sexta-feira, 4 de setembro de 2026

Flávio Gordon - 'Não, Roberto, o bandido não era você'

 Coluna dedicada à honra da família Mantovani, vítima da cleptocracia luloalexandrina




Roberto Mantovani e Alexandre de Moraes - Foto: Montagem Revista Oeste/Shutterstock/Reprodução/Antonio Augusto/STF


“B andido” — disse Alexandre de Moraes a Roberto Mantovani no incidente do aeroporto de Roma, na única cena até hoje registrada em vídeo. Entre a incredulidade e a resignação, por saber com que figura poderosa estava lidando, o patriarca da família Mantovani só conseguiu responder com uma pergunta: “Eu, né?” Como quem diz: sou mesmo o bandido nessa história? 

Ali, naquele 14 de julho de 2023, Roberto não tinha como dimensionar toda a extensão da ironia contida naquela troca de palavras. Não poderia imaginar que, três anos mais tarde, o país teria diante de si mensagens, contratos, jatinhos, cartões de crédito, encontros e declarações de gratidão capazes de lançar sobre a família Moraes suspeitas incomparavelmente mais graves do que qualquer impropério pronunciado à porta de uma sala VIP de aeroporto. Assim que, hoje já é possível responder à pergunta de Roberto com toda a certeza: não, Roberto, você não era o bandido da história.

Talvez nunca tenha havido, na vida pública brasileira recente, demonstração tão perfeita daquilo que os antigos chamavam de hybris: a desmesura do homem (e, por extensão, de sua família) que, habituado à obediência dos outros, já não reconhece acima de si nenhuma lei, jurídica, moral ou simplesmente humana. Alexandre de Moraes não se comportou naquele aeroporto como um cidadão qualquer envolvido numa discussão desagradável. 

Comportou-se como a própria encarnação ambulante do Estado. Não era a primeira vez que o falso juiz usava a toga como cassetete. Antes mesmo do episódio de Roma, havia cometido uma sucessão de abusos de autoridade que àquela altura já deveriam ter provocado uma reação contundente da sociedade: mandou prender o então deputado federal Daniel Silveira, em fevereiro de 2021, por críticas ao STF, passando por cima da imunidade parlamentar prevista na Constituição; prendeu o jornalista Oswaldo Eustáquio, também em 2021; autorizou, em outubro de 2022, a prisão de Roberto Jefferson, cumprida em meio a um tiroteio entre os capangas alexandrinos e o deputado, ocorrido na porta de sua casa; perseguiu o blogueiro Allan dos Santos até empurrá-lo para o exílio nos Estados Unidos, depois de bloquear suas contas e decretar sua Itatiaia prisão; e, no mesmo período, autorizou buscas e apreensões contra empresários cujo único crime era financiar manifestações contrárias ao seu grupo político.


O deputado Daniel Silveira, durante uma sessão na Câmara - Foto: Zeca Ribeiro/Câmara dos Deputado

Moraes quase não foi criticado, muito menos denunciado, processado ou condenado por nenhum desses episódios — não porque fosse inocente, mas porque contava, como ainda conta, com uma rede de proteção nas altas esferas do poder da República, blindagem que o próprio caso Vorcaro viria a escancarar. Era esse o homem, e essa a impunidade que o cercava, que a família Mantovani encontrou, sem saber, num corredor de aeroporto. Bastou o entrevero para que toda a engrenagem institucional brasileira — incluindo a Procuradoria-Geral da República (PGR) do enlameado Paulo Gonet — fosse mobilizada na perseguição dos Mantovani. 

O que se seguiu foi busca e apreensão contra a família, celulares e computadores tomados, sigilos quebrados, um inquérito conduzido pela banda podre da Polícia Federal (aquela de Andrei Rodrigues, o tomador de uísque do Vorcaro), acompanhado pelo Partido-Corte e impulsionado pela espúria PGR. Tudo isso por causa de uma discussão de aeroporto, ocorrida em território estrangeiro, sem áudio que permitisse saber quem dissera o quê e sem prova de agressão grave. 

Uma discussão que a maior parte da imprensa dita “profissional” — essa mesma que hoje se espanta ao descobrir viver numa ditadura judicial — tratou como um ataque às instituições democráticas por parte de “bolsonaristas”, comprando acriticamente a versão de Moraes e sua família. E também a versão do Descondenado-em-chefe, que, além de qualificar os integrantes da família Mantovani de “animais selvagens” que deveriam ser “extirpados”, chegou ao cúmulo de pedir que o chanceler da Alemanha fizesse ingerências na empresa alemã na qual Roberto trabalhava, tendo por objetivo a sua demissão.

 Ao contrário da imprensa sicofanta, eu aceitei desde sempre, como continuo aceitando como mais provável, a versão da parte mais fraca do embate — a família Mantovani. Até por saber que Alexandre de Moraes é um mentiroso contumaz. Aliás, num trabalho investigativo próprio, à época apresentado num fio no X, o jornalista Ivanildo Terceiro demonstrou por A mais B que a versão dos Mantovani era, de fato, a mais verossímil, e correspondia mais fielmente também à versão da polícia italiana.


A família Mantovani, que teria supostamente agredido o filho do ministro Alexandre de Moraes - Foto: Reprodução/Redes socias

O depoimento prestado à Polícia Federal pela esposa de Roberto Mantovani, Andreia Munarão, é minucioso, e vale a pena contá-lo com todos os seus detalhes, porque foi justamente o detalhe que a imprensa filo-alexandrina sempre lhe recusou. Segundo o relato, a filha e o genro do casal chegaram antes e ouviram dos funcionários que a sala VIP estava lotada. Foi então que Andreia viu Alexandre de Moraes entrar sem qualquer obstáculo. Entendendo — decerto corretamente — que o Careca do Master furava a fila por privilégio de cargo, reclamou com as atendentes: político entra, mas família com criança de colo, não? Andreia afirma, categoricamente, que não se dirigiu a Moraes.

Foi nesse instante que um rapaz de blazer e óculos (depois identificado como Alexandre Barci de Moraes, o Xandinho, filho do ministro) e uma moça se voltaram contra ela. A moça — a Xandinha, uma das filhas de Moraes — teria exibido o dedo médio. O rapaz mandou beijos e passou a dirigir-lhe frases de teor sexual que a decência, normalmente, me faria poupar o leitor de conhecer, mas que o dever jornalístico me obriga a reproduzir, pois é do acúmulo de tais baixezas que se mede a índole e a educação da famiglia Moraes.

“Cincão pela sua bundinha”, “putinha”, “vou comer o seu cuzinho”, “vou beijar seus peitinhos” — disse o Xandinho a Andreia. Roberto perguntou por que o rapaz fazia aquilo, pediu que parasse e, segundo o relato da esposa, tentou afastá-lo com o braço. Ela diz que não chegou a ver o alegado tapa; soube depois, pelo próprio marido, que ele tentara apenas afastar Barci e que, no gesto, os óculos do rapaz caíram — nada além disso, por mais que a acusação tenha preferido, depois, a versão mais dramática do “tapa no rosto”, narrado com a precisão literária de quem acrescenta intenção moral a uma sequência muda de fotogramas — e reforçada pela imprensa sabuja que, no caso do jornal O Globo, chegou a dar-lhe forma de história em quadrinhos, retratando um filho de Alexandre de Moraes, com a aparência bem mais juvenil do que a realidade, sendo esbofeteado violentamente por Roberto Mantovani.


Matéria publicada no jornal O Globo em 18/07/2023 | Foto: Reprodução O Globo

Sem vaga em nenhuma outra sala, a família teve de voltar pelo único corredor disponível — o mesmo por onde acabara de passar. Barci teria saído atrás deles e repetido as ofensas, chegando a perguntar, em plena via pública do aeroporto, “cadê a putinha”. Alex e Giovanni, filho e genro de Roberto, tentaram acalmar os ânimos. Foi então que o próprio Alexandre de Moraes saiu da sala, fotografou a família, e alguém ao seu lado disse que os Mantovani “responderiam no Brasil” — frase que, vinda de quem vinha, nunca foi um mero desabafo, mas uma ameaça real de abuso de autoridade. 

Alex filmou a cena e perguntou se aquilo era mesmo uma ameaça. E foi nesse momento — o único, repito, registrado em vídeo — que Moraes proferiu o xingamento “bandido”, pôs a mão no ombro do próprio filho e voltou para dentro da sala. Andreia nega, até hoje, ter xingado o ministro ou qualquer membro de sua família. É essa versão — detalhada, coerente internamente, e nunca desmontada por prova em contrário — que foi tratada pela máquina do Estado e pela imprensa bovina como fantasia de gente mal-educada, enquanto a palavra do ministro valeu como sentença.

Mas a atitude atribuída ao filho de Moraes seria apenas uma grosseria privada se não exprimisse algo maior: a convicção — reforçada pela falsa narrativa da “defesa da democracia” contra o “golpismo bolsonarista” — de que certas famílias pertencem a uma casta superior e de que os demais brasileiros existem para reverenciá-las e servi-las. É exatamente esse pano de fundo que o levantamento do sigilo do relatório da PF, que aponta os laços entre Vorcaro e Moraes — finalmente reportados por uma imprensa que, subitamente, parece ter reaprendido a fazer jornalismo — veio iluminar.


Alexandre Barci de Moraes - Foto: Reprodução/Barci de Moraes

Em julho de 2023, quando ocorreu o episódio de Roma, a relação íntima entre a família Barci-Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro, então à frente do Banco Master, estava prestes a começar, por intermediação de Fábio Faria. Foi justamente nesse momento — dezembro de 2023 — que  seguranças, instruindo a equipe a proporcionar uma “experiência completa” e vetando que funcionários tirassem fotos com o ministro. Não foi um favor isolado: foi, ao que tudo indica, o início de uma rotina que se estenderia pelos anos seguintes.

As mensagens hoje conhecidas mostram um padrão consolidado. Em janeiro de 2024, foi assinado contrato de R$ 131 milhões (R$ 3,6 milhões mensais por três anos) entre o escritório de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro, e Vorcaro. Os metadados do documento, recuperados do celular do banqueiro, indicam que um perfil identificado como “Ministro Alexandre de Moraes” editou a minuta final às 23h04 de 15 de janeiro de 2024, cerca de uma hora e quarenta minutos depois de Vorcaro devolver o arquivo com revisões. O escritório confirma que, “na condição de marido” (contenham o riso, leitores), o ministro acessou e editou o texto, alegando consulta sobre eventual impedimento. Que bela confissão! 

Em maio de 2025, Vorcaro transferiu a Viviane cotas de um jato Legacy 650 e de um helicóptero Airbus EC155, negócio avaliado em R$ 50 milhões e supostamente contabilizado como pagamento por “serviços jurídicos”. A Primeira-Dama do Master escreveu a um funcionário que estava “gostando muito” do jatinho. Em outubro do mesmo ano, o escritório de Dona Vivi solicitou a Vorcaro dois cartões de crédito com limite de R$ 300 mil cada, destinados aos filhinhos do casal Barci-Moraes (aqueles mesmos pimpolhos tão bem-educados, como se viu no incidente do aeroporto de Roma). O pedido foi prontamente aprovado pelo banqueiro.



Alexandre de Moraes e Viviane Barci de Moraes na posse de Lula como 39º presidente do Brasil (01/01/2023) - Foto: Ricardo Stuckert/PR


Mensagens da Polícia Federal indicam ainda que o próprio Moraes ajudou a organizar, em Londres, eventos jurídicos “superexclusivos” patrocinados por Vorcaro em 2024 e 2025 — aprovando convidados, vetando nomes e recebendo elogios efusivos do banqueiro, que chegou a dizer que excluir determinado participante da programação “mataria” o ministro, ao que tudo indica por puro capricho.

Há também, é claro, as mensagens da própria véspera da queda. Três dias antes de ser preso, em 14 de novembro de 2025, Vorcaro escreveu a Moraes: “gratidão da minha vida a você”, afirmando que ele, sua família e seus funcionários tinham com o Careca do Master “uma dívida de vida”. No dia seguinte, perguntou se já deveria deixar o país: “Acha que segunda já tenho que estar fora?” Na véspera da prisão, questionou se havia risco de a operação ocorrer “amanhã de manhã” — poucas horas antes de a prisão preventiva ser de fato decretada. Os investigadores da PF apontam que os dois usavam mensagens de visualização única, o que dificulta reconstituir as respostas do ministro. Recorde-se a propósito que, no voto em que condenou a patriota Débora do Batom, Moraes afirmou que apagar mensagens configurava obstrução de justiça. 

Some-se a tudo isso a mensagem atribuída a Vorcaro sobre a necessidade de “proteção de Andrei e de Paulo”, identificados pela PF como o diretorgeral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e o procurador-geral da República, Paulo Gonet, ambos frequentadores, junto com o próprio Moraes, da Conspiração do Uísque, em Londres. E some-se, também, a série de mensagens atribuídas ao próprio Gonet, enviadas a Vorcaro por meio de um advogado intermediário, com frases como “estou na torcida por vocês” e “já com saudade de você”, entremeadas de referências a viagens, charutos e uísque Macallan — o mesmo Gonet que, à frente da PGR, foi quem insistiu no prosseguimento do inquérito contra os Mantovani depois que a própria Polícia Federal o havia encerrado sem indiciamento. 


Andrei Rodriges e Paulo Gonet - Foto: Montagem Revista Oeste/Edilson Rodrigues/Agência Senado/Gustavo Moreno/ST

Recorde-se: Hiroshi Sakaki, o primeiro delegado daquele caso, ao examinar as imagens do aeroporto de Roma, concluiu não ser possível estabelecer com segurança a autoria das ofensas e encerrou a investigação sem indiciar ninguém. Em qualquer sistema minimamente saudável, o episódio teria terminado ali. Mas o camarada Gonet pediu novas diligências, o processo foi reaberto e o caso passou a outro delegado, Thiago Severo de Rezende, um superior de Sakaki, que reverteu a conclusão anterior e indiciou Roberto, Andreia e o genro do casal. Duas semanas antes dessa reviravolta, esse mesmo delegado havia sido indicado para um posto de oficial de ligação da PF na Europa, com mudança de sede e todas as vantagens que a função carrega. Era a aplicação usual da governança alexandrina — os puxa-sacos são premiados, os dissidentes e denunciantes (como Eduardo Tagliaferro, por exemplo), perseguidos implacavelmente.

Ao fim, o PGR, que amava uísque, charutos e caronas em jatinhos, denunciou os Mantovani, desprezando parecer técnico da própria Secretaria de Perícia da Procuradoria, que recomendava a obtenção de cópia integral das imagens antes de formular a acusação. 

Gonet preferiu a versão da família poderosa e transformou uma altercação sem provas definitivas, ocorrida no exterior, em caso criminal perante o Supremo. Tratava-se, conforme a Grande Narrativa criada pelo luloalexandrismo com apoio da Rede Globo, de mais um “ataque bolsonarista” contra a democracia.

Eis o mecanismo clássico do lawfare: não importa apenas obter uma condenação. Importa transformar o processo em castigo, expor os acusados, invadir sua intimidade, cobri-los de vergonha pública e ensinar a todos os demais a jamais confrontar a casta dominante. É terrorismo de Estado, a prática na qual o Careca do Master e seus capangas se especializaram. Os Mantovani foram apresentados ao país como agressores. Sua versão foi ridicularizada antes de examinada. E a única injúria claramente registrada em vídeo — o “bandido” pronunciado pelo próprio Alexandre de Moraes — não produziu consequência alguma para o agressor.




Mas o tempo passa e, hoje, depois do histórico 1º de setembro, corajosamente promovido por André Mendonça, aquela ofensa retorna como uma gosma pegajosa sobre o seu autor. Com ela, surge uma pergunta que o próprio país é convidado a fazer. O homem que chamou um cidadão comum de bandido enquanto sua família era conduzida em jatinhos de banqueiro, agraciada com cartões de limites extravagantes, beneficiada por contrato de nove dígitos que ele próprio ajudou a redigir, ainda tem autoridade moral para permanecer na pose virtuosa — que lhe foi investida pela imprensa (lembrando desse e desse outro exemplo) — de vigia dos muros das instituições democráticas contra as invasões bárbaras do bolsonarismo? 

Os processos que conduziu, as sentenças que proferiu, os danos que causou devem permanecer intactos e impunes? Roberto Mantovani questionou: “O bandido sou eu?” Durante três anos, o Estado brasileiro e a imprensa corrupta responderam que sim. As mensagens do caso Master acabam de reabrir esse julgamento. Desta vez, os brasileiros podem ver, com nomes, datas e valores em reais, quem viajava na primeira classe, quem recebia os favores, quem editava os contratos, quem organizava os encontros, quem prometia proteção e quem, afinal, mobilizava contra um pai de família — e contra muitos outros cidadãos inocentes — a máquina inteira do Estado por pura autoblindagem.

Não, Roberto. Você nunca foi o bandido da história. Ao que tudo indica, você foi apenas o homem comum que, por alguns segundos, recusou-se a baixar a cabeça diante do figurão da República, que já se acostumara a ser chamado, no bom português do banqueiro ladrão (seu amigo de fé e irmão camarada), de “ultra VIP”. Se o que temos no Brasil é justiça, que se ache outra palavra para o resto — porque a que sobrar não vai servir para batizar o que fizeram com um pai de família num corredor de aeroporto, por conta de uma sala lotada e de um herdeiro mal-educado e mimado, que ninguém teve a decência de disciplinar, e cujo pai continua, até o presente momento, convicto de pairar acima das leis e do próprio Deus. 


Flávio Gordon - Revista Oeste




Fachin derruba pedido de Moraes para investigar Mendonça no Inquérito das Fake News

 Presidente do STF transfere o pedido de investigação para o processo sobre as suspeitas do Banco Master


Presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin | Foto: Bruno Spada/Câmara dos Deputados


O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, retirou do Inquérito das Fake News o pedido de Alexandre de Moraes para investigar o ministro André Mendonça nesta sexta-feira, 4. O chefe da Corte transferiu a ação contra Mendonça do inquérito controlado por Moraes para o processo geral criado para investigar o escândalo do Banco Master. Fachin fixou o prazo de cinco dias úteis para o  procurador-geral Paulo Gonet e, sucessivamente, para Mendonça responderem sobre a investida.

O parecer da Procuradoria-Geral da República vai analisar a validade da medida e o mérito das acusações contra o relator. Moraes atribui a Mendonça crimes de responsabilidade, abuso de autoridade e improbidade administrativa na condução dos inquéritos do Banco Master e do INSS. O ministro André Mendonça apresentará a sua defesa sobre a investida e sobre as acusações logo em seguida.

Fachin tirou os documentos do controle exclusivo de Moraes para submeter o caso ao conjunto dos ministros no plenário. A unificação dos papéis no processo principal da crise busca checar se as acusações do magistrado possuem respaldo legal.


Prazos e apuração sobre abusos policiais


O despacho desta sexta-feira amplia as cobranças feitas na quinta-feira, 3. Fachin abriu o prazo comum de cinco dias úteis para Moraes, Mendonça, Paulo Gonet e o diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues, prestarem esclarecimentos por escrito.

O presidente da Corte cobrou explicações sobre o respeito às leis da magistratura nas ações da PF. O magistrado exigiu dados sobre o acesso indevido a documentos particulares e sobre o vazamento de informações sigilosas. A apuração avalia os procedimentos policiais usados na crise entre os integrantes do tribunal. 


Erich Mafra e Cristyan Costa - Revista Oeste

Alexandre de Moraes usa relatório sem assinatura e sem valor probatório para acusar Mendonça, diz jornal O Estado de São Paulo

 O próprio relatôrio, anônimo, classifica a confiabilidade dos seus relatos como “baixa a moderada”



Ministro do STF Alexandre de Moraes. Foto: Luiz Silveira/STF


O ministro Alexandre de Moraes, do STF, baseou o pedido de investigação contra o colega André Mendonça em um relatório interno da Polícia Federal, anônimo, que o próprio documento classifica como “sem caráter decisório e sem valor probatório”. O material não tem cabeçalho oficial da corporação nem assinatura de delegado, segundo informou reportagem de Carolina Brígido e Aguirre Talento, no Estadão.

O texto, citado por Moraes para acusar Mendonça de “abuso de autoridade e interferência indevida em inquéritos”, reúne relatos anônimos. Segundo essas fontes, o relator das operações Sem Desconto (fraudes no INSS) e Compliance Zero (Banco Master) teria tentado influenciar acordos de delação premiada e dito que não confiava no diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, nem no procurador-geral da República, Paulo Gonet. Uma das informações anônimas afirma ainda que Mendonça instaurou procedimento para avaliar o afastamento de Rodrigues por suspeitas ligadas à investigação que alcançou o filho do presidente Lula.

O próprio relatório, no entanto, classifica a confiabilidade desses relatos como “baixa a moderada”, justamente por se apoiarem apenas em depoimentos sem provas documentais.

Sobre a ordem de Mendonça para identificar o interlocutor do banqueiro Daniel Vorcaro em mensagens apagadas do celular, o documento considera o pedido “ato preliminar defensável e possivelmente devido”. Já a exigência da íntegra de todas as conversas dos interlocutores é vista como investigação indevida, por poder extrapolar a competência do relator. O texto também registra que Mendonça já havia perguntado, em reuniões com a PF, o que havia no aparelho de Vorcaro em relação a Moraes.

O relatório contradiz ainda a conclusão de Moraes de que o material apontaria direcionamento indevido das apurações contra cinco ministros do STF. Os nomes aparecem em outros contextos e com confiabilidade baixa. Em um trecho, o documento afirma que as suspeitas da PF sobre a relação de Dias Toffoli com Vorcaro eram graves e não foram apuradas no Supremo. Em outro, registra preocupação de Mendonça com acusações infundadas contra Kassio Nunes Marques.

Moraes usou o inquérito das fake news, do qual é relator, para encaminhar o material ao presidente do STF, Edson Fachin, e pedir providências. Fachin abriu procedimento para apurar o caso.

Diário do Poder

Os indícios de uso de IA no relatório da PF usado por Moraes

 ChatGPT e Claude apontaram repetição de estruturas e regularidade textual; Gemini e Grok chegaram a conclusões diferentes 


Reprodução


Um relatório de inteligência da Polícia Federal usado pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF) no Inquérito das Fake News, contém padrões de linguagem e estrutura compatíveis com textos produzidos ou revisados com auxílio de inteligência artificial (IA), segundo análises feitas pelo ChatGPT e pelo Claude. 

Os dois modelos estimaram em 75% e 73%, respectivamente, a probabilidade de participação de IA na elaboração do material. Outros dois modelos submetidos ao mesmo teste chegaram a resultados opostos: o Gemini estimou a probabilidade em 5%, enquanto o Grok apontou 15%.

Entre os critérios estão repetição excessiva de palavras ou estruturas sintáticas, regularidade do estilo, construções semelhantes a modelos predefinidos, naturalidade do discurso, contextualização e qualidade dos exemplos.

 As quatro ferramentas recberam o mesmo documento e o mesmo comando de análise. O prompt foi elaborado pelo professor Marcelo Sabbatini, da Universidade Federal de Pernambuco, para identificar características aparentes associadas a textos gerados por IA. As avaliações não permitem determinar a autoria do documento nem comprovar o emprego da tecnologia



Agentes da Polícia Federal | Foto: Divulgação/ PF


Estruturas repetidas chamaram atenção da IA

 ChatGPT e Claude apontaram como um dos principais indícios a repetição de uma mesma estrutura ao longo do relatório. O documento apresenta, várias vezes, uma sequência com fatos, avaliação, grau de confiança, hipóteses alternativas, riscos e recomendações. Expressões como “Avalia-se que”, “Registre-se” e “Grau de confiança” também aparecem com frequência.

Os dois modelos também destacaram a repetição de frases construídas em oposição, como “não é X, mas Y”. O Claude chamou atenção ainda para frases de efeito usadas no fim de análises e para trechos em que o texto explica os limites das próprias conclusões.

Para o ChatGPT, a repetição dessas estruturas e a forma como os argumentos são organizados são compatíveis com o uso de IA na redação, organização ou revisão do relatório. Isso não significa, porém, que todo o conteúdo tenha sido produzido pela tecnologia.

O Claude chegou a uma conclusão semelhante. Entre os principais sinais, apontou “a uniformidade estrutural”, “a repetição quase mecânica das tríades de ‘grau de confiança’” e a repetição de formas semelhantes de construir argumentos e explicar o grau de certeza das análises.

Os indícios de uso de IA no relatório da PF usado por Moraes https://revistaoeste.com/politica/os-indicios-de-uso-de-ia-no-relatorio-da-pf-usado-por-moraes/ 5/11 No entanto, o relatório traz informações específicas, como datas, números de procedimentos, leis, valores, nomes e referências a documentos. 

Para ChatGPT e Claude, esse nível de detalhe pesa contra a hipótese de um texto genérico produzido por IA, mas não afasta a possibilidade de uso da tecnologia para organizar, redigir ou revisar informações fornecidas por uma pessoa. Gemini e Grok discordaram Gemini e Grok interpretaram de maneira diferente parte dos mesmos padrões. 

Para as duas ferramentas, a regularidade e a repetição observadas podem decorrer da natureza técnica e institucional do relatório. O Gemini classificou como “Muito baixa / improvável” a probabilidade de geração por IA e atribuiu índice de 5%. O modelo destacou a densidade de informações específicas, a metodologia analítica e a padronização do documento. 

O Grok também considerou baixa a possibilidade e estimou 15%. Segundo sua análise, a repetição de expressões como “Grau de confiança”, “Avaliação” e das classificações “[D]”, “[R]” e “[A]” teria função metodológica. 


Usuário acessa o aplicativo do ChatGPT pelo celular; criadora da ferramenta de inteligência artificial, a OpenAI deu o primeiro passo para abrir capital na bolsa | Foto: Reprodução/Freepik

Sabbatini, autor do prompt usado nos quatro testes, ressalta que a ferramenta não deve servir como prova de autoria. Ao apresentar o método, em março de 2025, o professor recomendou cautela na interpretação dos resultados: “Em hipótese nenhuma assuma que é um veredito inquestionável e objetivo”. 

Assim, as estimativas variaram de 5% a 75%, uma diferença de 70 pontos porcentuais. As análises identificaram padrões semelhantes no documento, mas divergiram sobre se eles constituem indícios de uso de inteligência artificial ou características da redação técnica adotada no relatório.

Mateus Conte - Revista Oester

Covil do Lula - Escândalo Vorcaro/Moraes deixa Brasil à beira da desobediência civil, alerta especialista

 

Christian Lobauer, professor e cientista político - Foto: Wikipedia.


O Brasil está à beira de uma crise institucional sem precedentes e até da desobediência civil, adverte o cientista político Christian Lobauer, após as reações de pouco caso das autoridades diante do relatório da Polícia Federal documentando a relação de Daniel Vorcaro com Alexandre de Moraes, com o ex-banqueiro tratando o ministro do STF como a um subalterno. Piorou muito depois da divulgação do flagrante em foto de ministros do STF às gargalhadas, entre eles o próprio Moraes.

Vexame histórico

Também mostravam as amídalas de tanto gargalhar os ministros Gilmar Mendes, Christiano Zanin e até o próprio presidente, Edson Fachin.

Ele perdeu a linha

Atônito, Davi Alcolumbre, presidente do Senado, o tribunal que julga o STF, mandou às favas os escrúpulos e a isenção: não terá impeachment.

Brincando com fogo

O País ficou sem respostas: Lula (PT) se omitiu, Hugo Motta (Rep) se escondeu, Fachin gargalhou e Alcolumbre atacou os indignados.

Ilegitimidade, a chave

“Quando as decisões deixam de ser reconhecidas como legítimas”, avisa Lobauer, “entramos no terreno perigoso da desobediência civil.”



Diário do Poder

quinta-feira, 3 de setembro de 2026

Vorcaro atribui fracasso de delação a chefe da PF

 Ex-banqueiro afirma que colaboração poderia atingir Andrei Rodrigues; PGR diz que propostas anteriores tinham conteúdo frágil



Daniel Vorcaro durante depoimento à Polícia Federal -  Foto: Reprodução/YouTube


O ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do antigo Banco Master, afirmou que as negociações para fechar uma delação premiada não avançaram porque uma eventual colaboração envolveria o diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues.

 A declaração foi dada durante depoimento ao gabinete do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), em procedimento realizado sem a participação da PF.

Segundo Vorcaro, ele e Rodrigues tiveram uma relação anterior e chegaram a viajar para eventos juntos. Na avaliação do ex-dono do Banco Master, essa proximidade teria levado delegados da PF a evitarem o avanço das negociações. Vorcaro afirmou que uma eventual colaboração poderia prejudicar pessoas que estavam “do outro lado da mesa”, mas não teria apresentado detalhes sobre a alegação.


O ex-dono do Banco Master, Daniel Vorcaro - Foto: Divulgação/Banco Maste

O ex-banqueiro também disse que não houve abertura para que fosse ouvido. Ele afirmou acreditar que existem pessoas interessadas em impedir a divulgação dos fatos que diz ter para revelar. Segundo ele, uma eventual delação envolveria ainda “pessoas de um núcleo político”.

 Vorcaro, preso desde novembro, já teve propostas de colaboração recusadas pela PF e pela Procuradoria-Geral da República (PGR). Segundo as autoridades, o ex-banqueiro omitiu informações e não apresentou conteúdo suficiente para justificar um acordo.

No depoimento ao gabinete de Mendonça, Vorcaro sinalizou disposição para uma nova tentativa de colaboração premiada, desta vez incluindo informações sobre sua relação com Rodrigues. Ele também relatou ter sofrido ameaças na prisão e afirmou que poderia citar integrantes do governo federal. A defesa de Vorcaro não quis comentar o conteúdo do depoimento, que está sob sigilo. Rodrigues também não havia se manifestado.

PGR pede arquivamento de denúncias de Vorcaro Na quarta-feira 2, a PGR pediu o arquivamento das denúncias de intimidação apresentadas por Vorcaro. Em manifestação encaminhada ao STF, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, afirmou que Vorcaro não apresentou fatos concretos nem elementos mínimos capazes de sustentar as acusações. 

Gonet também mencionou as tentativas anteriores de colaboração premiada. Segundo a PGR, a PF rejeitou uma proposta por considerar que Vorcaro não apresentou informações inéditas. O próprio Ministério Público também recusou um acordo por avaliar como frágil o conteúdo apresentado.


Rachel Dias - Revista Oeste

Ministros gargalham com Moraes e ignoram infâmia cercando Supremo

Foto no jornal O Globo expôs clima descontraído nos bastidores da 1ª sessão após novo escândalo entre ministro e Daniel Vorcaro

 

Capa do jornal O Globo estampa presidente do STF Edson Fachin e ministros rindo com Alexandre de Moraes em meio a escândalo com Banco Master. (Foto: Reprodução/Brenno Carvalho/O Globo)


Uma foto publicada no jornal O Globo, nesta quarta-feira (3), revoltou brasileiros nas redes sociais por expor gargalhadas em clima de descontração entre ministros, nos bastidores da sessão plenária do Supremo Tribunal Federal (STF). O flagrante registrado pelo repórter fotográfico Brenno Carvalho foi obtido horas após o ministro presidente da Corte, Edson Fachin, pregar “serenidade e firmeza” e prometer medidas cabíveis pela integridade da cúpula da Justiça do Brasil, contra novas suspeitas de uma relação rentável e escandalosa entre o ministro Alexandre de Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcarm, que está preso por crimes bilionários na maior fraude financeira do País.

As risadas nos bastidores da primeira sessão após o ministro André Mendonça escancarar o relatório da Polícia Federal com suspeitas sobre Moraes uniram-se simbolicamente ao silêncio sobre o caso Master e reforçaram a mensagem de que não haveria preocupação da Corte sobre a infâmia que tem cercado o Supremo no caso Master.

O ex-governador mineiro e candidato a presidente da República, Romeu Zema (Novo) traduziu da seguinte forma os sorrisos da fotografia e pediu a prisão de Moraes: “Esse é o sorriso tranquilo de quem sabe que é intocável. O Supremo RI DA NOSSA CARA enquanto a gente sustenta essa farra. Ficaram milionários às nossas custas, mas quem ri por último ri melhor, e a justiça será feita CHEGA DE INTOCÁVEIS. Moraes na cadeia!”, escreveu.

Outro candidato a presidente, Renan Santos disse em entrevista que os ministros estaria “comemorando, basicamente, que eles estão armando a marmelada” com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), que disse ontem não ter que analisar o caso e não pauta nenhum dos 109 pedidos de impeachments de ministros do STF enviados para o Congresso Nacional apreciar.


“É uma risada na cara de todo mundo. […] Porque o país acabou, o país já era. Esse país não existe, isso não é um país. Os caras tão dando risada e tão curtindo, tipo: ‘Ó, demos o nosso jeito, demos o nosso jeito’”, declarou Renan, no FlowPodcast.

A mensagem de despreocupação também foi expostas em comentários da foto postada nas redes sociais pelo senador Esperidião Amin (PP-SC), que pediu “legenda” para a imagem aos seus seguidores. “Vergonha pro país inteiro principalmente pra quem ocupa cargo de senador e deputado”, reagiu um seguidor. “Vergonha na cara. Não é pra qualquer um!”, disse outra internauta.

O Diário do Poder pediu à assessoria de imprensa do STF um posicionamento da instituição e dos ministros a respeito da imagem e da reação crítica que ela motivou.


Diário do Poder







Diário dop Podetr