terça-feira, 31 de março de 2026

Estatais federais têm pior prejuízo da História: R$4,16 bilhões em 2 meses

 

Correios registraram um prejuízo de R$ 4,3 bilhões no primeiro semestre - Foto: Marcos Oliveira / Agência Senado


As empresas estatais federais registraram nos dois primeiros meses de 2026 o prejuízo de R$ 4,16 bilhões, o maior de todos os tempos, conforme dados divulgados pelo Banco Central nesta terça-feira (31). O montante estabelece o novo recorde de resultado negativo para o período de janeiro e fevereiro desde que a série estatística foi implementada, em 2002. O índice anterior de maior gravidade havia ocorrido tabém no governo Lula (PT), em 2024, quando o rombo foi de R$1,36 bilhão.

A rapidez da deterioração fiscal chama a atenção, visto que o prejuízo acumulado em apenas dois meses já representa quase a totalidade do déficit de R$ 5,1 bilhões registrado em todo o ano de 2025. O cálculo apresentado pelo BC engloba companhias como Correios, Casa da Moeda, Infraero, Serpro, Dataprev, Emgepron, Hemobrás e Emgea. Vale ressaltar que bancos públicos, Petrobras e Eletrobras não fazem parte deste balanço. Enquanto o governo utiliza a métrica “acima da linha” (receitas menos despesas, sem juros), o Banco Central baseia-se na variação da dívida.

A situação financeira dos Correios é apontada como um dos fatores para o resultado negativo. A estatal postal acumulava R$6 bilhões em perdas até setembro de 2025, mas projeções indicam que o rombo pode ter escalado para R$ 9,1 bilhões no fechamento do ano passado. Para tentar estabilizar o caixa e honrar compromissos, a empresa obteve, em dezembro, um empréstimo de R$ 12 bilhões garantido pelo Tesouro Nacional.


Juan Araujo -Diário do Poder

Mais de 77% dos brasileiros querem redução da maioridade penal

Enquanto o mundo atualiza legislação reduzindo maioridade, Brasil segue fornecendo jovens para o crime organizado


Internação de menores infratores não os tem recuperado - Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil.


Levantamento nacional realizado pelo instituto Paraná Pesquisas para a Rádio Bandeirantes aponta que 77,2% dos brasileiros são favoráveis à redução da maioridade penal no País, a exemplo do que acontece em todo o mundo.  De acordo com a pesquisa, divulgada no programa Jornal Gente nesta terça-feira (31), apenas 18,1% são contrários à redução da maioridade penal e 4,7% não sabem ou não opinaram.

O Brasil é um dos poucos, talvez o único, a manter maioridade penal aos 18 anos, apesar de menores de 16 já poderem votar para presidente da República, por exemplo. A Argentina reduziu de 16 anos para 14 anos, há cerca de um mês, e a Suécia de 15 para 13 anos, após a polícia desbaratar uma quadrilha de matadoras de aluguel menores de 15 anos.


Veja os números do apoio à redução da maioridade penal:



No Brasil, a maioridade penal de 18 anos beneficia sobretudo organizações criminosas que recrutam menores, já com constituição física formada, para praticar os crimes mais graves das quadrilhas, sob a garantia da legislação em vigor que impede a “internação” se “menores infratores” por período superior a 3 anos, independente da gravidade do crime cometido.

O governo Lula (PT) e a esquerda são contrários à redução da maioridade penas e forçaram a retirada desse dispositivo da versão final da PEC da Segurança Pública, desfigurando o relatório final do deputado Mendonça Filho (União-PE), que se limitou a incluir medidas como descentralização, autonomia dos Estados e restrição à progressão de pena para crimes hediondos.

Veja onde o apoio da redução da maioridade é maior ou menor:





O apoio à redução da maioridade penal é menor entre eleitores dos 16 aos 24 anos, mas, ainda assim, chega a 69,2% contra 27,2 que são contra. Esse apoio cresce para 74,4% entre pessoas dos 25 aos 34 anos e passa dos 80% na faixa etária dos 35 aos 59 anos. Entre brasieiros acima dos 60 anos, o apoio à redução chega a 76,8%.

O apoio à redução é maior entre homens (79,2%) do que entre mulheres (75,4%) e também predomina em todos os níveis de escolaridade e em todas as regiões do País.

O Paraná Pesquisas entrevistou 2.060 eleitores nos 26 Estados e no Distrito Federal entre os dias 27 e 30 deste mês, com margem de erro de 2,2 pontos, para mais ou para menos.


Diário do Poder

Rothbard sobre o ouro - Lew Rockwell

 



O que as pessoas usariam como dinheiro em um mercado genuinamente livre? Muitas pessoas respondem à pergunta da seguinte maneira. Na verdade, não sabemos ao certo qual seria a resposta. Isso dependeria das pessoas que vivem naquela sociedade. Porque, em um mercado genuinamente livre, não haveria estado algum; não haveria dinheiro imposto pelo estado. As pessoas competiriam para estabelecer o dinheiro de que mais gostassem. Talvez as pessoas optassem por um padrão-ouro ou um padrão-prata, como fizeram no passado. Mas talvez não. Elas poderiam preferir uma moeda eletrônica como o bitcoin. Ou talvez houvesse todos os tipos de diferentes dinheiros, sem um vencedor claro.

Murray Rothbard não concorda com isso. Ele estava ciente da ideia de moedas concorrentes, porque F. A. Hayek a havia sugerido. As pessoas têm o direito de oferecer moedas concorrentes, como Hayek defendia. Mas Murray achava improvável que elas fizessem isso. A competição já havia ocorrido, e os metais preciosos foram os vencedores. Por que passar por esse mesmo processo novamente? Como Murray explica em seu ótimo artigo, The Case for a Genuine Gold Dollar [“O Argumento para um Dólar Genuinamente lastreado em Ouro”, em tradução livre]:

“Nos últimos anos, um número crescente de economistas tem, compreensivelmente, se desiludido com o histórico inflacionário das moedas fiduciárias. Eles, portanto, concluíram que deixar o governo e seu banco central com o poder de ajustar finamente a oferta monetária, mas apenas exortá-los a usar esse poder sabiamente de acordo com várias regras, é simplesmente repetir o provérbio de deixar a raposa encarregada do galinheiro. Eles chegaram à conclusão de que apenas medidas radicais podem remediar o problema, que é, em essência, o problema da tendência inerente do governo de inflacionar uma oferta monetária que ele monopoliza e cria. Esse remédio nada mais é do que a estrita separação entre o dinheiro e sua oferta proveniente do estado.

A proposta mais conhecida para separar o dinheiro do estado é a de F. A. Hayek e de seus seguidores. A ‘desnacionalização do dinheiro’ de Hayek eliminaria as leis de curso forçado e permitiria que cada indivíduo e organização emitisse sua própria moeda, na forma de bilhetes de papel com seus próprios nomes e marcas. O governo central manteria seu monopólio sobre o dólar, ou o franco, mas outras instituições teriam permissão para competir no negócio de criação de dinheiro ao oferecer suas próprias moedas de marca. Assim, Hayek poderia imprimir hayeks, o presente autor poderia emitir rothbards, e assim por diante. Misturado à mudança legal sugerida por Hayek está um esquema empreendedor por meio do qual um banco inspirado em Hayek emitiria ‘ducados’, que seriam emitidos de modo a manter constantes os preços em termos de ducados. Hayek está confiante de que seu ducado facilmente superaria, na concorrência, o dólar inflacionado, a libra, o marco, ou qualquer outro.

O plano de Hayek teria mérito se a coisa — a mercadoria — que chamamos de ‘dinheiro’ fosse semelhante a todos os outros bens e serviços. Uma maneira, por exemplo, de se livrar do ineficiente, atrasado e, às vezes, despótico Serviço Postal dos EUA é simplesmente aboli-lo; mas outros defensores do livre mercado propõem o plano menos radical de manter o correio intacto, permitindo ao mesmo tempo que toda e qualquer organização concorra com ele. Esses economistas estão confiantes de que empresas privadas logo seriam capazes de superar o correio na concorrência. Na última década, economistas tornaram-se mais simpáticos à desregulamentação e à livre concorrência, de modo que, superficialmente, desnacionalizar ou permitir livre concorrência em moedas pareceria viável por analogia com serviços postais, combate a incêndios ou escolas privadas.

Há, entretanto, uma diferença crucial entre o dinheiro e todos os outros bens e serviços. Todos os outros bens, sejam eles serviço postal, barras de chocolate ou computadores pessoais, são desejados por si mesmos, pela utilidade e pelo valor que proporcionam aos consumidores. Os consumidores, portanto, são capazes de ponderar essas utilidades entre si em suas próprias escalas pessoais de valor. O dinheiro, porém, é desejado não por si mesmo, mas precisamente porque já funciona como dinheiro, de modo que todos confiam que a mercadoria monetária será prontamente aceita por qualquer pessoa em troca. As pessoas aceitam avidamente bilhetes de papel marcados como ‘dólares’ não por seu valor estético, mas porque têm certeza de que poderão vender esses bilhetes pelos bens e serviços que desejam. Elas só podem ter essa certeza quando o nome específico, ‘dólar’, já está em uso como dinheiro.

Hayek está certamente correto ao afirmar que uma economia de livre mercado e a devoção ao direito de propriedade privada exigem que todos tenham permissão para emitir quaisquer nomes de moeda e bilhetes que desejarem propor. Hayek deve ser livre para emitir hayeks ou ducados, e eu para emitir rothbards ou o que quer que seja. Mas emissão e aceitação são duas questões muito diferentes. Ninguém aceitará novos bilhetes monetários, ao contrário do que poderia ocorrer com novas organizações postais ou novos computadores. Esses nomes não serão escolhidos como moedas precisamente porque não foram utilizados como dinheiro, nem para qualquer outro propósito, anteriormente.

Hayek e seus seguidores falharam completamente em absorver a lição do ‘teorema da regressão’ de Ludwig von Mises, um dos teoremas mais importantes da economia monetária. Mises mostrou, já em 1912, que, como ninguém aceitará qualquer coisa como dinheiro a menos que ela tenha sido anteriormente demandada e trocada, devemos, portanto, retroceder logicamente (regredir) ao primeiro dia em que uma mercadoria passou a ser usada como dinheiro, como meio de troca. Como, por definição, a mercadoria não poderia ter sido usada como dinheiro antes desse primeiro dia, ela só poderia ter sido demandada porque era utilizada como uma mercadoria não monetária e, portanto, possuía um preço preexistente, mesmo no período anterior ao início de seu uso como meio de troca. Em outras palavras, para que qualquer mercadoria passe a ser usada como dinheiro, ela deve ter se originado como uma mercadoria valorizada por algum propósito não monetário, de modo que já possuía uma demanda e um preço estáveis antes de começar a ser utilizada como meio de troca. Em suma, o dinheiro não pode ser criado do nada, por contrato social, nem pela emissão de bilhetes de papel com novos nomes. O dinheiro precisa se originar como uma mercadoria não monetária valiosa. Na prática, metais preciosos como ouro ou prata, metais com demanda estável e elevada por unidade de peso, prevaleceram sobre todas as outras mercadorias como dinheiro. Assim, o teorema da regressão de Mises demonstra que o dinheiro deve se originar como uma mercadoria não monetária útil no livre mercado.

Mas um problema crucial com o ducado hayekiano é que ninguém o aceitará. Novos nomes em bilhetes não podem esperar competir com dólares ou libras, que se originaram como unidades de peso de ouro ou prata e que agora têm sido usados há séculos no mercado como unidade monetária, meio de troca e instrumento de cálculo e contabilidade monetária.

O plano de Hayek para a desnacionalização do dinheiro é utópico no pior sentido: não porque seja radical, mas porque não funcionaria e não poderia funcionar. Imprima-se quantos nomes diferentes se quiser no papel, e esses novos bilhetes ainda assim não seriam aceitos nem funcionariam como dinheiro; o dólar (ou a libra ou o marco) continuaria a reinar sem contestação. Mesmo a remoção do privilégio de curso forçado não funcionaria, pois os novos nomes não teriam surgido de mercadorias úteis no livre mercado, como o teorema da regressão demonstra que devem surgir. E, como a própria moeda do governo, o dólar e similares, continuaria a reinar sem contestação como dinheiro, o dinheiro não teria sido desnacionalizado de forma alguma. O dinheiro ainda estaria nacionalizado e seria uma criatura do estado; ainda não haveria separação entre o dinheiro e o estado. Em suma, ainda que desesperadamente utópico, o plano de Hayek dificilmente seria radical o suficiente, já que o atual sistema inflacionário e administrado pelo estado permaneceria intacto.

Mesmo a variante de Hayek segundo a qual cidadãos privados ou empresas emitiriam moedas de ouro denominadas em gramas ou onças não funcionaria, e isso é verdade mesmo considerando que o dólar e outras moedas fiduciárias se originaram séculos atrás como nomes de unidades de peso de ouro ou prata. Os americanos estão acostumados a usar e calcular em dólares há dois séculos, e continuarão a se apegar ao dólar no futuro previsível. Eles simplesmente não abandonarão o dólar para adotar a onça ou o grama de ouro como unidade monetária. As pessoas tendem a se apegar firmemente aos nomes tradicionais de suas moedas; mesmo durante hiperinflações e a virtual destruição da moeda, o povo alemão se manteve fiel ao marco em 1923 e os chineses ao ‘yen’ na década de 1940. Mesmo reavaliações drásticas das moedas em colapso que ajudaram a encerrar a inflação mantiveram o nome original ‘marco’ ou outro nome parecido com a moeda.

Hayek menciona exemplos históricos em que mais de uma moeda circulava na mesma área geográfica ao mesmo tempo, mas nenhum desses exemplos é relevante para o seu plano do “ducado”. Regiões de fronteira podem aceitar duas moedas governamentais. Mas cada uma possui poder de curso forçado, e cada uma foi utilizada por longo tempo dentro de sua própria nação. A circulação de múltiplas moedas, portanto, não é relevante para a ideia de uma ou mais novas moedas privadas de papel. Além disso, Hayek pode ter mencionado o fato de que, nos Estados Unidos, até que a prática fosse proibida em 1857, moedas estrangeiras de ouro e prata, bem como moedas privadas de ouro, circulavam como dinheiro lado a lado com moedas oficiais. O fato de que o dólar de prata espanhol havia circulado por muito tempo na América juntamente com moedas metálicas austríacas e inglesas permitiu que os novos Estados Unidos mudassem facilmente do cálculo em libras para o cálculo em dólares. Mas, novamente, essa situação não é relevante, porque todas essas moedas eram diferentes pesos de ouro e prata, e nenhuma era dinheiro fiduciário governamental. Era fácil, então, que as pessoas remetessem os diversos valores das moedas aos seus respectivos pesos em ouro ou prata. Ouro e prata, é claro, já circulavam há muito tempo como dinheiro, e a libra esterlina ou o dólar eram simplesmente diferentes pesos de um ou de outro desses metais. O plano de Hayek é muito diferente: a emissão de bilhetes privados de papel marcados com novos nomes, na esperança de que sejam aceitos como dinheiro.

Se as pessoas gostam e continuarão a se apegar aos seus dólares ou francos, então há apenas uma maneira de separar o dinheiro do estado, de realmente desnacionalizar o dinheiro de uma nação. E isso é desnacionalizar o próprio dólar (ou o marco ou o franco). Somente a privatização do dólar pode pôr fim ao domínio inflacionário do governo sobre a oferta monetária da nação”.

Se a concorrência entre moedas não é o caminho, como chegamos ao dinheiro de livre mercado? Como de costume, Murray tem a resposta:

“Concluímos, então, que o dólar deve ser redefinido em termos de uma única mercadoria, em vez de em termos de uma cesta de mercado artificial composta por duas ou mais mercadorias. Qual mercadoria, então, deveria ser escolhida? Em primeiro lugar, os metais preciosos, ouro e prata, sempre foram preferidos a todas as outras mercadorias como meios de troca onde estiveram disponíveis. Não é por acaso que esta tem sido a história de sucesso invariável dos metais preciosos, o que pode ser parcialmente explicado por sua demanda não monetária superior e estável, seu alto valor por unidade de peso, durabilidade, divisibilidade, reconhecibilidade e outras virtudes descritas detalhadamente no primeiro capítulo de todos os manuais de moeda e bancos publicados antes de o governo dos Estados Unidos abandonar o padrão-ouro em 1933. Qual metal deveria ser o padrão, então, prata ou ouro? Existe, de fato, um argumento em favor da prata, mas o peso dos argumentos favorece um retorno ao ouro. A crescente abundância relativa da oferta de prata depreciou consideravelmente seu valor em termos de ouro, e ela não tem sido utilizada como metal monetário geral desde o século XIX. O ouro foi o padrão monetário na maioria dos países até 1914, ou mesmo até a década de 1930. Além disso, o ouro era o padrão quando o governo dos Estados Unidos, em 1933, confiscou o ouro de todos os cidadãos americanos e abandonou a conversibilidade do dólar em ouro, supostamente apenas durante a emergência da depressão. Ademais, o ouro, e não a prata, ainda é considerado um metal monetário em toda parte, e os governos e seus bancos centrais conseguiram acumular uma enorme quantidade de ouro que atualmente não está em uso, mas que poderia novamente ser utilizado como padrão para o dólar, a libra ou o marco.

Isso levanta um corolário importante. Os Estados Unidos, e outros governos, de fato nacionalizaram o ouro. Mesmo agora, quando cidadãos privados têm permissão para possuir ouro, a grande maior parte desse metal continua guardada nos cofres dos bancos centrais. Se o dólar for redefinido em termos de ouro, o ouro, assim como o dólar, poderá ser desnacionalizado conjuntamente. Mas, se o dólar não for definido como um peso de ouro, então como poderia ocorrer uma desnacionalização do ouro? Vender o estoque de ouro seria insatisfatório, pois isso (1) implicaria que o governo tem direito às receitas da venda e (2) deixaria o dólar sob o controle fiduciário absoluto do governo.

É importante compreender o que implicaria uma definição do dólar em termos de ouro. A definição deve ser real e efetiva, e não meramente nominal. Assim, os estatutos dos Estados Unidos definem o dólar como 1/42,22 de uma onça de ouro, mas essa definição é apenas um dispositivo formal de contabilidade. Para ser real, a definição do dólar como uma unidade de peso de ouro deve implicar que o dólar seja intercambiável e, portanto, resgatável por seu emissor nesse peso, que o dólar seja um direito de resgate à vista para esse peso em ouro.

Além disso, uma vez selecionada, a definição, qualquer que seja, deve ser fixada permanentemente. Uma vez escolhida, não há mais justificativa para alterar a definição do que haveria para alterar o comprimento de uma jarda padrão ou o peso de uma libra padrão.

Antes de prosseguirmos para investigar qual deveria ser a nova definição ou peso do dólar, consideremos algumas objeções à própria ideia de o governo estabelecer uma nova definição. Uma crítica sustenta que seria fundamentalmente estatista e uma violação do livre mercado que o governo, em vez do mercado, fosse responsável por fixar uma nova definição do dólar em termos de ouro. O problema, porém, é que agora estamos lidando com a questão no meio do caminho, depois que o governo retirou o dólar do ouro, praticamente nacionalizou o estoque de ouro e emitiu dólares por décadas como dinheiro arbitrário e fiduciário. Como o governo monopolizou a emissão do dólar e confiscou o ouro do público, somente o próprio governo pode resolver o problema ao desnacionalizar conjuntamente o ouro e o dólar. Objetar à redefinição e privatização do ouro pelo governo equivale a reclamar da revogação, pelo governo, de seus próprios controles de preços, sob o argumento de que a revogação constituiria uma ação governamental, e não privada. Uma acusação semelhante poderia ser feita contra a desnacionalização, pelo governo, de qualquer produto ou atividade. Não é defender o estatismo exigir que o governo revogue suas próprias intervenções.

Uma crítica correlata, e uma das favoritas dos monetaristas, pergunta por que os defensores do padrão-ouro gostariam que o governo ‘fixasse o preço (em dólar) do ouro’ quando, em geral, se opõem à fixação de quaisquer outros preços. Por que deixar o mercado livre para determinar todos os preços, exceto o preço do ouro?

Mas essa crítica compreende totalmente mal o significado do conceito de preço. Um ‘preço’ é a quantidade trocada de uma mercadoria no mercado em termos de outra. Assim, no escambo, se um pacote de seis lâmpadas é trocado no mercado por uma libra de manteiga, então o preço por lâmpada é um sexto de uma libra de manteiga. Ou, se há troca monetária, o preço de cada lâmpada será um determinado peso de ouro ou, atualmente, um certo número de centavos ou dólares. O ponto importante é que o preço é a razão entre as quantidades de duas mercadorias que estão sendo trocadas. Mas, se o dinheiro estiver em um padrão-ouro, o dólar e o ouro não serão mais duas mercadorias independentes, cujo preço deveria flutuar livremente no mercado. Eles serão uma única mercadoria, sendo uma uma unidade de peso da outra. Pedir um ‘livre mercado’ no ‘preço do ouro’ é tão absurdo quanto pedir um livre mercado de onças em termos de libras, ou de polegadas em termos de jardas. Quantas polegadas equivalem a uma jarda não é algo sujeito a flutuações diárias no livre mercado ou em qualquer outro mercado. A resposta é fixada eternamente por definição, e o que um padrão-ouro implica é uma definição fixa, absoluta e imutável, como no caso de qualquer outra medida ou unidade de peso. O mercado necessariamente troca duas mercadorias diferentes, e não uma mercadoria por si mesma. Pedir um livre mercado no preço do ouro seria, em suma, tão absurdo quanto pedir um preço de mercado flutuante para dólares em termos de centavos. Quantos centavos constituem um dólar não está mais sujeito a flutuação diária e incerteza do que polegadas em relação a jardas. Pelo contrário, um verdadeiro livre mercado no dinheiro existirá apenas quando o dólar for novamente estritamente definido e, portanto, resgatável em termos de pesos de ouro. Depois disso, o ouro poderá ser trocado, a preços livremente flutuantes, pelos pesos de todos os outros bens e serviços no mercado.

Em suma, a própria descrição de um padrão-ouro como uma ‘fixação do preço do ouro’ é uma grave interpretação equivocada. Em um padrão-ouro, o ‘preço do ouro’ não é arbitrariamente fixado por intervenção governamental. Pelo contrário, o ‘dólar’, que durante o último meio século tem sido apenas um bilhete de papel emitido pelo governo, voltará a ser definido como uma unidade de peso de ouro”.

Como de costume, Murray está certo. Devemos defender um retorno ao padrão-ouro, e não desperdiçar tempo com fantasias excêntricas sobre novos tipos de dinheiro.


Lew Rockwell - Mises Brasil


Governo corrupto do ex-presidiário Lula torra R$107 milhões em viagens em 18 dias

 

Foram torrados R$233,1 milhões somente nos primeiros 85 dias do ano


Dinheiro público tem garantido a alegria de servidores que viajam e empresas aéreas que faturam alto - Foto: EB


As despesas do governo Lula (PT) com viagens dispararam mais de R$107 milhões em 18 dias, segundo o Portal da Transparência. No total, a gestão petista conseguiu torrar R$233,1 milhões nos primeiros 85 dias do ano. Foram quase R$127 milhões para bancar diárias de servidores e mais R$105 milhões com passagens aéreas. Em 9 de março, eram R$126,4 milhões no total. Até dia 27, já passava dos R$233 milhões. A informação é da Coluna Claudio Humberto, do Diário do Poder.

O Portal da Transparência registra também R$1,28 milhão com “outros gastos” de viagens do governo do PT; são taxas, seguros etc.

O Ministério da Justiça e Segurança Pública concentra a maior parte dos gastos com viagens do governo Lula, este ano: R$61,7 milhões.

Em 2025, o governo Lula bateu (pelo terceiro ano seguido), o recorde histórico de gastos com viagens: R$2,44 bilhões.

Diário do Poder

segunda-feira, 30 de março de 2026

Quadrilha de Lula, agora com a cumplicidade ostensiva da facão companheira do STF, repete cena do Mensalão na CPMI do INSS

Imagens de 2006 e 2026 mostram deputados do PT em comemoração ao encerramentos de investigações de corrupção


rlamentares da base governista se abraçaram e comemoraram que a CPMI do INSS encerrou sem nenhum indiciamento de nomes ligados a Lula - Foto: Divulgação/X/@Biakicis 

Em 2006, o Mensalão entrou para a história política com a chamada “dança da pizza”. Depois da absolvição do deputado João Magno, a então deputada Ângela Guadagnin (PT-SP) comemorou o resultado dançando no plenário da Câmara. 

A imagem virou símbolo de um escândalo encerrado sem punição política no Legislativo. A repercussão foi imediata e custou caro à deputada, que não conseguiu se reeleger naquele ano.

Cerca de 20 anos depois, a rejeição do relatório final da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) produziu uma cena semelhante em Brasília. Assim como no episódio de 2006, integrantes da base aliada do governo comemoraram a derrota de um parecer que previa o indiciamento de investigados.


Hanking dos Políticos - De 2006 a 2026, o roteiro no Congresso Nacional segue o mesmo. Há 20 anos, a infame "dança da pizza" marcou o desfecho das investigações do Mensalão. Hoje, o triste cenário se repete após a derrubada do relatório final da CPI do INSS. 

Mais uma vez, o encerramento de uma comissão sem punições ou culpados vira motivo de festa entre parlamentares (do 'cartel lula-stf-globolixo). São duas décadas de comemoração em cima das costas do cidadão brasileiro, que assiste à história se repetir e continua pagando a pesada conta da impunidade. 

Marcel van Hattem - É assim que os petistas celebram a impunidade de quem rouba aposentado: em público, sem nenhum constrangimento. 

Relatório mostra um esquema bilionário de fraudes na Previdência, com descontos indevidos em aposentadorias e pensões, além de empréstimos consignados irregulares. Com a rejeição do texto, as medidas propostas pela comissão deixaram de avançar


A votação do relatório da CPMI do INSS

O presidente da CPMI do INSS, senador Carlos Viana (Podemos-MG) foi aplaudido por parlamentares de oposição na última sessão, na madrugada deste sábado, 28 - Foto: Marcos Oliveira/Agência Senado

 Veja quem votou a favor da corrupção

• Senadora Soraya Thronicke (Podemos-MS) 

• Senador Randolfe Rodrigues (Sem partido-AP) 

• Senador Jaques Wagner (PT-BA) 

• Senadora Eliziane Gama (PSD-MA) 

• Senador Humberto Costa (PT-PE) 

• Senadora Jussara Lima (PSD-PI) 

• Senador Rogério Carvalho (PT-SE) 

• Senadora Augusta Brito (PT-CE) 

• Senadora Teresa Leitão (PT-PE) 

• Deputada Meire Serafim (União-AC) 

• Deputado Átila Lira (PP-PI) 

• Deputado Orlando Silva (PCdoB-SP) 

• Deputado Rogério Correia (PT-MG) 

• Deputado Ricardo Ayres (Republicanos-TO) 

• Deputado Alencar Santana (PT-SP) 

\• Deputado Paulo Pimenta (PT-RS) 

\• Deputado Lindbergh Farias (PT-RJ)

• Deputado Neto Carletto (Avante-BA) 

• Deputado Dorinaldo Malafaia (PDT-AP)


A oposição demonstrou amplo apoio ao parecer de Alfredo Gaspar (PL-AL), que teve 4,4 mil páginas e a indicação para o indiciamento de 216 pessoas. 

Entre os principais nomes na lista de pedido de indiciados estavam: o empresário Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Lula; o ex-dono do Banco Master, Daniel Vorcaro; do lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”; e de seu ex-sócio Maurício Camisotti.


José Sarney Filho, a deputada federal Gorete Pereira (MDB-CE) e o senador Weverton Rocha (PDT-MA) estavam na lista do relator da comissão como pedidos de indiciamento. 

Gorete foi alvo da Operação Indébito, da Polícia Federal, na semana passada. Segundo a investigação, a parlamentar tinha um papel central no esquema de fraudes financeiras do INSS. 


Veja quem votou contra a corrupção

• Senador Magno Malta (PL-ES) 

• Senador Marcio Bittar (União-AC) 

• Senador Izalci Lucas (PSDB-DF) • Senador Eduardo Girão (Novo-CE)

• Senador Rogério Marinho (PL-RN) 

• Senadora Damares Alves (Republicanos-DF) 

• Deputada Coronel Fernanda (PL-MT) 

• Deputado Coronel Chrisóstomo (PL-RO) 

• Deputado Marcel van Hattem (Novo-RS) 

• Deputado Alfredo Gaspar (União-AL) 

• Deputada Adriana Ventura (Novo-SP)


Com Rachel Diaz - Revista Oeste

Gestão corrupta do ex-presidiário Lula fecha fevereiro com rombo de R$ 30 bilhões

 Tesouro Nacional registra saldo negativo de R$ 60,4 bilhões no acumulado de 12 meses


Gestão do 'presidente' Luiz Inácio Lula da Silva enfrentou uma queda de R$ 1 bilhão em dividendos e participações recebidos - Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasi

O governo Lula encerrou o segundo mês de 2026 com um saldo negativo de R$ 30 bilhões. O resultado reflete a persistente dificuldade em equilibrar a fatura pública, embora o montante tenha ficado ligeiramente abaixo do rombo registrado no mesmo período do ano anterior, que foi de R$ 31,6 bilhões. Quando observado o intervalo dos últimos 12 meses, o prejuízo acumulado chega à marca de R$ 60,4 bilhões.

A composição do déficit de fevereiro revela que o Regime Geral de Previdência Social permanece como o principal gargalo, apresentando um buraco de R$ 22,4 bilhões. O Tesouro Nacional e o Banco Central, em conjunto, contribuíram para o saldo negativo com outros R$ 7,6 bilhões. 

A aceleração dos custos operacionais do Estado foi um fator determinante para o desempenho de fevereiro. As despesas totais sofreram uma elevação real de 3,1%. Esse incremento foi puxado, sobretudo, pela expansão de R$ 5,4 bilhões em áreas em que o governo possui maior liberdade de manejo, as chamadas despesas discricionárias. 

Dentro desse grupo, a educação demandou R$ 3,4 bilhões adicionais, com a conclusão de repasses para o programa “Pé-de-Meia“. A saúde também registrou um aumento de R$ 1,4 bilhão no itinerário de pagamentos do mês. Somam-se a isso os custos com pessoal e encargos sociais, que subiram R$ 2,2 bilhões devido aos reajustes salariais para servidores implementados em 2025. Na Previdência, o reajuste do salário mínimo e o maior contingente de segurados elevaram o custo em R$ 1,7 bilhão.


Arrecadação sob efeito de decretos  

Pelo lado das receitas, o governo obteve um ingresso líquido de R$ 153,1 bilhões em fevereiro, uma alta real de 5,6% ante o ano passado. O desempenho foi sustentado por alterações tributárias, como o aumento na cobrança de Imposto sobre Operações Financeiras via Decreto 12.499/2025, que rendeu R$ 2,3 bilhões extras. Outros R$ 2,3 bilhões vieram da Cofins, que reflete o consumo.

Entretanto, a gestão Lula enfrentou uma queda de R$ 1 bilhão em dividendos e participações recebidos. O recuo ocorreu logo que o Banco do Nordeste cessou repasses feitos anteriormente e a Petrobras reduziu o volume de lucros distribuídos à União. O Imposto de Renda e a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido também apresentaram retração de R$ 701 milhões e R$ 671 milhões, respectivamente.

Com a conclusão dos dados de janeiro e fevereiro, o governo central ostenta um superávit acumulado de R$ 56,9 bilhões no primeiro bimestre de 2026. No entanto, esse saldo positivo deve-se exclusivamente ao desempenho de janeiro, logo que o Tesouro e o Banco Central acumulam R$ 99,9 bilhões no verde, enquanto a previdência social já amarga um déficit bimestral de R$ 43,1 bilhões. 

O aumento real da despesa acumulada no ano atinge 3%, mantendose ligeiramente acima do avanço da receita líquida, que cresceu 2,8% no mesmo intervalo. A estratégia arrecadatória tem dependido de depósitos judiciais e ingressos via transação tributária para atenuar a queda na arrecadação com exploração de recursos naturais, prejudicada pela valorização do real e pela menor cotação do petróleo no mercado internacional.


Com informações de Erich Mafra - Revista Oeste

Partidos usam ‘janela da infidelidade’ para aumentar fatia nos R$5 bilhões do fundão eleitoral

 

TSE Foto: José Cruz/ ABr


A janela de infidelidade partidária, aberta até 3 de abril, é fundamental na divisão dos R$5 bilhões do fundão eleitoral, este ano. Todos os partidos lutam para filiar membros, especialmente deputados federais, já que a partilha leva em conta o tamanho das bancadas e quantidade de votos de 2022, mas inclui “retotalizações até 1º de junho de 2026”, segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O destino de 83% (R$4,15 bilhões) do fundão depende do tamanho (e votos obtidos) das bancadas na Câmara.

O resto

Só 2% (R$100 milhões) do fundão é dividido igualitariamente entre os 30 partidos cadastrados no TSE; e 15% dependem da bancada no Senado.

Um ajuda

Recém-criado, o Missão levaria R$3,3 milhões (1/30 de 2%), assim como outros nanicos, mas filiou o deputado Kim Kataguiri (SP). Ganhará mais.

Médio é gigante

PP, MDB, PSD, partidos que mais lutam para filiar deputados, devem ganhar entre 8% e 9% do fundão cada; mais de R$400 milhões.

Cresceu

O PL iniciou a legislatura, em 2023, com 99 deputados. Deve encerrar esta janela com 105 (ou mais) deputados. A parcela do fundão crescerá.

Di'rio do Poder

sábado, 28 de março de 2026

Relatório da CPMI cita Lulinha, herdeiro do larápio Lula, 118 vezes ao denunciar roubo no INSS

 

Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Lula (Foto: Reprodução)


Familiares do presidente Lula são citados ao menos 214 vezes no relatório final da CPMI que investigou a gatunagem que lesou mais de 6 milhões de aposentados e pensionistas do INSS. O robusto documento, com 4.340 páginas, tem o termo “Fábio Luís” registrado por 118 vezes. É o nome de Fábio Luís Lula da Silva, filho do presidente da República, que teve indiciamento pedido pelo relator, deputado Alfredo Gaspar (PL-AL). O termo Lulinha, alcunha do herdeiro petista, aparece 71 vezes.

Pelegão é 13

José Ferreira da Silva, pelegão irmão de Lula, foi citado 13 vezes. O apelido, Frei Chico, outras 12. Mas escapou do indiciamento.

Entorno lulista

“Luchsinger”, sobrenome de Roberta, amiga íntima de Lulinha, é outro termo bem recorrente: 99 vezes. A lobista teve indiciamento pedido.

Pizzaria aberta

Responsável pela blindagem dos convocados, “STF” foi citado 353 vezes no documento. O termo “habeas corpus” registrou 68 repetições

STF representado

Dos ministros do Supremo, os mais citados foram André Mendonça (87), Flávio Dino (22), Toffoli (27) e Alexandre de Moraes (8).

Diário do Poder

Veja como votou cada parlamentar no relatório da CPMI do INSS enterrado pelas quadrilhas do STF e do governo Lula

O parecer foi rejeitado pelos corruptos por 19 votos a 12


CPMI - INSS - Comissão Parlamentar Mista de Inquérito do INSS - Foto: Andressa Anholete / Agência Senado


A base governista no Congresso Nacional conseguiu rejeitar o relatório final da CPMI que investigou a fraude bilionária que lesou milhões de aposentados e pensionistas do INSS. O docum governoento, com mais de 4000 páginas, pediu o indiciamento de mais de 200 pessoas, entre elas, Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente da República.

O parecer foi rejeitado por 19 votos a 12.

Corruptos que votaram contra o relatório que comprovou a bandalheira comandada pelo STF e pela gangue do larápio Lula:

Alencar Santana (PT-SP)
Augusta Brito (PT-CE)
Humberto Costa (PT-PE)
Jaques Wagner (PT-BA)
Lindbergh Farias (PT-RJ)
Paulo Pimenta (PT-RS)
Randolfe Rodrigues (PT-AP)
Rogério Carvalho (PT-SE)
Rogério Correia (PT-MG)
Teresa Leitão (PT-PE)
Átila Lira (PP-PI)
Dorinaldo Malafaia (PDT-AP)
Eliziane Gama (PSD-MA)
Jussara Lima (PSD-PI)
Meire Serafim (União-AC)
Neto Carletto (Avante-BA)
Orlando Silva (PCdoB-SP)
Ricardo Ayres (Republicanos-TO)
Soraya Thronicke (Podemos-MS)

Votaram a favor do relatório:

Adriana Ventura (Novo-SP)
Eduardo Girão (Novo-CE)
Marcel Van Hattem (Novo-RS)
Alfredo Gaspar (União-AL)
Bia Kicis (PL-DF)
Coronel Chrisóstomo (PL-RO)
Coronel Fernanda (PL-MT)
Izalci Lucas (PL-DF)
Magno Malta (PL-ES)
Marcio Bittar (PL-AC)
Rogerio Marinho (PL-RN) Sim
Damares Alves (Republicanos-DF)


Com informações de Rodrigo Vilela, do Diário do Poder

sexta-feira, 27 de março de 2026

'A mentira que pode parar o país', por Eugênio Esber

 Exportador de petróleo, o Brasil sofre risco de colapso no abastecimento de derivados

Ilustração: Montagem Revista Oeste/Gerado por IA

E m 1952, Getúlio Vargas espalmou a mão direita coberta pelo óleo extraído de um poço em Candeias (Bahia) e, com um sorriso, exibiu para os fotógrafos o que se tornaria o símbolo emulador do slogan “O petróleo é nosso”, a campanha que culminaria na criação da Petrobras um ano depois. O gesto seria repetido por Lula em 2008. Com as duas mãos espalmadas, a ostentar nove dedos enegrecidos pelo primeiro óleo retirado da camada de présal no campo de Jubarte, bacia do Espírito Santo, Lula levitava de euforia. A boa sorte o contemplara com o privilégio de ostentar a faixa presidencial no momento em que aflorava o resultado de décadas de pesquisa da Petrobras na exploração de petróleo em águas profundas. Dezoito anos depois, vivendo o fim do seu terceiro mandato, e talvez o ocaso de sua carreira política, Lula tem as mãos sujas novamente. Desta vez, sem glória. 


Presidente Lula da Silva com as mãos sujas de petróleo, em 2008 - Foto: Ricardo Stuckert/PR

Ao longo de seus governos, e do mandato-e-meio exercido por sua afilhada Dilma Rousseff, prosperou no Brasil um colossal propinoduto que saqueou bilhões de dólares da Petrobras em proveito de oportunistas do PT e de partidos aliados, empresários corruptos e regimes políticos autoritários da América Latina associados ao lulopetismo. O Petrolão, como o escândalo ficou conhecido, será exposto em seus detalhes mais escabrosos à medida que próceres da ditadura venezuelana, como o casal Nicolás Maduro e o general Hugo Carvajal, contarem tudo o que sabem sobre o Foro de São Paulo, e suas ligações com o narcotráfico, às autoridades norte-americanas que os mantêm encarcerados em Nova York. 

Mas isso é política, talvez digam, com desprezo, brasileiros que não têm apreço por temas distantes de seu cotidiano palpável. Até o momento em que compreenderem, na ponta da bomba de combustível, o custo de uma era de incúria e desonestidade.

A crise de alcance mundial que torna incerto o suprimento de combustíveis, infla os preços da cadeia logística e faz disparar os preços na indústria, no comércio, nos serviços e na agricultura, apanha o Brasil em uma condição de extrema vulnerabilidade. A festejada “soberania” energética que Lula tantas vezes proclamou desde meados dos anos 2000 é, claramente, um engodo. De fato, a exploração do pré-sal, o petróleo que vem das profundezas do mar, tornou o Brasil autossuficiente e até exportador… de óleo bruto. Mas a capacidade de refino do Brasil, fundamental para a produção dos derivados que movimentam a economia, parou no tempo. A produção de óleo diesel cobre no máximo 70% das necessidades. O resto tem de ser importado — em quantidades e a um preço que dependerão dos desdobramentos da guerra de Estados Unidos e Israel contra o Irã, e da reação que o regime dos aiatolás move contra a infraestrutura de energia de outros países da região que deram suporte à ofensiva de Trump e Netanyahu. 

As tensões no Estreito de Ormuz, por onde passa mais de 20% do comércio mundial de petróleo e derivados, é uma péssima perspectiva para um país que transporta sua produção por caminhões. O céu também está nublado para a pujante agricultura brasileira, e não só porque tratores e máquinas agrícolas usam diesel. É que um terço do comércio marítimo de fertilizantes também flui pelo Estreito de Ormuz. Níveis mais críticos de desabastecimento e inflação de custos estão no horizonte. 

No meio dessa tormenta geopolítica e de graves consequências econômicas, a grande pergunta que os brasileiros fazem ao lulopetismo, que desde 2003 governou o Brasil por cinco mandatos, e ainda tentará mais outro nas eleições de outubro, é: por que ainda não nos tornamos capazes de refinar o abundante petróleo que produzimos e até exportamos? A resposta rápida foi dada alguns parágrafos acima: incompetência e corrupção. Porque dinheiro não faltou.


Ilustração: Montagem Revista Oeste/Gerado por IA

No ensaio “A ineficiência do investimento em refino da Petrobras nos anos 2000”, publicado pelo Instituto Brasileiro de Economia (IbreFGV), Adriano Pires, Luana Furtado e Samuel Pessoa compararam dois períodos históricos. Somando-se todos os investimentos feitos em refino de petróleo desde o início da Petrobras, em 1954, o Brasil chegou a 2003 com capacidade para refinar mais de 2 milhões de barris por dia. Tudo isso conquistado a peso de quase US$ 25 bilhões investidos pela Petrobras. Muito dinheiro, não? Nem tanto, quando você olhar o segundo período analisado pelos economistas, entre 2003 e 2015 — aquele ciclo que chegou ao fim, ilustrado por uma arte do Jornal Nacional, mostrando todos os dias aos brasileiros dutos que faziam jorrar dinheiro de corrupção, antes de cada revelação da Operação Lava Jato. 

Naqueles 12 anos iniciados em 2003, o investimento em refino de petróleo chegou a nada menos do que US$ 100 bilhões, nas contas dos três economistas, que utilizaram valor constante para a medição dos dois períodos estudados. E como é que o Brasil chegou a 2020, depois de toda esta dinheirama? Com a palavra, os autores: 

“Nota-se que o investimento [2003-2015] foi muito ineficiente: para instalar 2,03 milhões de barris/dia de capacidade de refino, a Petrobras investiu, entre 1954 e 1999, US$ 24,7 bilhões; e para a instalação de 400 mil barris/dia de capacidade de refino, entre 2003 e 2015, o investimento foi de US$ 100 bilhões. A efetividade relativa foi 20 vezes maior nas primeiras décadas.” 

Em resumo, sob o comando do lulopetismo a Petrobras torrou em refino quatro vezes mais recursos do que todos os governos brasileiros haviam investido desde 1954, mas o parque de refino de combustíveis oscilou sofregamente de 2 milhões para 2,4 milhões de barris/dia. E só. Esse quadro é revelador do caminho, ou dos descaminhos, que o Brasil percorreu para o Deus-nos-acuda do presente. 

Já em fevereiro de 2022, com a invasão da Ucrânia pela Rússia, o país foi submetido a crise semelhante no momento em que acabava de superar a alta da inflação provocada pela pandemia. Com a retirada dos impostos federais sobre combustíveis e uma lei complementar que levou à redução do ICMS, cobrado pelos Estados, o país teve meses consecutivos de deflação e abastecimento normal de diesel. 

Embora tenha criticado o governo de Jair Bolsonaro à época, Lula agora parte para adoção de medidas semelhantes, zerando impostos federais e negociando com governadores um alívio no ICMS sobre combustíveis, dispondo-se a compensar metade da receita que os Estados perderem. A diferença está no modelo intervencionista de Lula, disposto a obrigar a Petrobras a segurar reajustes nos preços para mantê-los artificialmente baixos em relação à cotação internacional do petróleo. 

É o mesmo erro cometido na gestão de Dilma Rousseff. A conta de manobras políticas para evitar perda de popularidade acaba chegando, e a médio prazo se torna muito custosa. Se o Brasil hoje depende dramaticamente do diesel importado, é por não investir o suficiente em refino — ou gastar bastante e mal, como se viu no período 2003-2015.


Presidente Lula e Dilma Rousseff - Foto: Roberto Stuckert Filho/Agência Brasil 

Entre 2011 e 2015, aliás, a política de retenção de reajustes para fins de preservação da imagem de Dilma Rousseff levou a Petrobras a arcar com perdas estimadas em US$ 40 bilhões. Em 2015, a estatal agonizava com uma dívida de R$ 500 bilhões, a maior entre as companhias de petróleo do mundo. A recuperação foi lenta e custosa, comprometendo a capacidade de investimento da empresa. Agora, com a reprise da camisa-de-força imposta por um governo petista, é possível que o caixa da Petrobras desande novamente.

Se este cenário se confirmar, estaremos perpetuando a maldição de depender do diesel importado. Debilitada, a Petrobras terá dificuldades para bancar o aumento da capacidade do parque de refino. Atrair investimento estrangeiro não é uma solução simples, porque o refino é um negócio que oferece margem de lucro estreita — ao contrário de exploração e distribuição, que oferecem mais rentabilidade e são, portanto, mais atraentes a players estrangeiros. 

A única grande experiência, nesse sentido, é muito recente. Aconteceu em 2021, durante o governo Jair Bolsonaro, com a privatização da Refinaria Landulpho Alves (RLAM). A refinaria instalada em Mataripe, na Bahia, foi arrematada pela Acelen, uma empresa controlada pelo Fundo Soberano Mubadala, de Abu Dhabi. A capacidade de produção de diesel cresceu 25% desde a venda para o emirado árabe. É um resultado alvissareiro, mas que segue um modelo de operação que enfrenta resistências em um país acostumado ao monopólio da Petrobras, que concentra 86% do refino no Brasil e pratica preços achatados toda vez que o governo, em apuros políticos por causa de pressões inflacionárias, manda sua petroleira segurar reajustes, ainda que esteja comprando derivados de petróleo a custos mais altos no mercado internacional. 

Na prática, fica impossível competir com a Petrobras sob o tacão de um governo intervencionista. Na crise deste ano, a Petrobras está vendendo diesel a valores bem mais baixos que os praticados pela refinaria Landulpho Alves — a diferença se situa entre 30% e 60%, conforme o caso e o momento. Não é de estranhar que, no governo petista, já circulem opiniões favoráveis a recomprar a refinaria privatizada durante a gestão de Paulo Guedes, que responde por 14% da produção de diesel. Se isso acontecer, num eventual sexto governo petista, a manipulação de preços chegará a 100% do refino, e os investidores estrangeiros terão a medida do que significa empreender no país. 


Ilustração: Júlia Xavier/Montagem Revista Oeste/Gerado por IA

O Brasil precisa deixar para trás a fotografia das mãos espalmadas, e a eleição que se avizinha oferece uma grande oportunidade para uma escolha menos simplista do que a de festejar uma autossuficiência típica de verborragia de palanque. A exploração de petróleo, por si, ainda que gere excedentes exportáveis, mantém o país vulnerável a cada engasgo no mercado internacional, como mostrou a guerra entre Rússia e Ucrânia e demonstram, agora, os conflitos no Oriente Médio. O cerne do problema está no parque de refino, que é acanhado e incompatível com o óleo mais leve retirado das camadas de pré-sal. Que resposta a Petrobras pode dar? Estará correta a estatal em pagar a seus acionistas dividendos em proporção até maior que a de outras gigantes do petróleo, nos momentos de vacas gordas? Ou deve reter uma parcela maior de seus recursos para bancar investimentos em refino, que são pouco atraentes para quem compra suas ações, mas fundamentais para o suprimento de uma economia robusta, cenário que beneficiaria a competitividade das empresas brasileiras de um modo geral? 

E a Petrobras, que papel terá no Brasil do século 21? Em seu primeiro ato como ministro de Minas e Energia, no último ano do governo Bolsonaro, o economista Adolfo Sachsida entregou ao ministro Paulo Guedes um pedido — a deflagração de estudos para desestatizar a Petrobras e, também, a PPSA, a companhia estatal criada em 2013 para administrar os contratos de partilha de produção do pré-sal. Ao tomar posse, em 2023, Lula revogou as medidas de Sachsida e Guedes, mas o debate não morreu. Está mais vivo do que nunca. Especialmente se a privatização for discutida no interesse legítimo das necessidades estratégicas do país e sem direcionamentos que substituam um oligopólio estatal por um oligopólio privado, ao gosto dos amigos do rei — Tanures, Joesleys, Esteves — e equivalentes


Eugênio Esber - Revista Oeste