sexta-feira, 2 de outubro de 2026

Judiciário a serviço de Lula, por Anderson Scardoelli

Ministra do TSE Estela Aranha, em tabelinha com Gilmar Mendes, censura o que seria o debate presidencial da Globo


Ilustração: Montagem Revista Oeste/Gerada por IA

A ministra do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) Estela Aranha ganhou protagonismo, ainda que negativo, na reta final da campanha do primeiro turno das eleições. Em decisão monocrática tomada na noite desta quinta-feira, 1º, duas horas antes do que seria o começo do debate presidencial da TV Globo, proibiu a emissora de expor o púlpito que seria destinado ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, candidato à reeleição, e também de permitir que os demais candidatos dirigissem perguntas a ele. As regras constavam de uma ata assinada por todos os partidos — inclusive o PT. 

No ato de censura disfarçado de parecer jurídico, Estela argumentou que a exibição do púlpito vazio iria constranger Lula, que, em meio a altos índices de rejeição e o crescimento do senador Flávio Bolsonaro (PL) em recentes pesquisas de intenções de voto, havia optado por não participar do debate. A decisão de Lula foi anunciada um dia antes. Ao se posicionar a favor do petista, a magistrada ressaltou ser facultativa a participação de candidatos em debates eleitorais.


Ministra Estela Aranha, durante sessão plenária do Tribunal Superior Eleitoral - Foto: Luiz Roberto/TSE

Horas depois da decisão, começou a circular um vídeo de 2022 em que ela afirma que votará 13 no segundo turno: “Como advogados nós não temos outra opção que não seja o Lula pra a gente estancar o aumento do autoritarismo, pra gente defender o Estado Democrático de Direito e a democracia no país. Então os advogados devem votar em Lula inclusive para salvar o próprio sistema de Justiça”.


Chefiada por Dino 

Foi justamente Lula, a pedido de Dino, quem indicou a advogada para o cargo de ministra do TSE em julho de 2025. Antes disso, ela integrou a equipe do Ministério da Justiça e Segurança Pública. Na pasta, Estela teve como chefe direto Flávio Dino. Ela foi nomeada assessora especial do ministro em 26 de janeiro de 2023. Dez meses depois, ganhou promoção e se tornou, em 24 de novembro daquele ano, secretária de Direitos Digitais do ministério. 

Em fevereiro de 2024, Dino deixou o Ministério da Justiça depois de ter sido indicado por Lula para o cargo de ministro do Supremo Tribunal Federal (STF). Estela foi exonerada no mês seguinte, quando a pasta já estava sob o comando de Ricardo Lewandowski. Ela, entretanto, não ficou desamparada pelo governo. Ganhou o cargo de assessora especial do presidente da República em 30 de setembro de 2024. 

Pediu para deixar a função no fim de fevereiro de 2025, quando passou a atuar como assessora no gabinete da presidência do TSE, ocasião em que a Corte tinha como presidente a ministra Cármen Lúcia, substituída por Nunes Marques em maio deste ano.


Lula nomeia Estela Aranha para TSE, antes foi assessora de Flávio Dino no Ministério da Justiça | Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil 

Tabelinha com Gilmar

A decisão de Estela Aranha, que proibiu a Globo de constranger Lula, foi tornada pública cerca de 20 minutos antes de o decano do STF, Gilmar Mendes, também interferir na organização do debate. Por meio de decisão monocrática e, indo contra entendimentos anteriores de Cármen Lúcia e do TSE, o magistrado tornou obrigatória a presença de Renan Santos (Missão) no encontro dos presidenciáveis. 

A decisão de Gilmar se deu à revelia das leis eleitorais, que determinam a obrigatoriedade de convites somente a candidatos que integrem partidos, federações partidárias ou coligações que tenham ao menos cinco representantes no Congresso Nacional. Não é o caso do Missão. O partido não conta com senador e tem em Kim Kataguiri (SP) seu único deputado federal. 


Interferência jurídica

Flávio Bolsonaro resolveu cancelar sua participação. De acordo com ele, a Globo foi alvo de “censura” por não poder exibir o púlpito vazio do “presidente fujão”. “A imprensa tem que ser livre”, enfatizou o candidato do PL à Presidência. “E as eleições, limpas.”

Alvo das decisões vindas do TSE e do STF, a Globo resolveu cancelar o debate, que contaria somente com Augusto Cury (Avante), Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo), além de Renan. Por meio de comunicado, o canal afirmou discordar do que classifica como “interferências” do Poder Judiciário nas regras previamente acordadas com representantes dos candidatos. 

“Nosso dever é o de promover a democracia, mas as sucessivas decisões judiciais tomadas momentos antes da realização do debate causam insegurança jurídica e representam uma interferência indevida na liberdade que os veículos de imprensa têm de organizar os debates eleitorais”, afirmou a emissora. “Por essa razão, a Globo decidiu cancelar o debate desta noite.”

O canal ganhou apoio da Associação de Emissoras de Rádio e Televisão, da Associação Nacional de Editores de Revistas e da Associação Nacional de Jornais. Em nota conjunta, as instituições criticaram a “intervenção judicial”. 

Antes do anúncio do cancelamento do debate, alguns colunistas do jornal O Globo, veículo que pertence ao Grupo Globo, preferiram criticar Flávio, em vez de Lula, Estela ou Gilmar. Fabio Graner e Vera Magalhães disseram que o senador temia encarar Renan Santos. Mas, para Malu Gaspar, também de O Globo, ministros de Cortes superiores “estão virando cabo eleitoral de candidato a presidente”. A esses magistrados, a jornalista aconselha: “Tire a toga e vá fazer campanha, vá fazer política”.


Malu Gaspar DETONOU o STF/TSE: “Estamos diante de uma situação surreal, absurda, inaceitável de ministros do Supremo que estão virando cabo eleitoral de candidato a presidente.” E completou: se ministro quer fazer política, “tira a toga e vai fazer campanha”.


Anderson Scardoelli - Revista Oeste 

Judiciário a serviço de Lula, por Anderson Scardoelli

Ministra do TSE Estela Aranha, em tabelinha com Gilmar Mendes, censura o que seria o debate presidencial da Globo


Ilustração: Montagem Revista Oeste/Gerada por IA

A ministra do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) Estela Aranha ganhou protagonismo, ainda que negativo, na reta final da campanha do primeiro turno das eleições. Em decisão monocrática tomada na noite desta quinta-feira, 1º, duas horas antes do que seria o começo do debate presidencial da TV Globo, proibiu a emissora de expor o púlpito que seria destinado ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, candidato à reeleição, e também de permitir que os demais candidatos dirigissem perguntas a ele. As regras constavam de uma ata assinada por todos os partidos — inclusive o PT. 

No ato de censura disfarçado de parecer jurídico, Estela argumentou que a exibição do púlpito vazio iria constranger Lula, que, em meio a altos índices de rejeição e o crescimento do senador Flávio Bolsonaro (PL) em recentes pesquisas de intenções de voto, havia optado por não participar do debate. A decisão de Lula foi anunciada um dia antes. Ao se posicionar a favor do petista, a magistrada ressaltou ser facultativa a participação de candidatos em debates eleitorais.


Ministra Estela Aranha, durante sessão plenária do Tribunal Superior Eleitoral - Foto: Luiz Roberto/TSE

Horas depois da decisão, começou a circular um vídeo de 2022 em que ela afirma que votará 13 no segundo turno: “Como advogados nós não temos outra opção que não seja o Lula pra a gente estancar o aumento do autoritarismo, pra gente defender o Estado Democrático de Direito e a democracia no país. Então os advogados devem votar em Lula inclusive para salvar o próprio sistema de Justiça”.


Chefiada por Dino 

Foi justamente Lula, a pedido de Dino, quem indicou a advogada para o cargo de ministra do TSE em julho de 2025. Antes disso, ela integrou a equipe do Ministério da Justiça e Segurança Pública. Na pasta, Estela teve como chefe direto Flávio Dino. Ela foi nomeada assessora especial do ministro em 26 de janeiro de 2023. Dez meses depois, ganhou promoção e se tornou, em 24 de novembro daquele ano, secretária de Direitos Digitais do ministério. 

Em fevereiro de 2024, Dino deixou o Ministério da Justiça depois de ter sido indicado por Lula para o cargo de ministro do Supremo Tribunal Federal (STF). Estela foi exonerada no mês seguinte, quando a pasta já estava sob o comando de Ricardo Lewandowski. Ela, entretanto, não ficou desamparada pelo governo. Ganhou o cargo de assessora especial do presidente da República em 30 de setembro de 2024. 

Pediu para deixar a função no fim de fevereiro de 2025, quando passou a atuar como assessora no gabinete da presidência do TSE, ocasião em que a Corte tinha como presidente a ministra Cármen Lúcia, substituída por Nunes Marques em maio deste ano.


Lula nomeia Estela Aranha para TSE, antes foi assessora de Flávio Dino no Ministério da Justiça | Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil 

Tabelinha com Gilmar

A decisão de Estela Aranha, que proibiu a Globo de constranger Lula, foi tornada pública cerca de 20 minutos antes de o decano do STF, Gilmar Mendes, também interferir na organização do debate. Por meio de decisão monocrática e, indo contra entendimentos anteriores de Cármen Lúcia e do TSE, o magistrado tornou obrigatória a presença de Renan Santos (Missão) no encontro dos presidenciáveis. 

A decisão de Gilmar se deu à revelia das leis eleitorais, que determinam a obrigatoriedade de convites somente a candidatos que integrem partidos, federações partidárias ou coligações que tenham ao menos cinco representantes no Congresso Nacional. Não é o caso do Missão. O partido não conta com senador e tem em Kim Kataguiri (SP) seu único deputado federal. 


Interferência jurídica

Flávio Bolsonaro resolveu cancelar sua participação. De acordo com ele, a Globo foi alvo de “censura” por não poder exibir o púlpito vazio do “presidente fujão”. “A imprensa tem que ser livre”, enfatizou o candidato do PL à Presidência. “E as eleições, limpas.”

Alvo das decisões vindas do TSE e do STF, a Globo resolveu cancelar o debate, que contaria somente com Augusto Cury (Avante), Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo), além de Renan. Por meio de comunicado, o canal afirmou discordar do que classifica como “interferências” do Poder Judiciário nas regras previamente acordadas com representantes dos candidatos. 

“Nosso dever é o de promover a democracia, mas as sucessivas decisões judiciais tomadas momentos antes da realização do debate causam insegurança jurídica e representam uma interferência indevida na liberdade que os veículos de imprensa têm de organizar os debates eleitorais”, afirmou a emissora. “Por essa razão, a Globo decidiu cancelar o debate desta noite.”

O canal ganhou apoio da Associação de Emissoras de Rádio e Televisão, da Associação Nacional de Editores de Revistas e da Associação Nacional de Jornais. Em nota conjunta, as instituições criticaram a “intervenção judicial”. 

Antes do anúncio do cancelamento do debate, alguns colunistas do jornal O Globo, veículo que pertence ao Grupo Globo, preferiram criticar Flávio, em vez de Lula, Estela ou Gilmar. Fabio Graner e Vera Magalhães disseram que o senador temia encarar Renan Santos. Mas, para Malu Gaspar, também de O Globo, ministros de Cortes superiores “estão virando cabo eleitoral de candidato a presidente”. A esses magistrados, a jornalista aconselha: “Tire a toga e vá fazer campanha, vá fazer política”.


Malu Gaspar DETONOU o STF/TSE: “Estamos diante de uma situação surreal, absurda, inaceitável de ministros do Supremo que estão virando cabo eleitoral de candidato a presidente.” E completou: se ministro quer fazer política, “tira a toga e vai fazer campanha”.


Anderson Scardoelli - Revista Oeste


Augusto Nunes - Já é carnaval no Brasil

 A comissão de frente tem tudo para brilhar na Sapucaí




D epois de uma cerimônia pública, Alexandre de Moraes explicou ao parceiro Dias Toffoli, aos gritos, que não ficaria mais tempo por excesso de tarefas a cumprir. “Tem muita gente pra prendê”, berrou. “Tem muita multa pra aplicá”. Passados dois anos, não são poucos os brasileiros presos, multados e perseguidos pelo ex-promotor de Justiça que virou padroeiro dos fabricantes de tornozeleiras eletrônicas. Mas os brasileiros decentes clamam por outras urgências. Há pelo menos dois ministros do Supremo Tribunal Federal a investigar, julgar e punir: Toffoli e Moraes. E há meio tribunal a ser neutralizado por milhões de democratas indignados com o rebaixamento da corte a integrante da coligação partidária disposta a tudo para presentear Lula com um quarto mandato. 

A descoberta de que existem juízes dispostos a cumprir a lei tirou o sono e afetou o juízo dos que se acham doutores em tudo. Inquieta com as evidências de que já não controla o STF, insone com presença de ministros sem dono no comando da Justiça Eleitoral, a bancada dos discípulos de Gilmar Mendes ficou parecida com uma tropa brancaleônica ao topar com juristas sem medo. Resolveu recrutar juízes de instâncias inferiores, mobilizar tropas fiéis a um procurador-geral que envergonha o Ministério Público, recorrer a votos monocráticos obscenos e intromissões intoleráveis em outras esferas do Judiciário, fora o resto — tudo para impedir que Flávio Bolsonaro seja o escolhido pelo eleitorado brasileiro.


Flávio Dino e Lula, amizade de longa data | Foto: Reprodução


Nesta semana, o que se viu no STF — nas catacumbas da corte e no que os ministros chamam de Pretório Excelso — deixou ruborizado um decano dos advogados de porta de cadeia. Vice-presidente do Tribunal Superior Eleitoral, André Mendonça vetou a divulgação de uma falsidade que acusava Flavio Bolsonaro de planejar a destituição de Nossa Senhora Aparecida do posto de Padroeira do Brasil. Flávio Dino, que nada tem a ver com a Justiça Eleitoral, ordenou a liberação da mentira, sepultada horas depois pela maioria do TSE. Lula retribuiu a ajuda com um telefonema para Dino diretamente do palanque onde estacionara. “Fala, Flávio!”, ordenou. “Fala alguma coisa!” Por algum motivo ainda ignorado, o Flávio do Lula nada falou.


Flávio Dino e Lula, amizade de longa data | Foto: Reproduçã


Na quinta-feira, a ala governista do STF concentrou-se no debate entre candidatos à Presidência organizado pela TV Globo. Como manda a legislação, foram convocados apenas os filiados a partidos que tenham ao menos cinco representantes no Congresso. Excluído do evento, o candidato Renan Santos, do Missão, desandou em ofensas e insultos a Flávio Bolsonaro, que nada tinha a ver com a história. Feliz com o que leu, Gilmar Mendes exigiu que o correligionário Renan Santos fosse convidado. Era pouco, decidiu a companheira Estela Aranha, ministra do TSE graças aos muitos anos de serviços prestados ao PT (veja reportagem de Anderson Scardoelli). Estela proibiu a Globo de incluir no cenário a cadeira que o convidado Lula preferira deixar vazia. Mandou trancafiar o perigoso objeto em algum porão. 

Foram todos surpreendidos pelo alvo da conspiração: corretamente, Flávio Bolsonaro anunciou que desistira do debate. Nem Flávio Dino ousou determinar que o candidato desse as caras na emissora no horário combinado. Mas comentaristas e locutores da Globo, com o habitual destemor, imediatamente encontraram o culpado pelo fiasco da grande atração da noite: Flávio Bolsonaro, claro. Nada sobre os juízes de picadeiro. Nem sobre a fuga de Lula. Muito menos sobre o Carnaval antecipado para o primeiro dia de outubro pela ala lulista do Supremo, em pânico com a indigente campanha do Biden brasileiro. 

Por falar em Carnaval, as grandes escolas de samba não sabem o que estão perdendo. A cada sessão do Supremo Tribunal Federal, a espetaculosa entrada em cena dos ministros avisa que meia dúzia de superdoutores bastaria para a montagem de uma comissão de frente de embasbacar a Sapucaí. Chicanas e vigarices se tornaram mais ousadas que a menos pudica rainha de bateria. Pirotecnias tramadas para driblar as leis em geral e a Constituição em particular matariam de inveja um Joãosinho Trinta. A estranha linguagem da turma faz tanto sentido quanto a letra do Samba do Crioulo Doido. E a fantasia da comissão de frente está nos armários da corte: nada é tão majestoso, carnavalesco e adequadamente ridículo quanto o traje completo de um ministro do Supremo.


O ministro da Justiça, Flávio Dino, e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante a apresentação de um balanço da segurança pública em 2023, em cerimônia no Palácio do Planalto, Brasília, DF (31/1/2024) | Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

“O uso das togas está previsto no regimento interno”, informa um documento exposto no Museu do Supremo Tribunal Federal. “Embora popularmente chamadas apenas de túnicas, as vestes são compostas por quatro peças: veste talar, cinto, capa e capelo”. Uma espécie de chapéu octogonal, o capelo caiu em desuso. Merece ser ressuscitado na Sapucaí. O Carnaval tudo permite. Até a gravata Hermès no modelo Lapindragon Tie usada por Alexandre de Moraes no julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro. Está disponível por R$ 1,5 mil no site oficial da grife francesa. 

Na época, Moraes já era amigo do peito de Daniel Vorcaro. Único folião comunista do planeta, desde a adolescência Flávio Dino tem peso e animação suficientes para perpetuar-se no posto de Rei Momo de São Luís. Era governador quando apareceu nas ruas da capital maranhense fantasiado de guerrilheiro. Ministro da Justiça de Lula, fez sucesso com um camisolão vermelho. Agora brilhando na bancada do governo no STF, o colosso maranhense vai levantar a arquibancada usando a mesma roupa que traja quando trabalha. A toga de cetim de seda é alguns metros maior do que as outras. Mas deixará o destaque da comissão à vontade para jurar que merece nota 10 a apresentação dos inventores da democracia à brasileira. Ele sempre mentiu mais do que respira.


O então governador do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB), desfila no Carnaval vestido de comunista – 05/03/2019 | Foto: Reprodução


Em setembro de 2018, candidato à reeleição, o governador Flávio Dino foi entrevistado por uma emissora de TV do Maranhão. Já no começo da conversa, o repórter quis saber os motivos do descumprimento da mais vistosa promessa formulada quatro anos antes:

 — No dia 1º de janeiro de 2015, na sacada do Palácio dos Leões, o senhor prometeu que, ao final do seu governo, nenhum dos municípios maranhenses estaria no rol dos mais pobres do Brasil. Como explicar que o senhor tenha falhado no cumprimento dessa promessa, que foi aquela que mais esperanças despertou?

Dino retrucou de bate-pronto: 

— Em primeiro lugar, eu não prometi esse absurdo, porque seria obviamente algo inviável, algo inalcançável. A resposta foi interrompida para que os espectadores soubessem quem estava mentindo. Possíveis dúvidas foram dizimadas pela exibição de um trecho do discurso de posse: 

— Nós estamos instituindo hoje o Plano Mais IDH — anunciou o eleito com a faixa derramada sobre o ventre

. — Por intermédio desse plano, nós vamos adotar ações nas 30 cidades que têm o pior IDH do Maranhão, do Brasil. Porque o que nós queremos é que, ao fim do governo, não tenha nenhuma cidade maranhense no rol das cem piores do Brasil. (Não sei se Dino viu naquele momento o que a telinha mostrava ou se o trecho do discurso foi acrescentado ao vídeo depois da conversa no estúdio. Pouco importa. O que interessa é que o governador em busca da reeleição mentia com o descaramento de uma Dilma Rousseff). Escancarada a tapeação e retomada a entrevista, o jornalista voltou a tratar de promessas que nunca descem do palanque: 

— O senhor novamente elenca 75 propostas e o combate à pobreza extrema está entre elas. Por que desta vez o eleitor deve acreditar que a promessa será cumprida? Seguiu-se à pergunta o lembrete constrangedor :

 — Quanto à promessa de que ao final do seu mandato nenhum município estaria incluído no rol dos mais pobres do Brasil, ela está no seu discurso na internet. Dino ganhara uma segunda chance de render-se à verdade: ele garantira mesmo que, no fim do primeiro mandato, o Maranhão estaria muitas léguas distante da rabeira do ranking da miséria nacional. Sem hesitar um só segundo, preferiu reincidir no assassinato dos fatos. E tornou a jurar que aquilo não estava em discurso nenhum:

 — Nesses termos garanto que não está, porque não poderia dizer que iria fazer milagre. Eu não sou Deus.

Se o Brasil fosse menos insensato, a reprise da promessa no final do vídeo bastaria para encerrar a carreira política do milagreiro trapalhão. Como o país que nunca foi para principiantes agora anda deixando perplexos os melhores profissionais, Flávio Dino governou o Maranhão por oito anos, elegeu-se senador, foi ministro da Justiça e virou ministro do Supremo. Até agora não perdeu uma única chance de mostrar o que acontece num tribunal quando o deboche veste toga.

Augusto Nunes - Revista Oeste






Chance de vitória de Flávio dispara e chega a 62% nas apostas da Polymarket e Kalshi

 

Senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência da República | Foto: Charles Vieira / Campanha Flávio



Apostas na vitória de Flávio Bolsonaro (PL) passaram dos 62% nesta quinta (1º) na plataforma de apostas e previsões Polymarket, e dos 61% na prestigiada Kalshi, também dos EUA. É o maior patamar de Flávio em mais de 12 meses. Apostas na reeleição de Lula (PT) despencaram para 38%. As plataformas têm elevado índice de acerto: os investidores nesse negócio contratam os melhores consultores e se valem de pesquisas detalhadas para orientar apostas milionárias. Na Polymarket, apostas na eleição brasileira mobilizam cerca de US$20 milhões (R$104 milhões).

Passou e abriu

Flávio superou Lula em 13 de setembro, nas apostas na Polymarket, e não saiu da liderança. O petista liderou as apostas por mais de um ano.

Outro cenário

Há também quem aposte no candidato que ficará em 2º na eleição. Lula saltou de 5% a 28% entre os que apostam na sua derrota.

Terceiro colocado

A chance de vitória de Renan Santos (Missão) é de apenas 0,3%, longe dos 17% que chegou a obter em junho deste ano. É o 3º colocado.

Sobe-e-desce

Lula liderou nas plataformas entre setembro de 2025 e maio deste ano, quando Flávio virou por três semanas, e voltou à frente até setembro.


Diário do Poder

Chance de vitória de Flávio dispara nas apostas

 

Senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência da República | Foto: Charles Vieira / Campanha Flávio


Apostas na vitória de Flávio Bolsonaro (PL) passaram dos 62% nesta quinta (1º) na plataforma de apostas e previsões Polymarket, e dos 61% na prestigiada Kalshi, também dos EUA. É o maior patamar de Flávio em mais de 12 meses. Apostas na reeleição de Lula (PT) despencaram para 38%. As plataformas têm elevado índice de acerto: os investidores nesse negócio contratam os melhores consultores e se valem de pesquisas detalhadas para orientar apostas milionárias. Na Polymarket, apostas na eleição brasileira mobilizam cerca de US$20 milhões (R$104 milhões).

Passou e abriu

Flávio superou Lula em 13 de setembro, nas apostas na Polymarket, e não saiu da liderança. O petista liderou as apostas por mais de um ano.

Outro cenário

Há também quem aposte no candidato que ficará em 2º na eleição. Lula saltou de 5% a 28% entre os que apostam na sua derrota.

Terceiro colocado

A chance de vitória de Renan Santos (Missão) é de apenas 0,3%, longe dos 17% que chegou a obter em junho deste ano. É o 3º colocado.

Sobe-e-desce

Lula liderou nas plataformas entre setembro de 2025 e maio deste ano, quando Flávio virou por três semanas, e voltou à frente até setembro.


Diário do Poder

quinta-feira, 1 de outubro de 2026

Flávio desiste de debate da Globo e acusa TSE de ‘censura’

 Tribunal proibiu a emissora de exibir o púlpito vazio de Lula, que também não participará do encontro


Flávio Bolsonaro visita o Mercado Municipal de São Paulo - 28/10/2026 | Foto: Marina Uezima/Reuters


O candidato do Partido Liberal (PL) à Presidência da República, Flávio Bolsonaro, anunciou na noite desta quinta-feira, 1º, que não participará do debate da TV Globo, o último antes do primeiro turno das eleições.

O senador atribuiu a desistência a uma decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que proibiu a emissora de exibir o púlpito vazio reservado ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que também não comparecerá ao encontro.

“Acabo de tomar a decisão de não ir ao debate da Globo em função da censura imposta ao evento pelo TSE”, afirmou Flávio. “A imprensa tem que ser livre e as eleições limpas. Em breve mais detalhes.”


Flávio Bolsonaro - Acabo de tomar a decisão de não ir ao debate da Globo em função da censura imposta ao evento pelo TSE. A imprensa tem que ser livre e as eleições limpas. Em breve mais detalhes.


A decisão citada pelo candidato foi tomada pela ministra Estela Aranha, do TSE. Ela impediu a Globo de manter em cena o púlpito destinado a um candidato que tenha recusado o convite para participar do debate. Lula decidiu não comparecer e optou por conceder uma entrevista ao Flow Podcast no mesmo horário. 

Estela sustentou que a exposição do púlpito vazio poderia funcionar como forma de constrangimento ao candidato ausente. Para a ministra, o comparecimento ao debate é facultativo, e a emissora não poderia utilizar a ausência para pressionar quem decidiu não participar. Gilmar Mendes impõe presença de Renan Santos em debate 

A desistência ocorre em um dia marcado por decisões judiciais sobre as regras do debate.

 Minutos antes, o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou que a Globo incluísse Renan Santos, candidato da Missão, entre os participantes. 

A ordem de Gilmar contrariou uma decisão anterior do presidente do TSE, Nunes Marques. O ministro havia rejeitado o pedido apresentado por Renan para obrigar a emissora a incluí-lo. A Missão não possui os cinco parlamentares no Congresso exigidos pela legislação eleitoral para assegurar a participação obrigatória de um candidato em debates de rádio e televisão.

As regras definidas pela Globo previam a possibilidade de convidar outro candidato em caso de desistência de um dos participantes. Renan afirmou que poderia ocupar a vaga aberta pela ausência de Lula. Nunes Marques, contudo, entendeu que a previsão dava à emissora a faculdade de fazer o convite, sem criar uma obrigação.

A Missão também recorreu ao STF. A ministra Cármen Lúcia rejeitou uma das ações por considerar inadequada a via processual escolhida, sem reconhecer um direito de Renan à participação.

 Posteriormente, Gilmar analisou outro pedido, apresentado pelo Solidariedade, e determinou a inclusão do candidato da Missão. Conforme mostrou Oeste, o ministro fundamentou a intervenção em princípios constitucionais ligados à liberdade de expressão e ao pluralismo político. 

Antes das decisões desta quinta-feira, estavam previstos no debate Flávio, Ronaldo Caiado (PSD), Augusto Cury (Avante) e Romeu Zema (Novo). Lula já havia comunicado que não participaria

Edilson Salgueiro - Revista Oeste

Tarcísio lidera com 53% a 33% no 1º turno para o governo de São Paulo

 Governador está à frente também num eventual segundo turno


Tarcísio de Freitas (Republicanos) | Foto: Marcelo S. Camargo / Governo de São Paulo

Pesquisa Gerp divulgada nesta quinta-feira (1º) aponta Tarcísio de Freitas (Republicanos) na liderança da disputa pelo governo de São Paulo.

No 1° turno, o candidato tem 53% das intenções de voto, já Fernando Haddad (PT) registra 33%.

Policial Edjane (Agir), que deixou a disputa após o TRE-SP indeferir sua chapa devido à renúncia da candidata a vice, aparece com 2%. Izadora Dias (PCO) e Vera Lúcia (PSTU) têm 1% cada. Os que não sabem em quem votar representam 6%, enquanto 5% não votariam em nenhum.

Em um eventual segundo turno entre Tarcísio e Haddad, o levantamento registra 56% das intenções de voto para o candidato do Republicanos e 36% para o petista. Outros 4% não sabem em quem votar e 3% afirmam que não escolheriam nenhum dos dois.

A pesquisa ouviu, por telefone, 1.500 eleitores do estado de São Paulo entre 28 e 30 de setembro. A margem de erro é de 2,6 pontos percentuais, para mais ou para menos, e o nível de confiança é de 95,55%. O levantamento foi realizado com recursos próprios e está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número SP-04091/2026.


Lucas Soares - Diário do Poder