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quinta-feira, 8 de janeiro de 2026
quarta-feira, 7 de janeiro de 2026
'Sob Chávez e Maduro, Venezuela enviou quase US$ 6 bilhões em ouro para a Suíça', revela Anderson Scardoelli
Envios ocorreram de 2012 a 2016, período em que o comando da ditadura passou de Hugo Chávez para Nicolás Maduro
De 2012 a 2016, a ditadura bolivariana da Venezuela enviou 127 toneladas de ouro para a Suíça. Na cotação da época, o montante equivalia a 4,7 bilhões de francos suíços — o que se aproximaria dos US$ 5,9 bilhões.
A informação sobre o transporte de ouro da Venezuela para a Suíça é do site do canal de televisão SRF. Divulgados nesta quarta-feira, 7, os dados partiram de registros alfandegários.
De acordo com a SRF, o envio de ouro partiu do Banco Central da Venezuela. Na ocasião, a autoridade monetária do país sul-americano estava reduzindo suas reservas. Da Suíça, o metal teve outros destinos. A reportagem cita, por exemplo, países como Reino Unido e Turquia como pontos finais do ativo venezuelano.
Na visão da emissora suíça, a venda de toneladas de ouro foi um ato de desespero da ditadura venezuelana. “Ao enviar suas reservas de ouro para o exterior, o governo de Nicolás Maduro esperava evitar a falência nacional”, avalia a equipe do veículo de comunicação.
“Parte do ouro foi vendida, enquanto outra parte foi usada como garantia para empréstimos. Em 2014, uma grave crise econômica atingiu o país. Depois do colapso do preço do petróleo, o Produto Interno Bruto (PIB) despencou 80%. O país só conseguia obter novos empréstimos com garantias, o que tornou necessária a transferência emergencial do ouro para o exterior.”
Envio de ouro da Venezuela para a Suíça foi de Chávez a Maduro
Apesar de a SRF focar em Maduro, as remessas de toneladas de ouro para a Suíça tiveram início quando a ditadura da Venezuela estava sob comando de Hugo Chávez. Ele foi o número 1 do regime de 2 de fevereiro de 1999 a 5 de março de 2013, quando morreu em decorrência de tratamento contra um câncer na região pélvica — e deixou a liderança para seu então vice, que era justamente Maduro.
Os envios de ouro da Venezuela para a Suíça começaram de forma tímida. Em 2012, primeiro ano do registro desse tipo de operação, foram embarcadas 4,4 toneladas. No ano seguinte, que marcou a mudança do regime de Chávez para Maduro, foram 10,2 toneladas. Os envios cresceram para 12 e 24 em 2014 e 2015, respectivamente. O ápice se deu em 2016, com a exportação de 76,8 toneladas.
Não há registros de envios de ouro da Venezuela para a Suíça a partir de 2017. A SRF destaca, por exemplo, que Maduro e figuras ligadas a ele começaram a sofrer sanções de entidades e autoridades europeias. Nesse sentido, o Conselho Federal suíço congelou, desde 2018, todos os bens do hoje ex-ditador.
De ditador a presidiário
A revelação do montante de ouro que a Venezuela enviou para a Suíça ocorre quatro dias depois da captura de Nicolás Maduro e de sua mulher, Cilia Flores, por militares dos Estados Unidos. Os norteamericanos realizaram operação em Caracas na madrugada do último sábado, 3.
Sob poder do governo norte-americano, que o acusa de tráfico internacional de drogas e conspiração contra os EUA, Maduro foi levado para o Centro de Detenção Metropolitano do Brooklyn, na cidade de Nova York. O agora ex-ditador seguiu detido depois de passar por procedimento similar a uma “audiência de custódia” no Brasil, na qual negou as acusações referentes a narcoterrorismo.
À Justiça dos EUA, Maduro ainda reforçou se considerar “presidente” da Venezuela. Condição, entretanto, que as autoridades do país sulamericano não veem mais como válidas. Com apoio da Suprema Corte e das Forças Armadas, Delcy Rodríguez, então vice da ditadura bolivariana, foi empossada presidente interina na segunda-feira 5.
Anderson Scardoelli - Revista Oeste
A fábula político-burocrática sobre a inflação, por Evaristo Fagundes Ciambarella
Ludwig von Mises demonstrou de forma objetiva algo que a elite política ainda tenta ocultar: inflação não é fatalidade econômica; é uma escolha estatal. Trata-se de um instrumento de política fiscal e monetária usado para financiar gastos que o governo não tem coragem de cobrar explicitamente via impostos.
Para sustentar esse mecanismo, a classe político-burocrática recorre a uma cortina de fumaça linguística. O ato simples de expandir a quantidade de moeda é revestido de tecnicismos que servem mais para confundir do que para explicar, como “gastos deficitários”, “financiamento da dívida” ou “estímulo econômico”.
Em linguagem clara, tudo isso significa apenas colocar mais dinheiro em circulação — com a consequência inevitável: a desvalorização do dinheiro existente, aquele que o cidadão recebe no salário, guarda na poupança ou usa em transações diárias.
A mesma elite que cria esse processo evita chamá-lo pelo nome correto. Em vez disso, transfere a culpa para terceiros: “alta de preços”, “ganância” ou “especulação”.
Esse deslocamento moral é estratégico. Ele permite que o estado oculte sua responsabilidade e se apresente como árbitro virtuoso contra “abusos do mercado”.
Mises foi direto ao ponto: o melhor indicador de que a inflação é prejudicial é a relutância de seus próprios autores em assumir responsabilidade. Eles negam o óbvio não por desconhecimento, mas porque compreendem perfeitamente o mecanismo que operam.
Há uma assimetria proposital entre o que o governo sabe e o que comunica ao público. Essa desinformação é funcional. Mantém a população dependente de narrativas oficiais, jargões técnicos e falsas explicações sobre a origem da perda de poder de compra.
Quando surgem os efeitos inevitáveis — queda real dos salários, distorções de preços, incerteza e desarranjos produtivos —, o estado reage criando conselhos, comitês, tabelamentos e ameaças regulatórias, como se controlar preços fosse capaz de apagar a causa monetária do problema.
O episódio dos EUA nos anos 1960 ilustra essa incoerência: enquanto o governo impunha limites artificiais de 3,2% para reajustes de preços e salários, o presidente Johnson ameaçava aumentar impostos caso a inflação não cedesse — ignorando que era justamente a política fiscal expansionista que alimentava o processo.
Se o cidadão compreendesse o essencial da teoria monetária — que inflação é um imposto oculto, que déficit é criação de moeda, e que “pressões inflacionárias” são apenas rótulos para erros estatais —, o debate político brasileiro teria outro rumo.
Enquanto esse esclarecimento não ocorrer, continuaremos repetindo o ciclo: o estado cria o problema, culpa o mercado e, ao final, apresenta-se como salvador moral.
À luz da obra de Mises, pode-se extrair uma conclusão inequívoca: as distorções econômicas não resultam de falhas da ciência econômica, mas das decisões políticas que insistem em contrariar seus princípios mais elementares.