segunda-feira, 14 de setembro de 2026

Offshore de amigo de Toffoli comprou apartamento de luxo de R$18,7 milhões em Miami

 

Chancelado pela Dolce & Gabbana, o prédio na Brickell, em Miami, será o mais alto, com 90 andares: R$17 milhões.


A offshore Egide I Holding Limited, citada no escândalo envlevendo o ministro do STF Dias Toffoli e o controvertido negócio de sua família com interesses do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, comprou na planta um apartamento de US$3.648.750 (equivalentes a R$18,7 milhões) no edifício 888 da sofisticada avenida Brickell, em Miami.  O empreendimento promete ser o mais alto da cidade quando ficar pronto, em 2030. A offshore controla a empresa Lino Properties e foi a responsável pela compra. 

O imóvel (unidade 41b) fica em um prédio de 90 andares ainda em construção, com assinatura da Dolce & Gabbana, segundo informou o Estadão na noite desta segunda-feira (14), véspera da decisão do Supremo Tribunl Federal (STF) sobrie a instauração de processo investigativo cntra o ministro Alexandre de Moraes, também acusado de envolvimento com o ex-banqueiro acusado de aplicar o maior golpe financeiro da História.

A compra foi feita pela Lino Properties, sediada em Delaware (paraíso fiscal americano). A única sócia da Lino, com 100% do capital, é a Egide I, registrada nas Ilhas Virgens Britânicas. Ambas as empresas pertencem ao empresário Alberto Leite, amigo do ministro Dias Toffoli. A Egide é a mesma holding citada pela Polícia Federal em relatório sobre o destino de recursos ligados ao resort Tayayá.

O contrato foi assinado em 4 de março de 2025, com pagamento parcelado: adiantamento de cerca de US$ 729,7 mil, outra parcela no mesmo valor em março de 2026 e o restante no fechamento do negócio.O gabinete de Toffoli informou ao Estadão que a empresa familiar Maridt vendeu parte das cotas no grupo Tayayá ao Fundo Arleen em 2021 e não realizou outras negociações com o fundo desde então. O ministro não se pronunciou especificamente sobre a aquisição do imóvel em Miami.

A PF investiga o caminho de recursos que saíram do Brasil após a venda de participação no resort Tayayá, no Paraná, e teriam ido parar em estruturas no exterior. Toffoli já se declarou suspeito em julgamentos relacionados ao caso Master.

Diário do Poder

Mendonça quebra sigilo sobre rede de pagamentos de Vorcaro para fraude no Master

 O magistrado acatou uma petição de Alexandre de Moraes e de Edson Fachin


Ministro André Mendonça - (Foto: Antonio Augusto/STF).



O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), retirou nesta segunda-feira (14) o sigilo do processo que consta uma rede de pagamentos do banqueiro Daniel Vorcaro, derivados de fraudes do Banco Master. O pedido havia sido feito pelo ministro Alexandre de Moraes e defendido pela Procuradoria-Geral da República (PGR) para dar embasamento ao julgamento na Corte nesta terça-feira (15).

O ministro Edson Fachin também endossou a posição de que o material fosse entregue aos ministros.

O processo consiste em apenas três peças. A primeira delas é uma petição protocolada pela Polícia Federal. Nela, o delegado responsável afirma que, com o objetivo de dar andamento às investigações do Caso Master e rastrear a possível movimentação de dinheiro ilícito por parte de Vorcaro, solicitou ao Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) a disponibilização de relatórios de Inteligência Financeira (RIFs) das pessoas investigadas.

De acordo com a PF, o Coaf atendeu somente a parte do pedido pois, ao analisar os relatórios, identificou pagamento a pessoas que teriam foro privilegiado. Por isso, o conselho só poderia enviar os pagamentos realizados a essas pessoas com autorização expressa do STF.

A PF pede então ao ministro André Mendonça dê essa autorização. Não há registro no processo de que o ministro tenha dado qualquer decisão nesse sentido.

A peça seguinte que aparece no processo é o relatório entregue pelo Coaf à PF. Nele é possível encontrar alguns pagamentos realizados por Vorcaro. Dentre os destaques, está mais de R$ 57 milhões destinados à Igreja Batista da Lagoinha e relacionados entre dezembro de 2024 e de 2025. A instituição foi alvo de apuração na CPMI do INSS e de suspeitas de desvio de emendas parlamentares. O cunhado de Daniel Vorcaro, Fabiano Zettel, atuava como pastor na instituição

No mesmo período, há R$22 mil repassados a Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão. Conhecido como Sicário, ele era um dos “capangas” de Vorcaro, responsável por ações de monitoramento, coação, retirada de conteúdo, ataques hackers e articulação com criminosos a mando do ex-banqueiro.

Moraes deve usar a investigação em seu favor, afirmando que o banqueiro mantinha relação com outras autoridades políticas e de grande influência em Brasília.

Diário do Poder

PSB, leia-se João Campos, reclama de corpo mole de Lula em campanha

 

João Campos (PSB), e Lula (Foto: Ricardo Stuckert)


Não é de hoje que o PSB tem se queixado da falta de empenho de Lula nos palanques em que os socialistas são cabeça de chapa. A reclamação ganhou ainda mais corpo com a última semana, repleta de pesquisas, mostrando o sufoco dos socialistas em estados como, por exemplo, Pernambuco, onde, antes da campanha, a vitória do PSB era tida dentro do partido até como favas contadas. Hoje, João Campos (PSB) corta dobrado para tentar derrotar a governadora Raquel Lyra (PSD).

Memória curta

No PSB sempre é lembrado que o partido fez sacrifícios pela campanha e Lula, como em São Paulo, onde abriu mão de disputa do governo.

Me esquece

Em Santa Cataria, que Lula não é mesmo muito aclamado, o petista nem pisou os pés desde o início da campanha. Pedir votos, menos ainda.

Tô fora

Há ainda palanques em que PT e PSB disputam votos, como o Distrito Federal. Aí é que Lula não aparece mesmo.

Diário do Poder

Após se aproveitar dos excessos, inclusive em proveito próprio, afinal está condenado a mais de 30 anos de cadeia como corrupto, Lula agora propõe ‘limites’ ao STF

 

Deputado Reginaldo Lopes (PT-MG) - Foto: Zeca Ribeiro/Agência Câmara


Na tentativa de “descolar” a imagem de Lula (PT) do Supremo Tribunal Federal, principalmente de Alexandre de Moraes, o governo petista deu instruções a aliados para fazerem a defesa de “limites” para ministros da Corte, mas sem melindrar a maioria que tem beneficiado o petista com seus “excessos”. O deputado Reginaldo Lopes (PT-MG), fiel escudeiro de Lula, foi destacado para apresentar Proposta de Emenda à Constituição que extingue a vitaliciedade no STF, estabelecendo mandato de dez anos para os ministros. Exatamente como várias outras propostas que estão nas gavetas do presidente do Senado, em obediência ao Palácio do Planalto.

Só um exemplo

PEC do ex-senador Lasier Martins que cria mandatos de dez anos no STF chegou a ser aprovada na CCJ e dorme nas gavetas desde 2015.

Autor suspeito

Reginaldo Lopes foi destacado para presidir a comissão da MP da taxa das blusinhas e também é titular da comissão do fim da escala 6x1.

Timing sempre suspeito

Em 2014, auge da Lava Jato, Zé Geraldo (PT-PA) propôs PEC para criar mandatos de 10 anos no STF e tribunais de conta (da União e estados).

Papo amplo

A proposta a ser apresentada pelo petismo no Congresso seria “ampla”, estabelecendo mandatos em outros tribunais e órgãos de controle.

Diário do Poder

domingo, 13 de setembro de 2026

A intimidade entre corruptos depravados - ‘Tenho gratidão da minha vida a você’, escreveu Vorcaro a Moraes; veja o que há de grave nessa relação

Plenário do STF decidirá na terça (15) se haverá investigação

 

Agentes da Polícia Penal Federal conduzindo o ex-banqueiro Daniel Vorcaro - Foto: redes sociais/Bandeirantes

É considerado muito grave o que pesa contra o ministro Alexandre de Moraes na relação com Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master de hábitos mafiosos, acusado de aplicar golpe bilionário na praça e de subornar autoridades. O relatório da Polícia Federal baseado em dados extraídos do celular do acusado, apreendido na Operação Compliance Zero, expõe as mensagens, em grande parte enviadas como prints do bloco de notas em visualização única, mostram apenas o lado de Vorcaro. As respostas de Moraes, quando existiram, não foram recuperadas no aparelho periciado. Somente uma perícia no celular de Moraes, em eventual investigação, mostrará suas respostas.
A Corte julga na terça-feira (15) se abre investigação contra Moraes. Seus aliados, ligados também a Lula (PT), pressionaram o presidente Edson Fachin para adiar a sessão, mas a pauta foi mantida.

A mensagem de gratidão após o encontro

Segundo o relatório, Vorcaro e Moraes se reuniram em 14 de novembro de 2025. Depois do encontro, o banqueiro redigiu:

Estamos juntos sempre. Voce sabe que tenho gratidao da minha vida a você. Toda minha familia, funcionarios, parceiros amigos que dependem de nos tem uma divida de vida contigo e com sua família. Muito obrigado por tudo. Agora é continuar na pegada pra conseguir concluir, se Deus quiser.”

Em março de 2026, a Secretaria de Comunicação do STF divulgou nota a pedido de Moraes negando que determinadas mensagens detectadas no celular de Vorcaro se referissem a conversas com o ministro. A nota não negou, porém, que os dois tenham conversado.

Série de mensagens antes da prisão

As transcrições cobrem sobretudo outubro e novembro de 2025, quando Vorcaro tentava vender o Master (negócio com o grupo Fictor e investidores dos Emirados) e barrar o avanço das investigações. Trechos recorrentes:

  • 30 de outubro: Vorcaro pede a Moraes que reforce com Andrei Rodrigues (diretor-geral da PF) e Paulo Gonet (PGR) orientação para que “ninguém de baixo” fizesse “sacanagem” com o banco. Em seguida elogia o “legado” do ministro e diz que “tudo de importante fica no seu colo”. Menciona pressão no Banco Central sobre “G” (Gabriel Galípolo) e lista nomes de delegados e procuradores.
  • 4 e 5 de novembro: reclama de estar “no escuro” sobre o inquérito, cita os advogados Pierpaolo Bottini e Roberto Podval, pergunta se vale protocolar petição e se “não conseguimos reverter isso com Paulo ou Andrei”. Em outro texto: “Como estamos aí? Conseguiu bloquear a maldade e sacanagem?”.
  • 12 a 16 de novembro: sequência de pedidos de encontro. Vorcaro diz que iria a Brasília “somente pra te ver e atualizar de tudo”. Confirma reunião em casa no dia 14 (“Vou chegar 14h30 ok! La em casa marcado”). No dia 15 pergunta: “Acha que segunda já tenho que estar fora?”. No 16 avisa que está em voo e irá direto ao encontro. Horas antes da prisão, pede para “sensibilizar” Andrei a atrasar medidas porque “tem feriado” e “o banco não quebra”.
  • No dia 17, já na data da prisão em Guarulhos, pergunta: “Ele tá sabendo das soluções? […] E com Andrei dá pra segurar?”. No mesmo 17 de novembro, Vorcaro descreveu a venda antecipada do banco e mencionou vazamento de informações. Uma das últimas mensagens do dia recebeu de Moraes, segundo o relatório, um emoji de “joinha”.

A PF cruzou horários de abertura do bloco de notas, captura de tela e envio no WhatsApp para o contato salvo como “Alexandre de Moraes BRASILIA” (também registrado com variações como “Novo” e “STF TSE NOVO”). O número teria sido compartilhado com Vorcaro por Fábio Faria em 2023.

O que mais pesa

Além das mensagens, houve também

  • Encontros presenciais ao longo de 2024 e 2025 (residências, eventos em Londres, Campos do Jordão, Brasília).
  • Participação de Moraes na edição de cláusulas de contrato de R$ 131 milhões entre o Master e o escritório da esposa, Viviane Barci. Pagamentos mensais de cerca de R$ 3,6 milhões constam em declarações do banco.
  • Autorização de cartões de crédito com limite de R$ 300 mil para os filhos do ministro.
  • Consultas sobre convidados de fóruns jurídicos patrocinados pelo banco e viagens em aeronaves ligadas a Vorcaro.

Vorcaro foi preso em 17 de novembro de 2025 ao tentar embarcar e novamente em 2026. O caso Master envolve suspeita de fraudes na casa dos R$ 12 bilhões. Neste domingo, o Estadão também informou que André Mendonça autorizou bloqueio de mais de R$ 2 bilhões em bens ligados ao grupo (obras de arte, incluindo um Picasso, mansões nos EUA, iate e aeronave).

Moraes não detalhou publicamente o conteúdo das conversas. A defesa de Vorcaro não se manifestou sobre as mensagens específicas. O plenário do STF decide na terça se o material justifica investigação formal.

Diário do Poder

Fachin paralisa processos do Master e do INSS

 André Mendonça segue como relator das ações, mas não pode tomar mais nenhuma decisão até segunda ordem do presidente do Supremo


Presidente do STF, Edson Fachin - Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, determinou que os processos dos casos que envolvem o Banco Master e as fraudes do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) sejam paralisados. Ele tomou essa decisão na noite deste sábado, 12. 

O parecer de Fachin não tira, contudo, a relatoria das duas ações do ministro André Mendonça. O magistrado, no entanto, fica impedido de adotar novas medidas sobre os casos até que haja alguma nova determinação por parte da presidência da Corte.

Esta não foi a única decisão de Fachin. Conforme noticiou Oeste, o presidente do STF tirou das mãos de Mendonça a relatoria da ação sobre o material extraído do celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro.


Mensagens entre Moraes e Vorcaro 

Relatórios da Polícia Federal mostram que Moraes trocou mais de 50 mensagens com o ex-banqueiro. O empresário chegou a perguntar ao magistrado se deveria fugir do Brasil. Os dados também revelam que o juiz editou o contrato de R$ 131 milhões que o Master firmou com o escritório de Viviane Barci, mulher do ministro.

A decisões de Fachin ocorrem três dias antes de o plenário do STF definir se Moraes será investigado por causa da relação com Vorcaro. A sessão sobre o caso está programada para às 10h da próxima terçafeira, 15. 

Haverá transmissão ao vivo da discussão na TV Justiça e no canal do YouTube do STF.

Cristyan Costa e Uiliam Grizafis - Revista Oeste

A hora de Fachin

 Em meio à ofensiva contra Mendonça, o presidente do STF terá de escolher entre cumprir a Constituição ou permitir que o Brasil mergulhe numa crise sem precedentes





Na semana passada, uma fotografia tirada no Salão Branco do Supremo Tribunal Federal (STF) capturou uma cena que rapidamente correu o país. Alexandre de Moraes, Gilmar Mendes, Cristiano Zanin, Edson Fachin, Flávio Dino e Luiz Fux apareciam reunidos entre risos e gargalhadas, aparentemente indiferentes ao furacão provocado pelo caso Master naqueles dias. A sessão plenária que acabara de se encerrar transcorrera sem uma única menção ao escândalo revelado dias antes pelas mensagens trocadas entre Moraes e Daniel Vorcaro, dono do banco falido.


O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin - Foto: Wilton Junior/Estadão Conteúdo


Enquanto os colegas confraternizavam, André Mendonça deixava o prédio cabisbaixo. Relator da investigação, não esperou pelo motorista que costumava buscá-lo. Seguiu sozinho, a pé, em direção ao estacionamento. 

A fotografia mostrava apenas uma parte da história. Longe das câmeras, já estava em curso uma disputa muito menos amistosa: qual seria o destino daquelas investigações — e se Mendonça permaneceria à frente delas. 

“Agora, é guerra”, disse um ministro a Oeste, em caráter reservado. O aviso não era força de expressão. Durante o fim de semana, integrantes da ala ligada a Gilmar Mendes telefonaram uns para os outros para definir estratégias. Depois de sucessivos reveses, o grupo tentava se reorganizar e preparar a reação. Mendonça, porém, não esperou pelo contra-ataque. Em meio às articulações do decano, atingiu um dos núcleos mais importantes do grupo.


Ministros do STF são flagrados aos risos na saída do plenário após divulgação das conversas entre Moraes e Vorcaro, no dia 2 de setembro de 2026 - Foto: Brenno Carvalho/Agência O Globo

Presidente encurralado 

Na terça-feira, 8, Mendonça afastou o diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues, e o diretor de Inteligência Policial, Leandro Almada. A decisão foi tomada depois que o ministro descobriu relatórios apócrifos produzidos pela corporação — a mando de Moraes — sobre ele próprio e o advogado-geral da União, Jorge Messias.

A manutenção do afastamento contava com os votos da maioria dos ministros da 2ª Turma, da qual Mendonça faz parte. Luiz Fux e Nunes Marques já haviam acompanhado Mendonça sem ressalvas. 

Mendes tentou interromper o julgamento com um pedido de vista — mais tempo para análise —, mas não conseguiu suspender os efeitos da decisão. O governo Lula então levou a pressão à presidência do STF, e a AGU pediu a suspensão da ordem contra Rodrigues e Almada. 

No dia seguinte, contudo, Dino encontrou outro caminho. Em um processo sobre emendas parlamentares, do qual é relator, acolheu um pedido de Rodrigues e determinou a recondução imediata dos dois dirigentes. Na prática, a manobra reverteu os efeitos da decisão de Mendonça por meio de outra ação, enquanto o referendo permanecia pendente na 2ª Turma.


O ministro Flávio Dino | -\oto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil


Mendonça ficou furioso. Telefonou imediatamente para Fachin e queixou-se do que chamou de “ordem ilegal”. Do presidente do STF, ouviu apenas: “Temos de aguardar e preservar a instituição”. 

A partir dali, Fachin entrou no centro da disputa. De um lado, aliados de Mendonça cobravam uma reação à decisão de Dino, que consideravam ilegal. Do outro, a pressão era para garantir a permanência de Rodrigues e Almada nos cargos. Espremido entre os dois grupos e cobrado também fora do tribunal, Fachin até agora tem recorrido a uma estratégia compatível com sua trajetória: tentar agradar a gregos e troianos. 

Para a advogada constitucionalista Vera Chemim, o pedido de reintegração apresentado a Dino era “totalmente improcedente”. A investigação sobre as emendas parlamentares, usada para justificar a recondução, não teria relação direta nem indireta com o caso Master. Chemim também contestou a alegação de que o afastamento prejudicaria as apurações: havia um substituto no comando da corporação. Em sua avaliação, um ministro não poderia cassar ou modificar individualmente a decisão de outro. Caberia ao plenário do STF resolver a controvérsia. 

Naquela noite, Fachin decidiu suspender tanto a ordem de Mendonça quanto a de Dino. Colocou, assim, no mesmo plano duas decisões de natureza distinta: de um lado, uma medida que já contava com o apoio da maioria da 2ª Turma. Do outro, a intervenção individual de um ministro que, em outro processo, contrariara seus efeitos. O resultado prático: Rodrigues permaneceu no comando da PF, como defendiam Mendes, Dino e Moraes. 

A tentativa de conciliação, porém, não encerrou a disputa. Nos bastidores, Mendes aconselhou Fachin a assumir as relatorias dos casos Master e INSS, sob a alegação de “parcialidade” de Mendonça. O argumento chama a atenção porque, ao mesmo tempo, o ministro determinou a homologação da delação que pode prejudicar a família do ex-presidente Jair Bolsonaro no caso Dark Horse. 

As negociações alcançaram também o Inquérito das Fake News. Uma das soluções aventadas nos bastidores previa uma espécie de troca: Fachin retiraria de Mendonça as relatorias do Master e do INSS e, em contrapartida, encerraria o inquérito conduzido por Moraes havia mais de sete anos. 

Na quarta-feira, Fachin avançou apenas em uma das pontas. Transferiu a relatoria do Inquérito das Fake News de Moraes para a presidência da Corte, mas manteve aberta a investigação. E foi além: determinou que as ações penais com denúncia já recebida continuassem sob responsabilidade do antigo relator.

A mudança tampouco é necessariamente definitiva. Segundo a portaria assinada por Fachin, as atribuições relativas às investigações ficam vinculadas à presidência do STF, e não pessoalmente ao atual presidente. Isso abre a possibilidade de o inquérito voltar ao controle de Moraes caso ele venha a suceder Fachin no comando da Corte. O documento prevê ainda a análise dos casos e o encaminhamento dos autos à Polícia Federal e à Procuradoria-Geral da República (PGR), para eventual denúncia ou pedido de arquivamento, mas não estabelece prazo para a conclusão. 

Enquanto Fachin buscava administrar a guerra dentro do Supremo, aumentava a pressão de fora para que a Corte examinasse as suspeitas contra Moraes. Já na segunda-feira, 7, antes da sequência de decisões sobre a PF, 13 ministros aposentados haviam divulgado uma carta em defesa da análise dos fatos pelo plenário. Antigos integrantes da própria Corte cobravam, assim, uma resposta que Fachin ainda não havia dado. Na semana em que as mensagens vieram a público, o presidente do STF sequer as mencionara. A Ordem dos Advogados do Brasil também exigiu providências, assim como entidades empresariais lideradas pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo.



Ministros Flávio Dino, Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes - Foto: Antonio Augusto/STF


Para Elival da Silva Ramos, professor da Universidade de São Paulo, os fatos atribuídos a Moraes podem, em tese, configurar crime de responsabilidade por conduta incompatível com a dignidade e o decoro do cargo, hipótese prevista no artigo 39 da Lei nº 1.079/1950.

 Foi sob essa pressão que Fachin convocou para 15 de setembro, às 10 horas, uma sessão extraordinária do plenário para examinar o caso. A decisão atende à cobrança por uma manifestação da Corte, mas não garante a abertura de uma investigação. Mendonça pode ser derrotado. E, nos bastidores, Fachin vem sendo pressionado a votar contra a apuração do colega. 

Equilibrando pratos As pressões têm sido uma rotina, ainda que em escala menor, desde que ele assumiu a presidência do STF. Ao propor a criação de um Código de Ética, enfrentou resistências de parte dos ministros, para os quais a discussão do tema com o escândalo do Master em expansão daria munição aos críticos do Supremo.

Sob a relatoria de Cármen Lúcia, a proposta ainda não foi concluída. Depois, ao organizar um grupo de estudos para a modernização do Judiciário, mudou de estratégia e consultou previamente os colegas para evitar confrontos. Fachin chegou à Corte em 2015, indicado por Dilma Rousseff. 

Ganhou projeção como defensor da Lava Jato, cujos processos assumiu em 2017, com a morte de Teori Zavascki. Em março de 2021, contudo, anulou as condenações de Lula impostas pela Justiça Federal de Curitiba. 

O fundamento foi a falta de competência da 13ª Vara Federal para julgar aqueles casos, o que permitiu a Lula disputar as eleições e voltar ao poder. A pressão de Gilmar Mendes, Ricardo Lewandowski e Celso de Mello pesou na decisão.


Sem recuos 

Agora cabe a Fachin liderar um tribunal cujos integrantes disputam o controle de investigações que podem atingi-los. Ele precisa resistir às pressões e conduzir com firmeza a tarefa de estabelecer limites e assegurar que as suspeitas sejam apuradas. Já não há espaço para consultas e concessões. Os brasileiros decentes e o universo jurídico que se mantém fiel à Constituição o apoiam no desafio de enfrentar a maior crise política e moral da nossa história. É preciso salvar não apenas a própria Corte, mas os destinos do país. 

Em 30 de setembro de 2025, ao suceder a Luís Roberto Barroso, Fachin prometeu aproximar a Corte da sociedade, garantir segurança jurídica e reforçar o combate à corrupção. Quase um ano depois, terá de demonstrar quanto vale sua promessa quando as suspeitas alcançarem a cadeira ao lado. Se permitir que os interesses dos colegas determinem os limites da apuração, colocará a autoridade da Presidência a serviço da proteção corporativa.

 “É hora de dar à política o que é da política e à Justiça o que é da Justiça”, anunciou na posse. Cumprir a frase exige admitir que a toga também deve se submeter à lei — e, com isso, impedir que o país seja dragado pela mais dramática crise política e moral já registrada na sua história.


O ministro Edson Fachin é o atual presidente do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e do Supremo Tribunal Federal (STF) - Foto: Luiz Silveira/CNJ


Cristyan Costa - Revista Oeste