sexta-feira, 25 de setembro de 2026

Agronegócio: não atrapalhar já é um começo, por Artur Piva

 Setor é o motor da economia desde o Descobrimento 




U m dos cartões-postais mais famosos do mundo, o Pão de Açúcar é chamado assim em referência à massa doce obtida com a secagem do melaço nos antigos engenhos. O açúcar está entre os grandes pilares da formação do Rio de Janeiro e da própria nação, mas a principal matéria-prima deste produto não é nativa. O cultivo ocorre graças a decisões tomadas nos tempos da chegada das caravelas da coroa portuguesa, que patrocinou a importação de mudas de cana-de-açúcar. 

Foi política de Estado com visão de futuro. Nenhum governante deveria negligenciar essa relação. Infelizmente, é o que ocorre no atual governo. O principal programa voltado ao agronegócio é o Plano Safra. Quando o presidente Lula disse que os produtores deveriam se ajoelhar pela quantidade de dinheiro destinado ao setor, omitiu um detalhe fundamental: esse recurso é movimentado por meio de empréstimos, e a esmagadora maioria é realizada com juros a preços de mercado, gerando bom lucro para os credores. 

E o plano é também mal formulado. Ministro da Agricultura entre 2003 e 2006, Roberto Rodrigues lembra que em sua gestão o Plano Safra tinha critérios como preço mínimo para produção, financiamento por hectare, tipo de produto e região. “Hoje há apenas volume de crédito, nem a taxa de juros está escrita, o quanto que vai ser”, diz. O modelo direcionava o agricultor a fazer escolhas de acordo com diretrizes claras. 

Para Rodrigues, o programa precisa ser reformulado e transformado em política de longo prazo, o que permitiria ao produtor se planejar. Em um determinado ano, a ênfase seria maior em empréstimos para formar estruturas de estocagem. No seguinte, para a compra de máquinas. Mais à frente, irrigação. E assim por diante, com os ajustes que se fizessem necessários ao longo do tempo.


Vista aérea do Cristo Redentor. Ao fundo a Baía da Guanabara e o Pão de Açúcar, cartões postais do Rio de Janeiro | Foto: Estadão Conteúdo 

Outro fator crítico é o seguro rural. Muitos países subsidiam o prêmio das apólices para baratear o valor do seguro. Agricultores segurados têm menos riscos de dar calote e, portanto, conseguem empréstimos mais baratos. Nos Estados Unidos, onde vigora esse modelo, cerca de 95% da safra tem cobertura; no Brasil, não chega a 5%.

 “Se o país tivesse uma política de crédito agrícola que contemplasse os seguros, sobrariam mais recursos para os bancos emprestarem”, explica o ex-ministro. “Com o seguro, o produtor está coberto contra geadas, incêndios e problemas de mercado.” Os norte-americanos entendem a agricultura como infraestrutura crítica, o que a equipara em importância ao setor de defesa. O mesmo acontece na China e na União Europeia. 

No Brasil, não. O interesse do produtor é sobreposto por interesses de minorias, avalia Jacyr Costa, Diretor Financeiro da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo e sócio da Agro Advice, ao recordar a questão do Marco Temporal. Havia o entendimento de que os povos originários só poderiam reivindicar áreas comprovadamente já ocupadas por eles em 5 de outubro de 1988, data da promulgação da Constituição. 

A isso dava-se o nome de Marco Temporal. Em 2025, porém, o Supremo Tribunal Federal entendeu a regra como inconstitucional e a incerteza tomou conta da questão. Grandes áreas produtoras estão em regiões que podem se tornar alvo de reivindicação, mesmo sem a menor sombra de indígenas por lá há séculos. Somam-se a isso outras decisões da Corte como o embargo da Ferrogrão, ferrovia fundamental para o escoamento da soja, o principal produto agrícola brasileiro, até os portos da Região Norte. 

Embora os indígenas representem menos de 1% da população brasileira, 14% do território está demarcado para eles. É praticamente a metade da área ocupada pelo agronegócio. Além disso, em torno de 70% do território nacional é formado por áreas de preservação ambiental, metade dentro de fazendas. O produtor rural é um grande preservador. Em alguns casos, é obrigado a manter mais floresta do que lavoura e pasto.

Ainda assim, ocorreu uma grande revolução agrícola no país. Na década de 1970, o governo federal entendeu que era necessário eliminar a dependência da importação de alimentos. A solução era povoar os rincões brasileiros, o “integrar para não entregar”. O problema é que o solo era impróprio para o cultivo. A dificuldade se tornou incentivo e resultou na criação da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). 

A partir daí, houve o trabalho conjunto de produtores, cientistas, empresários e políticos. O país desenvolveu a agricultura tropical e, além de prover comida para sua própria população, tornou-se um grande fornecedor de grãos, carne e fibras. Mas muito desse impulso perdeu força ao longo dos anos, e o acesso à tecnologia continua um grande gargalo.

Não basta fornecer as ferramentas, é preciso capacitar a mão de obra. ExCEO da John Deere no Brasil, Paulo Herrmann acredita que os operadores mais bem preparados do país usem no máximo 60% das funcionalidades das máquinas agrícolas. “Estamos subutilizando a tecnologia”, afirma.

 “É importante ter programas robustos de qualificação, e o país desarticulou todo o sistema de extensão rural — a rede responsável por levar assistência técnica, capacitação e novas tecnologias aos produtores.” Herrmann defende o uso de ferramentas como WhatsApp, inteligência artificial e telemarketing para atender núcleos de acordo com a região e a cultura. 

Algumas empresas usam modelos similares, contudo estruturá-lo como plataforma de Estado traria ganhos em escala. O executivo também chama a atenção para a necessidade de reestruturação da Embrapa. Celso Moretti, que presidiu a instituição de 2019 a 2023, procurou estabelecer os parâmetros para as mudanças que a tornariam menos dependente de recursos públicos. O projeto envolvia a criação do Núcleo de Inovação Tecnológica, órgão destinado a firmar parcerias com o setor privado. 

“Cerca de 45% do faturamento voltaria para a pesquisa e desenvolvimento”, explica. O projeto não foi levado adiante pela nova gestão. Outro ponto da remodelagem envolve abandonar estruturas em que a estatal não é mais necessária, caso do melhoramento de sementes de soja, atividade em que o setor privado é autossuficiente.


Plantação de café | Foto: Alf Ribeiro/ Shutterstock


O agro brasileiro tem de reorganizar seu modelo e suas relações com o Estado, desta vez com foco no mercado internacional. Há bastante espaço para isso. Apenas 5% das vendas agropecuárias brasileiras para outros países estão cobertas por grandes acordos comerciais. Antonio Cabrera, ministro da Agricultura de 1990 a 1992, lembra que o produto brasileiro é carregado de taxas pesadas. “Nossa carne bovina paga 40% de sobretaxa para entrar na Coreia do Sul, enquanto a dos norte-americanos tem alíquota zero”, explica. 

São práticas que minam a competitividade do setor e cuja mudança depende de ações do governo. Na contramão, Lula tem optado por alimentar o conflito comercial com os EUA, os maiores importadores de alimentos do mundo. Cabrera chama a atenção para outro problema: a reforma tributária prevista para entrar em vigor em 2027 elimina impostos de alimentos innatura e mantém os dos processados. 

A carne de frango não processada, por exemplo, fica isenta, enquanto o nugget segue com alíquota alta. Isso significa que um frigorífico pode optar por processar o produto em outro país com alíquotas mais favoráveis e depois trazê-lo de volta. Além de encarecer o alimento para o consumidor brasileiro, corre-se o risco de um país vizinho lucrar mais com nosso agro do que nós mesmos. 

Com carga tributária baixa e juros bem menores, o Paraguai é forte candidato a assumir este papel. 


10 propostas para o agronegócio 

1. Reformular o Plano Safra como política de Estado de longo prazo.

 2. Criar uma política de subsídio ao seguro rural. 

3. Reconhecer a agricultura e o abastecimento de alimentos como atividades estratégicas para a segurança nacional. 

4. Garantir regras claras e estáveis para o campo e ampliar mecanismos de conciliação de conflitos fundiários e ambientais.

5. Modernizar o sistema de extensão e assistência técnica rural. 

6. Reestruturar e promover a autonomia da Embrapa. 

7. Ampliar grandes acordos comerciais internacionais. 

8. Valorizar e reconhecer o produtor rural como agente preservador do meio ambiente. 

9. Ajustar a Reforma Tributária para incentivar a industrialização. 

10. Aumentar a competitividade e melhorar o ambiente de negócio

São práticas que minam a competitividade do setor e cuja mudança depende de ações do governo. Na contramão, Lula tem optado por alimentar o conflito comercial com os EUA, os maiores importadores de alimentos do mundo. Cabrera chama a atenção para outro problema: a reforma tributária prevista para entrar em vigor em 2027 elimina impostos de alimentos i

Augusto Nunes e as 'Rotas que levam a portos seguros'

Oeste reúne nesta edição especial informações e análises que, conjugadas, permitem a montagem do programa de governo que sempre faltou ao Brasil


Ilustração: Gerada por IA/Revista Oeste

O Brasil nasceu sob o signo da tapeação. Fingiam buscar um novo caminho das Índias as caravelas que em abril de 1500 toparam com aquela demasia de maravilhas: praias extensas com areia branca, banhadas por ondas verdes ou azuis, muita mata, muita flor, muito rio, muito peixe, muito bicho de carne tenra, muita fruta sumarenta e, melhor que tudo, muita índia sem panos no corpo e desprovida de pelos nas partes pudendas. 

O Brasil balançou no berço da safadeza. Souberam disso tarde demais aqueles viventes cor de cobre, os homens prontos para trocar preciosidades por quinquilharias, as mulheres (entre as quais as filhas do cacique) prontas para abrir o sorriso e as pernas aos forasteiros, pois os nativos praticavam sem remorso o que só era pecado do outro lado do oceano. 

O Brasil nasceu carnavalesco. Nem a mais criativa escola de samba pensaria em juntar num mesmo bloco, como fez o quadro que reproduz a primeira missa na Bahia, um padre de batina erguendo o cálice sagrado, navegantes fantasiados de soldados medievais, marinheiros com traje de domingo, índios com a genitália desnuda e a cruz dos cristãos no convívio amistoso com arcos, flechas e bordunas. 

O Brasil balançou no berço da maluquice. Marujos ainda mareados com a descoberta do paraíso decidiram que aquilo era uma ilha e se chamaria Ilha de Vera Cruz, até desconfiarem, muitas milhas depois, que era muito litoral para uma ilha só. Então acharam sensato rebatizar o colosso ausente dos mapas com o nome de Terra de Santa Cruz, porque disso ninguém duvidava: era terra firme aquilo que pisavam quando desembarcavam da caravela.


O Mapa de Juan de la Cosa, de 1500, mostra a viagem ao Cabo de Santo Agostinho, no litoral de Pernambuco, feita por Vicente Yáñez Pinzón. A leste do cabo aparece a Ilha de Vera Cruz (descoberta por Portugal) | Ilustração: Wikimedia Commons/Reprodução

O Brasil nasceu preguiçoso. Passou a infância e a adolescência na praia, e já tinha 200 anos quando criou ânimo para escalar o paredão verdeescuro. Extenuados, estacionaram mais um século no Planalto antes de aventurar-se pelos sertões blindados pela mata virgem. Então ficou combinado que, dali por diante, tanto os nativos da terra quanto os oriundos de outras paragens poderiam deixar para amanhã o que deveriam ter feito ontem.

Deu no que deu. O Brasil parido pelo equívoco hostilizou os civilizadores holandeses para manter-se sob o jugo do império português. O Brasil amalucado teve como primeira e única rainha uma doida de hospício. O Brasil da safadeza acolheu o filho da rainha que roubou a matriz na vinda e a colônia na volta. O Brasil preguiçoso foi o último a abolir a escravidão.

O Brasil sem pressa foi o último a abolir a monarquia e virar República. Aberto em 1889, o cortejo dos presidentes, ministros, senadores, deputados federais, governadores, deputados estaduais, prefeitos e vereadores atesta que a troca de regime não mudou a essência da coisa: o Brasil republicano é o Brasil monárquico de terno e gravata, só que mais abusado e cada vez mais cafajeste. Oswaldo Aranha, um genuíno estadista, enxergava no Brasil do século 20 um deserto de homens e ideias. A aridez não amainou. 

E a paisagem ficou ainda mais desoladora com a expansão do oásis que hoje abriga todas as espécies de corrupto. Ainda assim, o país tem jeito. A confiança no futuro tem como alicerces proezas do passado. Uma delas é a unidade nacional, o verdadeiro milagre brasileiro. O sotaque, a gastronomia, as manifestações artísticas, o tipo físico e outros quesitos demonstram que há mais diferenças entre gaúchos e cearenses, por exemplo, do que entre peruanos e equatorianos. 

Os sul-americanos de fala espanhola vivem em países distintos. Brasileiros de todas as regiões cantam o mesmo hino, reverenciam a mesma bandeira e torcem pela mesma seleção. Só pode ser duro na queda quem consegue sobreviver a três mandatos de Lula e quase seis anos com Dilma Rousseff no Planalto. 

Mas o destino pode ser cruel com reincidentes em decisões suicidas. É muito perigoso, por exemplo, manter na Presidência um analfabeto cercado por incapazes ou gente capaz de tudo. O PT e seus comparsas compõem uma seita que tem num larápio o seu único deus. Para encontrar o caminho certo, o Brasil precisa primeiro livrar-se de quem sempre faz a escolha errada.


O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a ex-presidente Dilma Rousseff | Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil 

A formação política do país foi duramente castigada pela inexistência de partidos políticos de verdade, providos de balizas ideológicas, programas administrativos abrangentes e projetos factíveis. É nesse ambiente que surgem e crescem políticos talentosos e bons governantes. Como o Brasil nunca teve partidos assim, os eleitores ignoram siglas na hora do voto. Escolhem pessoas. Essa deformação alimenta a crença no homem providencial — aquele que vai resolver todos os problemas passados, presentes e futuros. Tal figura não existe. 

O jornalista Aristides Lobo resumiu numa frase o comportamento dos brasileiros surpreendidos pela Proclamação da República: “O povo assistiu àquilo bestializado, como se acompanhasse uma parada militar. Foi assim em todos os grandes acontecimentos históricos: a inexistência de mobilização popular atesta que a gente comum renunciou ao papel de protagonista para transformar-se em espectador silencioso. No mundo inteiro, partidos vivem à procura de eleitores. 

Aqui, milhões de eleitores procuram um partido que efetivamente os represente. Empenhada em apressar o amadurecimento do Brasil democrático, Oeste reuniu nesta edição especial informações e análises que, conjugadas, permitem a montagem do programa de governo que sempre faltou ao Brasil. Só levam a portos seguros rotas definidas com clareza e competência por quem conhece o oceano.


Capa da Revista Oeste, Edição 341 | Ilustração: Montagem Revista Oeste/IA


Augusto Nunes - Revista Oeste

Lobista diz a Vorcaro que tratou de interesses do Master com ministros do STF

Mensagem extraída pela PF do celular do ex-banqueiro cita jantar com Gilmar Mendes e Cristiano Zanin, que negam contato



"Querido amigo, estou aqui jantando com Gilmar e Zanin", diz mensagem de lobista enviada a Vorcaro em maio de 2024 | Foto: Fellipe Sampaio/SCO/STF


O lobista Chiquinho Feitosa afirmou ao fundador do Banco Master, Daniel Vorcaro, ter tratado de assuntos de interesse do ex-banqueiro durante um jantar com os ministros Gilmar Mendes e Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), em 28 de maio de 2024. 

A mensagem foi encontrada pela Polícia Federal no celular de Vorcaro. Zanin nega ter jantado ou mantido contato com Vorcaro ou Feitosa, que é ex-cunhado de Gilmar Mendes e teria recebido R$ 1 milhão do fundados do Master.

Às 20h55 daquele dia, Feitosa escreveu a Vorcaro: “Querido amigo, estou aqui jantando com Gilmar, Zanin e as esposas. Conversei alguns assuntos de nosso interesse e passei as informações que o Fernando me deu. Se for estar por aqui, me fala!” Vorcaro respondeu: “Ótimo, vou estar. Nos vemos amanhã.”



Foto: Montagem Revista Oeste com auxílio do ChatGPT e informações do Poder360

Feitosa afirma não se recordar “com precisão” do jantar e negou ter tratado com ministros do STF de assuntos relacionados a Vorcaro. “Se estive na presença dos ministros, foi em ocasião social, com outros convidados”, declarou ao portal Poder360, que teve acesso às mensagens na íntegra. 

Zanin afirmou, em nota, que “nunca teve qualquer relação com Daniel Vorcaro, tampouco com Chiquinho Feitosa”. O ministro também declarou que “nunca jantou, nunca os recebeu em audiência e nunca conversou com eles [Feitosa e Vorcaro] sobre qualquer assunto”.


O gabinete de Gilmar informou que o ministro não participou do jantar relatado por Feitosa e que “não teve conhecimento de qualquer entendimento entre ele e terceiros”. Questionada especificamente sobre o encontro de 28 de maio, a assessoria não confirmou nem negou que o jantar tenha ocorrido.


Mensagens mostram tentativa de aproximação com Gilmar 

Outras conversas encontradas no celular de Vorcaro indicam que Feitosa atuava na aproximação do banqueiro com Gilmar Mendes. Em 19 de abril de 2024, o lobista recomendou que Vorcaro “começasse uma relação direta” com o ministro. Segundo a mensagem, isso seria “importante para o futuro”.



Chiquinho Feitosa, ex-cunhado de Gilmar Mendes à esquerda e o ministro do STF Gilmar Mendes à direita | Foto: Reprodução/Redes Sociais/Instagram/chiquinhofeitosaoficial


Em 11 de abril, Feitosa havia enviado a Vorcaro o contato da assessoria de Gilmar para viabilizar uma reunião. O banqueiro pretendia conversar durante 30 minutos sozinho com o ministro e outros 30 minutos com o então diretor jurídico do Master e Bruno Bianco, exadvogado-geral da União. 

A assessoria informou que não havia tempo suficiente na agenda. Vorcaro acabou se reunindo com Gilmar por 15 minutos sozinho e por outros 15 minutos acompanhado. O gabinete do ministro afirma que a reunião teve caráter institucional e que Gilmar votou contra os interesses do Master em processo relacionado ao pagamento de precatórios. 

As mensagens fazem referência à busca de interlocução com ministros do STF em meio à discussão sobre precatórios de titularidade do Banco Master. O conteúdo das conversas, contudo, não comprova que Gilmar ou Zanin tenham atendido a pedidos de Vorcaro ou praticado qualquer irregularidade.


Foto: Montagem Revista Oeste com auxílio do ChatGPT e informações do Poder360


Feitosa também citou Gilmar em festa de Camilo Santana

Em 1º de junho de 2024, Feitosa voltou a mencionar Gilmar em uma conversa com Vorcaro. Às 22h, afirmou estar em Fortaleza no aniversário de Camilo Santana, então ministro da Educação, e disse que o magistrado estava no local. 

“Irmão, boa noite! Estamos aqui em Fortaleza no aniversário do Camilo. Gilmar está comigo! Liga para mim, para você falar com os dois”, escreveu Feitosa. Vorcaro respondeu que estava em um voo e não conseguiria conversar por telefone. 

O gabinete de Camilo Santana declarou que “nunca existiu contato nem nenhuma relação pessoal ou profissional com o mencionado”, em referência a Vorcaro. Feitosa foi deputado federal entre 1999 e 2003 e eleito suplente de senador em 2014, na chapa de Tasso Jereissati (PSDB-CE). Ele assumiu o mandato entre novembro de 2021 e fevereiro de 2022. 

Atualmente, preside o Republicanos no Ceará e atua como lobista em Brasília.


Isabela Jordão - Revista Oeste

quinta-feira, 24 de setembro de 2026

Efeito Covil do Lula - Reprovação ao Congresso e STF chega a 64,4%, aponta pesquisa

Levantamento mostra índices de reprovação de 64,4% para o Congresso e 62,6% para o Supremo



Sessão plenária do Supremo Tribunal federal | Foto: Gustavo Moreno / STF


Pesquisa Futura/100% Cidades divulgada nesta quinta-feira (24) aponta que 64,4% dos eleitores reprovam a atuação do Congresso Nacional, enquanto 27,1% aprovam. Outros 8,5% não souberam responder ou preferiram não opinar.

Em relação ao STF, 62,6% dos entrevistados disseram reprovar a atuação da Corte, contra 27,9% que a aprovam. Nesse caso, 9,4% não souberam responder ou não quiseram opinar.

O levantamento ouviu 2 mil eleitores de todo o país com 16 anos ou mais, entre 19 e 23 de setembro, por meio de entrevistas telefônicas assistidas por computador (CATI). A pesquisa tem margem de erro de 2,2 pontos percentuais, para mais ou para menos, e intervalo de confiança de 95%. O estudo foi realizado com recursos próprios do instituto e está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o protocolo BR-05268/2026.


Diário do Poder

ACM Neto lidera para o governo da Bahia com diferença acima da margem de erro

 

ACM Neto, candidato ao governo do Estado da Bahia - Foto: redes sociais.


Pesquisa Paraná Pesquisas registrada no TSE sob o número BA-00759/2026, feita entre 21 e 23 de setembro de 2026 com 1.400 eleitores em 60 municípios, mostra ACM Neto (União) à frente do governador Jerônimo Rodrigues (PT), acima da margem de erro, na corrida pelo Palácio de Ondina. A margem de erro é de 2,7 pontos percentuais, com 95% de confiança. As entrevistas foram presenciais e domiciliares.

Na espontânea, ACM Neto aparece com 35,0% e Jerônimo Rodrigues com 30,4%. Outros nomes somam menos de 1%. Não souberam ou não opinaram 29,5%; brancos e nulos, 4,1%.

No cenário estimulado com vários nomes, ACM Neto tem 46,7% e Jerônimo 42,0%. Ronaldo Mansur, Aroldo Felix, Ariel Capistrano e Maria Bona ficam abaixo de 1%. Brancos e nulos somam 5,2%; indecisos, 4,1%. Em relação à pesquisa de agosto do mesmo instituto (BA-07628/2026), ACM Neto recuou de 48,5% para 46,7% e Jerônimo subiu de 40,1% para 42,0%.

No confronto direto, o quadro se mantém apertado: ACM Neto 48,4% e Jerônimo Rodrigues 44,2%. Brancos e nulos caem para 4,4% e indecisos para 3,1%. A série do instituto aponta tendência de recuperação do governador: em um levantamento anterior de agosto ele tinha 40,0% contra 50,9% de ACM Neto.

O potencial de voto favorece ACM Neto
O total de 38,5% dizem que votariam com certeza em ACM Neto para governador; 23,3% poderiam votar; 36,1% não votariam de jeito nenhum. Em Jerônimo, 31,6% votariam com certeza, 23,7% poderiam votar e 42,9% rejeitam. Em um mês, o “voto certo” de Jerônimo subiu de 28,6% para 31,6%, enquanto o de ACM Neto recuou levemente de 39,7% para 38,5%.

ACM Neto vai melhor entre homens, eleitores de 25 a 34 anos, ensino médio e superior e população economicamente ativa. Jerônimo lidera entre os de 60 anos ou mais, ensino fundamental e não PEA.

No Senado, 62,3% não citaram nomes

Rui Costa lidera com 12,7%, seguido de João Roma (9,7%), Jaques Wagner (8,4%) e Angelo Coronel (7,4%).

No estimulado (cada eleitor podia indicar até dois nomes), Rui Costa chega a 46,3% das menções, Jaques Wagner a 34,0%, João Roma a 27,3% e Angelo Coronel a 25,1%. Os demais ficam abaixo de 4%. Na primeira opção, Rui Costa tem 30,6%, João Roma 18,4%, Jaques Wagner 16,2% e Angelo Coronel 11,4%.

A avaliação do governo Jerônimo Rodrigues registra 42,2% de ótimo/bom (13,4% ótimo e 28,8% bom), 22,8% regular e 33,4% ruim/péssimo. A aprovação é de 56,1% contra 40,7% de desaprovação. O índice de aprovação é o mais alto da série do instituto neste ano (53,9% em maio, 52,0% em julho e 53,4% no levantamento de agosto). A aprovação é maior entre os de 60 anos ou mais (64,9%) e ensino fundamental (67,3%); cai entre quem tem ensino superior (46,8% aprovam e 51,1% desaprovam).

A pesquisa foi auditada em pelo menos 30% das entrevistas. A amostra segue cotas de gênero, idade, escolaridade e renda.

Diário do Poder

Mensagens mostram lobista mandando fazer pagamentos para filho de Lula, ladrão mais depravado do Brasil

Celular de lobista revela ordens de repasses ao filho mais velho do presidente Lula, incluindo depósito de R$ 26.809 a agência de viagens e cobrança de R$ 100 mil a ex-secretário de Saúde de Goiânia


Lulinha e a amiga íntima Roberta Luchsinger


Mensagens recuperadas no celular da lobista Roberta Luchsinger mostram ordens de pagamento para Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho mais velho do presidente Lula (PT). As conversas, reveladas nesta quinta-feira (24), são as primeiras a documentar repasses da lobista ao filho do presidente, tratado por ela como “sócio” em diálogos com terceiros.

Repasse para agência de viagens

Em mensagem enviada a seu motorista, Ulisses Barbosa Viana Junior, em 25 de julho de 2024, Luchsinger encaminhou o valor “26.809” e afirmou que era preciso “pagar mais isso para Fábio na TTW”. Viana Junior confirmou a tarefa e, na sequência, enviou um comprovante de depósito de R$ 26.809 para a agência de viagens TTW Group — empresa onde trabalha Marina Mantega, filha do ex-ministro da Fazenda Guido Mantega e amiga de Luchsinger, segundo o site Metrópoles, .

A TTW é apontada pela coluna como a agência usada pela lobista para organizar viagens internacionais suas e de Lulinha, incluindo uma ida à Finlândia para observar o fenômeno da aurora boreal.

Em outra troca de mensagens, no dia 29 de novembro de 2024, Luchsinger perguntou ao motorista: “Cadê o dinheiro?”. Em seguida, orientou: “Tem que levar lá no Fábio”. Ao saber que o valor estava no porta-malas de um veículo, respondeu que ele deveria, após um compromisso próprio, pegar um Uber, “deixará grana no Fábio” e seguir viagem em outro carro.

Cobrança de R$ 100 mil a ex-secretário

Segundo o Metrópoles, Luchsinger também cobrou, em tom agressivo, um pagamento de R$ 100 mil ao ex-secretário de Saúde da Prefeitura de Goiânia, Quesede Ayres Henrique. A mensagem — “Ô Quesede, tu dá um jeito de fazer esse pix, porra, que o homem tá me cobrando” — foi enviada no dia 8 de novembro de 2024, data em que Lulinha embarcou para Lisboa em voo da Latam que partiu de Guarulhos às 22h40.

De acordo com a reportagem, Henrique depositou o valor na mesma noite na conta da empresa RL Consultoria, de propriedade de Luchsinger, por meio de uma empresa comercial de Goiânia. Henrique se entregou à polícia em dezembro de 2024: ele era investigado por suspeita de desvio de R$ 10 milhões na pasta da Saúde do município.

Investigações no STF

Fatos relacionados a Lulinha e a Luchsinger são apurados em três inquéritos no Supremo Tribunal Federal (STF), segundo a reportagem. O principal deles — com as investigações mais avançadas — trata de suspeita de tráfico de influência no Ministério da Saúde para a venda de fármacos derivados de maconha, como o CBD, tendo como investigados Lulinha, Luchsinger e o empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS.

Um segundo inquérito apura possíveis pagamentos de Luchsinger a pessoas do entorno do presidente Lula, entre elas o ex-chefe de gabinete Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola. Uma terceira apuração investiga suspeita de tráfico de influência na Dataprev, estatal de processamento de dados.



Davi Pereira - Diário do Poder

Luxuosa suíte no hotel escolhido por Lula em Nova York tem diária de marajá: R$30 mil. Veja fotos

 

Suíte no Hyatt custa R$30 mil por dia


Os poucos que podem desfrutar da experiência de Lula e se hospedar no Hyatt Grand Central New York, um dos dois hotéis que o pagador de impostos bancou para o petista passar 48 horas nos Estados Unidos, precisam preparar o bolso. Esta coluna cotou uma diária no opulento hotel: a suíte presidencial sai pela bagatela de R$30 mil por dia e conta com vários luxos distribuídos pelos 130 m² da instalação, como uma bela e grande TV (50”), com canais pay-per-view, e, destaca o hotel, um cofre.


Suíte do luxuoso Hyatt, hotel de Lula e comitiva durante participação da assembleia da ONU

Granfino

A sala de jantar acomoda seis pessoas confortavelmente. O banheiro com hidromassagem, claro, é todo feito de refinado mármore branco.

Olho no GPS

Bem localizado, o hotel tem na vizinhança atrações como Museu de Arte Moderna (1,4 km), Empire State (1,2 km) e o Central Park (4,1km).

Almoço salgado

O restaurante do hotel oferece opções como Atlantic Salmon e Tomatillo Salsa. Os pratos – individuais – custam mais de R$175 cada.

Por nossa conta

A comitiva de Lula precisou de dois hotéis para aboletar os aspones. O outro foi hotel Park Lane. A hospedagem passa dos R$3,2 milhões.


Diário do Poder