terça-feira, 22 de setembro de 2026

Frete do voo de Alexandre de Moraes em jato de Vorcaro custaria cerca de R$350 mil

 Legacy 650 fez o trajeto entre São Paulo e Rio de Janeiro



Câmera registrou Alexandre de Moraes e esposa em jatinho de Daniel Vorcaro



Um voo em um jato Legacy 650, semelhante ao utilizado pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e sua esposa, Viviane Barci de Moraes, tem custo estimado em R$350 mil. O valor consta em anúncio de uma plataforma de cotações de táxi aéreo.

Um vídeo divulgado no último domingo (20) mostra Moraes e a esposa desembarcando da aeronave no aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro.  A informação sobre o voo foi divulgada pelo jornal O Globo.

O Legacy 650 é o modelo mais luxuoso da Prime You, empresa de compartilhamento de bens que tinha Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, como sócio.

Segundo o jornal carioca, a plataforma Flapper possui um anúncio de voos em um Legacy 650 com imagens iguais às utilizadas no material da Prime You. Para o trecho SP–RJ, o valor indicado é de US$68,58 mil, aproximadamente R$350,4 mil na cotação considerada.

Em março, o gabinete de Moraes negou que o ministro tivesse utilizado aeronaves de empresas ligadas a Vorcaro. A manifestação ocorreu após reportagem da Folha de S.Paulo informar que o ministro havia viajado ao menos oito vezes com aeronaves do empresário.

Na ocasião, o gabinete classificou como “falsas” as informações e afirmou que Moraes “jamais viajou em nenhum avião de Vorcaro ou em sua companhia e de Zettel”. A afirmação foi desmentida pelo vídeo divulgado no fim de semana.

Lucas Soares - Diário do Poder

segunda-feira, 21 de setembro de 2026

Governo leva mais de 70 pessoas com Lula para a Assembleia da ONU

Lista inclui ministros, assessores e servidores; número total de brasileiros enviados a Nova York pode ser maior


O presidente Lula da Silva, que tenta a reeleição neste ano | Foto: Reprodução/X/@CongressoEmFoco


A comitiva do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a estrutura mobilizada pelo governo federal para a passagem do presidente por Nova York envolvem dezenas de pessoas. Pelo menos 73 integrantes do Executivo receberam autorização para viajar à cidade durante a 81ª Assembleia-Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) e eventos realizados no mesmo período.

O número consta de levantamento feito a partir de atos publicados no Diário Oficial da União (DOU) até a sexta-feira 18. A relação reúne ministros, assessores, servidores e integrantes de diferentes órgãos do governo federal.

O contingente, contudo, pode ser maior. Dois despachos autorizam o deslocamento de funcionários do Gabinete Pessoal da Presidência da República e da Assessoria Especial sem informar quantos servidores viajaram. Novas autorizações também podem ser publicadas.

Os 73 nomes não representam necessariamente pessoas que acompanham diretamente o presidente. Parte dos servidores enviados a Nova York participa da Semana do Clima, realizada paralelamente à programação da Assembleia-Geral da ONU. A primeira-dama Janja da Silva também viajou aos Estados Unidos.


Quatro ministros integram a comitiva de Lula 

O Ministério das Relações Exteriores confirmou quatro ministros como integrantes da comitiva de Lula: Mauro Vieira, das Relações Exteriores; Esther Dweck, da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos; Luiz Eloy Terena, dos Povos Indígenas; e Rachel Barros, da Igualdade Racial. 

Outros integrantes do primeiro escalão também estão em Nova York para compromissos relacionados à Assembleia-Geral, mas não necessariamente como integrantes do grupo que acompanha diretamente o presidente.

É o caso do ministro do Desenvolvimento e Assistência Social, Wellington Dias. Segundo o ministério, Dias participa de agendas em Nova York de 21 a 23 de setembro.

Neste ano, os presidentes da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), não acompanham Lula. Governadores também ficaram de fora do grupo presidencial. 

Em 2025, seis ministros e dois governadores acompanharam o presidente durante a passagem por Nova York. 


Lula fica dois dias em Nova York

Lula desembarcou em Nova York no domingo 20. A passagem do presidente pelos Estados Unidos será curta. A previsão é que ele deixe o país na terça-feira 22, depois de participar da abertura do debate geral da Assembleia-Geral. Nesta segunda-feira 21, Lula cumpriu uma série de compromissos políticos na cidade. A agenda incluiu e

Encontros com o prefeito de Nova York, Zohran Mamdani, que se apresenta como comunista e muçulmano; o senador norte-americano Bernie Sanders; e o presidente do Uruguai, Yamandú Orsi. 

Na terça-feira, Lula deve se reunir com o secretário-geral da ONU, António Guterres, antes da abertura do debate geral.

Por tradição diplomática, o Brasil é o primeiro país a discursar na Assembleia-Geral. Lula fará o pronunciamento brasileiro e será sucedido pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

Entre os assuntos previstos para o discurso estão multilateralismo, soberania, conflitos internacionais, combate ao crime organizado e mudanças na estrutura das Nações Unidas, especialmente no Conselho de Segurança. 


Parte da delegação permanece nos EUA 

A saída de Lula não encerra a participação brasileira nos eventos em Nova York. Mauro Vieira permanecerá na cidade para uma sequência de reuniões multilaterais. 

O chanceler participa de encontros de grupos e organismos dos quais o Brasil faz parte. Na quarta-feira 23, Vieira tem prevista participação em reunião da Aliança Global contra a Fome e a Pobreza. Na quinta-feira 24, deve presidir uma reunião ministerial da Zona de Paz e Cooperação do Atlântico Sul.


Gastos da comitiva de Lula ainda não estão consolidados 

O número de integrantes mobilizados pelo governo abre outra frente sobre a viagem: o custo da missão brasileira em Nova York. 

Os registros públicos de viagens internacionais podem envolver passagens, diárias e pagamentos distribuídos entre diferentes órgãos da administração federal. Outras despesas da operação presidencial também podem aparecer em bases distintas. 

Como a missão ainda está em andamento, os dados disponíveis neste momento não permitem estabelecer o custo final da presença do governo brasileiro em Nova York. 

O Portal da Transparência disponibiliza informações sobre viagens a serviço do governo federal, incluindo pagamentos, passagens, trechos e períodos de afastamento. 

A consolidação desses registros depois do encerramento da missão permitirá dimensionar quanto foi desembolsado pelos cofres públicos. Até o momento, os atos publicados no Diário Oficial mostram pelo menos 73 pessoas nominalmente autorizadas a viajar para Nova York durante o período da Assembleia-Geral e de eventos paralelos. 

Como há autorizações que não especificam o número de servidores envolvidos, o contingente total pode ser maior.

A coluna No Ponto analisa e traz informações diárias sobre tudo o que acontece nos bastidores do poder no Brasil e que podem influenciar nos rumos da política e da economia. Para envio de sugestões de pautas e reportagens, entre em contato co


Matheus Santos- Revista Oeste

Eurodeputados pedem sanções contra Alexandre de Moraes na União Europeia

Enquanto o Congresso brasileiro se omite, indgnação se espalha mundo afora


Parlamento Europeu - Foto: Wikipedia.


Três eurodeputados enviaram nesta segunda-feira (21) uma carta à alta representante da União Europeia para os Negócios Estrangeiros e a Política de Segurança, Kaja Kallas, pedindo que o bloco avalie a possibilidade de aplicar sanções ao ministro do STF Alexandre de Moraes.

Os signatários são Adam Bielan e Mariusz Kamiński, da Polônia, e Carlo Fidanza, da Itália.

No documento, eles solicitam que o Serviço Europeu para a Ação Externa analise alegações sobre a atuação de Moraes e decisões do Supremo em processos considerados “politicamente sensíveis”. Entre os pontos citados estão possíveis violações à liberdade de expressão, às garantias do devido processo legal, ao pluralismo político e a outros direitos fundamentais.

Os parlamentares afirmam que meras manifestações de preocupação não bastam e pedem “medidas concretas”. Pedem ainda que a UE verifique se a conduta atribuída a Moraes justificaria medidas restritivas previstas no regime europeu de sanções por violações de direitos humanos. A carta faz referência aos fundamentos usados pelos Estados Unidos para aplicar sanções a Moraes com base na Lei Magnitsky Global — punições que, segundo outras reportagens, foram posteriormente retiradas. Qualquer eventual medida, segundo os autores, deveria depender de “evidências críveis” de responsabilidade por violações graves.

Banco Master e questionamentos de imparcialidadeOs eurodeputados mencionam informações que, segundo eles, teriam surgido de uma investigação da Polícia Federal. Citam alegações de contatos entre Moraes e Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, e um contrato entre o banco e o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro. O acordo previa pagamentos que poderiam chegar a cerca de R$ 130 milhões em 36 meses. O escritório declarou que prestou serviços de consultoria jurídica e que não atuou em causas da instituição no STF.

Na carta, esses fatos são relacionados à atuação de Moraes nos processos que resultaram na condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro. Os parlamentares argumentam que as revelações levantam “sérias questões sobre a imparcialidade judicial” e justificariam um exame independente e transparente. O documento trata as informações como alegações, sem concluir que houve irregularidade.

Pedido de monitoramento das eleiçõesAlém das sanções, os três deputados pedem acompanhamento “particularmente rigoroso e independente” do processo eleitoral brasileiro de outubro. Querem que a União Europeia use instrumentos diplomáticos e de observação para verificar se a eleição ocorre de forma livre, justa e transparente, incluindo o ambiente eleitoral, o tratamento a candidatos, o acesso à mídia, eventuais restrições ao discurso político, remoção de conteúdo, decisões judiciais que afetem campanhas, o funcionamento dos sistemas de votação e a correspondência entre votos e resultados anunciados.

A iniciativa é de um grupo pequeno de parlamentares de direita e não representa posição oficial da União Europeia. Pedidos semelhantes, feitos por um grupo maior de 16 eurodeputados em julho de 2025, não resultaram em sanções do bloco.


Diário do Poder

Dobra número de pessoas em sitação de rua no governo Lula: agora são quase 400 mil

 

(Foto: José Cruz/ABr).


Se as pessoas em situação de rua no Brasil formassem uma cidade, ela já seria maior do que as capitais Vitória (ES), Palmas (TO) ou Rio Branco (AC). Em junho de 2026, o Cadastro Único registrava 392,4 mil pessoas nessa condição. Em dezembro de 2022, eram 198,7 mil. Em pouco mais de três anos e meio do governo Lula (PT), quase dobrou a legião de miseráveis nas ruas. Desde 2015, quando o CadÚnico apontava 52,4 mil, salto de 597%, enquanto a população brasileira crescia 0,4% ao ano.

Subiu em flecha

Desde janeiro de 2023, o ritmo médio de moradores de rua subiu para 4,6 mil por mês. Entre 2019 e 2022, a média foi de 2 mil ao mês.

Lorota oficial

O governo atribui a alta à “melhoria do cadastramento”, mas se fosse só subnotificação, a curva se estabilizaria depois da correção. Mas cresceu.

Conta de diminuir

Censos municipais acham menos gente nas ruas do que o CadÚnico. No Rio, a prefeitura contou 8.195 em 2024; o cadastro federal, 23 mil.

Só vê quem quer

Em São Paulo, o censo de 2021 falava em 31,9 mil famílias em situação de rua, mas, no CadÚnico, passou dos 104 mil.


Diário do Poder

sábado, 19 de setembro de 2026

Aliado de Lula, o corrupto maior, Otto Alencar era chamado por Vorcaro de ‘conselheiro’ e ‘comandante’

Senador negou haver falado com o ex-banqueiro fraudador, depois recuou



Presidente da CCJ, senador Otto Alencar (PSD-BA) | Foto: Geraldo Magela / Agência Senado


Mensagens analisadas pela Polícia Federal indicam que o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, se referia ao senador Otto Alencar (PSD-BA) como “conselheiro” e “comandante”. As informações são do jornal O Globo.

Fiel escudeiro de Lula (PT), Otto Alencar é presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, onde facilita a tramitação de qualquer projeto de interesse do governo do PT e barra os projetos nos quais o Palácio do Planalto não tem interesse. A fidelidade de Alencar a Lula se aguçou ainda mais depois que o presidente pressionou seus aliados do governo da Bahia a nomear o filho do senador para o ambicionado cargo vitalício de conselheiro do Tribunal de Contas baiano.

O relatório da PF descreve o advogado Ciro Soares como intermediário entre Vorcaro e o senador. Segundo os investigadores, Soares avisava quando estava com Otto, enviava fotos ao lado dele e fazia ligações para repassar recados atribuídos ao parlamentar.Em 30 de maio de 2024, após Soares escrever que “Otto queria falar” com Vorcaro, o banqueiro pediu que mandasse “abraço” ao “nosso comandante” e afirmou que o senador era “conselheiro e comandante nosso”.

Conversas posteriores voltam a citar Otto. Em 5 de dezembro de 2024, Soares disse que o senador teria feito “um movimento grande” para Vorcaro e que aguardava o banqueiro, sem detalhar o assunto.Em 2025, as mensagens registram novas tentativas de aproximação e convites para um evento em Londres. Em 19 de junho, Soares afirmou que tentava convencer Otto a viajar. Vorcaro respondeu: “Tem que ir. Vamos tomar os top Macallan”, em referência ao uísque.

Otto Alencar afirmou inicialmente que não tinha relação com Vorcaro e que nunca o viu, trocou mensagens, fez ligações ou participou de encontros. Depois da publicação, o senador disse que falou com o banqueiro “duas ou três vezes” por telefone, usando o aparelho do advogado. Segundo ele, Vorcaro pediu apoio a um texto apelidado de “emenda Master”, que pretendia ampliar de R$ 250 mil para R$ 1 milhão o limite coberto pelo Fundo Garantidor de Crédito (FGC).

Otto declarou que não concordava com a proposta e que já havia sido alertado sobre riscos pelo então ministro da Fazenda, Fernando Haddad. A emenda não avançou porque foi rejeitada pelo relator da PEC da Autonomia do Banco Central, senador Plínio Valério (PSDB-AM).

Ciro Soares afirmou não ser alvo de inquéritos ligados ao caso e negou ter organizado encontros presenciais entre os dois. Disse que seria “natural” uma reunião entre um líder político e um líder empresarial, mas que não houve almoço ou encontros organizados por ele.

A defesa de Vorcaro não comentou as mensagens, mas tem dito que o banqueiro está à disposição para prestar esclarecimentos. O relatório da PF também cita tentativas de marcar reuniões presenciais em 2024 e 2025, com indicações de locais em Brasília e Salvador.

Diário do Poder

'Com a devida vênia, Moraes, prefiro acreditar em meus olhos', por Pedro Henrique Alves

 A crise no STF mostra como o juridiquês pode ser usado para tentar negar ao cidadão aquilo que seus próprios olhos já enxergaram


Ministro Alexandre de Moraes, do STF | Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil 

Tenho a profunda convicção de que o homem comum possui uma qualidade que a academia e a mídia têm se esforçado para invalidar: a percepção sã e inata da verdade. 

Converse com o seu João do bar do Dito, a Creuza, costureira de Osasco, ou a dona Sônia, cuidadora de idosos em Santana de Parnaíba, e todos eles vão ser crus, diretos e essencialmente corretos sobre temas complexos como o aborto, a teoria de gênero, a maioridade penal ou o foro privilegiado. Não que a realidade seja simplória e fácil, que tudo se explique por uma observação de senso comum e sem aprofundamento. 

Eu sei que, muito possivelmente, o seu Geraldo, marceneiro, não conseguiria explicar como se deu a construção química e física de um carvalho-alvarinho, nem como se dá o ciclo das gimnospermas; porém, é certo que ele saberá construir uma cadeira de eucalipto ou uma cômoda de tauari, e um móvel também é um fato. Da mesma maneira, uma parteira anciã do Cariri não sabe o que é formação do blastocisto ou etapa da organogênese, porém sabe que, inevitavelmente, se nasce homem ou mulher ‒ ainda que intelectuais do porte de Judith Butler e Simone de Beauvoir não concordem.

O que eu quero dizer é que, na modernidade, tornou-se comum utilizarse de muita informação, emplastros intelectualoides, microscópios ideológicos e verborragias retóricas para transformar fatos em mentiras; e mentiras, em fatos. Fico imaginando, por exemplo, quanta retórica, quantas estatísticas e quanto financiamento da Fundação Ford foram necessários para que mulheres julgassem que seus úteros e suas casas eram prisões e que cargos altos e ansiolíticos caros eram sinônimos de liberdade. Enfim, deixe-me chegar ao meu ponto.


Sede do Supremo Tribunal Federal | Foto: Divulgação/STF


Durante os últimos meses, em especial nas últimas duas semanas, estamos assistindo à orgia corrupta em nosso Judiciário. As mensagens reveladas pelo ministro André Mendonça, principalmente concernentes ao ministro Alexandre de Moraes e ao diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, não mostram outra coisa senão favorecimento ilícito e advocacia paralela em prol de um banqueiro. Pelo menos um ministro do Supremo Tribunal brasileiro e o diretorgeral da principal polícia do Estado parecem ter sido literalmente comprados para exercer influência e servir de escudo a um mafioso. 

Conquanto não surjam evidências absurdamente esclarecedoras de Moraes e Andrei que expliquem ou desmintam os próprios técnicos da Polícia Federal, conclui-se que ‒ assim como disse o ministro Fux ‒ o Brasil tem hoje uma PF paralela a serviço de um ministro possivelmente corrupto, o que, a reboque, leva-nos a concluir que também tínhamos um STF paralelo.

Partindo do pressuposto — mais do que provado — de que as mensagens apresentadas por André Mendonça são verdades periciáveis e duras o suficiente, os fatos não precisam de mais lupas, teses e descortinamentos além dos que já existem para se chegar a uma conclusão. O povo não conhece o Regimento Interno do STF, mas sabe quanto mede um safado e qual é o cheiro moral de um corrupto. O brasileiro comum entendeu plenamente que Moraes servia a interesse paralelos, seja no Inquérito das Fake News, seja em outros. 

Que, junto à sua esposa, exercia advocacia para um banqueiro que mantinha contratos milionários injustificáveis. Parece mais do que claro, basta ver, que Moraes era o consultor de luxo de Vorcaro, a quem, em suas próprias palavras, ele “devia a sua vida”.  

O que vimos na última terça-feira ‒ isto é, eu, você, dona Neide e seu Bastião ‒, o julgamento-picadeiro, foi mais uma tentativa dessa ala apodrecida do Estado brasileiro de defender o indefensável, de purpurinar o cocô, de esconder, sob camadas grossas de retórica, juridiquês e até mesmo de um clamor por uma ética mais mafiosa, as vergonhas morais e as verdades fedorentas da Corte máxima deste país. Gilmar Mendes, Zanin e Moraes atualizam aquilo que deveria ser apenas uma linha da comédia de Chico Marx, o comediante norteamericano que, em 1933, no filme O Diabo a Quatro, eternizou a frase: Who are you going to believe, me or your own eyes?. “Em quem você vai acreditar, em mim ou nos seus próprios olhos?”

Homens e mulheres comuns, vocês não são loucos, burros ou alienados. Como dizia Sebastião Freitas a Simão Bacamarte em O Alienista: “Quem nos afirma que o alienista não é o alienado?”. Quem nos assegura hoje que os verdadeiros golpistas não são os que deveriam ser os guardiões da Constituição?

Enfim… Confie em seus olhos.


Pedro Henrique Alves - Revista Oeste

Frente Parlamentar Católica repudia falas de Lula sobre celibato e ordenação de mulheres

Diálogo entre o poder público e as religiões exige respeito à autonomia de cada confissão, diz deputado


Presidente da Frente Parlamentar, deputado Luiz Gastão. (Foto: Diário do Poder).

A Frente Parlamentar Católica da Câmara dos Deputados divulgou nesta sexta-feira (18) nota de repúdio às declarações de Lula (PT) sobre o celibato sacerdotal e a ordenação de mulheres na Igreja Católica. O texto, assinado pelo presidente da frente, deputado Luiz Gastão (PSD-CE), foi publicado no Instagram do grupo parlamentar.

As falas de Lula ocorreram na quarta-feira (16), em encontro no Palácio do Planalto com pastores brasileiros e norte-americanos da Frente de Evangélicos pelo Estado de Direito. Na ocasião, o presidente, que se declara católico, afirmou ter dito ao papa Francisco que a Igreja Católica “passaria dificuldades” enquanto mantivesse o celibato e não permitisse que mulheres fossem padres e bispas. Ele relacionou o crescimento evangélico no Brasil à “igualdade de condições” dada às mulheres nessas igrejas.

“Enquanto a Igreja Católica não acabar com o celibato e permitir que as mulheres possam ser padres, bispas, a gente vai ver a Igreja Católica passar dificuldades. Essa é uma vantagem que a igreja evangélica tem. As mulheres são tratadas em igualdade de condições”, declarou Lula.

O que diz a nota
Na nota, a Frente Parlamentar Católica afirma repudiar as declarações “a respeito de aspectos próprios da vida, da disciplina e da constituição sacramental da Igreja Católica”. O texto reconhece o valor do diálogo entre o poder público e as religiões, mas afirma que esse diálogo exige respeito à autonomia de cada confissão.

“Questões como o ministério ordenado e o celibato sacerdotal pertencem à vida e à tradição da Igreja Católica e possuem fundamentos teológicos, sacramentais e eclesiológicos que não podem ser reduzidos a uma comparação de funções ou modelos organizacionais”, diz o documento.

A frente argumenta que o Estado laico existe para garantir a liberdade religiosa, e não para que autoridades indiquem como cada tradição deve organizar sua vida interna. “Autoridades públicas podem e devem dialogar com as religiões, mas esse diálogo precisa respeitar a identidade, a doutrina e a autonomia de cada tradição religiosa”, afirma a nota.

Contexto das declaraçõesNo mesmo encontro, Lula criticou o uso eleitoral de templos e disse que se recusa a fazer campanha em igrejas, católicas ou evangélicas. A reunião ocorre em ano eleitoral, com disputa pelo voto religioso. Dados do Censo 2022 indicam 56,7% de católicos e 26,9% de evangélicos no país.

Na doutrina católica, a ordenação sacerdotal é reservada a homens, posição reafirmada pelo Vaticano como definitiva. O celibato é disciplina da Igreja latina, com exceções em ritos orientais católicos, nos quais homens casados podem ser ordenados. Até a divulgação da nota parlamentar, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) não havia se pronunciado especificamente sobre a fala.
O Palácio do Planalto não havia respondido publicamente à nota da frente até a publicação desta matéria. Aliados do presidente, como o presidente do PT, Edinho Silva, tentaram contextualizar as declarações como opinião pessoal e como parte de uma relação histórica de Lula com setores da Igreja.

Diário do Poder