sábado, 29 de agosto de 2026

Flávio cita publicidade do Master na Globo e defende sigilo da fonte

Em sabatina na emissora, candidato do PL à Presidência lembra que empresa ligada ao banco patrocinou o programa de Luciano Huck


Flávio Bolsonaro concede entrevista a Cesar Tralli e Renata Vasconcellos - Foto: TV Globo/Divulgaçã


O candidato do PL à Presidência da República, Flávio Bolsonaro, citou negócios do Banco Master com o Grupo Globo ao responder a perguntas sobre o financiamento do filme Dark Horse, cinebiografia do expresidente Jair Bolsonaro. Durante sabatina na TV Globo nesta sextafeira, 28, o senador também defendeu o sigilo da fonte jornalística e criticou a atuação do Supremo Tribunal Federal (STF). 

Perguntado sobre sua relação com o banqueiro Daniel Vorcaro, Flávio comparou o patrocínio ao filme sobre o pai com a publicidade do Will Bank, braço digital do Master, no programa Domingão com Huck. O candidato afirmou que o patrocínio ao programa chegou a R$ 160 milhões.

Vorcaro também participou da abertura de um evento do jornal Valor Econômico, do Grupo Globo, em Nova York. Flávio afirmou que o banqueiro investiu R$ 50 milhões na Editora Globo para a realização de palestras.

Os entrevistadores voltaram a cobrar informações sobre o destino dos recursos destinados ao filme e a relação de Flávio com Vorcaro. O candidato afirmou que não recebeu pessoalmente os recursos. “Não recebi dinheiro nenhum, foi um patrocínio para a produtora que fez o filme”, disse.

Segundo Flávio, sua participação no projeto consistiu em autorizar o uso de sua imagem e captar investidores. “O patrocínio para o filme privado foi de boa fé”, declarou. “Não tem nada de ilegal, está tudo correto.” 

O candidato também defendeu a instalação da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Master e disse que já assinou o requerimento para a investigação.


Flávio defende sigilo da fonte jornalística 

Em outro momento da entrevista, Flávio contestou a condenação do pai pela tentativa de golpe de Estado e criticou ministros do STF. Jair Bolsonaro foi condenado a 27 anos e três meses de prisão no processo da suposta trama golpista, conforme lembrou a TV Globo durante a sabatina. 

Flávio defendeu a anistia aos condenados pelos atos de 8 de janeiro de 2023 e prometeu, se eleito, restabelecer a segurança jurídica e assegurar a atuação das instituições dentro de suas atribuições constitucionais.

Nesse contexto, o senador citou a proteção às fontes jornalísticas. “Até fontes jornalísticas são ameaçadas, têm quebra de sigilo, sofrem busca e apreensão, lesando o direito sagrado de todo jornalista de sigilo da sua fonte”, declarou. 

Flávio se referia ao caso do jornalista maranhense Luís Pablo, alvo de busca e apreensão determinada por Moraes depois de publicar reportagens sobre o uso de um carro oficial do Tribunal de Justiça do Maranhão por familiares do ministro Flávio Dino. 

A análise dos equipamentos apreendidos levou à identificação do ex-secretário Raimundo Cutrim como fonte do jornalista. Na área econômica, Flávio prometeu reduzir o número de ministérios e cargos comissionados, cortar burocracia e buscar um ajuste fiscal. Ele também afirmou que não pretende fazer economia sobre quem recebe salário mínimo ou aposentadoria.

Mateus Conter - Revista Oeste

sexta-feira, 28 de agosto de 2026

Flávio reúne empresários em jantar em São Paulo

Encontro teve executivos de bancos, empresas e mercado financeiro e incluiu discussões sobre economia, Congresso e STF


Flávio Bolsonaro, em discurso na Praia de Copacabana — 16/8/2026 | Foto: Reprodução/YouTube/@flaviobolsonaro

O senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) participou, na noite desta quinta-feira, 27, de um jantar com 14 empresários e executivos do mercado financeiro em São Paulo. Marcelo Kayath, ex-presidente do Credit Suisse Brasil e sócio da gestora QMS, ofereceu o encontro. 

A reunião reuniu nomes bancos e empresas e sinalizou uma maior aproximação de integrantes do setor financeiro com a candidatura de Flávio. Segundo relatos sobre o encontro, os convidados aproveitaram a ocasião para conhecer as propostas do senador para um eventual governo.

Entre os participantes estavam Luiz Carlos Trabuco, do Bradesco; Milton Maluhy Filho, do Itaú; Gilson Finkelsztain, do Santander; Roberto Campos Neto, do Nubank; Christian Egan, da B3; Pedro Parente, da EbCapital; Richard Gerdau, da Gerdau; e Fábio Ermírio de Moraes, do Grupo Votorantim.

Também participaram Fábio Carvalho, da Abril; Daniel Goldberg, da Lumina; João Camargo, da Esfera Brasil; José Gallo, ex-Renner; Fernando Simões, da JSL; e a administradora Dani Marques.


Economia e cenário político 

Durante o jantar, Flávio apresentou propostas para a economia e falou sobre a relação de um eventual governo com o Congresso Nacional e o Supremo Tribunal Federal (STF).

Um dos temas discutidos foi a possibilidade de substituir o atual arcabouço fiscal pelo retorno do Teto de Gastos. A avaliação apresentada no encontro é que o governo Luiz Inácio Lula da Silva teria enfraquecido o controle sobre as despesas públicas, contribuindo para o atual cenário econômico.


O senador e candidato ao Planalto pelo PL, Flávio Bolsonaro - Foto: Reprodução/Redes sociais

A situação do comércio também entrou na conversa, com menções aos pedidos de recuperação judicial de empresas como Habib’s e Casas Bahia. 

Os jornalistas questionaram Flávio sobre como ele pretende lidar com a influência do Centrão e com o poder do STF. Segundo relatos, o senador afirmou que a solução deve seguir o caminho democrático, por meio do Congresso Nacional.

O encontro não representou uma adesão formal dos empresários à candidatura, segundo participantes. Os organizadores compareceram à reunião como uma oportunidade para ouvir as propostas do candidato. 

O jantar ocorreu depois de Flávio cumprir agenda política em Alagoas, onde participou de carreatas em Maceió e no interior do Estado.


Victótia Batalha - Revista Oeste

Sérgio Moreira assume diretoria de Operações do Instituto Amazônia+21

 Ex-presidente da Chesf vai liderar a gestão dos projetos estratégicos em inovação, impacto, finanças sustentáveis, inteligência de dados e gestão de projetos



Sergio Moreira, diretor de Operações e Projetos do Instituto Amazônia+21.


O Instituto Amazônia+21, organização vinculada à Confederação Nacional da Indústria (CNI), anunciou Sérgio Moreira como novo diretor de Operações e Projetos. Ele também passa a comandar a Facility de Investimentos Sustentáveis (FAIS), estrutura criada para captar e direcionar recursos a iniciativas sustentáveis na Amazônia e em outros biomas brasileiros.
Com mais de 40 anos de atuação em desenvolvimento territorial e em setores estratégicos, Moreira terá a missão de impulsionar a industrialização sustentável na região. Formado em Direito pela Universidade Federal de Alagoas (UFAL), ele foi secretário de Planejamento e Orçamento de Alagoas, diretor-presidente da Companhia Hidro Elétrica do São Francisco (hoje Axia Energia Nordeste), secretário-executivo do Ministério do Meio Ambiente e Amazônia Legal, superintendente da Sudene e diretor-presidente do Sebrae Nacional. Mais recentemente, atuou como diretor-adjunto do SENAI Nacional e da área de Educação e Tecnologia da CNI. Também passou pelo PNUD, pelo Fundo Multilateral de Investimentos do BID e integrou conselhos do Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais, do Metrô de São Paulo e do Comunidade Solidária.
No novo cargo, Moreira liderará a operação e a gestão dos projetos estratégicos do Instituto e da FAIS, à frente de uma equipe multidisciplinar nas áreas de inovação, impacto, finanças sustentáveis, inteligência de dados e gestão de projetos. Entre as atribuições estão o avanço do portfólio da economia verde amazônica, a estruturação de instrumentos financeiros e veículos de investimento, a originação de novas iniciativas e a mobilização de capital para ampliar escala e impacto no território.
“O Instituto tem uma tese fascinante e que me motivou a aceitar este novo desafio: transformar as vocações da Amazônia em atividades produtivas capazes de acelerar o desenvolvimento sustentável local. Encontro uma equipe extremamente qualificada e parceiros de peso, que reúnem conhecimento, capacidade de articulação e recursos para colocar essa visão em prática”, afirma Moreira.
Sob sua gestão estão iniciativas como o Morar Amazônico, em parceria com a Caixa, por meio do Fundo Socioambiental Caixa (FSA). O projeto busca demonstrar como o uso sustentável e industrializado da madeira nativa manejada pode gerar soluções habitacionais de interesse social e fortalecer a cadeia da construção civil. Também integram o portfólio o Fundo Travessias, realizado com o Sebrae, que combina assistência técnica e acesso a capital para negócios e startups da bioeconomia amazônica; e o Fundo Rural+Verde, em parceria com a Global Citizen e o Banco da Amazônia, voltado a ampliar o financiamento para pequenos produtores, assentamentos rurais e povos indígenas.
“O Instituto e a FAIS possuem um portfólio de projetos de grande magnitude, construído ao lado de instituições que são referência em suas áreas e que compartilham conosco a ambição de encontrar novos caminhos para a Amazônia. São iniciativas que atuam sobre desafios estruturais e, ao mesmo tempo, têm potencial para criar modelos capazes de ser replicados em diferentes territórios. É uma responsabilidade enorme e uma oportunidade muito estimulante”, avalia o novo diretor.
O Instituto Amazônia+21 é uma iniciativa da CNI e das Federações da Indústria da Amazônia Legal. Atua como hub entre capital e território, estruturando negócios sustentáveis, reduzindo riscos e atraindo investimentos em escala por meio da FAIS. Com base em ciência, dados e governança, a organização impulsiona cadeias da economia verde que geram emprego, renda e qualidade de vida, tendo a floresta em pé como ativo produtivo.
Diário do Poder

Além de Lula, chefe da quadrilha, lobista Roberta Luchsinger se mostra próxima de Janja, Alckmin, Gilmar, Moraes… Enfim, a fina flor da escória que assaltou o poder. Veja lista

Redes sociais de Luchsinger ostenta rede de relacionamentos da amiga de Lulinha no centro do poder do Brasil




Roberta Luchsinger mantém feed poderoso com autoridades da República no Instagram (Fotos: Instagram @roberta.luchsinger)


A ostentação da proximidade, ao menos física, do presidente Lula (PT) nas suas 12 fotos das redes sociais com a lobista Roberta Luchsinger é apenas parte de sua ampla rede de relacionamentos com a cúpula dos Poderes da República. Ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e do governo petista também ilustram a linha do tempo das postagens com a suspeita de intermediar negócios sob suposto tráfico de influência atribuído o filho de Lula, Fábio Luís, o “Lulinha”.

As imagens com Lula desmentiram a lorota do candidato petista à reeleição sobre nunca ter estado próximo da lobista investigada que ostenta tatuagem de “best friend” da esposa de Lulinha, Renata Moreira. E o feed extrapola o círculo familiar de Lula.

A primeira-dama Janja e a nora de Lula não são as únicas a aparecem felizes e sorridentes nas imagens com Luchsinger. O que indica o acesso privilegiado da lobista a quem ocupa o centro do poder nacional, em Brasília.

Personagens relevantes da República nas outras fotos com a lobista ampliam a dimensão dos contatos da amiga de Lulinha. Maior parte das imagens que Luchsinger ostenta com autoridades mostram encontros amigáveis em eventos sociais.

Colada no Supremo

Aparecem com a lobista os ministros do STF Alexandre de Moraes, Gilmar Mendes, Cristiano Zanin, e os integrantes já aposentados do Supremo, Luís Roberto Barroso e Carlos Ayres Britto.

Porém, é necessário ponderar que a ostentação mostra a lobista integrada ao círculo de poder que decide o destino do Brasil, mas não indicam qualquer ato ilegal ou relativo às investigações e suspeitas que ligam a amiga da família do presidente a escândalos como o roubo bilionário a aposentados e pensionistas do INSS e o caso de Lulinha.

A assessoria de imprensa do STF ressaltou para o Diário do Poder que seus ministros cumprem agenda institucional e participam regularmente de solenidades, cerimônias sociais e eventos públicos abertos a diversos convidados do meio jurídico, político e da sociedade civil.

“Os registros fotográficos foram na posse do ministro Zanin no STF, evento público no qual é costumeiro que os ministros atendam a solicitações de fotos. No caso do ministro Flávio Dino, a foto é de 2022, quando o ministro não exercia função pública. Ele atendeu a um pedido de foto em um aeroporto, como acontece cotidianamente”, esclareceu a assessoria do Supremo.

Ministério da Saúde

No feed de Luchsinger é possível encontrar a lobista com a ex-ministra da Saúde, Nísia Trindade (demitida em contexto de desgaste político) e seu então secretário-executivo da pasta, Swedenberger Barbosa, que é o atual chefe de gabinete adjunto de Lula.

Conhecido como Berger, ele é citado na investigação como alvo de uma suposta articulação conjunta da lobista com Lulinha, com objetivo de fechar contrato de R$ 626 milhões com uma empresa de Antonio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS”, preso pelo roubo bilionário a aposentador e pensionistas.

Nesta semana, o senador Carlos Viana, que presidiu a CPMI do INSS pediu que o Plenário do Senado convoque o atual ministro da Saúde, Alexandre Padilha, para explicar se o lobby de Luchsinger junto ao Ministério resultou em contratos.

O ministro aparece em fotos com a lobista. E sua pasta não respondeu ao Diário do Poder sobre eventuais reuniões, seus participantes, articuladores, além de empresas, projetos e possíveis processos e recursos envolvidos no lobby atribuído à lobista amiga de Lulinha. A reportagem também pediu posicionamento de Luchsinger. E está à disposição para manifestações de qualquer pessoa mostrada na matéria nas postagens da lobista.

Veja quais são as autoridades que Roberta Luchsinger ostenta em suas redes:

Geraldo Alckmin (Vice-presidente da República):

Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes (Ministros do STF): 

Cristiano Zanin (Ministro do STF):

Flávio Dino (Ministro do STF e ex-ministro da Justiça):

Luís Roberto Barroso (Ministro aposentado do STF):

Ayres Britto (Ministro aposentado do STF) e sua filha Adriele: 

Daniela Teixeira (Ministra do STJ):

Alexandre Padilha (Ministro da Saúde e ex-chefe das Relações Institucionais):

Gleisi Hoffmann (Ex-ministra de Relações Institucionais e ex-presidente nacional do PT):

Nísia Trindade (Ex-ministra da Saúde) e o chefe de gabinete adjunto de Lula, Berger Barbosa: 

Márcio França (Ex-ministro do Empreendedorismo):

Wellington Dias (Ministro do Desenvolvimento Social):

Fernando Haddad (Ex-ministro da Fazenda):

Janja Lula da Silva, primeira-dama: 

Renata Moreira, nora de Lula e esposa de Lulinha: 

 

Davi Soares - Diário do Poder

Sergio Moro lidera cenários de 1º e 2º turnos para o governo do Paraná

 


Senador Sergio Moro. (Foto: Beto Barata/PL).


Um levantamento feito pelo Instituto Real Time Big Data, divulgado nesta sexta-feira (28), mostra que o senador Sergio Moro (PL-PR) lidera cenários de primeiro e segundo turno na disputa pelo governo do estado do Paraná.

Em um cenário simulado, Moro lidera com 35%, contra Sandro Alex (PSD) com 23%, Requião Filho (PDT) com 29%, Luiz França (Missão) com 2% e outros fecharam em 1%. Brancos e nulos somam 6%; indecisos somam 13%.

Os candidatos Adriano Teixeira (PCO), Alexandre Salomão (Mobiliza), Samuel de Mattos (PSTU) e Tayná Miessa (UP) somam 1%.

Em uma disputa de eventual segundo turno, Moro lidera contra o nome de Requião Filho (PDT), candidato apoiado pelo presidente Lula (PT).

No cenário, Moro aparece com 54%, seguido de Requião com 27%. Brancos e nulos com 10% e indecisos somam 9%.

No cenário de segundo turno contra Sandro Alex (PSD), Moro lidera com 44%, contra 32% do oponente. Brancos e nulos somam 13%, indecisos somam 11%.

O levantamento ouviu 1.600 eleitores entre 24 e 27 de agosto, com margem de erro de dois pontos percentuais e nível de confiança de 95%. A pesquisa está registrada no TSE sob o número PR-07845/2026.

Luan Carlos -- Diário do Poder




Confira quem frequentava mansão/covil de lobista cúmplice de Lulinha

Movimentação em torno da casa alugada por Roberta Luchsinger está no centro de inquérito da PF que investiga tráfico de influência e corrupção



O filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, e a lobista Roberta Luchsinger - Foto: Reprodução/Redes sociais


A movimentação em torno de uma mansão luxuosa em Brasília usada como base pela lobista Roberta Luchsinger está no centro de um inquérito da Polícia Federal que investiga suspeitas de tráfico de influência e corrupção que envolvem Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, filho do presidente da República.

O caso, repercutido pela revista Veja, ganhou destaque pela articulação de negócios privados com órgãos federais, incluindo tentativas de contratos milionários com o Ministério da Saúde para medicamentos à base de canabidiol. 

Mensagens analisadas pela PF revelam que Lulinha atuava em parceria com empresários e lobistas, como Antônio Carlos Camilo Antunes, chamado de Careca do INSS, figura ligada a esquemas de fraude em aposentadorias. Depois do escândalo que envolve o INSS, as tratativas sobre o canabidiol foram abandonadas, mas o grupo manteve outras iniciativas para acordos em setores como portos, aeroportos e empresas públicas.


O papel e os visitantes da mansão


A lobista reuniu figuras do governo Lula na residência - Foto: @roberta.luchsinger/Reprodução

Roberta Luchsinger, que possui conexões com integrantes do PT, era responsável por aproximar interessados em contratos públicos de autoridades influentes. Segundo apuração do jornal O Globo, a mansão em Brasília servia para reuniões e festas, reunindo empresários, ministros e assessores do presidente. Lulinha era hóspede frequente e aproveitava a estrutura do imóvel, localizado em condomínio de alto padrão a 8 quilômetros do Palácio do Planalto.

Entre os visitantes da residência estavam Alexandre Padilha (PT-SP), ministro da Saúde; Wellington Dias (PT-PI), ministro do Desenvolvimento Social; Frederico Siqueira (PT-SP), ministro das Comunicações; Swedenberger Barbosa, chefe-adjunto do gabinete presidencial; além de Marco Aurélio Santana, ex-chefe de gabinete. Os irmãos Kalil e Fernando Bittar, sócios de Lulinha, também compareciam, assim como a própria Roberta.

Mensagens sugerem que Frederico Siqueira, “Fred”, aconselhou lobistas que buscavam negócios na Dataprev. O ministro, um dos frequentadores da mansão, foi alvo de preocupação quando explodiu o escândalo do INSS. “Eu tô com casa aqui, Fábio, filho do presidente, fica aqui comigo”, escreveu Roberta a um consultor de crise, segundo a Veja. “Estamos vindo toda semana [a Brasília]. Fred merece uma atenção especial.” 

O acesso à casa era controlado pela portaria do condomínio, mas as regras eram flexíveis para os convidados da lobista. “A ordem era para não registrar nada”, relatou um funcionário do local à Veja. “A pessoa chegava, o porteiro ligava na casa e perguntava se a entrada estava liberada.” Segundo ele, Lulinha era visto informalmente, circulando de bermuda e sem camisa pelos jardins. 

Em um outro diálogo, Roberta convidou o chefe de gabinete de Lula da Silva para almoçar na mansão. “Quer um churrasquinho?”, pergunta. 

Marcola responde que a ideia era boa, mas o tempo disponível seria curto demais. “Amanhã o presidente está aqui”, explica e sugere: “A gente pode pedir uma carne”. 

Depois da parte gastronômica, a lobista faz um pedido: “Leva o Berger”. E esclarece: “O Fábio pediu”.


Contrato de aluguel e relações da lobista e de Lulinha 

O imóvel foi alugado em meados de 2024, com contrato inicialmente no nome do dentista Rafael Nicolau Arbex, amigo de Fernando Bittar. 

Arbex, citado como testemunha na Operação Lava Jato, afirmou que apenas assinou em nome de Roberta por um imprevisto dela e que todas as despesas, que chegaram a R$ 100 mil mensais, eram de responsabilidade da lobista. A suspeita é que empresários interessados em negócios com o governo custeavam esses valores. 

A Polícia Federal aponta Lulinha, Fernando Bittar e Roberta Luchsinger como parte de um grupo oculto que negociava influência e oferecia facilidades a clientes interessados em acessar órgãos públicos. As mensagens mostram que Roberta esperava faturar até R$ 100 milhões em 2024 e relatava proximidade com o presidente.

“Fui uma das poucas pessoas que o Lula chamou e perguntou: escolhe onde você quer ficar”, afirmou. Sobre Lulinha, declarou:

 “Fábio e eu somos uma pessoa só” e explicou: 

“Ele só entra em campo quando precisa”. 

Lucas Chelddi - Revista Oeste

'O debate real', por Adalberto Piotto

No Brasil que precisa salvar a democracia antes e a economia logo a seguir, só vale o que realmente importa



Ausência de Flávio Bolsonaro e Lula é marcada por púlpitos vazios em debate para as eleições presidenciais de 2026 - Foto: Reuters/Jean Carniel


E leição é história, a corrida eleitoral é o presente. É isso o que pauta os marqueteiros e coordenadores de campanhas majoritárias, como a de presidente da República, e os eleitores: a vida real. Portanto, sem diminuir em nada a iniciativa tradicional do grupo Bandeirantes de realizar grandes debates no primeiro turno, o pragmatismo de resultados, seja do candidato com chances de ganhar ou do eleitor com sede de soluções, é a resposta para o encontro esvaziado do último domingo, 23 de agosto. Sem conseguir trazer para o palco Lula e Flávio Bolsonaro, restou a segunda divisão dos candidatos presidenciais e uma audiência baixa com repercussão menor ainda. 

Dois fatos demonstram que esse modelo, embora seja histórico e tenha pautado eleições no passado, está superado. Ao menos no primeiro turno. A primeira realidade inalienável é que Ronaldo Caiado (PSD), Renan Santos (Missão) e Augusto Cury (Avante), quando somados, não ultrapassam os 10 pontos, segundo o Datafolha da sexta-feira, 21, justamente a última pesquisa que antecedeu o debate da Band. 

Outro ponto indiscutível é que nenhum dos que foram seria capaz de fazer algo que pudesse mudar o cenário das intenções do eleitor. Alguém acredita que Caiado, Renan e Augusto Cury poderiam fazer algo no debate que pudesse tirar 13 ou 14 pontos de Lula ou Flávio e avançar para o segundo turno como uma terceira via? Não. Atualmente, são todos coadjuvantes, como Romeu Zema (Novo), outro que desistiu de ir porque sabia que só faria número. A cena de Gilberto Kassab, candidato a vice na chapa do PSD, cochilando durante a fala do próprio Caiado, é o resumo caricato de um debate que resultou pífio.


Debate presidencial reúne os candidatos Augusto Cury, Ronaldo Caiado e Renan Santos na corrida eleitoral de 2026 - Foto: Reuters/Jean Carniel

O modelo de grandes debates sobre temas nacionais e propostas de candidatos funcionou de maneira excepcional nos anos 1980. Nos anos 1990, a fórmula engessada de pergunta, resposta, réplica e tréplica, com tempo determinado em segundos, já suscitava críticas. O modelo até avançou, com mais liberdade de tempo e mobilidade de palco para os candidatos, mas só funciona para dois, no segundo turno. O que se viu semanas atrás, no debate entre os candidatos ao governo de São Paulo, realizado pela própria Bandeirantes, é uma exceção que confirma a regra. Debate bem-sucedido, com repercussão, um debate de primeiro turno com só dois candidatos: Tarcísio de Freitas e Fernando Haddad.

Ainda assim, o modelo sugere um certo cansaço. Houve críticas pela inconsistência e despreparo de Haddad, o herdeiro de Lula que saiu do Ministério da Fazenda com a alcunha de “Taxad” e incapaz de controlar a sanha gastadora do padrinho e presidente. Fato é que na eleição presidencial, o governo Lula tem contestação forte e justa pelo descalabro fiscal, pela ineficiência administrativa, violência crescente, inflação e diplomacia errática, altamente ideologizada. É terreno fértil para discussões acaloradas. Em São Paulo, não. Tarcísio tem alta aprovação, grande probabilidade de ser reeleito já em 4 de outubro e era, até outro dia, o pré-candidato mais bem avaliado a suceder o próprio Lula. Neste caso, mesmo tendo dado certo, a pergunta que ficou foi se era preciso. 

Neste século, até antes de a internet e das redes sociais serem o fenômeno que são, com mais ou menos motivos de contestação, os debates no primeiro turno até reservavam algum apelo. Mas o formato caótico do debate da TV Cultura à prefeitura de São Paulo, em 2024, com candidatos paraquedistas na política, falastrões e a cadeirada de José Luiz Datena em Pablo Marçal, transformou o que deveria ser uma discussão política sobre o futuro da maior cidade do país em um picadeiro de circo mambembe. Além do mais, hoje vivemos outros tempos, de comunicação ampla e quase instantânea com o eleitor. Uma estratégia bem feita numa rede social arregimenta milhões de cabos eleitorais espontâneos e aguerridos na defesa de seu candidato.


Pablo Marçal e Datena, no episódio conhecido como “Cadeirada” | Foto: Reprodução/TV Cultura

Na média, os brasileiros gastam mais de 9 horas por dia na internet, a segunda maior do mundo. Nas redes sociais, 3 horas e 49 minutos, o que nos coloca no top 5 global. A internet no Brasil é o que se chama no interior produtivo do Brasil de terra roxa — o que plantar, floresce. E, mesmo nesse ambiente conturbado das redes, muita coisa boa cresceu. A consciência política, o gosto por escrutinar governantes e, sobretudo, a descentralização da comunicação. Os veículos tradicionais já não são a única fonte, não há mais monopólio da verdade.

O debate presidencial de 1989, talvez o mais relevante de todos, é hoje apenas uma memória. E ali havia situações muito diferentes. Era a primeira eleição direta para presidente. Vivíamos o auge da redemocratização com a Constituição recém-promulgada no ano anterior, em 1988. A TV era um veículo único, que gerava prestígio imediato a quem conseguisse aparecer em seus programas. Os veículos de comunicação gozavam de credibilidade porque haviam se juntado na luta pela volta da democracia, das eleições diretas e tudo o que a nossa sede de participação política ensejava num Brasil que se reencontrava com o debate público livre e um país por fazer dar certo. As dores eram coletivas, como a hiperinflação e o subdesenvolvimento. 

E o desejo de liberdade, uma causa inalienável. Com isso em mente, numa época em que os debatedores eram políticos do nível de Mário Covas, Fernando Henrique Cardoso e Leonel Brizola, pegue o túnel do tempo e veja que no Brasil de 2026, os brasileiros precisam lutar para fazer a democracia valer novamente. A realidade é de retrocesso. Hoje, lida-se com o PT de Lula — que se sentia “oprimido” no passado — associado ao Supremo Tribunal Federal (STF). O conluio do consórcio de poder entre ambos transformou a mais alta Corte do país em um aparelho de perseguição política para calar a oposição de direita e conservadora. 

A emergência das pessoas e do país é outra, que o debate parece não ser capaz de enfrentar. Uma parte da imprensa, veja só, aplaudiu a censura porque era contra concorrentes ou colegas jornalistas de pensamento diferente. A anistia de 1979 seria hoje negada por essa gente. Teriam de reescrever a história do Brasil.

Afinal, os célebres debates de 1989 só aconteceram porque a anistia assinada pelo governo militar permitiu que políticos perseguidos pudessem concorrer e jornalistas exilados fizessem a cobertura, alguns em atividade até hoje.


Debate presidencial de 1989, na imagem, da esquerda para a direita, os canditatos Paulo Maluf, Mário Covas, a jornalista Marília Gabriela, Luiz Inácio Lula da Silva, Ronaldo Caiado e Guilherme Afif Domingos - Foto: Jorge Araújo/Folhapress


No Brasil de 2026, o ex-presidente Jair Bolsonaro está inelegível e preso, condenado em um julgamento de exceção dentro do próprio STF, e parte da imprensa ignora todos os abusos processuais. A anistia lá de trás, garantida e comemorada para sequestradores e assassinos, é negada por essa mesma gente à Debora do Baton, a moça que pintou aquela estátua fria e sem graça em frente ao STF. O voto do ministro Luiz Fux na alegada trama golpista, talvez o mais longo da história, exibe com riqueza de detalhes a sequência de ilegalidades que deveria anular todo o processo. 

Pedir que os brasileiros ignorem tudo isso e assistam aos debates de primeiro turno entre presidenciáveis como se nada de grave estivesse acontecendo é querer um pouco demais. Um dos ministros que condenou Bolsonaro se dizia vítima. Mesmo assim, votou por condenar seu algoz. Faz sentido? 

Dada a realidade, a rejeição ao modelo dos anos 1980 não é só uma questão temporal ou de forma ultrapassada. É entender que o principal não será discutido. O Brasil de hoje, que trabalha e produz, quer retomar o país e refazer a vida democrática que lhe foi tirada. E, diante de um governo impopular e consorciado com um Supremo abusivo, esse eleitor realmente interessado em política, muito similar àquela audiência dos debates dos anos 1980, sabe que o desafio da oposição é um só: apear Lula do poder. 

Lula é hoje o atraso contra o qual se lutava na redemocratização, contra a ditadura que não se quer mais diante de sua parceria com a ala arbitrária e abusiva do Supremo Tribunal Federal. O voto de oposição a Lula é contra a indignidade do voto de cabresto, que quer doutrinar milhões de brasileiros enganados por políticas assistencialistas e, por fim, contra a violência e a inflação, que corroem o presente e postergam o futuro do país de todos que, nos dois mandatos que antecederam o atual (Temer e Bolsonaro), souberam que poderia dar certo justamente por se opor às políticas destrutivas do PT e de Lula.

Não por acaso, Flávio Bolsonaro, do PL, o candidato de oposição que aparece apenas um ponto atrás nas pesquisas de segundo turno, disse que não foi ao debate porque “quer debater com quem está destruindo o Brasil e piorando a vida dos brasileiros. Debater com quem acabou com o poder de compra da população, com quem está endividando as famílias, sufocando as empresas, empresários e microempreendedores”. Antes, não ir o um debate de primeiro turno parecia o fim do mundo. Hoje, não mais! Porque o debate que importa ao Brasil, cuja economia e democracia estão sob ataque no governo Lula, é um só: que país queremos a partir de outubro e de que lado cada brasileiro pretende ficar.


 Adalberto Piotto - Revista Oeste