quinta-feira, 16 de abril de 2026

64,9% dos paulistas aprovam o governo Tarcísio

Distribuição das avaliações mostra predominância de percepção positiva da gestão


Governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas. (Foto: Flickr/GSP)

Levantamento do Instituto Paraná Pesquisas, divulgado nesta quinta-feira (16), mostra que a gestão do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), é aprovada por 64,9% dos paulistas.

Outros 31,4%, disseram desaprovar; não souberam ou não opinaram: 3,6%.

Ainda conforme o levantamento, 32,2% classificaram com “boa” a gestão do governador; classicaram com “ótima”: 15,1%.

Em contrapartida, 14,8% dos entrevistados classificaram o governo como “péssimo”.

Avaliam como “ruim”, 7,8%; não souberam ou não opinaram: 1,7%. Veja os dados na íntegra:


O levantamento ouviu 1.600 eleitores, entre os dias 11 e 14 de abril, por meio de entrevista presencial. A margem de erro é de 2,5 pontos percentuais para mais ou para menos. A pesquisa está registrada no TSE sob o número SP-00378/2026.


Mael Vale - Diário do Poder

O Grupo Bastiat: Como uma pequena sala de estar na Nova York dos anos 50 contribui para desencadear o renascimento moderno da Escola Austríaca, por Justin M. Ptak

 

No início da década de 1950, um notável grupo de jovens intelectuais formou aquilo que mais tarde ficou conhecido como o grupo Bastiat — um grupo de conversas informal, mas intelectualmente intenso, de pensadores favoráveis ao livre mercado, centrado nas ideias do liberalismo clássico e da economia austríaca. Nomeado em homenagem ao economista e filósofo liberal francês do século XIX Frédéric Bastiat, o grupo era mais do que um simples clube casual: tornou-se um dos importantes berços do moderno libertarianismo americano e do renascimento da Escola Austríaca.

As origens: de colegas do ensino médio ao seminário de Mises

A história começa na cidade de Nova York, onde dois adolescentes — Ralph Raico e George Reisman — criaram laços a partir de um interesse comum por economia e liberdade ainda durante o ensino médio. Por meio da Foundation for Economic Education, eles conseguiram organizar um encontro com o grande economista austríaco Ludwig von Mises, que ministrava um seminário de pós-graduação na New York University. Impressionado com a curiosidade dos jovens, Mises os convidou a assistir ao seu seminário sobre teoria dos preços e ação humana — uma oportunidade rara para estudantes do ensino médio.

Foi ali que Raico e Reisman conheceram Murray N. Rothbard, então um estudante de pós-graduação concluindo seu doutorado. A combinação, em Rothbard, de um intelecto vigoroso, conhecimento enciclopédico e entusiasmo incansável pela liberdade causou profunda impressão neles. Um pequeno núcleo de estudantes com ideias semelhantes formou-se naturalmente em torno de Rothbard, Raico, Reisman e outros, como Leonard Liggio, Ronald Hamowy e Robert Hessen, adotando em seguida o nome “grupo Bastiat”.

Além do seminário: a sala de estar de Rothbard em Manhattan

O grupo Bastiat não se limitava ao estudo em sala de aula. Após as sessões formais do seminário de Mises, os membros continuavam suas discussões noite adentro — debatendo economia, filosofia, estratégia política e história — frequentemente no apartamento de Rothbard em Manhattan. Esses encontros combinavam amizade e efervescência intelectual: eram animados, amplos em escopo e profundamente comprometidos com a compreensão da lógica da liberdade.

A dinâmica do grupo refletia o espírito do próprio Bastiat: espirituoso, retoricamente afiado e sem receio de desafiar as ortodoxias predominantes. Assim como Mises, eles eram profundamente céticos em relação ao poder do estado e buscavam fundamentar suas ideias em princípios básicos de propriedade, troca voluntária e direitos individuais.

Principais personalidades e correntes intelectuais

Ralph Raico tornou-se um dos mais importantes historiadores do liberalismo clássico, lecionando posteriormente no Buffalo State College e produzindo trabalhos influentes sobre o pensamento liberal europeu. Sua obra enfatizou as raízes intelectuais da liberdade e ajudou a situar a Escola Austríaca dentro de uma tradição liberal mais ampla. Ele também traduziu obras importantes, como Liberalismo, de Mises, para o inglês, tornando-as amplamente acessíveis.

George Reisman — que se tornaria professor de economia na Pepperdine University — combinou contribuições da Escola Austríaca com a economia política clássica em suas obras posteriores The Government Against the Economy e Capitalism: A Treatise on Economics. Sua produção acadêmica buscou oferecer uma defesa rigorosa e integrada do capitalismo laissez-faire, fundamentada tanto na tradição austríaca quanto na tradição clássica.

Leonard Liggio foi o grande articulador de conexões do movimento e um construtor de pontes intelectuais. Menos interessado em desenvolver um único sistema do que em cultivar ideias e pessoas, possuía uma memória quase fotográfica para textos e conceitos e ajudou a manter vivos autores e argumentos liberais que haviam sido negligenciados. A influência de Liggio frequentemente era discreta, mas abrangente — ele conectava gerações, instituições e disciplinas. Sem Liggio, o grupo Bastiat poderia ter permanecido um fenômeno brilhante, porém isolado.

Ronald Hamowy trouxe ao grupo Bastiat um forte rigor filosófico e jurídico. Formado em história e pensamento político, especializou-se na crítica à autoridade coercitiva — particularmente às pretensões morais e jurídicas do estado. O trabalho de Hamowy analisou criticamente a mitologia da legitimidade governamental, mostrando como o poder se reveste de linguagem jurídica e democrática. Seus estudos posteriores sobre licenciamento médico e regulação profissional estenderam a crítica do grupo para uma análise institucional concreta, demonstrando como a liberdade é corroída não apenas por grandes ideologias, mas também pelo controle burocrático cotidiano.

Robert Hessen completou a arquitetura intelectual do grupo. Enquanto outros desmontavam os argumentos morais e econômicos em favor do estado, Hessen atacou uma de suas armas retóricas mais eficazes: a alegação de que o capitalismo moderno — especialmente a corporação — seria inerentemente artificial, privilegiado ou suspeito. Por meio de uma análise jurídica e histórica minuciosa, Hessen demonstrou que as corporações não eram criações do estado, mas arranjos contratuais que surgiram para facilitar a produção em larga escala e o compartilhamento de riscos. Ao desfazer os equívocos em torno da sociedade de responsabilidade limitada e da forma corporativa, Hessen preencheu uma lacuna crucial na defesa do capitalismo tal como ele realmente existe, e não como seus críticos o caricaturam.

Murray Rothbard foi, em muitos aspectos, o ponto de apoio intelectual do grupo. Ele integrou a economia austríaca a uma base radical de direitos naturais, defendendo, por fim, o anarcocapitalismo — uma visão de uma sociedade sem estado fundamentada nos direitos de propriedade e na ordem voluntária. As obras e a personalidade de Rothbard exerceram um efeito magnético sobre jovens libertários e posteriormente moldaram grande parte da direção do movimento.

Do grupo de conversas ao movimento

Embora o grupo Bastiat tenha tido vida curta como grupo organizado (seu núcleo se dispersou à medida que seus membros ingressaram na pós-graduação e seguiram suas carreiras profissionais), seu impacto sobreviveu à sua existência formal. O intenso engajamento intelectual daquelas noites no apartamento de Rothbard ajudou a desenvolver uma linguagem comum, um conjunto de princípios fundamentais e uma rede de futuros acadêmicos e ativistas que mais tarde passariam a integrar importantes instituições libertárias, periódicos e debates intelectuais.Os membros passaram a lançar periódicos como The New Individualist Review, na Universidade de Chicago, que reuniu ensaios de estudiosos como Ludwig von Mises, F. A. Hayek, Milton Friedman e outros inseridos na tradição do liberalismo clássico — dando continuidade ao trabalho de pesquisa rigorosa que o grupo valorizava.

Legado intelectual

A importância do grupo Bastiat não é apenas biográfica, mas também intelectual. Ele representa um momento decisivo na transmissão das ideias da Escola Austríaca a partir de fontes europeias e americanas mais antigas para uma nova geração de pensadores que as levaria a um espaço mais amplo no debate acadêmico e político. Por meio da orientação pessoal de Mises, das intensas discussões entre pares com Rothbard e do trabalho acadêmico de Raico, Reisman e outros, a Escola Austríaca recuperou relevância na América do pós-guerra e ajudou a estabelecer as bases do movimento libertário moderno.

Nas décadas seguintes, os efeitos desses seminários e debates noturnos puderam ser observados na vitalidade de programas de economia austríaca, think tanks libertários e uma ampla variedade de publicações que mantêm vivos os ideais de livre mercado, liberdade individual e governo limitado.



Justin M. Ptak - Mises Brasil

PF aponta 'fábrica' de documentos fraudulentos no Master

 Investigação indica produção em série de papéis para simular legalidade de ativos


hada da sede do Banco Master na Rua Elvira Ferraz, no bairro paulistano do Itaim Bibi - Foto: Rovena Rosa/Agência Brasi


A Polícia Federal (PF) identificou um padrão em documentos usados em operações do Banco Master. Segundo a análise de materiais apreendidos, os papéis eram produzidos em série. O objetivo seria dar aparência de legalidade a ativos sem lastro. Os investigadores analisaram contratos, extratos, planilhas e procurações. 

A perícia constatou que as peças possuem estrutura semelhante e repetem modelos em diferentes operações, o que aponta a existência de uma “fábrica” de documentos falsos na instituição.

O relatório aponta o uso de datas retroativas e ajustes manuais em extratos. Para a corporação, os contratos padronizados comprometem a autenticidade das informações. A investigação também detectou procurações atípicas assinadas por representantes ligados à própria estrutura investigada.


O Banco Central já havia identificado problemas em Cédulas de Crédito Bancário (CCBs) do Master.

As informações integram a Operação Compliance Zero. A ação apura negócios entre o Master e o Banco Regional de Brasília (BRB). A polícia investiga crimes de lavagem de dinheiro, corrupção e organização criminosa.

Nesta fase, os agentes prenderam o ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa. Também houve a prisão do advogado Daniel Monteiro, citado o responsável por estruturar operações financeiras do esquema

Letícia Alves - Revista Oeste

Quadrilha Lula-Vorcaro!!! - PF aponta propina para Paulo Henrique Costa de mais de R$146 milhões em imóveis de luxo

 Costa foi preso por suspeita de receber seis imóveis como propina do Banco Master



Paulo Henrique Costa - Foto: Lucio Bernardo Jr.


Fortes indícios de pagamentos de propina de mais de R$ 146 milhões do Banco Master foi o que levou o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, a determinar a prisão do ex-presidente do Banco Regional de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa, na 4ª fase da Operação Compliance Zero, deflagrada nesta quinta-feira (16), pela Polícia Federal.

Os investigadores da PF apresentaram a Mendonça indícios de prova de que o ex-CEO do BRB teria sido favorecido com a transferência de seis imóveis de luxo, em suposto ato de corrupção por parte do banqueiro do Banco Master, Daniel Vorcaro, também preso no maior escândalo de crimes financeiros da história do Brasil.

Segundo dados da decisão, dois imóveis em Brasília e quatro apartamentos em São Paulo fariam parte da propina para Paulo Henrique Costa favorecer a tentativa de compra do BRB pelo Banco Master, frustrada pelo Banco Central em setembro de 2025. Cada apartamento de luxo em São Paulo tem avaliação média de cerca de R$ 30 milhões.

A colunista Malu Gaspar, do jornal O Globo, detalhou que um dos apartamentos fica Outro está no prédio considerado mais caro do Brasil, o Heritage, no bairro do Itaim. No condomínio de luxo, as unidades têm de  570 a 1000 m², à venda até R$ 42 milhões.

As transações com os imóveis e a relação com os negócios do BRB com o Master são citadas em diálogos extraídos pela PF de um celular de Daniel Vorcaro, no dia em que foi preso, quando o banqueiro do Master tentou agilizar a venda do apartamento.

‘Sem crime’

O advogado de Paulo Henrique Costa, Cleber Lopes, afirmou que o ex-presidente do BRB não cometeu crime algum e considerou a prisão “absolutamente desnecessária”. Mas evitou fazer outras considerações sobre a decisão do ministro André Mendonça, em respeito ao magistrado.

“A defesa não vai fazer outras considerações acerca da decisão tomada, até que possa examiná-la com mais calma e possa tomar uma providência nos próprios autos. Eu continuo convecido, o Paulo Henrique Costa continua convencido, e vamos examinar. A defesa continua firme na convicção de que o Paulo Henrique Costa não cometeu crime algum”, disse o defensor do ex-CEO do BRB.

Davi Soares - Diário do Poder

quarta-feira, 15 de abril de 2026

FMI afirma que dívida pública do Brasil pode atingir 100% do PIB já em 2027

Em comparação com as previsões de outubro do ano passado, as perspectivas atuais para as contas públicas brasileiras mostram deterioração


FMI alerta que dívida pública do Brasil pode atingir 100% do PIB já em 2027

Novas estimativas do Fundo Monetário Internacional (FMI) revelam que o Brasil poderá atingir uma dívida pública equivalente a 100% do Produto Interno Bruto (PIB) já em 2027, quando se inicia o próximo mandato presidencial. O relatório Monitor Fiscal, divulgado nesta quarta-feira, 15, durante os encontros de primavera em Washington, traz esse alerta para o cenário econômico nacional.

Em comparação com as previsões divulgadas pelo FMI em outubro do ano passado, as perspectivas atuais para as contas públicas brasileiras mostram deterioração. Na ocasião, o órgão previa que a dívida só alcançaria 98,1% do PIB em 2030. 

Agora, o relatório revela que o índice deverá chegar a 105,5% no início da década de 2030. Impacto das políticas recentes na trajetória da dívida O levantamento do FMI projeta que, sem mudanças na política fiscal, o país pode ver sua dívida pública atingir 106,5% do PIB até 2031. O organismo ressalta que, na administração do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), a trajetória da dívida deve piorar em 12,6 pontos porcentuais. Já no governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), houve uma leve redução inferior a 1%.

O cálculo do FMI para a dívida bruta como proporção do PIB inclui títulos do Tesouro em posse do Banco Central, critério diferente do adotado pelo governo brasileiro. Essa abordagem busca promover maior comparabilidade internacional do indicador, que é acompanhado de perto por agências de risco e investidores. 

O FMI demonstra menor confiança na possibilidade de o país alcançar equilíbrio fiscal em curto prazo, descartando superávit nas Revista Oeste Gilmar Mendes confronta relator da CPI do Crime: 'Esqueceu dos Assista no 15/04/2026, 18:25 FMI alerta que dívida pública do Brasil pode atingir 100% do PIB já em 2027 https://revistaoeste.com/economia/fmi-alerta-que-divida-publica-do-brasil-pode-atingir-100-do-pib-ja-em-2027/ 3/11 contas durante o atual governo. A previsão é de déficit primário de 0,5% do PIB em 2026, acima dos 0,4% registrados em 2025. A meta oficial do governo é zerar o déficit, com tolerância de 0,25% para mais ou para menos.

Segundo o relatório, a piora das expectativas está relacionada ao receio de aumento nos gastos públicos no ano eleitoral de 2026. Apesar disso, a indicação de Dario Durigan para assumir o Ministério da Fazenda no lugar de Fernando Haddad foi interpretada como uma medida de proteção fiscal. Na semana anterior, Durigan afirmou que “há discussões em andamento no PT sobre projetos com potencial impacto nas contas públicas”.

 

Yasmin Alencar - Revista Oeste

Facção terrorista da quadrilha do ex-presidiário Lula, MST invade fazendas e prédios públicos em 5 Estados

 Jornada de invasões ao redor do país começou na última segunda-feira, 13, e vai até o fim da semana




O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) promove nesta semana, uma série de invasões de terras e prédios públicos em diferentes regiões do país como parte da chamada Jornada Nacional de Lutas em Defesa da Reforma Agrária, o “Abril Vermelho”. As ações começaram na última segunda-feira, 13, e vão até a próxima sextafeira, 17. 

Na madrugada desta quarta-feira, 15, cerca de 500 militantes invadiram a Fazenda Córrego, em Madalena, no sertão central do Ceará. Segundo o MST, a propriedade tem mais de 300 hectares considerados improdutivos. O grupo cobra a desapropriação da área para construção de moradias por meio do programa Minha Casa, Minha Vida. 

Ainda no Estado, o movimento também pressiona pela destinação da Fazenda Teotônio, com mais de 11 mil hectares, que está em análise no Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) desde 2024. O terreno poderia, segundo o MST, beneficiar cerca de 500 famílias. 

No interior de São Paulo, aproximadamente 200 militantes invadiram a sede da Procuradoria do Estado em Presidente Prudente, no Pontal do Paranapanema. A ação busca pressionar o governo estadual a acelerar processos de destinação de terras públicas para reforma agrária.

Além da pressão por terra, o movimento critica a Lei nº 17.557/2022, sancionada pelo governador Tarcísio de Freitas, que trata da regularização fundiária e, segundo o MST, beneficia grandes proprietários. 

Em Alagoas, cerca de 400 integrantes invadiram a superintendência regional do Incra em Maceió. O grupo montou acampamento dentro do prédio e afirma que permanecerá no local até que haja avanço nas demandas por infraestrutura e regularização de assentamentos.

O MST também invadiu a superintendência do Incra no Centro do Rio de Janeiro. O movimento afirma que a ação tem como objetivo pressionar por terra e políticas públicas para 376 famílias do Acampamento 15 de Abril, em Campos dos Goytacazes.


Invasão do MST na Procuradoria de São Paulo | Foto: Divulgação/MST 


Já no norte do Tocantins, famílias ligadas ao MST invadiram, nesta terça-feira, 14, uma área pública de 986 hectares no município de São Sebastião do Tocantins. O local já havia sido destinado à reforma agrária por portaria publicada em março, mas, segundo o movimento, permanecia sem assentamentos efetivos e sob risco de especulação fundiária. 

A mobilização nacional marca os 30 anos do Massacre de Eldorado dos Carajás, quando 21 integrantes do MST foram mortos no Pará. O movimento afirma que o objetivo é denunciar a impunidade no caso e cobrar avanços na política de reforma agrária no país.

Além das invasões, o “Abril Vermelho” inclui marchas, vigílias e atos simbólicos em diferentes regiões, reunindo militantes de 24 Estados. 

Isabela Jordão, Revista Oeste

A defesa do livre mercado de Thomas Jefferson, por Murray N. Rothbard

 

Nota da edição: O artigo a seguir é um trecho retirado do volume 2 do livro de História do Pensamento Econômico escrito pelo autor Murray N. Rothbard.


A liderança dos smithianos franceses foi rapidamente assumida por Jean-Baptiste Say, quando a primeira edição de sua grande obra Traité d’Économie Politique foi publicada em 1803. Say nasceu em Lyon, em uma família huguenote de comerciantes de tecidos, e passou a maior parte de sua juventude em Genebra e depois em Londres, onde trabalhou como aprendiz comercial. Posteriormente, retornou a Paris como funcionário de uma companhia de seguros de vida, e o jovem Say rapidamente se tornou um dos principais líderes do grupo laissez-faire de philosophes na França. Em 1794, Say tornou-se o primeiro editor do principal periódico desse grupo, La Décade Philosophique. Defensor não apenas do laissez-faire, mas também do emergente industrialismo da Revolução Industrial, Say era crítico da absurdamente pró-agrícola fisiocracia.O grupo da Décade chamava a si próprio de “ideologistas”, posteriormente apelidados de forma depreciativa por Napoleão de “ideólogos”. Seu conceito de “ideologia” significava simplesmente a disciplina que estuda todas as formas de ação humana — um estudo que buscava respeitar os indivíduos e sua interação, em vez de adotar uma abordagem positivista ou cientificista que tratasse as pessoas como mero material para a engenharia social. Os ideólogos foram inspirados pelas ideias e pela análise do falecido Condillac. Seu principal representante na psicologia fisiológica foi o Dr. Pierre Jean George Cabanis (1757–1808), que trabalhou em estreita colaboração com outros biólogos e psicólogos da École de Médecine. Seu principal representante nas ciências sociais foi o aristocrata Antonie Louis Claude Destutt, Comte de Tracy (1754–1836)1. Destutt de Tracy foi o responsável por formular o conceito de “ideologia”, que apresentou no primeiro volume (1801) de sua obra em cinco volumes, Éléments d’idéologie (1801–15).

De Tracy apresentou inicialmente suas ideias econômicas em seu Commentary on Montesquieu, em 1807, que permaneceu em manuscrito devido ao caráter marcadamente liberal de suas posições. No Commentary, de Tracy critica a monarquia hereditária e o governo de um único governante, e defende a razão e o conceito de direitos naturais universais. Ele começa refutando a definição de liberdade de Montesquieu como “querer aquilo que se deve”, substituindo-a por uma definição muito mais libertária de liberdade como a capacidade de querer e fazer aquilo que se deseja. No Commentary, de Tracy atribui primazia à economia na vida política, uma vez que o principal propósito da sociedade é satisfazer, por meio das trocas, as necessidades e os prazeres materiais do ser humano. O comércio, afirma de Tracy, é “a fonte de todo o bem humano”, e ele também elogia o avanço da divisão do trabalho como fonte de aumento da produção, sem repetir as críticas à “alienação” levantadas por Adam Smith. Ele também enfatiza o fato de que “em todo ato de comércio, em toda troca de mercadorias, ambas as partes se beneficiam ou passam a possuir algo de maior valor do que aquilo que vendem”. A liberdade de comércio interno é, portanto, tão importante quanto o livre comércio entre as nações.

Mas, lamentava de Tracy, nesse idílio de livre troca e comércio, e de produtividade crescente, surge uma praga: o governo. Os impostos, observava ele, “são sempre ataques à propriedade privada e são certamente utilizados para gastos desperdiçadores e improdutivos”. Na melhor das hipóteses, todos os gastos do governo constituem um mal necessário e, em sua maioria, “como as obras públicas, poderiam ser realizados de forma mais eficiente por indivíduos privados”. De Tracy opunha-se firmemente à criação governamental de moeda e às manipulações monetárias. As desvalorizações são, simplesmente, “roubo”, e o papel-moeda consiste na criação de uma commodity cujo valor não ultrapassa o do papel em que é impresso. De Tracy também criticou as dívidas públicas e defendeu um padrão metálico, preferencialmente baseado na prata.

O quarto volume dos Elements de de Tracy, o Traité de la volonté (Tratado da Vontade), foi, apesar do título, seu tratado de economia. Nesse momento, ele já havia integrado a economia ao seu grande sistema teórico. Concluído no final de 1811, o Traité foi finalmente publicado com a queda de Napoleão, em 1815, incorporando e desenvolvendo as ideias apresentadas no Commentary on Montesquieu. Seguindo seu amigo e colega J.B. Say, de Tracy passou a enfatizar fortemente o papel do empreendedor como figura crucial na produção de riqueza. Às vezes de Tracy é classificado como defensor de uma teoria do valor-trabalho, mas o “trabalho” era, em sua análise, considerado altamente produtivo em comparação com a terra. Além disso, “trabalho”, para de Tracy, consistia em grande medida na atividade do empreendedor ao poupar e investir os frutos do trabalho anterior. O empreendedor, observava ele, poupa capital, emprega outros indivíduos e produz uma utilidade superior ao valor original de seu capital. Somente o capitalista poupa parte do que ganha para reinvestir e produzir nova riqueza. De forma enfática, de Tracy concluiu: “Os empreendedores industriais são, de fato, o coração do corpo político, e seu capital é o seu sangue”.

Além disso, todas as classes possuem um interesse comum no funcionamento do livre mercado. Não existe algo como “classes desprovidas de propriedade”, como de Tracy observou com perspicácia, pois, como Emmet Kennedy o parafraseia, “todos os homens possuem ao menos sua mais preciosa de todas as propriedades, suas faculdades mentais, e os pobres têm tanto interesse em preservar sua propriedade quanto os ricos”2. No centro da ênfase de de Tracy nos direitos de propriedade estava, portanto, o direito fundamental de cada indivíduo sobre sua própria pessoa e suas faculdades. A abolição da propriedade privada, advertia ele, resultaria apenas em uma “igualdade de miséria”, ao eliminar o esforço pessoal. Além disso, embora não existam classes fixas no livre mercado, e cada indivíduo seja ao mesmo tempo consumidor e proprietário, podendo tornar-se capitalista se poupar, não há razão para esperar igualdade de renda, já que as pessoas diferem amplamente em habilidades e talentos.

A análise de de Tracy sobre a intervenção governamental era a mesma apresentada em seu Commentary. Todos os gastos do governo são improdutivos, mesmo quando necessários, e todos consistem em viver da renda dos produtores, sendo, portanto, de natureza parasitária. O melhor incentivo que o governo pode oferecer à indústria é “deixá-la em paz”, e o melhor governo é o mais parcimonioso.

No que diz respeito à moeda, de Tracy adotou uma posição firmemente favorável a uma moeda forte. Ele lamentava que os nomes das moedas já não correspondessem a simples unidades de peso de ouro ou prata. A desvalorização das moedas metálicas era claramente vista por ele como roubo, e o papel-moeda como roubo em grande escala. O papel-moeda, na verdade, constitui simplesmente uma série gradual e oculta de sucessivas desvalorizações do padrão monetário. Os efeitos destrutivos da inflação foram analisados, e os bancos monopolistas privilegiados foram atacados como instituições “radicalmente viciosas”.

Embora seguisse J.B. Say ao enfatizar o papel do empreendedor, de Tracy antecipou seu amigo ao rejeitar o uso da matemática ou da estatística nas ciências sociais. Já em 1791, de Tracy escrevia que grande parte da realidade e da ação humana simplesmente não é quantificável, e alertava contra a aplicação “charlatanesca” da estatística às ciências sociais. Ele atacou o uso da matemática em seu Mémoire sur la faculté de penser (Memória sobre a faculdade de pensar) (1798) e, em 1805, rompeu com a ênfase de seu falecido amigo Condorcet na importância da “matemática social”. Talvez influenciado pelo Traité de Say dois anos antes, de Tracy afirmou que o método apropriado nas ciências sociais não são equações matemáticas, mas sim a extração, ou dedução, das propriedades implícitas contidas em verdades “originais” ou axiomáticas básicas — em suma, o método da praxeologia. Para de Tracy, o axioma fundamental verdadeiro é que “o homem é um ser sensível”, a partir do qual as verdades podem ser obtidas por meio da observação e da dedução, e não da matemática. Para de Tracy, essa “ciência do entendimento humano” constitui o fundamento básico de todas as ciências humanas.

Thomas Jefferson (1743–1826) era amigo e admirador dos philosophes e dos ideologistas desde a década de 1780, quando serviu como ministro na França. Quando os ideologistas alcançaram algum poder político durante os anos do Consulado de Napoleão, Jefferson foi nomeado membro do Institut National, um verdadeiro “brain trust”, em 1801. Os ideologistas — Cabanis, DuPont, Volney, Say e de Tracy — todos enviavam seus manuscritos a Jefferson e recebiam encorajamento em troca. Após concluir o Commentary on Montesquieu, de Tracy enviou o manuscrito a Jefferson e pediu que ele providenciasse sua tradução para o inglês. Jefferson traduziu entusiasticamente parte do texto ele mesmo e, em seguida, providenciou que a tradução fosse concluída e publicada pelo editor de jornal da Filadélfia William Duane. Dessa forma, o Commentary foi publicado em inglês (1811), oito anos antes de poder ser publicado na França. Quando Jefferson enviou a tradução publicada a de Tracy, o filósofo, entusiasmado, sentiu-se motivado a concluir seu Traité de la volonté e rapidamente o enviou a Jefferson, incentivando-o a traduzir também esse volume.Jefferson mostrou grande entusiasmo pelo Traité. Embora ele próprio tivesse feito muito para preparar o caminho para a guerra contra a Grã-Bretanha em 1812, Jefferson ficou desiludido com a dívida pública, a elevada tributação, os gastos governamentais, a enxurrada de papel-moeda e a expansão de monopólios bancários privilegiados que acompanharam o conflito. Ele concluiu que seu amado Partido Democrata-Republicano havia, na prática, adotado as políticas econômicas dos federalistas hamiltonianos, que tanto desprezava, e o severo ataque de de Tracy a essas políticas levou Jefferson a tentar fazer com que o Traité fosse traduzido para o inglês. Jefferson entregou novamente o novo manuscrito a Duane, mas este tinha falido, e então Jefferson revisou a tradução inglesa defeituosa que Duane havia encomendado. Finalmente, a tradução foi publicada como Treatise on Political Economy, em 18183.

O ex-presidente John Adams, cujas posições de moeda ultra forte e de sistema bancário com 100 por cento de reservas em espécie eram próximas às de Jefferson, saudou o Treatise de de Tracy como o melhor livro de economia até então publicado. Ele elogiou particularmente o capítulo de de Tracy sobre a moeda, afirmando que expressava “os princípios que tenho sustentado durante toda a minha vida”. Adams acrescentou que:

“os bancos causaram mais danos à religião, à moralidade, à tranquilidade, à prosperidade e até mesmo à riqueza da nação do que (…) jamais causarão benefícios.

Todo o nosso sistema bancário eu sempre abominei, continuo a abominar e morrerei abominando (…) todo banco de desconto, todo banco por meio do qual se paga juros ou se obtém qualquer tipo de lucro pelo depositante, é pura corrupção”.

Já em 1790, Thomas Jefferson havia saudado A Riqueza das Nações como o melhor livro de economia política, juntamente com a obra de Turgot. Seu amigo, o bispo James Madison (1749–1812), que foi presidente do College of William & Mary por 35 anos, foi o primeiro professor de economia política nos Estados Unidos. Um libertário que desde cedo enfatizava que “nascemos livres”, o bispo Madison utilizou A Riqueza das Nações como seu livro-texto. Agora, no prefácio ao Treatise de de Tracy, Thomas Jefferson expressou a “sincera esperança” de que a obra se tornasse o principal texto de economia política nos Estados Unidos. Por algum tempo, o College of William & Mary adotou o Treatise de de Tracy por incentivo de Jefferson, mas essa posição não durou muito. Logo o Treatise de Say superou o de de Tracy na disputa por popularidade nos Estados Unidos.

O desastroso “pânico” de 1819 confirmou Jefferson em suas firmes posições favoráveis à moeda forte no que dizia respeito ao sistema bancário. Em novembro daquele ano, ele elaborou uma proposta de remédio para a depressão que, de forma característica, pediu a seu amigo William C. Rives que apresentasse à legislatura da Virgínia sem revelar sua autoria. O objetivo do plano foi expresso de maneira direta: “A supressão eterna do papel-moeda bancário”. A proposta consistia em reduzir gradualmente o meio circulante até o nível puro de moeda metálica; o governo estadual deveria obrigar a retirada completa das notas bancárias no prazo de cinco anos, sendo um quinto das notas recolhido e resgatado em espécie a cada ano. Além disso, a Virgínia consideraria grave infração qualquer banco que emitisse ou aceitasse notas bancárias de outros estados. Os bancos que resistissem ao plano teriam seus estatutos revogados ou seriam obrigados a resgatar imediatamente todas as suas notas em espécie. Em conclusão, Jefferson declarou que nenhum governo, estadual ou federal, deveria ter o poder de estabelecer um banco; em vez disso, a circulação monetária deveria consistir exclusivamente em moeda metálica.



Murray N. Rothbard, Mises Brasil