sábado, 31 de outubro de 2026

A direita faxineira - por Gabriel Cepaluni, professor de ciência política da Unesp e autor de Capitalism and Development (Cambridge University Press)

 A esquerda gasta e forma quadros. Liberais e conservadores são chamados para arrumar a casa e depois são mandados embora




Em 25 de outubro, Lula venceu Flávio Bolsonaro por 51,8% a 48,2%. Flávio havia liderado o primeiro turno. Dezessete dias antes daquele primeiro turno, um decreto elevou o Bolsa Família em 15%, ao custo de R$ 5,8 bilhões neste ano e R$ 22,7 bilhões em 2027. 

Não escrevo para lamentar o resultado. Escrevo porque a derrota repete um padrão que a direita brasileira, e a latino-americana, ainda não encarou.

O padrão é simples. A esquerda governa gastando. Quando o dinheiro acaba, a direita é chamada para cortar. Corta, paga a conta política e sai. A esquerda volta e gasta de novo. 

Michel Temer aprovou o teto de gastos em 2016 e deixou o cargo com aprovação de um dígito. Mauricio Macri tentou um ajuste gradual na Argentina e perdeu em 2019 para a chapa de Cristina Kirchner. Cortar é menos divertido que gastar. 

Quem perde um benefício sabe o nome de quem o tirou. Quem ganha com as contas em ordem raramente percebe que ganhou. A lição que a direita precisa aprender Bolsonaro tentou o caminho oposto. 

Em 2022, elevou o Auxílio Brasil para R$ 600 por emenda constitucional, meses antes da eleição. Perdeu mesmo assim. A lição não é que a direita deva gastar mais. Num leilão de promessas, a esquerda sempre dá o lance maior.

Javier Milei mostra que cortar não é sentença de morte. Fez um ajuste duríssimo e venceu as eleições legislativas de outubro de 2025 com cerca de 41% dos votos. O argentino viu a inflação cair. O corte veio com um resultado que se podia sentir no supermercado. Milei, porém, é exceção, e exceção não sustenta projeto de poder.

 A pergunta que importa é outra: por que a esquerda sempre volta, mesmo depois de crises que ela própria criou? Parte da resposta está no que ela ocupa entre uma eleição e outra. A peça mais importante é a universidade.

Escrevo de dentro. Sou professor de uma universidade pública. A universidade brasileira deixou de ser apenas um lugar de ensino e pesquisa e virou um grupo de interesse, com orçamento a defender, carreiras a proteger e um aliado partidário claro. A UNE é presidida desde 1991 por quadros da União da Juventude Socialista, braço do PCdoB. No Andes-SN, o sindicato nacional dos docentes, a grande disputa interna dos últimos anos foi entre ficar numa central ligada ao PSTU ou se aproximar da CUT, ligada ao PT. Os dois lados da briga são de esquerda. 

Não há conspiração nisso. É a lógica de qualquer grupo de interesse: a universidade pública se alinha ao partido que promete expandir seu orçamento, e esse partido tem sido a esquerda. O efeito, contudo, vai muito além do orçamento. A universidade forma o juiz, o promotor, o diplomata, o técnico do Banco Central, o jornalista e o professor do ensino médio. Quem forma essa gente molda o país por 30 anos, muito depois de qualquer eleição.


A importância de hegemonia ideológica

A direita tem respostas, mas pequenas. O Estudantes pela Liberdade ajudou a formar os fundadores do MBL. O RenovaBR, suprapartidário, prepara candidatos. Institutos liberais publicam e debatem. Tudo isso tem valor. Mas forma militantes e candidatos, não a elite que ocupa o Estado por décadas.

Outros países fizeram apostas mais longas. Nos Estados Unidos, estudantes de Direito fundaram a Federalist Society em 1982. Quarenta anos depois, a maioria conservadora da Suprema Corte saiu da sua rede. No Chile, economistas e políticos de direita fundaram a Universidad del Desarrollo em 1990. 

Um dos fundadores, Cristián Larroulet, chegou a ministro de Sebastián Piñera. No Brasil, o agronegócio e o empresariado que financiam campanhas poderiam financiar coisa mais duradoura: bolsas de mestrado e doutorado no exterior para jovens talentosos, com compromisso de volta; cátedras com doadores em universidades que já existem; preparação para os concursos das carreiras de Estado. Uma campanha custa caro e dura três meses. Uma geração de quadros custa menos e dura 40 anos.

A segunda frente é o crescimento. A pesquisa sobre clientelismo mostra que o voto do eleitor pobre é mais barato de comprar, porque um benefício pequeno pesa muito no orçamento de quem tem pouco. Uma população mais rica é menos sensível ao decreto de véspera. E o crescimento é a única recompensa que torna o corte suportável. Foi o que Milei entregou e Temer não teve tempo de entregar.

 Eleição se ganha em campanha. Hegemonia se constrói em décadas. A esquerda entendeu isso há muito tempo. Enquanto a direita não entender, continuará sendo chamada só para limpar a casa. 


Gabriel Cepaluni, professor de ciência política da Unesp e autor de Capitalism and Development (Cambridge University Press) - Revista Oeste

Manter Alcolumbre na presidência do Senado é a desmoralização definitiva da oposição, escreve Mário Sabino

 A submissão do Congresso ao STF fortalece o autoritarismo e deixa o governo Lula sem freios


 

Alcolumbre ao fim da cerimônia de abertura do Ano Judiciário no Supremo Tribunal Federal, em Brasília - 2/2/2026 - Foto: Mateus Bonomi/Agif/Reuters


Se a oposição não fizer o próximo presidente do Senado, seja Rogério Marinho ou Tereza Cristina no lugar de Davi Alcolumbre, a derrota significará uma desmoralização ainda maior do que a de Flávio Bolsonaro na eleição presidencial. Significará principalmente um cheque em branco aos suspeitos de sempre da história de sempre. 

Teremos Alcolumbre mandando ainda mais no pedaço, em parceria estreitada (pelo bem do Brasil) com o ministro Alexandre de Moraes, tornado irremovível e, a partir do segundo semestre, na presidência do STF, que é para arrebentar a boca do balão.

Acrescente-se ao quadro a permanência de Hugo Motta na presidência da Câmara, e os brasileiros que nutrem a vaga esperança de que se faça alguma coisa certa um dia, sei lá, poderão deixá-la à porta do inferno. 

O inferno é aquele lugar no qual Lula, totalmente entregue aos próprios e baixos instintos no outono da existência, à extrema esquerda que o ajudou no momento janônico da campanha de segundo turno e a um Congresso voraz, fará no máximo uma gambiarrinha fiscal para um mercado obrigado a fingir que é ajuste, mas sem poder fingir completamente, porque isso é coisa de poeta. 

A falsa crença irá até determinado ponto, e o ponto será o bem passado dos gastos do governo em permanente alta, apesar dos estelionatos eleitorais aplicados em quem vai esquecê-los rapidamente, assim como o dos impostos lá em cima como nunca, estes, sim, inesquecíveis, inclusive um IVA, viva, da ordem de 30% ou mais.


O custo de manter Alcolumbre

 Quando o inferno tiver alcançado níveis abrasadores, talvez um Deus ex machina, na forma de recessão econômica, surja para iniciar uma crise política que faça rolar a cabeça do presidente já meio sobre o senil, esfriando o ambiente e nos recolocando no caminho da nossa anormalidade habitual. 

Tudo ao custo de sacrifícios adicionais, é claro, embora jamais da parte dos Alcolumbres, Moraes e Mottas, é evidente, mas não importa, tudo bem, pessoal: a gente aqui embaixo gosta de sofrer em prol das causas vendidas como boas, visto que agora a coisa vai, finalmente. 

Quer chamar esse eterno retorno de esperança? Por favor, fique à vontade, afinal a casa é sua, ou você pensa que é.



Mário Sabino - Revista Oeste 


Ibovespa perde 18% na semana da reeleição de Lula; dólar dispara 9%

 Bolsa registra pior desempenho semanal desde março de 2020; moeda norteamericana tem maior avanço desde a crise de 2008


Analistas acreditam que a irresponsabilidade fiscal do governo Lula disparou o dólar | Foto: Reprodução/Freepik


O Ibovespa acumulou queda de cerca de 18% na semana seguinte à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. No mesmo período, o dólar à vista subiu mais de 9%, em meio à revisão das expectativas dos investidores para a economia brasileira e às incertezas sobre a política fiscal.

Nesta sexta-feira, 30, o principal índice da Bolsa brasileira recuou 0,75%, aos 167.922 pontos. Foi o quinto pregão consecutivo de perdas. Durante a sessão, o indicador oscilou entre 167.008 e 169.185 pontos.

A desvalorização semanal foi a mais intensa desde março de 2020, no começo da pandemia de covid-19. Esse movimento também levou o resultado de outubro para o vermelho, com perda de aproximadamente 9,9%. 

As ações da Vale e da Petrobras subiram na sexta-feira e limitaram o recuo do índice. Ainda assim, a cautela com a formação da equipe econômica para o próximo mandato e com a trajetória das contas públicas manteve a pressão sobre os ativos brasileiros.


Dólar registra maior alta semanal desde 2008 

O dólar à vista encerrou a sexta-feira com valorização de 1,05%, cotado a R$ 5,44. Ao longo do pregão, a moeda norte-americana variou entre R$ 5,38 e R$ 5,46.

O avanço de 9% na semana foi o maior desde o período encerrado em 24 de outubro de 2008, durante a crise financeira internacional. O euro comercial também subiu na sexta-feira: avançou 1,12%, para R$ 6,08. 


Juros futuros também avançam 

A pressão alcançou os juros futuros, com investidores exigindo taxas maiores para negociar contratos de diferentes vencimentos. No encerramento dos negócios regulares, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2028 passou de 14,37%, no ajuste anterior, para 14,48%. 

A do contrato para janeiro de 2029 avançou de 14,80% para 14,96%. Para janeiro de 2031, a taxa subiu de 15,15% para 15,26%.

Além das dúvidas fiscais, a valorização do dólar e do petróleo ampliou as preocupações com a inflação. As taxas desses contratos refletem expectativas e condições de mercado, sem representar uma decisão do Banco Central sobre a Selic. Bolsas norte-americanas encerram em queda 

O ambiente externo também foi desfavorável às ações. 

Nos Estados Unidos, resultados trimestrais abaixo das expectativas de empresas de tecnologia pressionaram as bolsas. 

O Nasdaq caiu 2,86%, aos 25.437 pontos. O S&P 500 recuou 1,82%, para 7.579,82 pontos, enquanto o Dow Jones perdeu 1,09%, aos 51.771,14 pontos. Investidores também repercutiram declarações de dirigentes do Federal Reserve, o Banco Central norte-americano, favoráveis à manutenção de uma política monetária restritiva.


Matheus Santos - Revista Oeste

sexta-feira, 30 de outubro de 2026

Dívida pública federal dispara no governo Lula e chega a R$9,38 trilhões

Endividamento do governo cresce R$90,2 bilhões em setembro, impulsionado principalmente pela incorporação de juros


Foto: Reprodução


A Dívida Pública Federal (DPF) chegou a R$9,383 trilhões em setembro de 2026, registrando alta de 0,97% em relação ao mês anterior.

Os dados foram divulgados pelo Tesouro Nacional na quinta-feira (29) e representam um aumento de R$90,2 bilhões em apenas um mês.

Em agosto, o estoque da dívida estava em R$9,293 trilhões.

A elevação foi provocada principalmente pela incorporação de R$89,29 bilhões em juros ao montante devido pelo governo federal.

As emissões líquidas de títulos públicos também contribuíram para o resultado.

Durante setembro, o Tesouro emitiu R$189,44 bilhões em títulos públicos, enquanto os resgates totalizaram R$185,66 bilhões.

A diferença resultou em uma emissão líquida de R$3,78 bilhões na dívida interna.

A dívida interna, composta principalmente por títulos negociados no mercado nacional, alcançou R$9,037 trilhões, com crescimento de 1,04%.

Já a dívida externa recuou 0,82%, encerrando o período em R$345,41 bilhões.

O custo médio do estoque da dívida pública, considerando os últimos 12 meses, passou de 12,59% ao ano, em agosto, para 12,63% em setembro.

O indicador acompanha os encargos associados ao endividamento federal.

Na composição da dívida, os títulos vinculados à taxa Selic passaram a representar 51,6% do total, ante 52,74% no mês anterior.

Os papéis corrigidos pela inflação aumentaram sua participação de 23,22% para 23,59%, enquanto os prefixados avançaram de 20,31% para 21,14%.

Apesar do avanço do endividamento, a reserva de liquidez do Tesouro Nacional chegou a R$1,273 trilhão, uma alta de 5,33% em relação a agosto.

O montante, conhecido como colchão da dívida, é suficiente para cobrir aproximadamente 7,71 meses de vencimentos dos títulos públicos federais.

Pedro Taquari - Diário do Poder

Augusto Nunes escreve sobre 'A Constituição dos vigaristas'

 Lei de Gérson virou Carta Magna da malandragem


A Constituição é diariamente mandada às favas por ministros do Supremo encarregados de preservá-la - Ilustração: Gerada por IA/Revista Oest

M eses antes da Copa da Suécia, Nelson Rodrigues escreveu que o problema do brasileiro era o complexo de vira-lata. Essa deformação impedia, por exemplo, que um nativo do País do Futebol enxergasse na seleção de 1958 o melhor time da história. Se estivesse vivo, o cronista genial ressalvaria que foi assim entre a derrota contra o Uruguai na final no Maracanã em 1950 e o primeiro triunfo na disputa da Taça Jules Rimet.

De lá para cá, o problema diagnosticado por Nelson foi substituído por outras disfunções bem mais graves. Há, por exemplo, o complexo do pobretão metido a besta: milhões de dependentes desinformados acreditam que subiram na vida ao receber a mesada do Bolsa Família, como um nobre arruinado que disfarça a decadência com um fraque puído nos fundilhos.


Ex-presidente da República José Sarney | Foto: Agência Senado 

Há também a síndrome do comigo-ninguém-pode: seus portadores acham que basta recorrer ao jeitinho brasileiro para tapear gringos otários. E há a que afeta a imensidão de gente que se orienta pela Lei de Gérson: é preciso (e é possível) levar vantagem em tudo. Pausa para a informação: fui eu quem inventou essa expressão em meados de 1987, quando chefiava a sucursal do Jornal do Brasil em São Paulo. O país desgovernado por José Sarney lembrava um viveiro de vigaristas, do trombadinha que roubava a bolsa de uma septuagenária ao presidente da República que iludia a nação com planos econômicos imbecis. 

Perdi a paciência ao ver mais uma vez o comercial da marca de cigarros Vila Rica. “Você, que sempre fumou, por que Vila Rica?”, perguntava a voz do locutor Gérson de Oliveira Nunes, o grande camisa 8 da seleção de 1970. “Por que pagar mais caro se Vila me dá tudo o que eu quero de um bom cigarro?”, dizia o craque. “Gosto de levar vantagem em tudo, certo? Leve vantagem você também.”

Telefonei para José Antonio Nascimento Britto, um dos donos do jornal sediado no Rio, e sugeri a publicação de um editorial sobre o que me parecia uma ode ao cinismo endêmico. Enquanto escrevia, ocorreu-me batizar de Lei de Gérson aquela apologia da safadeza lucrativa. 

Nunca reivindiquei tal paternidade por dois motivos. Primeiro: por traduzirem a opinião do dono do jornal, editoriais não incluem a assinatura do autor, e sempre achei um tanto bizarro sair por aí jurando, sem provas materiais, que escrevera isto ou aquilo. Segundo motivo: a expressão logo se tornou popular, foi incorporada pela linguagem corrente e acabou associando um cracaço que sempre admirei à normalização da malandragem. Isso me deixou constrangido. Embora tardiamente, peço desculpas a Gérson. O criador dos mais esplêndidos lançamentos de longa distância vistos em campos de futebol apenas leu o que algum publicitário escreveu. Mas reafirmo a essência do editorial. Estava correto. E, para desconsolo do Brasil que pensa e presta, dispensa atualizações.

Nestes tempos estranhos, em que a Constituição é diariamente mandada às favas por ministros do Supremo encarregados de preservá-la, a Lei de Gérson foi promovida a Carta Magna das incontáveis tribos de espertalhões especializados em vantagens imorais, favores obscenos, propinas multimilionárias, ladroagens amazônicas e outros tipos de assassinato da honradez. 

Uma delas é a dos Dependentes de Rouanet, formada por cantores, cineastas, atores e demais artistas que, deserdados por plateias pagantes, vivem de adjutórios federais tungados dos pagadores de impostos. A retribuição vem com a campanha eleitoral. Espalha-se por outras aldeias a nação dos Governistas Sempre, composta por políticos que, tão logo termina uma disputa nas urnas, declaram apoio ao vencedor oficial, seja ele quem for. Fora o abismo econômico e social que separa os favorecidos, não há diferenças notáveis entre o beneficiário do Bolsa Família que aumenta a mesada com filhos inexistentes e o dono de partido que pede mais um ministério a quem fingiu combater durante a campanha. 

Ou entre o juiz de futebol que aceita subornos e um ministro do Supremo que vira multimilionário com a venda de proteção a banqueiros bandidos. Tampouco há fronteiras visíveis entre um presidente de escola de samba que compra jurados na Sapucaí e um presidente da República que se junta a parceiros do Judiciário para fazer o diabo no 2º turno da eleição. Ou entre uma Dilma Rousseff contemplada com cinco diferentes bolsasditadura e a companheirada do baixo clero distribuída por quase 65 mil cargos de confiança. São todos vigaristas de nascença. Todos passam a vida tentando levar vantagem em tudo. Todos são caso de polícia. Gente assim nem precisa perder a vergonha. Só se perde o que se tem.


Os ministros do STF Gilmar Mendes e Alexandre de Moraes, o presidente Lula e o procurador-geral da República, Paulo Gonet - Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil 


Augusto Nunes - Revista Oeste

O Brasil na encruzilhada

Uma reeleição inexplicada. Um surto frenético de perseguições. Instituições capturadas pelo regime, com exceção das Forças Armadas. Por enquanto  





D e onde Lula tirou 10 milhões de eleitores em três semanas? Como e de onde surgiu a montanha mágica de votos que transformou uma derrota por 2,2 milhões de votos no primeiro turno em uma vantagem de 4,4 milhões no segundo? O que explica o fenômeno da multiplicação de votos em favor de um presidente dado como provável perdedor por quase todos os institutos de pesquisa? É crível que 70% dos eleitores de Cury, Caiado, Renan e Zema tenham resolvido contrariar seus líderes para votar em Lula? Há outras, muitas outras perguntas que não têm e provavelmente não terão resposta — lembremos que o Brasil é um caso único no mundo, junto com o Butão, em que o voto digital não deixa rastro físico e, portanto, o sistema não pode ser auditado de forma independente. 

Mas, se não há provas de fraude, sobram evidências de desonestidade — e elas abundam, como se pode ver no quadro que ilustra este artigo. A milícia digital que André Janones (veja texto nesta edição) criou para espalhar mentiras e deturpações contra a campanha de Flávio prosperou ante a complacência de ministros do TSE e do STF que prestam vassalagem a Lula. Artistas e acadêmicos engrossaram, sem pudor, o vale-tudo para infundir medo na população. Aposentadorias, SUS, Bolsa Família — tudo estaria em risco se Lula perdesse a eleição. A democracia acabaria no país. E muitas outras falácias. Um vídeo da antropóloga Lilia Schwarcz, da USP, se tornou viral. Sorridente e com um tom de voz infantilizado, Lilia disse que se Flávio vencesse, acabaria com o Pix “a mando de Trump”. Desmoralizou-se, a si e à academia.


liliaschwarcz Aproveitem o Pix enquanto é tempo! “papai Trump do Eduardo Bolsonaro, já avisou muitas vezes que vai acabar com o Pix. Não sabia? vai lá ouvir. O presidente dos EUA defendeu seus cartões de crédito e já s pronunciou muitas vezes contra o PIX. Por sinal. Viva a nossa soberania


O “jornalismo profissional” também entrou em campo. Uma jornalista do Valor Econômico resolveu falar sobre um assunto que não domina e proferiu, na GloboNews, um comentário que deu origem a uma boataria nas redes vinculando evangélicos apoiadores de Flávio a um projeto “para tirar Nossa Senhora Aparecida da condição de padroeira do Brasil”. Além de fake, a informação não fazia o menor sentido. Nossa Senhora é padroeira por concessão do Papa Pio XI, não do governo brasileiro. 


Poder360 @Poder360 · Seguir #Vídeo Globonews fala que Flávio mudaria padroeira do Brasil, faz correções e pede desculpas História viralizou nas redes sociais; candidato a presidente disse que história é mentira inventada pelo PT e que respeita "todas as religiões e também quem não tem religião". Mostrar mais Assista no X 10:27 AM · 25 de set de 2026 1 mil Responder Copiar link para o pos


Nenhuma novidade, porém, na falta de escrúpulos do PT para transformar qualquer adversário em um espantalho. Dilma Rousseff prometeu em 2014 “fazer o diabo” para se reeleger, e a vítima daquela vez não foi um Bolsonaro, e sim a também esquerdista Marina Silva, metralhada no primeiro turno com a insinuação de que tiraria o prato de comida dos pobres. 

A tática de mentir sobre o fim do Bolsa Família vem de longe. Inédita foi a rajada de promessas eleitoreiras que o governo disparou à medida que a corrida eleitoral chegava a seu momento culminante e as intenções de voto atribuídas a Lula pelos institutos de pesquisa patinavam em patamares muito abaixo dos 50%. Benesses como perdão de dívidas, distribuição de canetas emagrecedoras, transporte público de graça nos fins de semana, reajuste do valor do Bolsa Família e até mesmo a oferta indecorosa de uma doação de R$ 5 mil na conta de microempreendedores escancararam a mais descarada compra de votos de que se tem notícia. 

O PL está pedindo, por essas e várias outras razões, a cassação da chapa Lula-Alckmin. Pela legislação eleitoral, a chance de êxito desta ação seria de 100%. Mas o julgamento caberá aos ministros do Tribunal Superior Eleitoral, a grande maioria dos quais indicados por Lula. Portanto, chance zero. Como demonstrou André Janones, o líder safo do “Exército do Lula” no WhatsApp, o código eleitoral só é aplicável, com rigor e até elasticidade, a adversários do PT.


E se o TSE não funcionar direitinho no melhor interesse do padroeiro Lula, sempre haverá o STF para intervir just in time, como ficou muito claro com a intempestiva e ilegal decisão tomada por Cristiano Zanin de mandar reabrir as urnas após as 17h, suspendendo por duas horas o início do processo de apuração e divulgação dos resultados. 

Tudo naquela medida era um escândalo: a alteração abrupta das regras definidas em lei; a comunicação extemporânea, após o horário de encerramento das seções eleitorais; e o fato de ter sido tomada por um ministro que foi o advogado criminal responsável por tirar Lula da cadeia e torná-lo elegível. 

Zanin deve ao presidente a cadeira que ganhou no STF, e tem demonstrado ser grato. A manobra chamou a atenção de Donald Trump, que pôs em suspeição a integridade da eleição presidencial brasileira e autorizou uma operação para retirar Flávio Bolsonaro do território brasileiro e livrá-lo do cerco de outro ministro do STF. 
Minutos após a confirmação matemática da reeleição de Lula, a Polícia Federal pediu e Moraes, sem ouvir o Ministério Público, determinou de imediato o confisco do passaporte de Flávio e o proibiu de deixar o país. Bem que Lula havia avisado, no debate da Band: “Você acha que já ganhou as eleições? 

Você se prepare, que dia 25 você vai perder imunidade e você vai ter problema, porque a sua vida tem muito inquérito, que agora vai andar”. Em operação cercada de sigilo, Flávio chegou aos Estados Unidos na manhã da quarta-feira (28) e divulgou uma carta denunciando o regime brasileiro. A grande mídia destilou sua tradicional parcialidade, reduzindo o manifesto, de grande repercussão nos Estados Unidos, a uma “carta de teor golpista” e empregando o termo “fuga” para o ato de desespero de Flávio e seus familiares. 
Com o distanciamento de quem não perdeu os referenciais básicos de um Estado de Direito, e não lambe um regime em troca de verbas publicitárias, o Wall Street Journal apresentou os fatos como os fatos são: “Lula disse num debate de campanha que, assim que Bolsonaro perdesse a imunidade parlamentar, ele enfrentaria todo tipo de investigações. Lula escolheu o homem e prometeu encontrar o crime”. O texto leva a assinatura do Conselho Editorial do WSJ.


O atropelo de Zanin trouxe à memória da desconfiada oposição brasileira episódio semelhante ocorrido na Venezuela em 2015, quando o regime de Nicolás Maduro, hoje preso nos Estados Unidos, estendeu de última hora o período de votação para as eleições parlamentares. Lá, a extensão do horário foi de uma hora. Mas a oposição ganhou mesmo assim e fez maioria no Congresso venezuelano. 

Se o paralelo com a Venezuela lhe causa arrepios, as linhas seguintes serão mais tensas. Em dezembro de 2015, Maduro tinha um problema: estava em minoria no parlamento. Assim como Lula está agora: em 4 de outubro de 2026, o Brasil elegeu um Senado majoritariamente de oposição ao presidente reeleito. Mas, em dezembro de 2015, 

Maduro também tinha um trunfo: depois de 15 anos de chavismo no poder, a Suprema Corte venezuelana estava infestada de… chavistas. Lula tem cacife idêntico: ele, o PT e aliados podem contar com pelo menos oito dos 11 votos do plenário do Supremo Tribunal Federal, hoje mais assemelhado a um Departamento Jurídico do partido que está prestes a completar 20 anos no poder.

O que fez Maduro para sufocar um parlamento que lhe era hostil? Instruiu seus lacaios no tribunal superior a cassar mandatos de congressistas. Como a truculência não foi suficiente, os juízes próMaduro invocaram o nobre objetivo de “proteger o Estado de Direito e a democracia” e assumiram formalmente funções legislativas. O mundo prestou atenção naquela usurpação. Ficou chato para os bolivarianos. Era uma afronta pornográfica à Constituição venezuelana e ao princípio da separação de Poderes. Nenhum problema para um ditador sem escrúpulos. Maduro e seus comparsas do Tribunal Supremo de Justícia montaram uma assembleia nacional constituinte à margem do congresso oposicionista e deram um molde jurídico-político para o pleno exercício da ditadura. 

Se Lula tem o Tribunal Superior Eleitoral e o Supremo Tribunal Federal nas mãos, o que o impede de castrar seus opositores no Senado, que detêm 48 das 81 cadeiras? Seu partido, pela voz do deputado Jilmar Tatto, já anunciou um festival de prisões contra bolsonaristas. O PT, no Paraná, extravasou sua euforia com a perseguição a Flávio Bolsonaro e quer mais: anunciou que Deltan Dallagnol “será o próximo”. O STF está pronto para cumprir a missão.

Dallagnol é um dos 30 senadores eleitos com base na promessa de defender o impeachment de ministros do STF, a começar pelo de Moraes — que ainda não deu nem dará explicação plausível para um contrato de R$ 131 milhões que o escritório jurídico de sua família firmou com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, hoje preso por suspeita de causar um rombo de quase R$ 50 bilhões no sistema financeiro.


31 likes spctvbrasil O deputado federal Jilmar Tatto (PT-SP) afirmou, nesta terça-feira (27), na tribuna da Câmara, ter informações da Polícia Federal sobre novas prisões de apoiadores de Jair Bolsonaro. “Vai prender muito bolsonarista”, declarou. O parlamentar também criticou a prisão domiciliar do ex-presidente e defendeu seu retorno ao sistema prisional, questionando as condições em que ele cumpre a medida.

O vídeo do discurso foi publicado pela deputada Caroline de Toni (PL-SC), que questionou como Tatto teria acesso às informações e quem as teria repassado. 🖥️📡 SPCTV | Sistema Paraibano de Comunicação e Televisão 🔹 Veja mais em spctv.com.br 🔹 Siga nosso perfil @spctvbrasil e acompanhe nossos conteúdos em todas as plataformas digitais. 🔄 Republique nosso conteúdo View all 29 comments Add a comment..


588 likes ploxbrasil Pedro Rousseff pede à PGR apreensão do passaporte de Nikolas Ferreira 🔗 Comente LINK para receber o link da matéria no Direct. 🚨 Pedido na PGR e troca de farpas nas redes: Pedro Rousseff (PT-MG) disse ter apresentado uma representação pedindo a apreensão do passaporte do deputado Nikolas Ferreira (PL-MG). 📌 O que motivou o pedido Segundo Pedro Rousseff, haveria risco de Nikolas deixar o Brasil para evitar responder a processos. 📰 Confira os detalhes na matéria completa. #politica #brasil #congresso View all 838 comments


O Brasil caminha para ser, digamos, uma Venezuela do Sul? Há alguma instituição que Lula e o regime STF-PT ainda precisem conquistar para blindar-se de qualquer foco de resistência? Há, sim. As Forças Armadas. Ainda que Tomás Ribeiro Paiva, o comandante do Exército escolhido por Lula, seja muito próximo de Alexandre de Moraes, não se pode dizer que a base militar tenha sido cooptada pelo petismo. Não ainda. E não da forma como ocorreu na Venezuela. 

Lá, Chávez e Maduro expurgaram militares considerados não confiáveis pelo Partido Socialista Unido de Venezuela. Na via inversa, promoveram oficiais leais ao partido e ao regime, e não prioritariamente à defesa do Estado. A Força Armada Nacional Bolivariana se consolidou como instrumento de sustentação política da “revolução socialista”. Generais empanturrados de privilégios e sinecuras garantiram a manutenção sangrenta do regime de Maduro. Atuaram, ao lado de milícias bolivarianas armadas, para reprimir manifestações estudantis por liberdade e protestos populares contra a escalada da inflação e da miséria, em 2014 e principalmente a partir de 2017. 

No Brasil, José Dirceu, ideólogo do lulopetismo, não esconde sua frustração com a hesitação dos governos do PT em levar adiante uma “reforma” nas Forças Armadas. Um capítulo importante da proposta que Dirceu levou ao 8º Congresso do PT, em abril deste ano, envolve mudança no currículo das academias militares e maior “controle civil”, isto é, do presidente da República, sobre promoções. “A cada geração”, disse José Dirceu em 2024, “eles [os militares] são educados de uma forma conservadora, reacionária, como se fossem os representantes da nação que vão restaurar a moralidade e o interesse nacional”



José Dirceu | Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil


Preocupado em reeleger Lula, o PT preferiu deixar este tema fora da campanha eleitoral, mas não o descartou. No primeiro semestre de 2027, por ocasião do próximo congresso petista, a proposta deve ser reexaminada. Será preciso acompanhar com muita atenção. As Forças Armadas são a única instituição brasileira que ainda não está capturada pelo PT. Por enquanto.

EUGÊNIO ESBER - Revista Oeste

Advogado de ex-diretor do Master é tão ligado a Lula que até foi a seu casamento com Janja

 

Augusto de Arruda Botelho, Janja e Lula


O ex-diretor de, veja só, compliance do Banco Master Luiz Antônio Bull, indiciado esta semana pela Polícia Federal no relatório parcial que investiga o esquema de fraude bilionário contra o sistema financeiro, escolheu bem o advogado para tentar se livrar das pendengas no Supremo Tribunal Federal (STF). Trata-se de Augusto de Arruda Botelho, colado no presidente Lula (PT). O advogado foi um dos 200 seletos convidados que o petista chamou para o casamento com Janja em 2022.

Tá no topo

Entre 2 de janeiro de 2023 e 31 de janeiro de 2024, Botelho ocupou a prestigiada cadeira de secretário nacional de Justiça do governo Lula.

Amizade suprema

O advogado chegou ao posto nomeado por Flávio Dino, então ministro da Justiça, hoje ministro do Supremo Tribunal Federal.

Voa voa

Em 2025, foi no jato, de uma empresa de Vorcaro, com Dias Toffoli rumo à final da Libertadores. O ministro deu canetadas favoráveis ao Master.

Lulista assumido

No “X”, Botelho passa o tempo atacando a família Bolsonaro e divulgando artigos autorais, como o último “Por que voto em Lula”.

Diário do Poder