segunda-feira, 9 de março de 2026

Sem apoio da esquerda, Vieira protocola CPI contra Master, Moraes e Toffoli

Requerimento reúne 35 assinaturas e prevê apuração de possíveis relações entre ministros do STF e o empresário Daniel Vorcaro


Senador Alessandro Vieira (MDB-SE) - Foto: Andressa Anholete/Agência Senado 

O senador Alessandro Vieira (MDB-SE) protocolou nesta segundafeira, 9, o requerimento para a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) destinada a investigar possíveis conexões entre exdono Banco Master, Daniel Vorcaro, e os ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF).

O pedido foi apresentado com 35 assinaturas, número superior ao mínimo de 27 apoios exigidos para a instalação de uma CPI. A lista de signatários é composta majoritariamente por parlamentares de partidos de centro, direita e oposição ao governo, sem a adesão de senadores de partidos de esquerda.

Preso, o banqueiro Daniel Vorcaro foi levado para Penitenciária em Brasília | Foto: Divulgação/Secretaria da Administração Penitenciária 

No requerimento, Vieira afirmou que as investigações envolvendo o Banco Master levantaram dúvidas sobre eventuais vínculos entre o empresário e integrantes da mais alta Corte do país. Para o senador, o Congresso Nacional precisa apurar de forma transparente os fatos diante da repercussão institucional do caso.


O caso Master revelou ao país uma in completa teia de irregularidades inanceiras, cujos desdobramentos investigativos alcançaram o coração do Poder Judiciário nacional, gerando questionamentos de enorme gravidade sobre conduta de dois ministros do Supremo Tribunal Federal que merecem — e exigem — a atenção investigativa do Parlamento”, afirmou Vieira no documento. 

A proposta de CPI prevê investigar “eventuais relações pessoais, financeiras ou de outra natureza” entre Vorcaro e os ministros do STF, além de possíveis impactos dessas relações sobre decisões e atos praticados no exercício das funções institucionais.


Supostas relações de ministros no caso Master 

Entre os pontos citados no requerimento está a participação do ministro Dias Toffoli em empreendimento turístico ligado ao grupo empresarial de Vorcaro, o Tayayá Resort, no interior do Paraná. Segundo Vieira, a relação envolvendo o empreendimento levanta questionamentos que justificam uma investigação parlamentar para esclarecer eventuais vínculos entre o magistrado e o empresário investigado. 

O documento também menciona contrato de honorários firmado com a advogada Viviane Barci, mulher do ministro Alexandre de Moraes. De acordo com o requerimento, o contrato previa pagamento mensal de R$ 3,6 milhões a partir de janeiro de 2024 e poderia alcançar R$ 129 milhões até 2027. Para o senador, a existência desse acordo suscita dúvidas sobre possíveis conexões entre o grupo econômico investigado e a atuação do magistrado.


Ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli em sessão plenária do STF — Brasília (DF), 4/3/2026 | Foto: Victor Piemonte/STF

Encontros de Vorcaro

Outro trecho do pedido cita mensagens atribuídas a Vorcaro, nas quais o empresário relata encontros com Alexandre de Moraes. Para o senador, o conteúdo reforçou a necessidade de esclarecimentos públicos sobre a natureza dessas interações.


“O Senado Federal tem o dever de investigar, de esclarecer e de oferecer ao povo brasileiro a transparência que a crise institucional exige”, afirmou Vieira. 


Com o pedido de abertura da CPI protocolado, caberá ao presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP), avaliar a leitura do pedido em plenário e a eventual instalação da comissão parlamentar de inquérito. 


Veja os senadores apoiadores: 


1. Alessandro Vieira (MDB-SE)

2. Astronauta Marcos Pontes (PL-SP);   

3. Eduardo Girão (NOVO-CE); 

4. Magno Malta (PL-ES);

5. Luis Carlos Heinze (PP-RS); 

6. Sergio Moro (UNIÃO-PR); 

7. Esperidião Amin (PP-SC); 

8. Carlos Portinho (PL-RJ); 

9. Styvenson Valentim (PSDB-RN); 

10. Marcio Bittar (PL-AC); 1

11. Plínio Valério (PSDB-AM); 

12. Jaime Bagattoli (PL-RO); 

13. Oriovisto Guimarães (PSDB-PR); 

14. Damares Alves (REPUBLICANOS-DF); 

15. Cleitinho (REPUBLICANOS-MG); 

16. Hamilton Mourão (REPUBLICANOS-RS); 

17. Vanderlan Cardoso (PSD-GO); 

18. Jorge Kajuru (PSB-GO); 

19. Margareth Buzetti (PP-MT); 

20. Alan Rick (REPUBLICANOS-AC); 

21. Wilder Morais (PL-GO); \

22. Izalci Lucas (PL-DF); \

23. Mara Gabrilli (PSD-SP); \

24. Marcos do Val (PODEMOS-ES); \

25. Rogério Marinho (PL-RN); \

26. Flávio Arns (PSB-PR); \

27. Laércio Oliveira (PP-SE); \

28. Dr. Hiran (PP-RR); \29. Flávio Bolsonaro (PL-RJ); 

30. Nelsinho Trad (PSD-MS); 

31. Marcos Rogério (PL-RO); \

32. Wellington Fagundes (PL-MT); 

33. Carlos Viana (PODEMOS-MG); 

34. Efraim Filho (UNIÃO-PB); e \

35. Tereza Cristina (PP-MS). 


Sarah Peres - Revista Oeste

CPI do STF já tem número mínimo de apoio no SenadoDiário do Poder

 Alessandro Vieira diz que objetivo é "resgatar a confiança dos brasileiros nas instituições"


Senador Alessandro Vieira (MDB-SE) é autor do requerimento para criação da CPI | Foto: Senado Federal do Brasil


O senador Alessandro Vieira (MDB-SE) afirmou nesta segunda-feira (9) ter alcançado o número mínimo de assinaturas para protocolar um pedido de Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) no Senado a fim de investigar a atuação dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes e Dias Toffoli no caso Banco Master.

Para a abertura da CPI são necessárias 27 assinaturas. Até a tarde desta segunda, o requerimento já contava com 29. De acordo com Vieira, a coleta continuará para garantir uma base mais ampla antes do protocolo oficial.

“Sem condenação antecipada, vamos realizar uma investigação absolutamente necessária para resgatar a confiança dos brasileiros nas instituições”, afirmou.

Entre os 29 senadores que assinaram o requerimento estão Sergio Moro (União-PR), Hamilton Mourão (Republicanos-RS), Damares Alves (Republicanos-DF), Marcos Pontes (PL-SP) e Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que aderiu após o número mínimo já ter sido alcançado.

A oposição no Senado tem liderado a articulação contra os ministros do STF. Paralelamente, o governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), anunciou que pretende protocolar um pedido de impeachment contra Moraes. Caso seja apresentado, caberá ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), decidir se dará andamento ao pedido de CPI ou aos processos de impeachment, conforme prevê a legislação.

Segundo informações extraídas do celular de Vorcaro, o banqueiro teria relatado a Moraes negociações envolvendo a venda do banco e discutido um “inquérito sigiloso” que tramitava na Justiça Federal de Brasília. As mensagens também indicam que Vorcaro consultou uma lista de convidados de um fórum jurídico realizado em Londres em 2024.

Diário do Poder

Ex-'ministro' do ex-presidiário Lula, Franklin Martins, é deportado do Panamá

 Indigitado teve o passaporte retido por agentes à paisana e foi levado para uma sala de interrogatório


Franklin Martins, ex-ministro do descondenado Lula (Foto: EBC)

O 'jornalista' Franklin Martins foi detido e deportado do Panamá quando fazia conexão no país rumo à Guatemala, onde participaria de um seminário. Ele havia embarcado no Rio de Janeiro e faria apenas escala na Cidade do Panamá antes de seguir viagem.

Segundo relato do próprio ex-'ministro', ao desembarcar no aeroporto internacional de Tocumen ele teve o passaporte retido por agentes à paisana e foi levado para uma sala de interrogatório. Após perguntas sobre sua viagem e sua trajetória, incluindo uma prisão ocorrida durante a ditadura militar no Brasil, foi informado de que não poderia seguir viagem e seria deportado ao Brasil, sem explicação clara.

Depois da repercussão do caso, o governo do Panamá enviou uma carta ao Itamaraty pedindo desculpas e classificando o episódio como um incidente ligado a procedimentos migratórios baseados em informações presentes em sistemas de controle do país.

Diário do Poder

domingo, 8 de março de 2026

Cupincha do ex-presidiário Lula, Vorcaro torrou R$ 220 milhões em festa com Coldplay e Andrea Bocelli

 Planilha revela custos astronômicos com shows, além de hospedagem em hotel da série White Lotus


O empresário Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master| Foto: Reprodução/Instagram/Martha Graeff


Uma planilha de despesas obtida pelo portal g1 detalha a extravagância de uma festa privada organizada pelo banqueiro Daniel Vorcaro em Taormina, na Sicília, em setembro de 2023. O evento de cinco dias custou o equivalente a R$ 222 milhões e contou com apresentações de estrelas internacionais em cenários históricos da Itália. Atualmente, Vorcaro cumpre prisão preventiva na Penitenciária Federal de Brasília. Ele é investigado dentro da Operação Compliance Zero sobre fraudes bilionárias no Banco Master.

Os custos com entretenimento representam a maior fatia do orçamento revelado pelo documento. A banda Coldplay recebeu o cachê mais alto, faturando R$ 59,7 milhões por uma única apresentação. O tenor Andrea Bocelli embolsou R$ 5,1 milhões, enquanto atrações como Michael Bublé, The Strokes, David Guetta e Seal também realizaram shows exclusivos para os convidados de Vorcaro. A estrutura de produção e montagem dos palcos consumiu outros R$ 76,5 milhões, evidenciando a magnitude logística do evento internacional. 

A hospedagems de convidados e da equipe técnica totalizou R$ 19,9 milhões em alguns dos estabelecimentos mais exclusivos do mundo. O banqueiro fechou o Four Seasons San Domenico Palace, famoso por ambientar a série The White Lotus, ao custo de R$ 9,3 milhões. Outros hotéis luxuosos, como o Belmond Villa Sant’Andrea e o Grand Hotel Timeo, também integraram a reserva bilionária de Daniel Vorcaro. Durante as festividades, os presentes contavam com o suporte de sete helicópteros para deslocamentos entre as locações históricas da Sicília.

A planilha detalha ainda a locação de marcos culturais como o Teatro Greco e o Castello degli Schiavi, este último célebre por servir de cenário ao filme O Poderoso Chefão. Além dos cachês artísticos, o banqueiro destinou R$ 2,1 milhões para serviços de hospitalidade e transporte local. Enquanto Vorcaro financiava essa celebração na Europa, a Polícia Federal e o Ministério Público Federal aprofundavam as apurações sobre o esquema de corrupção e crimes financeiros que resultaram em sua recente prisão e isolamento no sistema penitenciário federal


Hotéis de luxo para Vorcaro e companhia 

Cupincha do ex-presidiário Lula, Vorcaro torrou R$ 220 milhões em festa com Coldplay e Andrea Bocelli


Com informações de Erick Mafra - Revista Oeste

Aumenta o cerco sobre o ex-presidiário Lula e quadrilha - Toffoli: empréstimo para o Resort Tayayá teve 5 renegociações

 Documentos revelam que o Bradesco adiou cobrança de dívida de R$ 20 milhões por quase uma década


Resort Tayaya, que foi de propriedade de Dias Toffoli | Foto: Resort Tayay


O Resort Tayayá, empreendimento imobiliário que contou com a participação societária do ministro José Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), carrega uma dívida com o banco Bradesco renegociada pelo menos cinco vezes nos últimos anos. Segundo informações do jornal O Estado de S. Paulo, o empréstimo original de R$ 20 milhões, contraído em 2016, deveria ter sido quitado em apenas três anos. Contudo, registros em cartório mostram que os prazos foram sucessivamente esticados sem a aplicação de multas por impontualidade e com taxas de juros significativamente inferiores à Selic, a principal referência do mercado financeiro.

A última repactuação ocorreu em outubro de 2024, período em que o magistrado ainda constava como sócio do empreendimento. Na ocasião, o saldo devedor de aproximadamente R$ 7,1 milhões recebeu um novo vencimento para julho de 2026, com juros prefixados de 6,5% ao ano. Conforme levantamento do Estadão, essa taxa contrasta com o Panorama de Crédito da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), que apontava juros médios de 10,5% para financiamentos imobiliários de pessoas jurídicas no mesmo período. O Bradesco não comentou o caso, citando sigilo bancário.


Conflito de interesses e atuação no STF 

O ministro Toffoli afirmou, via assessoria, que não participou das negociações do empréstimo ou de seus aditamentos. O magistrado destacou que declarou impedimento para julgar processos envolvendo o Bradesco há muitos anos. Entretanto, o jornal O Estado de S. Paulo identificou que o ministro voltou a proferir decisões monocráticas e votos em causas relacionadas à instituição financeira em período posterior a 2018, inclusive enquanto já era sócio formal da DGEP Empreendimentos, incorporadora do resort, por meio de sua empresa Maridt S.A. 


Conexões de Toffoli com o Banco Master 

O Resort Tayayá também figura no centro de questionamentos sobre a relatoria de Toffoli em inquéritos envolvendo o Banco Master. O magistrado vendeu parte de sua participação no empreendimento a um fundo de investimento ligado ao banqueiro Daniel Vorcaro. Mensagens e extratos obtidos pelo jornal O Estado de S. Paulo indicam que o fundo destinou R$ 35 milhões ao resort. 

Embora o ministro negue ter recebido valores de Vorcaro ou de seu cunhado, o pastor Fabiano Zettel, os documentos mostram aportes milionários coordenados entre os fundos Leal e Arleen nas mesmas datas em que o Arleen ingressou na sociedade do Tayayá. 

A relação dos Toffoli com o projeto remonta a 2006, quando um primo do ministro incorporou o terreno. Irmãos de Toffoli, incluindo um engenheiro e um padre, atuaram como dirigentes da empresa que controlava o resort. Enquanto a ordem constitucional exige transparência, o emaranhado de renegociações bancárias e investimentos cruzados com figuras investigadas pela Polícia Federal amplia a pressão sobre a conduta ética do magistrado no topo do Judiciário brasileiro. 

Aumenta o cerco sobre o ex-presidiário Lula e quadrilha


Erick Mafra - Revista Oeste

Teoria Austríaca dos Ciclos Econômicos – Parte 1: A Base do Crescimento Econômico, por Paul F. Cwik

 

Nota da edição:

Este artigo é uma tradução exclusiva para o português do Instituto Mises Brasil da primeira parte do livro Austrian Business Cycle Theory: An Introduction do economista e fellow do Mises Institute Paul F. Cwik. Nesta parte, o autor fala sobre a visão da Escola Austríaca em relação ao que garante o crescimento econômico verdadeiro contrastando-a com as visões keynesianas e da chamada economia mainstream.


Antes de podermos entender como uma economia “dá errado”, primeiro precisamos entender como uma economia “funciona corretamente”. 

O componente mais básico de qualquer economia é a transação que ocorre entre duas pessoas. Em qualquer transação de livre mercado, fazemos duas suposições básicas: as pessoas estão agindo voluntariamente e os direitos de propriedade estão claramente definidos. Em outras palavras, não há força, coerção ou fraude. Nessas condições, quando duas pessoas realizam uma troca, cada lado espera se beneficiar, tanto psicologicamente quanto materialmente. Sob a premissa da dupla coincidência de desejos, cada lado deve atribuir maior valor ao que está recebendo na troca do que ao que está entregando. Por exemplo, se a pessoa A tem maçãs e a pessoa B tem mirtilos, então a pessoa A deve valorizar os mirtilos mais do que as maçãs, e a pessoa B deve valorizar as maçãs mais do que os mirtilos. Se essa condição não for atendida, então nenhuma troca ocorrerá. Assim, como cada troca representa uma dupla coincidência de desejos, devemos concluir que cada transação traz pelo menos um benefício psicológico para ambos os participantes da troca.

Ao compreender os benefícios que se acumulam para os indivíduos que realizam trocas, podemos, por extensão, perceber como uma comunidade econômica inteira se beneficia do comércio. Por meio da lei da vantagem comparativa, também podemos concluir que, quando as pessoas se especializam na atividade em que possuem menor custo de oportunidade e depois realizam trocas, ambos os lados tornam-se materialmente mais prósperos (veja Ayau [2007]1 para exemplos claros e uma discussão simples de como essa lei funciona). O poder da lei da vantagem comparativa encontra-se na redução de custos. Quando o custo de produção é reduzido, é fácil entender como quem reduz custos se beneficia diretamente. Por exemplo, se uma pessoa encontra uma maneira mais eficiente de organizar suas ferramentas, ela conseguirá terminar seu trabalho mais rapidamente e terá mais tempo livre depois. Mas como esse benefício é transmitido aos outros?

Suponhamos que exista uma empresa de manufatura que venda mil unidades por dia ao preço de US$10 cada, com um custo de US$8 por unidade. Um cálculo rápido revela que a empresa está obtendo US$2.000 de lucro por dia (Lucro = Receita − Custos; portanto, para essa empresa: US$10.000 − US$8.000 = US$2.000). Para aumentar seus lucros, a empresa pode alterar seus preços, reduzir seus custos ou tentar uma combinação das duas estratégias. Se a empresa decidir aumentar o preço de suas unidades, perderá alguns clientes. Se perder clientes demais (devido à alta sensibilidade dos consumidores ao preço, isto é, demanda elástica), então sua receita total cairá. A empresa poderia, em vez disso, reduzir o preço para atrair mais clientes (também devido à elasticidade da demanda), mas a diminuição do preço poderia superar o aumento no número de consumidores. Na prática, as empresas costumam ser bastante hábeis em equilibrar essas estratégias. Elas sabem que, se aumentarem seus preços, seus clientes serão atraídos pelos concorrentes e que, se reduzirem os preços, perderão receita. Ambas as escolhas reduzem os lucros. Por essa razão, quando uma empresa tenta aumentar sua margem de lucro no mundo real, ela tende a se concentrar na redução de custos, e não no aumento da receita.

Suponha que nossa empresa fictícia encontre novas maneiras de tornar suas operações de manufatura mais eficientes, de modo que consiga reduzir seus custos de US$8 para US$6 por unidade. Os benefícios dessa redução de custos podem se manifestar de três maneiras. A mais evidente é que maiores lucros passam a beneficiar os proprietários (US$10.000 − US$6.000 = US$4.000). Eles agora possuem maior poder de compra para gastar em bens de consumo e bens de investimento. O segundo benefício aparece na forma de salários mais altos para os trabalhadores. Em equilíbrio, os fatores de produção recebem preços de acordo com o valor que contribuem para a produção. Se os trabalhadores aumentam sua produtividade, então, ao longo do tempo, seus salários aumentarão e eles passarão a ter maior poder de compra. Por fim, a empresa pode perceber que, com um custo menor por unidade, pode reduzir o preço de seu produto (a partir de $10) e tentar conquistar alguns clientes de seus concorrentes. O preço mais baixo beneficia diretamente os consumidores. Em cada um desses casos, a empresa consegue liberar recursos ao reduzir custos. Esses recursos adicionais levam a um aumento na oferta de bens de consumo, de bens de investimento, ou de ambos.

Figura 1: A “fórmula mágica” do crescimento econômico

Esse processo de crescimento econômico por meio da expansão da oferta recebeu vários nomes ao longo da história, sendo talvez o mais famoso a lei de Say. A lei de Say começa apontando que o dinheiro é um meio de troca, um elo que conecta a produção de uma pessoa à produção de outras pessoas. Em seguida, ela mostra que precisamos produzir antes de poder consumir. Eu chamei essa ideia de a “fórmula mágica” do crescimento econômico (é claro que não há nada de mágico nela; como mostra a figura 1).

Vamos examinar essa fórmula começando pelo final e trabalhando em sentido inverso. Podemos começar perguntando: “Qual é o objetivo dos participantes da economia?” De modo geral, podemos responder que as pessoas gostariam de melhorar sua situação (isto é, alcançar um padrão de vida mais elevado). Essa conclusão nos leva à pergunta: “Como podemos melhorar nosso padrão de vida?” A resposta mais genérica é obtendo mais “coisas”. Naturalmente, “coisas” não se limita a itens físicos. Pode incluir elementos intangíveis, como tempo livre. No entanto, para alcançar um padrão de vida mais elevado, uma coisa é certa: precisamos criar mais de alguma coisa. Mas como?

Ao longo da história, algumas sociedades obtiveram essas “coisas” adicionais por meio da conquista. Entretanto, anteriormente afirmamos que as transações de livre mercado não podem ocorrer por meio da coerção, de modo que a conquista está excluída como forma legítima de aumentar a produção. Outra possibilidade seria descobrir novos recursos. Recursos ainda não explorados foram descobertos e colocados em uso à medida que a humanidade se espalhou pelo globo. Contudo, embora ainda existam alguns recursos não descobertos, essa opção não é realmente viável, pois as descobertas ocorrem de maneira irregular e imprevisível. Isso nos deixa apenas uma alternativa disponível: aumentar nossa produtividade (isto é, aumentar nossa produção utilizando a mesma quantidade de tempo e/ou recursos ou manter a mesma produção utilizando menos tempo e/ou recursos). Sem novas fronteiras e sem conquistas, são necessárias novas técnicas, máquinas, ferramentas e equipamentos para elevar a produtividade. Em outras palavras, tornamo-nos mais produtivos por meio da acumulação de capital.

Os investimentos de mercado são a fonte da acumulação de capital. São necessários recursos para construir e estabelecer bens de capital e para implementar novas técnicas. Os mercados são essenciais para alocar adequadamente os recursos de investimento em empreendimentos lucrativos e evitar aqueles que seriam ineficientes.

A fonte dos recursos dos investidores é a poupança, também conhecida como consumo adiado. A poupança inclui mais do que o dinheiro que mantemos em nossas contas bancárias ou em espécie. Ela também inclui os lucros que as empresas reinvestem em suas próprias atividades empresariais (lucros retidos). Ao optar por não gastar, os poupadores desencadeiam uma reação em cadeia. Esse processo primeiro afeta os preços dos bens de consumo, pressionando-os para baixo, e depois se espalha por toda a economia. Simplesmente manter dinheiro em caixa tem o mesmo efeito que outras formas de poupança.

Em resumo, a “fórmula mágica” do crescimento econômico mostra que um aumento na poupança leva a um aumento no investimento. O aumento do investimento permite que ferramentas, máquinas e equipamentos melhores e em maior quantidade sejam utilizados na produção (acumulação de capital). Essas ferramentas aumentam a produtividade dos trabalhadores, o que exerce uma pressão no sentido de aumento sobre seus salários. O nível mais elevado de produtividade também significa que podemos ter mais bens e serviços, que agora são vendidos a preços reais mais baixos, utilizando a mesma quantidade, ou até menos, de insumos. Esse aumento de “coisas” é o que nos permite alcançar padrões de vida mais elevados.

A “fórmula mágica” do crescimento econômico chama nossa atenção para algumas conclusões importantes. Primeiro, a poupança é o primeiro passo necessário para o crescimento econômico. Mesmo uma boa ideia não pode produzir impacto econômico se não existirem recursos, isto é, a poupança, para implementá-la. Segundo, ao contrário da teoria keynesiana, não podemos “sair consumindo” para alcançar prosperidade. Embora o consumo seja o objetivo final de toda produção, precisamos produzir para poder consumir; essa percepção constitui a essência da lei de Say. Se uma economia consome capital, em vez de acumulá-lo por meio da poupança, então a renda e os padrões de vida cairão. Terceiro, o gasto do governo não é necessário para promover o crescimento econômico. O crescimento econômico é estritamente uma atividade do setor privado. Por último, e essa é uma conclusão muito importante, o crescimento econômico que segue a “fórmula mágica” leva a uma queda gradual dos preços. Em outras palavras, o crescimento econômico que resulta de ganhos de produtividade conduz a uma deflação natural, e essa deflação natural é benéfica (inversamente, mesmo com uma oferta monetária constante, uma economia em contração experimentaria pressões inflacionárias; veja Hayek [1999, p. 215]2). A ideia de que uma economia precisa de qualquer nível de inflação para crescer é simplesmente falsa.


Mises Brasil 

Brasileiros pagaram R$800 bilhões em impostos só este ano

 Estimativa do Impostômetro é que sejam tomados outros R$100 bilhões dos brasileiros apenas nos próximos dez dias


Foto- Marcelo Camargo - Ag.Brasil


Brasileiros amargamos, neste sábado (7), a marca de R$800 bilhões pagos em impostos, somente em 2026. A conta é do “Impostômetro” da Associação Comercial de São Paulo, que inclui todas as taxas tomadas dos cidadãos no âmbito federal, estadual e municipal. Foram R$100 bilhões em apenas dez dias. Em 26 de fevereiro, o Impostômetro apontava R$700 bilhões tomados dos brasileiros em impostos, este ano. As informações são do jornalista Cláudio Humberto, colunista do Diário do Poder.

Esta semana, a plataforma Gasto Brasil registrou que as despesas do governo já superaram R$1 trilhão no mesmo período.

A arrecadação de impostos no estado de São Paulo responde por 37,4% de tudo tomado pelo governo: mais de R$286 bilhões, até agora.

A estimativa do Impostômetro é que sejam tomados outros R$100 bilhões dos brasileiros apenas nos próximos dez dias.

Lula e quadrilha são insaciáveis...

Com informações do Diário do Poder

'A vergonhosa conversa entre Moraes e Vorcaro', por Mário Sabino

 Troca de mensagens entre o ministro e o ex-banqueiro ultrapassa todos os limites


O ministro Alexandre de Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, em registro institucional | Foto: Montagem Revista Oeste

O STF vive um momento capital: ou se depura dos ministros envolvidos com Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, ou não poderá mais ser considerado uma instituição republicana, com consequências nefastas para o país. 

De todos os conteúdos do celular de Vorcaro que vieram a público até agora, o mais revelador, o mais grave, o mais imoral, o mais estarrecedor, e tudo é muito revelador, grave, imoral e estarrecedor, é o da troca de mensagens entre o dono do Master e o ministro Alexandre de Moraes no dia da primeira prisão do responsável pela maior fraude financeira da história brasileira.

A provar a gravidade dessa troca de mensagens, tanto Vorcaro como Moraes tentam fazer crer que a conversa não passa de uma falsificação, sabe-se lá de quem. É ato desesperado de quem se vê encurralado pela verdade, nada além da verdade. 

A troca de mensagens foi publicada pela coluna da jornalista Malu Gaspar, que teve acesso ao material apreendido pela Polícia Federal.

De acordo com a jornalista, a conversa entre ambos, por meio do aplicativo WhatsApp, estendeu-se ao longo do dia 17 de novembro de 2025, em um total de nove diálogos. 

O último contato entre os dois ocorreu pouco mais de uma hora antes de Vorcaro ser preso pela PF no Aeroporto Internacional de Guarulhos. 


Vorcaro e Moraes eram próximos 

Na troca de mensagens, Vorcaro presta contas a Moraes sobre as negociações para a venda do Master e dá a entender que falava também sobre o inquérito sigiloso em tramitação na Justiça Federal de Brasília — do qual, como viemos a saber, ele conhecia a existência por meio de hackeamento do sistema do Judiciário. 

“Vorcaro relata que antecipou o negócio e que conseguiu salvá-lo, embora não fosse do jeito que ele queria”, escreve a jornalista.

“Também menciona um vazamento que ‘será péssimo, mas pode ser um gancho para entrar no circuito do processo’. Duas vezes, durante o dia, ele pergunta a Moraes se tinha alguma novidade, e ainda questiona: ‘Conseguiu bloquear?’” 

Eles tinham a exata noção de que o contato entre ambos deveria se manter clandestino. Tanto é que Vorcaro e Moraes escreviam nos blocos de notas dos seus celulares, faziam prints e enviavam o texto como imagens de visualização única. 

“Por isso, as mensagens do ministro não estão disponíveis”, explica Malu Gaspar. “Já as de Vorcaro continuaram acessíveis no próprio celular. Os horários de cada nota do banqueiro obtida pela reportagem coincidem com os das mensagens, em geral enviadas um minuto depois de serem salvas. Apenas uma foge do padrão e tem um intervalo de seis minutos entre o horário em que a nota foi fotografada e o seu envio.” 

Aliados à descoberta dos vários encontros que Vorcaro e Moraes tiveram, os diálogos mostram que a relação entre os dois era bem mais estreita do que se supunha.

A demonstrar a proximidade entre ambos, descobriu-se também que o ministro vetou a participação de Joesley Batista, dono da J&F, em um evento patrocinado por Vorcaro, em Londres, porque “era o magistrado que dava a última palavra sobre os convidados pelo exbanqueiro, como mostram diálogos do celular dele enviados pela PF à CPI do INSS”, diz a Folha.

Por que o dono do Master se sentia na obrigação de prestar contas ao ministro sobre a tentativa de venda do Master no dia da sua prisão? A que Vorcaro estava se referindo quando pergunta a Moraes se ele havia conseguido “bloquear”? São questões que não podem ficar sem resposta. 

Se as investigações prosseguirem no seu curso normal, poderá vir à tona, por exemplo, que os R$ 129 milhões do contrato assinado entre o Master e o escritório da mulher do ministro não eram exatamente por serviços advocatícios.

Até o presente, o conteúdo do celular de Vorcaro traz relativa abundância de referências a Moraes, bem como conversas com ele, mas a doutora Viviane Barci de Moraes, a quem o dono do Master pagaria uma bolada inédita na advocacia brasileira, não tivesse sido o banco liquidado, não aparece em instante algum como interlocutora ou protagonista de um episódio importante. É como se a advogada contratada a peso de ouro não existisse no radar de Vorcaro.

 Sempre no caso de as investigações não sofrerem nenhuma intervenção indevida, à margem do Estado de Direito, poderá ser revelado ainda que, ao perguntar ao ministro se ele havia conseguido “bloquear”, Vorcaro estava falando da ordem de prisão da qual era alvo — e aí poderia estar indicada uma tentativa de obstrução de justiça da parte de um integrante da mais alta corte do país. 

Fazer tais ilações diante do material probatório é absolutamente legítimo, assim como é inevitável ter a convicção de que o Supremo Tribunal Federal vive um momento capital. A república brasileira vive. 

Que Deus continue a guiar o ministro André Mendonça, porque ele foi o escolhido pela Providência Divina para trazer toda essa sujeira à luz do sol.


Mário Sabino - Revista Oeste

sábado, 7 de março de 2026

'O tombo no PIB e a guerra no Irã', por Adalberto Piotto

Com a economia perdendo fôlego e o orçamento estrangulado pela gastança desenfreada, Lula deixa o país exposto num cenário de conflito internaciona


Ilustração: Júlia Xavier/Revista Oeste/Feito por IA


Este é um ano eleitoral. É preciso comparar e saber para onde pretendemos ir. Não dá para fugir do debate intelectualmente honesto, duro e realista. A vida nacional não nos permite mais entrar no clima eleitoral como se fosse outra eleição qualquer. O mundo mudou. E, para o bem do Brasil, ao produzir alimentos para 1 bilhão de pessoas no planeta, nós nos tornamos imprescindíveis para a comunidade internacional. Trata-se de um dos mais fantásticos casos de produção de excedentes de alimentos exportáveis da história. A eleição norte-americana em 2024, que elegeu de forma avassaladora Donald Trump para um segundo mandato, foi um divisor de águas. Foi decisiva e talvez a mais importante em décadas para os Estados Unidos. Também o foi para o mundo. Alguém imagina a democrata Kamala Harris diante dos desafios da guerra no Irã? Não. De verdade, dá até receio de imaginar a hipótese porque a realidade é muito melhor e mais segura. 

Atualmente, há uma determinação consistente e bem planejada na Casa Branca para a defesa da liberdade e contra tiranias mundo afora. Trump começa pela diplomacia. Mas a força da máquina de guerra norte-americana sempre está a postos. Para forçar a mudança de regimes de exceção e libertar povos oprimidos por autocratas violentos e sanguinários. A Venezuela é um exemplo. A prisão de Nicolás Maduro, numa operação de inteligência e extração do ditador venezuelano por militares das Forças Especiais, foi digna de filmes de Hollywood. Com a situação venezuelana na América do Sul sob controle, a frota de dois porta-aviões e uma série de navios e submarinos com alto poder de fogo se dirigiu ao Oriente Médio. O Irã, com quem também negociou por meses, entrava na mira da Casa Branca, menos de dois meses depois. A tese do multilateralismo da Organização das Nações Unidas (ONU) é muito sedutora. 

A concertação das nações é uma teoria confortável, até desejável como único caminho para a humanidade na resolução de conflitos. Mas o que dizer às vítimas do sanguinário regime iraniano, inúmeras pessoas que comemoravam a esperança de liberdade e a ação americana em Teerã? Sobretudo mulheres e homens que viviam sob um regime violento, acusado de matar mais de 30 mil iranianos nos protestos de meses atrás contra o governo dos aiatolás. Como dizer às famílias dessas pessoas que o multilateralismo é melhor que o uso da força quando fenáticos genocidas tomam o poder?


Desembarque na Normandia, no Dia D | Foto: Bill Damon/Flickr 

O mundo sabe a resposta. O Dia D, na Segunda Guerra Mundial, mostrou o caminho e abriu uma era em que as liberdades e os direitos civis devem prevalecer sobre todas as outras coisas. O mundo está novamente envolto numa guerra necessária comandada por duas democracias, os Estados Unidos e Israel, contra uma tirania de aiatolás violadores de direitos humanos. No mundo civilizado, guerras não são desejadas. Mas jamais podem ser evitadas quando, como no caso do Irã, o multilateralismo da ONU foi incapaz de assegurar o mínimo de direitos e garantias individuais à população. E olha que teve tempo. De 1979 para cá, foram quase 47 anos. Não espanta, porque antes emociona, a comemoração de iranianos nas redes sociais e pelas ruas do mundo livre diante da morte do aiatolá Ali Khamenei, o ex-líder supremo do país. 


“O Governo brasileiro condena e expressa grave preocupação com os ataques realizados hoje (28/2) por Estados Unidos e Israel contra alvos no Irã… O Brasil apela a todas as partes que respeitem o Direito Internacional e exerçam máxima contenção, de maneira a evitar a escalada de hostilidades e a assegurar a proteção de civis e da infraestrutura civil.”


Alguém em sã consciência condenaria a invasão da Normandia e a consequente libertação da Europa do jugo nazista de Adolf Hitler? O Direito Internacional que, sim, garante a soberania das nações e a inviolabilidade de suas fronteiras, igualmente exige a proteção dos cidadãos da violência política do Estado. E o que seria mais importante, quando um regime sai do eixo dos direitos humanos e se assume como o Eixo do Mal no Oriente Médio, como principal financiador do terrorismo internacional? A soberania territorial ou a libertação de um povo oprimido? 

A nota do Ministério das Relações Exteriores do Brasil sobre a operação militar soaria meramente protocolar, praticamente insossa, não fosse o alinhamento retórico de Lula com o Irã, o Hamas e contra Israel. Criticou os EUA também, embora tenha sinalizado recuos. Fato é que o Itamaraty teria sido, como sempre foi, apenas diplomático, historicamente se colocando como mediador. Mas sob o governo Lula, com suas escolhas que vão contra a tradição das nossas relações exteriores, o Brasil deve experimentar uma suspeição ainda maior do mundo. Dos investidores, inclusive. 


Em 1º de março de 2026, Forças dos EUA e de Israel atacam Teerã em áreas estratégicas e sensíveis como parte de grande ofensiva militar na República Islâmica do Irã - Foto: Ahmadvand/SIPA/Shutterstock 

Entro em dados recentes da economia nacional e em comparativos impreteríveis. Sem a inflação global dos combustíveis causada pela Guerra da Ucrânia, em 2022, e sem pandemia, mas com Lula falando bobagens e gastando como se não houvesse país amanhã, o PIB do ano passado levou um tombo. Saiu de 3,4%, em 2024, para 2,3%, em 2025. Um governo consistente deveria ter feito a economia avançar com o mundo soprando a favor. Diante do retrocesso na política econômica e na gestão do país, os bônus das reformas e gestões responsáveis dos governos de Michel Temer e, principalmente, Jair Bolsonaro, estão se dissipando. 

Na economia, isso tem o nome de carrego estatístico, que é quando uma gestão deixa o país arrumado e crescendo, com estabilidade fiscal, redução da máquina pública e ambiente favorável ao investimento, como de fato aconteceu. Se houvesse algum nível de honestidade da esquerda, o lulopetismo chamaria esse carrego estatístico altamente positivo, vindo de Temer e Bolsonaro, de herança bendita. Receberam o mesmo de Fernando Henrique Cardoso, em 2003, mas chamaram de “herança maldita”. Não é, nunca foi. Era só narrativa. 

Não seria agora com essa subespécie vermelha que tem destruído não apenas as contas do país, mas as conquistas do povo brasileiro. Tratase de um governo perdulário, de padrão técnico muito baixo e sem ideias. Ou pior: com ideias ruins. No Brasil de baixa produtividade, o governo atual elegeu duas prioridades para a reeleição de Lula a qualquer custo: assistencialismo em massa, mesmo com estudos demonstrando a ineficiência das bolsas, e a escala 6×1, sem nenhum parâmetro de garantia dos empregos e sustentabilidade da medida para o empregador. É tudo movido a interesse eleitoreiro. O país que se vire depois. Não surpreende o PIB desacelerar no ano passado e indicar que está embicando em 2026.

Olhando para os números divulgados na última semana pelo IBGE, há dados que são positivos. Ninguém questiona, por exemplo, que a alta de 2,3% de 2025 representa o quinto ano consecutivo de alta da economia brasileira (os dois primeiros sob Bolsonaro e com pandemia). Lembra do carrego estatístico positivo herdado, das reformas que atraíram investidores dos governos anteriores que recuperaram o país depois da tragédia de Dilma Rousseff, a “querida” de Lula? É resiliente, mas não dura para sempre. Ninguém também vai questionar que os serviços cresceram 1,8%, e a indústria, 1,4%. São números positivos na comparação com o ano anterior. 

Assim como a agropecuária, que registrou incríveis 11,7% de crescimento, a que Lula chama de “fascista”, ancorada nas safras recordes de soja e milho. Mas é nos detalhes que a realidade se mostra e, mais grave, o futuro se perde. O consumo das famílias, que representa praticamente dois terços do cálculo do PIB, cresceu apenas 1,3% no ano passado em comparação aos 5,1% de 2024. É a maior desaceleração desde a pandemia. Quanto mais se distancia do governo Bolsonaro e da herança bendita, sobra Lula em seu estado mais bruto e incompetente. As famílias brasileiras estavam consumindo em níveis muito mais altos desde o fim da pandemia.


Foto: Reprodução/Flickr


O tombo de agora só não é por acaso. Irresponsável com as contas públicas, acumulando um endividamento recorde, com estatais ineficientes e deficitárias — sem contar a distribuição de cargos para a companheirada —, Lula saiu falando o que não devia e gastando o que não podia desde antes de chegar ao governo com a emenda Fura-Teto. Nos pouco mais de três anos de mandato até agora, gerou um ambiente turbulento e juridicamente inseguro no país. Há retrocessos em tudo, de diplomacia comercial, passando pela gestão técnica, até a volta dos escândalos de corrupção. Internamente, o Banco Central deu a resposta necessária e aumentou os juros para conter a inflação, causada sobretudo pela completa ausência de austeridade do governo. Juros altos afastam investidores e paralisam a economia. 

Quando se olha para a atividade econômica do PIB da última metade do ano passado, os números indicam um cenário bem ruim. A média do mundo cresce mais e melhor, mas o Brasil do lulopetismo traz números ruins e já compromete o ano de 2026, quando se estima um PIB com teto em 1,8%, se tanto. O detalhe é que o segundo semestre é sempre um período mais aquecido da economia. Não com Lula. O terceiro trimestre já vinha definhando. Mas os dados do quarto trimestre são de desaceleração evidente: a Formação Bruta de Capital.

Fixo, uma definição para investimentos de longo prazo dentro do país, desabou 3,5%. O PIB ficou estável em 0,1%. Mas veja o leitor uma última comparação: enquanto o consumo do governo cresceu 1%, o das famílias ficou em 0%. Está faltando dinheiro no orçamento doméstico depois de tanto imposto novo criado por Taxad (o apelido dado ao ministro da Fazenda, Fernando Haddad) para pagar as contas do governo. E, com os salários corroídos pela inflação, não tem sobrado nada. Lembra do café custando R$ 35, R$ 40 o meio quilo? Ou do arroz a R$ 7 ou R$ 8 o quilo? Um suposto refresco na inflação agora, como alega o governo, depois de dilapidar boa parte do poder de compra das pessoas, não resolve. 

A inflação está mais baixa? Sim, se os dados do IBGE forem reais, dada a crescente desconfiança das pessoas com a demissão de pesquisadores técnicos por reclamação de interferência política no instituto. Mas inflação teoricamente baixa com as famílias mais endividadas e empobrecidas ninguém sente. É como o paciente que está estável, mas na UTI. Não dá para falar que esteja bem. Nem o PIB de R$ 12,7 trilhões melhora a situação. O Brasil saiu das 10 maiores economias do mundo. Perdeu lugar para a Rússia, um país em guerra.   

A próxima eleição presidencial será a mais importante da história para os brasileiros. Como foi com a eleição de Donald Trump para os americanos. Lá, eles se livraram de um Joe Biden que já não falava coisa com coisa. Aqui, temos Lula insistindo em colocar o país no lado errado da história, insistindo em teses obsoletas na economia e falando bobagens ao ver graça na Acadêmicos de Niterói chamar as famílias brasileiras de conservas em lata. Quando a guerra passar, e ela nos afeta porque precisamos de fertilizantes para nosso agronegócio e canais de venda para nossas exportações, o mundo vai querer saber qual Brasil sobrou. O que dá certo ou o de Lula?


Adalberto Piotto - Revista Oeste

Mensagem de Vorcaro aparece em pasta com senador Irajá e Viviane Barci

Ex-banqueiro usava o bloco de notas do celular para redigir textos, tirava capturas de tela e as enviava via WhatsApp


Viviane Barci, mulher do ministro Alexandre de Moraes, teria trocado mensagens com o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro | Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil 

Documentos extraídos do celular de Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, geraram especulações sobre possíveis trocas de mensagens entre ele e o ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes em novembro de 2025. Apesar das suspeitas, o magistrado nega qualquer diálogo com o ex-banqueiro por aplicativos de mensagens na data da prisão do ex-banqueiro.

Vorcaro usava o bloco de notas do celular para redigir mensagens, tirava capturas de tela e as enviava via WhatsApp. O método configura o envio para autodestruição depois da leitura. Contudo, todas as imagens dessas mensagens permaneciam salvas no álbum de fotos do dispositivo. Isso permitiu à Polícia Federal (PF) identificar o horário exato de criação dos arquivos e cruzar com o envio pelo aplicativo. 


Dúvidas sobre destinatários e autenticidade das mensagens de Vorcaro

Enree as mensagensmais relevantes, foi enviada às às 17h26 de 17 de novembro de 2025, momentos antes da prisão de Vorcaro. O texto dizia o seguinte: “Alguma novidade? Conseguiu ter notícia ou bloquear?”. As imagens localizadas no celular do exbanqueiro aparecem duplicadas em diferentes pastas do material que a PF encaminhou à CPMI do INSS. Conforme o Poder360, uma dessas pastas contém o contato do senador Irajá (PSD-TO); outra, da advogada Viviane Barci, mulher de Moraes.




O ministro alega que, pelo fato de as imagens das mensagens estarem associadas a contatos variados, não há comprovação de que ele tenha recebido o conteúdo. O argumento, no entanto, é tecnicamente frágil, pois a organização dos arquivos pela PF parece aleatória, sem relação direta entre contatos e imagens. Irajá também negou ter recebido mensagens. “A informação de que Daniel Vorcaro teria enviado qualquer mensagem ao senador Irajá é completamente inverídica”, disse ao Poder360. 


Repercussão política e investigações paralelas

Além da polêmica sobre o destinatário das mensagens, Moraes enfrenta questionamentos sobre a atuação no caso. Ele declarou basear suas defesas em “análise técnica realizada nos dados telemáticos de Vorcaro, tornados públicos pela CPMI do INSS”. Entretanto, apenas o ministro André Mendonça conduz o inquérito do Banco Master, e o uso de material vazado pode configurar invasão de competência. Mendonça, inclusive, abriu investigação sobre os vazamentos na sexta-feira 6.

Mesmo sem risco imediato para Moraes, já que ministros do STF só podem ser investigados pelo Senado mediante decisão do presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), o episódio gera desconforto interno. Caso Vorcaro venha a colaborar com a Justiça, ele poderá esclarecer os destinatários das mensagens, o que pode complicar a situação do ministro. 


Detalhes sobre o material apreendido e nota do STF 

O acervo enviado à CPMI do INSS inclui cerca de 700MB de arquivos extraídos dos sete celulares de Vorcaro, apreendidos em fases diferentes da operação Compliance Zero. Entre os arquivos, além das imagens das mensagens, há anotações em papel listando nomes de advogados, como Marcela Mattiuzzo, Rodrigo Mudrovitsch e Vitor Rufino. Não há, porém, comprovação de conexão direta entre os registros e as mensagens polêmicas. 

Em nota divulgada na sexta-feira 6, o STF afirmou que a “análise técnica realizada nos dados telemáticos de Vorcaro, tornados públicos pela CPMI do INSS, constatou que as mensagens de visualização única enviadas por ele no dia 17 de novembro de 2025 não conferem com os contatos do ministro Alexandre de Moraes nos arquivos apreendidos”.  

“No conteúdo extraído do celular do executivo pelos investigadores, os prints das mensagens enviadas por Vorcaro estão vinculadas a pastas de outras pessoas da lista de contatos e não constam como direcionadas ao ministro Alexandre de Moraes”, declarou a Suprema Corte em nota. 

“A mensagem e o respectivo contato estão na mesma pasta do computador de quem fez os prints. Outro ponto de debate refere-se à seleção do material enviado pela PF à CPMI do INSS. O colegiado solicitou dados do Banco Master relacionados a fraudes em empréstimos consignados. Contudo, a corporação encaminhou apenas parte do material apreendido. A pasta inclui conversas pessoais de Vorcaro e informações de contatos extraídas dos celulares, sem detalhar critérios de seleção ou se todos os contatos possíveis foram repassados.


Uiliam Grizafis - Revista Oeste

Wendy McElroy - A filosofia Bourne: a guerra é a saúde do estado

 

“A guerra é a saúde do estado”.

Essas sete famosas palavras apareceram em um manuscrito inacabado escrito pelo ensaísta progressista Randolph Silliman Bourne (1886–1918) durante a Primeira Guerra Mundial. Em uma coletânea de ensaios de Bourne intitulada War and the Intellectuals (1964), o editor Carl Resek explicou o significado da frase. Resek escreveu: “Em seu devido contexto, ela [a frase] significava que o poder irrefletido prosperava com a guerra porque a guerra corrompia o tecido moral de uma nação e, especialmente, corrompia seus intelectuais”. As sete palavras contêm uma complexidade de significado que frequentemente é ignorada por aqueles que as utilizam.

Os Estados Unidos estão em guerra há mais de uma década[1] e as hostilidades não diminuem. Muito pelo contrário. Tropas e influência americanas espalharam-se pelo mundo árabe e pelo Oriente Médio, deixando um rastro de vítimas e inimigos em crescimento. Se emergências econômicas inauguram conflitos, então mais guerra está por vir. A complexidade das percepções de Bourne precisa ser explorada para privar o estado de tanta “saúde” quanto possível.

O estado, o governo e a sociedade

Em tempos de paz, Bourne acreditava que a maioria das pessoas perseguia seus próprios interesses de acordo com seus próprios valores. Trabalhavam e cooperavam entre si, casavam-se e criavam filhos sem prestar muita atenção ao estado. Em vez disso, lidavam com o governo. Bourne definiu governo como:

“uma estrutura de administração das leis e de execução da força pública. O governo é a ideia do estado colocada em operação prática nas mãos de homens definidos, concretos e falíveis.”

O governo era o “conjunto de funções e repartições” do dia a dia de um estado, como os correios ou o sistema de escolas públicas, com os quais as pessoas tinham contato simplesmente ao viverem suas vidas. Não havia ritual nem canto de hinos nacionais ao comprar selos postais. Os servidores públicos cujo trabalho fazia o governo funcionar não eram vistos como sagrados. De fato, Bourne os descreveu como “homens comuns e não santificados”. Ele acreditava que isso era algo salutar e um reflexo do igualitarismo americano.

Enquanto isso, a pessoa comum raramente lidava com o estado — isto é, com instituições que eram sacralizadas e expressavam o estado “duradouro”, como a Suprema Corte. Assim, em tempos de paz, escreveu Bourne, “o sentido do estado quase desaparece da consciência dos homens”.

Em outras palavras, o estado é mais um conceito do que uma realidade física. Nos Estados Unidos, é a estrutura política estabelecida após a Revolução Americana, incorporada na Constituição e na Declaração de Direitos. Ele reivindica uma cadeia de legitimidade que remonta ao presidente George Washington. Enquanto os governos vão e vêm com as eleições, o estado permanece essencialmente o mesmo — apenas se tornando mais forte com o tempo. É o estado, e não o governo, que inspira emoções como reverência ou patriotismo. É ao conceito do estado americano — e não a qualquer governo específico, republicano ou democrata — que as pessoas juram lealdade com a mão sobre o coração.

Enquanto isso, a “sociedade” funciona de maneira diferente do estado, do governo ou do indivíduo que age por interesse próprio. A sociedade, à qual Bourne também se refere como “nação” ou “país”, é o conjunto de fatores que constituem a vida americana. Incluem atitudes características, tradições e literatura comuns, convicções religiosas, uma história compartilhada e normas culturais predominantes. São os fatores não políticos que tornam a sociedade americana diferente da chinesa ou da francesa. Em tempos de paz, Bourne acreditava que a maioria das pessoas se identificava mais com a sociedade do que com o governo. Por exemplo, a maioria das pessoas se definia principalmente em relação a uma comunidade, religião ou herança étnica, e não a um partido político.

Ao contrário do governo, a sociedade não é uma expressão do estado, nem pode coexistir pacificamente com ele; os dois conceitos são antagônicos. Em um ensaio intitulado “The State”, cuja primeira seção se chama “War is the health of the State”, Bourne observa:

“O país [sociedade] é um conceito de paz, tolerância, de viver e deixar viver. Mas o estado é essencialmente um conceito de poder, de competição; ele significa um grupo em seus aspectos agressivos. E temos a infelicidade de nascer não apenas em um país, mas em um estado, e, à medida que crescemos, aprendemos a misturar os dois sentimentos em uma confusão irremediável.”

Resumindo o argumento anterior de Bourne: em tempos de paz, as pessoas perseguem seus próprios interesses, identificam-se com a sociedade, interagem com o governo e apenas ocasionalmente se deparam com o estado sacralizado.

O impacto da guerra

Bourne definiu a guerra como o ato supremo da natureza do estado, o ato máximo de “um grupo em seus aspectos agressivos”. Ele escreveu: “A guerra é uma função… dos estados”, e não poderia existir fora desse sistema.

Bourne argumentou ainda que a guerra embaralha ou apaga as linhas que separam o governo do estado e ambos da sociedade. Esse embaralhamento acontece principalmente dentro do próprio indivíduo. Incitado pela emoção, o cidadão comum enche-se de patriotismo e perde “todo senso de distinção entre estado, nação e governo”. Bourne descreveu o processo:

“O patriotismo torna-se o sentimento dominante e produz imediatamente aquela intensa e desesperada confusão entre as relações que o indivíduo tem e deveria ter com a sociedade da qual faz parte.”

Em tempos de guerra, governo e estado tornam-se virtualmente idênticos, de modo que se opor ao governo passa a ser um ato de deslealdade ao estado. Por exemplo, embora criticar o presidente ou as atitudes militares seja um direito regularmente exercido pelos americanos em tempos de paz, tal crítica torna-se um ato de traição quando a guerra acaba de ser declarada. Como explicou Bourne:

“objeções à guerra, opiniões mornas sobre a necessidade ou a beleza do alistamento obrigatório, tornam-se sujeitas a penalidades ferozes, muito superiores em severidade àquelas aplicadas a crimes pragmáticos reais.”

Assim, em tempos de guerra, indivíduos que antes interagiam apenas casualmente com o governo tornam-se defensores fervorosos do estado.

“Todo cidadão individual que, em tempos de paz, não tinha nenhuma função pela qual pudesse imaginar-se uma expressão ou fragmento vivo do estado, torna-se um agente amador ativo… denunciando espiões e desleais, arrecadando fundos governamentais ou propagando medidas consideradas necessárias pelas autoridades.”

As atividades da sociedade — desde as palavras proferidas nos púlpitos até as escritas nos jornais, das trocas econômicas ao entretenimento — passam a se conformar aos propósitos do estado, e não ao interesse próprio dos indivíduos.

À medida que sociedade e governo se fundem no estado, o indivíduo começa a desaparecer. Ele se torna parte do que Bourne chamou de “rebanho”. Ele descreveu o termo: “O estado é a organização do rebanho para agir ofensiva ou defensivamente contra outro rebanho organizado de modo semelhante.”

Bourne reconheceu que o rebanho não era um todo emocional ou intelectual homogêneo, mas incluía uma ampla gama de reações aos acontecimentos e à própria guerra. Ainda assim, “por meio de uma engenhosa mistura de persuasão, agitação e intimidação, o rebanho é moldado, transformado em uma unidade mecânica eficaz, senão em um todo espiritual”.

Além disso, o estado utilizava incentivos poderosos para convencer as pessoas a “escolher” se alistar ou apoiar o esforço de guerra. Os indivíduos geralmente concordavam, relutantes ou não, porque, em “uma nação em guerra, cada cidadão se identifica com o todo e se sente imensamente fortalecido por essa identificação”.

Mas, se um indivíduo recusasse, então o estado revelava que a escolha nunca fora realmente uma questão.

Ao mesmo tempo, os homens são instruídos a ingressar na estrutura militar por sua própria vontade, como um sacrifício esplêndido pelo bem de seu país, e que, se não quiserem ingressar, serão capturados e punidos com as sanções mais terríveis.

E assim, os indivíduos obedecem às medidas de guerra, até o ponto de arriscar suas vidas nos campos de batalha. As pessoas deixam de ser indivíduos agindo por interesse próprio e tornam-se cidadãos do estado agindo em conjunto. O homem que discorda e permanece indivíduo sente-se “desolado e impotente”, enquanto aqueles que pensam e sentem coletivamente experimentam “o calor da obediência, a irresponsabilidade reconfortante da proteção”.

Bourne concluiu: “as pessoas em guerra tornam-se, no sentido mais literal, novamente crianças obedientes, respeitosas e confiantes, cheias daquela fé ingênua na onisciência e onipotência do adulto que cuida delas”.

O que ele chamou de “essa grande máquina-rebanho” funcionava sob “uma confusão indescritível de orgulho democrático e medo pessoal” que levava os indivíduos que constituíam o rebanho a “submeter-se à destruição de seu sustento, senão de suas próprias vidas, de uma maneira que anteriormente lhes pareceria tão odiosa a ponto de ser inacreditável”.

O indivíduo tornava-se uma “criança nas costas de um elefante enlouquecido”, que não podia controlar nem abandonar, mas era compelido a montar até que o elefante decidisse parar.

Esse é o significado teórico de “A guerra é a saúde do estado”. Em tempos de paz, as pessoas são amplamente definidas por seu interesse próprio e pela sociedade; interagem casualmente com o governo, dedicando pouca atenção ao estado. Em tempos de guerra, tudo se inverte em benefício do estado. Quanto ao impacto sobre o indivíduo: se a guerra é a saúde do estado, então a guerra também é a morte do individualismo.

Conclusão

Os ensaios de Bourne não são típicos da literatura antiguerra, pois oferecem pouca crítica a políticas específicas. Ele não se detém na “conta do açougueiro” de soldados e civis mortos. Não protesta contra os lucros colhidos pelo complexo militar-industrial, então conhecidos coletivamente como “fabricantes de munições”. Os ensaios de Bourne atacam a sacralidade da guerra ao mostrar como ela conduz ao colapso moral da sociedade, destruindo as interações pacíficas e os princípios sobre os quais a sociedade se sustenta.

Bourne argumentou eloquentemente que os EUA do pós-guerra estariam moral, intelectual e psicologicamente empobrecidos. Com essa observação, ele não queria dizer que a América em tempos de paz lutaria sob uma burocracia ampliada que nunca retorna aos níveis anteriores à guerra — ponto já destacado por muitos historiadores. Mais uma vez, ele se referia a custos menos tangíveis, embora possivelmente mais duradouros, da guerra. Por exemplo, a América pós-1918 estaria sobrecarregada por intelectuais que haviam “esquecido que o verdadeiro inimigo é a Guerra, e não a Alemanha imperial”. Ao transformar a Primeira Guerra Mundial no equivalente a uma guerra santa, lançou-se a base intelectual e psicológica para um futuro repleto do que ele chamou de “o esporte da classe alta” — o conflito global. Mas o impacto da guerra sobre os intelectuais é tema para um artigo futuro e foi abordado por Bourne em seu segundo ensaio mais aclamado, “The War and the Intellectuals”.

Este artigo foi originalmente publicado no Mises Institute.


[1] N. do T.: Este artigo foi originalmente publicado em maio de 2011, portanto a autora se refere às guerras que se iniciaram no Oriente Médio primeiro contra a Al-Qaeda de Osama bin Laden e que mais tarde evoluíram para guerras no Afeganistão e no Iraque.



Wendy McElroy - Mises Brasil