domingo, 9 de agosto de 2026

Os corvos, de novo: Lula repete o roteiro que a Faria Lima insiste em não aprender- escreve Flávio Gordon

 O mercado que ajudou a devolver o petista ao poder agora se torna alvo do discurso que contrapõe ricos e pobres





“Cria cuervos, y te sacarán los ojos”, diz o velho provérbio espanhol — cria corvos e eles te arrancarão os olhos. Há mais de um ano usei essa imagem para descrever o espanto teatral da Faria Lima ao ver a militância que ela mesma ajudou a eleger protestando contra “os ricos” em frente aos seus próprios bancos. Pois os corvos voltaram a pousar, e desta vez foi o próprio patriarca do bando quem lhes deu a bicada. 

No fim de semana, em ato do MTST, Lula perguntou se “alguém que decide a taxa de juros” ou cobra ajuste fiscal sabe como vive o povo, e respondeu ele mesmo: não sabe, porque para eles o pobre é número. Antes, já havia dito que o Estado brasileiro fora “aprisionado” pela Faria Lima e que o “banco” preferiria ver o dinheiro público render a si mesmo a financiar escola para filho de pobre. É o velho catecismo de sempre — ricos contra pobres, mercado contra povo — vestido de indignação social, mas ditado, linha por linha, pelo mesmo homem que, com Fidel Castro, fundou nos anos 1990 a organização continental destinada a “resgatar na América Latina o que se perdera no Leste Europeu”.


A verdadeira face de Lula 

Não deveria surpreender ninguém. Quem aplaudiu, em 2022, o comunista reconvertido em salvador da democracia comprou, com desconto de urgência eleitoral, um projeto que jamais escondeu sua hostilidade histórica ao capital. 

Achou que bastava um arcabouço fiscal e um brinde no Itaú Cultural para domar a fera. Engano fatal, o mesmo, aliás, cometido pelas elites econômicas italianas que julgaram poder controlar Mussolini: a fera totalitária — quer fascista, quer comunista — nunca se domestica; apenas espera a hora certa para grasnar… e bicar. A Faria Lima criou seus corvos com afeto, dinheiro e editoriais complacentes. Agora leva a bicada da própria criatura — e continua, atônita, fingindo não reconhecer o rosto do comunista que sempre esteve ali. 


No debate da Band, Tarcísio lembra caso de traficante no palanque da dupla medonha Haddad-Lula


Caso se deu em junho do ano passado e a criminosa seria presa em setembro


Tarcísio Gomes de Freitas durante debate da Band neste domingo (9) - Foto: reprodução da TV.



Durante uma discussão, no debate da Band, o governador Tarcísio Gomes de Freitas (Republicanos) lembrou a presença de uma traficante no palaque de Lula e Fernando Haddad (PT), durante evento na Favela do Moinho, em junho do ano passado. A criminosa logo seria presa pela Polícia Civil de São Paulo.

Como lembrou o governador, a traficante Alessandra Moja, irmã de Leonardo Moja, conhecido como Leo do Moinho e apontado como chefe do tráfico de drogas do Primeiro Comando da Capital (PCC) no centro de São Paulo, subiu ao palco dos petistas e ainda posou para fotos, inclusive, ao lado de Haddad.

A cerimônia foi realizada para assinatura de um “acordo de moradia”. Além de Lula e Haddad, estivam no mesmo palanque os ministros Esther Dweck, da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos; Jader Filho, das Cidades; e Carlos Vieira, presidente da Caixa Econômica.

Alessandra foi presa em setembro de 2025. Segundo denúncia do Ministério Público, ela auxiliava o irmão e transmitia informações sobre o que acontecia dentro da favela, além de receber ordens de dentro da prisão.

Durante o discurso, Flávia Maria da Silva, apresentada como líder comunitária da Favela do Moinho, pediu autorização a Lula para chamar ao palco três mulheres que também foram apresentadas como lideranças comunitárias.

“Sou eternamente grata à nossa equipe, Yasmin, Alessandra e Janine. Somos quatro mulheres de orgulho para o Moinho, porque nós lutamos até o fim, não abandonamos vocês”, disse Flávia. Na sequência, ela pediu que as mulheres fossem ao palco para serem apresentadas a Lula, que cumprimentou a criminosa.

Diário do Poder

Covil de ladrões - Mulher de Marcola teve aval para trabalhar no PT

 

Nicole Briones, esposa de Marcola, assessor de Lula (Foto: Ag. Brasil)


A quase decorativa Comissão de Ética Pública da Presidência da República liberou Nicole Briones para trabalhar no PT, sem necessidade de respeitar a quarentena imposta aos que ocupam cargos estratégicos na administração pública. Nicole era superintendente de Comunicação Digital e Mídias Sociais da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), mas também é casada com Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, agora ex-chefe do gabinete pessoal de Lula (PT). Problema resolvido.

Ano de ouro

Nicole foi convidada em 2025 para coordenar as mídias sociais do PT. Ela é dona da Matilha Comunicação, aberta no mesmo ano do convite.

Corrente

O processo foi relatado pelo conselheiro Bruno Espiñeira Lemos, que não viu conflito de interesse. Lemos foi nomeado por... Lula.

Colado em Lula

Marcola era um dos assessores mais próximos de Lula, até emprestava o celular ao presidente. Estava na campanha de reeleição do petista.

Fim melancólico

Marcola saiu da campanha após flagra de receber dinheiro de lobista amiga de Lulinha enrolada no caso INSS. Nicole não foi localizada.

sábado, 8 de agosto de 2026

Nem pizza, nem carne: hoje aos 45 anos e aposentado do tênis, Roger Federer por 20 anos repetiu o mesmo hábito alimentar antes dos jogos

 

Nem pizza, nem carne: hoje aos 45 anos e aposentado do tênis, Roger Federer por 20 anos repetiu o mesmo hábito alimentar antes dos jogos© Reprodução, Youtube/Vogue


Um dos maiores nomes do tênis nos últimos tempos, Roger Federer está de aniversário neste sábado (8). Completando 45 anos, o suíço que entrou em quadra entre 2004 e 2018, chegou a 20 títulos de Gland Slam, então um recorde, e foi rival do espanhol Rafael Nadal, dono de uma fortuna impressionante, e do sérvio Novak Djokovic.

Nascido na Basileia, Federer foi apresentado ao tênis aos 8 anos e subiu ao pódio das Olimpíadas em 2008, quando conquistou o ouro, e em 2012, levando a prata. Uma década mais tarde, em 2022, o tenista anunciou sua aposentadoria das quadras.

Qual comida típica italiana Roger Federer comeu por 20 antes antes de jogar tênis?

Mas você sabia que o atleta durante 20 anos seguidos manteve um hábito ligado à alimentação sempre antes de cada partida de tênis? Se ainda não sabe disso, é hora de descobrir, porque o Purepeople te conta!

Campeão no icônico torneio de Wimbledon, na Inglaterra, por oito vezes, Roger Feder por duas décadas comeu um prato de massa com molho leve sempre duas horas antes de cada jogo, seja no saibro ou na grama. E o espaguete com molho pomodoro era na época de esportista do tenista um dos seus preferidos.

Roger Federer também é fã de comida típica suíça feita com queijo

Ao mesmo tempo, o multicampeão relatou que por conta do hábito, deixava para os dias sem partida as refeições que nunca tinha provado. "Tento me alimentar de forma equilibrada e experimentar comidas diferentes nos dias em que não tenho jogos", explicou ao "Daily Express" em 2018, portanto quatro anos antes da aposentadoria.

Sou fã de restaurantes italianos, japoneses e indianos, enquanto no inverno, gosto muito de fonduta e raclette", acrescentou. Fonduta nada mais é do que um molho ou creme de queijo quente, iguaria da culinária italiana. O prato pode levar diferentes tipos de queijo (parmesão e provolone, por exemplo) acrescentados de creme de leite.

Já o raclette é um queijo que tem origem na Suíça e pode ser consumido derretido em brasa acompanhado de batatas.

Guilherme Guidorizzi - MSN

sexta-feira, 7 de agosto de 2026

Seis maiores escândalos de corrupção ocorridos sob Lula e quadrilha somam quase R$ 116 bilhões

 Onde será que o larápio e cúmplices enfiaram toda essa grana


Ex-zelador de 'bunda de elefante', filho do descondenado está escondido na Espanha


Um levantamento feito pela repórter Rachel Díaz constatou que apenas os seis maiores escândalos de corrupção ocorridos nos últimos 20 anos no Brasil somam quase R$ 116 bilhões. A cifra equivale a R$ 5,8 bilhões a cada 12 meses. Ou R$ 15,9 milhões por dia. Ou R$ 662 mil por hora. Ou R$ 11 mil por minuto. 

O dinheiro, que saiu do bolso dos pagadores de impostos, poderia melhorar consideravelmente os serviços públicos. “Para dimensionar o tamanho da cifra, R$ 116 bilhões seriam suficientes para construir 58 mil unidades básicas de saúde ou 10,5 mil escolas de tempo integral”, compara Rachel. O top 5 da lista inclui dois episódios ainda em andamento. 

Com R$ 12,2 bilhões, o Banco Master já garante a medalha de bronze (atrás apenas dos escândalos dos Fundos de Pensão — quase R$ 55 bilhões — e do Petrolão — pouco menos de R$ 43 bilhões). Além de integrantes do Executivo e do Legislativo, membros do Judiciário estão envolvidos até o pescoço nas falcatruas de Daniel Vorcaro. 

Como observa Augusto Nunes, desde 9 de dezembro de 2025, Alexandre de Moraes mantém absoluto silêncio sobre o contrato de R$ 129 milhões celebrado entre o banqueiro bandido e o escritório de sua mulher, Viviane Barci. Por enquanto em quarto lugar, o escândalo do INSS voltou ao noticiário político-policial depois que o Supremo Tribunal Federal instaurou o terceiro inquérito contra Lulinha, filho mais velho de Lula com Marisa Letícia. 


Lulinha: Supremo autoriza terceiro inquérito sobre supostos negócios ilícitos | Foto: Reprodução 

Na reportagem de capa, Cristyan Costa revela os bastidores das investigações policiais, os negócios suspeitos e os indícios de corrupção que marcam a trajetória profissional de Lulinha. Em meio a brigas familiares e ao avanço de operações da PF, o exmonitor do zoológico de São Paulo que virou megaempresário já no primeiro mandato do pai mudou-se para a Espanha em julho de 2025. 

Três meses antes, havia estourado o escândalo do INSS. Agora, evita dar as explicações que deve. Além do cargo de filho de presidente da República, outras profissões no Brasil garantem lucros de dar inveja a muitos figurões de Wall Street. 

A maioria delas está ligada ao poder público e à burocracia estatal. Na primeira colocação estão os donos de cartório, com rendimento anual de R$ 2,4 milhões. Em seguida aparecem juízes, promotores e procuradores do Ministério Público (R$ 1,1 milhão por ano cada). 

No Brasil real, onde 82% das famílias estão endividadas, as coisas são muito diferentes. Como lembra a reportagem de Artur Piva, a média salarial do trabalhador no país gira em torno de R$ 3,6 mil por mês — menos de R$ 50 mil por ano. Enquanto a maioria da população não tem como pagar sequer despesas básicas, uma casta de privilegiados vê cair cifras milionárias em sua conta todos os meses. Os cintos de quem já tem pouco vão ficar ainda mais apertados. 

A reforma tributária prevista para 2027 não só vai tirar mais dos cidadãos para engordar os cofres do governo como criará também uma tremenda confusão, explica Adalberto Piotto. É nesse mundo dos escândalos bilionários, privilégios bancados pelo contribuinte e impostos cada vez maiores que os brasileiros decidirão quem será o próximo presidente da República. Flávio Bolsonaro acaba de escolher o relator da CPMI do INSS para ser seu vice na disputa de outubro. Gaspar.

O deputado federal por Alagoas, que foi promotor de Justiça e conhece a insegurança pública de perto, pode ajudar a angariar votos no Nordeste. Rodrigo Constantino acredita que as eleições deste ano devem ser encaradas como um plebiscito: a questão é tirar Lula do poder ou manter tudo do jeito que está. Para isso, a união dos conservadores é mais necessária do que nunca. 

Boa leitura. 

Branca Nunes Diretora de Redação

Revista Oeste

Senado dos EUA aprova Daniel Perez para embaixada no Brasil

 Indicado de Trump recebeu 51 votos favoráveis e 47 contrários; Itamaraty ainda precisa conceder o agrément para que ele assuma o cargo



Daniel Perez foi indicado por Donald Trump para assumir embaixada dos EUA no Brasil. (Foto: Divulgação).


O Senado dos Estados Unidos aprovou, nesta sexta-feira (7), a indicação de Daniel Perez para o cargo de embaixador norte-americano no Brasil.

O nome do diplomata foi confirmado por 51 votos favoráveis e 47 contrários, encerrando a etapa de aprovação no Legislativo americano.

Apesar do aval do Senado, Perez ainda não poderá assumir o posto imediatamente.

A nomeação depende agora da concessão do agrément pelo governo brasileiro, autorização diplomática formal concedida pelo país anfitrião para que um embaixador estrangeiro exerça suas funções.

Indicado pelo presidente Donald Trump em junho deste ano, Daniel Perez foi escolhido para ocupar a representação diplomática dos Estados Unidos em Brasília, vaga desde o retorno de Trump à Casa Branca, em janeiro de 2025.

A tramitação da indicação foi marcada por divergências entre os governos brasileiro e americano.

O Itamaraty manifestou desconforto após a Casa Branca anunciar publicamente o nome de Perez antes da conclusão das consultas diplomáticas reservadas que tradicionalmente antecedem o envio oficial de um embaixador ao país de destino.

A situação ganhou novos contornos quando Washington passou a cobrar uma resposta do governo brasileiro sobre a concessão do agrément.

Autoridades americanas alegaram demora na análise do pedido, enquanto o governo brasileiro sustentou que o processo seguia o rito diplomático habitual e permanecia em avaliação pelo Ministério das Relações Exteriores.

Diário do Poder

Ana Paula Henkel escreve sobre 'O castelo de areia de Anthony Fauci'

 O escrutínio que foi negado durante a pandemia finalmente começou


Foto: Shutterstock


Anthony Fauci viveu mais uma semana difícil nos Estados Unidos. Poucos dias depois de comparecer ao Senado e invocar a Quinta Emenda 111 vezes, o médico que se tornou o principal rosto da resposta americana — e mundial — à pandemia voltou ao centro dos acontecimentos. Na quinta-feira, 6 de agosto, a Comissão de Segurança Interna e Assuntos Governamentais aprovou uma resolução para declará-lo em desacato ao Congresso. 

O senador Rand Paul, presidente da comissão, anunciou que pretende encaminhar o caso ao Departamento de Justiça. Ao mesmo tempo, as investigações avançam. Depois dos milhares de e-mails tornados públicos, vieram os diários pessoais de Fauci. 

Agora, investigadores tiveram acesso ao telefone celular utilizado por ele durante a pandemia, ampliando o conjunto de documentos sob análise. Pouco a pouco, e-mail após e-mail, página após página, mensagem após mensagem, o que parecia um castelo de areia erguido sobre certezas inquestionáveis começa a ser confrontado pelo maremoto causado pelos próprios registros daqueles anos. Independentemente das conclusões das investigações, uma realidade já se impõe: 

Anthony Fauci deixou de ser apenas o homem que explicava a pandemia para se tornar um dos principais personagens da investigação sobre como ela foi conduzida. Como se não bastasse, procuradores-gerais de diferentes Estados — entre eles Flórida, Louisiana e Oklahoma — anunciaram investigações próprias para apurar possíveis violações de suas legislações relacionadas à atuação de Fauci durante a pandemia.


Anthony Fauci viveu mais uma semana difícil nos Estados Unidos - Foto: Reuters

O mais relevante, porém, não é o destino jurídico de Fauci. É o colapso da blindagem política e midiática que o cercou durante anos. A figura apresentada como autoridade praticamente incontestável agora enfrenta investigações, documentos públicos, depoimentos sob juramento e questionamentos institucionais que dificilmente teriam espaço poucos anos atrás. O escrutínio que foi negado durante a pandemia finalmente começou. Essa mudança diz muito menos sobre Anthony Fauci do que sobre o funcionamento das instituições democráticas. 

Durante crises, sociedades concentram confiança em determinadas figuras. Em guerras, nos generais. Em colapsos econômicos, nos ministros da Fazenda. Em pandemias, nas autoridades sanitárias. O fenômeno não é novo nem necessariamente negativo. Situações extraordinárias exigem liderança técnica e capacidade de coordenação. O problema surge quando a autoridade técnica é confundida com infalibilidade. 

Foi o que ocorreu durante boa parte da pandemia. Fauci deixou de ser apresentado como um cientista experiente para se transformar, aos olhos de grande parte da imprensa e da classe política, em autoridade acima do contraditório. Questionar decisões passou a ser interpretado como ataque à ciência. A distinção entre discordar de um gestor público e negar o conhecimento científico foi apagada, criando um ambiente no qual perguntas legítimas frequentemente eram recebidas com hostilidade. 

Esse talvez tenha sido um dos maiores erros daquele período. A ciência nunca avançou pela ausência de perguntas. Ela avança justamente porque perguntas continuam sendo feitas. Hipóteses são formuladas, confrontadas, testadas, abandonadas ou confirmadas. 

Nenhuma teoria científica permanece verdadeira por decreto. Nenhuma conclusão deixa de poder ser revisada apenas porque determinada autoridade a apresentou em entrevista coletiva. Ainda assim, criou-se uma atmosfera em que determinadas discussões simplesmente não podiam existir. Hipóteses sobre a origem do vírus eram descartadas antes de serem investigadas. 

Médicos que defendiam protocolos diferentes eram imediatamente desqualificados. Especialistas que levantavam dúvidas sobre lockdowns prolongados, fechamento de escolas, imunidade natural ou eficácia das vacinas na interrupção da transmissão eram retratados como propagadores de desinformação. Esse ambiente produziu um efeito corrosivo. 

A confiança pública na ciência não foi enfraquecida pelo excesso de perguntas. Ela começou a ser corroída quando milhões perceberam que perguntas deixavam de ser respondidas e, em muitos casos, sequer podiam ser feitas.

É nesse contexto que as investigações envolvendo Fauci adquirem importância maior do que a trajetória de um único homem. Elas representam a tentativa de reconstituir decisões que afetaram bilhões de pessoas: escolas foram fechadas, liberdades restringidas, políticas de saúde foram alteradas do dia para a noite sem debates, influenciaram eleições e redefiniram a relação entre governos e cidadãos. 

Decisões cujo custo civilizacional só agora começa a ser medido na sua verdadeira extensão, e que nenhuma sociedade séria pode simplesmente deixar para trás.


Questionar lockdowns, escolas fechadas ou vacinas podia render o rótulo de desinformação - Foto: Shutterstoc

O precedente da Suprema Corte Entre as discussões jurídicas das últimas semanas, uma merece atenção especial por quase não ter aparecido fora dos Estados Unidos: o argumento de Rand Paul de que Fauci não poderia ter invocado a Quinta Emenda da forma como fez. A Quinta Emenda garante o direito de não produzir provas contra si mesmo. Foi o que Fauci invocou 111 vezes.

Rand Paul, porém, afirma que existe um precedente histórico da Suprema Corte que torna essa discussão muito mais complexa do que normalmente se imagina. E, curiosamente, para compreender um dos debates jurídicos mais importantes da política americana em 2026, é preciso voltar ao ano de 1896: Brown versus Walker.


Rand Paul afirma que Fauci não tinha direito de invocar a Quinta Emenda da maneira como o fez | Foto: Reuters/Tom Williams/CQ-Roll Call/Sipa USA

O caso começou quando Brown, um funcionário de uma companhia ferroviária, foi chamado para prestar depoimento em uma investigação federal. Diante das perguntas que lhe foram dirigidas, recusou-se a responder, alegando que suas declarações poderiam incriminá-lo. Era, em essência, a mesma proteção constitucional invocada por Anthony Fauci mais de um século depois. 

A questão submetida aos juízes parecia simples, mas possuía enormes consequências jurídicas. A Quinta Emenda protege qualquer pessoa contra a possibilidade de ser obrigada a produzir provas que possam levá-la à própria condenação criminal. Mas essa proteção continua existindo quando o risco de condenação deixa de existir?

A Suprema Corte respondeu que não. A corte explicou que a finalidade da Quinta Emenda é impedir que alguém seja obrigado a fornecer provas que possam resultar em sua própria condenação. No entanto, quando esse risco jurídico deixa de existir — seja porque a pessoa recebeu imunidade, porque o prazo para processá-la terminou ou porque houve um perdão para aquele delito — desaparece também a razão que justifica a invocação dessa proteção constitucional. 

O direito ao silêncio não existe para proteger alguém de constrangimento político ou desgaste de reputação. Existe apenas para impedir que alguém seja obrigado a fornecer provas que possam servir a uma condenação criminal. Quando esse risco cessa, cessa também o fundamento da proteção. 

Segundo Rand Paul, o perdão concedido por Joe Biden a Fauci levanta exatamente essa questão. Se o perdão realmente o protege dos fatos investigados, o risco de condenação federal desapareceu — e, com ele, o fundamento para invocar a Quinta Emenda. Isso não significa, porém, que a discussão esteja encerrada. Diversos constitucionalistas sustentam que a situação jurídica de Fauci pode ser muito mais complexa. 

O alcance de um perdão presidencial depende da forma como ele foi concedido, dos fatos efetivamente abrangidos por esse perdão e da existência de eventuais responsabilidades que escapem da esfera federal. Também permanece aberta a discussão sobre possíveis investigações estaduais, que não necessariamente são alcançadas por um perdão concedido pelo presidente da República.


A quebra da espiral de silêncio

Essas divergências continuarão sendo debatidas nos tribunais e no Congresso. O ponto realmente importante, porém, é outro. Pela primeira vez desde o início da pandemia, Fauci passou a ser tratado como qualquer outro agente público. Seus atos deixaram de ser analisados apenas sob a perspectiva sanitária e passaram a ser submetidos ao escrutínio institucional próprio de uma democracia.

Essa mudança acompanha outra transformação. Afirmações apresentadas como certezas absolutas começaram a ser revistas. Durante anos, milhões ouviram que as vacinas de mRNA impediriam a infecção, interromperiam a transmissão e colocariam fim à pandemia. Essas declarações fundamentaram campanhas governamentais, vacinação obrigatória e restrições impostas a cidadãos que decidiram não se vacinar ou seguir tratamentos de acordo com seus médicos. 


Durante anos, milhões ouviram que as vacinas de mRNA impediriam a infecção, interromperiam a transmissão e colocariam fim à pandemia - Foto: Shutterstock

Hoje, ninguém sustenta essas afirmações da mesma maneira. A própria compreensão científica sobre o comportamento das vacinas evoluiu com o acúmulo de evidências. Autoridades sanitárias alteraram recomendações, modificaram protocolos e passaram a reconhecer limitações que durante muito tempo quase não apareciam no debate público.

A revisão de hipóteses faz parte do método científico. O problema nunca esteve na mudança de entendimento. O problema surgiu quando posições científicas foram tratadas como verdades definitivas e qualquer voz dissonante passou a ser silenciada. 

Nesse ambiente, médicos perderam espaço profissional por defender interpretações diferentes das autoridades oficiais, pesquisadores tiveram trabalhos desacreditados, especialistas foram banidos de plataformas, jornalistas foram censurados e milhões de cidadãos comuns foram ridicularizados simplesmente por fazer perguntas que hoje já não parecem absurdas. 

O dano ultrapassa a figura de Anthony Fauci. Quando uma sociedade associa ciência à impossibilidade de questionar autoridades, deixa de compreender tanto a ciência quanto a liberdade. A primeira depende do confronto permanente entre hipóteses. A segunda, da possibilidade de discordar sem ser tratado como inimigo. 

Nenhuma democracia preserva esses dois valores quando o medo substitui o debate e o consenso vale mais do que a investigação. 


Pandemia e Fauci. Oeste e Guzzo

Há coincidências de simbolismo difícil de ignorar. Na semana em que o mundo assiste a novos desdobramentos das investigações sobre Fauci — sob o silêncio da mídia brasileira —, recordamos o primeiro aniversário da morte de J.R. Guzzo, que passou décadas ensinando que o jornalismo não existe para proteger versões oficiais, mas para fazer perguntas, desconfiar do poder e insistir nos fatos.

Enquanto grande parte da imprensa reproduzia versões oficiais e desencorajava questionamentos, a Oeste, sob a batuta de Guzzo, escolheu o caminho mais difícil: continuar perguntando.


J.R. Guzzo - Foto: Arquivo Pessoal

Narrativas podem dominar o debate público por algum tempo. Podem controlar manchetes, influenciar algoritmos, intimidar adversários e até convencer milhões de pessoas de que determinadas perguntas jamais deveriam ser feitas. Nenhum desses mecanismos, porém, altera a realidade. Os fatos continuam existindo independentemente do que governos, especialistas ou veículos de comunicação desejem que as pessoas acreditem. 

Foi essa confiança na força dos fatos que Guzzo transmitiu a gerações de jornalistas. Ele jamais acreditou que a missão da imprensa fosse proteger autoridades ou administrar consensos. Seu compromisso esteve sempre em outro lugar: investigar, perguntar e permanecer fiel à realidade, mesmo quando isso significasse contrariar o pensamento dominante. 

Não deixa de ser simbólico que o primeiro aniversário de sua morte coincida com uma semana em que antigas certezas voltaram a ser colocadas sob escrutínio. Independentemente do destino jurídico de Fauci, uma lição já é evidente: a tentativa de transformar questões científicas em dogmas políticos produziu enorme desgaste na confiança pública. 

Reconstruí-la exigirá exatamente o que faltou durante tanto tempo: transparência, disposição para rever erros e liberdade para que perguntas difíceis continuem sendo feitas. Guzzo jamais confundiu prestígio com autoridade moral, nem autoridade com infalibilidade. 

Sabia que governos, especialistas, instituições e jornalistas erram. E sabia que a única maneira de reduzir esses erros é preservar o que diferencia uma sociedade livre de qualquer regime autoritário: a possibilidade permanente de investigar, contestar e perguntar.

 A Revista Oeste nasceu em um momento em que fazer essas perguntas significava enfrentar ataques e tentativas de silenciamento. Continuará fazendo exatamente a mesma coisa enquanto houver assuntos que mereçam ser investigados e verdades que ainda precisem ser contadas. 

Esse sempre foi o legado de J.R. Guzzo. É também o compromisso que permanece orientando o nosso trabalho. Narrativas conseguem dominar o debate público durante algum tempo. Conseguem intimidar adversários, produzir consensos artificiais e até reescrever temporariamente a memória coletiva. 

O que elas não conseguem fazer é alterar a realidade — nem a de Anthony Fauci, nem a lição que J.R. Guzzo insistiu em deixar. 

Obrigada, mestre.


Ana Paula Henkel - Revista Oeste