terça-feira, 2 de junho de 2026

‘Dos nossos bandidos, cuidamos nós’, diz José Múcio - auxiliar reincidente do ex-presidiário Lula - sobre PCC e CV

Ministro defende que combate ao crime organizado seja conduzido pelo Brasil e afirma que a questão deve ser resolvida ‘intramuros’


Ministro da Defesa, José Múcio Monteiro | Foto: Divulgação / Ministério da Defesa


O ministro da Defesa, José Múcio Monteiro, criticou nesta terça-feira (2) a decisão dos Estados Unidos de classificar as facções Primeiro Comando da Capital e Comando Vermelho como “Terroristas Globais Especialmente Designados”.

A medida entra em vigor em 5 de junho.

A declaração foi dada durante cerimônia de entrega do caça Gripen F à Força Aérea Brasileira (FAB), realizada em Linköping, na Suécia. Ao comentar a decisão dos Estados Unidos, Múcio afirmou que o enfrentamento ao crime organizado deve ser conduzido pelo próprio Brasil.

“Estou falando como cidadão. Gostaria que, dos nossos bandidos, nós cuidássemos. Acho uma intromissão um vizinho se meter nos problemas da minha casa. Sabemos que são bandidos. Precisamos achar caminhos para resolver”, declarou.

O ministro defendeu que o combate ocorra dentro dos limites da soberania nacional.

“Tem que ser uma solução intramuros, fixar na nossa soberania”, afirmou.

Para o Planalto, medidas unilaterais adotadas sem coordenação com as autoridades podem representar interferência em assuntos internos do país. Durante a conversa com jornalistas, Múcio também comentou o atual cenário. Segundo ele, o ambiente global tem sido marcado por instabilidade e mudanças rápidas nas relações diplomáticas.

“Tem sido intermitente, tão instável. Há 15 dias, o meu presidente estava nos EUA. Voltou em um clima de muita amizade e hoje nos surpreendemos”, disse o ministro.


Lucas Soares - Diário  do Poder   

'Keynes, o Homem: O Teórico Político Burkeano e a Arrogância e a Pseudo-originalidade', por Murray N. Rothbard

 

Nota da edição:

O artigo a seguir é um trecho dos capítulos 6 e 7 do livro Keynes, The Man. Na obra, Murray Rothbard busca fazer uma análise crítica da biografia do economista John Maynard Keynes, traçando as origens da sua defesa de uma política econômica intervencionista e como ela obteve adesão de parte considerável da opinião pública dentro e fora do ambiente acadêmico.


O Teórico Político Burkeano

“Se Moore foi o herói ético de Keynes, Burke pode reivindicar fortemente o posto de seu herói político”, escreve Skidelsky (1983, p. 154). Edmund Burke? O que esse conservador admirador da tradição poderia ter em comum com Keynes, o estatista e planejador central racionalista? Mais uma vez, assim como ocorreu com Moore, Keynes venerava seu autor com uma adaptação keynesiana, selecionando os elementos que se ajustavam ao seu próprio caráter e temperamento.

O que Keynes extraiu de Burke é revelador. (Keynes apresentou suas opiniões em um longo ensaio premiado de graduação, em inglês, com o título “The Political Doctrines of Edmund Burke” [As doutrinas políticas de Edmund Burke, em tradução livre]). Há, em primeiro lugar, a oposição militante de Burke aos princípios gerais na política e, em particular, sua defesa da conveniência política contra direitos naturais abstratos. Em segundo lugar, Keynes concordava fortemente com a elevada preferência temporal de Burke, com sua desvalorização do futuro incerto em comparação com o presente existente. Keynes, portanto, concordava com o conservadorismo de Burke no sentido de que este era hostil a “introduzir males presentes em troca de benefícios futuros”.

Há também a versão de direita da depreciação geral que Keynes fazia do longo prazo, quando dizia “no longo prazo, estaremos todos mortos”. Como Keynes colocou: “É dever supremo dos governos e dos políticos assegurar o bem-estar da comunidade no presente e não assumir riscos excessivos em nome do futuro” (ibid., pp. 155–56).

Em terceiro lugar, Keynes admirava a valorização que Burke fazia da elite governante “orgânica” da Grã-Bretanha. Havia divergências quanto às políticas, naturalmente, mas Keynes juntou-se a Burke na exaltação do sistema de governo aristocrático como algo sólido, desde que o pessoal governante fosse escolhido a partir da elite orgânica já existente. Escrevendo sobre Burke, Keynes observou: “ele considerava a máquina em si [o estado britânico] suficientemente sólida, desde que a capacidade e a integridade daqueles encarregados dela pudessem ser asseguradas” (ibid., p. 156).

Além de seu desprezo neo-burkeano pelos princípios, sua falta de preocupação com o futuro e sua admiração pela classe governante britânica existente, Keynes também estava convencido de que a devoção à verdade era meramente uma questão de gosto, tendo pouco ou nenhum lugar na política. Ele escreveu: “Uma preferência pela verdade ou pela sinceridade como método pode ser um preconceito baseado em algum padrão estético ou pessoal, incompatível, na política, com o bem prático” (Johnson 1978, p. 24).

Na verdade, Keynes demonstrava um gosto explícito pela mentira na política. Ele habitualmente inventava estatísticas para adequá-las às suas propostas políticas e defendia a inflação monetária mundial com hipérboles exageradas, ao mesmo tempo em que sustentava que “as palavras deveriam ser um pouco selvagens — o ataque dos pensamentos contra os irrefletidos”. Contudo, de maneira bastante reveladora, uma vez alcançado o poder, Keynes admitiu que tal hipérbole teria de ser abandonada: “Quando os assentos do poder e da autoridade forem alcançados, não deverá mais haver licença poética” (Johnson and Johnson 1978, pp. 19–21).

O Economista: Arrogância e Pseudo-Originalidade

A abordagem de Maynard Keynes na economia não era muito diferente de sua atitude em relação à filosofia e à vida em geral. “Tenho medo de ‘princípios’”, disse ele a uma comissão parlamentar em 1930 (Moggridge 1969, p. 90). Os princípios apenas restringiriam sua capacidade de aproveitar as oportunidades do momento e atrapalhariam seu desejo de poder. Por isso, ele estava sempre disposto a abandonar suas crenças anteriores e mudar de opinião num instante, dependendo da situação.

Sua posição sobre o livre comércio serve como um exemplo evidente. Como um bom marshalliano, seu único princípio político-econômico aparentemente fixo ao longo da vida era uma adesão devota à liberdade comercial. Em Cambridge, escreveu a um bom amigo: “Senhor, odeio todos os sacerdotes e protecionistas. (…) Abaixo aos pontífices e as tarifas”. Durante as três décadas seguintes, suas intervenções políticas estiveram quase exclusivamente voltadas à defesa do livre comércio (Skidelsky 1983, pp. 122, 227–29).

Então, subitamente, na primavera de 1931, Keynes passou a defender ruidosamente o protecionismo e, durante os anos 1930, liderou a defesa do nacionalismo econômico e de políticas francamente concebidas para “empobrecer o vizinho”. Mas, durante a Segunda Guerra Mundial, Keynes voltou novamente ao livre comércio. Em nenhum momento qualquer exame de consciência ou mesmo hesitação pareceu dificultar suas mudanças extremamente rápidas.

Na verdade, no início da década de 1930, Keynes era amplamente ridicularizado pela imprensa britânica por suas posições camaleônicas. Como escreve Elizabeth Johnson, “ele era Keynes, o homem de borracha: o Daily News and Chronicle de 16 de março de 1931 publicou um artigo com o título ‘Economic Acrobatics of Mr. Keynes’ [As Acrobacias Econômicas do Sr. Keynes, em tradução livre]” — ilustrado por um desenho de “Uma Performance Extraordinária. O Sr. John Maynard Keynes, como o ‘homem sem ossos’, vira as costas para si mesmo e engole uma poção” (1978, p. 17).

Keynes, contudo, não se incomodava com as acusações de inconsistência, pois se considerava sempre certo. Era particularmente fácil para Keynes adotar essa convicção, já que ele não dava a mínima para princípios. Assim, estava sempre pronto para mudar de posição em busca de expandir seu ego por meio do poder político.

Com o passar do tempo, escreve Elizabeth Johnson, Keynes “tinha uma ideia clara de seu papel no mundo; ele era (…) o principal conselheiro econômico do mundo, do Chanceler do Tesouro do Reino Unido da época, do ministro das Finanças francês, (…) do presidente dos Estados Unidos”. A busca por poder para si mesmo e para uma classe governante significava, naturalmente, uma adesão cada vez maior às ideias e instituições de uma economia de planejamento central.

Entre os homens respeitáveis da elite orgânica que governava a nação, ele atribuía a si mesmo o papel crucial de acadêmico-técnico, a versão do século XX do “rei-filósofo” ou, ao menos, do filósofo que orienta o rei. Não é surpresa que Keynes “tenha saudado o presidente [Franklin D.] Roosevelt como o primeiro chefe de estado a procurar aconselhamento teórico como base para ações em larga escala” (Johnson and Johnson 1978, pp. 17–18).

Ação era o que Keynes buscava do governo, especialmente com o próprio Keynes elaborando os planos e dando as ordens. Como escreve Johnson,

“Seu oportunismo fazia com que reagisse aos acontecimentos de maneira imediata e direta. Ele produzia uma resposta, escrevia um memorando, publicava imediatamente, qualquer que fosse a questão. (…) No Tesouro Britânico durante a Segunda Guerra Mundial, ele quase enlouqueceu alguns de seus colegas com sua propensão a meter o dedo em tudo. ‘Não fique aí parado, faça alguma coisa’ teria sido seu lema nos dias de hoje” (ibid., p. 19).

Johnson observa que a

“atitude instintiva de Keynes diante de qualquer nova situação era assumir, primeiro, que ninguém estava fazendo nada a respeito e, segundo, que, se alguém estivesse fazendo alguma coisa, estava fazendo errado. Era um hábito mental cultivado ao longo da vida, baseado na convicção de que possuía uma inteligência superior (…) e, como bom Apóstolo de Cambridge, era dotado de sensibilidades superiores” (ibid., p. 33).

Uma ilustração marcante da arrogância injustificada e da irresponsabilidade intelectual de Maynard Keynes foi sua reação ao brilhante e pioneiro Treatise on Money and Credit [Teoria da Moeda e do Crédito], de Ludwig von Mises, publicado em alemão em 1912. Keynes havia sido recentemente nomeado editor do principal periódico acadêmico de economia da Grã-Bretanha, o Economic Journal [Jornal Econômico, em tradução livre], da Universidade de Cambridge. Ele resenhou o livro de Mises de maneira extremamente desdenhosa. O livro, escreveu ele de forma condescendente, tinha “mérito considerável” e era “esclarecedor”, e seu autor era certamente “um bom leitor”, mas Keynes expressou sua decepção com o fato de que a obra não era nem “construtiva” nem “original” (Keynes 1914). Essa reação brusca conseguiu destruir qualquer interesse pelo livro de Mises na Grã-Bretanha, e Money and Credit permaneceu sem tradução por duas fatídicas décadas.O aspecto peculiar da resenha de Keynes é que o livro de Mises era altamente construtivo e sistemático, além de extraordinariamente original. Como Keynes não percebeu isso? Esse mistério foi esclarecido uma década e meia depois, quando, em uma nota de rodapé de seu próprio Treatise on Money [Tratado sobre a Moeda, em tradução livre], Keynes admitiu de maneira travessa que “em alemão, só consigo compreender claramente aquilo que já sei — de modo que novas ideias tendem a me escapar por causa das dificuldades da língua” (Keynes 1930a: I, p. 199 n.2). Que descaramento absoluto. Isso era Keynes em sua forma mais pura: resenhar um livro em um idioma no qual era incapaz de compreender ideias novas e, em seguida, atacar esse livro por não conter nada de novo é o cúmulo da arrogância e da irresponsabilidade1.

Outro aspecto da arrogância espalhafatosa de Keynes era sua convicção de que grande parte do que fazia era original e revolucionário. Sua carta a G.B. Shaw, em 1935, é bem conhecida:

“Acredito estar escrevendo um livro sobre teoria econômica que revolucionará em grande medida (…) a maneira como o mundo pensa os problemas econômicos. (…) Quanto a mim, não apenas espero que aquilo que digo esteja correto; em minha própria mente, tenho absoluta certeza disso” (Hession 1984, p. 279).

Mas essa crença em sua própria fanfarronice não se limitava a Teoria Geral.

Bernard Corry aponta que “desde praticamente o início de seu trabalho em economia ele afirmava estar revolucionando a disciplina”. Keynes estava tão impregnado de fé em sua própria criatividade que chegou até mesmo a proclamar grande originalidade em um artigo sobre ciclos econômicos baseado no livro Study of Industrial Fluctuations [Estudo das Flutuações Industriais, em tradução livre], de D.H. Robertson, logo após a publicação dele em 1913. Corry relaciona essa atitude à ênfase insistente do clube social Bloomsbury Group na “originalidade” (pela qual, naturalmente, eles queriam dizer principalmente a própria originalidade). A originalidade, observa ele, era “uma das obsessões do Grupo de Bloomsbury” (Crabtree and Thirlwall 1980, pp. 96–97; Corry 1986, pp. 214–15, 1978, pp. 3–34).

Keynes foi enormemente auxiliado em suas alegações de originalidade pela tradição econômica que Alfred Marshall conseguira estabelecer em Cambridge. Como aluno de Marshall e jovem professor em Cambridge sob sua proteção, Keynes absorveu facilmente a tradição marshalliana.Não que o próprio Marshall reivindicasse uma originalidade extraordinária, embora de fato alegasse ter inventado independentemente a utilidade marginal e fosse reservado e ciumento em relação a estudantes que pudessem roubar suas ideias. Marshall desenvolveu a estratégia de manter um mundo marshalliano hermeticamente fechado em Cambridge (e, consequentemente, na economia britânica em geral). Ele criou o mito de que, em seu magnum opus de 1890, Principles of Economics [Princípios de Economia, em tradução livre], havia construído uma síntese superior, incorporando os aspectos válidos de todas as teorias anteriormente concorrentes e conflitantes (dedutivismo e indutivismo, teoria e história, utilidade marginal e custo real, curto prazo e longo prazo, Ricardo e Jevons)2.

Como conseguiu difundir esse mito com sucesso, acabou gerando a visão universal de que “tudo está em Marshall”, de que, afinal, não havia necessidade de ler mais ninguém. Pois, se Marshall havia harmonizado todas as visões econômicas unilaterais e limitadas, já não existia razão alguma, exceto antiquarismo, para se dar ao trabalho de lê-las. Como resultado, o economista típico de Cambridge lia apenas Marshall, desenvolvendo e elaborando frases ou passagens enigmáticas do Grande Livro. O próprio Marshall passou o resto da vida retrabalhando e expandindo O Texto, publicando nada menos que oito edições dos Principles até 1920.

Quanto ao restante, havia a lendária “tradição oral” de Cambridge, na qual os alunos e discípulos de Marshall tinham prazer em ouvir e transmitir as palavras do “Grande Homem”, bem como em ler seus escritos seminais menores em manuscritos ou em audiências de comissões, já que Marshall manteve a maior parte de seus textos mais curtos fora de publicação até perto do fim de sua vida. Assim, os marshallianos de Cambridge podiam atribuir a si mesmos a aura de uma casta sacerdotal, os únicos iniciados nos mistérios dos escritos sagrados negados aos homens comuns.

O mundo hermeticamente fechado da Cambridge marshalliana logo passou a dominar a Grã-Bretanha; havia poucos desafiantes naquele país. Essa dominância foi acelerada pelo papel singular de Cambridge e Oxford na vida social e intelectual britânica, especialmente nos anos anteriores à expansão educacional que se seguiu à Segunda Guerra Mundial. Desde os tempos de Adam Smith, David Ricardo e J.S. Mill, a Grã-Bretanha conseguira dominar a teoria econômica em todo o mundo, de modo que Marshall e sua seita conseguiram assumir a hegemonia não apenas da economia de Cambridge, mas da economia mundial (ver Crabtree 1980, pp. 101–05)3.



Mises Brasil

segunda-feira, 1 de junho de 2026

Deputado Sanderson aciona TCU para investigar gastos de 'autoridades' no 'Gilmarpalooza'

Parlamentar pede levantamento de despesas com viagens, hospedagens e diárias custeadas pelo poder públicoo 


Reprodução

O deputado federal Ubiratan Sanderson (PL-RS) protocolou uma representação no Tribunal de Contas da União (TCU) para apurar os gastos públicos relacionados à participação de autoridades brasileiras no Fórum de Lisboa 2026, mais conhecido como “Gilmarpalooza”, realizado em Portugal. 

O evento, promovido pelo ministro do Supremo Tribunal Federal Gilmar Mendes, reúne integrantes dos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, além de empresários, advogados e representantes de diferentes segmentos econômicos. 

Na petição encaminhada ao TCU, Sanderson solicita a verificação da regularidade das despesas custeadas por órgãos públicos, incluindo passagens aéreas, hospedagens, diárias e outros gastos vinculados às viagens internacionais dos participantes.

De acordo com informações divulgadas pela imprensa, ao menos 135 autoridades e servidores públicos receberam autorização para comparecer ao encontro. Somente os custos autorizados por parte dos órgãos envolvidos já somariam centenas de milhares de reais, sem considerar passagens e demais despesas associadas.


Ofício 275/2026

Assunto: Representação por possível desvio de finalidade e violação dos princípios da Administração Pública no custeio de viagens internacionais de agentes públicos destinadas à participação no denominado Fórum de Lisboa 2026. Senhor Ministro, Cumprimentando-o cordialmente, sirvo-me do presente para encaminhar a Vossa Excelência representação sejam apurados fatos relacionados ao custeio de viagens internacionais de agentes públicos destinadas à participação no denominado Fórum de Lisboa 2026, bem como para que sejam avaliadas medidas normativas e de controle voltadas à ampliação da transparência, da moralidade administrativa e da prevenção de conflitos de interesses em eventos semelhantes realizados no exterior, pelos fatos e fundamentos a seguir expostos. 

A presente representação decorre de informações amplamente divulgadas pela imprensa nacional 1 indicando que ao menos 135 autoridades e servidores públicos vinculados aos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário receberam autorização para participar do Fórum de Lisboa, evento realizado em Portugal e tradicionalmente associado ao Ministro do Supremo Tribunal Federal Gilmar Ferreira Mendes. As reportagens apontam que parcela significativa dos custos relacionados às viagens, hospedagens e diárias está sendo suportada por recursos 1 Acesso em 31 de maio de 2026. Acesso em 31 de maio de 2026. Brasília – DF | Câmara dos Deputados, Anexo I

Segundo os dados divulgados, apenas o Tribunal de Justiça do Estado do Piauí e o Tribunal de Contas da União teriam autorizado despesas que, somadas, alcançariam aproximadamente R$ 692.000,00 em diárias, sem considerar passagens aéreas e demais custos correlatos. 

Há ainda registros de autorizações concedidas por diversos outros órgãos públicos, sem que exista, até o momento, divulgação consolidada dos gastos totais, dos critérios utilizados para seleção dos participantes, dos objetivos institucionais específicos de cada deslocamento ou dos resultados concretos obtidos em favor da administração pública. 

Embora não se questione, em tese, a legitimidade da participação de agentes públicos em congressos, seminários e fóruns acadêmicos nacionais ou internacionais, é indispensável observar que toda despesa pública deve atender aos princípios constitucionais da legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência, previstos no artigo 37 da Constituição Federal. 

O dispêndio de recursos públicos para custear deslocamentos internacionais somente se justifica quando demonstrada, de forma objetiva e documental, a existência de interesse público direto, específico e mensurável, capaz de justificar a utilização de verbas oriundas dos contribuintes. 

No caso em análise, chama atenção a expressiva quantidade de autoridades públicas participantes, oriundas de instituições que exercem funções de julgamento, fiscalização, regulação, controle, persecução, advocacia pública e elaboração legislativa. 

A reunião simultânea de membros dos três Poderes da República em ambiente que também congrega empresários, advogados, representantes de setores regulados e agentes econômicos com interesses submetidos à atuação estatal exige especial atenção dos órgãos de controle, não necessariamente em razão da ocorrência de irregularidades concretas já comprovadas, mas em razão da necessidade de preservação da confiança pública, da imparcialidade institucional e da integridade das funções exercidas pelos participantes.

A Constituição Federal impõe à Administração Pública não apenas o dever de agir dentro dos limites formais da legalidade, mas também a obrigação de observar padrões elevados de moralidade administrativa. A jurisprudência consolidada dos tribunais superiores reconhece que o princípio da moralidade possui conteúdo jurídico próprio e exige comportamento compatível com os valores éticos que devem nortear o exercício da função pública. 

Nesse contexto, a utilização de recursos públicos para participação em eventos cuja programação combine atividades acadêmicas, institucionais, sociais e de relacionamento demanda mecanismos rigorosos de controle e transparência. A ausência de divulgação prévia e padronizada dos custos totais envolvidos, dos critérios de escolha dos participantes, das agendas oficiais cumpridas, dos encontros institucionais realizados e dos resultados efetivamente alcançados dificulta o controle social e compromete a plena observância do princípio da publicidade. 

Em uma República fundada na prestação de contas e na transparência administrativa, não basta que a despesa seja formalmente autorizada; é necessário que a sociedade possa compreender, fiscalizar e avaliar sua efetiva utilidade pública. 

Também merece especial atenção a circunstância de que eventos dessa natureza frequentemente reúnem autoridades responsáveis pela tomada de decisões relevantes para setores econômicos específicos, incluindo instituições financeiras, empresas reguladas, grupos empresariais e organizações com interesses perante o Poder Público. 

Ainda que não exista qualquer prova de conduta ilícita, o simples risco de surgimento de situações potencialmente caracterizadoras de conflito de interesses, influência indevida, captação de prestígio institucional ou comprometimento da aparência de imparcialidade recomenda atuação preventiva dos órgãos de controle. 

Nesse sentido, ganham relevância informações públicas que associam edições anteriores do evento à presença de representantes do Banco Master e de seu controlador, o empresário Daniel Vorcaro. É de conhecimento público que a referida instituição financeira tem figurado em debates relevantes envolvendo o sistema financeiro nacional, operações empresariais e temas sujeitos à atuação de órgãos reguladores, fiscalizadores e jurisdicionais. 

Embora a mera participação de empresários em eventos acadêmicos não configure qualquer irregularidade, a coexistência de agentes privados com interesses potencialmente submetidos à apreciação estatal e de autoridades públicas investidas de funções decisórias exige elevados padrões de transparência, governança e prestação de contas. 

Por essa razão, mostra-se legítimo e necessário que o Tribunal de Contas da União avalie se os órgãos participantes adotaram mecanismos adequados para prevenção de conflitos de interesses, controle de agendas institucionais, registro de reuniões, prestação de contas das atividades realizadas e demonstração dos benefícios concretos decorrentes da participação de seus agentes no evento. 

Mais do que a apuração dos fatos específicos relacionados ao Fórum de Lisboa 2026, a presente representação busca provocar reflexão institucional acerca da necessidade de aperfeiçoamento dos mecanismos de governança aplicáveis à participação de agentes públicos em eventos realizados no exterior. 

Atualmente, observa-se significativa heterogeneidade nos critérios adotados pelos diversos órgãos da Administração Pública para autorizar viagens internacionais, custear despesas e divulgar informações relacionadas às missões oficiais. Tal cenário recomenda a atuação do Tribunal de Contas da União, no âmbito de suas competências constitucionais, para avaliar a conveniência de expedir orientações, recomendações ou determinações voltadas à uniformização de procedimentos mínimos de transparência e controle. 

Entre tais medidas, poderiam ser consideradas a obrigatoriedade de divulgação prévia dos participantes e dos custos estimados; a publicação integral das agendas institucionais; a identificação das fontes de financiamento; a apresentação obrigatória de relatórios circunstanciados de resultados; a divulgação de reuniões realizadas com agentes privados; e a demonstração objetiva dos benefícios institucionais obtidos com cada participação.

A adoção dessas medidas não possui caráter restritivo nem busca impedir a participação de agentes públicos em eventos acadêmicos ou institucionais relevantes. Ao contrário, objetiva fortalecer a legitimidade dessas participações, assegurar a correta aplicação dos recursos públicos e preservar a credibilidade das instituições perante a sociedade. A crescente preocupação social com os gastos públicos, especialmente em deslocamentos internacionais de autoridades, torna imprescindível que os órgãos de controle promovam mecanismos que ampliem a transparência e permitam avaliação objetiva da relação custo-benefício dessas atividades. A transparência não deve ser vista como obstáculo à atuação institucional, mas como instrumento de fortalecimento da confiança pública e de proteção dos próprios agentes públicos contra questionamentos futuros. 

Diante do exposto, requer-se o recebimento da presente representação para que o Tribunal de Contas da União promova fiscalização, em virtude de possível desvio de finalidade, bem como de possíveis violações aos princípios da legalidade, legitimidade, economicidade, eficiência e finalidade das despesas públicas relacionadas à participação de agentes públicos brasileiros no Fórum de Lisboa 2026. 

Sendo recebida, requer-se, também, que esta Corte identifique os órgãos que custearam passagens, hospedagens, diárias e demais despesas; verifique a existência de justificativas formais, relatórios de missão e resultados institucionais; avalie eventuais riscos relacionados a conflitos de interesses e à observância dos princípios da moralidade e da impessoalidade administrativa; e examine a conveniência de estabelecer diretrizes gerais de transparência, governança e prestação de contas aplicáveis à participação de membros e servidores da Administração Pública em eventos realizados no exterior, especialmente aqueles que reúnam simultaneamente autoridades públicas, agentes políticos, representantes de órgãos de controle, empresários e demais particulares com interesses potencialmente submetidos à atuação estatal. 

Por fim, requer-se que, constatadas falhas, lacunas normativas ou insuficiência dos mecanismos atualmente existentes, sejam adotadas as providências cabíveis para aprimorar o controle e a transparência dessas despesas, em prestígio aos princípios republicanos, à moralidade administrativa, à publicidade dos atos estatais e ao dever constitucional de proteção do patrimônio público. 

Deputado Ubiratan Sanderson


No documento, o deputado argumenta que a aplicação de recursos públicos deve observar os princípios constitucionais da legalidade, moralidade, publicidade, impessoalidade e eficiência. Segundo ele, deslocamentos internacionais financiados pelo Estado exigem comprovação objetiva de interesse público, transparência na divulgação dos custos e prestação de contas sobre os resultados alcançados. 


Deputado Sanderson - Reprodução



Reprodução


Isabela Jordão - Revista Oeste

Colômbia: direita vence, mas eleição irá para 2º turno

 

Direitista teve quase 44% dos votos contra 41% da extrema-esquerda


Abelardo de la Espriella, candidato de direita, teve de fazer a campanha usando colete à prova de balas: o mais votado no 1º turno


Com 97,6% das urnas apuradas, o candidato de direita Abelardo de la Espriella lidera a eleição para presidente da Colômbia, registrando 43,8% dos votos contra 40,9% do candidato de extrema-esquerda Iván Cepeda, que registrava 40,9%, apoiado pelo atual ocupante do cargo, Gustavo Preto, de notórias ligações com os narcoterroristas das Farc. Com isso, a disputa deverá ser definida mesmo em segundo turno. Pesquisas eleitorais apontam o favoritismo de Espriella sobre Cepeda no segundo turno.

O extremista Petro está na presidência desde 2022 e não pode concorrer à reeleição porque isso é vedado pela Constituição.

A eleição ocorre em um cenário marcado pela polarização e pelo aumento da violência política na Colômbia. Durante a pré-campanha de 2025, senador Miguel Uribe, uma das principais opções de direita, foi assassinado a tiros por estímulo ou mando do regime de extrema-esquerda.

A campanha eleitoral foi marcada pelo agravamento da insegurança pública, com a intensificação de conflitos armados em diversas regiões colombianas, enquanto casos de violência envolvendo agentes políticos aumentaram a preocupação da população.

Além dos desafios internos, a Colômbia enfrenta uma escalada de tensões com o vizinho Equador, que tem conduzido operações militares para combater organizações criminosas na região de fronteira entre os dois países.

Diário do Poder

domingo, 31 de maio de 2026

Moraes, Viviane e Motta participam de jantar em clima de ‘préGilmarpalooza’ - Bacanal às custas dos pagadores de impostos

 




Na noite deste domingo, 31, Lisboa se transformou, por algumas horas, em uma extensão de Brasília. Longe dos plenários, das sessões transmitidas ao vivo e das reuniões oficiais, integrantes da cúpula do Judiciário e do Legislativo se encontraram em um jantar no Restaurante Sacramento do Chiado, na capital portuguesa. 

O encontro funcionou como uma espécie de “pré-Gilmarpalooza”, apelido dado ao Fórum Jurídico de Lisboa organizado pelo Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa, do decano Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Não é raro eventos semelhantes ocorrerem paralelamente às discussões acadêmicas. 

Outras autoridades no pré-Gilmarpalooza Moraes estava acompanhado da mulher, Viviane Barci, sempre muito atenta a todos os convidados que entravam e saíam do local. Também participaram do encontro o ex-ministro do STF Ricardo Feito.


Outras autoridades no pré-Gilmarpalooza 

Moraes estava acompanhado da mulher, Viviane Barci, sempre muito atenta a todos os convidados que entravam e saíam do local. Também participaram do encontro o ex-ministro do STF Ricardo Lewandowski, o ministro Benedito Gonçalves, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), e o vice-presidente do STJ, Luis Felipe Salomão. 

Moraes e Viviane estão há cinco meses sem comentar o contrato de R$ 129 milhões entre o antigo Banco Master, do empresário Daniel Vorcaro, e o escritório de advocacia da mulher do ministro do STF.

sábado, 30 de maio de 2026

PCC e CV, aliados do desgoverno do ex-presidiário Lula, atuam em 12 Estados dos EUA, revela porta-voz do governo Trump

 Amanda Roberson ressalta que facções 'manejam fluxos e redes financeiras ilícitas'




O governo dos Estados Unidos afirmou nesta sexta-feira, 29, que o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) atuam em 12 Estados norte-americanos. A informação foi dada pela porta-voz do Departamento de Estado, Amanda Roberson, em entrevistas à imprensa brasileira.

“Sabemos que estes dois grupos estão atuando não somente dentro do Brasil, mas em outros países também”, afirmou Amanda ao Jornal Nacional, da TV Globo. “Incluindo, vimos suas atividades em 12 Estados aqui nos EUA.” Ela acrescentou que as ações atribuídas aos grupos envolvem lavagem de dinheiro, transporte de itens de contrabando, tráfico de drogas e tráfico de pessoas.

À Folha de S.Paulo, a representante do governo Donald Trump disse que as facções “manejam fluxos e redes financeiras ilícitas” e representam uma ameaça “não só para a segurança dentro do Brasil, mas também em outros países”.

Segundo Amanda, a decisão foi baseada em avaliações de segurança nacional e integra a estratégia do governo norte-americano de utilizar “todas as ferramentas disponíveis” para proteger PCC e CV atuam em 12 Estados dos EUA, revela governo Trump https://revistaoeste.com/mundo/pcc-e-cv-atuam-em-12-estados-dos-eua-revela-porta-voz-do-governo-trump/ 2/11 território. 

A medida entrou em vigor de forma imediata nesta quinta-feira, 28.


Donald Trump durante uma reunião no gabinete da Casa Branca, em Washington, DC – 27/5/2026 - Foto: Evan Vucci/Reuters

Amanda reforçou que a medida não prevê qualquer tipo de intervenção militar norte-americana no Brasil. Entre as consequências estão restrições de vistos para integrantes das facções, bloqueio de bens nos EUA, proibição de transações financeiras e criminalização de apoio material aos grupos. 

A porta-voz também afirmou que a cooperação com autoridades brasileiras continuará. “Já temos mais de 200 anos de coordenação em muitos aspectos diferentes, incluindo a segurança, essa coordenação também vai continuar”, declarou.

Amanda disse ainda que Washington tem incentivado medidas mais rígidas contra as facções no Brasil. 

“Sempre estamos em comunicação com as autoridades brasileiras e incentivamos que Flávio rebata Lula por fala sobre PCC e CV: ‘Nossos, não; seus criminosos’ Lula cobra entrega de Ramagem dos EUA Empresas supostam ligadas ao PCC rece repasses em Goiás tomem medidas mais rigorosas contra esses grupos, que estão causando muita violência e muito dano em todo o Brasil”, afirmou. 

Segundo a porta-voz, desde o começo do segundo mandato de Donald Trump, os EUA já classificaram 17 facções e cartéis da América Latina como organizações terroristas. Ela também negou relação entre a medida contra PCC e CV e as eleições presidenciais de 2026. 

“É a decisão do povo brasileiro decidir quem vai ser o seu próximo presidente, nossa prioridade é a segurança dos EUA”. 

Mateus Conte - Reviste Oeste

Brasileiro trabalhamos de janeiro até hoje, 30 de maio, só para pagar impostos ao governo corrupto do ex-presidiário Lula

 

São 150 dias de trabalho para sustentar o obeso estado (Foto: Divulgação/PMI).


ermina neste sábado (30) os 150 dias de trabalho que o esfolado brasileiro tem que trabalhar exclusivamente para pagar tributos. Os números são do Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação (IBPT). A última vez que o percentual de dias trabalhados no ano ficou abaixo de 40% foi em 2006. Desde que Lula assumiu e Fernando Haddad, que até ficou conhecido como “Taxxad”, controlava a Fazenda, a quantidade de dias trabalhados para bancar o obeso estado brasileiro só aumentou.

Só subindo

Em 2023, o brasileiro passava 40,27% do ano ralando para bancar impostos. Passou para 40,71% (2024), 40,82%, aos atuais 41,10%.

Tudo em vão

O presidente do IBPT, João Eloi Olenike, diz que a carga é alta, mas a população não percebe um retorno proporcional em serviços públicos.

Labuta dobrada

Em 1986, início da série histórica, eram 82 dias trabalhados, número que chegou a cair para 74 (1987) e até 73 (1988). Hoje, são 150 dias.

Herança de Haddad

O instituto destaca alguns dos vilões que turbinaram a arrecadação, como aumento de tributação sobre fintechs e a taxa das blusinhas.


Diário do Poder