sábado, 17 de outubro de 2026

A meretriz de César - por Luís Fortes do Rego - Desembargador

 Séculos de experiência institucional demonstram que o poder precisa ser controlado externamente



Ministro Alexandre de Moraes | Foto: Shutterstock


O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), tornou-se, nos últimos anos, talvez o homem mais poderoso desta cambaleante República. Isso ocorreu por duas razões complementares: a extraordinária concentração de poderes investigatórios e decisórios em suas mãos e a progressiva incapacidade — ou indisposição — das instituições constitucionalmente encarregadas de controlá-lo.

O acontecimento desencadeador desse processo foi a instauração, em 14 de março de 2019, do Inquérito 4.781, conhecido como Inquérito das Fake News ou “inquérito do fim do mundo”. Por meio da Portaria GP 69, o então presidente do STF, Dias Toffoli, instaurou o procedimento de ofício e designou diretamente Moraes como relator, sem que houvesse distribuição. 

Aberto em março de 2019, o inquérito já acumula mais de sete anos de tramitação e, o que é mais preocupante, sem perspectiva clara de encerramento. O próprio presidente do STF, ministro Edson Fachin, defendeu recentemente a urgência de sua conclusão. Antes tarde do que nunca. 

O plenário do Supremo reconheceu, por ampla maioria, a constitucionalidade do inquérito nas circunstâncias excepcionais que justificaram sua abertura. Esse julgamento, contudo, não eliminou nem enfrentou as várias e recorrentes objeções formuladas à sua conformação. O problema estrutural permanece: integrantes da Corte figuram simultaneamente como possíveis vítimas das condutas investigadas, como autoridades responsáveis pela instauração do procedimento e como julgadores das respectivas questões supervenientes.

Na realidade, porém, Moraes assumiu informalmente a função de acusador, que constitucionalmente está vinculada ao Ministério Público, na medida em que assumiu a direção de uma investigação criminal, determinou diligências de ofício e controlou judicialmente medidas decorrentes de um procedimento conduzido sob sua própria relatoria.

A distinção não é meramente semântica. O sistema acusatório foi construído justamente para impedir que as funções de investigar, acusar e julgar se confundam. Quando essas linhas divisórias se esvanecem, a República se enfraquece. O Estado de Direito não pode se fundar na confiança em supostas virtudes pessoais de quem exerce o poder, mas na existência de limites objetivos, procedimentos previamente estabelecidos e controles exercidos por autoridades independentes. 

O senso crítico, a consciência e o foro íntimo constituem os primeiros árbitros das ações humanas. Não se pode, entretanto, fiar-se exclusivamente nisso quando se trata de um agente público. Séculos de experiência institucional demonstram que o poder precisa ser controlado externamente, sobretudo quando exercido por quem ocupa o ápice da estrutura estatal. Afinal, como advertiu Lord Acton há mais de cem anos, “o poder tende a corromper, e o poder absoluto corrompe absolutamente”. 

A Constituição procurou, ao menos na aparência, instituir esses controles. Segundo o artigo 102, nas infrações penais comuns, os ministros do STF são processados e julgados pelo próprio Supremo. Ocorre, vale dizer, um julgamento entre irmãos, com atuação do procurador-geral da República. Nos crimes de responsabilidade, compete ao Senado Federal processá-los e julgá-los. O mesmo dispositivo atribui ao STF competência para julgar criminalmente os membros do Congresso Nacional e o próprio procurador-geral da República. Já o artigo 52 atribui ao Senado o julgamento político dos ministros do Supremo e do chefe do Ministério Público da União. 

No papel, há freios e contrapesos. No entanto, há aqui, como em várias outras situações tipicamente brasileiras, um espaço bem distante entre a realidade e a norma, o ser e o dever ser. No mundo real, formou-se um circuito fechado de dependências e favores recíprocos. Ministros do Supremo julgam parlamentares, o procurador-geral e os próprios colegas. Senadores aprovam a indicação dos ministros e do procuradorgeral e são investigados e julgados pelo STF. O presidente do Senado controla politicamente o acesso ao processo de impeachment, enquanto o Supremo detém jurisdição criminal sobre ele. Essa interdependência favorece a existência de conluio e relações promíscuas. Afinal, somos o país do compadrio. Sobressaem, portanto, condições objetivas para a omissão, a autoproteção e, o que é pior, a retaliação.

Foi nesse ambiente que se tornou público o relatório da Polícia Federal elaborado a partir do material encontrado nos aparelhos de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. O documento não materializa uma sentença e suas conclusões permanecem sujeitas ao contraditório. Essas ressalvas são indispensáveis. No entanto, estão longe de tornar irrelevante o que foi revelado. Segundo o relatório, Vorcaro e Moraes teriam mantido diversos encontros. Pouco antes de sua prisão, o banqueiro perguntara ao ministro sobre o risco de ser preso e sobre a conveniência de deixar o país. Em outras palavras, solicitara a colaboração do ministro na tentativa de se evadir da aplicação da lei penal.

Não fosse o bastante, metadados indicariam a participação de um usuário identificado como “Ministro Alexandre de Moraes” na edição do contrato multimilionário firmado entre o Banco Master e o escritório de advocacia da esposa do ministro em 2024, pouco antes da respectiva assinatura. As informações divulgadas pela imprensa com base no aludido relatório são suficientemente graves para exigir uma apuração independente, transparente e conduzida por autoridades sem interesse pessoal no resultado. 

Não é juridicamente responsável afirmar, neste momento, que o relatório demonstrou que o ministro Alexandre de Moraes integrava uma organização criminosa. Mas tampouco é aceitável fingir que contatos reservados, encontros não registrados, consultas sobre investigações e relações econômicas envolvendo familiares de um magistrado sejam questões exclusivamente privadas. A discussão não se restringe à eventual configuração de um crime. Alcança a imparcialidade objetiva, a aparência de independência e a confiança pública sem a qual nenhuma jurisdição conserva legitimidade. 

Confrontado com esse conjunto de informações, o ministro, até o momento, não ofereceu à sociedade uma explicação sequer. Tampouco cogitou uma saída institucional honrosa, como o afastamento voluntário durante as apurações ou mesmo a renúncia ao cargo. Em vez disso, formulou, nos autos do mesmo ignominioso Inquérito 4.781, pedido de investigação contra o ministro André Mendonça, imputandolhe possíveis atos de abuso de autoridade, improbidade administrativa e crime de responsabilidade. 

Não se trata de conferir antecipadamente razão a Mendonça nem de afastá-lo de qualquer controle sobre seus próprios atos. O que não pode ser ignorado é a eloquência revelada pela observação da dinâmica temporal e do instrumento escolhido: o ministro implicado valeu-se precisamente do inquérito que dirige há mais de sete anos para provocar a investigação daquele que tornou públicas as informações que o envolvem na prática de graves condutas ilícitas. 

A reação deixa transparecer nítido caráter defensivo e alimenta uma fundada percepção de retaliação institucional. Mais uma vez, a autoridade potencialmente interessada no resultado utiliza o aparato extraordinário concentrado sob sua condução para agir contra quem a confrontou. É difícil imaginar demonstração mais clara dos perigos decorrentes da perpetuação de um procedimento sem limites temporais definidos e subordinado ao comando de uma única pessoa. 

Também o presidente do Senado e do Congresso Nacional, Davi Alcolumbre, aparece no entorno de Daniel Vorcaro. Mensagens anteriormente divulgadas mencionaram uma visita do ex-banqueiro à residência oficial do Senado, além da participação do senador em festas e até orgias patrocinadas pelo investigado. O senador se limitou a negar ter recebido qualquer repasse financeiro de Vorcaro. A existência do encontro, isoladamente, não prova a prática de ilícito. O dado, contudo, não pode ser ignorado quando cabe justamente a ele decidir sobre o encaminhamento dos pedidos de impeachment apresentados contra ministros do Supremo.

Pressionado a se manifestar depois da divulgação do relatório, Alcolumbre respondeu: “Eu não achei nada, não devo achar nada”, restringindo-se a questionar a normalidade do fato de haver 109 pedidos de impeachment contra integrantes do STF. A declaração, longe de expressar prudência institucional, traduz alheamento. Não cabe ao presidente do Senado condenar antecipadamente um ministro, mas também não lhe é legítimo transformar uma competência constitucional em poder pessoal de veto indefinido ou, para piorar o cenário, em moeda de troca. Quando o único agente capaz de abrir a porta do controle político está pessoalmente inserido no ambiente relacional submetido a escrutínio, sua omissão agrava a crise de legitimidade.

A atuação do procurador-geral da República revela problema semelhante. Paulo Gonet apontou a nulidade das medidas determinadas pelo ministro André Mendonça e do relatório produzido pela Polícia Federal. A arguição de nulidade, entretanto, simplesmente desconsidera a extrema gravidade do problema subjacente. Concentrase na forma pela qual as informações foram produzidas e deixa sem resposta a questão fundamental: qual a natureza e a finalidade das relações entre Daniel Vorcaro e as autoridades mencionadas no relatório? O reconhecimento de vícios processuais pode impedir a utilização de determinados elementos em um procedimento penal, mas não faz desaparecer os fatos revelados, não explica os encontros, não responde às mensagens e tampouco restaura a confiança pública abalada. 

O devido processo legal não pode ser convertido em instrumento de desvirtuamento da realidade. Se os elementos foram produzidos por autoridade incompetente ou mediante procedimento irregular, a consequência institucionalmente adequada seria renovar a apuração de forma válida, perante a autoridade competente e com todas as garantias necessárias — não decretar uma espécie de esquecimento oficial sobre seu conteúdo. Uma nulidade pode invalidar atos processuais; não tem o poder, contudo, de tornar inexistente aquilo que foi trazido à luz. Por isso, a manifestação da PGR, mesmo que contenha argumentos técnicos eventualmente defensáveis, nada resolve quanto à questão de fundo e gera a impressão de que a forma está sendo invocada para evitar qualquer enfrentamento do mérito, como em outras tantas situações de descalabro nacional 

O problema é que o próprio Gonet foi mencionado nas mensagens recuperadas. Vorcaro teria pedido a um interlocutor, possivelmente o ministro Alexandre de Moraes, a atuação de “Andrei e Paulo”, referências que a investigação associa ao diretor-geral da Polícia Federal e ao procurador-geral da República. Os documentos conhecidos não demonstram que Gonet tenha atendido a qualquer solicitação. A mera menção ao seu nome também não produz, automaticamente, impedimento jurídico. Ainda assim, era evidente o conflito entre o interesse institucional do Ministério Público e a necessidade de o procurador-geral defender também sua própria reputação. 

Nessas condições, o mínimo esperado seria que Gonet se abstivesse de atuar no caso e permitisse a manifestação do vice-procurador-geral ou de outro membro dotado de atribuição. Ainda que se discuta a existência de impedimento formal, a abstenção voluntária seria exigência elementar de prudência e credibilidade. A manifestação pode conter argumentos juridicamente consistentes e, ao mesmo tempo, apresentar-se politicamente deslegitimada pela participação pessoal de quem tem interesse direto em afastar as suspeitas que o relatório lançou sobre sua própria atuação. 

Eis o círculo vicioso e originalmente viciado do controle brasileiro: uma instituição deve investigar a outra, mas todas estão conectadas por relações de nomeação, julgamento, dependência ou proteção recíproca. O STF controla o Congresso, que controla politicamente o STF. A PGR deve investigar autoridades que participaram de sua nomeação ou que podem julgá-la. O Senado deve fiscalizar ministros que exercem jurisdição criminal sobre seus próprios membros. 

Quando os principais atores são alcançados pela mesma teia de suspeitas, o sistema continua formalmente em funcionamento, mas já não consegue produzir confiança. Instauram-se procedimentos, pedem-se informações, proclamam-se princípios — e, ao final, ninguém é reconhecido como árbitro suficientemente independente para decidir. 

As providências imediatas são evidentes: afastamento voluntário das autoridades diretamente mencionadas, atuação dos respectivos substitutos, preservação integral das provas, exame público das nulidades suscitadas e investigação conduzida por agentes seminteresse pessoal no resultado. Mas a crise demonstra que o problema ultrapassa as pessoas atualmente envolvidas. Ele está no próprio desenho constitucional de contenção do poder exercido pelas maiores autoridades da República.

Talvez tenha chegado o momento de se discutir a refundação institucional do Estado brasileiro. Não por meio de mais uma emenda elaborada pelos beneficiários do sistema, mas mediante consulta popular sobre a convocação de uma Assembleia Nacional Constituinte, com mandato determinado e objeto delimitado à reorganização dos Poderes e de seus mecanismos de controle e à reforma do sistema político. 

Uma Constituinte não é remédio mágico. Pessoas não se tornam independentes apenas porque foram eleitas para essa finalidade. Sua legitimidade exigiria regras rigorosas sobre conflitos de interesses, transparência patrimonial, incompatibilidade com o exercício simultâneo de cargos públicos, mandato exclusivo, impedimento de legislar em benefício próprio e submissão do texto final a referendo popular. Entre os temas inevitáveis estariam mandatos fixos para ministros do STF e reserva de vagas a magistrados de carreira, critérios mais plurais de escolha, reforma política ampla e um mecanismo independente para apurar condutas atribuídas às autoridades situadas no topo da República.

É preciso reconhecer, por honestidade constitucional, que uma Assembleia Constituinte não decorre automaticamente dos mecanismos ordinários da Constituição de 1988. O plebiscito forneceria legitimidade democrática à convocação, mas não transformaria o poder constituinte originário em simples modalidade de emenda constitucional. Seria uma decisão política excepcional, que precisaria ser assumida como tal, cercada de garantias contra aventuras autoritárias e submetida, ao final, à ratificação popular. 

Em poucos momentos da história a antiga alegoria da mulher de César foi tão pertinente. Ao ensinar que, no exercício de determinadas funções, não basta ser honesto, é fundamental também permanecer acima de suspeitas razoáveis, essa figura convida fortemente à reflexão. Isso vale para ministros do Supremo, procuradores-gerais, presidentes do Congresso e todos aqueles que exercem parcelas relevantes do poder estatal. Não se trata de exigir uma aparência artificial de pureza, mas de reconhecer que a confiança pública depende tanto da integridade efetiva quanto da transparência dos comportamentos.


Luís Fortes do Rego é desembargador aposentado do Tribunal de Justiça do Piauí (TJPI).

Revista Oeste

 

sexta-feira, 16 de outubro de 2026

Flávio Bolsonaro tem nove pontos à frente de Lula em chances de vencer eleição

51% do eleitorado considera que senador do PL tem mais chance de derrotar Lula, contra 42% dos que creem na reeleição petista


Senador Flávio Bolsonaro (PL), durante seu comício, em Porto Alegre. (Foto: Charles Vieira)

O senador Flávio Bolsonaro (PL) tem nove pontos de vantagem sobre o presidente Lula (PT), na avaliação do eleitorado sobre a perspectiva de vitória no 2º turno das eleições presidenciais, no dia 25 deste mês de outubro. Segundo a pesquisa PoderData/Aya, divulgada nesta sexta-feira (16), 51% das pessoas questionadas disseram que Flávio tem mais chances de se eleger presidente.

Já entre quem acredita que Lula tem maior possibilidade de ser reeleito, são 42% apontando para a recondução do presidente à chefia do governo brasileiro.

Os números sobre a expectativa de vitória independem da escolha de voto das pessoas entrevistadas na pesquisa, que aponta um empate entre Flávio e Lula em 50% das intenções de voto, no cenário que simula votos válidos, como ocorre na apuração oficial da Justiça Eleitoral.

O perfil de quem mais acredita na vitória de Flávio é formado pelo eleitorado masculino (59%), com idade entre 25 a 44 anos (54%), com mesmo percentual de 54% dos que nunca foram à escola ou estão no ensino médio, vive no Centro-Oeste (60%), com renda de mais de 5 salários mínimos (57%), de religião evangélica (65%), votou em Flávio no 1º turno e deve votar novamente no 2º turno (92%).


Já quem vê mais chance de Lula ser reeleito tem perfil formado pelo eleitorado feminino (48%), com idade com 60 ou mais anos (46%), com nível de instrução de ensino fundamental (48%), vive na região Nordeste (55%), com religião umbanda/candomblé (59%), votou em Lula no 1º turno (83%) e deve votar novamente no 2º turno (82%).

A pesquisa PoderData/Aya está registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o protocolo BR-04258/2026. Os dados foram coletados junto a 3.000 eleitores, entrevistados por telefone entre os dias 13 e 15 de outubro. A margem de erro do levantamento é de 1,8 ponto percentual, para mais ou para menos, com intervalo de confiança de 95%.

Veja o detalhamento dos números:


Davi Soares - Diário do Poder

'Máquina de Mentiras', por Sarah Peres e Anderson Scardoelli

 


A máquina de fake news do PT | Foto: Montagem Revista Oeste/Shuttestock


B rasil, janeiro de 2027. Nossa Senhora Aparecida perde o título de Padroeira do país, o Sistema Único de Saúde (SUS) é extinto, bem como as aposentadorias e benefícios sociais, como o Bolsa Família. Até o Pix deixa de ser gratuito. Evidentemente, nada disso ocorrerá, mas a campanha de Lula quer que a população acredite que sim, se Flávio Bolsonaro for eleito presidente. 

Enquanto vende a ideia de regular as redes sociais para evitar a circulação de fake news, o PT trata de multiplicá-las. Na noite de 24 de setembro, dez dias antes do primeiro turno, a jornalista Maria Cristina Fernandes afirmou na GloboNews que haveria uma “reação” de lideranças católicas contra evangélicos que, de acordo com ela, estariam se “mobilizando” em torno de um projeto de lei contra a Padroeira do Brasil. Em poucas horas, o comentário viralizou. A afirmação falsa não permaneceu de pé por muito tempo. A GloboNews reconheceu que errou e pediu desculpas. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) determinou a derrubada de postagens que associavam Flávio ao projeto que não existe. Nas urnas, a mentira não impediu que Flávio chegasse dois pontos porcentuais à frente de Lula.

O PT seguiu com a estratégia de divulgar notícias falsas. Membros da esquerda passaram a afirmar que, uma vez eleito, Flávio terminaria com o Bolsa Família. Também espalharam que o candidato do PL planejaria acabar com o SUS e com a Farmácia Popular. A mentira ganhou tração na classe artística. A atriz Bruna Marquezine compartilhou esse temor com seus 43 milhões de seguidores no Instagram. A Revista Fórum chegou a noticiar que a eleição de Flávio representaria o fim de benefícios como o Pé-de-Meia, o Gás do Povo e o Minha Casa, Minha Vida. 

Lula em pessoa espalhou fake news contra Flávio. “Vou continuar questionando o meu adversário qual é o ‘tesouraço’ que ele vai fazer”, disse o presidente em 11 de outubro, antes de discursar na Avenida Paulista. “Possivelmente será cortar direito do povo pobre, cortar direito do aposentado.” 

A máquina de mentiras ganhou até verniz acadêmico. Integrante da Academia Brasileira de Letras e professora da Universidade de São Paulo, a antropóloga e historiadora Lilia Schwarcz divulgou vídeo em que acusa Flávio de querer, a mando de Donald Trump, encerrar a gratuidade do Pix. Mesmo sendo alvo de críticas, Lilia decidiu manter a postagem.


liliaschwarcz Aproveitem o Pix enquanto é tempo! “papai Trump do Eduardo Bolsonaro, já avisou muitas vezes que vai acabar com o Pix. Não sabia? vai lá ouvir. O presidente dos EUA defendeu seus cartões de crédito e já s pronunciou muitas vezes contra o PIX. Por sinal. Viva a nossa soberania. #eleições #eleições2026


Líder do PL no Senado, Carlos Portinho (RJ) critica a forma como aliados de Lula conduzem a campanha. “Essa é uma eleição do bem contra o mal, da verdade contra a mentira”, afirma. “Como é que pode, por exemplo, uma fake news de que o Flávio iria tirar o direito de voto das mulheres?” 


Contra-ataque 

A equipe de Flávio criou página na internet para desmentir os boatos. O candidato se viu obrigado a explicar que não acabará com o salário mínimo. Àqueles que indagam se há possibilidade de extinção da aposentadoria, o sistema define como fake news e apresenta explicação legal. “Pagar a aposentadoria dos brasileiros é uma das primeiras obrigações do governo”, afirma. 

“É um direito garantido por lei e ninguém vai mexer no que é seu.” Deputado federal reeleito pelo PL da Bahia, Capitão Alden se mobilizou. Responsável pelo que chama de “Cartilha da Verdade”, ele destaca a importância de divulgar esse material, ainda mais num Estado onde Lula é campeão de votos. 

“Estamos fazendo a contraofensiva para que as pessoas possam realmente conhecer as informações”, afirma o parlamentar, que faz um apelo aos eleitores, inclusive os que são identificados com a direita, mas acabam iludidos por conteúdos falsos. 

“Leia, confira as fontes e compartilhe com responsabilidade.” Outra série de mentiras disseminadas pela esquerda atende pelo nome  Outra série de mentiras disseminadas pela esquerda atende pelo nome de Ana Elisa. Aos 21 anos, ela foi alçada à condição de conselheira de Lula depois de ter sido eleita deputada federal pelo PT de Minas Gerais com 500 mil votos. 

Sucesso nas redes sociais, ela era a esperança do partido de conversar com os jovens. Entretanto, sucumbiu à revelação de que, num passado nem tão distante, propagou racismo, xenofobia e intolerância religiosa. Falou que “pretos do Sul são racistas” e defendeu o fechamento de igrejas. Antes de excluir sua conta no X, Ana Elisa encontrou tempo para promover nova fake news, a de que apoiadores de Flávio teriam sido responsáveis por incêndio na Universidade Federal de Pernambuco. Desmentida, Ana Elisa acabou dispensada da campanha de Lula.

République @republiqueBRA · Seguir Ana Elisa apaga tweets antigos nos quais defendia o aborto, pedia a Lula que fechasse igrejas, criticava “crentes”, dizia odiar brancos, defendia que o Vaticano proibisse padres de usar redes sociais e apoiava o bloqueio do Instagram, Facebook e WhatsApp no Brasi


“Exército do Lula” 

O deputado federal reeleito André Janones (Rede-MG) é o responsável por administrar o Exército do Lula, canal no WhatsApp dedicado a incentivar o voto no candidato do PT e criticar Flávio. O espaço tornou-se o epicentro de uma batalha jurídica entre as duas campanhas. Segundo o PL, o ambiente gerido pelo parlamentar serve para disseminar conteúdo falso. Depois de um vaivém de decisões, o presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, liberou o canal, que conta com cerca de 4,5 milhões de seguidores, mesmo com Janones admitindo ter apagado mais de 500 mensagens do canal de WhatsApp depois que as “missões” eram cumpridas. O deputado não explicou quais seriam essas “missões”. Segundo o comentarista político Caio Coppolla, o principal objetivo de Janones é claro. “A estratégia deles é espalhar o medo”, diz o analista, em vídeo que desmente outra fake news, a de que Flávio mudaria a Constituição para abolir programas sociais.


Janones tem companhia na hora de cumprir sua missão. 

O ministro da Previdência Social, Wolney Queiroz, acusou Flávio de querer “congelar” aposentadorias. “Estou preocupado mesmo e você também deveria estar”, diz, em vídeo publicado em seu perfil no Instagram. Em outra publicação, o ministro não citou o nome de nenhum político, mas deu a entender que, dependendo de quem ganhar a eleição, o Brasil se transformará na Alemanha nazista. 


Síndrome de Estocolmo

Flávio Bolsonaro não é o primeiro alvo da indústria de mentiras do PT. Até quem hoje se apresenta como aliado já foi vítima de ações similares. Parte das fake news disparadas contra o candidato do PL foi reciclada de 2014, quando Marina Silva (então no PSB) foi candidata ao Palácio do Planalto contra Dilma Rousseff. Em 2020, em entrevista ao humorista Fábio Porchat, Marina lembrou que tentaram rotulá-la como “exterminadora” do país, alguém que acabaria com o Bolsa Família e retiraria de Nossa Senhora Aparecida o título de Padroeira do Brasil. 

Novamente aliada de Lula, Marina atuou como ministra do Meio Ambiente de janeiro de 2023 a março deste ano, quando deixou o cargo para concorrer — e perder — a disputa pelo Senado por São Paulo. Algo similar ocorreu com Geraldo Alckmin. Depois de décadas como adversário do PT, aceitou ser vice de Lula. A mudança de postura não apaga, contudo, a história de ataques. Os militantes chegaram a comparar Alckmin a Adolf Hitler. 


https://revistaoeste.com/revista/edicao-345/maquina-de-mentiras/

Hoje vice-presidente da República e aliado de Lula, Geraldo Alckmin já foi comparado a Adolf Hitler por militantes petistas | Foto: Reprodução/X/@alex_borges


Enquanto Flávio Bolsonaro se ocupa em desmentir as fake news, Lula se preocupa mesmo é com a disseminação de verdades incômodas. O endividamento de 80% das famílias brasileiras, o recorde de empresas em recuperação judicial e a inflação dos alimentos, que chegaram a subir até 60% durante o atual governo, são apenas alguns dos indicadores que mostram que, para Lula, a realidade consegue ser pior que qualquer mentira.


Sarah Peres e Anderson Scardoelli - Revista Oeste

'A guerra no TSE', por Cristyan Costa

 Sob pressão de Lula, uma maioria se articula no tribunal, derruba decisões e encurrala os ministros que tentam equilibrar a disputa presidencial


Sessão Plenária TSE | Foto: Luiz Roberto/TSE

“E stou tentando fazer uma disputa equilibrada”, disse, ressabiado, o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Nunes Marques, a interlocutores. Era julho, e o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, acabara de suspender por 90 dias as visitas do senador Flávio Bolsonaro ao pai. Ao divulgar uma carta do ex-presidente em uma transmissão nas redes sociais, Flávio teria violado a proibição de Jair Bolsonaro se comunicar por terceiros e incorrido em possível “propaganda eleitoral antecipada”. O rigor de Moraes esbarrava numa lembrança inconveniente: durante sua temporada na prisão em Curitiba, Lula divulgou cartas de cunho eleitoral e concedeu 22 entrevistas. 

Três meses depois, com Lula e Flávio no 2º turno, Nunes Marques descobria que a distância entre presidir o tribunal e assegurar o equilíbrio da disputa podia ser medida pelos votos que lhe faltavam. Às intervenções do Supremo somara-se uma divisão dentro do próprio TSE, onde as ordens do presidente encontravam resistência entre os colegas, e as campanhas disputavam, processo a processo, o direito de falar e o poder de calar o adversário.  campanha entregue aos ministros, chamados a decidir quais acusações chegariam ao eleitor e quais desapareceriam das telas antes das urnas.

Os números davam a dimensão do conflito. Nos nove dias seguintes ao 1º turno, o tribunal recebeu 162 processos de representação e direito de resposta, contra 51 no mesmo período de 2022, conforme levantamento da Corte. À medida que a votação se aproximava, crescia a parcela da campanha entregue aos ministros, chamados a decidir quais acusações chegariam ao eleitor e quais desapareceriam das telas antes das urnas.


O presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, durante sessão plenária – 14/4/2026 | Foto: Luiz Roberto/TSE

O cerco ao presidente Na manhã de 11 de outubro, essa disputa produziu uma demonstração do alcance — e dos limites — da autoridade de Nunes Marques. O presidente mandou suspender o Exército do Lula, canal de WhatsApp administrado pelo deputado André Janones (Rede-MG), e exigiu sua regularização perante a Justiça Eleitoral. Horas depois, Ricardo Villas Bôas Cueva, corregedor do TSE e relator do processo, restabeleceu a ferramenta utilizada para disseminar fake news. 

Ao autorizar novas publicações e a entrada de seguidores até o julgamento pelo plenário, Cueva manteve a proibição de divulgar conteúdos cuja ilegalidade já tivesse sido reconhecida pelo tribunal, mas afastou a suspensão determinada naquela manhã. O canal de Janones voltava a funcionar, enquanto a presidência do TSE ficava com uma ordem desfeita e uma divergência exposta.



Exército do Lula, canal de WhatsApp administrado pelo deputado André Janones (Rede-MG) | Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasi


Nos bastidores, o episódio tinha contornos mais amplos. Conforme apurou Oeste, Lula pressionava quatro integrantes da Corte: Estela Aranha, Floriano de Azevedo Marques, Cueva e Sebastião Reis. Do outro lado dessa divisão estavam Nunes Marques, o vice-presidente André Mendonça e Dias Toffoli. A distribuição das sete cadeiras dava ao grupo pressionado pelo petista os quatro votos necessários para formar maioria e deixava o presidente dependente da adesão de pelo menos um colega para sustentar suas posições.

O julgamento de uma propaganda sobre as propostas econômicas de Flávio mostrou as consequências dessa aritmética. Na gravação, Lula afirmava que um corte de R$ 200 bilhões no Orçamento atingiria programas como Pé-de-Meia, Farmácia Popular e Minha Casa, Minha Vida. Mendonça mandou retirar a peça por entender que ela atribuía ao adversário propostas sem comprovação suficiente e contrariava seu plano de governo, que previa a manutenção dos programas sociais existentes. 



O ministro André Mendonça, durante sua posse como vice-presidente do TSE (12/5/2026) | Foto: Alejandro Zambrana/TSE Estela votou para liberar o vídeo e recebeu o apoio de Cueva, Rei


Estela votou para liberar o vídeo e recebeu o apoio de Cueva, Reis e Floriano. Nunes Marques e Toffoli acompanharam Mendonça, mas, com o placar em quatro a três, a proibição caminhava para ser derrubada. Em 15 de outubro, antes da conclusão do julgamento virtual, o vicepresidente pediu destaque e transferiu o caso para o plenário presencial, preservando a ordem de retirada até uma nova análise. 

A campanha petista reunira os votos para recuperar a propaganda, embora ainda não pudesse devolvê-la ao ar. Em outros processos, a minoria de Mendonça era ainda mais estreita. No dia 9, pelo menos três ações sobre publicações que associavam Lula a organizações criminosas já tinham maioria pela remoção, com os votos de Estela, Cueva, Floriano, Reis e Toffoli. Mendonça defendia a manutenção dos conteúdos quando Nunes Marques pediu destaque e interrompeu as votações. 

A transferência para o plenário presencial preservou, nesses casos, a circulação das publicações contra o petista. O recurso que mantinha fora do ar uma propaganda de Lula também impedia a retirada imediata de ataques ao presidente. Sem maioria para vencer os julgamentos virtuais, Nunes Marques e Mendonça recorriam ao regimento para adiar o desfecho e levar os colegas a defender suas posições na sessão presencial. 

A divisão vinha da reta final do 1º turno, quando a campanha de Lula conseguiu modificar até as condições de um debate ao qual o candidato decidira não comparecer. Em 1º de outubro, Estela acolheu um pedido da coligação petista e alterou as regras acertadas com a Globo, embora os representantes do presidente tivessem concordado com elas. 

Sob o argumento de preservar a igualdade entre os concorrentes, proibiu a exibição destacada do púlpito vazio identificado com o nome de Lula e as perguntas dirigidas a ele. A ausência era uma escolha do candidato; o esforço para atenuar seu desgaste ganhou a assinatura da Justiça Eleitoral e, nos bastidores, o patrocínio de um ministro do Supremo. 

Oeste apurou que Flávio Dino pediu a Estela que ajudasse Lula nesse episódio. Os dois haviam trabalhado juntos no Ministério da Justiça e Segurança Pública, onde ela foi assessora especial e secretária de Direitos Digitais durante a gestão dele.

Com a decisão, a emissora ficou impedida de evidenciar a falta nos termos previamente combinados, enquanto os adversários perderam a possibilidade de dirigir perguntas ao presidente. O episódio aproximava as duas frentes de intervenção na campanha: o pedido partia de um gabinete do Supremo e encontrava, no TSE, a caneta capaz de atendê-lo.


Ministro Villas Bôas Cueva | Foto: Luiz Roberto/TSE 

Uma trégua sob pressão

Foi nesse ambiente que Nunes Marques reuniu representantes das duas campanhas, em 13 de outubro, para tentar reduzir o volume de processos e o risco de decisões conflitantes. O presidente levava à mesa de negociação uma disputa que os gabinetes não conseguiam conter, na esperança de que os advogados encerrassem parte dos conflitos que dividiam os ministros. 

A tentativa de pacificação, porém, esbarrava nas pressões que alimentavam a guerra. O próprio Lula estava por trás das cobranças sobre os quatro integrantes da ala majoritária formada para favorecê-lo. Nunes Marques precisava obter concessões das campanhas enquanto enfrentava, dentro da Corte, a resistência dos colegas sobre os quais o candidato à reeleição procurava exercer influência.

A proposta previa que as equipes jurídicas examinassem quais ações poderiam retirar e quais pretendiam manter até a votação de 25 de outubro. No dia seguinte, os advogados se encontraram no TSE para discutir os processos, numa tentativa de diminuir a judicialização da reta final e as oportunidades para novas ordens e contraordens. 

Para Nunes Marques e Mendonça, o acordo oferecia algum alívio a uma rotina em que cada decisão exigia administrar a reação da campanha contrariada e a disposição dos colegas de rever a medida. Os pedidos de destaque permitiam conservar suas posições por mais tempo, mas carregavam o confronto para uma sessão futura. A negociação procurava encerrar parte dessas disputas antes que elas chegassem novamente aos ministros. 

Enquanto os advogados discutiam uma trégua, as redes sociais expunham a temperatura política no entorno de um dos gabinetes. Anna Maria Reis, mulher de Sebastião Reis, curtiu uma publicação do ator Thiago Lacerda que mostrava Flávio sob a frase “Miliciano não pode ser presidente!” e terminava com uma declaração de apoio ao adversário: “Lula 13!”. 

Questionada, a advogada afirmou não se lembrar da curtida, negou fazer campanha nas redes e disse não interferir nos julgamentos do marido. Embora a manifestação não permita atribuir a ele a posição da mulher, a postagem reunia os dois elementos que atravessavam os processos sob análise da Corte: o ataque ao candidato do PL e a mobilização pela reeleição do petista. 


Ministro Sebastião Reis | Foto: Luiz Roberto/TSE


Lula 4 em julgamento

 Alexandre de Moraes deixou o TSE, mas Lula encontrou outros ministros a quem recorrer na tentativa de chegar ao quarto mandato. A ausência de seu mais conhecido protagonista não esvaziou o papel do Judiciário na campanha: às vésperas do segundo turno, decisões são revistas, maiorias se articulam e o presidente da República pressiona integrantes do tribunal encarregados de arbitrar a disputa da qual participa. 

A Nunes Marques resta procurar um entendimento com os advogados e, quando os votos lhe faltam, recorrer ao regimento para preservar uma decisão até o julgamento presencial. Seu esforço por uma “disputa equilibrada”, descrito ainda em julho, chegou a outubro cercado por uma maioria que pode derrubá-lo a cada processo. Quanto mais perto das urnas, mais o presidente do TSE precisa negociar as condições para exercer sua autoridade.

Lula, por sua vez, pede aos eleitores um novo mandato, enquanto cobra ajuda de quem deveria apenas julgar sua campanha. Moraes já não ocupa a presidência do tribunal, mas a expectativa de auxílio sobreviveu à sua saída. Para que o projeto Lula 4 prospere, o petista ainda precisa conquistar a maioria nas urnas; no TSE, os quatro votos já se encontraram. 


Cristyan Costa - Revista Oeste

'Por que só agora?'', questiona Adalberto Piotto

No mais acintoso uso da máquina pública para ganhar a eleição, Lula debocha do trabalhador endividado e abusa de medidas


 O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, em cerimônia sobre medidas para microempreendedores individuais, no Palácio do Planalto Brasília (DF) | Foto: Ricardo Stuckert


N a quarta-feira, 14, o governo Lula aprovou em dois turnos no Senado o fim da escala 6×1. Antes contrário, e com quase 17 anos no poder, nunca se preocupou em discutir a jornada de trabalho com a seriedade que o tema merece, tanto para o trabalhador quanto para as empresas. No mesmo dia, a Câmara aprovou em prazo recorde o projeto de lei que amplia o teto de faturamento e o perdão das dívidas dos MEIs. 


Exatamente os mesmos microempreendedores individuais por quem Lula não fez absolutamente nada nos três anos e dez meses deste terceiro mandato. Lá atrás, disse ainda que o MEI não era emprego. É caso de ignorância atroz e a usual má-fé de quem quer o trabalhador refém de um sindicato controlado pela esquerda.



O governo Lula aprovou em dois turnos no Senado o fim da escala 6×1 | Foto: Pedro Gontijo/Senado Federal


Um microempreendedor não apenas investe na economia, como gera renda para si e muito mais gente, visto que pode contratar. Aliás, os MEIs passaram os quase quatro anos do governo Lula pedindo apenas duas coisas: o aumento do teto de faturamento para R$ 140 mil anuais (atualmente congelado em R$ 81 mil desde 2019) e o direito de contratar até dois funcionários (hoje é de apenas um). Não foram atendidos em nenhuma das duas justas reivindicações até que Lula percebeu que poderia perder a eleição no próximo dia 25, na decisão de 2º turno, e saiu anunciando medidas populistas com o dinheiro de todos os brasileiros pagadores de impostos. 

A partir daí, o jogo sujo começou com o verniz de preocupação social, a falsidade de sempre do lulopetismo. Fato é que Lula não está nem aí para as pessoas, os trabalhadores, os brasileiros. Lula só pensa em Lula — e na reeleição. 

Até o momento, entre gastos já contratados e os custos das promessas, o jornal O Estado de S. Paulo aponta para R$ 354 bilhões no seu “Gastômetro”. A maior parte dessa dinheirama já será gasta em 2026, ano eleitoral. Uma outra parte é promessa. Tudo com um único objetivo: comprar a simpatia e o voto do eleitor. Nunca se viu nada sequer próximo desses valores e com tamanha desfaçatez. A ausência de pudor, de responsabilidade e de jogo justo na eleição simplesmente foi dizimada pela sanha de Lula de se reeleger. 


Estadão @Estadao · Seguir Com perdão de dívidas para MEIs, Gastômetro de Lula atinge R$ 354 bilhões em meio à campanha x.gd/14XFB Ferramenta inédita do Estadão calcula os gastos do Governo em ano eleitoral, que alcança novo patamar com medidas de incentivo ao microempreendedor anunciadas


Na terça, dia 25, o governo federal anunciou o Projeto de Lei do MEI (perdão de dívidas de quase R$ 13 bilhões) de manhã e, antes do fim da tarde, o Pé-de-Meia para estudantes universitários (custo aproximado da R$ 5 bilhões para 2027, sendo que o programa voltado para o ensino médio estourou o orçamento). Fato é que em menos de 12 horas e a 12 dias do segundo turno, foram duas medidas populistas com uso desavergonhado da máquina governamental a favor de sua campanha. Não se trata mais de falta de paridade de armas entre os candidatos, um princípio de justiça eleitoral. Aqui é a completa e deslavada falta de limites para quem está no poder e uso sem pudor de tudo o que pode e não pode a favor de si próprio. Nunca se chegou a tal ponto. Lula o ultrapassou. E nada indica que vá parar. 

No dia 9 de outubro, a 16 dias do segundo turno, o governo já editara um decreto que zera os tributos federais (PIS/Pasep, Cofins e CIDECombustíveis) sobre a gasolina por 30 dias. É manipulação dos preços e uso político da Petrobras na cara dura. O Palácio do Planalto argumenta que o recrudescimento do conflito no Irã fez o preço do petróleo disparar. Se tanto, é meia verdade. A crise no Golfo Pérsico vem de meses e o governo não chegou nem perto de abrir mão dessa arrecadação, desesperado que sempre foi para aumentá-la, asfixiando quem trabalha e produz. A poucos dias do segundo turno, de repente, faz um decreto que zera impostos e concede mais subsídios aos combustíveis com “validade de 30 dias”. O que virá depois que a eleição passar? Como a conta não fecha, aumento forte da gasolina e do diesel.

No dia 9 de outubro, a 16 dias do segundo turno, o governo editou um decreto que zera os tributos federais sobre a gasolina por 30 dias | Foto: Shutterstock


Mas a manobra é ainda mais enganadora porque a Petrobras, sob o comando petista, pratica preços abaixo do mercado internacional desde a mudança na sua política, veja só, estabelecida em 2023, no primeiro ano do governo Lula 3. Em setembro, no mês que antecedeu o 1º turno das eleições, a disparidade do preço do diesel no Brasil chegou a 100%. A da gasolina, 50%. Isso significa dizer que, se tivessem sido aplicados os preços do mercado internacional (PPI — preço de paridade internacional), porque a Petrobras compete com outras empresas distribuidoras privadas no país, o diesel deveria ter sido vendido pelo dobro e a gasolina 50% mais cara. Foi esse o custo que as outras empresas foram obrigadas a repassar porque importam o combustível que vendem dentro do país. Além de tudo, a Petrobras de Lula provoca concorrência desleal e espanta quem decide investir no Brasil. 

Como concorrer com uma empresa em que o governo controla os preços de venda para se perpetuar no poder? Não dá. 

Ninguém gostaria de pagar mais pela gasolina ou pelo diesel. Mas, quando se manipula o preço dos combustíveis de acordo com a política do governo de plantão, apenas para levar vantagem na eleição e depois repassar todo o custo represado, é caso de estelionato, de crime eleitoral. Em 2022, o governo Bolsonaro zerou os impostos federais sobre os combustíveis diante da disparada sem precedentes do preço do petróleo por causa da guerra na Ucrânia e diante das dificuldades da retomada da economia depois da pandemia. Mas anunciou a medida em março, não na véspera da eleição.

Essa comparação é necessária. Até porque, há quatro anos, o expresidente entregaria o país como exemplo no mundo em termos de recuperação econômica e com superávit primário de R$ 54 bilhões. Lula faz todo tipo de estripulia fiscal, avança no populismo eleitoral a dias da eleição e vai terminar seu terceiro mandato com quatro anos de déficits consecutivos, rombo de quase R$ 400 bilhões nas contas públicas, aumento de mais de 11 pontos na relação dívida/PIB (recebeu com 71,7% de Bolsonaro e já está em 82,9%) e uma dívida bruta recorde de R$ 13 trilhões. 

O custo para bancar essa farra fiscal é alto. O governo ainda gasta R$ 1 trilhão ao ano só para pagar os juros da dívida, que cresceu dramaticamente com a volta de Lula ao poder. Um último número dessa herança maldita: o orçamento federal do ano que vem terá de ser refeito. Com todo esse desbunde e irresponsabilidade fiscal, já estão faltando R$ 40 bilhões para fechar a conta. E olha que se Lula continuar no governo, a previsão é menor crescimento e possível recessão, o que significa arrecadação menor e gasto com emergências muito maiores. 

Não é temeridade à vista. É uma tragédia contratada. Quem, então, pode parar isso? Hoje, só o eleitor. Diante da permissividade dos presidentes da Câmara, do Senado e de parte do STF, que praticamente fazem campanha para Lula, só o eleitor brasileiro é capaz de dar um basta nesse retrocesso sem fim da vida nacional. Porque tudo tem um limite. Cansado, o eleitor já começa a se perguntar: como um governo endividado como o de Lula promete mais perdão de dívida? Como acaba com a escala 6×1 sem combinar com quem gera emprego? Como reduz a carga horária no texto constitucional se, neste governo, bateram-se todos os recordes de recuperação judicial de empresas que se endividaram por causa do ambiente deteriorado da economia causado pelo próprio Lula? 

Com 82% das famílias endividadas — outro recorde trágico —, o governo atual criou ou aumentou novos imposto por mais de 30 vezes. Como vai continuar anunciando programas de renegociação de dívidas, como o Desenrola, se em todos os devedores voltaram a ficar inadimplentes?


Só o eleitor brasileiro é capaz de dar um basta nesse retrocesso sem fim da vida nacional | Foto: 

Passado o frisson das propostas eleitoreiras, que Lula e sua campanha surfaram como protagonistas, o Brasil começa a acordar e se perguntar: por que Lula suspende as bets que ele mesmo regulamentou? Por que perdoa dívidas de quem só ficou endividado por causa do governo dele? 

Por que a economia não anda e por que tanta promessa às vésperas da eleição? Por que o atual presidente promete agora o que não fez nos 17 anos em que ele e o PT governaram o país? 

Com o receio de ver a crise aumentar, de haver ainda mais perda de empregos e renda com o fim da escala 6×1, tamanho o atropelo da votação em pleno 2º turno das eleições, e com tanta esmola que faz até o santo desconfiar, o efeito rebote do populismo já começa a dar sinais entre os eleitores. Afinal, por que só agora?


Adalberto Piotto - Revista Oeste



REVISTA VEJA - Em áudio, irmrã de Vorcaro diz que banqueiro se sente ameaçado na prisão e quer contar tudo

 

NO CÁRCERE - O célebre habitante da Papudinha: promessa de apresentar provas de propinas pagas a autoridades (Polícia Federal/.) 


Na manhã de quarta-feira, 14, vazou pela imprensa um vídeo de pouco mais de 2 minutos com os registros de um evento realizado em abril de 2024 por Daniel Vorcaro em Londres, a pretexto da realização do I Fórum Jurídico Brasil de Ideias, promovido pelo Banco Master. Autoridades do Judiciário, do Congresso, o ex-presidente Michel Temer e ex-ministros dos governos Dilma Rousseff, Jair Bolsonaro e e Luiz Inácio Lula da Silva aparecem na suntuosa festa realizada no The Peninsula London, hotel cinco estrelas da capital inglesa, em meio a rodas de conversas animadas regadas a champanhe, exibições de bailarinas e apresentação de um naipe de violinos. Em meio ao jantar, houve ainda um show do cantor Seal, autor do hit Crazy. Mestre de cerimônias, Vorcaro aparece circulando sorridente entre os co.nvidados. Parece aproveitar a cada minuto o auge do prestígio e das relações conquistadas com o dinheiro do Master. Como se descobriu depois, esse capital era uma fortaleza financeira construída sobre areia movediça.  A revelação da verdade sobre as contas da instituição deu origem a uma das maiores fraudes bancárias da história do Brasil 


CONFIDÊNCIAS - Natália com Zettel: ela ouviu as confissões do irmão (@fabianozett/Instagram) 


Vorcaro leva hoje uma vida bem diferente daquela dos tempos do The Peninsula. Preso desde março, ele vive em uma cela individual de 54 metros quadrados na chamada Papudinha, no Complexo da Papuda, em em Brasília. Ali, recebe visitas de seus advogados e dos familiares. Elegeu a musculação como um de seus passatempos prediletos na cadeia e tem procurado fazer serviços voluntários, Elegeu a musculação como um de seus passatempos prediletos na cadeia e tem procurado fazer serviços voluntários, como jardinagem e manutenção de áreas verdes, voltados para fins de remissão de pena. A Papudinha passou a ser o endereço do ex-banqueiro desde o fracasso como jardinagem e manutenção de áreas verdes, voltados para fins de remissão de pena. A Papudinha passou a ser o endereço do ex-banqueiro desde o fracasso de sua segunda tentativa de delação. Agora, ele trabalha com os advogados em uma terceira versão. Vorcaro tem dito que deseja fazer uma confissão completa, sem poupar nenhum dos nomes graúdos que diz ter corrompido com o dinheiro do Master, mas encontra resistência das autoridades em aceitar as informações que promete revelar, incluindo propinas pagas a altos figurões da República em troca de negócios. 




Pessoas que tiveram contato com o ex-banqueiro na Papudinha contam que o nível de estresse dele aumentou consideravelmente nos últimos dias. Uma das visitantes mais assíduas é a advogada Natália Vorcaro Zettel, irmã do ex-banqueiro e mulher de Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro, também preso em meio às investigações sobre o Master. “Ele está em pânico”, desabafa Natália em um áudio de uma conversa recente obtida por VEJA. 

Segundo a irmã do ex-banqueiro, o medo dele é voltar a um presídio de segurança máxima, com muito mais restrições. De acordo com Natália, são as lembranças dele sobre uma temporada de treze dias na Penitenciária Federal de Brasília, dentro de uma cela de 9 metros quadrados: “Ele passou por tortura na prisão máxima, sem água, sem comida, sem contato externo, com a luz ligada 24 horas piscando. E eles estão falando que vão colocar ele no mesmo lugar. Mas ele está em pânico, ele está em pânico”.  


ACUSAÇÕES - Henrique Vorcaro: fraude, estelionato e lavagem de dinheiro (./Reprodução) 


A vida de Vorcaro na Papudinha ficou pior depois da reportagem de capa de VEJA da semana passada, que mostrou com áudios e documentos parte das nformações que o ex-­banqueiro já se dispôs a entregar às autoridades competentes. Na matéria em questão, Vorcaro diz ter pago 30 milhões de reais para ajudar no financiamento do documentário sobre Lula, de Oliver Stone, além de um valor não revelado ao Instituto Lula, sendo tudo isso uma espécie de “pedágio” para ter acesso aos fundos de pensão das estatais. O ex-banqueiro disse ter levado, por meio de seus advogados, essas informações à Procuradoria-Geral da República. Diálogos do celular do ex-dono do Master — apreendido pela Polícia Federal —, reproduzidos na reportagem de VEJA, comprovam que, depois disso, Vorcaro teve encontros com Alexandre Padilha, então ministro de Relações Institucionais de Lula, e contou com a ajuda de auxiliares dele para realizar uma série de reuniões em instituições como Postalis, Previ e Petros para tratar de um negócio que renderia aos cofres do Master 10 bilhões de reais. Em sua proposta de delação, o ex-banqueiro diz que, em contrapartida, pagaria a esses operadores uma propina de 10% sobre o dinheiro arrecadado. 


CONVIDADOS - Vorcaro em Londres: evento com Michel Temer, Ricardo Lewandowski e Fábio Faria (ao fundo) (./Reprodução) 


Conforme mostrou outra reportagem, publicada no site de VEJA após a bombástica capa com o áudio de Vorcaro, mensagens encontradas pela Polícia Federal mostram que uma reunião cancelada de Vorcaro com integrantes da Fundação Petrobras de Seguridade Social, a Petros, em fevereiro de 2024, marcou o início das relações do dono do Banco Master com o grupo político do ministro Alexandre Padilha, então chefe de Relações Institucionais da Presidência, que operava negócios nos fundos de pensão de estatais federais. Quem operava essa ponte entre políticos e dirigentes em nome de Padilha, segundo Vorcaro, era um consultor conhecido como “Júlio”. 


TRANCAFIADO - Uma das celas ocupadas pelo ex-banqueiro: regime severo (SENAPPEN/.) 


No celular de Vorcaro, além de mais de 450 mensagens e de 180 telefonemas de Júlio com o banqueiro, a PF encontrou um áudio de maio de 2024, quando as relações com o grupo petista do Planalto já andavam de vento mais revelações: “Não, não, não vou entregar nada, vamos esperar passar as eleições”. 

A mensagem é bastante ilustrativa do poder do operador do grupo de Padilha nos fundos: “Daniel, o Henrique (Jäger) aqui, com o presidente (da Petros), tá numa reunião do conselho lá. Ele falou que, saindo de lá, vai me ligar para ver a agenda dele, tá. Mas eu falei para ele que eu quero amanhã ou domingo. Agilizar logo para não ficar enrolando — o mais tardar segunda-feira. E… Deixa eu te perguntar: se tiver alguma novidade sobre o Banco do Brasil, você me avisa? Porque qualquer coisinha, já estando ok, eu já ponho você na boca do gol na quarta-feira quando você estiver lá, tá”, disse Júlio. Outra reportagem publicada no site de VEJA, feita com base em registros oficiais do próprio governo, mostrou que o lobista do grupo do ministro Alexandre Padilha nos fundos levou o banqueiro a pelo menos dois encontros no Paláciod o Planalto.

No novo áudio obtido por VEJA, a irmã de Vorcaro diz que tentou consolar o irmão a respeito da repercussão das reportagens, sobretudo a da capa “Primeiras confissões”, que trazia o áudio em que ele falava do dinheiro enviado ao filme e ao Instituto Lula: “Eu já falei para ele: ‘calma, você não falou nada mais do que a verdade’ ”, diz Natália. “Você está preso. Se alguém te gravou e publicou, não é culpa sua.” Segundo ela, o ex-banqueiro se incomodou muito com a denúncia, publicada no site UOL na terça 13, de que seria sócio de uma rede de prostituição (o que ele nega) e afirma estar amedrontado e inseguro de seguir adiante com mais revelações: “Não, não, não vou entregar nada, vamos esperar passar as eleições”. 


PRISIONEIRO - Daniel Vorcaro sendo encaminhado para a cadeia: ele teme voltar a um presídio de segurança máxima (SENAPPEN/.) 


Vorcaro já se queixou a seus advogados que deseja revelar todos os crimes (segundo a irmã diz ter ouvido dele, o ex-banqueiro “quer falar tudo”), com as respectivas provas, mas que as autoridades responsáveis não querem ouvi-lo. O objetivo é tentar obter, com a confissão, benefícios que possam aliviar a situação dele na Justiça, assim como a de Fabiano Zettel e de Henrique Vorcaro. No rastro do escândalo, o pai do ex-dono do Master foi preso em maio, acusado de fraude, estelionato e lavagem de dinheiro. A filha, Natália Vorcaro, tem dito que essa é uma das maiores injustiças do caso, pois Henrique não teria nenhum envolvimento com os negócios de Daniel. Com o pai, o marido e o irmão presos, ela tenta administrar a defesa, feita hoje por uma equipe de mais de vinte advogados. Muitas vezes, as diferentes alas de profissionais têm se colocado de lados opostos nas decisões sobre estratégias a ser adotadas. Natália vive ainda um drama adicional: ela teve complicações médicas em um parto de gêmeas, que nasceram de forma prematura, há sete meses. O pai ainda não teve oportunidade de conhecer as filhas, e as tentativas de mudar o atual regime de Fabiano para prisão domiciliar foram negadas pela Justiça.


 

RUÍNA - Sede do Banco Master: uma das maiores fraudes financeiras do país (Rovena Rosa/Agência Brasil) 


No caso das delações de Vorcaro, a Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da República recusaram as duas tentativas feitas até agora, alegando que elas não apresentavam consistência. Depois da reportagem de capa de VEJA com o áudio e os documentos de Vorcaro, todos os citados negaram o conteúdo do que foi revelado por ele. Houve quem duvidasse até da autenticidade do áudio de Vorcaro divulgado pela VEJA. Um dos advogados dele, Daniel Bialski, divulgou nota confirmando que a voz é realmente do ex-banqueiro. VEJA também submeteu esses áudios a uma perícia, de forma a comprovar a autenticidade da voz e a ausência de qualquer edição ou manipulação no material. O laudo, assinado pelo perito Leocadio Casanova, não deixa dúvidas. Sobre a autenticidade da voz, o especialista escreve o seguinte: “Os exames instrumentais são COMPATÍVEIS com  a hipótese de que a voz presente nos cinco áudios questionados é a de Daniel Vorcaro, e nenhum parâmetro examinado é contrário a essa hipótese”. Leocadio também descarta qualquer possibilidade de manipulação no material divulgado por VEJA: “Submetidos aos exames estrutural, espectral, de continuidade temporal, de duplicação e de indicadores de síntese, os cinco arquivos identificados pelos hashes da Tabela 1 não apresentam qualquer elemento técnico indicativo de montagem, edição, corte, inserção, reordenação, síntese ou manipulação de voz por inteligência artificial”. O perito responsável por essa análise tem mais de duas décadas de experiência e atuação em casos criminais de alta repercussão no Brasil. Um deles foi o áudio em que o empresário Joesley Batista, do grupo J&F, gravou secretamente em 2017 o então presidente Michel Temer. 


DETIDO - Zettel no dia em que se entregou à Polícia Federal: ele ainda não conheceu as filhas gêmeas, de 7 meses (Edilson Dantas/Agência O Globo/.) 


Segundo matéria da Folha de S.Paulo, o núcleo jurídico da campanha do PT estuda pedir à PF e à PGR uma investigação para descobrir quem gravou o áudio com Vorcaro. Enquanto isso, desde que surgiram revelações de envolvimento de autoridades no escândalo, sobretudo as que atingem membros do STF, as investigações sobre o escândalo do Master seguem paralisadas. Vorcaro diz que tem muito a contribuir com elas, e é preciso que as autoridades digam, com clareza, se é verdade que ninguém quwer ouvi-lo..


Robson Bonin - Veja





Irmã conta que Voraro foi torturado no presídio federal, está em pânico e quer confessar tudo

Natália diz em áudio que o irmão quer confessar inclusive que pagou propina no governo Lula para ter acesso a fundos de pensão


Daniel Vorcaro na prisão - Foto: reprodução.


Em um novo áudio obtido pela revista Veja, Natália Vorcaro Zettel — irmã do ex-banqueiro Daniel Vorcaro e esposa de Fabiano Zettel, braço direito do ex-banqueiro — relata que o irmão está “em pânico” na prisão e se sente ameaçado por tentar confessar seus crimes, de acordo com reportagem de Robson Bonin.



Segundo Natália, o medo de Vorcaro é ser transferido de volta a um presídio de segurança máxima. Ela descreve as condições que ele enfrentou em uma estadia anterior de 13 dias na Penitenciária Federal de Brasília, em uma cela de cerca de 9 m²: “Ele passou por tortura na prisão máxima, sem água, sem comida, sem contato externo, com a luz ligada 24 horas piscando. E eles estão falando que vão colocar ele no mesmo lugar.” Atualmente, Vorcaro está em uma cela individual maior (cerca de 54 m²) na Papudinha, no Complexo da Papuda, em Brasília.

O ex-dono do Banco Master, preso desde março em um dos maiores casos de fraude bancária do país, busca uma terceira tentativa de delação premiada. Nas propostas anteriores, rejeitadas pela Polícia Federal e pela Procuradoria-Geral da República por falta de consistência e provas suficientes, ele se dispôs a confessar o pagamento de propinas a autoridades para acessar fundos de pensão de estatais (como Postalis, Previ e Petros), além de valores relacionados ao Instituto Lula e ao documentário sobre o presidente Lula dirigido por Oliver Stone.

No áudio, Natália conta que tentou acalmá-lo após a repercussão de reportagens anteriores (incluindo a capa de Veja da semana passada sobre “primeiras confissões”): “Eu já falei para ele: ‘calma, você não falou nada mais do que a verdade’”. Ela afirma que Vorcaro, amedrontado também por outras denúncias recentes (como uma reportagem do UOL sobre uma suposta rede de prostituição, que ele nega), disse: “Não, não, não vou entregar nada, vamos esperar passar as eleições”.

A reportagem de capa desta semana de Veja (edição nº 3017) traz mais detalhes sobre o caso, incluindo a disposição de Vorcaro em apresentar provas envolvendo figuras de alto escalão e as investigações da PF sobre comunicações encontradas em seu celular.

Diário do Poder