Presidenciável cita experiência de El Salvador como inspiração para plano de segurança, com ministério exclusivo e expansão do sistema prisional
Depois de se reunir com o ministro da Justiça e Segurança Pública de El Salvador, Gustavo Villatoro, o candidato à Presidência pelo PL, Flávio Bolsonaro, afirmou que o enfrentamento às facções criminosas no Brasil depende de “coragem” política. O senador disse que pretende incorporar ao seu plano de governo medidas adotadas pelo país comandado por Nayib Bukele no combate ao crime organizado.
“Eu falei pra ele que muita gente aqui no Brasil acha impossível acabar com as facções criminosas”, disse Flávio. “Ele me disse que não é impossível, que fizeram em El Salvador, que é um país pequeno, mas muito pobre. E nós somos um país grande com muitas riquezas, não tem explicação para que as facções criminosas continuem dominando os territórios. Basta ter um presidente da República que tenha a coragem de enfrentá-los. E o Flávio Bolsonaro terá.”
A reunião ocorreu em São Paulo e contou também com a presença do candidato a vice-presidente Alfredo Gaspar (PL-AL), do candidato ao governo do Paraná pelo PL, Sergio Moro, e dos candidatos ao Senado Guilherme Derrite (PP-SP) e André do Prado (PL-SP).
Segundo Flávio, a conversa com Villatoro reforçou propostas que já integram o eixo de segurança pública de seu programa de governo. Entre elas estão a criação de um Ministério da Segurança Pública, separado da Justiça, e uma maior coordenação da União com Estados e municípios.
“Nossa ideia é criar um Ministério da Segurança Pública exclusivo para fazer essa gestão junto com as forças estaduais e também com as polícias municipais”, explicou. “Vou ser um presidente muito municipalista, quero dar esse suporte não apenas financeiro, mas de organização, de conexão, de troca de inteligência, de troca de informações entre todas as esferas de poder.”
Mais presídios e endurecimento das penas
O programa de Flávio prevê a criação de 500 mil novas vagas no sistema prisional e de cinco presídios federais de segurança máxima, inspirados no modelo de El Salvador. O candidato também defendeu penas maiores e permanência mais longa dos condenados na prisão.
“Tem pouco preso no Brasil”, declarou. “Só não tem mais porque a legislação é frouxa. Então vamos criar mais meio milhão de vagas em presídios para que ladrão de celular comece com, no mínimo, 8 anos de cadeia. Para que fique preso, não apenas seja preso.”
O plano também propõe classificar PCC e Comando Vermelho como organizações narcoterroristas, reforçar o combate ao financiamento das facções e integrar forças federais, estaduais e municipais em operações para retomada de territórios dominados pelo crime organizado.
“No nosso governo, a legislação vai mudar”, disse. “Os presídios vão deixar de ser escolas do crime e vão ser exemplo. Você, marginal que for preso, não vai sair rápido. Você vai ficar preso, você vai pagar pelos crimes que você cometeu. E isso vai desencorajar muita gente a continuar praticando crime.” Visita a El Salvador Flávio já havia visitado El Salvador em 2025, quando conheceu o Centro de Confinamento do Terrorismo (Cecot), presídio de segurança máxima que se tornou um dos símbolos da política de segurança de Bukele.
Entre outras medidas previstas no programa estão a redução da maioridade penal de 18 para 16 anos, regras mais duras para adolescentes a partir dos 14 anos envolvidos em crimes graves, uso de reconhecimento facial e mais de 1 milhão de câmeras de monitoramento, além da criação de um sistema nacional de fronteiras.
Sarah Peres - Rervista Oeste