quinta-feira, 8 de outubro de 2026

Papa pede proteção de Nossa Senhora Aparecida aos brasileiros

 No Vaticano, Leão XIV cita celebração à padroeira do Brasil



O papa Leão XIV durante o giro de papamóvel na Praça São Pedro na manhã desta quarta-feira, 7 | Foto: Vatican Media


O papa Leão XIV pediu nesta quarta-feira, 7, que Nossa Senhora Aparecida proteja os brasileiros e suas famílias. A declaração foi feita durante a Audiência Geral, na Praça de São Pedro, no Vaticano, diante de milhares de fiéis.

Ao saudar os peregrinos de língua portuguesa, o pontífice destacou a proximidade do Dia de Nossa Senhora Aparecida, celebrado na próxima segunda-feira, 12 de outubro. “Uma saudação cordial aos peregrinos de língua portuguesa, em especial aos grupos vindos do Brasil e de Portugal”.


Papa fala a mais de 30 mil pessoas 

Em seguida, Leão XIV fez referência direta à padroeira do Brasil e pediu sua proteção aos fiéis. “Queridos irmãos e irmãs, na próxima segundafeira, 12 de outubro, celebra-se Nossa Senhora Aparecida, Padroeira do Brasil. Confio todos vós e as vossas famílias à sua intercessão maternal. Que Nossa Senhora vos proteja sempre! Deus vos abençoe”. 

Segundo o Vatican News, a saudação ocorreu depois da catequese do papa sobre a missão da Igreja no mundo contemporâneo. 

A audiência reuniu cerca de 32 mil pessoas na Praça São Pedro. A manifestação ocorre poucos dias depois de Nossa Senhora Aparecida ter sido envolvida em uma polêmica durante a campanha eleitoral brasileira.

Fake News fabricada pelo Partido dos Trabalhadores (PT) nas redes sociais tentaram associar o candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) a uma suposta intenção de retirar da santa o título de Padroeira do Brasil. 

A informação foi negada por Flávio e considerada falsa pelo Tribunal Superior Eleitoral. O projeto citado nas publicações havia sido apresentado em 2007 e arquivado em 2022, sem relação com o candidato.


Decálogo de Lenin: acuse os outros daquilo que você é. 

A prova de que quem pediu para acabar com o feriado foi o PT. 

PT pediu ao STF fim do feriado de Nossa Senhora O advogado Ralph Anzolin Lichote, que teve atuação na direção do PT no Rio de Janeiro, apresentou em dezembro de 2020 uma ação no Supremo Tribunal Federal para questionar a constitucionalidade do feriado nacional de Nossa Senhora Aparecida, celebrado em 12 de outubro. 

A ação, uma Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF n° 775), foi apresentada pela Antiga e Iluminada Sociedade Banksiana e assinada por Lichote, então vice-presidente da entidade. O PT não aparece como autor do processo. 

PT: advogado tentou proteger Lula Segundo o site Poder360, o advogado foi vice-presidente do PT de Itaperuna (RJ) e integrou o Diretório Estadual do PT-RJ entre 2006 e 2009. 

Em 2016, quando presidia o diretório municipal do partido, também recorreu à Justiça para tentar evitar que Lula fosse obrigado a depor em processo relacionado à Operação Lava Jato. Na ação apresentada ao STF, a entidade sustentou que a Lei n° 6.802/1980, que instituiu o feriado, seria incompatível com o princípio constitucional da laicidade do Estado. O texto legal declara 12 de outubro como feriado nacional “para culto público e oficial a Nossa Senhora Aparecida, Padroeira do Brasil”. View all 805 comments Add a comment... 

O papa, no entanto, não fez qualquer referência à disputa eleitoral brasileira. Sua fala se limitou à celebração religiosa de 12 de outubro e ao pedido de proteção para os brasileiros. 


Fábio Bouéri - Revista Oeste

quarta-feira, 7 de outubro de 2026

Mensagens revelam que Vorcaro buscou Lula usando Mantega e falou em acionar ‘Alexandre’

Ex-banqueiro ddisse também que Hugo Motta repassou informações de Galípolo


Ex-banqueiro Daniel Vorcaro - (Foto: Reprodução/SAP).

Mensagens de áudio mostram que o banqueiro Daniel Vorcaro e o então advogado Walfrido Warde insistiram, em 2025, para que o ex-ministro petista Guido Mantega se reunisse pessoalmente com Lula (PT) e defendesse o Banco Master diante dos questionamentos do Banco Central. O material, extraído do celular de Vorcaro, indica que o banqueiro tentou mobilizar intermediários para chegar a Lula depois de um encontro ocorrido em dezembro de 2024. Em setembro de 2025, o BC vetou a venda do Master ao Banco Regional de Brasília (BRB). Em novembro, decretou a liquidação da instituição. Vorcaro foi preso no mesmo ano sob suspeita de fraude em ativos.

Mantega havia sido contratado por Vorcaro como consultor, por R$ 14 milhões, para tratar de assuntos ligados ao governo federal. Segundo o Estadão, que revelou as mensagens, a prioridade do banqueiro era transmitir a Lula e a outros integrantes do governo a tese de que o Master estava sendo injustiçado pelo BC e de que as carteiras de crédito repassadas ao BRB tinham o valor declarado pelo banco.

O Palácio do Planalto informou que Lula se encontrou apenas uma vez com Vorcaro e não respondeu se houve conversas com Mantega ou Warde sobre o Master. A nota afirma que o encontro, em 4 de dezembro de 2024, não estava previamente agendado: Vorcaro foi ao Planalto acompanhado de Mantega, e também participaram o ministro da Casa Civil, Rui Costa, e Gabriel Galípolo, então diretor de Política Monetária e hoje presidente do BC. Na ocasião, Vorcaro disse sentir-se alvo de perseguições, e Lula respondeu que eventuais denúncias deveriam ser analisadas tecnicamente pelo Banco Central. O Planalto ressaltou que não houve outro contato entre o presidente e o banqueiro e lembrou que a liquidação do Master e a prisão de Vorcaro ocorreram no atual governo.

Nas conversas, Vorcaro disse considerar ter apoio do STF, de Lula, da Câmara e do Senado para a aprovação da venda ao BRB no BC. Por isso, afirmou que um diretor do Banco Central contrário ao negócio estaria “indo contra” essas quatro instituições.

Em 23 de julho de 2025, Warde escreveu a Vorcaro que estava com Marco Aurélio Santana Ribeiro, então chefe de gabinete de Lula, a quem chamou de “Marcola”, e pediu que o banqueiro atendesse. Depois, enviou um áudio dizendo que Mantega estava em Londres e só voltaria dali a dez dias, e sugeriu que Vorcaro mandasse um avião buscá-lo para o encontro com o presidente. Em seguida, encaminhou mensagens, sem identificar o autor, segundo as quais o “pr” teria falado com Mantega por telefone e dito que o chamaria assim que ele retornasse. Trechos desses diálogos já haviam sido publicados pelo jornal O Globo.

Dois dias depois, Warde pediu uma videoconferência com Vorcaro e Mantega para orientar o ex-ministro e disse que era urgente porque ele falaria no domingo com “você sabe quem”. Às 14h18 insistiu: “Vc pode em 10 minutos falar comigo e Guido?”. Cerca de uma hora depois, os três fizeram uma ligação de 23 minutos. Warde escreveu em seguida: “Parabéns. Importante call. Vai dar certo”. Vorcaro respondeu: “Muito obrigado”.

Em 31 de julho, Vorcaro cobrou o próprio Warde: “Você precisa conversar com o chefe. Única chance nossa”. O advogado disse que tentava falar com Marcola. Vorcaro completou que ele precisava ouvir da boca do advogado que não havia problema nenhum e que o dano causado era irreversível. Warde respondeu que resolveria e que iriam “desarmar tudo isso”.

No mesmo período, diante da dificuldade de marcar o encontro de Mantega com Lula, Vorcaro sugeriu acionar “Alexandre”, sem deixar claro se a referência era ao ministro do STF Alexandre de Moraes. Warde respondeu: “Sim. Vou pavimentar”.

Vorcaro também relatou ter recebido informações do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), sobre uma conversa com Galípolo. Em 17 de julho de 2025, Motta escreveu que Galípolo iria à casa do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), ao fim de uma reunião que tratava do Master. O diálogo não esclarece se Motta participou dessa conversa. Às 21h55, Motta ligou para Vorcaro e falou por dois minutos.

Às 22h14, Vorcaro repassou a Warde que Galípolo teria encerrado a reunião, apresentado uma nova justificativa — erros contábeis — e dito a Hugo que não daria mais para fazer o negócio. Em seguida, pediu que o advogado avisasse o presidente no dia seguinte e escreveu: “vamos pra guerra”. Warde respondeu que levaria o assunto ao conhecimento do presidente.

Mais tarde, às 23h16, Vorcaro criticou o então diretor do BC Renato Gomes, contrário à venda, sugeriu pedir a “suspeição” dele e afirmou que o diretor estava “indo contra” o apoio que dizia ter no STF, no Congresso e na Presidência.

Procurado, Motta disse, por meio da assessoria, que o contato com o empresariado é inerente à atividade parlamentar, que os diálogos não maculam sua atuação e que seus contatos com o setor privado sempre foram pautados pela institucionalidade e pela probidade. Afirmou ainda confiar nos órgãos responsáveis pelas investigações. A assessoria de Alcolumbre não se manifestou. Moraes foi procurado pela assessoria do STF e também não se pronunciou.

Diário do Poder

Senador eleito, Sanderson defende renúncia de Moraes e Toffoli e promete impeachment

Sanderson diz que pedirá impeachment tão logo assuma o mandato


(Foto: Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados)


O deputado federal Sanderson (PL-RS), eleito senador pelo Rio Grande do Sul nas eleições de domingo (4), afirmou que os ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli deveriam renunciar aos cargos no Supremo Tribunal Federal (STF).

A declaração foi dada nesta quarta-feira (7), em entrevista ao SBT News.

Sanderson também citou o ministro Gilmar Mendes ao defender que integrantes da Corte deixem o tribunal.

Segundo o parlamentar, há elementos que, na avaliação dele, justificariam questionamentos sobre a atuação dos ministros.

O senador eleito afirmou que pretende apresentar pedidos de impeachment contra ministros do STF quando assumir o mandato no Senado, em 1º de fevereiro de 2027.

Sanderson foi o candidato mais votado para o Senado no Rio Grande do Sul, com 30,11% dos votos.

A declaração ocorre em meio às discussões sobre o Banco Master e as investigações envolvendo o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.

O caso passou a envolver questionamentos sobre relações entre integrantes do Judiciário e pessoas ligadas à instituição financeira.

Em setembro, o Senado registrou 21 novos pedidos de impeachment contra ministros do STF.

Moraes foi alvo de 16 representações, enquanto Toffoli apareceu em duas.

Desde 2021, a Casa acumulava 121 pedidos, sem que nenhum tivesse resultado no afastamento de ministro.

No caso relacionado ao Banco Master, o STF também discutiu uma questão envolvendo informações obtidas pela Polícia Federal a partir do celular de Vorcaro

O debate foi suspenso após pedido de vista do ministro Flávio Dino.

Toffoli, por sua vez, declarou-se suspeito, por foro íntimo, para participar do julgamento relacionado ao caso.

A decisão ocorreu durante uma sessão do Supremo que também teve um desentendimento entre Dino e o presidente da Corte, Edson Fachin.

Sanderson defendeu que o próximo Senado exerça de forma mais efetiva suas atribuições de fiscalização sobre integrantes do Judiciário.

A declaração ocorre após as eleições que definiram a composição da próxima legislatura.

Além dos questionamentos ao STF, o senador eleito também comentou a proposta de acabar com a escala de trabalho 6×1.

Ele afirmou que o tema deverá continuar em discussão no Senado e que outras alternativas apresentadas pela oposição devem ser consideradas pelo próximo Congresso.

Pedro Taquari - Diário do Poder

JPMorgan rebaixa recomendação para o Banco do Brasil e eleva Bradesco

 Efeito das novas recomendações do JPMorgan foi imediato sobre os papéis dos dois bancos


No caso do Banco do Brasil, a recomendação foi cortada de neutra para underweight (exposição abaixo da média do mercado, equivalente à venda) | Foto: Reprodução/Redes sociais



Um dia depois da disparada das ações de empresas do setor financeiro, impulsionadas pela euforia do mercado com o resultado do primeiro turno das eleições no Brasil, o JPMorgan, o maior banco dos Estados Unidos e uma das principais instituições financeiras do mundo, rebaixou sua recomendação para as ações do Banco do Brasil (BBAS3) e a elevou para o Bradesco (BBDC4). 

No caso do Banco do Brasil, a recomendação foi cortada de neutra para underweight (exposição abaixo da média do mercado, equivalente à venda)

Rebaixar a recomendação de uma ação (o chamado downgrade) significa que uma instituição financeira reduziu a sua avaliação sobre o potencial daquela empresa, indicando que as expectativas de lucro ou valorização diminuíram.

Quando isso acontece, na prática, a classificação da ação é modificada para uma categoria inferior (de compra para neutro ou de neutro para venda, como ocorreu com o Banco do Brasil). 

O Bradesco, por sua vez, fez o caminho inverso. O JPMorgan elevou sua recomendação para as ações do banco brasileiro de neutro para overweight (exposição acima da média do mercado, equivalente à compra).


 Impacto sobre as ações 

O efeito das novas recomendações e estimativas do JPMorgan foi imediato sobre os papéis dos dois bancos. As ações do Banco do Brasil fecharam o pregão desta terça-feira, 6, em forte queda de 6,42%, negociadas a R$ 24,64. Foi a maior desvalorização do dia na Bolsa de Valores do Brasil (B3). 

Além de subir a recomendação para o Bradesco, o JPMorgan aumentou o preço-alvo da ação do banco de R$ 22 para R$ 26, o que representou uma valorização de 19% em relação ao fechamento anterior. No caso do Banco do Brasil, o preço-alvo oscilou de R$ 22 para R$ 23.


O que diz o JPMorgan

 De acordo com o JPMorgan, o Banco do Brasil deve enfrentar um cenário desafiador em 2027, com possível recuperação a partir de 2028. Segundo o banco norte-americano, a exposição relevante ao agronegócio fará com que a instituição se beneficie menos de uma eventual queda da taxa básica de juros (Selic) do que outros bancos privados. 

A instituição financeira dos EUA projeta ainda que a recente deterioração da carteira de agronegócio pressione lucros, rentabilidade e distribuição de dividendos.

O JPMorgan projeta um lucro líquido ajustado do Banco do Brasil de R$ 16 bilhões em 2026, ante R$ 20,7 bilhões em 2025. Para 2027, a estimativa é de R$ 22,6 bilhões e, para 2028, de R$ 27,1 bilhões.


Fábio Matos - Revista Oeste


terça-feira, 6 de outubro de 2026

Em mensagem a Vorcaro, amigo dá o recado: ‘GM quer jantar com você’

 Intermediação também envolvia o então cunhado do ministro, lobista Chiquinho Feitosa



Ministro Gilmar Mendes, do STF. (Foto: Rosinei Coutinho/STF)


O advogado Ciro Soares tentou aproximar Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, do ministro do Supremo Tribunal Federal Gilmar Mendes, segundo mensagens obtidas pelo Estadão. A intermediação também envolvia o então cunhado do ministro, o ex-senador Francisco Feitosa de Albuquerque Lima, conhecido como Chiquinho Feitosa (Republicanos).

Nas conversas, Soares relata encontros com Mendes sobre assuntos de interesse de Vorcaro e tenta marcar um jantar entre os dois. Em 17 de junho de 2024, às 23h20, escreveu ao banqueiro: “O GM queria que vc fosse jantar com ele. Aí fomos só nós quatro”. Vorcaro não teria atendido a tempo. Mais cedo, Soares havia dito que Chiquinho o esperava e que ele ia para a casa do ministro.

Gilmar Mendes negou o encontro. Por meio da assessoria, afirmou que o jantar não ocorreu, que não convidou Vorcaro e que, naquele dia, teve reunião de pesquisa no Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa (IDP) às 18h, lançamento de livro às 18h30 e evento religioso em casa às 19h30. Disse ainda que as mensagens foram trocadas entre terceiros, que não responde por afirmações alheias e que não manteve contato com os interlocutores citados para tratar de assuntos do Banco Master.

A tentativa de aproximação, segundo os diálogos, começou no início de 2024. Em 31 de janeiro, Soares escreveu a Vorcaro que teria “uma reunião do nosso assunto às 11:30” em Brasília e orientou o banqueiro a procurar Mendes em um almoço do grupo Esfera em homenagem ao procurador-geral da República, Paulo Gonet: “Procure ele. No meu nome e do Chiquinho Feitosa. GM já está ciente da sua ida”. Mendes classificou o almoço como evento público, com várias autoridades, e não como encontro reservado.

Em 11 de abril, Soares enviou a Vorcaro o telefone de Feitosa. No mesmo dia, o banqueiro fez o primeiro contato direto com o então cunhado do ministro. Em 5 de junho, o advogado relatou “ótima reunião” com Feitosa e Mendes. Em 12 de junho, disse que estava no IDP com os dois e pediu um encontro urgente em São Paulo. Em 29 de junho, após o Fórum Jurídico de Lisboa, organizado por Mendes, escreveu: “Ontem foi do caralho. Ontem foi muito bom. GM é foda”. No mesmo dia, afirmou estar com o ministro e enviou foto ao lado de Gonet e do desembargador do TRF-1 Newton Ramos.

Soares, por assessoria, disse que não há irregularidade nos diálogos. Afirmou que, no período das mensagens, não havia investigação contra Vorcaro, então um empresário de sucesso, e que seria natural ter interlocução com diferentes setores.

O Estadão já havia revelado que o Banco Master contratou Chiquinho Feitosa por R$ 500 mil mensais para tentar obter benefícios em processos no STF que seriam julgados por Mendes. O ministro votou contra os interesses do banco nessas ações, embora em uma delas o grupo de Vorcaro tenha comemorado efeito restrito a casos posteriores à decisão. O próprio Mendes confirmou ter recebido Vorcaro e advogados do Master para tratar de causa bilionária.

Um dos casos envolvia precatórios da Usina Agroindustrial Tabu, na Paraíba, adquiridos por fundos do Master. Mendes e outros ministros votaram contra o banco e a empresa. O outro tratava de regras para abertura de cursos de medicina. O Master era sócio e financiador de uma universidade com cursos nessa área. Como relator, Mendes votou para que o Ministério da Educação concluísse a análise de pedidos já protocolados, com regra de transição. Em 24 de maio de 2024, o sócio Maurício Quadrado escreveu a Vorcaro: “Acabou a votação das medicinas! Ganhamos”. Em 8 de agosto, disse ter obtido liminares para liberar vestibulares.

A assessoria de Mendes afirmou que o voto seguiu a posição do governo federal e que a regra de transição repetiu critério fixado em agosto de 2023, antes das mensagens. Informou que as liminares citadas saíram na primeira instância — no caso da AELBRA/Ulbra, em 7 de agosto de 2024 — e que Mendes se opôs a resultados favoráveis às faculdades, pedindo destaque para julgamento presencial quando a tendência no plenário virtual favorecia as instituições.

Diário do Poder

Em mensagem a Vorcaro, amigo dá o recado: ‘GM quer jantar com você’

 Intermediação também envolvia o então cunhado do ministro, lobista Chiquinho Feitosa


Ministro Gilmar Mendes, do STF. (Foto: Rosinei Coutinho/STF)


O advogado Ciro Soares tentou aproximar Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, do ministro do Supremo Tribunal Federal Gilmar Mendes, segundo mensagens obtidas pelo Estadão. A intermediação também envolvia o então cunhado do ministro, o ex-senador Francisco Feitosa de Albuquerque Lima, conhecido como Chiquinho Feitosa (Republicanos).

Nas conversas, Soares relata encontros com Mendes sobre assuntos de interesse de Vorcaro e tenta marcar um jantar entre os dois. Em 17 de junho de 2024, às 23h20, escreveu ao banqueiro: “O GM queria que vc fosse jantar com ele. Aí fomos só nós quatro”. Vorcaro não teria atendido a tempo. Mais cedo, Soares havia dito que Chiquinho o esperava e que ele ia para a casa do ministro.

Gilmar Mendes negou o encontro. Por meio da assessoria, afirmou que o jantar não ocorreu, que não convidou Vorcaro e que, naquele dia, teve reunião de pesquisa no Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa (IDP) às 18h, lançamento de livro às 18h30 e evento religioso em casa às 19h30. Disse ainda que as mensagens foram trocadas entre terceiros, que não responde por afirmações alheias e que não manteve contato com os interlocutores citados para tratar de assuntos do Banco Master.

A tentativa de aproximação, segundo os diálogos, começou no início de 2024. Em 31 de janeiro, Soares escreveu a Vorcaro que teria “uma reunião do nosso assunto às 11:30” em Brasília e orientou o banqueiro a procurar Mendes em um almoço do grupo Esfera em homenagem ao procurador-geral da República, Paulo Gonet: “Procure ele. No meu nome e do Chiquinho Feitosa. GM já está ciente da sua ida”. Mendes classificou o almoço como evento público, com várias autoridades, e não como encontro reservado.

Em 11 de abril, Soares enviou a Vorcaro o telefone de Feitosa. No mesmo dia, o banqueiro fez o primeiro contato direto com o então cunhado do ministro. Em 5 de junho, o advogado relatou “ótima reunião” com Feitosa e Mendes. Em 12 de junho, disse que estava no IDP com os dois e pediu um encontro urgente em São Paulo. Em 29 de junho, após o Fórum Jurídico de Lisboa, organizado por Mendes, escreveu: “Ontem foi do caralho. Ontem foi muito bom. GM é foda”. No mesmo dia, afirmou estar com o ministro e enviou foto ao lado de Gonet e do desembargador do TRF-1 Newton Ramos.

Soares, por assessoria, disse que não há irregularidade nos diálogos. Afirmou que, no período das mensagens, não havia investigação contra Vorcaro, então um empresário de sucesso, e que seria natural ter interlocução com diferentes setores

O Estadão já havia revelado que o Banco Master contratou Chiquinho Feitosa por R$ 500 mil mensais para tentar obter benefícios em processos no STF que seriam julgados por Mendes. O ministro votou contra os interesses do banco nessas ações, embora em uma delas o grupo de Vorcaro tenha comemorado efeito restrito a casos posteriores à decisão. O próprio Mendes confirmou ter recebido Vorcaro e advogados do Master para tratar de causa bilionária.

Um dos casos envolvia precatórios da Usina Agroindustrial Tabu, na Paraíba, adquiridos por fundos do Master. Mendes e outros ministros votaram contra o banco e a empresa. O outro tratava de regras para abertura de cursos de medicina. O Master era sócio e financiador de uma universidade com cursos nessa área. Como relator, Mendes votou para que o Ministério da Educação concluísse a análise de pedidos já protocolados, com regra de transição. Em 24 de maio de 2024, o sócio Maurício Quadrado escreveu a Vorcaro: “Acabou a votação das medicinas! Ganhamos”. Em 8 de agosto, disse ter obtido liminares para liberar vestibulares.

A assessoria de Mendes afirmou que o voto seguiu a posição do governo federal e que a regra de transição repetiu critério fixado em agosto de 2023, antes das mensagens. Informou que as liminares citadas saíram na primeira instância — no caso da AELBRA/Ulbra, em 7 de agosto de 2024 — e que Mendes se opôs a resultados favoráveis às faculdades, pedindo destaque para julgamento presencial quando a tendência no plenário virtual favorecia as instituições.


Diário do Poder

'Flávio Day': bolsa bate recorde e fecha em alta de 7,7%; dólar cai

 

Flávio Bolsonaro gesticula durante um evento de campanha eleitoral em Belo Horizonte - 18/8/2026 | Foto: Washington Alves/Reuters


O Ibovespa fechou esta segunda-feira, 5, em alta de 7,7%, aos 206.911,89 pontos, depois da liderança do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) no primeiro turno da eleição presidencial. O resultado representa o maior nível de fechamento da história da Bolsa brasileira e a maior alta diária do índice desde março de 2020. 

Durante o pregão, o principal índice da B3 chegou a avançar 9,1%, aos 209.605,70 pontos. O Ibovespa reúne as ações das empresas mais negociadas na Bolsa e funciona como uma referência do desempenho do mercado acionário brasileiro.

O dólar à vista, por sua vez, terminou o dia em queda de 4,12%, cotado a cerca de R$ 5. A moeda norte-americana chegou a R$ 4,95 durante as negociações. Foi a maior queda diária do dólar diante do real desde 2018. 

O movimento ocorreu um dia depois de Flávio terminar o primeiro turno à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Com 100% das urnas apuradas, o senador recebeu 47,03% dos votos válidos, ante 45,16% do petista. Os dois disputam o segundo turno em 25 de outubro.


A queda do dólar impacta desde combustíveis até alimentos | Foto: Canva Pro/Divulgação


Efeito Flávio: ações de bancos e varejistas avançam Entre as ações que compõem o Ibovespa, Magazine Luiza terminou o dia com alta de 24,18%, enquanto Cosan avançou 23,79%, B3 subiu 22,63% e BTG Pactual ganhou 22,52%. 


As ações da Petrobras também avançaram

Os papéis ordinários (PETR3) subiram 6,68%, enquanto os preferenciais (PETR4) tiveram valorização de 8,19%. Com isso, a estatal alcançou R$ 751 bilhões em valor de mercado.


Mateus Conte - Revista Oeste