segunda-feira, 20 de julho de 2026

Janja, mulher do descondenado, em números

 A jornalista Raphaela Ribas compila alguns gastos da primeira-dama


 

A primeira-dama do PT,  Janja da Silva,  e uma das aeronaves da FAB -\ Foto: Reprodução/X


A jornalista Raphaela Ribas mostra, na coluna de economia da Edição 331 da Revista Oeste, que os gastos da primeira-dama Rosângela da Silva, a Janja, vão além das viagens internacionais que ela realizou desde que o petista Luiz Inácio Lula da Silva reassumiu a Presidência da República, em janeiro de 2023. 

“A primeira-dama do Brasil tem uma equipe de 12 pessoas à sua disposição. Um custo médio estimado de R$ 160 mil por mês — com esse valor dá para pagar cerca de 31 professores da rede pública”, informa Raphaela. “Mesmo com tantas pessoas ao seu redor, nenhuma conseguiu evitar o incômodo internacional de Janja ao xingar o empresário Elon Musk em um evento produzido por ela. Realizado no Rio de Janeiro, em 2024, o Festival Aliança Global Contra a Fome e a Pobreza — o ‘Janjapalooza’ — recebeu aporte de mais de R$ 83 milhões de estatais e nunca ficou clara a contribuição prática contra a fome e a pobreza. O Tribunal de Contas da União começou a investigar, mas o assunto se esvaneceu.” 


Sem se esquecer das viagens de Janja

 Raphaela também cita que, no decorrer dos últimos quatro anos, a mulher de Lula já embarcou para cerca de 40 países. Além disso, mostra que críticas às viagens internacionais e aos gastos são tachados como “misoginia”.



Diante de militares, casal Janja & Lula desembarca de avião durante uma das inúmeras viagens feitas desde janeiro de 2023 |- Foto: Ricardo Stuckert/PR 


“Janja já foi para 38 países como primeira-dama, mais do que seu marido, Lula. Entre hotéis luxuosos e passeios, permanece o mistério do seu trabalho”, destaca o texto de Oeste. “Sem resposta, ela tenta tirar o foco da prestação de contas e jogar acusações às pessoas: quem a questiona ou a chama de gastadeira é misógino. 

O termo quer dizer aversão, ódio ou preconceito por alguém ser mulher. Ela é uma das principais defensoras da criação de uma lei que compara a misoginia ao racismo. Mas aí surge outra dúvida sobre sua infindável contribuição: usar o gênero como pretexto para impedir opiniões contra alguém não é mais um tipo de censura?” 

As nformações a respeito da primeira-dama brasileira são apenas uma parte da coluna de Raphaela Ribas na atual edição de Oeste. A íntegra do texto “Confissão de incompetência abala credibilidade” está disponível à base de assinantes da publicação digital. 


Anderson Scardoelli - Revista Oestde

domingo, 19 de julho de 2026

Flávio Gordon e 'O sequestro político de Jair Bolsonaro'

 'Um homem já silenciado nas redes, proibido de comunicar-se inclusive por intermédio de terceiros, vê-se agora privado do convívio com o filho e do encontro com um aliado internacional'


Reprodução X


Um juiz que teme o veredicto das urnas já não é juiz: é parte interessada, um carcereiro, um tirano” , escreve Flávio Gordon, sobre a decisão de Alexandre de Moraes que ele define como sequestro do ex-presidente Jair Bolsonaro

Se ainda restava alguma dúvida quanto à natureza do regime que se instalou no Brasil sob o disfarce da defesa da democracia, a rotina de despachos que emana do gabinete de Alexandre de Moraes encarregouse de dissipá-la. Aos analistas, poupa-se o trabalho de teorizar sobre o que é um estado de exceção quando basta, para demonstrá-lo, a simples crônica dos fatos.

Na segunda-feira 13, o ministro do Supremo Tribunal Federal suspendeu por 90 dias as visitas do senador Flávio Bolsonaro ao próprio pai, punindo o crime imperdoável de haver lido em público uma carta manuscrita do ex-presidente Jair Bolsonaro dirigida “aos brasileiros”. 

No sábado 18, coroando a obra com o requinte próprio dos déspotas meticulosos, Moraes negou até mesmo a visita de Javier Milei, chefe de Estado de uma nação vizinha e aliada, como se a presença de um presidente estrangeiro à cabeceira de um septuagenário em prisão domiciliar constituísse ameaça à ordem constituciona.

nte-se à lógica que preside o conjunto: um homem já silenciado nas redes, proibido de comunicar-se inclusive por intermédio de terceiros, vê-se agora privado do convívio com o filho e do encontro com um aliado internacional. E tudo isso “até o fim das eleições deste ano”.


Moraes e o sequestro de Bolsonaro 

Alexandre de Moraes é inteiramente movido pelo calendário eleitoral. O processo aí é mero pretexto para o seu real objetivo: extirpar da disputa política não apenas um homem, mas um movimento inteiro, aquilo que a nomenklatura judiciária, valendo-se do vocabulário emprestado da imprensa progressista internacional, batizou de “populismo de extrema direita”. 

 Flávio Bolsonaro, agora pré-candidato ao Palácio do Planalto, resumiu o essencial ao dizer que usar a força do Estado para satisfazer devaneios pessoais não é Justiça, mas vingança. Um juiz que teme o
devaneios pessoais não é Justiça, mas vingança. Um juiz que teme o veredicto das urnas já não é juiz: é parte interessada, um carcereiro, um tirano… É assim que o parceiro de Daniel Vorcaro entrará para a história, essa bem menos condescendente que as presentes instituições nacionais. 

Flávio Gordon - Revista Oeste

Ex-presidiário Lula abaixa cabeça para o tarifaço chinês de 67%

 


Lula e Janja em um dos convescotes na China - Foto: divulgação.


O governo Lula (PT) trabalhou claramente pelo tarifaço de 25%, valioso para campanha de reeleição, e aproveitou para esconder dos brasileiros os 67% impostos pela China à carne bovina exportada pelo Brasil. A conclusão é óbvia: a negligência não foi só frente ao tarifaço dos Estados Unidos. É sistêmica. Adotar populismo antiamericano e silenciar diante do tarifaço da China, que afeta diretamente o agronegócio — motor da economia — revela viés ideológico e não “defesa da soberania”.

Como cordeirinho

Em vez de negociar, Lula atacou Trump, atribuiu o tarifaço a opositores, para xingá-los “traidores da pátria, mas nada diz sobre a China.

Tortura chinesa

Enquanto os EUA adicionam 25% às tarifas, a China foi cruel, taxando violentamente o principal item de exportação do Brasil para aquele país.

Silêncio de tiete

A China impõe à carne cota anual baixa, atingida em junho, e adiciona sobretaxa de 55%. Total: 67%. Tiete da ditadura chinesa, Lula se calou.

Ninguém merece

Nos dois casos, o País paga a conta por depender excessivamente de commodities e pelo governo negligente, populista e eleitoreiros no pode


Diário do Poder

sábado, 18 de julho de 2026

Maioria de Estados afetados pelo tarifaço dos EUA, por culpa do 'cartel lula-stf-globolixo, votou no candidato da quadrilha, o mais notório dos larápios do planeta

 

Só mesmo numa trepubloiqueta de banana... Foto: Reprodução/Band)


Dados cruzados pela coluna de um levamento divulgado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) mostram que a maioria dos estados afetados pela tarifa extra de 25% a produtos exportados para os Estados Unidos votou em Lula para presidente, no segundo turno de 2022. Pelos números, entre 2026 e 2025, 20 estados apresentaram variação negativa nas exportações, sendo o Rio Grande do Norte, governado pela petista Fátima Bezerra, com pior desempenho, – 72%.

Segue a lista

Alagoas, que também votou em Lula, aparece na sequência de maior queda nas exportações aos Estados Unidos, retração de 64,9%.

Variação

A lista dos estados percentualmente mais afetados segue com o Acre, queda de 62,8%. O estado, o terceiro, deu mais votos a Jair Bolsonaro.

Acima de 50%

Em quarto lugar, o último com retração superior a 50%, está Tocantins, que, de acordo com os números da CNI, registrou queda de 52,1%.

Conseguiram crescer

Registraram alta: RO (+49,1%), GO (+42,1%), DF (+34,2%), MT (25,8%), RJ (+15,4%), MS (+13,7%) e, único lulista com elevação, PB (+5,9%).


Diário do Poder

Banco Master, de Vorcaro, emprestou R$45,5 milhões a ex-ministro e amigo do ex-presidiário Lula

 Ex-controlador do Master comprou 25,8% do laboratório Biomm, da família de Walfrido dos Mares Guia



Walfrido dos Mares Guia na inauguração da Biomm, de Vorcaro, agradece ao amigo Lula - Foto: assessoria/PR.


O ex-ministro do governo Lula (PT) Walfrido dos Mares Guia foi beneficiário de duas cessões de crédito de R$45,5 milhões provenientes do Banco Master, cujo controlador Daniel Vorcaro virou sócio com maior número de ações (25,8%) da farmacêutica Biomm, antes controlada pelo político que é um dos amigos mais próximos do presidente da República.

O Diário do Poder revelou em 5 de março deste ano que a inauguração das novas instalações da Biomm, em Nova Lima (MG), já com Vorcaro como sócio, contou com a presença do próprio Lula, acompanhado de comitiva de ministros, inclusive a então ministra da Saúde, Nísia Trindade, Alexandre Padilha, que depois assumir a pasta da Saúde, Fernando Haddad (Fazenda) E Alexandre Silveira (Minas e Energia), entre outros.

Apesar dos rumores entre políticos mineiros, ainda não foi confirmado por investigação que Vorcaro se fez sócio de Mares Guia no Biomm a pedido de Lula, a fim de salvar a empresa familiar do amigo de dificuldades. Para enfatizar o prestígio do grupo, o governo assinou contratos de R$303,65 milhões para a produção de insulina para o Ministério da Saúde.

Por ocasião da inauguração da Biomm, Vorcaro se encontrava em Londres patrocinando evento sobre o Brasil do qual participavam diversas autoridades. Durante esse evento, Vorcaro pagou uma desgustação de uísque Macallan, um dos mais caros do mundo, com charutos cubanos, em happy hour no luxuoso George Club, do qual participaram ministros do governo Lula como Ricardo Lewandowski (Justiça), do Supremo Tribunal Federal (STJ), do Superior Tribunal de Justiça (STJ) e o diretor da Polícia Federal, entre outros.

Vorcaro detinha 25,86% da farmacêutica através do fundo Catargo, também sob seu controle, mas após a sua prisão as ações foram repassadas para o BRB, como compensação pela venda de carteiras de crédito podres.

Walfrido dos Mares Guia disse que conhece Vorcaro por serem ambos mineiros. O ex-ministro e amigo de Lula conta a versão de que “ele ficou interessado na nossa fábrica de insulina na região de BH, então me ele me procurou, falamos sobre a Biomm, que é uma empresa de capital aberto, e tem inúmeros sócios, e ele adquiriu ações da empresa, como qualquer um poderia fazer”, disse ele à coluna Demétrio Vecchioli, citada pelo site Metrópoles.

Naquela época, em 2023, a Biomm realizou um aumento de capital, com preferência para quem já era acionista. Vorcaro, através do fundo Catargo, comprou as “sobras”, ficando com cerca de 18% do capital, o que foi homologado em janeiro de 2024. Também naquele mês, o Master emprestou R$ 10 milhões a Mares Guia. Em fevereiro, outros R$ 35 milhões.

Diário do Poder

sexta-feira, 17 de julho de 2026

Adalberto Piotto e 'O desprezo de Lula pelos brasileiros'

 As novas tarifas aplicadas pelos EUA e as compras mais caras nos supermercados mostram que o presidente não está nem aí para o país. Só governa para ele 



Presidente Lula fala com repórteres após reunião na Casa Branca com o presidente dos EUA, Donald Trump, na Embaixada do Brasil em Washington, DC, EUA (07/05/2026) -  Foto: Reuters/Elizabeth Frantz


Na quinta-feira, 16 de julho, o Brasil acordou com a realidade de uma nova tarifa do governo norte-americano sobre as exportações nacionais. Em que pese o fato de haver várias exceções como suco de laranja, carne bovina, café, peças de aviões, petróleo e celulose, ainda assim a tarifa de 25% sobre as exportações brasileiras pode atingir mais de 40% de tudo o que vendemos aos Estados Unidos. E atinge sobretudo produtos manufaturados industriais, de maior valor agregado. Isso significa atingir a indústria nacional, a parte que mostrou competência para se inserir na cadeia produtiva americana e que paga melhores salários aqui no país. 

Não por acaso, a nota da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo é dura e aponta o dedo para o governo Lula. O trecho a seguir revela o desprezo de Lula em defender os negócios e os empregos brasileiros porque aposta em supostos ganhos eleitorais. 

“Em um momento de extrema sensibilidade econômica mundial, a opção do governo brasileiro por ruídos diplomáticos desnecessários, críticas personalistas, discursos eleitorais e desalinhamento político com Washington acabou por minar vínculos construídos ao longo de mais de 200 anos de cooperação bilateral.” 

O comunicado, que ainda reclama da falta de uma condução diplomática técnica e pragmática por parte do governo federal, expõe o ambiente deteriorado da economia brasileira sob Lula numa declaração do próprio presidente da entidade, Paulo Skaf: 

“O mercado norte-americano é o principal destino de produtos brasileiros de alto valor agregado. Esse novo pedágio’ imposto às exportações se soma à crônica realidade enfrentada pelas nossas empresas, que convivem com alta carga tributária e com as taxas de juros reais mais elevadas do mundo, entre outros desafios”. 

Em um post na plataforma X, o secretário de Estado Marco Rubio, outro a quem o presidente brasileiro se dedica a desdenhar com a verborragia inconsequente de sempre, disse que “o presidente Lula e seu governo não negociaram com os EUA de boa-fé”. Mais adiante, disse que “Lula colocou seu próprio ego à frente de fazer um acordo pelo bem-estar do povo brasileiro”. 

O segundo homem mais importante da maior economia do planeta, que compra quase US$ 4 trilhões do mundo, entendeu o Brasil e chegou à mesma conclusão que maioria dos brasileiros. Segundo a pesquisa Quaest divulgada na última quarta-feira, o instituto que quase sempre traz levantamentos favoráveis ao governo, desta vez demonstrou que 51% dos entrevistados dizem que Lula não merece um novo mandato. 

Esse número é bem maior que isso, sabemos. Assim como não para em pé que a mesma pesquisa tenha trazido um aumento na diferença das intenções de voto no segundo turno a favor de Lula de 8 pontos em relação a Flávio Bolsonaro.

No dia anterior, a Futura/Apex mostrava empate técnico com diferença de 0,2 ponto percentual a favor de Lula numa simulação de segundo turno. Nesta quinta, o PoderData mostrou que ambos estão em empate técnico com diferença de apenas 2 pontos. 

Não existe eleição ganha de véspera. E desta vez é bem improvável que a tarifa americana gere dividendos eleitorais ao governo. Fadiga de narrativa cansada. Não cola mais. Até porque a conta do supermercado grita. Na lista de produtos da cesta básica, tomate, cenoura e batatainglesa mais que dobraram de preço entre janeiro e junho deste ano. Feijão (+52,8%) e leite (+22%) são outros exemplos. Quem teve aumentos salariais nessa proporção? Embora a inflação oficial de 4,64% registrada pelo IPCA de junho (bem acima do teto da meta) seja uma média ponderada de vários produtos, alimentação é o que mais pesa no orçamento doméstico dos mais pobres. 

Apesar do sofrimento de quem mais precisa que a economia funcione de fato, gerando renda e mantendo estabilidade de preços, Lula faz de conta que esse Brasil não existe e vive obcecado com a eleição de outubro em um projeto de poder que atropela tudo o que vê pela frente. Da ética ao bom senso e da necessidade de governar à obrigação de fazer diplomacia pragmática, nada resiste ao desastre institucional do terceiro mandato do petista. Lula é ele e só. Às favas com o país e os brasileiros que trabalham. O populismo de programas sociais ineficientes que aumentam a pobreza é método. O gasto irresponsável do dinheiro do pagador de impostos, um mero meio para se manter no poder.

Em consórcio com o Supremo Tribunal Federal, que acossa e mantém sob controle os dois presidentes do Congresso, estabeleceu uma ditadura tipo jabuticaba e sabor democracia. Mas democracia não tem meio termo: ou é ou não é. E não temos sido desde, é sempre necessário lembrar, a instalação do malfadado inquérito 4.781, aquele de 2019, os das Fake News, que já dura mais de sete anos e não tem fim. É o “do Fim do Mundo”, como apelidou o então ministro Marco Aurélio Mello, espantado com tantos abusos e ilegalidades. Absurdos que fizeram Alexandre de Moraes se tornar o ministro superpoderoso e incontrolável que acaba de proibir Flávio Bolsonaro de visitar o pai até o fim do primeiro turno.



Gilmar Mendes, Alexandre de Moraes, Luiz Inácio Lula da Silva e Paulo Gonet, em solenidade comemorativa ao Dia do Soldado, em 2024, Brasília - Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil 


É nesse ponto que o Brasil está. Como um governo que é fonte dos maiores escândalos de corrupção, que promoveu o maior retrocesso institucional de nossa história, e se beneficia dele, sobretudo com perseguições à oposição, ainda se mantém? Justamente porque a sociedade que deveria reagir não o fez na medida e quando deveria ter feito. 

À exceção da parte que tira enorme proveito desse absurdo estado de coisas — como o lulismo e seus puxadinhos nos Três Poderes, nas entidades de classe, na mídia e nas universidades, porque ganha dinheiro com isso —, a outra parte da sociedade precisa reagir, porque é quem paga a conta. A nota da Fiesp é um alento diante disso tudo. De histórico poder político e participação no debate nacional, ficou inerte por anos durante o pífio mandato de Josué Gomes, filho de José Alencar, o vice de Lula nos dois primeiros mandatos.

Antes, ainda sob a gestão de Paulo Skaf, a Fiesp colocou um pato inflável gigante em frente à sede da entidade na Avenida Paulista, a mais importante do país, em protesto contra o aumento da carga tributária e o desgoverno de Dilma, que endividava o país com gastos descontrolados fora do orçamento, tal como Lula repete agora. O ano era 2016 e se tornou símbolo do impeachment da ex-presidente.

Falei disso outro dia. É preciso que mais gente fale. A nota de agora da Federação das Indústrias de São Paulo, novamente sob o comando de Skaf, não é ainda um novo pato, mas dá sinais de que a sociedade organizada começa a reagir à destruição dos valores nacionais: a democracia e a estabilidade econômica, o compromisso com a lisura pública — catapultada pela Operação Lava Jato — e a diplomacia técnica e de sucesso que marcou o Itamaraty até a chegada do PT ao poder. Na seara econômica, há números e evidências de que o Brasil precisa reagir ao buraco que ameaça o futuro de todos. 

Os números podem ser relativizados, até manipulados por análises tortas. A realidade, não. Segundo dados do próprio governo aferidos pelo CadÚnico, a população de rua praticamente dobrou nos três anos e meio deste terceiro mandato de Lula. Saiu de 198 mil, em dezembro de 2022, para 392 mil, em junho deste ano. Um aumento de 97,4% de cidadãos brasileiros transformados em zumbis sociais por falta de crescimento econômico real. 

Como pode a taxa de desemprego estar em seu patamar mais baixo? Que medição é essa? O desalento está visível nas ruas, assim como 50 milhões de brasileiros dependem do Bolsa Família, o maior programa social do país, que se transformou em mero assistencialismo porque não tem porta de saída. Programa social que gera dependência eterna é cabresto eleitoral. Fato é que os números do IBGE mostram um dado. Seus olhos, a vida real. Não existe programa social ou de mitigação de pobreza mais eficiente que emprego.

E para se ter emprego é preciso um ambiente saudável para investir e democracia de verdade. Com a maior taxa real de juros do mundo — porque Lula promove uma bomba fiscal que vai explodir ainda este ano ou no colo do próximo presidente, e insegurança jurídica monstruosa somada a uma das maiores cargas tributárias do planeta —, o governo impede a recuperação econômica. Crédito caro e escasso, por causa dos juros altos e porque o governo suga a poupança nacional para financiar seus próprios déficits, afasta investidores e reduz o investimento privado, justamente o que geraria receita saudável e empregos.


Trump e Lula se reúnem à margem da 47ª cúpula da Associação das Nações do Sudeste Asiático (Asean) em Kuala Lumpur, Malásia – 26/10/2025 - Foto: Evelyn Hockstein/Reuters

Ao não negociar com os Estados Unidos por picuinha eleitoreira, Lula coloca em risco os empregos formais e bem pagos das indústrias exportadoras. Os empregos dos brasileiros. Até porque, sufocados no Brasil pela sanha arrecadatória de Lula e de seu ex-ministro da Fazenda, Fernando Haddad, cada vez mais empresários estão se mudando para o Paraguai e gerando empregos lá. 

O que antes era mera expansão dos negócios, algo normal no setor, tem se revelado busca pela sobrevivência. Cerca de 70% das empresas inseridas no regime de Maquila — tributação menor e simplificada, mão de obra mais acessível e com menos impostos e custo de energia 60% menor — são brasileiras. A tarifa dos Estados Unidos é só um lado da moeda. A China, aliada comunista do governo Lula, impôs cota de exportação para a carne brasileira para proteger seu mercado interno. Na ausência de pragmatismo e diplomacia apartidária, e com o fim da cota já em julho, os produtores brasileiros viram a tarifa de 12% ser elevada para 67%. 

Os Estados Unidos, uma nação democrática, esperaram o Brasil para negociação desde o primeiro tarifaço em abril de 2025, quando o mundo todo foi atingido. Enquanto diplomatas e negociadores da Europa, das Américas e da Ásia faziam check-in em hotéis de Washington, esperando para negociar com a Casa Branca, Lula desdenhou e preferiu o palanque interno. Mesmo agora, com a investigação da Seção 301, que resultou na tarifa de 25%, quando era possível negociar novamente, o governo brasileiro abdicou de defender a indústria nacional. De novo, apostou no confronto de um falastrão só vagando pelo país em cerimônias com plateias amestradas. 

A diferença no caso das exportações de carne para a China é reveladora. Pequim, capital de uma ditadura de esquerda, simplesmente aumentou alíquotas unilateralmente. E Lula continuou falando muito e fazendo nada. Sem um aceno de atuação mais eficiente do governo federal, frigoríficos já diminuíram os abates. Perdem os exportadores, perde a balança comercial, perdem os trabalhadores e perde o país.

Mas Lula quer ganhar a eleição de outubro. Depende dos brasileiros. De cada um.


Adalberto Piotto - Revista Oeste

Augusto Nunes: 'É hora de criar juízo'

 Monumento à insensatez: três antipetistas disputam duas vagas no Senado 


Luiz Marinho, Alexandre Padilha, José Dirceu e Aloizio Mercadante, da esquerda para a direita - Foto: Montagem Revista Oeste/Agência Brasil 


Aberto por Lula em 1982, o desfile dos companheiros que disputaram o governo de São Paulo informa que, no principal Estado da federação, o Partido dos Trabalhadores não lança candidatos; lança ameaças. A passagem do bloco formado por 10 perigos confirma a sensatez do eleitorado residente em território paulista. Além de Lula, foram impedidos de homiziar-se no Palácio dos Bandeirantes Plínio de Arruda Sampaio, Eduardo Suplicy, José Dirceu, Marta Suplicy, José Genoíno, Aloizio Mercadante, Luiz Marinho, Alexandre Padilha e Fernando Haddad. Parece chamada no pátio do presídio para verificar se alguém fugiu.

Por determinação do presidente da República (e único deus da seita disfarçada de partido), Haddad deixou o Ministério da Fazenda para reprisar o fiasco ocorrido há quatro anos. Vai igualar-se a Mercadante, até agora o único a naufragar em duas eleições sucessivas. Em 2022, Haddad conseguiu arrastar-se até o segundo turno, quando foi massacrado por Tarcísio de Freitas, vencedor da primeira rodada. Nas duas etapas da campanha, Haddad apostou todas as fichas na certidão de nascimento: não poderia governar São Paulo um carioca que transferira seu domicílio eleitoral poucos meses antes. O argumento foi pulverizado pelo apoio do presidente Jair Bolsonaro e pelo desempenho de Tarcísio no comando do Ministério da Infraestrutura


Eduardo Suplicy e Marta Suplicy foram candidatos ao governo de São Paulo - Foto: Montagem/Pedro França/Moreira Mariz/Agência Senado

Passados quatro anos, o governador eleito pelo que fizera em vários pontos do Brasil será reeleito — com o apoio de Bolsonaro — pelo que fez na mais desenvolvida unidade da federação. Pelo andar da carruagem, a disputa vai encerrar-se já no primeiro turno. Graças às obras executadas ou em trabalhos de parto, São Paulo está com cara de Estado americano. Ao rejeitar a candidatura à Presidência, o grande administrador esbanjou talento político. Fora do páreo, livrou-se do fogo amigo e livrará São Paulo de outra ameaça lançada pelo PT. Em 2030, vai confirmar que um segundo mandato é mesmo, neste momento, a mais segura das rotas que levam ao Palácio do Planalto. 

Ironicamente, Haddad vai travar o segundo duelo em companhia de duas forasteiras em busca de uma vaga no Senado. Marina Silva nasceu num seringal do Acre e começou a vida política na Câmara dos Vereadores de Rio Branco. Fantasiada de Madre Marina da Floresta, foi senadora e disputou duas vezes a Presidência da República. Simone Tebet nasceu em Três Lagoas, no interior de Mato Grosso do Sul. Foi prefeita, deputada estadual, senadora e, em 2022, candidata à Presidência. Antes de dezembro de 2023, ambas louvaram a Operação Lava Jato e afirmaram mais de uma vez que Lula é corrupto. Esqueceram o que disseram no momento em que o presidente eleito lhes ofertou uma vaga no ministério.

São Paulo costuma acolher com generosidade brasileiros oriundos de outros Estados que decidem começar a carreira política no maior colégio eleitoral do país. Foi assim, por exemplo, com Washington Luiz (o “paulista de Macaé”), com o mato-grossense Jânio Quadros, com o carioca Fernando Henrique Cardoso, com o pernambucano Lula e com Tarcísio de Freitas. Mas São Paulo é pouco receptivo quando alguém muda de endereço para escapar da derrota onde nasceu politicamente. 

O palavrório sobre a Revolução de 1932 avisa que Simone não se livraria de um zero com louvor caso tivesse de escrever 20 linhas sobre qualquer episódio relevante da história de São Paulo. Marina até conseguiu elegerse deputada federal, mas não iria além disso mesmo se descobrisse que Campinas fica mais perto de Jundiaí que de Fortaleza. 

A dupla estaria condenada ao naufrágio pilotado por Haddad se os eleitores decididos a manter Tarcísio no cargo não fossem confrontados Fundação Padre Anchieta é parcialmente ou totalmente … com um monumento ao amadorismo político. Como sabe até o gramado da Praça dos Três Poderes, não existe segundo turno na eleição dos senadores. Em outubro, cada Estado preencherá duas vagas, e todo eleitor poderá votar em dois candidatos. Os devotos de Lula obedecerão à ordem da divindade de botequim: apoiarão Marina e Simone. 

A maioria liberal-conservadora distribuirá seus votos por três candidatos: Guilherme Derrite (PP), Ricardo Sales (Novo) e André do Prado (PL). Todas as pesquisas de intenção de voto vêm avisando que essa divisão absurda poderá resultar na vitória da indecente dobradinha concebida por Lula. Nessa hipótese, o Brasil que pensa e presta perderá duas cadeiras, e terá de enfrentar os alcolumbres e calheiros sem o apoio dos dois novos representantes de São Paulo. 

Tanto os candidatos quanto seus padrinhos precisam ser menos ambiciosos, menos açodados — e mais compassivos com o povo brasileiro. Também para a insensatez existem limites. Estão faltando adultos na sala. 

É hora de criar juízo.


Fernando Haddad, ex-ministro da Fazenda e o presidente Lula = Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil 


Augusto Nunes - Revista Oeste