algoz se proclama vítima no exato instante em que aperta o gatilho. O professor Olavo de Carvalho observava que essa inversão entre sujeito e objeto — entre vítima e algoz, entre perpetrador e mártir — é o traço permanente de todas as manifestações revolucionárias, de  Trump: 

tentaram novamente...  Stalin a Pol Pot, e o método de pensamento essencial da intelectualidade ativista: enxergar tudo às avessas e só admitir como verdade o contrário do que os fatos dizem. O assassino de Kirk não descobriu um inimigo: ele o fabricou. Como diagnosticou André Glucksmann, “o ódio precede e predetermina o objeto que fabrica para si mesmo”.


Cole Tomas Allen é o herdeiro direto dessa lógica — e o produto previsível de um ambiente cultivado durante anos nas universidades onde professores transformam militância em catequese, nos estúdios de Hollywood onde o vilão é invariavelmente um conservador, nas redações onde qualquer dissidência do consenso progressista é enquadrada como “fascismo”. Quando se passa uma década chamando um homem de Hitler e ameaça existencial à democracia — com a autoridade de quem ocupa as cátedras e os palácios da cultura —, não se pode fingir surpresa quando um espécime mais coerente que a média resolve tirar a metáfora do papel e levá-la ao Washington Hilton com um fuzil. 

A inversão está completa: o atirador se vê, com toda a certeza moral de um cruzado, não como agressor mas como defensor — não como perpetrador de violência, mas como seu antídoto. Eric Voegelin chamava isso de consciência pneumopatológica: a deformação espiritual de quem, ao rebelar-se contra a estrutura transcendente da realidade, inverte todos os seus termos e transforma o ódio no sacramento de uma religião às avessas.

Trump sobreviveu. E disse, com a economia de palavras de quem já passou por isso antes: “O show continua”. Mas a pergunta que a grande imprensa se recusa a formular — porque formulá-la exigiria nomear a própria responsabilidade — é a única que importa: quem escreveu o roteiro que trouxe esse homem até ali?


Flávio Gordon - Revista Oeste

‘Rabos presos’: Lula distribui meio bilhão em emendas parlamentares em 14 dias

Desde janeiro foram pagos R$2,5 bilhões a deputados federais e senadores


Lula (PT) - Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil


O desgoverno Lula (PT) distribuiu mais de R$500 milhões em emendas parlamentares nas últimas duas semanas. No total, já são mais de R$2,5 bilhões em emendas pagas pela administração petista, este ano. Há 14 dias, o total era de pouco mais de R$2 bilhões. As emendas individuais dos parlamentares custaram R$1,35 bilhão aos pagadores de impostos, enquanto R$1,17 bilhão custearam as emendas de bancadas. A informação é da Coluna Claudio Humberto, do Diário do Poder.

Os números estão na transparência do Tesouro Nacional. O Portal da Transparência do governo Lula contabiliza apenas R$269 milhões.

A previsão do governo é pagar R$13 bilhões (já empenhados), este ano, diz o Portal da Transparência. O Orçamento prevê de R$50 bilhões.

Em 2025, foram pagos R$28,9 bilhões em emendas parlamentares, segundo o Tesouro Nacional.

Com informações do Diário do Poder

domingo, 26 de abril de 2026

'Um aviltante coaxar', por Flávio Gordon

O lábio inferior empresta ao rosto do ministro uma fisionomia inequivocamente batráquia


O decano do STF, Gilmar Mendes, durante o evento Brazil Conference, nos EUA - 12/5/2025 - Foto: Valter Campanato/Agência Brasi


“A boca fala do que está cheio o coração” (Lucas 6,45) 

Houve, na entrevista de Gilmar Mendes a Renata Lo Prete, um momento que merece ser examinado com a atenção que se dedica aos documentos históricos — não, obviamente, por revelar alguma novidade, mas pela candura com que confirma o que já se sabia. Questionado pela jornalista sobre se o Inquérito das Fake News, depois de sete anos de tramitação, aberto de ofício em violação flagrante ao princípio acusatório, não teria se convertido em instrumento de poder pessoal, o decano do Supremo respondeu com a placidez de quem nunca foi seriamente contrariado: “Eu tenho a impressão de que o inquérito continua necessário e ele vai acabar quando terminar”. A frase não é uma resposta jurídica. É a tradução, para o português institucional do século XXI, de uma proposição muito mais antiga: L’état, c’est moi.


As horas seguintes do sujeito foram de mais entrevistas — uma ao Metrópoles, outra ao programa JR Entrevista, da TV Record. Sempre instado a explicar por que acionara o inquérito contra Romeu Zema — cujo delito consistiu em satirizar, por meio de bonecos animados, a promiscuidade entre dois colegas de toga —, Mendes argumentou que a sátira tem limites e que a honra de homens públicos merece proteção, e recorreu ao seguinte exemplo: “Imagine que comecemos  a fazer bonecos do Zema como homossexual. Será que não é ofensivo?”

A pergunta, formulada com a entonação de quem acredita estar construindo uma tese, é na verdade a sua própria refutação — e algo consideravelmente pior. Num único período, o ministro que processa um político por sátira recorre, espontaneamente, à insinuação de homossexualidade como paradigma de ofensa intolerável, revelando, sem perceber, a arquitetura moral de sua própria concepção de desonra.

Gilmar Mendes também caçoou do sotaque mineiro de Zema — segundo ele algo difícil de entender, “um dialeto próximo do português”, “uma língua lá do Timor-Leste, um tétum ou coisa assim”. Ao observador atento era fácil notar o ódio por detrás da carranca lustrosa do burocrata de toga. E era-lhe fácil por conta de um tique que já se tornou marca registrada do grotesco personagem: o lábio inferior oscila, como que movido por uma insuflação do saco vocal, num frêmito convulsivo e repetido que, somado à expressão geral de condescendência satisfeita, empresta ao rosto do ministro uma fisionomia inequivocamente batráquia — a de um Bufo togadus que, ao engolir um inseto particularmente volumoso, experimenta ao mesmo tempo o prazer da deglutição e a consciência da própria magnificência. 

E aqui a psicanálise, em geral superestimada como instrumento de análise política, presta um serviço legítimo. Freud chamava de Fehlleistung — o ato falho, o lapso revelador — aquele momento em que o inconsciente irrompe através da fachada da intenção consciente e diz, em voz alta, o que o sujeito julgava ter guardado. Gilmar Mendes não pretendia passar a impressão de estar insultando Zema nem, muito menos, confessar o seu próprio código moral. 

O que pretendia era defender a dignidade das instituições (que, se fossem mesmo dignas, não aceitariam esse Groucho Marx como sócio). Mas o exemplo escolhido — entre todos os exemplos possíveis, numa língua que dispõe de léxico vastíssimo para nomear ofensas — foi precisamente aquele que equipara a homossexualidade à injúria. O inconsciente não conhece a negação: ele simplesmente fala.

Ou, no caso, infla o saco vocal. Bufo togadus parece acreditar genuinamente no que diz. Outrora achei tratar-se apenas de um cínico, mas comportamento é algo mais perturbador que o cinismo: é a consciência absolutamente tranquila de quem tanto confunde o interesse das instituições com o seu próprio, que a distinção lhe parece hoje não apenas desnecessária, como incompreensível. O tribunal “tem sido vilipendiado” — e, portanto, os vilipendiadores devem ser processados. O inquérito “continua necessário” — necessário para blindá-lo, razão pela qual continuará. Zema “sapateia” com uma língua “próxima do português” — e, portanto, deve ser investigado.

Em cada caso, a conclusão precede a premissa; a vontade do ministro é o silogismo inteiro. O lábio treme, o papo avança, e a frase sai com aquela untuosidade particular de quem toma os próprios vícios por razão de Estado. A cada saltito de autoblindagem, a cada aviltante coaxar de ódio pelo público, o país vai sendo mais destruído e afundada no lodo em que, afinal, toda criatura anfíbia se sente bem.


Flávio Gordon - Revista Oeste

Exportações de petróleo batem recordes nos EUA

Foram exportados 12,9 milhões de barris por dia, na semana passada


Plataforma de exploração de petróleo na Costa do Golfo dos EUA



Os Estados Unidos comemoram sua vitória no conflito contra o Irã consolidando-se como uma potência global de exportação de petróleo bruto gás natural e produtos refinados norte-americanos.

Dados da Administração de Informação de Energia dos EUA informam que as exportações totais de petróleo bruto e produtos petrolíferos subiram para um recorde de 12,9 milhões de barris por dia na semana passada, enquanto os mercados globais se esforçam para substituir as interrupções de fornecimento centradas no Estreito de Ormuz e nas instalações do Catar bombardeadas pelo Irã.

Informações mais recentes, citadas na plataforma Investing.com, apontam que mais de 60 superpetroleiros vazios estão atualmente a caminho da Costa do Golfo da América, equivalente ao triplo dos níveis registrados antes do conflito.

A Costa do Golfo da América se aproxima de sua própria capacidade física de processamento, o que significa que o crescimento incremental das exportações será limitado até que novos projetos de terminais, atualmente em construção, entrem totalmente em operação nos próximos 18 a 24 meses.

Diário do Poder

Flávio Bolsonaro supera o ex-presidiário Lula no Rio, onde o larápio petista tem reprovação de 55%

Senador do PL lidera com 39,6% contra 36,7% de Lula, em cenário de 1º turno; e venceria 2º turno com 6,5 pontos sobre petista


Senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) - Foto: Redes Sociais



O senador Flávio Bolsonaro (PL) lidera a corrida presidencial contra a reeleição do presidente Lula (PT), nos cenários estimulados de 1º e 2º turnos entre os eleitores do Estado do Rio de Janeiro. Os números do instituto Paraná Pesquisas divulgados neste sábado (25) evidenciam os efeitos da avaliação negativa no potencial de intenções de votos de Lula, cujo governo tem reprovação de 55,2% no Rio.

Filho e sucessor político do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), Flávio é líder com 39,6% da preferência dos eleitores de seu estado natal, na simulação de 1º turno, contra 36,7% de Lula. E a polarização é tão intensa no Rio, que o terceiro colocado, ex-governador mineiro Romeu Zema (Novo), pontua apenas 2,1%, seguido de outro ex-governador de renome nacional, o goiano Ronaldo Caiado (PSD), com 2%. E outros pré-candidatos pontuam de 1,5% para menos.

Flávio Bolsonaro bateria Lula com vantagem de 6,5 pontos percentuais, na simulação de 2º turno entre os eleitores fluminense. O senador registrou 47% no confronto direto contra o presidente Lula, que registrou 40,5%.

A reprovação da gestão petista recuou de 60,4% para a rejeição atual de 55,2%, em um ano. O que fez a aprovação saltar de 36,7% para 41,4%, desde abril de 2025. Mas o governo Lula ainda apresenta uma avaliação negativa de 47,3%, com governo sendo tachado como péssimo para 38,1% dos eleitores do Estado, e como ruim por 9,2%.

Ainda assim, no cenário espontâneo, Lula lidera com 24,9% de intenções de votos, quando o eleitor diz sua preferência sem auxílio de uma lista de opções de pré-candidatos. Nesta modalidade da pesquisa, Flávio é o segundo com 18,6%; e Jair Bolsonaro é o terceiro, com 4,9%, mesmo em prisão domiciliar cumprindo pena de 27 anos e 3 meses de prisão por crimes na “trama golpista”.

A pesquisa está registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o nº BR01920/2026 para o cargo de Presidente. E a Paraná Pesquisas coletou seus dados através de entrevistas pessoais, domiciliares e presenciais, entre os dias 21 e 23 deste mês de abril, em uma amostra de 1680 eleitores em 63 municípios fluminenses. Tal amostra representativa do Estado do Rio de Janeiro atinge um grau de confiança de 95,0% para uma margem estimada de erro de aproximadamente 2,4 pontos percentuais para os resultados gerais.










Diário do Poder

Autor de disparos nos EUA contra Trump é filiado ao partido Democrata, legenda de Obama, Hilary, Biden, enfim, a corja que apoia o ex-presidiário Lula

 Atirador foi identificado como Cole Tomas Allen, 31 anos, da Califórnia


O suspeito detido e algemado pelos agentes do Serviço Secreto dos EUA - Foto: Truth Social


Após serem ouvidos disparos, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, seu vice e o secretário de Estado foram retirados de um jantar anual de jornalistas que são correspondentes da Casa Branca. O evento foi realizado no hotel Washington Hilton, na noite deste sábado (25).

Trump se pronunciou sobre o caso em suas redes sociais, elogiando o trabalho dos agentes de segurança. “Uma noite memorável em Washington D.C.”, escreveu. “O Serviço Secreto e as forças de ordem fizeram um trabalho fantástico. Agiram com rapidez e bravura.” Depois, em coletiva, ele chamou o episódio de “momento traumático” e definiu o atirador Cole Tomas Allen, de 31 anos, como “um lobo solitário e doente”. Allen foi identificado como engenheiro, professor de escola secundária na Califórnia, e filiado ao partido Democrata, a “esquerda” americana.

Trump elogiou o trabalho do Serviço Secreto.

O presidente informou ainda que o atirador foi detido, “e eu recomendei que ‘o espetáculo continue’, mas nos guiaremos completamente pelas autoridades. Elas tomarão uma decisão em breve. Independentemente dessa decisão, a noite será muito diferente do planejado, e simplesmente teremos que repeti-la”. A mensagem de Trump sugere que ele gostaria de retornar o Washinton Hilton a fim de retomar o evento, mas ele se curvaria à avaliação das autoridades de segurança.

A retirada das autoridades foi realizada com impressionantes rapidez e eficiência pelos agentes do Serviço Secreto, responsável pela segurança do presidente, enquanto centenas de convidados se se protegiam sob as mesas.

Entre as autoridades que participavam do evento, que é tradicional em Washington, estavam o vice-presidente JD Vance e o secretário de Estado, Marco Rubio, além da primeira-dama Melania Trump.

Há 45 anos, em 30 março de 1981, o então presidente republicano Ronald Reagan foi ferido a tiros quando deixava o mesmo hotel, após discursar para representantes do setor da construção civil nos Estados Unidos.

Um pouco antes dos disparos, o evento se iniciara com um discurso da correspondente sênior da CBS News na Casa Branca, Waijia Jiang, mas a fala mais aguardada da noite, era a de Trump. Nessas ocasiões, o presidente americano em geral faz piadas sobre o próprio comportamento e sobre a imprensa.

Momento em que agentes do serviço secreto assumem o controle do palco e retiram as autoridades – Foto: reprodução 

Em tempo: Atirador é filiado ao Democrata, legenda de Obama, Hilary, Biden, enfim, a corja que apoia o ex-presidiário Lula.


Diário do Poder



sábado, 25 de abril de 2026

Democracia para quem? Os flatus vocis de Cármen Lúcia

A ministra do STF emprestou à arquitetura do Estado Excepcionalíssimo do Brasil não apenas o seu voto, mas a sua retórica


ministra do STF Cármen Lúcia, durante sessão na Primeira Turma da Corte - 18/06/2024 | Foto: Mateus Bonomi/Estadão Conteúdo


“Guardai-vos dos falsos profetas, que se apresentam a vós com roupas de ovelha, mas por dentro são lobos devoradores” (Mateus 7,15) 


Na quarta-feira 22, a ministra Cármen Lúcia ministrou uma aula magna na Universidade de Brasília com o ar solene de quem deposita flores sobre o túmulo de um inimigo que ela mesma ajudou a enterrar. A democracia, disse ela, é “frágil como a vida” e pertence à “cesta básica dos direitos fundamentais”. É necessário — advertiu com aquele timbre compungido que confunde gravidade com profundidade — vigiar constantemente os fenômenos contemporâneos para evitar “o ponto de não retorno das liberdades democráticas”. O STF, acrescentou, enfrenta “situações sem precedentes”, exigindo que se “invente a melhor forma de responder”. 


Palavras belas. Palavras, aliás, de quem sabe muito bem o que significa inventar respostas — pois foi precisamente o que fez, em outubro de 2022, quando acompanhou a maioria do TSE para censurar o documentário do Brasil Paralelo sobre a facada em Bolsonaro, proclamando, com semblante grave, que “não se pode permitir a volta da censura sob qualquer argumento no Brasil” — e,


Como tenho dito, ali nasceu o Estado Excepcionalíssimo de Direito: aquele no qual a Constituição é uma bela encadernação que se abre apenas para os aliados, e as liberdades fundamentais valem exatamente até o momento em que seu exercício possa prejudicar o candidato preferido das autoridades eleitorais. Desde então, a exceção tornou-se regra, e a regra, letra morta: censuraram-se jornalistas, bloquearam-se contas bancárias, cassaram-se passaportes, prenderam-se influenciadores digitais, aposentaram-se compulsoriamente magistrados incômodos — tudo isso, é claro, em nome da democracia, da higidez institucional e da “garantia das liberdades democráticas”. 

Carmen Lúcia não é, nesse drama, uma personagem secundária. É uma de suas protagonistas. Foi ela quem, ao longo de anos, emprestou à arquitetura do Estado Excepcionalíssimo não apenas o seu voto, mas a sua retórica — essa retórica florida e circular que fala em dignidade humana enquanto assina a sentença, e proclama liberdade enquanto aperta o nó. A ministra que hoje adverte contra os “chips na imaginação” colocados pelos algoritmos é a mesma que votou para que o Estado determinasse quais conteúdos os eleitores podiam ver às vésperas de uma eleição. A guardiã das liberdades é a mesma que participou da construção de um sistema judicial no qual a direita tem as mãos amarradas e a esquerda — orientação política declarada da própria ministra — circula livremente.

O escolástico medieval cunhou para falas como as de Carmem Lúcia uma expressão que o tempo não tornou obsoleta: flatus vocis — literalmente, “sopro de voz”, “baforada de palavras”. Era o termo com que descreviam os sons articulados, dotados de forma gramatical e aparência de sentido, mas desprovidos de qualquer referência no mundo real – em suma, puras emissões de ar. 

No português, dá-se que essas puras emissões de ar também podem ter o sentido nauseabundo inerente à palavra “flato” (cuja raiz, por óbvio, é o mesmo flatus latino). Curiosamente, em seu maravilhoso Dicionário Analógico da Língua Portuguesa, Francisco dos Santos Ferreira Azevedo inclui “flato” no campo semântico de “vaidade” – afeição por ele descrita como uma “ânsia incontida de despertar a admiração, inanidade, amor-próprio, flato, jactância”. 

De todo modo, quer se as considerem malcheirosas ou perfumadas, palavras como “democracia”, “liberdade” e “dignidade” não passam de flatus vocis na boca de Carmem Lúcia. São conceitos esvaziados de conteúdo pelo uso sistemático e invertido que deles se faz, termos que soam bonito no auditório da UnB e não significam absolutamente nada no plenário do STF, onde a mesma ministra vota para calar quem pensa diferente. Ao cunhar a expressão, a escolástica referia-se a um debate filosófico sobre a natureza dos conceitos. No Brasil de 2026, o debate é político — mas a substância é a mesma: palavras que não correspondem a nenhuma realidade, pior ainda: proferidas por quem construiu, tijolo a tijolo, a realidade oposta. 

George Orwell chamou classicamente de duplipensar (doublethink) a capacidade da persona ideológica de sustentar simultaneamente duas crenças contraditórias, aceitando ambas com igual convicção. No Brasil de 2026, não é apenas um conceito literário — é o idioma oficial das togas esvoaçantes. E Cármen Lúcia fala esse idioma com a fluência serena de quem nunca precisou enfrentar a pergunta que ele torna impronunciável: democracia para quem?


Flávio Gordon - Revista Oeste

Ana Paula Henkel - O farol e a forja de Juliano Cazarré

Episódio mostra o desconforto visceral que parte da cultura atual sente diante de qualquer proposta que afirme, sem culpa, o valor da masculinidade boa e necessária


Juliano Cazarré |-Foto: Montagem Revista Oeste/Reprodução/Redes Sociais

O ator Juliano Cazarré é um querido amigo. Porém, não escrevo estas linhas movida por amizade pessoal. Escrevo como mulher, mãe e cidadã que reconhece, com clareza e gratidão, a necessidade vital de homens como ele em nossa sociedade. Homens integrais, responsáveis, enraizados em valores permanentes e corajosos o suficiente para nadar contra a corrente da histeria contemporânea. Escrevo como alguém que entende, com absoluta convicção, a necessidade de homens como ele em uma sociedade que parece cada vez mais desconfortável com a própria ideia de masculinidade. 

Esta semana, Cazarré anunciou o evento O Farol e a Forja, um retiro de três dias voltado exclusivamente para homens que desejam recuperar propósito, disciplina, liderança familiar, fé e uma masculinidade madura. A resposta foi imediata e feroz: cancelamento em massa, especialmente vindo de setores da classe artística e dos mesmos ativistas de plantão que demonizam valores familiares e eternos. Acusações graves, machismo, misoginia, “evento que mata mulheres”, foram lançadas como se o simples ato de convidar homens a se tornarem melhores fosse, em si, um crime contra a humanidade.


Cazarré anunciou o evento O Farol e a Forja, um retiro de três dias voltado exclusivamente para homens - Foto: Reprodução/Redes Sociais

O que aconteceu com Cazarré nesta semana não foi um episódio isolado. Foi um ritual. Um daqueles momentos em que a máquina de cancelamento se move com velocidade, previsível, quase automática, contra qualquer tentativa de resgatar princípios que, até pouco tempo atrás, eram considerados não apenas legítimos, mas necessários. 

O episódio desta semana não é um fato isolado, nem um ruído circunstancial. É, ao contrário, mais um capítulo de um movimento mais profundo e persistente que tenta redefinir — ou, em muitos casos, simplesmente deslegitimar — o papel do homem no mundo contemporâneo.


� ♥️ Ana Paula Volei -Tenho a honra de poder dizer que Juliano Cazarré é meu amigo. Ele e Letícia são parte da minha vida e presentes de Deus. 

Porém, não escrevo estas linhas movida por amizade pessoal. Escrevo como mulher, mãe e cidadã que reconhece, com clareza e gratidão, a necessidade vital de homens como ele em nossa sociedade. 

Esta semana, ao anunciar o evento “O Farol e a Forja”, Juliano sofreu mais um cancelamento feroz.

- Acusado de machismo por convidar homens a serem mais responsáveis, presentes View more on Instagram e íntegros, e para falar de fé, responsabilidade, disciplina e família. O “horror”!! 

Vivemos um tempo em que a masculinidade foi distorcida e colocada no mesmo lugar que o abuso. Em que ser homem, por si só, passou a ser visto com suspeita. E isso não torna a sociedade mais justa - torna mais fraca, mais confusa e menos capaz de enfrentar o que realmente importa. 

Foram homens de bem que ajudaram a construir o mundo mais livre que conhecemos hoje; foram homens fortes que desembarcaram na Normandia para lutar contra o mal. Homens que protegeram, trabalharam e assumiram responsabilidades quando era mais difícil. 

Homens que não pedem desculpas por existir. Que não se curvam à histeria coletiva. Que assumem seu papel com responsabilidade e coragem. 

👉E talvez seja exatamente isso que incomoda tanto os jacobinos de plantão com suas guilhotinas malditas. Mas Juliano não recuou. Ele nunca recua. Foi lapidado no fogo de vários cancelamentos e só se ajoelha diante de um único Senhor: Jesus Cristo. Isso é caráter. Isso é farol. Isso é forja. Obrigada, meu amigo. Deus te abençoe. 🙏❣️ View all 2,916 comments Add a comment... 


Há, nessa reação, algo que vai muito além da discordância. Existe uma recusa sistemática em aceitar que a masculinidade possa existir fora dos rótulos que lhe foram impostos nos últimos anos. Ao longo de décadas, assistimos à construção de uma narrativa que funde, de maneira deliberada, masculinidade e violência, como se uma fosse consequência inevitável da outra. Trata-se de uma simplificação perigosa, que ignora nuances, apaga distinções fundamentais e, no limite, compromete a própria capacidade da sociedade de identificar e combater aquilo que realmente deve ser combatido. 

Mas o episódio da semana não diz respeito apenas a Juliano. Ele expõe algo muito mais profundo: o desconforto visceral que parte da cultura atual sente diante de qualquer proposta que afirme, sem culpa, o valor da masculinidade boa e necessária. Vivemos, de fato, um tempo de demonização sistemática do sexo masculino. A masculinidade, essa força civilizatória que construiu nações, protegeu famílias, explorou continentes, enfrentou tiranias e ergueu o Ocidente como o lugar mais seguro e próspero para as mulheres na história da humanidade, foi reduzida a um conceito suspeito. Machismo e masculinidade foram jogados no mesmo balaio. 

Em vez de separar o abusador do protetor, o covarde do homem de caráter, optou-se pelo veredito coletivo: o problema é ser homem. E um homem sem direção não se torna automaticamente melhor; tornase apenas mais vulnerável ao caos. Uma sociedade que trata seus homens como um problema a ser contido, em vez de uma força a ser formada, inevitavelmente paga o preço dessa escolha.

Uma sociedade que trata seus homens como um problema a ser contido, em vez de uma força a ser formada - Foto: Shutterstock

Como mulher, confesso ter vergonha de muitas vozes femininas que, hoje, dirigem sua fúria mais violenta contra os homens que, exatamente por sua masculinidade orientada para a proteção e a responsabilidade, permitiram às mulheres as maiores liberdades já conhecidas. As mesmas que vociferam esta semana contra Cazarré relativizam opressões brutais em culturas onde mulheres não podem votar ou estudar e meninas são mutiladas genitalmente, casadas na infância, impedidas de estudar ou mortas por “honra”. 

Foram homens como Cazarré — pais, maridos, irmãos, soldados, legisladores — que lutaram, muitas vezes com a própria vida, para que hoje possamos votar, estudar, trabalhar, escolher não ter filhos ou realizar qualquer projeto pessoal. Essa liberdade não foi um presente da natureza nem fruto exclusivo de movimentos feministas. Foi conquistada, defendida e sustentada, em grande parte, pela melhor versão da masculinidade.

Ao longo da história, os momentos de maior estabilidade e prosperidade estiveram associados não à ausência de homens fortes, mas à presença de homens responsáveis. Homens que compreenderam seu papel não como instrumento de domínio, mas como dever de proteção. Homens que assumiram responsabilidades que iam além de si mesmos — pela família, pela comunidade, pela própria civilização. 

Quando o presidente Ronald Reagan, em 1984, homenageou os soldados que participaram do desembarque na Normandia na Segunda Guerra Mundial, ele não falou de poder, nem de superioridade. Falou de fé, lealdade e amor. Valores simples, quase silenciosos, mas que sustentam atos extraordinários. Aqueles jovens não foram movidos pelo desejo de impor algo ao mundo, mas pela disposição de proteger aquilo que deixavam para trás. É nesse tipo de força — discreta, firme, orientada — que reside a essência da masculinidade que hoje tantos insistem em ignorar.

Juliano Cazarré, pai dedicado de seis filhos, marido presente, homem convertido e convicto, encarna essa masculinidade. Ele não prega dominação nem submissão. Defende responsabilidade, papéis complementares, paternidade ativa, disciplina e homens que não fogem do peso de serem provedores emocionais, espirituais e materiais da família. Exatamente o oposto do que a cultura atual celebra: homens hesitantes, envergonhados de sua natureza, que pedem desculpas por existirem e que abdicam da liderança natural no lar.


Juliano Cazarré, pai dedicado de seis filhos, marido presente, homem convertido e convicto, encarna essa masculinidade - Foto: Reprodução/Redes Sociais

Talvez o incômodo contemporâneo com essa ideia venha exatamente daí. Homens que não se encaixam na caricatura esperada tornam-se desconfortáveis. Homens que não pedem desculpas por existir, que não performam culpa coletiva, que não se submetem à necessidade constante de validação pública passam a ser vistos como ameaça. Não porque sejam perigosos, mas porque são independentes. E a independência, em um ambiente cada vez mais orientado pela aprovação coletiva, tornou-se um gesto de resistência. 

Numa sociedade onde o coletivo engoliu o indivíduo, onde responsabilidade pessoal virou “privilégio opressor”, os homens estão sendo cobrados por pecados que não cometeram, por dívidas históricas que não contraíram e por um futuro que ainda não existe. Exige-se que peçam perdão simplesmente por serem homens: não conversem, não se reúnam, não rezem, não protejam, não ajam, não cobrem, não existam! Apenas encostem-se ali ao lado, finjam ser partes de uma sociedade doente e cada vez mais fraca e assistam de camarote à queda da civilização ocidental. 

Tenho poucas certezas absolutas na vida, mas uma delas permanece inabalável: existem milhões de mulheres que sabem exatamente o valor de homens bons. Que reconhecem, ainda que em silêncio, o papel desempenhado por pais, maridos, filhos e amigos que sustentam, muitas vezes sem reconhecimento, a estrutura invisível que permite à sociedade funcionar. Esses homens não estão nas manchetes, não participam das disputas ruidosas das redes sociais, não buscam aprovação constante. Estão trabalhando, cuidando, protegendo, construindo. 

Eu, como muitas mulheres que permanecem em silêncio, sou profundamente grata aos bons homens. Ao meu pai. Ao meu marido. Ao meu filho. Aos amigos como Juliano. Homens que não se envergonham de sua natureza protetora, que lideram com humildade, que amam com firmeza e que estão dispostos a sacrificar-se pelo que é certo. 

O cancelamento de Juliano Cazarré, nesse contexto, diz menos sobre ele e mais sobre o ambiente em que vivemos. Um ambiente em que a coragem de afirmar o óbvio — que homens precisam de direção, que masculinidade não é sinônimo de violência, que responsabilidade não deve ser ridicularizada — passou a exigir uma disposição que muitos já não estão dispostos a ter. 

As guilhotinas virtuais do momento revelam, acima de tudo, medo. Medo de que homens voltem a ser fortes, presentes e inabaláveis. Medo de que a família formada por pai, mãe e filhos volte a ser vista como algo desejável e não como estrutura opressora. Medo de que a narrativa de vitimismo perpétuo perca seu poder.


As guilhotinas virtuais do momento revelam, acima de tudo, medo - Foto: Shutterstock

Diante dos jacobinos, Juliano não recuou. Ele sabia que enfrentaria ataques. Ainda assim, seguiu em frente. Isso é ser farol. Isso é passar pela forja. É exatamente disso que nossa sociedade, confusa e enfraquecida, mais precisa: homens que não se curvam à histeria coletiva, que assumem responsabilidade e que inspiram outros a fazer o mesmo. 

Cabe a nós, especialmente às mulheres que compreendem o valor real disso, cumprir o nosso papel: defender com clareza intelectual, gratidão sincera e coragem serena a masculinidade que constrói, protege e eleva toda a sociedade. Uma sociedade sem bons homens não se torna mais justa. Torna-se mais frágil, caótica, triste e, no final, mais violenta para todos. 

Juliano Cazarré já passou por outros cancelamentos antes. Em 2022, escrevi aqui em Oeste sobre o ocorrido (“Homens de geleia, castelos de areia” , Edição 123). Mas ele jamais dobrou seus joelhos à turba. Acusado de machismo por defender papéis distintos entre pais e mães, por falar abertamente de sua fé católica, por colocar a família em primeiro lugar e por não pedir desculpas por ser homem, ele nunca recuou. 

Quem desembarca na Normandia, consciente do que está em jogo, não recua. Lapidado na força tranquila do caráter, Cazarré só se ajoelha diante de um único Senhor: Jesus Cristo. Essa consistência, forjada como um farol ao longo dos anos no fogo das críticas, é o que torna sua voz tão necessária hoje. E isso não é teimosia, é convicção. Não é provocação, é testemunho. Mais uma vez, obrigada, Juliano.


Ana Paula Henkel - Revista Oeste