terça-feira, 27 de outubro de 2026

PT aparelhou instituições para tomar o poder, diz CEO do Instituto Millenium

Ricardo Gomes defende fortalecimento da direita no Congresso para equilibrar forças com o Executivo e o Judiciário



Lula da Silva: aparelhamento estratégico do PT para vencer eleição, segundo analista | Foto: Reprodução/Band


O CEO do Instituto Millenium, Ricardo Gomes, acusou o PT de aparelhar instituições para consolidar seu poder político. Em análise sobre o resultado eleitoral, ele afirmou que a direita precisa compreender a estratégia petista e se organizar para enfrentar o governo Lula. 

“O PT pode tudo porque o PT aparelhou tudo. E o PT aparelhou para usar”, declarou Gomes, que também criticou medidas adotadas antes da votação, como a antecipação de pagamentos do Bolsa Família. Para ele, a oposição deve concentrar esforços na reorganização política, em vez de apostar em discussões sobre a anulação da eleição.


Direita: alianças para enfrentar o PT 

Gomes defendeu uma reflexão sobre o que foi a disputa em 2026, questionando o debate interno na ala liberal e a articulação com outras forças políticas. Ele ressaltou a importância de Jair Bolsonaro para o fortalecimento da corrente conservadora no Brasil e afirmou que a direita reúne diferentes grupos que precisam atuar de forma coordenada. 

Segundo o executivo, o desempenho nas eleições parlamentares demonstra a existência de uma base expressiva para o conservadorismo, mas é necessário transformar essa força em um projeto político capaz de disputar a Presidência em 2030. 

Para Gomes, a reorganização deve começar pela atuação conjunta da direita no Congresso Nacional. Ele defendeu uma oposição estruturada, capaz de exercer suas prerrogativas constitucionais e estabelecer um contrapeso ao Executivo e ao Judiciário. 

O CEO alertou que, sem esse alinhamento, o país poderá enfrentar um agravamento do que classificou como autoritarismo do governo Lula. Para ele, a direita precisa ampliar o diálogo, construir alianças e organizar uma estratégia duradoura para representar a demanda conservadora nas próximas eleições. 


Pablo Bouéri - Revista Oeste

Ana Paula Henkel e 'O preço da desconfiança'

Uma eleição presidencial marcada por uma intervenção extraordinária do Supremo, regras alteradas durante a votação e resultados que desafiam explicações. A indignação dos brasileiros exige transparência, respostas e responsabilização


Luiz Inácio Lula da Silva-=| Foto: Reuters/Adriano Machado


O Brasil amanhece nesta segunda-feira diante de um resultado eleitoral que deixa muito mais do que vencedores e derrotados. Luiz Inácio Lula da Silva foi declarado vencedor de uma disputa marcada, em suas horas finais, por uma intervenção extraordinária do Supremo Tribunal Federal, que alterou o horário de votação quando o processo eleitoral já estava sendo encerrado em parte do país. 

A decisão do ministro Cristiano Zanin, as circunstâncias de sua execução e os números apresentados pela Justiça Eleitoral deixaram perguntas fundamentais sem resposta. O país que foi às urnas no domingo, 25 de outubro, precisa agora compreender o que aconteceu com as regras que deveriam garantir a igualdade entre todos os eleitores. 

A prorrogação da votação até as 19 horas, quando o horário legal de encerramento já havia chegado, criou uma situação inconcebível para uma eleição presidencial. Enquanto algumas seções eleitorais encerravam suas atividades às 17 horas, outras receberam a determinação de continuar funcionando. Urnas já haviam sido fechadas, boletins emitidos e procedimentos de totalização iniciados. A ordem judicial chegou quando parte do processo eleitoral já estava concluída. 

A decisão atendia a um pedido da campanha de Lula, apresentado ao Supremo diante de denúncias de dificuldades no transporte de eleitores 

A campanha de Flávio Bolsonaro também havia solicitado uma prorrogação, mas ao Tribunal Superior Eleitoral, restrita a São Paulo, Paraná e Santa Catarina, em razão de problemas climáticos. 

O Ministério Público Eleitoral manifestou-se contra a extensão nacional do horário. Ainda assim, a determinação de Zanin prevaleceu. Como algumas urnas já haviam sido encerradas, a prorrogação passou a valer apenas para aquelas que permaneciam abertas. 

Como justificar que dois cidadãos sujeitos à mesma legislação eleitoral tenham encontrado condições diferentes para exercer o voto, dependendo do momento em que sua seção recebeu uma ordem judicial? 

Uma urna encerrada não poderia simplesmente voltar a receber votos. Estamos falando de uma eleição presidencial, submetida a regras que deveriam oferecer previsibilidade, segurança jurídica e tratamento igualitário aos eleitores. 

São questões que exigem respostas jurídicas, inclusive sobre a possibilidade de responsabilização pela decisão. O simples fato de uma determinação partir de um ministro da mais alta Corte do país jamais deveria encerrá-las. 

O próprio presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, reconheceu as dificuldades provocadas pela intervenção. A Justiça Eleitoral precisou suspender temporariamente a totalização dos votos, enquanto a decisão judicial era interpretada e executada, em um dos momentos mais sensíveis de todo o processo eleitoral. E outras perguntas se impõem com a mesma gravidade da primeira:


• Quantas seções permaneceram abertas depois das 17 horas e onde estavam localizadas? 

• Quantos eleitores votaram durante a prorrogação? 

• Quantos deles já estavam na fila, conforme previsto pela legislação, e quantos puderam votar em consequência da determinação judicial? 

• Qual foi a distribuição geográfica desses votos?

• Quais registros permitem reconstruir os horários de votação e identificar as consequências da medida?


Essas informações deveriam estar disponíveis para exame público. A decisão de um ministro do Supremo, ex-advogado e amigo do atual presidente, não pode transformar perguntas dessa natureza em inconvenientes institucionais. 

Há também uma questão constitucional que exige enfrentamento. A organização e a condução das eleições são atribuições da Justiça Eleitoral. A intervenção individual de um ministro do STF, alterando uma regra nacional no próprio dia da votação, precisa ser examinada à luz dos limites de sua competência, da fundamentação apresentada e dos efeitos produzidos.


• Quem responde pelas consequências de uma decisão dessa magnitude? 

• Quais mecanismos existem para examinar eventuais abusos? 

• Que garantias possui o cidadão de que as regras eleitorais não poderão ser alteradas novamente durante uma votação?


A autoridade de uma decisão judicial jamais deveria dispensar o exame de sua legalidade. 

E, enquanto essas perguntas permanecem, os resultados divulgados para os dois turnos acrescentam outra dimensão à controvérsia. 

No primeiro turno, Flávio Bolsonaro recebeu 56.104.503 votos. Lula obteve 53.879.538. A vantagem do candidato do PL ultrapassava 2,2 milhões de votos. 

Três semanas depois, indo na contramão de absolutamente todas as pesquisas e trackings internos, o resultado foi radicalmente diferente. Lula alcançou 64.256.232 votos, enquanto Flávio chegou a 59.826.041. 

Em números absolutos, Lula conquistou aproximadamente 10,4 milhões de votos adicionais. Flávio acrescentou cerca de 3,7 milhões. O comparecimento passou de 125,3 milhões de eleitores no primeiro turno para 128,2 milhões no segundo. Um crescimento de quase 3 milhões. 

Os números dos candidatos eliminados acrescentam outro elemento a essa análise:


• Augusto Cury: 3.448.569 votos. 

• Renan Santos: 2.675.887 votos. 

• Ronaldo Caiado: 2.605.148 votos. 

• Romeu Zema: 326.488 votos. 


Juntos, esses quatro candidatos reuniram 9.056.092 votos. Três deles estavam identificados, em diferentes graus, com posições políticas à direita ou à centro-direita.


• Como explicar que Lula tenha ampliado sua votação em mais de 10 milhões de votos, enquanto Flávio, que havia liderado o primeiro turno, acrescentou menos de 4 milhões? 

• Qual foi o destino dos votos de Renan Santos, Caiado e Zema? 

• Que parcela desses eleitores efetivamente migrou para Lula e quantos escolheram Flávio? 

• Quantos deixaram de comparecer?


E como compreender o crescimento da votação petista em todas as unidades da Federação, inclusive nos Estados em que o eleitorado conservador possui presença expressiva? 

São perguntas que precisam ser respondidas com dados. 

O peso político do resultado Há ainda uma contradição política que merece atenção. 

Nas disputas para os governos estaduais, o Senado e a Câmara dos Deputados, uma parcela expressiva do eleitorado brasileiro manifestou preferência por candidatos identificados com a direita e a centro-direita. O desempenho dessas forças, inclusive diante de candidaturas do Partido dos Trabalhadores, revela uma disposição de mudança que não pode ser ignorada. Como interpretar, então, a distância entre esse movimento político e a permanência de Lula na Presidência?

A pergunta ganha outra dimensão quando observamos o Supremo Tribunal Federal. Para uma Corte que acumulou enorme protagonismo político nos últimos anos, o resultado presidencial possui consequências diretas. A continuidade de Lula no poder abre a perspectiva de novas indicações ao tribunal e de uma composição potencialmente ainda mais alinhada ao governo petista. Seria ingenuidade ignorar o peso político dessas nomeações. 

Justamente por isso, a atuação do Supremo durante o processo eleitoral precisa estar acima de qualquer suspeita de favorecimento. Quando decisões judiciais extraordinárias beneficiam circunstancialmente um dos lados de uma disputa da qual depende também o futuro da própria Corte, a exigência de imparcialidade e transparência torna-se ainda mais rigorosa. 

O Brasil possui uma experiência amarga com instituições que frequentemente parecem mais preocupadas em preservar sua autoridade do que em explicar suas decisões e respeitar a Constituição. A sucessão de controvérsias envolvendo o Supremo Tribunal Federal, a expansão de sua atuação sobre a vida política e a dificuldade de estabelecer limites claros ao exercício do poder contribuíram para um ambiente de profunda desconfiança.

Diante de tudo isso, seria razoável esperar que o cidadão não fizesse perguntas? 

O que se exige das instituições brasileiras é precisamente a disposição de respondê-las, com documentos, registros, fundamentos jurídicos e informações que possam ser examinadas independentemente.

A confiança pública não nasce da obrigação de acreditar. Ela se constrói quando o exercício do poder permanece sujeito a regras conhecidas, fiscalização e responsabilidade. E existe uma consequência ainda mais profunda quando essa confiança começa a desaparecer. 

Milhões de brasileiros participaram desta eleição acreditando que poderiam influenciar o futuro do país. Investiram tempo, energia e expectativas em um processo que consideravam decisivo. 

O que acontece quando uma parcela expressiva dessa sociedade começa a acreditar que seus esforços são inúteis? 

O risco é que a indignação, inicialmente dirigida a uma decisão ou a uma instituição, se transforme em indiferença diante do próprio país. A resignação aparece no cansaço de quem já não espera respostas e na descrença de quem considera inútil participar. 

Uma sociedade pode continuar realizando eleições, mantendo suas instituições e preservando formalmente suas liberdades enquanto perde, pouco a pouco, a disposição de defendê-las. E esse seria um preço terrível a pagar,

A indignação diante de possíveis abusos possui um significado importante. Ela demonstra que ainda existem princípios pelos quais vale a pena exigir explicações, enfrentar autoridades e assumir responsabilidades. Mas a indignação precisa sobreviver ao resultado eleitoral. Precisa transformar-se em fiscalização, organização, participação e cobrança permanente. 

É nesse ponto que precisamos distinguir expectativa de esperança. 

A expectativa está vinculada ao resultado que desejamos alcançar: uma vitória eleitoral, uma mudança de governo, a correção de uma injustiça. Ela pode desaparecer em poucas horas, diante de acontecimentos que escapam completamente ao nosso controle.

A esperança, compreendida como virtude, sustenta a disposição de agir mesmo quando as circunstâncias são adversas e os resultados permanecem incertos. Ela exige perseverança, coragem e responsabilidade. Não oferece garantias de vitória nem promete que o futuro será melhor. 

O Brasil não possui garantia alguma de que suas instituições recuperarão a confiança perdida, de que decisões controversas serão corrigidas ou de que os próximos anos oferecerão condições políticas mais favoráveis. Seria irresponsável prometer isso aos brasileiros. 

Mas a ausência de garantias não elimina a responsabilidade de continuar exigindo aquilo que é justo. As decisões tomadas neste domingo precisam ser examinadas detalhadamente. Os dados eleitorais devem permanecer disponíveis a uma ampla fiscalização. 

As perguntas sobre a prorrogação da votação exigem respostas. Eventuais irregularidades demonstradas precisam produzir as consequências previstas em lei. E os cidadãos têm o direito de cobrar tudo isso sem serem tratados como inimigos das instituições ou ameaçados de prisão. 

A expectativa de uma vitória pode terminar numa noite. A responsabilidade pelo país que deixaremos às próximas gerações permanece muito depois dela. O que mais preocupa diante do estranho resultado desta eleição ultrapassa a permanência de Lula no poder, a suposta derrota de Flávio Bolsonaro ou mesmo a indignação provocada pelos acontecimentos de domingo. 

É a possibilidade de que milhões de brasileiros, exaustos de tantas controvérsias e decepções, deixem de acreditar que ainda vale a pena participar, questionar e defender o país.

A resignação seria uma vitória muito maior para aqueles que desejam governar sem prestar contas. O Brasil já pagou um preço alto demais pelos abusos de poder. Nosso maior medo, depois deste segundo turno, deve ser de que o Brasil desista do Brasil. E nós não podemos permitir que isso aconteça.


Ana Paula Henkel - Revista Oeste

'Lula 4: como navegar com quem decidiu afundar o navio?', por Adalberto Piotto

A herança maldita de Lula se volta contra ele próprio. E é enorme em déficits e rombos do próprio governo e endividamentos de famílias e empresas. Quem vai tapar o buraco?


Foto: Montagem Revista Oeste/Gerada por IA


O Brasil foi dormir na noite deste domingo, 25 de outubro, sem futuro definido. Lula saiu vitorioso, mas Flávio Bolsonaro não reconheceu o resultado. Nem poderia. A sucessão de abuso de poder pelo governo federal na eleição, somada à manobra de Cristiano Zanin, ministro do Supremo Tribunal Federal, em prorrogar a eleição por mais duas horas, com uma canetada monocrática, é sem precedentes na vida nacional. A virada de Lula sobre Flávio não consegue ser explicada pela estatística. De uma vantagem em torno de 2 milhões de votos no 1º turno, Flávio Bolsonaro perdeu a eleição neste domingo com uma diferença de mais de 4 milhões de votos. 

Lula teve um acréscimo superior a 10 milhões de votos. Os números eleitorais poderão ter alguma explicação na redução da abstenção — apenas parcial —, em alguma virada de opinião do eleitor e muito na compra descarada de votos de Lula com a série de medidas eleitoreiras que anunciou às vésperas da eleição e dias antes do 2º turno. 

No Brasil, sem lei de Lula 3, distante da democracia, o ministro Gilmar Mendes, do STF, autorizou o governo a pagar um aumento do Bolsa Família na semana que antecedeu a votação deste domingo. Foi um atropelo da Justiça Eleitoral e da paridade de armas entre os candidatos, com desmesurado abuso de poder pelo presidente que concorria à reeleição. É a democracia que foi afrontada. De novo. Como já fora na perseguição que o bolsonarismo e a direita sofreram em 2022, quando da volta de Lula ao poder. Questões de legalidade eleitoral à parte, concentro-me aqui no futuro econômico do país sob Lula 4. Ou completa ausência de futuro.

O primeiro sinal foi dado ainda na noite de domingo. Na Bolsa de Nova York, a principal ETF ligada a ativos brasileiros, um fundo de investimento, despencou 19,63% nos primeiros momentos do anúncio da vitória de Lula. A mesma ETF havia crescido quase 2% na semana passada com a expectativa de vitória de Flávio. O comportamento dos investidores americanos é um sinal de crise à vista. Quem vai investir no país e quem vai pagar os sucessivos déficits do governo? 

No Brasil dos brasileiros que trabalham e produzem, que viveram os últimos quatro anos aprisionados por uma política velha, perdulária e que lhes amedrontava diariamente com perseguição estatal, Lula continua um peso insuportável nas costas. Algo inimaginável até poucos meses atrás. Continuará a se ter um governo jogando a favor de si e contra a livre iniciativa.


Foto: Montagem Revista Oeste/Gerada por IA


Lula 3 pode ser definido em duas palavras: herança maldita. E quando me refiro a essa expressão que o próprio Lula usou lá atrás, em 2003, para injustamente definir o legado dos oito anos do governo Fernando Henrique Cardoso, que ele sucedia, é porque o país só veio a experimentar tal herança muito tempo depois, com o desastre de Dilma Rousseff. Afastada do cargo em 2016, depois de 13 anos e meio de governos petistas, o ápice da incompetência e maldição petista sobre o país havia sido atingido. A herança maldita que Lula dizia ter herdado era mentira. A que Dilma deixou e a que ele deixará são reais. 

Os crimes de responsabilidade fiscal e a mais brutal recessão econômica de nossa história de 10 anos atrás levaram a afilhada de Lula ao impeachment constitucional, que devolveu o Brasil aos brasileiros. Fato é que a “mulher sapiens” do “estoca vento” e que não enxerga as “nuvens” de dados cibernéticos praticamente moldou este terceiro mandato de Lula. E agora, Lula 4 herda de Lula 3 uma herança de degradação nas contas públicas e um mercado reticente em investir e acreditar no país. Neste 2026, depois de voltar ao poder e governar movido a bile, ódio e perseguição política, com um time de assessores mais afeiçoados a serviçais sem voz ativa e nenhuma perícia — o padrão do PT no governo —, Lula entrega para si algo ainda pior. 

O descalabro fiscal “a la Dilma” vem acompanhado de um desarranjo institucional sem precedentes, fonte inesgotável de insegurança jurídica e descompasso com a Constituição, em que apenas ele, seu governo e seus aliados mais próximos ganharam. O Brasil, os brasileiros, todos os demais perderam. Inclusive o desavisado ou comprado eleitor de Lula nesta eleição. 

Desde 2023, o país vem acumulando déficits primários que já somam mais de R$ 335 bilhões. Déficit primário é o quanto você gasta mais do que arrecada e sinaliza que está piorando a dívida do país como um todo. O déficit nominal, quando você também soma o quanto de juros o governo paga — e paga cada vez mais porque aumenta a dívida —, só em 2025 ultrapassou a marca de R$ 1 trilhão. Não por acaso, a relação dívida/PIB que Lula herdou como herança bendita de Bolsonaro, de 72%, atingiu o número astronômico da irresponsabilidade: 83%. 

 O governo atual não vê problema nisso, Lula trata o tema com desdém. José Sérgio Gabrielli, coordenador da campanha petista, chamou a crise fiscal de “fake news” e de que seria um “mito” que a alta da relação Dívida/PIB seja um problema. Declarações estúpidas ou de má-fé. Um governo que se endivida demais e despreza os mais básicos fundamentos da economia perde a confiança do mercado, que é quem financia o déficit do governo. Dinheiro não dá em árvore. É sempre alguém que aceita pagar por algo. Mas que já não está mais aceitando.

No fim de 2024, um primeiro sinal do descarrilamento entre o governo e a boa gestão. À época, o Tesouro chegou a não vender quase nenhum dos títulos da dívida que financiariam o rombo daquele ano por desconfiança da capacidade do governo de honrar contratos. Em junho deste ano, mais uma vez. Para rolar a dívida, o governo chegou a oferecer títulos de IPCA (a inflação oficial) mais 8,5% de rendimento líquido e não encontrou compradores.

 Política e economia foram feitas para andarem juntas. Mas, quando a política ignora a matemática ou o significado das coisas, a conta não fecha. O governo insistiu no populismo e tentou vender a ideia de que dívida pública, rombo fiscal, e dificuldade em encontrar credores para a dívida pública seriam temas distantes da realidade cotidiana das pessoas. Erro de cálculo grosseiro. Economia é feita de gente. E gente respira, olha ao redor, faz contas e chega a conclusões.


Foto: Montagem Revista Oeste/Gerada por IA

Longe dos grandes números da macroeconomia, que dá a exata dimensão de terror das contas do governo, 82% das famílias brasileiras se viram endividadas. Quase 7 mil empresas recorreram à recuperação judicial ou extrajudicial porque não conseguiram lidar com o ambiente de juros altos e burocracia governamental. Da Brasília de Lula não vinha solução, vinha deboche: “se não tem picanha, come ovo”, disse o agora presidente derrotado. “O agro é fascista”, insistiu ele. São mais de 9,3 milhões de empresas negativadas com dívidas de R$ 244 bilhões. Parte disso tudo vem do agronegócio, o orgulho nacional que garante a balança comercial do país, mas é maltratado pelo presidente agora reeleito. 

A crise no setor privado é endêmica e tem origem na Brasília lulopetista que piora a situação até no que só depende dela. As estatais voltaram a dar prejuízo astronômico. Até agosto desse ano, excluindo a Petrobras e a Eletrobras, as estatais geraram um rombo de R$ 24,3 bilhões. Só os Correios, estatal do primeiro escândalo petista do Mensalão, em 2005, têm um rombo acumulado de R$ 11,7 bilhões. E aí é que está a parte ainda mais preocupante da herança amaldiçoada pela política de baixo nível do atual governo. Lula 3 está se dando um governo abarrotado de gente incompetente, acomodada em cabides de emprego na máquina pública e uma república disfuncional, altamente partidarizada e corroída por interesses de compadrio, com cortes tomadas por juízes militantes que desfizeram o básico da democracia e da lei: a igualdade entre todos os brasileiros e a previsibilidade. 

O retrocesso institucional no país é gigantesco. Basta ver a politização do Supremo Tribunal Federal e do Tribunal Superior Eleitoral, tomados por aliados de Lula e simpáticos à esquerda.

O descalabro institucional em que se transformou o país é de Lula. O custo eleitoral de quase R$ 300 bilhões das medidas eleitoreiras de Lula em campanha será do Lula, agora reeleito. Mas o custo Brasil, que piorou dramaticamente com o último governo até será a marca de Lula 4, mas terá de ser pago pelos brasileiros. Lula passará. O rombo econômico e o desmonte da república, despudorado de qualquer sentimento de ética e preservação da vida nacional, não! 

Se a oposição não for bem-sucedida em seu justo questionamento sobre como estas eleições foram burladas pelo abuso de poder e intervencionismo do Supremo; ou se o novo Congresso eleito no início de outubro, majoritariamente conservador e de direita, não conseguir limitar um Lula 4, renovado em seu governo movido a bile, a resiliência brasileira será testada como nunca.


Adalberto Piotto - Revista Oeste





Augusto Nunes escreve sobre 'O triunfo da malandragem'

O descondenade fez o diabo para conseguir o quarto mandato





 
O ex-presidiário Luiz Inácio Lula da Silva abraça seu advogado Cristiano Zanin - Foto: Wilton Junior/Estadão Conteúdo


P ela primeira vez desde a Proclamação da República, o advogado de um presidente candidato à reeleição, e por ele premiado com uma vaga no Supremo Tribunal Federal, decidiu monocraticamente adiar por duas horas o encerramento de uma votação nacional. Pior: a decisão de Cristiano Zanin foi anunciada às 17h01, um minuto depois do horário fixado. Pela primeira vez desde que o Brasil adotou o sistema da eleição em dois turnos, um candidato derrotado no primeiro (por uma diferença de 2 milhões de votos) venceu o segundo (com uma vantagem de quase 5 milhões). Estranhamente, também pela primeira vez, a taxa de abstenção registrou uma queda de 3 milhões de eleitores do primeiro para o segundo turno. Pela primeira vez no mundo, um político conseguiu, no curto prazo de três semanas, anexar mais 10 milhões de cabeças a seu rebanho de eleitores. Pela primeira vez, nenhum instituto de pesquisas eleitorais registrou qualquer indício da virada de dimensões amazônicas. Dois dias antes de completar 81 anos, Luiz Inácio Lula da Silva conseguiu, graças à soma desses assombros, mais quatro anos na chefia do governo brasileiro. 

Segundo a apuração oficial, Lula obteve, neste 25 de outubro, mais de 64 milhões de votos. No primeiro turno, estacionou abaixo de 54 milhões. O senador Flávio Bolsonaro, candidato da oposição, não conseguiu chegar a 60 milhões. Em 4 de outubro, ele ultrapassou a marca de 56 milhões. “A gente faz o diabo pra ganhar a eleição”, confessou Dilma Rousseff ao vencer Aécio Neves em 2014. Para conquistar o quarto mandato, Lula inspirou-se nessa lição que ensinou à discípula. Transformou de vez o Bolsa Família numa fábrica de dependentes desinformados, fez do buquê de “programas sociais” o maior sistema de compra de votos do planeta e gastou bilhões de reais inexistentes em medidas populistas. Ao longo da campanha, sobretudo nos dois debates na TV, mentiu mais do que nunca.


Lula cumprimenta pessoas do lado de fora de uma seção eleitoral – 25/10/2026 | Foto: Jean Carniel/Reuters

Além da amputação de plurais e do r final dos infinitivos, os falatórios de Lula em sua última campanha foram perturbados por estranhos curtocircuitos. Na Band, por exemplo, afirmou que nos próximos quatro anos acabaria com o Brasil. Na Globo, depois de uma pausa, recitou o seguinte: “Imposto, imposto, imposto, se alguém lhe fala todo santo dia imposto, imposto, imposto… porque pra eles… o que pesa pra eles é melhorá a vida do povo.” 

No mesmo debate, desconfiou do inimigo: “Eu não sei se o meu adversário fala baixo pra mim não escutá”. Em seguida, prometeu combater organizações narcoterroristas com a extinção da polícia e, mais de uma vez, recomendou a Flávio Bolsonaro, à plateia e aos espectadores que fossem “ao Gugo”, caso não entendessem alguma coisa. Quem foi ao Google descobriu que Lula mentira ao revelar de que forma conseguiu conhecer o Brasil: percorreu 91 mil quilômetros de ônibus, barco e trem. Tal proeza é impossível. A distância equivale a mais de duas voltas completas ao redor do planeta.

Lula ampliou a manada de cabos eleitorais com a inclusão da imprensa estatizada, dos institutos de pesquisa reduzidos a lojinhas de porcentagens, da máquina federal e dos devotos da seita, fora o resto. O ex-advogado Cristiano Zanin, presenteado por Lula com uma vaga no STF, foi o ministro que decidiu adiar o fim da votação para as sete horas da noite. Zanin passou meses afirmando que seu cliente mais ilustre não era corrupto e lavador de dinheiro, ofícios que custaram a Lula a condenação a nove anos de cadeia pelo juiz Sérgio Moro, agora governador eleito do Paraná. 

O TRF da 4ª Região aumentou a pena para 12 anos. O Superior Tribunal de Justiça endossou a decisão. Zanin só não mente mais que Lula, que sempre foi essencialmente um assassino da verdade. Mentindo, abandonou o emprego de torneiro mecânico para virar primeiro-secretário do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo e Diadema. Procurado pela também viúva Marisa Letícia, que queria tratar do caso do marido morto, Lula engavetou a papelada até conseguir seduzi-la. Assumiu o comando da entidade amparado em outra falácia: aquele pernambucano atarracado e barbudo jamais abandonava companheiros de lutas. Todos foram esquecidos em algum lugar do caminho percorrido pelo operário que se converteu em político profissional depois da fundação do Partido dos Trabalhadores em fevereiro de 1980. 


á no STF, em 2023, Zanin se declarou impedido de julgar um recurso da defesa de Bolsonaro contra a condenação do TSE | Foto: Reprodução: Valter Campanato/Agência Brasil

Candidato a governador de São Paulo em 1982, perdeu para Franco Montoro, Reinaldo de Barros e Jânio Quadros. Mas conseguiu mais de 1 milhão de votos e, sobretudo, aprendeu a tapear plateias. Diante de órfãos dos grupelhos que tentaram derrubar a bala a ditadura militar e substituí-la pela ditadura do proletariado, ou estudantes que sem terem lido uma única vírgula de O Capital se apaixonavam pelo líder operário com jeitão de marxista, Lula repetia o refrão da campanha: “Vote 3, porque o resto é burguês”. Se houvesse muitos burgueses entre os espectadores, abrandava o falatório: “Não sou de esquerda nem de direita. Sou torneiro mecânico”. 

Até virar presidente de sindicato, Lula jurava querer distância de partidos e ideologias. “Detesto política e quem gosta de política”, repetia. Em julho de 1979, entrevistado pela revista Playboy, mudou de ideia. Revelou que entre as celebridades que admirava estavam o ditador cubano Fidel Castro, Tiradentes, Gandhi, Che Guevara, Mao Tsé-Tung e Adolf Hitler. Diante da expressão intrigada do jornalista, tentou explicarse: “Não apoio todas as ideias do Hitler, mas ele tinha uma coisa que eu admiro num homem. O fogo de se propor a fazer alguma coisa e tentar fazer”. Em 1989, transferiu-se para a banda esquerda: “Sou daqueles que acreditam que o socialismo é o melhor sistema político”, informou o candidato à Presidência da República pelo PT, 

Com a dissolução do colosso comunista e o fim da Guerra Fria, começou a referir-se a si próprio como se o apelido fosse alguma entidade. “Só o Lula pode dar um jeito no Brasil”, por exemplo. Para quem vê as coisas como as coisas são, ficou claro que Lula sempre fora e sempre seria apenas lulista. O mais fanático e passional dos lulistas. Foi assim que o que poderia ter sido um partido virou seita, cujos devotos veem no líder seu único deus. Lula transformou seu altar em palanque ambulante. Derrotado por Fernando Collor na primeira tentativa de instalar-se no Palácio do Planalto, também perdeu para Fernando Henrique Cardoso os duelos de 1994 e 1998. Concretizou o sonho neste século ao vencer José Serra no pleito de 2002. Reeleito em 2006, esperaria 12 anos para voltar ao cargo que deixara no fim de 2010. 

A partir de janeiro, Lula terá de lidar com seu próprio legado. Ele sempre atribuiu a terceiros os problemas que cria ou aumenta. Fernando Henrique Cardoso, que o derrotou duas vezes já no primeiro turno, entregou-lhe em janeiro de 2003 um país com a moeda estável, modernizado pelas privatizações de estatais deficitárias e em pleno desenvolvimento. No dia da posse, Lula despediu-se do antecessor que lhe entregara a faixa com uma mentira carinhosa: “Aqui você sempre terá um amigo”. Três meses depois, de passagem por Paris em companhia de Lula, o ministro Antônio Palocci telefonou para FHC, que também estava na capital da França. “Em nome do presidente, quero agradecer ao senhor pelo país que recebemos”, ouviu o ex-presidente. Ainda em 2003, Lula responsabilizou Fernando Henrique por todos os problemas passados, presentes e futuros do Brasil: “Ele me deixou uma herança maldita”. 

Maldita é a herança com que o presidente reeleito terá de lidar — e enfrentando, pela primeira vez, uma oposição vigorosa, fortalecida pela conquista de 16 governos estaduais e majoritária tanto na Câmara quanto no Senado. Na noite deste domingo, tão logo terminou a apuração, Flávio Bolsonaro avisou que não reconhece o resultado oficial e pedirá a anulação da disputa manchada pela interferência de outro Poder. Se é que isso serve de consolo, Flávio escapou da missão de encontrar soluções para um Brasil submerso no poço de areia movediça escavado pela fusão da crise econômica, da incompetência administrativa, da corrupção endêmica e de um Supremo Tribunal Federal em adiantado estágio de decomposição.


Flávio Bolsonaro - Foto: Facebook Flávio Bolsonaro

Augusto Nunes - Revista Oeste

Justiça italiana nega extradição de Tagliaferro, em nova derrota de Alexandre de Moraes, integrante do 'cartel lula-stf-globolixo'

Tribunal revogou a proibição de Tagliaferro deixar a Itália e mandou devolver a ele os passaportes


Ex-assessor do TSE, Eduardo Tagliaferro, quando falava a Senadores do seu exílio - Foto: Saulo Cruz/Agência Senado


A Corte de Apelação de Catanzaro, na Itália, negou o pedido de extradição de Eduardo Tagliaferro, ex-assessor de Alexandre de Moraes no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). É mais uma derrota de Moraes em cortes europeias, que consideram seus alvos vítimas de perseguição política.

Na decisão, os magistrados italianos consideraram que o envolvimento pessoal de Moraes nos fatos investigados, somado à sua atuação na condução do procedimento, compromete a garantia de imparcialidade. Segundo a corte, mesmo sem formalizar Moraes como “pessoa ofendida”, é indiscutível que ele foi diretamente atingido pelas revelações. A sentença critica o fato de o ministro ter, ao mesmo tempo, dirigido a investigação, avaliado os resultados e adotado medidas restritivas contra Tagliaferro. O caráter colegiado das decisões, segundo os juízes, não elimina a dúvida objetiva gerada pelo papel de relator e pela direção pessoal do processo.

A negativa se baseia no tratado de extradição entre Brasil e Itália, que impede a entrega quando o procedimento não assegura direitos mínimos de defesa. A corte também apontou a natureza política da acusação de tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito.

Além de rejeitar a extradição, o tribunal revogou a proibição de Tagliaferro deixar a Itália e determinou a devolução dos passaportes retidos.

O pedido de extradição foi formalizado por Moraes em agosto de 2025. Em novembro de 2025, a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal aceitou a denúncia por quatro crimes.

O caso teve origem na divulgação de mensagens relacionadas à produção de relatórios pelo setor de “enfrentamento à desinformação” do TSE. Moraes negou irregularidades e afirmou que os procedimentos foram regulares. A decisão italiana ainda pode ser objeto de recurso.

Em nota, o advogado de Tagliaferro, Eduardo Kuntz, afirmou que a defesa comemora a independência da Justiça italiana, que “não se dobrou às infundadas alegações do ministro Moraes” e reconheceu Tagliaferro como “verdadeiro perseguido político” por revelar o que via no gabinete que chefiava.


Diário do Poder




segunda-feira, 26 de outubro de 2026

Efeito 'cartel lula-stf' - Bolsa aciona circuit breaker, primeiro desde a pandemia, e Real despenca

Mercado financeiro reage à 'vitória' do ex-presidiário Lula no segundo turno; Bolsa cai e dólar dispara


Ex-prrsidiário Lula votando nas eleições de 2026. (Foto: Redes sociais).


A B3, Bolsa de Valores de São Paulo, acionou o “circuit breaker” nesta segunda-feira após a 'vitória' de Lula (PT) sobre Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno da eleição presidencial deste domingo (25). É a primeira vez que o mecanismo é acionado desde março de 2020, durante a pandemia de covid-19. A medida se deu após ser registrada queda de mais de 10% no valor das ações.

O circuit breaker interrompe temporariamente as negociações na Bolsa em momentos de forte queda do mercado. Ele é ativado quando o Ibovespa cai 10% em relação ao fechamento do pregão anterior, com suspensão das operações por 30 minutos. Se, após a reabertura, a queda chegar a 15%, a interrupção dura uma hora. Caso atinja 20%, a B3 pode suspender novamente as negociações por período a ser definido pela própria bolsa. Durante a suspensão, ficam interrompidas as negociações de ativos, derivativos e títulos de renda fixa privada.

No câmbio, o real perdeu mais de 10% em relação ao dólar, 8% já na abertura do mercado, cotado a R$ 5,42 e já atingiu R$5,60 no meio da manhã desta segunda-feira (26).

Os futuros do Ibovespa caíram 15% e atingiram o limite de variação permitido logo após a abertura, forçando uma interrupção temporária das negociações. A B3 ampliou a banda de flutuação diária para 20%. O Tesouro Nacional cancelou os leilões de títulos programados para os dias 27 a 29 de outubro. Trata-se da maior queda do real desde 1999.

A queda desta segunda reverte grande parte dos ganhos registrados após o primeiro turno. Naquela ocasião, Flávio Bolsonaro terminou na liderança, com 47,03% dos votos válidos, ante 45,16% de Lula. No pregão seguinte, a Bolsa subiu 7,70%, aos 206.911 pontos — recorde em termos nominais e reais —, enquanto o dólar caiu 4,11%, a R$ 5,001.

No acumulado desde a confirmação das candidaturas de Lula e Flávio Bolsonaro, em agosto, a Bolsa registrava alta de 15,3%. O desempenho positivo dos ativos após o primeiro turno refletia a expectativa de vitória de Flávio e de um ajuste fiscal mais rigoroso sob seu governo. Para os investidores, a continuidade de Lula na Presidência aumenta o temor de que não haja medidas suficientes para ajustar as contas públicas. A expectativa de menor controle fiscal tende a elevar o prêmio de risco exigido pelos investidores para financiar o governo, pressionando a curva de juros.

Com 100% das urnas apuradas, Lula obteve 51,79% dos votos válidos (64.256.232 votos) contra 48,21% de Flávio Bolsonaro (59.826.041 votos), segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral divulgados pelo G1. No primeiro turno, a diferença havia sido de cerca de 2,2 milhões de votos a favor de Flávio; no segundo, Lula reverteu o resultado com vantagem de cerca de 4,4 milhões de votos.

O Ibovespa havia fechado a sexta-feira (23) em torno de 205.082 pontos. A reação do mercado na manhã desta segunda ocorreu em ambiente de forte pressão vendedora nos ativos brasileiros, conforme movimentos registrados no pré-mercado internacional na noite de domingo.


domingo, 25 de outubro de 2026

Filho do ex-presidiário Lula fez turismo de ultraluxo nos Alpes suíços pago por lobista investigada

Diária de Lulinha custou R$133 mil em um complexo de chalés privativos em Crans-Montana, em estadia estiada em R$1,5 milhão


Lulinha fazendo pose de milionário ao lado de quem pagou a conta, a lobista Roberta Luchsinger, fazendo o L.


A revista Veja revelou nesta sexta-feira (24) que Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho de Lula (PT), realizou viagens de alto padrão aos Alpes suíços e franceses entre 2024 e 2025, com custos bancados pela lobista Roberta Luchsinger. Os registros constam de material apreendido pela Polícia Federal no celular de Luchsinger e integram inquérito que tramita no Supremo Tribunal Federal.

Segundo a reportagem de Robson Bonin, Lulinha, sua esposa Renata Moreira e familiares se hospedaram nos primeiros meses de 2025 no Ultima, complexo de chalés privativos em Crans-Montana, nos Alpes suíços. As diárias no local ultrapassam 22 mil francos suíços (R$133 mil). O refúgio oferece spa de mil metros quadrados, piscina externa aquecida, cinema particular, chef com experiência em cozinhas Michelin, mordomo, motorista e serviços personalizados. Fotos e vídeos mostram ainda o uso de jatos privados, instrutores exclusivos de esqui, equipamentos de neve e consumo de champanhe na neve.

Marina Mantega, filha do ex-ministro da Fazenda Guido Mantega, teria indicado o destino ao grupo. A estadia nos Alpes suíços foi estimada em cerca de R$1,5 milhão. Em 2024, Luchsinger também bancou uma temporada em Courchevel, nos Alpes franceses, destino frequentado por ultra-ricos. Fontes da investigação apontam que só as viagens detalhadas na reportagem somam mais de R$ 2 milhões.

Para investigadores, o principal “produto” oferecido por Luchsinger em sua atividade de lobby era o acesso a Lulinha e aos benefícios que o filho do presidente poderia proporcionar a empresários interessados em influenciar a gestão federal. A empresária já declarou disposição de negociar delação premiada para relatar o que viu e ouviu nos últimos anos de governo.

O episódio ganha relevância política porque Lula afirmou publicamente não conhecer Luchsinger e a classificou como “pilantra”. A lobista, por sua vez, respondeu chamando o presidente de covarde, mentiroso e misógino. Lulinha, que mantém relação antiga de amizade com a empresária — anterior ao atual mandato de Lula, segundo ela —, permanece na Espanha enquanto a PF avança nas apurações sobre possível tráfico de influência. A reportagem destaca que apenas Luchsinger sofreu buscas até o momento.

As revelações se inserem em um conjunto mais amplo de apurações da Polícia Federal sobre a relação entre Lulinha e Luchsinger, que incluem outras viagens internacionais de luxo (como à Escandinávia para ver a aurora boreal, com orçamento superior a R$ 1,8 milhão) e suspeitas de intermediação de interesses privados no governo. O material documentado nos Alpes, segundo a Veja, contrasta com o discurso de “pai dos pobres” do presidente em plena campanha eleitoral de 2026.

Veja destaca que as imagens e registros estavam “escondidos no inquérito que tramita a passos lentos no STF”. Não há, até o momento, condenação ou indiciamento formal de Lulinha ou Luchsinger especificamente por essas viagens, que a defesa tem caracterizado como deslocamentos privados entre amigos.


Veja