Gonet sabe — ou deveria saber — o que o investigado é Vorcaro e que ainda não há inquérito contra Alexandre de Moraes
Alexandre de Moraes e Paulo Gonet - Foto: Gustavo Moreno/STF).
A iniciativa do procurador-geral da República, Paulo Gonet, de pedir a nulidade do relatório da Polícia Federal sobre o celular de Daniel Vorcaro é, no mínimo, um vexame. O chefe da PGR alega que as provas seriam nulas porque o ministro André Mendonça teria determinado a identificação de destinatários das mensagens do ex-banqueiro “sem pedido do Ministério Público ou da Polícia Federal” e porque, segundo ele, um colega do STF só poderia ser investigado com autorização do Plenário.
O problema é que Gonet sabe — ou deveria saber — o que o relatório realmente é. O investigado é Vorcaro. O material não é um inquérito aberto contra Alexandre de Moraes. É a extração do aparelho do ex-controlador do Banco Master e o mapeamento das conversas, menções e interlocutores que aparecem ali. O próprio documento da PF descreve o cumprimento de ordem para identificar pessoas citadas nas comunicações do banqueiro. Não há, nesse relatório, formalização de investigação contra Moraes. Há o conteúdo do celular de Vorcaro.
A tese de Gonet inverte o objeto. Transforma a leitura de mensagens de um investigado sem foro em “escrutínio de um colega da Corte”. Com isso, pede não só a nulidade da ordem de Mendonça, mas a extinção do que o relatório revelou — inclusive trechos que citam o próprio PGR. Nas conversas apreendidas, o advogado Ciro Soares aparece como interlocutor entre Vorcaro e Gonet; há foto de Ciro com o procurador-geral, a frase “ele quer falar com você”, ligações em seguida, mensagens atribuídas a Gonet (“Já estou com saudades de você”) e autorização de Vorcaro para custear a viagem do filho do PGR, Pedro Gonet, a Londres. A PF não atribui crime a Gonet nesse relatório. Só registra o que estava no celular.
O constrangimento institucional está aí. O chefe do Ministério Público, citado nas mesmas extrações, recorre a uma doutrina de foro e de competência para tentar invalidar o conjunto das mensagens. Argumenta que Mendonça não poderia “aprofundar pesquisas sobre o colega” e que, havendo qualquer impressão de irregularidade, deveria ter ido ao presidente do STF para o Plenário deliberar. Mas o relatório não investiga Moraes como alvo originário: investiga Vorcaro e descreve com quem ele falava. Tratar isso como investigação clandestina de ministro é um desvio de enquadramento.
Se o padrão de Gonet prevalecer, qualquer menção a autoridade com foro no celular de um investigado comum vira prova nula — não porque a prova seja ilícita, mas porque o nome poderoso apareceu. No caso concreto, o PGR pede o arquivamento de um relatório que o inclui e que detalha a proximidade de Vorcaro com Moraes. Chamar isso de “tutela da legalidade” é eufemismo. É tentativa de apagar o conteúdo sob o pretexto de que Moraes teria sido investigado sem autorização do STF, quando o que existe é o telefone de Vorcaro.
Sede do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) - Foto: redes sociais.
A um mês da eleição, o ministro Dias Toffoli usou atraso na listagem de perfis para decretar a morte da candidatura de Renan Santos (Missão). O jovem que liderou quatro manifestações contra Toffoli e Alexandre de Moraes no STF, em razão do escândalo Vorcaro/Banco Master, não foi vítima de cassação formal, mas de algo mais eficiente: a morte política. Sem postar, sem produzir conteúdo, sem debates, sem sabatinas e sem verba, o candidato deixa de existir. A campanha de Lula (PT) exultou.
Silêncio como punição
Com o “fuzilamento” do candidato, na prática, a Justiça Eleitoral deixou de regular propaganda e passou a decidir quem pode ser ouvido.
TSE decide quem fala
Eleição livre não se mede só pela urna confiável. O eleitor pode não escolher mais quem acha melhor e sim entre os que o TSE deixa falar.
Uma corte que se acha
Após desequilibrar a disputa em 2022, o TSE acumulou superpoderes, legisla e julga. Agora neutraliza candidato enquanto o calendário corre.
Presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) | Foto: Divulgação / Ricardo Stuckert
A FSB, holding que tem diversas empresas de comunicação sob seu guarda-chuva, como a empresas de pesquisa Nexus, mantém vultosos contratos com o governo petista e recebeu, desde 2023 e até agora mais de R$296,5 milhões. A Nexus divulgou ontem mais uma pesquisa eleitoral (BR-08900/2026) com Lula (PT) liderando em todos os cenários. Os pagamentos milionários têm origem em ministérios e na Secom, espécie de “ministério da propaganda”, de onde recebeu R$85,8 milhões.
Mina de ouro
Outra mina de ouro da FSB é o Ministério da Saúde, que pagou à empresa mais de R$38 milhões, conforme o Portal da Transparência.
Caixa forte
O Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social (MDC) também tem contrato com a FSB: no total, R$31,7 milhões.
Quase uma mãe
Além de pagamentos recebidos diretamente da Presidência da República e ministérios, o grupo tem contratos com outros órgãos federais.
Espaço aberto
A coluna tentou obter esclarecimentos da FSB, mas nada foi dito até fecharmos a edição. O espaço segue aberto.
Assessora parlamentar registrou 52 entradas na sede do governo para apresentar
pedidos municipais
Lurian Cordeiro Lula da Silva, filha mais velha do petista - Foto: Reprodução/Instagram
A assessora parlamentar Lurian Cordeiro Lula da Silva lidera o número
de visitas à sede do governo federal entre os familiares do presidente.
Registros da portaria obtidos via Lei de Acesso à Informação mostram
que a filha de Luiz Inácio Lula da Silva esteve 52 vezes no local entre
fevereiro de 2023 e março de 2025. O volume supera os 18 acessos
marcados por Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha. A apuração é do
portal Metrópoles.
Lurian atua no gabinete do senador Rogério Carvalho (PT-SE) desde
2019. A proximidade física do Senado com a sede do Executivo facilitou
os deslocamentos constantes da assessora.
Trânsito livre em gabinetes
A filha do presidente levava demandas de prefeituras de Sergipe a
integrantes da administração federal. O marido de Lurian, Danilo Dias
Sampaio Segundo, busca espaço na política sergipana. Servidores
relatam que a assessora entrava sem agendamento prévio no gabinete
da Secretaria de Relações Institucionais durante a gestão do ministro
Alexandre Padilha.
Os relatórios da portaria apontam pouca presença dos demais
herdeiros do presidente no prédio principal do governo. O filho caçula,
Luís Cláudio, anotou apenas cinco entradas no mesmo intervalo. O neto
Thiago Trindade registrou 18 acessos no período analisado.
Reportagem questiona: se o relatório da PF era grave o bastante para negar a licença, por que deixou de ser?
Deolane Bezerra, que foi presa por envolvimento em crimes, faz o "L" ao lado de Lula (PT). Foto: Reprodução
Em dezembro de 2024, a Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA) do Ministério da Fazenda usou relatórios da Polícia Federal para negar licença a casas de apostas. Meses — e, em um caso, apenas 22 dias — depois, todas as empresas barradas com base nesse filtro estavam autorizadas a operar. Os relatórios que sustentaram os vetos seguem tarjados. As defesas das empresas e os argumentos usados para liberá-las, não. A revelação é o centro da terceira reportagem da série Bet Files, publicada nesta segunda-feira (31) pelo jornalista investigativo David Ágape no site A Investigação, a partir dos processos que a Fazenda divulgou depois de ter tentado impor sigilo de até 100 anos e recuado sob pressão jornalística.
Denúncia foi publicada no site “A Investigação”.
O recorte é objetivo: o governo escreveu que o alerta policial bastava para proteger o mercado. Depois abandonou a regra. Nos recursos, voltou a exigir condenação ou “elementos concretos”. O secretário Regis Dudena chegou a registrar que um dos indeferimentos “foi acertado” — e autorizou mesmo assim.
O que a SPA disse quando barrou — e o que fez depois
Segundo a apuração, Vaidebet, Sportvip, Esportes da Sorte e 1xBet tiveram a idoneidade reprovada após consultas da própria Fazenda à PF. Uma quinta empresa, a Hiper Bet, teve o processo travado pelo mesmo tipo de alerta e também foi liberada. Nenhuma ficou fora do mercado regulado.
No processo da BPX Bets Sports Group, dona da Vaidebet, a Coordenação-Geral de Monitoramento de Lavagem de Dinheiro afirmou que a análise de idoneidade “não se limita a um mero cumprimento de requisitos formais”. O dever de cautela, escreveu a secretaria, “se impõe ao gestor público em casos de indícios de supostas práticas delituosas”. A licença, segundo a doutrina então adotada, não era pena criminal e podia ser negada antes de condenação.
O pedido da BPX foi indeferido em 23 de dezembro de 2024. A empresa recorreu e perdeu nas duas primeiras instâncias. Havia ainda a conclusão de que a declaração de reputação ilibada continha informação inverídica, porque o sócio José André da Rocha Neto não informara que respondia a inquérito. A reversão veio na última instância. Dudena reconheceu que “foi acertada a decisão de indeferimento original, que se baseou inclusive em apurações da Polícia Federal”. Em seguida, derrubou a decisão que considerava correta. Adotou a hipótese de que o sócio poderia desconhecer o inquérito sob sigilo. Os autos públicos, segundo a reportagem, não registram diligência para verificar se ele sabia ou não.
Na Sportvip, o intervalo foi de 38 dias. Em 13 de dezembro de 2024, um parecer concluiu que a empresa não cumpria os requisitos de idoneidade com base em relatório da PF. Em 20 de janeiro de 2025, a SPA afirmou que, “com as informações atualmente disponíveis”, não era possível comprovar as supostas práticas e reverteu o veto. Entre os dois documentos públicos não há registro de nova consulta à polícia. O recurso da empresa é o único fato novo indicado.
Na Hiper Bet, um relatório da PF recebido em 26 de novembro de 2024 travou o processo. Em 20 de janeiro de 2025, a mesma área técnica reformou a decisão porque a empresa apresentou certidões negativas atualizadas e contratos de mútuo. A nova nota exigiu “elementos concretos ou condenações judiciais” — o critério que a secretaria havia dito ser desnecessário para barrar.
Esportes da Sorte: veto em 31 de dezembro, licença 22 dias depois
O caso mais visível é o da Esportes Gaming Brasil, operadora da Esportes da Sorte. O pedido foi indeferido em 31 de dezembro de 2024, após consultas à Diretoria de Combate ao Crime Organizado da PF e à Interpol. A empresa patrocinava Corinthians, Bahia, Ceará e Grêmio. Com o estadual já em andamento, a Fazenda publicou a licença por ordem judicial.
A empresa impetrou mandado de segurança na 4ª Vara Federal Cível do Distrito Federal. A liminar determinou que a Fazenda afastasse a inidoneidade, recebesse os R$ 30 milhões da outorga, publicasse a autorização em até 72 horas e não impedisse a atividade enquanto não houvesse condenação no procedimento investigatório. A Portaria SPA/MF nº 136, de 22 de janeiro de 2025, liberou Esportes da Sorte e Onabet. Depois entrou também a Lottubet.
A ordem judicial adotou exatamente a exigência de condenação que a SPA havia rejeitado nos outros processos. A secretaria declarou “prejudicado” o rito administrativo, inclusive a anuência do Ministério do Esporte, e manteve suspensa a análise de idoneidade. Um parecer de junho de 2025 ainda descrevia a empresa como operadora “autorizada por decisão liminar”. O filtro policial iniciado pelo governo não chegou ao fim nos documentos divulgados.
Deolane, a casa e as investigações posteriores
Deolane sempre exibiu sinais de riqueza.
A reportagem registra que Deolane Bezerra promoveu a mesma casa. Em 2024, a influenciadora foi presa na Operação Integration, da Polícia Civil de Pernambuco, que apurava lavagem e jogos ilegais em torno da bet e de uma banca de jogo do bicho ligada à família do então CEO. Deolane disse que recebia por publicidade e que havia comprado uma Lamborghini do dirigente. Negou lavagem. A empresa também negou as acusações.
Em fevereiro de 2026, a Justiça Federal em Pernambuco anulou medidas da esfera estadual relativas a possíveis crimes federais e autorizou PF e MPF a seguirem apuração própria. Em maio de 2026, Deolane voltou a ser presa, agora na Operação Vérnix, em São Paulo, em investigação separada que a aponta em esquema de lavagem ligado ao PCC. A defesa nega organização criminosa e lavagem. A Justiça manteve a prisão.
Deolane se declara lulista e esteve com Lula e Janja na campanha de 2022 e na posse de 2023.
Esses episódios não comprovam, por si, que a licença federal da Esportes da Sorte tenha sido concedida de forma ilícita. Mostram, no recorte da série, o contraste entre o alerta policial usado para vetar a empresa e a rapidez com que ela passou a operar com aval judicial, patrocínio de clubes grandes e exposição pública.1xBet e o que ficou de fora do papelA Defy, operadora da 1xBet, foi indeferida em 27 de dezembro de 2024 com base em informações da PF. Ao aceitar o recurso, a SPA condicionou a continuidade à comprovação de que sócios da Navasard Limited não tinham relação com fundadores russos citados nos autos. Os pareceres seguintes afirmam que as exigências foram atendidas, mas a prova específica não consta da versão pública. A empresa foi autorizada. A reportagem reserva o detalhamento para a próxima parte da série.
A 1xBet já era conhecida por histórico internacional conturbado e por ter operado no Brasil enquanto aguardava a outorga federal — ponto também documentado pela imprensa convencional.
O que o público não pode ler
Nos processos da Vaidebet, da Sportvip, da Esportes da Sorte e da Defy, as informações da PF aparecem como páginas cobertas ou meras referências a números de documentos. A Fazenda alega proteção de dados pessoais pela LGPD. A Investigação argumenta que a Lei de Acesso à Informação permite ocultar dados protegidos e liberar o restante. Nas versões publicadas, a tarja impede conhecer a substância dos fatos que o próprio governo usou para negar as licenças.
A série não conclui que as empresas cometeram os atos investigados pela polícia. Conclui que há uma contradição documental: a SPA formulou uma doutrina de cautela segundo a qual indícios bastavam; depois autorizou todas as empresas que havia barrado com base nela e publicou só a metade do processo que explica a mudança.
O contexto é o mercado que o próprio governo Lula regulamentou. A lei das apostas de quota fixa foi sancionada no fim de 2023. A outorga de R$ 30 milhões por operadora virou receita. O mercado regulado entrou em vigor na virada de 2025. Em paralelo, o presidente passou a criticar o setor e a falar em proibição na campanha — depois de ter vetado trechos e sancionado o marco que criou o negócio.
A segunda reportagem da série já havia mostrado que a Betnacional foi autorizada em 30 de dezembro de 2024 enquanto a Receita investigava o grupo desde 2023. Na sexta-feira anterior a esta publicação, Receita e MPF deflagraram a Operação Jogo de Sombras contra o mesmo grupo, com bloqueio de R$ 191 milhões. O Fisco disse que os indícios levados à SPA na habilitação foram insuficientes para barrar a licença. Os autos, segundo Ágape, registram aprovação da origem do capital sem investigação e sem quebra de sigilo.
O que os Bet Files cobram agora não é um veredito criminal contra cada marca. É uma explicação pública: se o relatório da PF era grave o bastante para negar a licença, por que deixou de ser? E por que o trecho que responderia a essa pergunta continua preto?
Polícia Federal vê articulação com filho de Lula e investiga tráfico de influência
O filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, e a lobista Roberta Luchsinger
A empresa de tecnologia 3Structure fechou R$ 81 milhões em contratos
e aditivos com o governo federal. A Polícia Federal (PF) investiga a
atuação da lobista Roberta Luchsinger na defesa dos interesses do dono
da empresa, Cleber Ribas. As informações são do jornal O Globo.
Os investigadores suspeitam de uma sociedade oculta entre Roberta e
Fábio Luis Lula da Silva, o Lulinha. Documentos da PF citam o filho do
presidente em diálogos como destinatário de repasses e benefícios do
empresário.
A investigação encontrou pagamentos de pelo menos R$ 2,5 milhões de
Ribas para Roberta entre março de 2024 e dezembro de 2025. Em
mensagens, ela afirma que usou parte dos valores para comprar
passagens aéreas para o filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Contratos envolvem tecnologia
A 3Structure assinou seis contratos federais para serviços como backup
e armazenamento de dados. O Ministério do Desenvolvimento Social
concentra R$ 53,1 milhões desse total, em dois acordos e aditivos.
A empresária Roberta Moreira Luchsinger foi alvo da Operação Sem Desconto em dezembro de 2025 - Foto:
Reprodução/X/@RoLuchsinger
Registros oficiais revelam 17 visitas de Roberta ao gabinete do ministro
Wellington Dias desde 2023. O ministério informou que os encontros
não resultaram em atos administrativos e citou a amizade entre os dois.
A empresa também fechou quatro contratos de R$ 5,8 milhões com o
governo do Maranhão em 2024. Áudios mostram Roberta e Lulinha em
articulação de uma agenda para o governador Carlos Brandão no
Palácio do Planalto. A PF identificou ainda um contrato de R$ 12,4 milhões da Duosystem com a Secretaria de Saúde do Maranhão. A
empresa também era representada pela lobista.
Apuração inclui Ministério da Saúde
Roberta participou de negociações com o Ministério da Saúde e a
Dataprev, mas os acordos não foram concluídos. Ela também enviou
uma minuta sobre a venda de medicamentos com canabidiol ao exchefe de gabinete da Presidência Marco Aurélio Santana Ribeiro.
O Supremo Tribunal Federal analisa três inquéritos da PF que
envolvem Lulinha e Roberta Luchsinger. As investigações apuram
suspeitas de tráfico de influência.
Ao jornal O Estado de S. Paulo, a 3Structure afirmou que venceu as
licitações dentro das normas legais e com transparência.
Brandão
negou a intermediação de terceiros em sua agenda. Já a Duosystem
também afirmou que venceu licitação regular. A defesa de Roberta
Luchsinger e a Telebras, porém, não se manifestaram.
Ministra vê grave descontextualização em peça que associa candidato do PL a
crimes
TSE suspende propaganda eleitoral de Lula que atacava Flávio
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) determinou neste domingo, 30, a
suspensão de uma propaganda da campanha do presidente Luiz Inácio
Lula da Silva (PT) contra Flávio Bolsonaro (PL). A ministra Estela
Aranha concedeu uma liminar e proibiu Lula e a coligação Brasil Pronto
Pra Mais de fazer nova divulgação da peça apontada como irregular.
A inserção, intitulada “Conheça o currículo de Flávio Bolsonaro”, afirma
que o candidato começou a carreira como “funcionário fantasma” e foi
“denunciado por lavagem de dinheiro e organização criminosa no
escândalo da rachadinha”.
A peça também menciona uma homenagem feita por Flávio ao policial
militar Adriano da Nóbrega e, em outro trecho, diz que o candidato foi
“flagrado pela Polícia Federal pedindo 134 milhões no escândalo do
Banco Master”.
Ao analisar o pedido, Estela afirmou haver, nesta fase do processo,
elementos suficientes para concluir que o conteúdo “extrapola os
limites da crítica política”. Segundo a ministra, a propaganda associa o
candidato a organizações criminosas “sem indicação de qualquer dado
concreto, investigação formal ou imputação jurídica que ampare as
alegações”.
Ministra Estela Aranha durante Sessão Plenária do Tribunal Superior Eleitoral – 20/08/2026 | Foto: Antonio Augusto/TSE
TSE aponta descontextualização contra Flávio
“A propaganda, portanto, passa ao eleitor a falsa informação no sentido
de que o candidato estaria presentemente denunciado por crimes
gravíssimos, situação que não corresponde com a realidade e que
caracteriza grave descontextualização”, escreveu Estela.
A ministra ressaltou, contudo, que a decisão não representa um
julgamento definitivo sobre “a veracidade histórica de cada episódio
mencionado pela propaganda”. Nesta etapa, o TSE analisa se existem
elementos suficientes para justificar a suspensão enquanto o processo
continua.