sábado, 1 de agosto de 2026

Com o cinismo habitual e a certeza de impunidade em face da cumplicidade de seus comparsas instalados no STF, o ex-presidiário Lula ignora lei eleitoral e pede votos para si e Jaques Wagner

 Mesmo depois de investigação da PF, descondenado reforça apoio ao senador baiano 



Lula e Jaques Wagner durante evento do governo federal na Bahia - Foto: Divulgação/GOVBA


Luiz Inácio Lula da Silva atropelou a legislação eleitoral ao pedir votos para si próprio e para correligionários na convenção do PT em Salvador neste sábado, 1º. O presidente disparou pedidos diretos antes do período permitido pela Justiça e dirigiu apelos incomuns à militância. “Se sobrar um pouquinho de voto, vote em mim, que eu agradeço a todos vocês a lembrança”, declarou o petista durante o evento.

A lei proíbe qualquer pedido explícito de voto antes do dia 16 de agosto. As convenções servem apenas para oficializar nomes e coligações. Lula ignorou a restrição e cobrou o apoio dos eleitores baianos ao longo de toda a cerimônia. “Pelo amor de Deus, depois de falar do Jerônimo, depois de falar do Wagner, lembrem-se que tem o Lula lá em São Paulo esperando um voto de vocês”, declaroe. O petista citou suas três vitórias anteriores e exigiu uma nova recondução ao cargo. 

“Estou pedindo para vocês não se cansarem de votar”, disse. 

Me elejam pela quarta vez para a gente poder fazer esse país definitivamente dar certo”.


Defesa de aliado mirado pela Polícia Federal 

O chefe do Executivo aproveitou a viagem a Salvador para afagar o senador Jaques Wagner. O Supremo Tribunal Federal (STF) retirou o sigilo das investigações da Polícia Federal contra o parlamentar dois dias antes do encontro. A corporação aponta que o ex-líder do governo usou o cargo para atuar em favor de controladores do extinto Banco Master. Lula chamou o aliado de “querido” e cobrou sua recondução ao Congresso. 

“Eu preciso de dois votos, nesse galego e nesse companheiro aqui”, disse o petista, apontando para Wagner e para o ex-ministro Rui Costa, respectivamente. O presidente atacou os adversários políticos e declarou que a atual composição do Senado “está em um nível baixo muito grande”, mas omitiu o envolvimento do colega de partido no escândalo financeiro.



Erich Mafra - Revista Oeste

Empresa ligada a Lulinha fechou R$55 milhões em contratos com o governo Lula

Lulinha teria atuado na prospecção de negócios junto à administração pública


Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Lula. (Foto: Reprodução).


O inquérito aberto pela Polícia Federal para apurar suspeitas de tráfico de influência envolvendo o empresário Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, também lançou luz sobre contratos firmados entre a empresa 3Structure IT e o governo federal. Segundo levantamento obtido pela CNN Brasil, a companhia, para a qual a PF aponta que Lulinha teria atuado na prospecção de negócios junto à administração pública, mantém acordos que somam cerca de R$ 55 milhões com órgãos da gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

De acordo com as investigações, a 3Structure IT teria buscado oportunidades de negócios em órgãos públicos, entre eles a Dataprev. A Polícia Federal sustenta que há indícios de que Lulinha tenha atuado em favor da empresa, o que motivou a abertura do inquérito autorizada pelo ministro do STF André Mendonça. A defesa do empresário nega qualquer irregularidade e afirma que ele nunca exerceu influência para beneficiar empresas perante a administração pública.

Os contratos identificados abrangem serviços e soluções na área de tecnologia da informação. Entre os principais acordos estão um contrato de aproximadamente R$ 42 milhões com o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social e outro de cerca de R$ 19 milhões com a mesma pasta, voltado à implantação de soluções de backup. Também há contratos de menor valor com outros órgãos da administração federal.

A investigação teve origem em um chamado “encontro fortuito” durante as apurações sobre as fraudes no INSS. Ao analisar documentos e mensagens relacionados ao esquema, investigadores encontraram elementos que, na avaliação da PF, justificavam a abertura de um novo inquérito específico para apurar eventual tráfico de influência envolvendo Lulinha e empresários ligados à 3Structure IT.

Rodrigo Vilela - Diário do Poder

Viagens, vinhos e apartamento: veja ‘mimos’ que Wagner teria ganhado



 Senador Jaques Wagner (PT-BA) (Foto: assessoria)


Os documentos da Polícia Federal que embasaram a Operação Compliance Zero apontam que o senador Jaques Wagner (PT-BA) teria recebido uma série de presentes, cortesias e vantagens de empresários ligados ao Banco Master. Segundo os investigadores, os benefícios teriam sido concedidos ao longo da relação entre o parlamentar e o ex-sócio da instituição Augusto Ferreira Lima.

Entre as benesses descritas pela PF estão voos em aeronaves particulares colocadas à disposição do senador e de familiares. As investigações citam diferentes deslocamentos, incluindo uma viagem realizada em outubro de 2023 para a chamada Ilha da Paixão, imóvel que, segundo a PF, era utilizado por Augusto Lima. Em mensagens apreendidas, auxiliares encaminham o prefixo da aeronave, horários de decolagem e orientações para utilizar um avião “que ninguém conheça”, de forma a evitar a identificação do deslocamento.

A Polícia Federal também afirma que familiares de Jaques Wagner receberam ingressos para shows da cantora Taylor Swift. Em um dos episódios, foram comprados bilhetes para uma apresentação da artista em Los Angeles destinados a uma neta do senador, à mãe da jovem e a uma amiga. Em outro momento, mensagens tratam da entrega de cinco ingressos de camarote para um show da cantora no Brasil. Os investigadores estimam que os ingressos tenham representado uma vantagem superior a R$ 60 mil.

Outro benefício apontado pela investigação envolve presentes de alto valor. Mensagens encontradas no celular de Augusto Lima mostram a organização de uma lista de autoridades que receberiam lembranças de fim de ano. Ao lado do nome de Jaques Wagner, a secretária do empresário encaminha opções de vinhos importados avaliados entre R$ 2,5 mil e R$ 5,3 mil cada. Fotografias apreendidas pela PF mostram caixas de presentes identificadas com etiquetas contendo o nome “Jaques”, prontas para entrega.

Os investigadores também apontam que Wagner teria solicitado um apartamento de luxo em Salvador como vantagem indevida. O imóvel, avaliado em aproximadamente R$ 2,45 milhões, teria sido negociado por intermediários ligados aos empresários investigados. Segundo a PF, mesmo após as prisões de Daniel Vorcaro e Augusto Lima, as conversas sobre a compra continuaram, incluindo discussões sobre contrato, forma de pagamento e acabamento do imóvel, indicando, na avaliação dos investigadores, uma tentativa de concluir a operação discretamente.

Além desses itens, os documentos mencionam despesas com a logística das viagens, incluindo a disponibilização das aeronaves particulares e a estrutura necessária para os deslocamentos do senador e de seus familiares. Para a Polícia Federal, o conjunto dessas vantagens integra um suposto sistema de benefícios concedidos por empresários ligados ao Banco Master em troca de influência política.

A defesa de Jaques Wagner nega que o senador tenha recebido vantagens ilícitas ou atuado em favor dos interesses do Banco Master.

Rodrigo Vilela - Diário do Pofer

PF investiga Lulinha por tráfico de influência na estatal Dataprev

Tentaram tirar relatoria de André Mendonça, mas ele foi sorteado de novo


Lulinha em foto recente divulgada na imprensa e redes sociais espanholas.


A Polícia Federal solicitou a abertura de um segundo inquérito para apurar suspeitas de tráfico de influência envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A investigação, autorizada nesta sexta-feira (31) pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça, foca na relação de Lulinha com o empresário Cleber Ribas de Oliveira, sócio da empresa de tecnologia 3STRUCTURE IT.
Segundo a PF, há indícios de que Ribas buscou negócios na Dataprev (empresa pública de tecnologia do governo federal) e em outros órgãos. A suspeita é de que o empresário tenha bancado ao menos uma viagem de Lulinha — em dezembro de 2024, com destino a Foz do Iguaçu — em troca de apoio para obter contratos no governo.
A apuração começou a partir das investigações sobre desvios no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Ribas teria atuado junto com Antônio Camilo Antunes, o “Careca do INSS”, e com a empresária Roberta Luchsinger (amiga próxima de Lulinha) na prospecção de contratos públicos. Diálogos apreendidos mencionam “Cléber na Data”, e a PF identificou que a empresa de Ribas recebeu pagamentos de Luchsinger e firmou contratos com o governo.
Cleber Ribas, ao ser procurado, afirmou ser amigo pessoal de Lulinha, negou ter obtido negócios com a Dataprev e rejeitou qualquer irregularidade. A defesa de Lulinha classificou a investigação como “pesca probatória”, afirmou que a PF não encontrou provas contra o filho do presidente e que ele nunca intercedeu em favor de ninguém no governo federal.
A PF também pediu a abertura de um terceiro inquérito sobre outros fatos envolvendo Lulinha, ainda em fase de distribuição no STF. Nos dois primeiros pedidos, o sistema de sorteio do Supremo manteve André Mendonça como relator, apesar de os documentos da PF não terem solicitado expressamente a vinculação ao ministro — o que abriu espaço para uma eventual redistribuição livre durante o recesso, sob a presidência interina de Alexandre de Moraes.
Diário do Poder

sexta-feira, 31 de julho de 2026

Jaques Wagner conversou por 5h30 com ex-sócio do Master

Senador também é citado como intermediário para mandar recados a Lula, o chefe...


Jaques Wagner, ex-Líder do Governo Lula (PT) no Senado, com o presidente petista- Foto: redes sociais.



O relatório da Polícia Federal que fundamentou a Operação Compliance Zero revela que o senador Jaques Wagner (PT-BA) manteve 74 ligações telefônicas com o ex-sócio do Banco Master, Augusto Ferreira Lima, também investigado no caso. Os documentos, tornados públicos pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, mostram que as conversas somaram cinco horas e trinta minutos.

Segundo a PF, Wagner e Lima demonstravam “nítida preferência” por contatos telefônicos, em vez da troca de mensagens, chegando a conversar diversas vezes no mesmo dia. As ligações ocorreram entre novembro de 2023 e maio de 2025.

Na época da operação, Jaques Wagner negou ter atuado em favor do banqueiro. Até o momento, sua defesa não se manifestou sobre o conteúdo dos documentos divulgados.

Os autos também mostram que André Mendonça autorizou o monitoramento da movimentação do celular do senador após suspeitas de vazamento da investigação. O ministro registrou ainda que recebeu um pedido de audiência em seu gabinete no mesmo dia em que a operação foi protocolada.

A investigação apura suspeitas de pagamento de propina do Banco Master a Jaques Wagner. De acordo com a PF, a compra de um apartamento de R$ 2,5 milhões para o senador teria seguido o mesmo modelo utilizado na aquisição de imóveis apontados como vantagem indevida para o ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa.

Os investigadores também afirmam que o empresário Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, marcou um encontro com Wagner no Senado, colocou um avião à disposição do parlamentar em um “hangar discreto” e, em uma conversa interceptada, afirmou que o senador serviria como intermediário para transmitir um recado ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.


Diário do Poder

'A hora da verdade para Anthony Fauci', escreve Ana Paula Henkel

 A história começa a expor verdades incômodas sobre a pandemia


Anthony Fauci, ex-diretor do Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas dos EUA, em Washington, D.C. (29/07/2026) - Foto: Reuters/USA TODAY Network


E m março de 2020, quando a Revista Oeste publicou suas primeiras reportagens, o mundo entrava numa das maiores crises sanitárias da história contemporânea. Pouco se sabia sobre o comportamento do novo coronavírus, sua letalidade, as melhores formas de tratamento ou as consequências que a pandemia teria para a economia, a educação e a vida social de bilhões de pessoas. 

Diante de tantas dúvidas, seria natural que cientistas divergissem, estudos chegassem a conclusões diferentes e autoridades públicas revisassem recomendações. É assim que a ciência funciona. Hipóteses são formuladas, confrontadas, corrigidas e, muitas vezes, abandonadas. O problema começou quando a incerteza deixou de ser apresentada como parte do método científico e foi substituída por uma narrativa de infalibilidade. Questionar determinadas decisões deixou de ser tratado como parte legítima do debate público e passou a ser considerado uma ameaça à própria ciência. 

Nenhuma figura simbolizou essa transformação de maneira tão evidente quanto Anthony Fauci. Durante décadas, Fauci construiu sua carreira como diretor do Instituto Nacional de Alergias e Doenças Infecciosas dos Estados Unidos. Na pandemia, ele ultrapassou a condição de burocrata especializado para se transformar numa das figuras mais influentes do planeta. Seus pronunciamentos passaram a orientar presidentes, governadores, prefeitos, universidades, empresas, organismos internacionais e veículos de comunicação. O que começava como uma coletiva de imprensa em Washington rapidamente se transformava em políticas públicas adotadas em dezenas de países.

Fauci tornou-se uma autoridade praticamente incontestável. A imprensa contribuiu decisivamente para essa transformação. Em vez de exercer a função de questionar o poder, grande parte dos veículos preferiu apresentar Fauci como a personificação da própria ciência. Discordar dele passou a significar, para milhões de pessoas, discordar do conhecimento científico. Foi nesse ambiente que nasceu a Oeste.


Anthony Fauci em audiência do Comitê de Segurança Interna e Assuntos Governamentais do Senado dos EUA, em Washington, D.C., (29/07/2026) - Foto: Nathan Howard/Reuters

Enquanto boa parte da imprensa brasileira repetia as narrativas das grandes redações internacionais, Oeste insistia em fazer perguntas que deveriam ter sido feitas desde o primeiro dia. O vírus poderia ter escapado de um laboratório? Os lockdowns realmente apresentavam os benefícios anunciados? O fechamento prolongado das escolas produziria consequências irreversíveis para uma geração inteira? Havia conflitos de interesse na condução das pesquisas? Era correto censurar médicos cientistas e jornalistas simplesmente por apresentarem interpretações diferentes das autoridades sanitárias?

Levantar essas questões bastava para que qualquer pessoa fosse rotulada como negacionista, conspiracionista ou inimiga da ciência. Seis anos depois, a história começa a oferecer respostas incômodas. E a Oeste, mais uma vez, demonstra que sua maior premissa nunca foi defender uma narrativa, mas perseguir a verdade. 

Foi essa convicção que nos levou a fazer perguntas quando quase ninguém mais aceitava fazê-las, a desconfiar do poder quando a maioria preferia reverenciá-lo e a lembrar que nenhum cientista e nenhuma autoridade está acima do escrutínio jornalístico. A verdade não pertence a governos, especialistas ou veículos de comunicação, e sim aos fatos. E é aos fatos que o jornalismo deve lealdade. 

No último fim de semana, o senador americano Rand Paul tornou públicas mais de mil páginas do diário pessoal de Anthony Fauci, escritas entre dezembro de 2019 e dezembro de 2022. Os documentos passaram a integrar oficialmente a investigação conduzida pelo Senado americano e foram divulgados poucos dias antes de Fauci prestar depoimento diante da Comissão de Segurança Interna. 

O que deveria ter ocupado manchetes em praticamente todos os jornais do mundo recebeu, no Brasil, um silêncio quase absoluto. E esse silêncio talvez seja tão revelador quanto o conteúdo dos documentos.

Poucos dias antes de deixar a Casa Branca, Joe Biden concedeu a Anthony Fauci um perdão presidencial preventivo. A medida chamou atenção justamente por seu caráter incomum. Perdões costumam ser concedidos depois de condenações ou, ao menos, quando há acusações formais. No caso de Fauci, tratava-se de uma proteção antecipada para eventuais crimes federais que viessem a ser investigados. Uma pergunta passou a ser feita por milhões de americanos: se não havia nada a temer, por que a necessidade de uma proteção tão ampla antes mesmo da conclusão das investigações?

As anotações de Fauci mostram que, ainda em janeiro de 2020, ele registrava que o mercado de Wuhan não parecia ser a origem da pandemia, mas apenas um local que amplificava a transmissão do vírus. Também documentam discussões internas sobre a possibilidade de uma origem laboratorial da covid-19 — questionamento absolutamente proibido durante e logo depois da pandemia. 

Durante anos, essa hipótese foi considerada uma teoria conspiratória incompatível com a ciência. Redes sociais removeram conteúdos e derrubaram perfis, jornalistas foram silenciados, pesquisadores foram desacreditados e milhões de pessoas aprenderam que determinadas perguntas simplesmente não poderiam ser feitas. Hoje sabemos que essas perguntas estavam sendo feitas, desde o início, dentro do próprio círculo de Anthony Fauci.


Cópia do documento em que se registrou o perdão concedido pelo presidente Joe Biden a Anthony Fauci (29/07/2026) - Foto: Nathan Howard/Reuters

Registra entrevistas concedidas, capas de revistas, participações na televisão, elogios e homenagens, encontros com personalidades e a repercussão de suas aparições públicas na pandemia. Chama atenção o encantamento com a própria projeção pública num período em que milhões de pessoas enfrentavam as consequências das decisões controversas tomadas pelas autoridades. 

Enquanto pequenos empresários fechavam definitivamente as portas de seus negócios, crianças permaneciam meses longe das salas de aula, idosos morriam isolados sem a presença da família e trabalhadores eram obrigados a escolher entre seus empregos e procedimentos médicos impostos por empregadores, Fauci era apresentado pela imprensa como uma celebridade. 

A histórica audiência no Senado Americano Dias depois da divulgação dos diários, veio outro episódio simbólico e igualmente ignorado pela imprensa no Brasil. Convocado para prestar depoimento ao Senado americano, Fauci apresentou uma breve declaração inicial. Em seguida, invocou a Quinta Emenda da Constituição dos Estados Unidos 111 vezes. A Quinta Emenda garante o direito de não produzir provas contra si mesmo. Fauci passou anos afirmando que não tinha nada a esconder e cooperaria com qualquer investigação.

Quando finalmente teve a oportunidade de responder às perguntas dos representantes eleitos da população, recusou-se a responder absolutamente a todas elas.

O senador Josh Hawley chegou a perguntar a Fauci qual era a cor de sua gravata e qual era a cor do carpete à sua frente. A resposta foi a mesma em todas as outras perguntas: “Com base na orientação de meus advogados, respeitosamente me recuso a responder com fundamento nos direitos garantidos pela Quinta Emenda da Constituição.” 

Outros senadores questionaram Fauci sobre as mudanças de orientação em relação às máscaras, sua influência na adoção dos lockdowns, possíveis conflitos de interesse envolvendo pesquisas financiadas com recursos federais, prêmios em dinheiro recebidos durante a pandemia e sua participação nas discussões relacionadas ao famoso artigo The Proximal Origin of SARS-CoV-2, utilizado durante anos como uma das principais referências para desacreditar a hipótese da origem laboratorial. Nenhuma dessas perguntas recebeu resposta. 

O senador Ron Johnson questionou Fauci sobre a avaliação da eficácia de medicamentos como a ivermectina e a hidroxicloroquina, e apresentou centenas de páginas de estudos clínicos para sustentar que evidências relevantes haviam sido ignoradas, descartadas e até reprimidas ao longo da pandemia. Johnson também levantou questionamentos sobre a forma como essas pesquisas foram analisadas e comunicadas ao público pelas autoridades de saúde, como se fossem uma afronta às recomendações de Fauci e uma ameaça à saúde. O médico também se recusou a responder a essas perguntas.

O episódio torna ainda mais difícil sustentar a imagem construída durante anos por parte da imprensa internacional. Afinal, Anthony Fauci nunca foi apenas um cientista oferecendo opiniões técnicas. Ele ocupava um cargo público, administrava bilhões de dólares em recursos federais, influenciava decisões políticas de enorme impacto econômico e social e exercia uma autoridade sem precedentes sobre o debate público.

O papel da verdadeira imprensa A pandemia expôs como uma parcela significativa da imprensa abandonou uma de suas funções mais importantes: desconfiar do poder. Em vez de investigar, muitos veículos passaram a proteger determinadas autoridades. 

Em vez de estimular o debate, ajudaram a reduzir o espaço para discordâncias. Em vez de reconhecer que a ciência avança justamente pela contestação permanente de hipóteses, apresentaram interpretações provisórias como verdades definitivas e ajudaram a silenciar dissidentes políticos do sistema.

É justamente por isso que causa espanto o silêncio de boa parte da imprensa brasileira diante dos acontecimentos das últimas semanas, que deveriam ocupar espaço privilegiado em qualquer cobertura jornalística minimamente comprometida com o interesse público. Ignorar esses fatos não protege a ciência, a democracia e muito menos o jornalismo. 

O papel de Anthony Fauci na pandemia continuará sendo debatido durante décadas. Mas talvez seu maior legado não esteja nas decisões que tomou ou deixou de tomar, e sim na maneira como sua trajetória revelou a facilidade com que sociedades livres podem transformar servidores públicos em autoridades imunes ao questionamento e como parte da imprensa pode abandonar sua vocação de fiscalizar o poder para se tornar sua principal defensora. 


A Revista Oeste nasceu justamente quando essa transformação começava. 

Seis anos depois, muitos dos questionamentos que lhe renderam ataques, censura e acusações infundadas deixaram de ser tratados como heresia. Voltaram a ser o que sempre foram: perguntas legítimas. Jornalismo puro. 

A verdade pode demorar. Pode ser ridicularizada, censurada ou simplesmente ignorada por algum tempo. Pode até parecer derrotada diante da força de narrativas cuidadosamente construídas e amplificadas por governos, instituições e parte da imprensa. Mas ela possui uma característica que nenhuma narrativa consegue eliminar para sempre cedo ou tarde, volta a exigir que todos prestem contas. Quando esse momento finalmente chega, não importa quantas manchetes tenham sido escritas, quantas reputações tenham sido protegidas ou atacadas, ou quantas perguntas tenham sido silenciadas. 

Os fatos permanecem. E é deles — sempre deles — que a história acaba se encarregando de fazer o julgamento final.


Ana Paula Henkel - Revista Oeste

'Plantação de vigarices', por Augusto Nunes e Eliziário Goulart Rocha

 A “colheta” só existe na cabeça baldia de Lula


Presidente Lula | Foto: Reuters/Anadolu 


E m 23 de janeiro de 2024, o presidente Lula estava grávido de entusiasmo com o desempenho do governo no ano anterior. “Digo que o ano de 2023 foi um ano que a gente arô a terra, jogô adubo, que a gente jogô a semente, que a gente cobriu a semente”, animou-se o exterminador de esses e erres já no começo da entrevista a um jornalista estatizado. “Esse ano de 2024 é o ano que a gente qué colhê. É o ano da colheta daquilo que a gente plantou em 2023, e eu tô na expectativa de colhê mais desenvolvimento, de colhê mais emprego, de colhê melhor saúde, de, sabe, mais educação, de colhê mais investimento em cultura, mais investimento em tudo que pode significar melhoria do povo brasileiro”. 

Conversa fiada. Como ocorreu nos dois primeiros mandatos, o presidente orientou-se por uma curta frase: “Gasto é vida”. Dita por candidatos a herdeiro de fortunas familiares, tal maluquice identifica outro perdulário patológico implorando por interdição judicial. 

“Insanidade”, disse Albert Einstein, “é fazer sempre a mesma coisa e esperar resultados diferentes”. Em 2023, Lula foi mais Lula do que nunca. Aumentou para 38 o número de ministérios ou órgãos com status ministerial. (Eram 23 no governo de Jair Bolsonaro). Como sempre, convocou para comandá-los mediocridades notórias, doutores em vigarice ou nulidades ainda imersas no anonimato. Anielle Franco, por exemplo, virou ministra da Igualdade Racial por ser irmã de Marielle. Sílvio Almeida foi encarregado de cuidar dos Direitos Humanos e da Cidadania por ser negro. Os dois conseguiram espaço no noticiário só quando Anielle revelou que Sílvio não parava de assediá-la — nem mesmo em reuniões do ministério.

No primeiro ano do Lula 3, a política externa voltou a escolher invariavelmente o lado errado. O presidente culpou a Ucrânia por ter reagido à invasão ordenada pelo parceiro russo Vladimir Putin. “Quando um não quer, dois não brigam”, filosofou. Qualificou de “ato terrorista” o revide de Israel ao ataque do Hamas. E depositou no colo de Roberto Campos Neto, presidente do Banco Central, todos os males da economia — passados, presentes e futuros. “Ele tem compromisso com o outro governo, que o indicou”, decidiu o palanque ambulante. “E tem compromisso com aqueles que gostam de juro alto”. 

Quando 2023 terminou, a dívida pública alcançara R$ 230,5 bilhões, a segunda maior da história. Instigado pela terceira mulher, a “Janja”, Lula visitou 24 países, voou o suficiente para completar seis voltas ao redor do mundo e ficou fora do Brasil 62 dias. Colher o quê? Só em dezembro de 2024 o milagreiro de botequim avisou que a safra incomparável seria colhida em 2025. “Nós ainda temos muita coisa pra fazê, mas nós já fizemo tudo que nós tínhamo que fazê pra consertá o que a gente recebeu e pra plantá o que a gente tem que entregá”, alegou o palanque ambulante. “Mas a partir de 1º de janeiro do ano que vem a gente só tem de fazer colheta daquilo que foi plantado. Agora 2025 é ano da colheta. E as coisas vão acontecê nesse país”. 

Em 30 de janeiro, reincidiu na fantasia: “Eu digo pra todo mundo que este ano é o ano mais importante do governo, porque é o ano em que a gente começa a grande colheta de tudo que foi plantado em 2023 e 2024”. Nada aconteceu, e o vendedor de terrenos na Lua adiou a inauguração do paraíso de araque para 2026, último ano do terceiro mandato. “Mas tudo tá plantado”, insistiu o mago das “colhetas” que ignora a diferença entre um machado e um avestruz.

“Eu disse o seguinte: que 2026 era o ano da colheta”, mentiu de novo.

“Nós reconstruímo, preparamo a terra e plantamo. Agora o que que eu tenho dito? Pra que que eu quero um quarto mandato? Pra que que eu preciso dum quarto mandato? Eu tenho na cabeça de que é importante que a gente dê um salto de qualidade, porque a gente discute muitos efeitos e não discute causa. Eu acho que tá na hora da gente debatê as causa dos problemas brasileiro pra gente poder mudá”. A tapeação seguiu seu curso em 20 de janeiro de 2026, quando o discurso sobre o nada se transformou em palavrório eleitoreiro.

“Passamos o ano inteiro de 2025 recuperando este país, plantando as coisas, cuidando da terra, colocando fertilizante e agora nós vamo começá a colheta. E aí é que eu quero o apoio de vocês. Primeiro: nós precisamo transformá o ano de 2026 no ano da comparação. Vamo pegá a data que foi feito o impeachment da Dilma em 2016. Vamo pegá o governo Temer e o governo Bolsonaro, e vamo fazê uma comparação: o que nós fizemo em três anos com o que eles fizeram em sete anos”.


"Eu disse o seguinte: que 2026 era o ano da colheta”, mentiu de novo | Foto: Ricardo Stuckert/PR

A comparação é uma genuína ideia de jerico. Nos governos mencionados, por exemplo, a política econômica foi tratada com eficácia e em nenhum momento precisou de internação na UTI. No terceiro mandato de Lula, a inexistência de um programa de governo e de um projeto de país somouse à gastança irresponsável e, em decorrência disso, à tributação feroz. De volta ao Planalto, o chefão do PT criou ou aumentou um total de 37 impostos. 

Hostil ao agronegócio, que considera “fascista”, Lula criou um Ministério de Desenvolvimento Agrário controlado pelo MST. Problemas enfrentados por empresários que alimentam o mundo e vivem socorrendo governos perdulários foram agravados por um Plano Safra mambembe. Lula gosta de entregar a gestão da economia a quem nunca lidou com números. No primeiro mandato, o ministro da Fazenda foi o médico Antonio Palocci. Desta vez, escolheu o advogado Fernando Haddad.

Ex-ministro da Educação, Haddad figura entre os alvos de uma frase famosa do dono do PT: “As pessoas que são analfabetas não são analfabetas por sua responsabilidade. As pessoas que são analfabetas ficaram analfabetas porque este país nunca teve um governo que se preocupasse com a educação”, disse Lula.

Até ser dispensado do cargo para sofrer mais uma derrota na disputa pelo governo de São Paulo, Haddad protagonizou duas proezas perturbadoras. A primeira foi a criação de um certo “arcabouço fiscal” que 99,9% dos brasileiros não sabem o que é. Segunda: foi ele a primeira autoridade brasileira a brilhar com os codinomes “Taxad” e “Taxa Humana” no famoso telão da Times Square, em Nova York. A carga tributária subiu consideravelmente. Mas a dívida líquida do governo federal foi de R$ 4,8 trilhões para R$ 7,9 trilhões.



Presidente Lula e Fernando Haddad, durante convenção da Federação Brasil da Esperança, em  Campinas (SP) -\ Foto: Ricardo Stucker


A dívida bruta brasileira vai passar dos R$ 11 trilhões e a recessão vem aí: isso acontece a todo governo que gasta mais do que arrecada. Não há sinais de qualquer obra física em execução. Nada de relevante foi inaugurado. Nada mudou no sistema de saúde. Nenhum investimento importante ocorreu no Brasil. Todos os países desenvolvidos investem em Inteligência Artificial. Aqui, a IA está na mira do ministro Alexandre de Moraes por ter-se metido na campanha de Flávio Bolsonaro. O carcereiro-chefe do Supremo Tribunal Federal pode tentar prendê-la a qualquer momento (e obrigá-la a usar tornozeleira eletrônica). O Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação não sabe direito o que é isso. Como alertou Matt Velloso, engenheiro brasileiro na vanguarda mundial da Inteligência Artificial, o país pode retroceder ao ano 1500 


O que continua crescendo é a ladroagem engravatada. 

Como ocorre desde 2003, quando o PT chegou ao governo federal, o terceiro mandato de Lula manteve a média de um grande escândalo por ano. Só em 2025, duas roubalheiras colossais disputaram a medalha de ouro: o assalto aos aposentados do INSS e o Caso Master. Na primeira, agiram um filho e um irmão de Lula. A segunda já é o maior escândalo financeiro da história do Brasil. Nasceu na Bahia, está no colo do PT e vem provocando estragos sem precedentes no STF. Pelo menos dois togados — Alexandre de Moraes e Dias Toffoli — viraram casos de polícia. Esses já colheram em espécie o resultado das plantações que continuam em preparo na cabeça de Lula.



Alexandre de Moraes e Dias Toffoli, ministros do STF envolvidos no caso do Banco Master - Foto: Rosinei Coutinho/STF 


Logo o eterno candidato à Presidência estará jurando que precisou de quatro anos para preparar uma colheita de dimensões tão espetaculares que outros quatro anos serão necessários para ser desfrutada e consumida. Os devotos da seita lulista, claro, lutam para manter no cargo o recordista mundial de bravata & bazófia. Mas segue em expansão o oceano de eleitores convencidos de que nem mesmo um país que resistiu a cinco anos e meio de Dilma Rousseff conseguirá sobreviver a um quarto mandato do único presidente da República que não sabe escrever, jamais leu um livro e ainda assim capricha na pose de conselheiro de Deus.


Augusto Nunes e Eliziário Goulart Rocha 

Colaboraram Artur Piva e Mateus Conte

Revista Oeste