quarta-feira, 26 de agosto de 2026

Ex-presidiário Lula não consegue dizer que ‘não sabia’ sobre escândalo envolvendo Lulinha, Marcola e lobista

 

Momento em que Lula fugia das perguntas sobre o escândalo envolvendo Lulinha e assessores próprios.


A dificuldade de Lula (PT) em enfrentar o escândalo de corrupção e tráfico de influência no núcleo mais íntimo de seu governo ficou escancarada nesta terça (25), durante sua visita ao QG do Exército. No evento, ele mesmo se ofereceu aos jornalistas, mas, indagado sobre revelações devastadoras envolvendo principalmente seu próprio filho Lulinha em negócios milionários no seu governo, simplesmente caiu fora. Constrangedor. Pensava estar em “ambiente controlado”, só que não.

Somente aplausos

Lula condiciona presença em eventos e entrevistas, como definem seus assessores, a “ambientes controlados”, sem riscos de “surpresas”.

Fugindo do debate

Nos bastidores, a falta de respostas convincentes sobre o escândalo é vista como a principal razão para Lula fugir do debate da Band, domingo.

Mais uma lorota

Quando Lula foge de perguntas sobre o próprio filho e seus amigos de décadas, o discurso de “não haverá privilégio” soa mais uma lorota.

Falta convencer

Lula já tentou a tática do “não sabia”, mandou Lulinha “provar inocência”, mas não consegue dizer, olho no olho, que nada tem com o esquema.


Diário do Poder

terça-feira, 25 de agosto de 2026

Raquel Lyra lidera disputa em Pernambuco com 44%

 Governadora abre oito pontos sobre João Campos, segundo pesquisa Quaest




A governadora de Pernambuco, Raquel Lyra (PSD), lidera a disputa pelo governo estadual com 44% das intenções de voto, segundo pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta terça-feira, 25. O ex-prefeito do Recife João Campos (PSB) aparece em segundo lugar, com 36%. A diferença é de oito pontos percentuais.

 O candidato Ivan Moraes (Psol) tem 1%, enquanto os demais nomes testados não pontuaram. Os eleitores indecisos representam 12%, sendo que 7% afirmaram que pretendem votar em branco, nulo ou não votar. O levantamento ouviu 1.302 eleitores entre 21 e 24 de agosto, com margem de erro de três pontos percentuais.


Cenário de segundo turno em Pernambuco - 47% contra 37%

Em uma eventual disputa direta entre Raquel Lyra e João Campos, a governadora também aparece numericamente à frente. Ela teria 47% dos votos, contra 37% do ex-prefeito do Recife, uma diferença de dez pontos percentuais. 

O resultado mostra uma mudança em relação aos primeiros levantamentos do ano. Em abril, João Campos aparecia à frente de Raquel na pesquisa Quaest. Desde então, a governadora passou a liderar os cenários testados pelo instituto. 

A pesquisa também avaliou a administração de Raquel Lyra. Seu governo é aprovado por 68% dos entrevistados, enquanto 24% desaprovam a gestão. A avaliação positiva da gestão chega a 46%, segundo o levantamento.\


Revista Oeste

Justiça nega pedido de Lulinha para censurar vídeo de Flávio Bolsonaro sobre fraudes no INSS

 Enrolado em graves suspeitas de corrupção e tráfico de influência, Lulinha teta censurar post do senador


Lulinha em foto recente na imprensa e redes sociais espanholas


A Justiça de São Paulo rejeitou o pedido de Fábio o Lulinha, filho de Lula (PT), para remover um vídeo divulgado pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) que o vinculava às fraudes que roubaram mais de R$6,5 bilhões de cerca de 9 milhões aposentados e pensionistas, segundo estimativa da Polícia Federal.

A juíza Alessandra Lopes Santana de Mello determinou, no entanto, a preservação dos dados das publicações feitas no Instagram e no X (antigo Twitter), incluindo informações sobre alcance e possível impulsionamento, segundo informou a revista Veja.

Segundo a magistrada, os elementos apresentados pela defesa de Lulinha não foram suficientes para comprovar a “inveracidade do conteúdo”. Ela afirmou que “não consta dos autos prova mínima do conteúdo das investigações mencionadas na inicial, o que impede a identificação, com segurança, da verossimilhança da ilicitude alegada”.

A decisão analisa apenas o pedido liminar de remoção. O mérito do processo ainda será julgado, inclusive o pedido de indenização de R$10 mil feito por Lulinha.

Diário do Poder


Mensagem de lobista acusa sócio de criar perfil falso para atacar Janja. Lulinha reage: ‘Barraqueiraaaaaa’

História surge na investigação da PF de tráfico de influência do filho de Lula


Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha | Foto: Reprodução / Redes Sociais



Diálogos recuperados pela Polícia Federal no inquérito que investiga Fábio Luiz Lula da Silva (Lulinha) por tráfico de influência e corrupção indicam que o empresário Kalil Bittar, sócio do filho de Lula (PT), criou um perfil falso nas redes sociais para atacar a primeira-dama Janja. As conversas também mostram que Bittar usava a proximidade com Lulinha para negociar contratos com a Telebras.
A lobista Roberta Luchsinger, amiga de Lulinha e também investigada no caso, alertou o filho do presidente sobre as ações de Kalil. Segundo a PF, Roberta, Lulinha e Fernando Bittar (irmão de Kalil) formariam uma sociedade oculta voltada à interlocução de interesses privados junto a agentes e órgãos públicos.
As mensagens, de 29 de junho de 2025, foram anexadas ao inquérito obtido pela revista Veja. Em uma delas, Roberta escreveu a Lulinha: “Kalil vendendo você (Fábio) e a grande influência dele p o presidente da Telebras. Quase fechando um negócio gigante”. Ela afirmou ainda ter procurado um interlocutor próximo ao então presidente da estatal (Frederico de Siqueira, atual ministro das Comunicações) para desmentir a parceria.
Em outra mensagem, a lobista disse: “Kalil fazendo aquele esqueminha lixo. Vendendo facilidades…. Telebras contrata ele, plataforma dele… Coisas que ele indicar. Mas ele (é) sacana falando q vcs são sócios e q ele cuida dos negócios”. Lulinha respondeu: “Típico dele”.
Roberta relatou ter se apresentado como assessora de Lulinha e desmentido a versão de Kalil. “Eu disse que sou sua assessora e q isso eh mentira. Que ele (Kalil) nem ninguém fala por vc. Que a Janja inclusive odeia ele. E q se chegar no Palácio isso, ele será persona non grata”. Ela acrescentou: “Contei da baixaria q ele criou perfil fake p falar mal da first” (referência a “first lady”). Lulinha reagiu: “Barraqueiraaaaaaaaaa”.Kalil Bittar é sócio de Lulinha e irmão de Fernando Bittar, também investigado pela PF no mesmo inquérito.

Cláudio Humberto - Diário do Poder

Vorcaro pagou serviço de US$ 38 mil a ex-diretor do BC em Orlando, diz PF

'Empresário' responsável pelo serviço confirmou pagamento do banqueiro a Paulo Sérgio Neves de Souza, em depoimento à polícia


À esquerda, o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master; à direita, Paulo Sérgio Neves de Souza, ex-diretor do Banco Central (BC) - Fotos: Reprodução/Wikimedia Commons e Beto Nociti/BCB 


Uma investigação da Polícia Federal (PF) revelou que o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, antigo dono do Banco Master, custeou serviços de concierge no valor de US$ 38 mil para Paulo Sérgio Neves de Souza, a ex-diretor do BC em Orlando, diz PF diretor do Banco Central (BC), durante uma viagem aos parques da Disney e da Universal, em Orlando. A informação é do portal Metrópole.

O empresário Léo Serrano, responsável pela consultoria de luxo SL Consulting, confirmou o pagamento em depoimento realizado na manhã desta segunda-feira, 24, na sede da PF em São Paulo.

Segundo Serrano, diferentemente de outros serviços oferecidos a Vorcaro, neste episódio o único atendimento prestado a Souza consistiu em assistência personalizada nos parques temáticos, sem incluir passagens nem hospedagem. O concierge garantiu ao servidor do BC comodidades, como evitar filas e realizar pagamentos, além de centralizar toda a logística da visita.


Detalhes da viagem e depoimento do empresário 

A viagem de Souza ocorreu no início de 2024, período em que ele já não chefiava a Diretoria de Fiscalização do Banco Central, mas ocupava o cargo de chefe-adjunto no Departamento de Supervisão Bancária. 

O depoimento de Serrano teve duração de cerca de dez minutos e esclareceu aos investigadores que a SL Consulting limitou seus serviços à experiência dentro dos parques. Apurações da Operação Compliance Zero, da PF, identificaram mensagens entre Vorcaro e Souza que, segundo a corporação, sugerem troca de favores. 

Vorcaro buscava informações privilegiadas e, em contrapartida, oferecia vantagens, como a viagem a Orlando.

O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), destacou na decisão que autorizou a terceira fase da operação, em março, por indícios de corrupção que envolve o ex-banqueiro e o servidor do BC.


Histórico de Paulo Sérgio Neves de Souza 


Paulo Sérgio Neves de Souza, ex-diretor de Fiscalização do BC - Foto: Foto: Beto Nociti/BCB


Paulo Sérgio Neves de Souza é economista formado pela PUC-SP e servidor do Banco Central desde 1998. Entre 2019 e 2023, na presidência de Roberto Campos Neto, liderou a Diretoria de Fiscalização. 

Em 4 de março, por decisão judicial, foi afastado do órgão, depois de ser alvo de sindicância interna desde janeiro. Antes de ingressar no BC, atuou no Banco do Brasil, em São Paulo. 

Na decisão, Mendonça afirmou que “outro forte indício de que Vorcaro corrompia Paulo Sérgio pode ser identificado a partir de troca de mensagens realizadas por Vorcaro ao saber, por meio de mensagem de WhatsApp do próprio Paulo Sérgio, de uma viagem que o referido servidor do Bacen faria aos parques de diversão localizados em Orlando (EUA), dentre eles Parques da Disney e da Universal”.


Lucas Chelddi - Revista Oeste

segunda-feira, 24 de agosto de 2026

Lobista bancava casa de R$ 100 mil para Lulinha, aponta PF

 Mensagens indicam ameaça de corte de passagens aéreas para manter imóvel usado por filho de Lula


 Reprodução


A Polícia Federal (PF) investiga se a lobista Roberta Luchsinger arcava com despesas de aproximadamente R$ 100 mil por mês para manter uma residência usada por Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. 

Segundo reportagem do jornal O Estado de S. Paulo, mensagens analisadas pelos investigadores mostram que Roberta chegou a ameaçar interromper o pagamento de passagens aéreas para Lulinha como forma de continuar custeando a locação do imóvel.

ha: revisão de gastos A informação consta de um dos inquéritos da PF que apuram suspeitas de tráfico de influência envolvendo Lulinha, Roberta e empresários que buscavam negócios com órgãos do governo federal. Os investigadores analisaram conversas entre a lobista e o filho do presidente e identificaram indícios de que ela assumia despesas pessoais relacionadas a ele. 

Em uma conversa registrada em agosto de 2024, Roberta teria informado a Lulinha que precisaria rever os gastos relacionados à residência. De acordo com a PF, o diálogo sugere que o pagamento de passagens aéreas para o filho de Lula era uma prática recorrente e que poderia ser interrompido em razão dos custos do imóvel.

A investigação também aponta que a relação financeira entre Roberta e Lulinha ocorreu no período em que a lobista mantinha tratativas com integrantes do governo federal. A PF apura se Lulinha utilizava sua  proximidade com autoridades para facilitar reuniões e negociações de interesses privados. A PF identificou ainda pagamentos milionários feitos pelo empresário Cléber Ribas à empresa de Roberta. Segundo os investigadores, ele teria repassado ao menos R$ 2,5 milhões de março de 2024 a dezembro de 2025. A apuração busca esclarecer se os pagamentos estavam relacionados à atuação da lobista junto ao governo. 

A PF identificou ainda pagamentos milionários feitos pelo empresário Cléber Ribas à empresa de Roberta. Segundo os investigadores, ele teria repassado ao menos R$ 2,5 milhões de março de 2024 a dezembro de 2025. A apuração busca esclarecer se os pagamentos estavam relacionados à atuação da lobista junto ao governo.

Entre os negócios investigados estão tratativas envolvendo a Dataprev e a venda de medicamentos à base de Cannabis ao governo federal. A PF afirma haver indícios de uma relação de interesses econômicos entre Lulinha, Roberta e o empresário Fernando Bittar.\

 Lulinha é alvo de três inquéritos da Polícia Federal. As investigações tramitam no Supremo Tribunal Federal, sob relatoria dos ministros André Mendonça e Flávio Dino. A defesa de Lulinha nega irregularidades e questiona a forma como as informações da investigação foram obtidas e divulgadas.

Fábio Bouéri - Revista Oeste

Patrocínios do Flamengo: faturamento 2026

 

Arrascaeta - Astro maior do Flamengo - Reprodução


Flamengo fatura R$ 463,75 milhões com a camisa em 2026

O dado mais relevante e imediato: o Flamengo alcançou aproximadamente R$ 463,75 milhões em receitas anuais oriundas exclusivamente de patrocínios estampados no seu uniforme principal e no uniforme inferior em 2026. Esse patamar coloca o clube em posição isolada no futebol brasileiro, com uma arrecadação que supera, segundo a reportagem, a maioria das receitas de patrocínio de clubes da Série A somadas em muitos casos. A cifra é resultado de um conjunto de contratos distribuídos por múltiplas propriedades do uniforme — master, fornecedor de material esportivo, omoplata, costas, mangas, barra traseira, calção, meião e número da camisa — e não depende de uma única fonte, o que traz previsibilidade e escala financeira ao Rubro-Negro.

Composição detalhada das receitas do uniforme

Valores nominais por espaço do uniforme

A composição do montante segue com números específicos e distribuídos entre as propriedades da camisa. O patrocínio master com a Betano responde por R$ 268,5 milhões anuais, ou seja, mais da metade do total apurado apenas com o uniforme. A fornecedora Adidas figura com R$ 70 milhões fixos por ano, valor que explicitamente não inclui royalties e metas contratuais — sinal de que o real valor da parceria pode ser consideravelmente maior ao longo da temporada. Outras propriedades relevantes: BRB (omoplata) R$ 42,6 milhões; Hapvida (costas) R$ 23,8 milhões; Shopee (manga) R$ 13 milhões; Assist Card (barra traseira) R$ 10,8 milhões.

No uniforme inferior, o clube também capitaliza com espaços específicos: o calção soma WAP (R$ 5,5 milhões) e GAC Motors (R$ 7,15 milhões), elevando o valor total do espaço para além de R$ 12 milhões. O meião é patrocinado pelo Zé Delivery por R$ 4,2 milhões, enquanto o número da camisa traz a Texaco pelo mesmo valor, R$ 4,2 milhões. Integrando essas cifras, chega-se ao montante de R$ 463,75 milhões anuais apontado pela reportagem.

Previsibilidade financeira: contratos e calendário

Um dos pilares desse modelo é a previsibilidade: a maioria dos contratos citados possui duração entre três e quatro anos, criando receita recorrente independentemente de resultados esportivos imediatos. Na prática, o clube garante quase meio bilhão de reais por temporada apenas com patrocínios, sem contar premiações por títulos, bilheteria ou direitos de transmissão. Dividido ao longo do ano, esse volume representa cerca de R$ 38 milhões mensais — um montante que, segundo a matéria, é suficiente para cobrir grande parte da folha salarial do futebol profissional do clube.

Como esse cenário foi construído: reestruturação e profissionalização

A reportagem aponta que o atual cenário não nasceu de forma abrupta. Ele é fruto de um processo iniciado a partir de 2013, quando o Flamengo iniciou uma reestruturação financeira que priorizou contratos sustentáveis e a organização das finanças. Nos anos seguintes, a profissionalização dos departamentos de marketing e comercial permitiu ampliar receitas de forma consistente. Mesmo em momentos adversos, como a pandemia de 2020 — o único período recente com déficit mencionado —, a estrutura montada possibilitou recuperação rápida.

A parceria com o BRB é citada como emblemática: firmada em momento de incerteza econômica, ajudou a manter o fluxo de caixa e abriu caminho para modelos de negócios ligados ao banco digital associado ao clube. Esse tipo de acordo ilustra duas linhas estratégicas: captação de receita imediata e construção de ativos de negócio (licenciamentos, produtos co-branded, plataformas digitais) que potencializam ganhos no médio prazo.

Potencial oculto além do valor fixo

A matéria chama atenção para elementos que não entram na conta dos R$ 70 milhões fixos da Adidas, por exemplo. O contrato com a fornecedora inclui royalties sobre vendas de produtos licenciados e metas comerciais que podem elevar o montante final. Além disso, a última renovação ampliou a autonomia do clube sobre licenciamento, permitindo ao Flamengo explorar collabs, desenvolver produtos próprios e firmar parcerias adicionais com outras marcas. Esse movimento reduz a dependência do montante fixo e amplia o potencial de monetização da marca, transformando a exposição do uniforme em receita direta e indireta.

Impacto competitivo e concentração de receitas

A diferença entre o Flamengo e os demais clubes brasileiros é enfatizada na reportagem: em muitos casos, a receita total de patrocínios de equipes da Série A não se aproxima do valor obtido pelo Flamengo apenas com a camisa. Essa concentração de receita coloca o Rubro-Negro em vantagem competitiva clara, criando maior margem para investimentos em elenco, infraestrutura e projetos estratégicos. Ao mesmo tempo, evidencia uma tendência de mercado: as marcas de maior alcance nacional e internacional convergem mais facilmente para clubes com grande torcida e exposição midiática, ampliando a diferença entre as principais agremiações e o resto do mercado.

Análise de impacto para o Flamengo (consequências práticas)

Financeiramente, a capacidade de garantir R$ 463,75 milhões por ano só com o uniforme implica em três frentes concretas de impacto: estabilidade operacional, capacidade de investimento e poder de barganha. Na primeira frente, a previsibilidade citada reduz o risco de liquidez para operações correntes e pagamento de salários; na segunda, abre espaço orçamentário para contratações, manutenção e ampliação de estruturas (centros de treinamento, ações de base, projetos comerciais); na terceira, confere ao clube maior poder de negociação em janelas de renovação contratual e em futuras vendas de patrocínio.

Contudo, a reportagem também aponta o outro lado: manter esse nível de arrecadação exige resultados esportivos, visibilidade e capacidade de negociação contínua. A presença frequente do clube em decisões, a exposição midiática e o tamanho da torcida sustentam o interesse das marcas, mas são fatores que demandam manutenção constante. Há, portanto, um risco inerente à dependência relativa dessa receita: uma queda de desempenho prolongada ou redução da exposição pode tornar renegociações mais difíceis ou forçar ajustes nos valores contratados.

Perspectivas e cenários futuros apontados

A reportagem identifica cenários distintos, condicionados a três variáveis principais: desempenho esportivo, manutenção da exposição de mídia e estratégia comercial do clube. No cenário mais favorável, a continuidade de presença em decisões nacionais e internacionais e a exploração ampliada do licenciamento podem elevar a receita além dos valores fixos atualmente contabilizados, especialmente se royalties e metas comerciais da Adidas e demais parceiros forem plenamente atingidos. A autonomia sobre licenciamento já conquistada permite ao clube multiplicar fontes de receita através de collabs e produtos próprios.

No cenário neutro, a manutenção dos contratos e o cumprimento das cláusulas mínimas resultariam na continuidade do patamar atual — quase meio bilhão por temporada — conferindo estabilidade, mas exigindo disciplina fiscal para evitar dependência excessiva de receitas de curto prazo. No cenário adverso, queda de visibilidade e resultados poderia pressionar renegociações e reduzir o apetite de grandes marcas, comprimindo receitas e obrigando o clube a reequilibrar a previsibilidade financeira com medidas de contenção de gastos.

Adicionalmente, a reportagem menciona que o Flamengo caminha para R$ 2 bilhões em receitas e reduz dependência da TV, o que, se confirmado em outras frentes de receita além do uniforme, indicaria uma diversificação ainda maior das fontes e uma menor sensibilidade às oscilações dos contratos televisivos. Essa perspectiva, contudo, depende da materialização de outras linhas de receita e da manutenção da vantagem comercial construída.

Riscos, desafios e necessidades estratégicas

Manter a vitrine que atrai patrocinadores exige mais do que um bom departamento comercial: demanda consistência esportiva, governança que mantenha a previsibilidade jurídica e contábil dos contratos, e capacidade de inovação no licenciamento. O mercado publicitário esportivo tende a valorar exposição em campo, engajamento da torcida e capacidade de conversão em vendas (o que está ligado aos royalties e metas comerciais mencionadas). Assim, investimentos em experiência do torcedor, presença digital e produtos licenciados não são apenas complementares, mas centrais para sustentar e ampliar os números atuais.

Outro desafio apontado é evitar a concentração excessiva em um único parceiro: embora a Betano represente mais da metade do total com R$ 268,5 milhões, o modelo adotado pelo clube — diversificar por propriedades do uniforme — reduz o risco de dependência. Ainda assim, manter o equilíbrio entre um patrocínio master robusto e uma rede de apoiadores que cubram diferentes espaços é um exercício contínuo de gestão de portfólio comercial.

Conclusão editorial: síntese e visão crítica

O quadro apresentado pela reportagem do Ser Flamengo mostra um Rubro-Negro que, a partir de reestruturações iniciadas em 2013 e da profissionalização comercial, elevou a monetização do uniforme a um patamar de destaque nacional: R$ 463,75 milhões anuais apenas com patrocínios estampados. Esse resultado é fruto de um modelo deliberado de diversificação de propriedades do uniforme, contratos com duração média de três a quatro anos e exploração ampliada do licenciamento, elementos que trazem previsibilidade e escala. Ao mesmo tempo, a matéria expõe a dupla face dessa vantagem: a sustentabilidade do modelo depende de manutenção de desempenho esportivo, visibilidade e capacidade de negociação.

Do ponto de vista estratégico, o Flamengo tem hoje uma combinação rara — torcida massiva, exposição midiática e estrutura comercial — que justifica a concentração de grandes marcas em seus uniformes. No horizonte, a expansão do licenciamento e a exploração de royalties podem elevar ainda mais o patamar de receitas, contribuindo para a meta mais ampla citada na reportagem de caminhar a R$ 2 bilhões em receitas e reduzir a dependência da TV. No entanto, o desafio segue sendo transformar vantagem de curto prazo em estabilidade de longo prazo: isso passa por governança responsável, investimento contínuo em imagem e produto, e disciplina esportiva que mantenha o clube nas janelas decisivas em que as marcas mais valorizam presença.

Fonte: Ser Flamengo — https://serflamengo.com.br/patrocinios-do-flamengo-quanto-o-clube-fatura-com-a-camisa-em-2026/