sábado, 29 de novembro de 2025

Entrevista com Guilherme Derrite, Secretário de Segurança Pública de SP - The Noite com Danilo Gentili

Viva a roubalheira!!! 'Justiça' manda soltar dono do Banco Master

 Daniel Vorcaro vai ter de cumprir medidas cautelares, como usar tornozeleira eletrônica


Justiça manda soltar Danie- Vorcaro, dono do Banco Master


A desembargadora Solange Salgado da Silva, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1), determinou, na noite desta sexta-feira, 28, a soltura do dono do Banco Master, Daniel Vorcaro. O executivo estava preso desde a noite de 17 de novembro, quando foi alvo da Compliance Zero, operação da Polícia Federal (PF) que apura a emissão de títulos falsos e outros crimes contra o sistema financeiro do país. +

Fora do sistema prisional, Vorcaro terá de cumprir medidas cautelares. Será obrigado, por exemplo, a usar tornozeleira eletrônica. Além disso, o banqueiro está proibido de deixar o Brasil, inclusive será obrigado a entregar o passaporte às autoridades competentes e não poderá manter contato com outros investigados no caso.

A decisão da Justiça Federal não benefquatro executivos da instituição financeira:icia apenas o presidente do Banco Master. Solange também determinou a soltura de outros quatro executivos da instituição financeira:


• Alberto Felix de Oliveira Neto, superintendente-executivo de tesouraria; 

• Ângelo Antônio Ribeiro da Silva, sócio; 

• Augusto Ferreira Lima, sócio e ex-CEO; e 

• Luiz Antônio Bull, diretor de riscos, compliance, recursos humanos, operações e tecnologia.


“Embora inegável a gravidade dos fatos e o vultoso montante financeiro envolvido, verifica-se que a substituição da prisão por um conjunto de medidas cautelares robustas (…) mostra-se suficiente para, atualmente, acautelar o meio social, prevenir eventual reiteração delitiva, garantir a ordem econômica, garantir o regular prosseguimento da persecução penal e coibir o risco de fuga”, avaliou a desembargadora do TRF-1, em trecho de sua decisão


Prisão do executivo 

A decisão da Justiça Federal ocorre depois de derrotas da defesa de Vorcaro. A soltura do executivo havia sido negada em solicitações anteriores. No dia 20, a mesma desembargadora Solange rejeitou o pedido de liberdade e falou em “risco concreto”. 

Na última segunda-feira, 24, o banqueiro sofrera outra derrota. Na ocasião, foi transferido da sede da PF na capital paulista para o Centro de Detenção Provisória 2, em Guarulhos, na Região Metropolitana de São Paulo. Com a situação, os advogados chegaram a afirmar que ele correria risco de vida.


A prisão do empresário ocorreu no Aeroporto Internacional de Guarulhos, quando tentava embarcar para os Emirados Árabes Unidos. De acordo com ele, a viagem ocorreria por motivo de negócios: tratativas para tentar vender a instituição ao Grupo Fictor. 

Com Daniel Vorcaro preso, Banco Central liquidou o Master


Sede do Banco Master, em São Paulo | Foto: Divulgação/Banco Master 


Diante da deflagração da Operação Compliance Zero e da prisão de Daniel Vorcaro, o Banco Central (BC) liquidou de forma extrajudicial o Master. A medida, na prática, representa o encerramento das atividades da instituição financeira, com todas as dívidas tidas como vencidas, com os credores tendo de recorrer para receberem os valores investidos. Além disso, um interventor assume a responsabilidade de vender bens e recuperar créditos. 

Com o Master tendo o total de R$ 85 bilhões em ativos, trata-se da maior intervenção da história do BC. Meses antes, o Banco Central havia barrado a venda do Master para o Banco de Brasília (BRB), instituição pública mantida pelo governo federal, por cerca de R$ 3,5 bilhões. 

A prisão de Vorcaro movimentou o cenário político. A deputada federal Carol De Toni (PL-SC) acionou o Tribunal de Contas da União para investigar o Master. Também nesse sentido, o deputado federal Ubiratan Sanderson (PL-RS) cobrou da Procuradoria-Geral da República a informação se o banco de Vorcaro teria envolvimento em esquema fraudulento com escritórios de advocacia. Além disso, o senador Eduardo Girão (Novo-CE) protocolou pedido para a instalação de Comissão Parlamentar de Inquérito contra o Master.

Anderson Scardoeli - Revista Oeste

'A realidade que o Ocidente fingiu não ver', por Ana Paula Henkel

A administração Joe Biden optou, em 2021, por flexibilizar os critérios de entrada de afegãos. A urgência humanitária serviu de justificativa política, mas a triagem foi falha e a fronteira converteuse em uma avenida aberta


Agentes da lei se reúnem em uma área isolada após dois membros da Guarda Nacional terem sido baleados perto da Casa Branca, em Washington, D.C., EUA, em 26 de novembro de 2025 - Foto: Nathan Howard/Reuters 


D urante um bom tempo, discutir sistemas de imigração foi tratado como falta de compaixão. Como se proteger fronteiras fosse um ato de hostilidade, e não de responsabilidade. Por anos, elites políticas e parte significativa da imprensa repetiram que exigir critérios, triagem e lei era sinal de intolerância. Até que a realidade começou a cobrar a conta. Desta vez, foi em Washington, no coração político dos Estados Unidos, a poucas quadras da Casa Branca. 

Dois soldados da Guarda Nacional da Virgínia Ocidental patrulhavam o centro da capital americana quando foram surpreendidos por disparos à queima-roupa. Uma das balas atingiu o pescoço de Sarah Beckstrom, uma jovem de apenas 20 anos. Outra feriu gravemente o cabo Andrew Wolfe, de 24. Sarah não resistiu e faleceu na quinta-feira, 27 de novembro. 

O atirador não era um cidadão americano. Não era sequer um imigrante documentado e legalizado no país. Rahmanullah Lakanwal, afegão de 29 anos, entrou nos Estados Unidos em 2021, no fluxo de refugiados aceitos às pressas após a retirada caótica das tropas americanas de Cabul durante o governo Biden. Chegou com status provisório, viveu sem rastreamento, sem visto permanente e sem controle migratório real.

Há uma informação ainda em verificação por diferentes veículos e que levanta novas dúvidas sobre os mecanismos de seleção de refugiados nos EUA: relatos preliminares indicam que Rahmanullah Lakanwal teria tido sua solicitação de asilo aprovada em abril de 2025, já sob a administração Trump. A confirmação oficial ainda está em apuração, mas o simples fato de essa possibilidade existir reacende um debate mais amplo: o processo de checagem e triagem aplicado a refugiados e solicitantes de asilo é realmente capaz de identificar perfis de risco? 

Se o atirador passou por esse filtro e foi aprovado, surge a pergunta que Washington tenta responder desde o ataque: quem está avaliando essas pessoas, com quais critérios, e até que ponto os protocolos atuais conseguem distinguir colaborador de ameaça potencial? O caso, além de doloroso, pode se tornar um divisor de águas na revisão dos sistemas de triagem migratória previstos para os próximos meses. 

A administração Joe Biden optou, em 2021, por flexibilizar os critérios de entrada de afegãos. A urgência humanitária serviu de justificativa política, mas a triagem foi falha, superficial, insuficiente para lidar com milhares de pessoas cuja procedE aqui, não se trata de metáfora. Trata-se de Sarah, uma jovem fardada que acreditava estar servindo e protegendo o seu país, quando, na verdade, era o país que havia deixado de protegê-la. 

Seu nome agora se torna mais uma lápide na conta de uma política pública que confundiu compaixão com imprudência, e que expõe sua fatura mais alta: vidas que não voltam, famílias que se dilaceram, e uma Nação que desperta tarde demais para a realidade que ignorou durante anos.ência era, em muitos casos, impossível de verificar completamente. A fronteira converteu-se em uma avenida aberta, sem portões, sem segurança. 

E quando um país  não controla quem entra, também perde o controle do que acontece depois.

E aqui, não se trata de metáfora. Trata-se de Sarah, uma jovem fardada que acreditava estar servindo e protegendo o seu país, quando, na verdade, era o país que havia deixado de protegê-la. Seu nome agora se torna mais uma lápide na conta de uma política pública que confundiu compaixão com imprudência, e que expõe sua fatura mais alta: vidas que não voltam, famílias que se dilaceram, e uma Nação que desperta tarde demais para a realidade que ignorou durante anos.

 

Rahmanullah Lakanwal, 29, é acusado de balear Sarah Beckstrom e Andrew Wolfe - Foto: Reprodução/ X


Durante a campanha de 2024, Donald Trump retomou com vigor a bandeira que o consagrou em 2016: proteger as fronteiras americanas, priorizar a segurança interna e colocar a vida dos cidadãos e residentes legais no centro das decisões do Estado. Seus discursos, diretos e sem eufemismos, sustentavam que nenhum país permanece livre se não controla quem entra em seu território, e que a compaixão sem filtro não é virtude, mas imprudência. O tema, por anos tratado com constrangimento pelas elites encasteladas, transformou-se em ativo eleitoral. Em um país exausto por crises migratórias, cidades sobrecarregadas e sensação crescente de vulnerabilidade, o discurso de soberania e proteção não apenas ganhou ressonância — foi decisivo para sua vitória.

Donald Trump classificou o atentado desta semana como terrorismo, covardia e ódio, e anunciou a revisão completa das permissões migratórias concedidas a cidadãos de nações consideradas de risco. Foi um recado duro, objetivo e previsível: os Estados Unidos retomam, ainda que tardiamente, a defesa de suas fronteiras. A pausa na concessão de vistos e na tramitação de pedidos de asilo de afegãos não é apenas medida administrativa; é mudança de clima político. A complacência ideológica perdeu o verniz moral. A realidade rompeu o véu da hipocrisia.


A civilização ocidental é forte e já sobreviveu a muitos desmandos, mas protegê-la requer zelo constante e rigor, não ingenuidade.


Há poucos anos, questionar políticas migratórias era, no Ocidente, um ato quase proibido, sinônimo de insensibilidade, falta de empatia, suposta xenofobia. Líderes evitavam o debate, jornalistas suavizavam números, universidades tratavam o tema como tabu moral. Defender controle de fronteiras era ser “reacionário”, “populista”, “antihumanitário”. O establishment progressista decretou que o bem residia no acolhimento irrestrito e que o mal estava em perguntar quem entra, por que entra e com quais antecedentes. Foi essa moral invertida que permitiu o ingresso de Rahmanullah Lakanwal. Foi essa moral invertida que matou Sarah. 

Agora, porém, o eixo parece estar se deslocando. Não por ideologia, mas por urgência prática. Dinamarca, Reino Unido e Irlanda, antes defensores entusiastas de fronteiras fluidas, passaram a restringir de forma severa o acesso de imigrantes e solicitantes de asilo. 

A Dinamarca anunciou que vai endurecer o processo de residência permanente, limitar benefícios a imigrantes recém-chegados e transferir refugiados para instalações desconfortáveis como forma de desencorajar a permanência massiva. 

O Reino Unido decidiu ampliar o tempo necessário para cidadania (de 5 para 20 anos), restringir apoio financeiro, eliminar a reunião automática de familiares e acabar com o modelo de hospedagem de requerentes em hotéis. 

A Irlanda segue no mesmo caminho. Nos últimos meses, o país aprovou um amplo endurecimento de suas regras de imigração e asilo: quem solicita proteção internacional ou busca naturalização deverá agora comprovar autonomia financeira, ausência de dívidas ao Estado e não ter recebido determinados benefícios sociais nos dois anos anteriores. A exigência mínima de residência para cidadania aumentou, e as regras de reunificação familiar tornaram-se mais rígidas: os requerentes deverão demonstrar meios financeiros e moradia adequada para acolher parentes. O acesso à cidadania poderá ser negado a quem já viveu ilegalmente no país.

Esse movimento na Europa não é coincidência histórica: é reação. O que ontem era chamado de radicalismo é, hoje, política pública. O que antes era denunciado como “agenda xenófoba” é, agora, reconhecido como simples defesa da soberania. 

Donald Trump não mudou esse caminho sozinho, mas foi o primeiro a pagar o preço político por dizer o óbvio em voz alta. Ele não discutiu o mundo como desejavam que fosse, mas como o mundo é — e foi ridicularizado e hostilizado por isso. Agora, o próprio establishment que o demonizou adota aquilo que ele apontou há quase uma década. O futuro, enfim, encontra a realidade e expõe o óbvio: “causas humanitárias” não podem caminhar ao lado da negligência estatal.


Donald Trump, durante pronunciamento sobre o atentado em Washington | Foto: Reprodução 

O desafio, daqui para frente, não é apenas fechar brechas migratórias, mas resgatar a noção de responsabilidade. Não se cobra culpa coletiva de uma comunidade inteira por um crime. Mas se cobra responsabilidade de um governo que permitiu a entrada sem rigor. Um Estado civilizado protege o inocente antes do risco. Um governo maduro compreende que compaixão sem prudência é crueldade disfarçada. O discurso humanitário que ignora a segurança transforma-se, inevitavelmente, em tragédia. 

Os defensores do modelo vigente tentarão reduzir o episódio a um incidente isolado. Dirão que casos como o de Lakanwal são raros, excepcionais. Talvez sejam. Mas basta um. Basta um tiro para encerrar uma vida. 

Basta um documento concedido sem verificação para transformar uma política em fatalidade por procuração. Segurança nacional não se mede pela média estatística, mede-se pela consequência do erro. E a consequência será enterrada no fim de semana. Tem nome. Tinha sonhos. Tinha 20 anos. Washington agora vive o dilema que o Ocidente tenta adiar há décadas: como conciliar abertura e responsabilidade? Como equilibrar acolhimento e soberania? Como exercer compaixão sem abdicar do dever primário de proteger seus próprios cidadãos? 

A resposta se impõe, lenta, porém inevitável: o Estado que renuncia à defesa de suas fronteiras renuncia também ao direito de existir. A paz não se sustenta na boa intenção. Sustenta-se na ordem, na lei, na capacidade de dizer sim — e de dizer não. Sarah Beckstrom não terá outra chance. Sua família jamais verá o futuro que ela prometia. Os Estados Unidos, porém, ainda têm a oportunidade de reescrever seu curso e mostrar ao mundo que soberania não é palavra suja — é pedra angular que sustenta a civilização. 

Nenhuma nação permanece grande se transforma seu território em corredor, suas fronteiras em véu simbólico, sua segurança em gentileza abstrata. Nenhum país sobrevive por muito tempo ignorando quem entra, por que entra e sob quais riscos entra. A liberdade americana sempre foi imensa demais para caber num mundo ingênuo, mas é igualmente frágil para sobreviver sem vigilância.



Membros da Guarda Nacional, da esquerda para a direita, o Sargento Andrew Wolfe e a Especialista Sarah Beckstrom | Foto: Reprodução/MS Now 

Talvez o Ocidente esteja, enfim, acordando. Não pela sabedoria, mas pela dor. Não pela elegância do debate, mas pelo estampido de uma arma na capital da maior democracia do planeta. A morte de uma soldado de vinte anos deve ser o ponto de inflexão de uma política, se encarada com honestidade e coragem. 

Que o nome de Sarah Beckstrom não desapareça entre manchetes. Que seu sacrifício não seja estatística, mas alerta. Que seu corpo não tenha servido apenas à pátria que ela amou e jurou defender, mas à lucidez de um tempo que ainda hesita em proteger o que construiu. 

A civilização ocidental é forte e já sobreviveu a muitos desmandos, mas protegê-la requer zelo constante e rigor, não ingenuidade. Não deixamos a porta de casa aberta para estranhos entrarem livremente; tampouco uma nação pode sobreviver se age como se não tivesse muros. 

Fronteiras escancaradas não são generosidade — são renúncia. E toda renúncia cobra seu preço, às vezes tarde demais para evitar o luto

Ana Paula Henkel - Revista Oeste

'A sombra: Bolsonaro e a perseguição stalinista de Moraes' - Por Flávio Gordon

 O ex-presidente é popular, carismático, querido pelas pessoas de seu entorno — ou seja, tudo aquilo que o ministro do STF, uma das figuras mais desprezadas da República, não é 


Jair Bolsonaro e o ministro Alexandre de Moraes | Foto: Montagem Revista Oeste/Shutterstock


“Todo homem carrega uma sombra; quanto menos ela for incorporada à vida consciente, mais negra e densa se tornará.” (C. G. Jung, Aion: Estudos sobre o simbolismo do Si-mesmo)


H á na teoria psicológica de Carl Gustav Jung um conceito que, de tão profundo, acaba por iluminar regiões da vida política em que a sociologia, a ciência política e mesmo a história frequentemente se revelam impotentes. Trata-se da Sombra — essa zona limítrofe da alma, feita de matéria densa e opaca, onde repousa, fossilizado, tudo aquilo que o indivíduo ou a instituição julga feio demais para ser admitido à luz do dia: os medos que não ousa nomear, as vaidades que o corroem em silêncio, as cobiças menores, as vinganças subterrâneas e, sobretudo, a fustigante suspeita de que não somos aquilo que pretendemos parecer. 

A Sombra, dizia Jung, é a face oculta da persona, esse personagem cuidadosamente costurado para sobreviver ao teatro social. Não há poder que dispense tal máscara. Estados, tribunais, parlamentos, corporações burocráticas — todos dependem de um rosto público feito de virtudes polidas: racionalidade, imparcialidade, equilíbrio, decoro. Mas a manutenção dessa imagem, como tudo que é artificial, exige um sacrifício constante, uma espécie de purificação ritual que consiste em lançar atrás de si, para fora do círculo iluminado, aquilo que contradiz a narrativa sobre si mesmo. 

O drama começa quando, incapaz de suportar esse peso interno, o sujeito transfere à figura do outro a carga que lhe pertence. A Sombra, então, não é integrada; é projetada. E o adversário, até então apenas adversário, converte-se em ídolo às avessas, depositário de todos os males, bode expiatório em torno do qual se organiza uma liturgia persecutória. É nesse instante que a política deixa de ser exercício racional de governo e se torna um psicodrama — ou, mais exatamente, uma tragédia. 


A projeção da própria Sombra no adversário transforma a política em psicodrama, em que o outro vira bode expiatório e a razão cede lugar à tragédia - Foto: Reprodução


Entre os inúmeros episódios em que esse mecanismo se manifestou, poucos são tão transparentes quanto o conflito entre Josef Stalin e Leon Trotski. Engana-se quem supõe que a inimizade entre ambos nasceu de divergências doutrinárias ou de disputas meramente burocráticas. Nada disso: o motor profundo da perseguição era de natureza espiritual. Stalin, atormentado por uma insegurança que só crescia à medida que o poder se consolidava, passou a ver em Trotski a encarnação viva de tudo aquilo que lhe faltava. 

Trotski possuía o brilho que Stalin invejava: a pena ágil, a inteligência afiada, a ousadia estratégica, o fascínio que exercia sobre soldados e intelectuais. Era, por assim dizer, o príncipe maldito da Revolução — e, justamente por isso, a figura que melhor revelava a vulgaridade provinciana do ditador georgiano. Cada gesto de Trotski parecia traçar, por contraste, o contorno da mediocridade que Stalin tentava ocultar sob camadas de rigidez burocrática.


Cada nova violência institucional contra o bolsonarismo não gera alívio na esquerda, mas uma euforia inquieta.


Em outras palavras, Trotski era a Sombra de Stalin. E, como é da natureza das sombras quando não integradas, ele precisava ser destruído. Assim se inaugura o rito sacrificial: primeiro o isolamento paulatino, como se cada lâmpada da casa de um moribundo fosse apagada com meticuloso sadismo; depois, a reescritura da história, as acusações montadas coreograficamente, os expurgos que avançam como uma maré de chumbo, até a travessia final rumo ao exílio. 

A literatura registrou abundantemente a anatomia da queda de Trotski. Quer de maneira abertamente empática, como no último volume da trilogia de Isaac Deutscher, quer com o olhar mais distanciado de Robert Service, quer ainda por meio do romance histórico de Leonardo Padura, tudo revela um Trotski reduzido a um andarilho sujeito aos golpes do destino, sobrevivendo de traduções e estadias provisórias, mudando de país como quem muda de quarto — sempre atento ao menor ruído atrás da porta, consciente de que o veredito já estava escrito muito antes de ser pronunciado.


A queda de Trotski, retratada por biógrafos e romancistas, mostra o revolucionário reduzido a exilado errante, vivendo sob a sombra constante de sua sentença | Foto: Reproduçã


Mas, ironicamente, Trotski tornava-se tanto mais perigoso aos olhos de Stalin quanto mais reduzido a um fantasma político, porque sua própria existência espectral desmentia a persona heroica que o ditador tentava encenar. Stalin não precisava matar Trotski para consolidar o poder. Precisava matá-lo para silenciar a Sombra que o atormentava. Cada golpe de picareta no crânio do exilado era, simbolicamente, um golpe contra a própria insuficiência que Stalin não ousava admitir. 

Transposto para os nossos tristes trópicos, esse padrão arquetípico reaparece na perseguição movida por Alexandre de Moraes contra Jair Bolsonaro. Não, claro está, porque os personagens brasileiros se pareçam substancialmente com os do drama soviético, mas porque o mecanismo psicológico que organiza a nossa ditadura presente é estruturalmente similar. 

Nos últimos anos, com a devoção obsequiosa da grande imprensa e da elite político-administrativa, Moraes construiu uma persona de “guardião da democracia”: o juiz providencial que, num país polarizado por bárbaros, ergue sozinho a espada luminosa da legalidade. É uma persona sedutora, sobretudo para quem necessita justificar poderes crescentes por meio de uma retórica moralizadora.

Mas é também uma persona frágil diante da presença de um Outro que a desestabiliza. Por suas características próprias, Bolsonaro personifica aquilo que a narrativa alexandrina não pode admitir: a possibilidade de que o “defensor da democracia” seja, na verdade, o agente de uma escalada autoritária legitimada pelo pânico moral. 

Bolsonaro representa para Moraes não apenas um adversário político, mas uma ameaça existencial, um lembrete incômodo de que o poder precisa, ao menos em teoria, prestar contas ao povo, e não apenas às corporações de Brasília. Bolsonaro é popular, carismático, querido pelas pessoas de seu entorno — ou seja, tudo aquilo que Alexandre, uma das figuras mais desprezadas da República, não é. 


Bolsonaro surge como o espelho incômodo que a narrativa de Moraes não tolera: o rival popular que expõe os limites do “defensor da democracia” | Foto: Shutterstock


Com sua popularidade orgânica, sua linguagem simples, sua imprevisibilidade e sua recusa em desempenhar o papel de vilão no qual queriam enquadrá-lo, Bolsonaro tornou-se o elemento dissonante que expõe as fissuras da persona alexandrina. Sua humanidade exuberante, caótica e imperfeita serve de contraste incômodo ao aparato de autopurificação moral que define o sistema político-burocrático de Brasília. 

É nesse ponto que o mecanismo junguiano se fecha. Moraes passa a denunciar em Bolsonaro — o “extremista”, o “inimigo da democracia”, o “populista” — não o que o ex-presidente é, mas o que ele próprio teme ser. Daí a narrativa de “ódio” e “raiva” que surge nos relatos. Daí a convicção delirante de que Bolsonaro “teria acabado com sua vida”. Daí a escalada sádica — intimação dentro de uma UTI, buscas espetaculares, vigilância doméstica, prisão para evitar uma fuga impossível — que revela menos a força do perseguidor do que sua vulnerabilidade. Quanto maior a Sombra, maior a violência necessária para sustentar a persona. 

Jung advertia que sociedades inteiras sucumbem quando atribuem a instituições humanas uma aura de infalibilidade sacerdotal. É então que magistrados se imaginam encarnações ambulantes da Constituição; que tribunais se veem como tutores de um povo incapaz de governar a si mesmo; que burocratas confundem sua autopreservação com a preservação da democracia. O Brasil contemporâneo vive precisamente essa Ego trip totalitária.


Toda perseguição estatal totalitária revela menos sobre o perseguido do que sobre o perseguidor. Foi assim com Stalin. É assim com Alexandre de Moraes.


A perseguição a Bolsonaro — culminando numa prisão tão indecorosamente desmedida — tornou-se um ritual purificador para uma elite que, incapaz de reconhecer sua própria falência, prefere projetá-la sobre um inimigo conveniente. Com seus modos caipiras e seu magnetismo popular, Bolsonaro não ameaçou apenas um arranjo institucional, mas a ficção político-psicológica mediante a qual Brasília ainda tenta se enxergar como centro moral do país. É por isso que cada nova violência institucional contra o bolsonarismo não gera alívio na esquerda, mas uma euforia inquieta. Pois, quanto mais os perseguidores avançam, mais visível se torna a Sombra que tentam ocultar. 

A história ensina que nenhuma Sombra se dissipa pela destruição daquele que a representa. Stalin não purificou sua alma eliminando Trotski; apenas expôs sua deformidade ao longo do tempo. Da mesma forma, a tentativa de transformar Bolsonaro num inimigo metafísico — interditando sua presença, cassando sua palavra, martirizando seu corpo — revela menos sobre o ex-presidente do que sobre a elite que precisa dessa figura para sustentar sua própria fábula de pureza institucional. 


A perseguição a Bolsonaro não elimina a Sombra, apenas revela a deformidade de quem precisa dele como inimigo para sustentar sua própria fábula de pureza institucional - Foto: Reprodução/Site oficial do Partido Liberal


No final das contas, toda perseguição estatal totalitária revela menos sobre o perseguido do que sobre o perseguidor. Foi assim com Stalin. É assim com Alexandre de Moraes. A história se repete não porque os homens não aprendem, mas porque raramente desejam olhar para sua própria Sombra. É mais fácil inventar inimigos. E, quando a política se reduz a esse exercício de histeria e pose, a sociedade colapsa não por culpa da figura estigmatizada que se tenta destruir, mas, justamente, pela força irracional que se mobilizou para destruíla.

Flávio Gordon - Revista Oeste

sexta-feira, 28 de novembro de 2025

'O Supremo tem lado', por Augusto Nunes e Cristyan Costa

Ao tratar Bolsonaro como inimigo a castigar e Lula como parceiro a proteger, a maioria dos ministros togados consumou o assassinato da imparcialidade e da sensatez


Jair Bolsonaro e Luiz Inácio Lula da Silva - Foto: Montagem Revista Oeste/Shutterstock



E m 7 de novembro de 2019, para livrar Lula da cadeia, o Supremo Tribunal Federal ressuscitou a regra — aprovada poucos anos antes — segundo a qual ninguém será considerado culpado antes do trânsito em julgado da sentença penal condenatória. (Em língua de gente: só se pode engaiolar alguém depois de rejeitado pelo STF o último recurso). No dia seguinte, o primeiro presidente da República encarcerado depois do fim do regime militar estava de volta à vida de palanque ambulante. 

Neste 25 de novembro, sem paciência para aguardar o exame de embargos infringentes apresentados por advogados de Jair Bolsonaro, o ministro Alexandre de Moraes deu por encerrado o trânsito dos casos que envolvem o ex-presidente e integrantes do alto comando de uma certa “trama golpista”. Quando a madrugada chegou, o mais odiado alvo do superjuiz que revogou a Constituição e atropela uma lei por minuto tentava dormir — atormentado por sequelas do atentado que quase o matou em Juiz de Fora — num dos cômodos do prédio da Superintendência da Polícia Federal, em Brasília. Mais uma evidência de que o Supremo tem lado. 

Sempre teve, vêm reafirmando há pelo menos cinco anos sucessivas colisões entre o cordialíssimo tratamento dispensado ao atual presidente e a cruel perseguição movida contra seu predecessor por Alexandre de Moraes — com o apoio do clube de advogados medíocres que, liderado por Gilmar Mendes, domina o STF. A soltura do expresidente — condenado a 9 anos e 6 meses de cadeia por corrupção passiva e lavagem de dinheiro — fora uma audácia e tanto. Mas não bastava: era essencial permitir que Lula recuperasse os direitos políticos ainda suspensos e derrotasse o inimigo candidato à reeleição. Caberia a Edson Fachin, que lidava com os casos decorrentes de investigações da Operação Lava Jato, mandar às favas o tsunami de provas que incriminavam o ex-presidiário.


Ministro Alexandre de Moraes e Ministro Edson Fachin em sessão plenária do STF (19/11/2025) | Foto: Antonio Augusto/STF


É enganoso o jeitão de avô capaz de fazer qualquer neto dormir profundamente no primeiro minuto da história que começou a contar. Fachin mostrara que não lhe falta criatividade no dia em que revelou a existência, em algum ponto da Macedônia do Norte, da mais produtiva usina de fake news do planeta. Provou que é do ramo com a chicana que espantou o país em março de 2021. Até então, ele havia julgado incontáveis pendências vinculadas à mais eficiente ofensiva anticorrupção da história. 

Quando a trabalheira se aproximava do fim, o ministro concluiu que a devassa da maior roubalheira de todos os tempos tinha o mesmo valor de uma cédula de 3 reais. Motivo: o comando da força tarefa composta por juízes e procuradores federais deveria ter-se instalado em Brasília, não em Curitiba. Amparado na Lei do CEP, uma das mais assombrosas acrobacias jurídicas produzidas desde o Descobrimento, Fachin anulou as sentenças que condenaram Lula em primeira instância, foram confirmadas pelo TRF-4 e, em seguida, endossadas pelo Superior Tribunal de Justiça. 

Sem mais nem menos, ficou estabelecido que jamais aconteceu o cortejo de delinquências fantasiadas de tríplex no Guarujá, sítio em Atibaia, Instituto Lula e outras atrações do acervo  exposto pela Lava Jato. Lula foi liberado para proclamar-se de novo “a viva alma mais honesta” do mundo e virar presidente outra vez. O Brasil não é para principiantes, preveniu Tom Jobim.


Edifício com o triplex (ao centro), no Guarujá | Foto: Shutterstoc


Tampouco para profissionais, soube-se quando o Tribunal Superior Eleitoral, com o aval do STF, transformou-se já no início da campanha de 2022 no mais feroz comitê a serviço da seita que tem num ladrão o seu único deus. Sob o comando de Alexandre de Moraes, o TSE fez de conta que só o que a imprensa batizou de “extrema direita” ou “ultradireita”, formada por todos os seres que não são devotos de Lula, comete crimes. E a coisa piora em anos eleitorais. \

Esses inimigos da pátria espalham mentiras hediondas, ofendem respeitáveis homens públicos, denigrem instituições indispensáveis à ordem constituída, insultam adversários leais, conspiram contra a urna eletrônica e vivem sonhando com golpes de Estado. 

Com a vitória de Lula, intensificou-se a vingança destinada a silenciar os inconformados com a democracia à brasileira. Moraes continua achando pouco. E a procissão de castigos adicionais não será 28/11/2025, 23:26 STF tem lado https://revistaoeste.com/revista/edicao-298/o-supremo-tem-lado/ 4/14 interrompida, reitera o conjunto de suplícios ao qual Bolsonaro foi submetido antes e depois do encarceramento antecipado. 

O julgamento nem fora concluído quando a casa de Bolsonaro se transformou num estranho presídio em miniatura. Policiais foram escalados para vigiar tanto os arredores quanto o interior da residência. A lista de visitantes era filtrada por Moraes. Com uma perna atada à tornozeleira eletrônica, o ex-presidente continuou proibido de utilizar redes sociais ou manter contato com os demais envolvidos nas ações que o transformaram em condenado. 


O ex-presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, observa de sua casa enquanto o governador de São Paulo, Tarcisio de Freitas (não aparece na foto), deixa Brasília após uma visita (29/9/2025) | Foto: Reuters/Diego Herculano/Foto de Arquivo 


Atormentado por refluxos e soluços, com a saúde abalada pelas consequências da facada, Bolsonaro teve de suportar restrições redundantes: quem está cercado por carcereiros, por exemplo, não precisa de tornozeleira. Agora instalado numa sala especial da Superintendência da Polícia Federal, o prisioneiro não se livrou de restrições abusivas. Quem pretende visitá-lo (por meia hora, no máximo) terá de requerer o amém de Moraes, que estendeu a exigência aos familiares. Michelle Bolsonaro foi autorizada a ver o marido diariamente, mas sozinha e por 30 minutos. 

A sala de 12 metros quadrados dispõe de cama de solteiro, banheiro privativo, mesa de trabalho, televisão, frigobar, arcondicionado, armários embutidos e uma janela. Também nesse quesito Lula levou vantagem. Entre abril de 2018 e novembro de 2019, Lula passou 580 dias numa sala da Polícia Federal em Curitiba igualmente equipada, mas com mais espaço: 15 metros quadrados. E as regras de visitação, fixadas pela Justiça Federal, foram bem mais flexíveis


Michelle Bolsonaro, esposa do ex-presidente brasileiro Jair Bolsonaro, caminha em frente a uma unidade da Polícia Federal no dia em que visita o marido, que começou a cumprir uma pena de 27 anos por conspiração para golpe de Estado contra seu sucessor, o atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em Brasília, Brasil (27/11/2025) - Foto: Reuters/Jorge Silva


Familiares podiam visitá-lo às quintas-feiras e permanecer na companhia do ex-presidente pelo tempo que desejassem. Os advogados tinham direito a conversas diárias. Tecnicamente viúvo, Lula não tratou de normas para visitas íntimas. Mas a namorada Janja não perdeu a chance de consolidar a candidatura a primeira-dama. Inscreveu-se no grupo de parentes e passou a aparecer na sala da PF com frequência assídua. 

Os carcereiros fingiram que os encontros do casal não tinham hora para o começo e o fim. Quando se juntou aos participantes da vigília que berrava “bom dia” no fim da madrugada e  “boa noite” quando o sol se punha, Janja era apenas namorada de preso. Um ano depois da soltura de Lula, ganhou o direito de mudar a mobília do Palácio da Alvorada. 


Bolsonaro foi remetido sem escalas ao Supremo, a bordo de um inquérito inconstitucional


Nos processos que envolvem Bolsonaro e outros acusados de envolvimento numa “trama do golpe”, os advogados dos réus enfrentaram restrições, reprimendas, situações vexatórias e outras manifestações de autoritarismo sumidas faz tempo dos tribunais que buscam fazer justiça. Em sessões públicas, Moraes espancou o direito de ampla defesa com apartes agressivos e advertências ilegais. Alegações finais foram confinadas em textos digitados entregues a juízes que trocaram o debate em plenário por sessões virtuais. 

Agora ministro do STF, Cristiano Zanin não viu nada de mais em práticas que revidaria aos berros se ainda fosse advogado de Lula. Nos confrontos com participantes da Lava Jato, Zanin aproveitou as frequentes audiências para exercer na sua louvável inteireza o direito de ampla defesa.


Ministro Cristiano Zanin em sessão plenária do STF (19/11/2025) | Foto: Antonio Augusto/STF 


A discurseira interminável e a usina de recursos comoveram Gilmar Mendes de tal forma que o atual decano acabou inventando, em 2019, o choro convulsivo sem lágrimas. Não se viu gota alguma num canto de olho. Mas as tentativas de reerguer a voz embargada com goles de água bastaram para que o desempenho de Gilmar fosse comparado ao protagonizado pela mais inconsolável das viúvas. O advogado colérico transformou-se num sereno presidente de turma. Agora juiz togado, contemplou em silêncio o assassinato do devido processo legal. 

Também a imprensa estatizada negou-se a pelo menos noticiar outra proibição decretada por Moraes: Bolsonaro não pode ser entrevistado. Durante a temporada na prisão, Lula conversou 22 vezes com jornalistas nativos ou estrangeiros. Não se trata de censura, explicam aliados de Moraes. O que há é “uma restrição à comunicação externa”. Na novilíngua do Supremo, aliás, a mesma palavra pode ter significados bem diferentes. 

Os súditos que cumprimentavam o reizinho preso em Curitiba eram mais que participantes de uma vigília. Eram eleitores solidários com o calvário do prisioneiro. Nada a ver com a vigília organizada em Brasília nas proximidades da casa de Bolsonaro. Aquela gente não queria orar pelo ex-presidente. Queria contestar decisões da instituição que resgatou a democracia agonizante. 


Um apoiador do ex-presidente brasileiro Jair Bolsonaro segura uma bandeira do Brasil durante uma vigília após a prisão de Bolsonaro pela Polícia Federal, que pôs fim a meses de prisão domiciliar, em Brasília, Brasil (22/11/2025) - Foto: Reuters/Mateus Bonomi 


Ex-presidente, Lula foi julgado em primeira instância. Condenado, recorreu a instâncias superiores até ser socorrido pelo STF. Também ex-presidente, Bolsonaro foi remetido sem escalas ao Supremo, a bordo de um inquérito inconstitucional. Condenado por quatro integrantes da Primeira Turma, não havia outra instância a procurar. Três dos algozes foram indicados por governantes petistas. O quarto é Moraes. Implacáveis com adversários, os ministros tentam melhorar a imagem com favores distribuídos entre amigos ou figuras que não ousam desafiar o mais poderoso dos Poderes. 

Dispensado de julgar Bolsonaro por pertencer a outra Turma, Dias Toffoli aproveitou o tempo de sobra para sepultar acordos de leniência costurados pela Lava Jato. Em 2023, Toffoli presenteou a Odebrecht e a J&F com a anulação do acordo que incluía a devolução ao Estado de quase R$ 20 bilhões. O padroeiro dos saqueadores da Petrobras perdoou bem mais que duas empresas amigas. E não pretende parar por aí. Os incomodados que se queixem ao bispo. Ou se queixem de Adélio Bispo. 

Em conversas sem testemunhas, 999 em cada mil políticos brasileiros confessam que uma antiga recomendação continua orientando o comportamento dos donos do poder: “Aos amigos, tudo; aos inimigos, a lei”. A saga de Bolsonaro informa que o Supremo optou por uma versão atualizada do mandamento. “Aos amigos, o vale-tudo de comparsa; aos inimigos, a perversidade fora da lei”.

Augusto Nunes e Cristyan Costa - Revista Oeste

O CRIME COMPENSA. Alguém duvida? Justiça Federal manda soltar Vorcaro, do banco Master, e outros 4 presos no escândalo

Ele foi preso ao tentar embarcar para os Emiradores Árabes Unidos

 


'Banqueiro' Daniel Vorcaro era o controlador do Banco MAster, liquidado pelo Banco Centra - Foto: redes sociais.


O banqueiro Daniel Vorcaro teve sua soltura determinada pelo Tribunal Regional Federal da 1ª Região, em decisão que beneficiou também todos os demais presos pela Polícia Federal operação Compliance Zero, que resultou na liquidação do Banco Master.

A decisão do TRF-1 foi da desembargadora Solange Salgado, do TRF1, reconsiderando sua própria decisão e determinando a revogação da prisão preventiva.

Em sua decisão, a magistrada determinou a soltura de outros quatro presos ligados ao Master, mas impôs tornozeleira eletrônica e outras medidas restritivas. São eles:

  • Augusto Ferreira Lima, ex-CEO e sócio;
  • Luiz Antônio Bulldiretor;
  • Alberto Felix de Oliveira Neto, superintendente de Tesouraria;
  • Ângelo Antônio Ribeiro da Silva, sócio.

Vorcaro foi recolhido ao Centro de Detenção Provisória (CDP) 2 de Guarulhos, ppara onde foi transferido na segunda-feira (4), após alguns dias detido na superintendência da Polícia Federal em São Paulo.

Diário do Poder

CL News - CL News LLC