sexta-feira, 30 de outubro de 2026

Advogado de ex-diretor do Master é tão ligado a Lula que até foi a seu casamento com Janja

 

Augusto de Arruda Botelho, Janja e Lula


O ex-diretor de, veja só, compliance do Banco Master Luiz Antônio Bull, indiciado esta semana pela Polícia Federal no relatório parcial que investiga o esquema de fraude bilionário contra o sistema financeiro, escolheu bem o advogado para tentar se livrar das pendengas no Supremo Tribunal Federal (STF). Trata-se de Augusto de Arruda Botelho, colado no presidente Lula (PT). O advogado foi um dos 200 seletos convidados que o petista chamou para o casamento com Janja em 2022.

Tá no topo

Entre 2 de janeiro de 2023 e 31 de janeiro de 2024, Botelho ocupou a prestigiada cadeira de secretário nacional de Justiça do governo Lula.

Amizade suprema

O advogado chegou ao posto nomeado por Flávio Dino, então ministro da Justiça, hoje ministro do Supremo Tribunal Federal.

Voa voa

Em 2025, foi no jato, de uma empresa de Vorcaro, com Dias Toffoli rumo à final da Libertadores. O ministro deu canetadas favoráveis ao Master.

Lulista assumido

No “X”, Botelho passa o tempo atacando a família Bolsonaro e divulgando artigos autorais, como o último “Por que voto em Lula”.

Diário do Poder

Washington Post critica Judiciário brasileiro e alerta para riscos à democracia

 Jornal americano questiona concentração de poderes no STF e afirma que a atuação de Moraes compromete a confiança e a segurança


O ministro do STF Alexandre de Moraes: fonte de desconfiança e insegurança jurídica, diz jornal dos EUA - Foto: Valter Campanato/Agência Brasil


O The Washington Post publicou nesta quarta-feira, 28, um editorial crítico à atuação do Judiciário brasileiro, especialmente do Supremo Tribunal Federal (STF) e do ministro Alexandre de Moraes.

O jornal alerta que a concentração de poderes e o enfraquecimento de garantias processuais ameaçam o Estado de Direito e a confiança nas instituições.


Judiciário sob suspeita 

A publicação, tradicionalmente identificada com posições de centroesquerda no cenário político americano, questiona a atuação de Moraes em investigações que envolvem adversários políticos e usuários de redes sociais. 

O texto menciona o inquérito das fake news, aberto pelo próprio STF em 2019, e decisões que determinaram buscas, prisões, bloqueios de contas e remoção de conteúdos. 

O editorial também aborda o tratamento dispensado ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e seus aliados, relacionando a atuação judicial à deterioração da confiança no sistema de Justiça. 

O jornal ressalta que investigações e acusações não representam, por si só, comprovação de culpa e defende que o devido processo legal e o direito de defesa sejam respeitados independentemente da posição política dos envolvidos.


 Reflexos na economia 

De acordo com o veículo, a segurança jurídica tem relação direta com o ambiente econômico. 

O editorial destaca que a imprevisibilidade das decisões judiciais e a concentração de autoridade podem afastar investidores, pois comprometem a confiança na estabilidade das regras e no respeito aos contratos. 

Fábio Bouéri  - Revista Oeste

quinta-feira, 29 de outubro de 2026

Defesa de Vorcaro aponta alterações em celular sob custódia da PF

Advogados cobram acesso aos dados originais da extração e afirmam que pedido está sem análise no STF há mais de oito meses 

O ex-banqueiro Daniel Vorcaro: influência direta no noticiário sobre o Banco Master, segundo PF - Foto: Divulgação/Esfera Brasil 


A defesa do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, antigo controlador do Banco Master, afirmou nesta quinta-feira, 29, que uma análise técnica preliminar identificou registros de alterações em arquivos do celular do investigado enquanto o aparelho estava sob custódia da Polícia Federal (PF). Os advogados informaram ter apresentado uma petição ao Supremo Tribunal Federal (STF) para pedir a preservação e a entrega dos dados originais da extração. 

O trabalho foi elaborado pelo perito Marcos Monteiro, da MM Forense, contratado como assistente técnico da defesa do ex-banqueiro. Segundo os advogados, Vorcaro não reconhece a veracidade de parte dos conteúdos atribuídos ao aparelho e divulgados pela imprensa.

A defesa afirma que o celular, apreendido em 17 de novembro de 2025, é a prova central da Operação Compliance Zero. Dele teriam sido extraídas conversas utilizadas na investigação, além de mensagens íntimas e diálogos com advogados que chegaram ao noticiário. Registros de atividade durante a madrugada Segundo a nota da defesa de Vorcaro, o relatório oficial da PF registra 207 eventos de tela, 33 ativações da câmera frontal pelo componente de reconhecimento facial e três conexões USB entre 23h22 do dia da apreensão e 2h25 do dia seguinte. Nesse período, o aparelho já estava sob custódia policial e em modo avião, afirma a defesa.

Os advogados destacam que o banco de dados do WhatsApp apresentou um registro de modificação à 1h48min14s, seis segundos depois de uma das conexões USB. Também teriam sido identificados registros de criação ou alteração de senhas entre 2h03 e 2h25. 

A defesa afirma que a documentação disponibilizada não identifica os responsáveis pelo manuseio, a finalidade dos procedimentos nem seus resultados. No dia 18 de novembro, conforme os números apresentados na nota, 657 arquivos foram modificados e outros 436 foram criados. 

Entre os modificados, havia 59 bancos de dados. Entre os criados, estavam 94 imagens e cinco bancos de dados.


Arquivos com datas posteriores à extração

 Outro questionamento envolve 340 arquivos com datas de modificação em 13 e 14 de maio de 2026. Segundo os advogados, a extração do conteúdo do telefone está datada de 19 de novembro de 2025.

A defesa afirma que não encontrou nos autos uma explicação técnica para a diferença de quase seis meses entre a extração e os registros de modificação.

Os advogados também apontam supostas falhas na documentação da cadeia de custódia — o conjunto de registros que permite acompanhar a coleta, a guarda, o transporte e o exame de uma prova.

Entre as lacunas citadas estão a ausência de informações sobre marca, número de série e lacres no termo de apreensão. A nota também afirma que a mesma fotografia foi utilizada para representar dois aparelhos distintos e que o rompimento dos lacres originais não foi documentado. 

Defesa de Vorcaro cobra arquivos originais Segundo os advogados de Vorcaro, o material disponibilizado consiste em um relatório derivado, no formato UFDR, sem os arquivos originais da coleta realizada com o equipamento GrayKey. 

A defesa afirma que o perito demonstrou, em um arquivo público de teste, a possibilidade de editar o conteúdo desse formato e gerar um novo relatório sem alerta de integridade. O teste descrito, contudo, não demonstra que as conversas utilizadas na investigação tenham sido adulteradas.

Os advogados cobram os dados brutos e os códigos hash, utilizados para verificar a integridade digital dos arquivos. Também pedem os registros técnicos da coleta, a versão da ferramenta empregada, o método de desbloqueio e a identificação de quem teve a posse ou manuseou o telefone. 

De acordo com a nota, o acesso a esses elementos é solicitado desde 19 de fevereiro de 2026, sem que o pedido tenha sido apreciado pelo STF. A defesa afirma que a ausência do material impede a verificação independente do conteúdo entregue. 

Os advogados também defendem a soltura de Vorcaro. Segundo eles, o investigado está preso há mais de oito meses, sem acusação formal ou perspectiva de processo. 


PF afirmou que preserva material original 

Em nota publicada em 14 de setembro, a PF afirmou que as cópias dos dados do celular entregues a gabinetes de ministros do STF correspondiam à extração realizada. A instituição também declarou que mantém o material original em suas dependências, com documentação formal da cadeia de custódia, lacres preservados e mecanismos de verificação de integridade digital. A manifestação antecede os questionamentos divulgados pela defesa nesta quinta


Matheus Santos - Revista Oeste

‘Wall Street Journal’ critica perseguição e vingança política pelo cartel lula-stf-globolixo' contra Flávio

Segundo o jornal, os vencedores devem ser benevolentes com os vencidos, "mas no Brasil eles processam os perdedores”.



Flávio Bolsonaro (PL) - Foto: redes sociais


O jornal Wall Street Journal , considerado um dos mais importantes dos Estados Unidos e um dos mais prestigiados do mundo, publicou um duro editorial sob o título To Brazil’s Victor Goes Political Revenge (“Ao vencedor do Brasil, a vingança política”), criticando o que descreve como a perseguição imediata ao adversário derrotado logo após a reeleição de Lula (PT).

O texto do WSJ se soma a outras análises recentes do jornal sobre o país, que já haviam criticado a deterioração de normas democráticas, o ativismo judicial e os riscos fiscais associados à continuidade do governo Lula. A reação dos mercados à reeleição também foi negativa, com quedas acentuadas de ações e do real, conforme relatos de veículos brasileiros sobre outro editorial do conselho.

Segundo o jornal, “os vencedores políticos deveriam ser benevolentes com os vencidos, mas no Brasil eles processam os perdedores”. O jornal relata que Lula venceu o segundo turno no domingo (25) e, em minutos, o governo ordenou que o líder da oposição, o senador Flávio Bolsonaro, entregasse o passaporte. O ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes, descrito como aliado de Lula, autorizou o pedido da Polícia Federal para apreender os documentos de viagem.

Flávio Bolsonaro, que não foi formalmente acusado de crime, deixou secretamente o Brasil na terça-feira com a esposa e as filhas menores, cruzando a fronteira terrestre com a Argentina (usando passaporte italiano, segundo relatos). Na quarta, a família chegou a Miami. Os Estados Unidos emitiram vistos, medida que o WSJ qualifica como “oferta justificável de proteção política”. Reportagens do próprio jornal detalham o uso de iscas (comboio de carros que se dividiu) e um jato particular que partiu de Puerto Iguazú, na Argentina, com escala no Equador, com auxílio de aliados de Donald Trump e do presidente argentino Javier Milei.

“Lula escolheu o homem e prometeu encontrar o crime”

O editorial destaca que Flávio tem motivos para temer um julgamento justo. Em debate de campanha, Lula teria dito que, assim que o adversário perdesse a imunidade parlamentar, enfrentaria investigações — “Lula escolheu o homem e prometeu encontrar o crime”. A competência para decidir processos criminais contra políticos federais caberia ao procurador-geral da República, mas Moraes, segundo o WSJ, tem o hábito de expandir sua jurisdição quando convém politicamente.

O texto relembra a condenação de Jair Bolsonaro (pai de Flávio) no ano passado pelo STF, por 4 a 1, por orquestrar uma tentativa de golpe. Moraes presidiu a sessão; um ex-advogado pessoal de Lula e um ex-ministro da Justiça nomeado por ele votaram pela condenação. O ministro Luiz Fux apresentou voto divergente de 452 páginas apontando violações ao devido processo legal, falta de jurisdição do STF e insuficiência de provas. Jair cumpre pena de 27 anos em prisão domiciliar. Flávio se junta a jornalistas, blogueiros e formadores de opinião que optaram pelo exílio após a anulação da condenação de Lula por corrupção em 2017 e o avanço da censura a críticos.

Nos próximos quatro anos, Lula poderá indicar até quatro novos ministros ao STF (de 11 cadeiras). O WSJ alerta que caberá ao novo Senado defender a independência do Judiciário. A conclusão do editorial é sombria: países que passam da liberdade à autocracia seguem um roteiro semelhante — um demagogo vence nas urnas, controla o Judiciário e prende inimigos. “Onde as instituições são fortes, o Estado de Direito pode sobreviver. Não está claro se o Brasil conseguirá.”

Diário do Poder

terça-feira, 27 de outubro de 2026

PT aparelhou instituições para tomar o poder, diz CEO do Instituto Millenium

Ricardo Gomes defende fortalecimento da direita no Congresso para equilibrar forças com o Executivo e o Judiciário



Lula da Silva: aparelhamento estratégico do PT para vencer eleição, segundo analista | Foto: Reprodução/Band


O CEO do Instituto Millenium, Ricardo Gomes, acusou o PT de aparelhar instituições para consolidar seu poder político. Em análise sobre o resultado eleitoral, ele afirmou que a direita precisa compreender a estratégia petista e se organizar para enfrentar o governo Lula. 

“O PT pode tudo porque o PT aparelhou tudo. E o PT aparelhou para usar”, declarou Gomes, que também criticou medidas adotadas antes da votação, como a antecipação de pagamentos do Bolsa Família. Para ele, a oposição deve concentrar esforços na reorganização política, em vez de apostar em discussões sobre a anulação da eleição.


Direita: alianças para enfrentar o PT 

Gomes defendeu uma reflexão sobre o que foi a disputa em 2026, questionando o debate interno na ala liberal e a articulação com outras forças políticas. Ele ressaltou a importância de Jair Bolsonaro para o fortalecimento da corrente conservadora no Brasil e afirmou que a direita reúne diferentes grupos que precisam atuar de forma coordenada. 

Segundo o executivo, o desempenho nas eleições parlamentares demonstra a existência de uma base expressiva para o conservadorismo, mas é necessário transformar essa força em um projeto político capaz de disputar a Presidência em 2030. 

Para Gomes, a reorganização deve começar pela atuação conjunta da direita no Congresso Nacional. Ele defendeu uma oposição estruturada, capaz de exercer suas prerrogativas constitucionais e estabelecer um contrapeso ao Executivo e ao Judiciário. 

O CEO alertou que, sem esse alinhamento, o país poderá enfrentar um agravamento do que classificou como autoritarismo do governo Lula. Para ele, a direita precisa ampliar o diálogo, construir alianças e organizar uma estratégia duradoura para representar a demanda conservadora nas próximas eleições. 


Pablo Bouéri - Revista Oeste

Ana Paula Henkel e 'O preço da desconfiança'

Uma eleição presidencial marcada por uma intervenção extraordinária do Supremo, regras alteradas durante a votação e resultados que desafiam explicações. A indignação dos brasileiros exige transparência, respostas e responsabilização


Luiz Inácio Lula da Silva-=| Foto: Reuters/Adriano Machado


O Brasil amanhece nesta segunda-feira diante de um resultado eleitoral que deixa muito mais do que vencedores e derrotados. Luiz Inácio Lula da Silva foi declarado vencedor de uma disputa marcada, em suas horas finais, por uma intervenção extraordinária do Supremo Tribunal Federal, que alterou o horário de votação quando o processo eleitoral já estava sendo encerrado em parte do país. 

A decisão do ministro Cristiano Zanin, as circunstâncias de sua execução e os números apresentados pela Justiça Eleitoral deixaram perguntas fundamentais sem resposta. O país que foi às urnas no domingo, 25 de outubro, precisa agora compreender o que aconteceu com as regras que deveriam garantir a igualdade entre todos os eleitores. 

A prorrogação da votação até as 19 horas, quando o horário legal de encerramento já havia chegado, criou uma situação inconcebível para uma eleição presidencial. Enquanto algumas seções eleitorais encerravam suas atividades às 17 horas, outras receberam a determinação de continuar funcionando. Urnas já haviam sido fechadas, boletins emitidos e procedimentos de totalização iniciados. A ordem judicial chegou quando parte do processo eleitoral já estava concluída. 

A decisão atendia a um pedido da campanha de Lula, apresentado ao Supremo diante de denúncias de dificuldades no transporte de eleitores 

A campanha de Flávio Bolsonaro também havia solicitado uma prorrogação, mas ao Tribunal Superior Eleitoral, restrita a São Paulo, Paraná e Santa Catarina, em razão de problemas climáticos. 

O Ministério Público Eleitoral manifestou-se contra a extensão nacional do horário. Ainda assim, a determinação de Zanin prevaleceu. Como algumas urnas já haviam sido encerradas, a prorrogação passou a valer apenas para aquelas que permaneciam abertas. 

Como justificar que dois cidadãos sujeitos à mesma legislação eleitoral tenham encontrado condições diferentes para exercer o voto, dependendo do momento em que sua seção recebeu uma ordem judicial? 

Uma urna encerrada não poderia simplesmente voltar a receber votos. Estamos falando de uma eleição presidencial, submetida a regras que deveriam oferecer previsibilidade, segurança jurídica e tratamento igualitário aos eleitores. 

São questões que exigem respostas jurídicas, inclusive sobre a possibilidade de responsabilização pela decisão. O simples fato de uma determinação partir de um ministro da mais alta Corte do país jamais deveria encerrá-las. 

O próprio presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, reconheceu as dificuldades provocadas pela intervenção. A Justiça Eleitoral precisou suspender temporariamente a totalização dos votos, enquanto a decisão judicial era interpretada e executada, em um dos momentos mais sensíveis de todo o processo eleitoral. E outras perguntas se impõem com a mesma gravidade da primeira:


• Quantas seções permaneceram abertas depois das 17 horas e onde estavam localizadas? 

• Quantos eleitores votaram durante a prorrogação? 

• Quantos deles já estavam na fila, conforme previsto pela legislação, e quantos puderam votar em consequência da determinação judicial? 

• Qual foi a distribuição geográfica desses votos?

• Quais registros permitem reconstruir os horários de votação e identificar as consequências da medida?


Essas informações deveriam estar disponíveis para exame público. A decisão de um ministro do Supremo, ex-advogado e amigo do atual presidente, não pode transformar perguntas dessa natureza em inconvenientes institucionais. 

Há também uma questão constitucional que exige enfrentamento. A organização e a condução das eleições são atribuições da Justiça Eleitoral. A intervenção individual de um ministro do STF, alterando uma regra nacional no próprio dia da votação, precisa ser examinada à luz dos limites de sua competência, da fundamentação apresentada e dos efeitos produzidos.


• Quem responde pelas consequências de uma decisão dessa magnitude? 

• Quais mecanismos existem para examinar eventuais abusos? 

• Que garantias possui o cidadão de que as regras eleitorais não poderão ser alteradas novamente durante uma votação?


A autoridade de uma decisão judicial jamais deveria dispensar o exame de sua legalidade. 

E, enquanto essas perguntas permanecem, os resultados divulgados para os dois turnos acrescentam outra dimensão à controvérsia. 

No primeiro turno, Flávio Bolsonaro recebeu 56.104.503 votos. Lula obteve 53.879.538. A vantagem do candidato do PL ultrapassava 2,2 milhões de votos. 

Três semanas depois, indo na contramão de absolutamente todas as pesquisas e trackings internos, o resultado foi radicalmente diferente. Lula alcançou 64.256.232 votos, enquanto Flávio chegou a 59.826.041. 

Em números absolutos, Lula conquistou aproximadamente 10,4 milhões de votos adicionais. Flávio acrescentou cerca de 3,7 milhões. O comparecimento passou de 125,3 milhões de eleitores no primeiro turno para 128,2 milhões no segundo. Um crescimento de quase 3 milhões. 

Os números dos candidatos eliminados acrescentam outro elemento a essa análise:


• Augusto Cury: 3.448.569 votos. 

• Renan Santos: 2.675.887 votos. 

• Ronaldo Caiado: 2.605.148 votos. 

• Romeu Zema: 326.488 votos. 


Juntos, esses quatro candidatos reuniram 9.056.092 votos. Três deles estavam identificados, em diferentes graus, com posições políticas à direita ou à centro-direita.


• Como explicar que Lula tenha ampliado sua votação em mais de 10 milhões de votos, enquanto Flávio, que havia liderado o primeiro turno, acrescentou menos de 4 milhões? 

• Qual foi o destino dos votos de Renan Santos, Caiado e Zema? 

• Que parcela desses eleitores efetivamente migrou para Lula e quantos escolheram Flávio? 

• Quantos deixaram de comparecer?


E como compreender o crescimento da votação petista em todas as unidades da Federação, inclusive nos Estados em que o eleitorado conservador possui presença expressiva? 

São perguntas que precisam ser respondidas com dados. 

O peso político do resultado Há ainda uma contradição política que merece atenção. 

Nas disputas para os governos estaduais, o Senado e a Câmara dos Deputados, uma parcela expressiva do eleitorado brasileiro manifestou preferência por candidatos identificados com a direita e a centro-direita. O desempenho dessas forças, inclusive diante de candidaturas do Partido dos Trabalhadores, revela uma disposição de mudança que não pode ser ignorada. Como interpretar, então, a distância entre esse movimento político e a permanência de Lula na Presidência?

A pergunta ganha outra dimensão quando observamos o Supremo Tribunal Federal. Para uma Corte que acumulou enorme protagonismo político nos últimos anos, o resultado presidencial possui consequências diretas. A continuidade de Lula no poder abre a perspectiva de novas indicações ao tribunal e de uma composição potencialmente ainda mais alinhada ao governo petista. Seria ingenuidade ignorar o peso político dessas nomeações. 

Justamente por isso, a atuação do Supremo durante o processo eleitoral precisa estar acima de qualquer suspeita de favorecimento. Quando decisões judiciais extraordinárias beneficiam circunstancialmente um dos lados de uma disputa da qual depende também o futuro da própria Corte, a exigência de imparcialidade e transparência torna-se ainda mais rigorosa. 

O Brasil possui uma experiência amarga com instituições que frequentemente parecem mais preocupadas em preservar sua autoridade do que em explicar suas decisões e respeitar a Constituição. A sucessão de controvérsias envolvendo o Supremo Tribunal Federal, a expansão de sua atuação sobre a vida política e a dificuldade de estabelecer limites claros ao exercício do poder contribuíram para um ambiente de profunda desconfiança.

Diante de tudo isso, seria razoável esperar que o cidadão não fizesse perguntas? 

O que se exige das instituições brasileiras é precisamente a disposição de respondê-las, com documentos, registros, fundamentos jurídicos e informações que possam ser examinadas independentemente.

A confiança pública não nasce da obrigação de acreditar. Ela se constrói quando o exercício do poder permanece sujeito a regras conhecidas, fiscalização e responsabilidade. E existe uma consequência ainda mais profunda quando essa confiança começa a desaparecer. 

Milhões de brasileiros participaram desta eleição acreditando que poderiam influenciar o futuro do país. Investiram tempo, energia e expectativas em um processo que consideravam decisivo. 

O que acontece quando uma parcela expressiva dessa sociedade começa a acreditar que seus esforços são inúteis? 

O risco é que a indignação, inicialmente dirigida a uma decisão ou a uma instituição, se transforme em indiferença diante do próprio país. A resignação aparece no cansaço de quem já não espera respostas e na descrença de quem considera inútil participar. 

Uma sociedade pode continuar realizando eleições, mantendo suas instituições e preservando formalmente suas liberdades enquanto perde, pouco a pouco, a disposição de defendê-las. E esse seria um preço terrível a pagar,

A indignação diante de possíveis abusos possui um significado importante. Ela demonstra que ainda existem princípios pelos quais vale a pena exigir explicações, enfrentar autoridades e assumir responsabilidades. Mas a indignação precisa sobreviver ao resultado eleitoral. Precisa transformar-se em fiscalização, organização, participação e cobrança permanente. 

É nesse ponto que precisamos distinguir expectativa de esperança. 

A expectativa está vinculada ao resultado que desejamos alcançar: uma vitória eleitoral, uma mudança de governo, a correção de uma injustiça. Ela pode desaparecer em poucas horas, diante de acontecimentos que escapam completamente ao nosso controle.

A esperança, compreendida como virtude, sustenta a disposição de agir mesmo quando as circunstâncias são adversas e os resultados permanecem incertos. Ela exige perseverança, coragem e responsabilidade. Não oferece garantias de vitória nem promete que o futuro será melhor. 

O Brasil não possui garantia alguma de que suas instituições recuperarão a confiança perdida, de que decisões controversas serão corrigidas ou de que os próximos anos oferecerão condições políticas mais favoráveis. Seria irresponsável prometer isso aos brasileiros. 

Mas a ausência de garantias não elimina a responsabilidade de continuar exigindo aquilo que é justo. As decisões tomadas neste domingo precisam ser examinadas detalhadamente. Os dados eleitorais devem permanecer disponíveis a uma ampla fiscalização. 

As perguntas sobre a prorrogação da votação exigem respostas. Eventuais irregularidades demonstradas precisam produzir as consequências previstas em lei. E os cidadãos têm o direito de cobrar tudo isso sem serem tratados como inimigos das instituições ou ameaçados de prisão. 

A expectativa de uma vitória pode terminar numa noite. A responsabilidade pelo país que deixaremos às próximas gerações permanece muito depois dela. O que mais preocupa diante do estranho resultado desta eleição ultrapassa a permanência de Lula no poder, a suposta derrota de Flávio Bolsonaro ou mesmo a indignação provocada pelos acontecimentos de domingo. 

É a possibilidade de que milhões de brasileiros, exaustos de tantas controvérsias e decepções, deixem de acreditar que ainda vale a pena participar, questionar e defender o país.

A resignação seria uma vitória muito maior para aqueles que desejam governar sem prestar contas. O Brasil já pagou um preço alto demais pelos abusos de poder. Nosso maior medo, depois deste segundo turno, deve ser de que o Brasil desista do Brasil. E nós não podemos permitir que isso aconteça.


Ana Paula Henkel - Revista Oeste

'Lula 4: como navegar com quem decidiu afundar o navio?', por Adalberto Piotto

A herança maldita de Lula se volta contra ele próprio. E é enorme em déficits e rombos do próprio governo e endividamentos de famílias e empresas. Quem vai tapar o buraco?


Foto: Montagem Revista Oeste/Gerada por IA


O Brasil foi dormir na noite deste domingo, 25 de outubro, sem futuro definido. Lula saiu vitorioso, mas Flávio Bolsonaro não reconheceu o resultado. Nem poderia. A sucessão de abuso de poder pelo governo federal na eleição, somada à manobra de Cristiano Zanin, ministro do Supremo Tribunal Federal, em prorrogar a eleição por mais duas horas, com uma canetada monocrática, é sem precedentes na vida nacional. A virada de Lula sobre Flávio não consegue ser explicada pela estatística. De uma vantagem em torno de 2 milhões de votos no 1º turno, Flávio Bolsonaro perdeu a eleição neste domingo com uma diferença de mais de 4 milhões de votos. 

Lula teve um acréscimo superior a 10 milhões de votos. Os números eleitorais poderão ter alguma explicação na redução da abstenção — apenas parcial —, em alguma virada de opinião do eleitor e muito na compra descarada de votos de Lula com a série de medidas eleitoreiras que anunciou às vésperas da eleição e dias antes do 2º turno. 

No Brasil, sem lei de Lula 3, distante da democracia, o ministro Gilmar Mendes, do STF, autorizou o governo a pagar um aumento do Bolsa Família na semana que antecedeu a votação deste domingo. Foi um atropelo da Justiça Eleitoral e da paridade de armas entre os candidatos, com desmesurado abuso de poder pelo presidente que concorria à reeleição. É a democracia que foi afrontada. De novo. Como já fora na perseguição que o bolsonarismo e a direita sofreram em 2022, quando da volta de Lula ao poder. Questões de legalidade eleitoral à parte, concentro-me aqui no futuro econômico do país sob Lula 4. Ou completa ausência de futuro.

O primeiro sinal foi dado ainda na noite de domingo. Na Bolsa de Nova York, a principal ETF ligada a ativos brasileiros, um fundo de investimento, despencou 19,63% nos primeiros momentos do anúncio da vitória de Lula. A mesma ETF havia crescido quase 2% na semana passada com a expectativa de vitória de Flávio. O comportamento dos investidores americanos é um sinal de crise à vista. Quem vai investir no país e quem vai pagar os sucessivos déficits do governo? 

No Brasil dos brasileiros que trabalham e produzem, que viveram os últimos quatro anos aprisionados por uma política velha, perdulária e que lhes amedrontava diariamente com perseguição estatal, Lula continua um peso insuportável nas costas. Algo inimaginável até poucos meses atrás. Continuará a se ter um governo jogando a favor de si e contra a livre iniciativa.


Foto: Montagem Revista Oeste/Gerada por IA


Lula 3 pode ser definido em duas palavras: herança maldita. E quando me refiro a essa expressão que o próprio Lula usou lá atrás, em 2003, para injustamente definir o legado dos oito anos do governo Fernando Henrique Cardoso, que ele sucedia, é porque o país só veio a experimentar tal herança muito tempo depois, com o desastre de Dilma Rousseff. Afastada do cargo em 2016, depois de 13 anos e meio de governos petistas, o ápice da incompetência e maldição petista sobre o país havia sido atingido. A herança maldita que Lula dizia ter herdado era mentira. A que Dilma deixou e a que ele deixará são reais. 

Os crimes de responsabilidade fiscal e a mais brutal recessão econômica de nossa história de 10 anos atrás levaram a afilhada de Lula ao impeachment constitucional, que devolveu o Brasil aos brasileiros. Fato é que a “mulher sapiens” do “estoca vento” e que não enxerga as “nuvens” de dados cibernéticos praticamente moldou este terceiro mandato de Lula. E agora, Lula 4 herda de Lula 3 uma herança de degradação nas contas públicas e um mercado reticente em investir e acreditar no país. Neste 2026, depois de voltar ao poder e governar movido a bile, ódio e perseguição política, com um time de assessores mais afeiçoados a serviçais sem voz ativa e nenhuma perícia — o padrão do PT no governo —, Lula entrega para si algo ainda pior. 

O descalabro fiscal “a la Dilma” vem acompanhado de um desarranjo institucional sem precedentes, fonte inesgotável de insegurança jurídica e descompasso com a Constituição, em que apenas ele, seu governo e seus aliados mais próximos ganharam. O Brasil, os brasileiros, todos os demais perderam. Inclusive o desavisado ou comprado eleitor de Lula nesta eleição. 

Desde 2023, o país vem acumulando déficits primários que já somam mais de R$ 335 bilhões. Déficit primário é o quanto você gasta mais do que arrecada e sinaliza que está piorando a dívida do país como um todo. O déficit nominal, quando você também soma o quanto de juros o governo paga — e paga cada vez mais porque aumenta a dívida —, só em 2025 ultrapassou a marca de R$ 1 trilhão. Não por acaso, a relação dívida/PIB que Lula herdou como herança bendita de Bolsonaro, de 72%, atingiu o número astronômico da irresponsabilidade: 83%. 

 O governo atual não vê problema nisso, Lula trata o tema com desdém. José Sérgio Gabrielli, coordenador da campanha petista, chamou a crise fiscal de “fake news” e de que seria um “mito” que a alta da relação Dívida/PIB seja um problema. Declarações estúpidas ou de má-fé. Um governo que se endivida demais e despreza os mais básicos fundamentos da economia perde a confiança do mercado, que é quem financia o déficit do governo. Dinheiro não dá em árvore. É sempre alguém que aceita pagar por algo. Mas que já não está mais aceitando.

No fim de 2024, um primeiro sinal do descarrilamento entre o governo e a boa gestão. À época, o Tesouro chegou a não vender quase nenhum dos títulos da dívida que financiariam o rombo daquele ano por desconfiança da capacidade do governo de honrar contratos. Em junho deste ano, mais uma vez. Para rolar a dívida, o governo chegou a oferecer títulos de IPCA (a inflação oficial) mais 8,5% de rendimento líquido e não encontrou compradores.

 Política e economia foram feitas para andarem juntas. Mas, quando a política ignora a matemática ou o significado das coisas, a conta não fecha. O governo insistiu no populismo e tentou vender a ideia de que dívida pública, rombo fiscal, e dificuldade em encontrar credores para a dívida pública seriam temas distantes da realidade cotidiana das pessoas. Erro de cálculo grosseiro. Economia é feita de gente. E gente respira, olha ao redor, faz contas e chega a conclusões.


Foto: Montagem Revista Oeste/Gerada por IA

Longe dos grandes números da macroeconomia, que dá a exata dimensão de terror das contas do governo, 82% das famílias brasileiras se viram endividadas. Quase 7 mil empresas recorreram à recuperação judicial ou extrajudicial porque não conseguiram lidar com o ambiente de juros altos e burocracia governamental. Da Brasília de Lula não vinha solução, vinha deboche: “se não tem picanha, come ovo”, disse o agora presidente derrotado. “O agro é fascista”, insistiu ele. São mais de 9,3 milhões de empresas negativadas com dívidas de R$ 244 bilhões. Parte disso tudo vem do agronegócio, o orgulho nacional que garante a balança comercial do país, mas é maltratado pelo presidente agora reeleito. 

A crise no setor privado é endêmica e tem origem na Brasília lulopetista que piora a situação até no que só depende dela. As estatais voltaram a dar prejuízo astronômico. Até agosto desse ano, excluindo a Petrobras e a Eletrobras, as estatais geraram um rombo de R$ 24,3 bilhões. Só os Correios, estatal do primeiro escândalo petista do Mensalão, em 2005, têm um rombo acumulado de R$ 11,7 bilhões. E aí é que está a parte ainda mais preocupante da herança amaldiçoada pela política de baixo nível do atual governo. Lula 3 está se dando um governo abarrotado de gente incompetente, acomodada em cabides de emprego na máquina pública e uma república disfuncional, altamente partidarizada e corroída por interesses de compadrio, com cortes tomadas por juízes militantes que desfizeram o básico da democracia e da lei: a igualdade entre todos os brasileiros e a previsibilidade. 

O retrocesso institucional no país é gigantesco. Basta ver a politização do Supremo Tribunal Federal e do Tribunal Superior Eleitoral, tomados por aliados de Lula e simpáticos à esquerda.

O descalabro institucional em que se transformou o país é de Lula. O custo eleitoral de quase R$ 300 bilhões das medidas eleitoreiras de Lula em campanha será do Lula, agora reeleito. Mas o custo Brasil, que piorou dramaticamente com o último governo até será a marca de Lula 4, mas terá de ser pago pelos brasileiros. Lula passará. O rombo econômico e o desmonte da república, despudorado de qualquer sentimento de ética e preservação da vida nacional, não! 

Se a oposição não for bem-sucedida em seu justo questionamento sobre como estas eleições foram burladas pelo abuso de poder e intervencionismo do Supremo; ou se o novo Congresso eleito no início de outubro, majoritariamente conservador e de direita, não conseguir limitar um Lula 4, renovado em seu governo movido a bile, a resiliência brasileira será testada como nunca.


Adalberto Piotto - Revista Oeste