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sexta-feira, 30 de janeiro de 2026
Adalberto Piotto - 'Acabou o recreio'
Os brasileiros perderam o medo, não aguentam mais o que está aí e exigem o Brasil de volta
U m deputado federal decide fazer uma caminhada pelos sertões do Brasil, anda mais de 250 quilômetros por sete dias consecutivos debaixo de sol escaldante e chuvas torrenciais, arregimenta milhares ao longo do caminho e chega a Brasília para dizer “Acorda, Brasil!”, o lema do seu movimento. Um detalhe precioso: faz isso em pleno recesso parlamentar de janeiro, sem puxadinhos de sindicatos e “organizações sociais”. A adesão das pessoas é voluntária, na base do “eu vim de graça”, como nas manifestações da direita na Avenida Paulista e nas praças pelo Brasil, em que se reclamava da pressão ou se pedia pela anistia.
Uma contraposição assertiva à manipulação que a esquerda faz com distribuição de sanduíches a pessoas que carregam bandeiras vermelhas sem saber o motivo ou porque estão presas à promessa de que um dia receberão algo, como os explorados dos acampamentos do MST. Se o PT já teve de fato a hegemonia das ruas — o que pessoalmente sempre coloquei em dúvida — perdeu de vez. O deputado federal Nikolas Ferreira, do PL de Minas Gerais, mostrou pelas estradas e ruas de cidades do interiorzão do Brasil profundo o que já fazia com maestria nas redes sociais: os brasileiros perderam o medo, não aguentam mais o que está aí e exigem o Brasil de volta.
Trata-se de um recado duro e claro a uma parte do país que ainda tem evitado o debate real sobre o país com receio da própria bolha desconectada da realidade ou por interesses escusos. Pretendendo-se democratas 4.0, evitam o necessário embate político e evitam as ruas que apontam os dedos a mais uma tragédia moral e de retrocesso socioeconômico do atual governo de Lula, cada vez mais emaranhado no escândalo da vez: o do Banco Master. Basta ver que Daniel Vorcaro, o banqueiro amigo de autoridades da República lulopetista, contratou a preço de ouro a assessoria jurídica de Viviane Barci, mulher do ministro Alexandre de Moraes — um aliado de primeira hora de Lula no STF e fonte amiga de parte da imprensa inquisidora.
O dono do Master ainda trouxe para sua linha de frente ex-ministros de Lula e Dilma — como Ricardo Lewandowski (um híbrido de ministro do STF e da Justiça) e Guido Mantega — indicados a Vorcaro por ninguém menos que o líder do PT no Senado, Jacques Wagner, o ex-governador da Bahia descrito nas rodas dos isentões como petista moderado.
Os novos defensores do Master não decepcionaram. Quando ainda em ação pelo seu banco, Vorcaro teve encontro com o presidente Lula fora da agenda oficial, acesso ao Banco Central e intermediação de autoridades para seus anseios. Depois de preso pela Polícia Federal por um escândalo financeiro bilionário, teve a prisão relaxada pela Justiça — que o STF não revogou — e responde em liberdade. O escândalo também ganhou a alcunha de “Toffolão”, em referência ao ministro Dias Toffoli, um ex-advogado do PT, reprovado em dois exames para a magistratura e que chegou ao Supremo, a mais alta corte do país, pela indicação de Lula.
Toffoli tem anulado acordos de leniência da Lava Jato em que empresários, assistidos por caros advogados, confessaram a malandragem em esquemas de corrução, desvio de dinheiro público e conluio de autoridades — a maioria ligada aos governos petistas de Lula e Dilma, como os irmãos Batista, da J&F. Não bastasse sua pregressa e errática atuação na Corte (o termo “errática” é um respiro de elegância diante do assombro), Toffoli ainda precisa explicar um resort, vídeos com banqueiros e lobistas e o sigilo absoluto que aplicou ao caso do Master.
Ao avocar toda a investigação para seu gabinete, retirou o telefone de Vorcaro que estava com a CPMI do INSS, determinou medidas que inibiram a investigação policial e uma série de ações que condenaram a transparência de um caso que interessa ao país. Longe de proteger o processo, a atuação do ministro parece muito mais interessada em acobertar os nomes dos envolvidos dos três Poderes da República do consórcio Lula-STF.
E esse é o ponto. Numa democracia real, de verdade, séria, constitucional, jamais um caso como o do Banco Master teria surgido. Já tivemos bancos quebrando no Brasil antes. Já tivemos, na verdade, quebradeira sucessiva de bancos. Dado que o risco sistêmico do setor estava posto, o governo da época, liderado pelo presidente Fernando Henrique Cardoso, instituiu medidas mais duras de controle por parte do Banco Central e a criação do FGC, o Fundo Garantidor de Créditos — uma medida para proteger os clientes e trazer novamente confiança no sistema bancário. Mas nada chega nem perto do escândalo atual.
E por quê? Porque toda aquela balela maldita que impuseram ao Brasil de “estamos salvando a democracia” criou um Supremo Tribunal Federal acima de tudo e todos. Uma corte sem limites, acima da lei, da Constituição e, sobretudo, de quem ousasse questioná-la. Ao perseguir a oposição e seus críticos, atropelar a lei, os direitos individuais, praticamente extinguir a liberdade de expressão e anular o Congresso Nacional com o cabresto do foro por prerrogativa de função, o STF se tornou intocável e poderoso demais. Anabolizado em relação aos outros poderes, tornou-se imperial, um porto seguro para quem tivesse acesso privilegiado — e sabe-se lá mais o quê — aos ministros ativistas.
Em agosto de 2023, o Supremo Tribunal Federal entendeu, por 7 votos a 4, que não havia mais a proibição de que ministros julgassem casos defendidos por escritórios de advocacia de cônjuges e outros parentes. O parente só não poderia estar diretamente na defesa. No reino dessa Nárnia tupiniquim, esses escritórios passariam a ter paredes estanques e os sócios e advogados jamais tratariam do caso entre si. Inimaginável também a possibilidade de existirem maridos ministros e esposas advogadas sonâmbulos, conscientes ou inconscientemente, ou que falam enquanto dormem, a dividirem a mesma cama e o mesmo teto.
Diante desse STF permissivo, o que fizeram banqueiros e agentes do governo inescrupulosos? Associaram-se a ministros do STF em convescotes de luxo fora do país, patrocinaram eventos de pretenso debate jurídico e correram a contratar os “prestigiados” escritórios de esposas de ministros. Num passe de mágica e por maioria suprema, novas sumidades jurídicas apareceram de repente e foram contratadas. O sobrenome e o parentesco tornaram-se detalhes, não impedimentos éticos.
Desde 2019, uma parte do Brasil, movida a ódio político ou nojinho estético da vitória legítima da direita em 2018, abraçou o arbítrio, o abuso e a inconstitucionalidade como método. Valia tudo para impedir ou tumultuar o governo eleito. O inquérito 4.781 — apelidado de “Inquérito do Fim do Mundo” pelo ministro Marco Aurélio Mello — era irregular na forma e na origem e, por isso, ilegal. Aberto de ofício pelo então presidente do Supremo, Dias Toffoli, teve nomeado relator, sem sorteio, o noviço na Corte, Alexandre de Moraes.
Em nome de combater supostas fake news — que só miraram posts e autores da direita conservadora do país — ganharam o apoio imediato — ou a omissão silenciosa — de parte imensa de empresários, associações de classe, universidades, pessoas comuns e imprensa tradicional. A partir dali, o ministro Alexandre de Moraes abriu uma era de medo e repressão num estado de exceção de inquéritos intermináveis sem nenhum limite jurídico. O sigilo das investigações era tamanho que aos advogados dos acusados não era permitido acesso aos autos para saber do que deveriam defender seus clientes. Com a máquina suprema na mão e apoio interno e externo, promoveu perseguições políticas que resultaram em prisões, cancelamentos públicos, asfixia financeira de empresas e pessoas físicas e o fim da liberdade como a conhecíamos e como era garantida na Constituição.
As prisões sem o devido processo legal e o direito à ampla defesa de manifestantes dos atos do dia 8 de janeiro são um exemplo atroz desta era vil da história recente do país. O julgamento da alegada “trama golpista”, que condenou o ex-presidente Jair Bolsonaro e diversas autoridades de seu governo, não guarda um mínimo de lógica jurídica, como denunciou o ministro Luiz Fux em seu voto.
No Brasil de hoje, temos dois ministros do Supremo Tribunal Federal acusados de envolvimento até o pescoço no escândalo do banco Master. São os mesmos que protagonizaram a ilegalidade do inquérito de 2019. Nem o contido atual presidente do STF, Edson Fachin, consegue esconder o incômodo de ver seu mandato à frente da Corte sendo enlameado pela atuação de seus colegas.
A sua proposta de código de conduta a homens de reputação ilibada — uma das duas exigências para indicados ao STF — é recibo irrecorrível de que as coisas estão muito mal. Como escândalo pouco é bobagem para o lulopetismo, criador do Mensalão — que comprava votos no Congresso — e da Lava Jato (Petrolão) — que desmoronou a gestão de Dilma e levou o próprio Lula à cadeia por corrupção passiva e lavagem de dinheiro, o atual escândalo do Banco Master, se despido do sigilo absoluto decretado pelo ministro Toffoli, tende a ser um terremoto nos três Podres Poderes da atual república. Já está sendo, porque até para aquela gente que se omitiu lá atrás, as coisas passaram dos seus limites elásticos sobre abusos e crimes contra o interesse público.
Menos mal que essa parte sonolenta da imprensa, da sociedade, das universidades, do mercado financeiro e das entidades de classe e empresariais que dormia o sono profundo dos irresponsáveis desde 2019, tenha acordado. O monstro que saiu dessa omissão ou conveniência política tem endereço conhecido na praça mais famosa de Brasília. Que aprendam de uma vez por todas que nenhum arbítrio ou abuso legal vale a pena. Acabou o recreio. Que voltem da fantasia de “salvar a democracia” e se juntem à realidade da maioria dos brasileiros que quer a liberdade e o Brasil de volta, porque nunca deixou de fazê-lo.
Adalberto Piotto - Revista Oeeste
'Imprensa velha adormecida', por Elizário Goulart Rocha
Os "veículos tradicionais" só se interessaram pela caminhada liderada por Nikolas Ferreira quando um fenômeno da natureza abriu as portas para notícias negativas
E nquanto o deputado federal Nikolas Ferreira liderava uma marcha de 250 quilômetros, os chamados “veículos tradicionais” fingiam não ver a mobilização dos brasileiros cansados do atual cenário nacional. A Caminhada pela Liberdade, que saiu do município de Paracatu, em Minas Gerais, com destino a Brasília, não despertou o devido interesse de quem costuma nada enxergar onde tudo há para ver. Milhares de vozes ecoando o bordão “Acorda, Brasil!”, ao longo de uma semana, por vezes sob sol inclemente ou chuva torrencial, não bastaram.
O assunto só chamou a atenção da imprensa velha adormecida quando um fenômeno natural ofereceu a oportunidade de abordá-lo de forma negativa. No domingo, 25, o programa Fantástico, da TV Globo, acabara de exibir uma reportagem sobre a queda de um raio na Praça do Cruzeiro, em Brasília, que atingiu dezenas de participantes da caminhada, muitos dos quais tiveram de receber atenção hospitalar.
Na sequência, entrou no ar a imagem das apresentadoras Maju Coutinho e Poliana Abritta, que anunciaram matéria sobre os 60 anos de carreira do ator Antônio Fagundes.
Seria normal que ambas exibissem um sorriso protocolar ao falar da homenagem a um colega. No entanto, Maju parecia tentar disfarçar um riso excessivo para quem acabara de assistir a uma notícia dramática e que poderia ter se convertido em tragédia.
Ainda que a risada não tivesse relação com o raio, qualquer pessoa com um mínimo de experiência em televisão — ou de bom senso — sabe que apresentadores devem se manter sérios antes, durante e depois de uma notícia negativa. E Maju tem quase 20 anos de Globo. Entre os que estão fartos do governo Lula, do atual STF e do Legislativo de sempre, pegou muito mal. Já os que acham que está tudo certo no Brasil, maravilha da propaganda oficial, nada viram de mais. Ao contrário, sentiram-se representados. Vibraram com o raio como se comemorassem um gol. O comportamento da imprensa velha atende às expectativas de quem, entre seres humanos e um raio, torce pelo raio.
A GloboNews também aproveitou para criticar os organizadores da caminhada. “As lideranças do evento, especialmente o deputado Nikolas Ferreira, deveriam ter suspendido o evento, para dar segurança aos liderados”, disse Gérson Camarotti, um dos principais comentaristas da emissora. Aproveitou para falar dos perigos de caminhar ao longo de uma rodovia, e até mesmo de uma eventual aproximação da área da Papudinha: “Tinha um grupo que achava que poderia chegar até lá”, afirmou, condenando algo que não aconteceu.
GloboNews - As lideranças do evento, especialmente o deputado Nikolas Ferreira, deveriam ter suspendido o evento, para dar segurança aos liderados”, diz @gcamarotti. Raio deixou 34 manifestantes feridos, sendo oito em estado em grave. Assista na #GloboNews: glo.bo/39WjXAu Assista no X 6:26 PM · 25 de jan de 2026 2,8 mil Responder Copiar link para o post Ler 2,2 mil respostas 30/01/2026, 11:56
Depois de visitar os feridos no hospital, Nikolas foi cercado por repórteres das mais variadas origens. A cena deveria ter sido comum ao longo da caminhada e poderia ser celebrada como um bom sinal, ainda que tardio, caso a pauta dos jornalistas ali presentes fosse dar eco ao grito por liberdade dos milhares de manifestantes. Só que não. Na grande maioria, estavam ali pelo raio. “Eu não vi muitos de vocês na caminhada, durante sete dias, e agora, quando acontece um incidente natural, aí vocês aparecem”, disse o deputado. “É muito previsível o que essa parte da mídia faz, porque no fim das contas é querer destruir a imagem de um movimento que foi muito sério, muito bonito.”
Oeste, conforme tem feito desde sua criação, viu o que tinha de ser visto e realizou ampla cobertura da caminhada, desde os preparativos até o encerramento, bem como segue acompanhando as repercussões. Além de abordar o tema em todos os seus espaços, durante cinco dias, o repórter Gabriel de Souza e o cinegrafista Gabriel Nery Reis marcharam lado a lado com os manifestantes, o que rendeu inúmeras entradas ao vivo na programação do canal no YouTube, matérias no site e postagens nas redes sociais da revista.
Gabriel de Souza - Está na chuva, é para se molhar Um pouco da minha cobertura na Revista Oeste sobre a caminhada do Nikolas Ferreira pela liberdade
Além de Oeste, poucos veículos cumpriram seu papel de mostrar as coisas como as coisas são. O site Metrópoles acompanhou a caminhada de perto, o SBT se fez presente, Gazeta do Povo e Jovem Pan também deram cobertura. Uns poucos passaram a noticiar apenas quando a marcha se aproximava da capital federal, ou quando o ministro do STF Alexandre de Moraes proibiu manifestações e acampamentos próximos à Papudinha, onde o ex-presidente Jair Bolsonaro está preso. O restante, de modo geral, ignorou o movimento ou o relegou a pequenas notas sem destaque até a natureza abrir as portas para manchetes supostamente negativas para a caminhada e seus organizadores.
Se a “grande” mídia ignora ou minimiza eventos que não interessam à sua agenda, veículos de variados portes espalhados pelo país, bem como influenciadores por meio de seus canais no YouTube e nas redes sociais, ajudam a dar voz a grande número de brasileiros. Também colaboram para desnudar este círculo de omissão. “O silêncio da mídia tradicional revela um tratamento desigual e levanta questionamentos sobre pluralidade e liberdade editorial”, questionou, por exemplo, a Rádio Liberdade de Água Boa, Mato Grosso.
A maioria da mídia tratou com frieza, ou relegou ao mínimo espaço possível, a Caminhada pela Liberdade, deixando evidente, mais uma vez, a discrepância entre a mobilização registrada nas ruas e o que ganha destaque nos noticiários. Em tempos já difíceis para veículos de comunicação tradicionais devido às facilidades oferecidas pela internet, onde cada um pode ter e ser seu próprio canal, os avanços das redes sociais, a inteligência artificial e tudo o mais que vem por aí, ignorar milhões de vozes será cada vez mais um péssimo negócio.
A recusa em enxergar a manifestação como fato político relevante não é descuido jornalístico, mas escolha editorial, e revela, mais uma vez, que a imprensa velha não dorme por cansaço, mas por conveniência. Mas o menosprezo não muda os fatos. O Brasil real segue caminhando enquanto parte da mídia insiste em dormir.
Elizário Goulart Rocha - Revista Oeste
'A grande ideia de Nikolas', por Edilson Salgueiro
A caminhada improvisada de 250 quilômetros até Brasília colocou na estrada milhares de brasileiros que saíram da apatia e perderam o medo de lutar pela liberdade
Augusto Nunes - O PT morrerá com Lula
Seitas jamais sobrevivem à partida do seu único deus
Q uando Lula morrer, o que restará do Partido dos Trabalhadores? Nada. Ou zero vezes zero, diria J. R. Guzzo. O PT nunca foi um partido. É uma seita que agrupa os praticantes do lulopetismo. Não são militantes. São devotos de um palanque ambulante promovido a único deus. Condenado por ladroagem em três instâncias, ele seguiu baixando ordens que os lulopetistas engolem sem engasgos e executam sem resmungos. É assim desde 1980, quando foi rezada a missa negra inaugural. E assim será enquanto estiver viva a divindade de botequim.
Da escolha do candidato a prefeito de Potirendaba ao novo ministro das Relações Exteriores, passando pelos tesoureiros das sucursais mais rentáveis do PT, tudo é decidido pelo primeiro presidente da República que fugia da escola com a velocidade de um Usain Bolt. “Não estudei por preguiça”, contou numa entrevista ao diretor de teatro Flávio Rangel. “Acho leitura pior que exercício em esteira”, confessou em outro vídeo. Como isto aqui é o Brasil, um Macunaíma que jamais leu um livro e não sabe escrever elegeu-se presidente da República. Três vezes.
Na cabeça baldia de Lula, nunca houve lugar para elaborações ideológicas, programas administrativos, projetos de país ou planos de governo. Há espaço de sobra para o mundaréu de ideias de jerico, vigarices eleitoreiras, alianças cafajestes e todas as formas de tapeação, concebidas para garantir o voto de milhões de brasileiros condenados à ignorância por um sistema de ensino mambembe e aprisionados pela dependência de adjutórios federais. Para a clientela do Bolsa Família, por exemplo, ser feliz é não morrer de fome — sem trabalhar.
“É o maior programa oficial de compra de votos do mundo”, constatou há anos o ex-governador de Pernambuco Jarbas Vasconcelos. Param por aí os sonhos dos desvalidos que ainda enxergam um Pai dos Pobres na mais gulosa Mãe dos Ricos (que, aos 80 anos, quer desfrutar por mais cinco dos palácios de Brasília). Os bolsistas do lulopetismo nem sabem que existe uma Nova York. Não sabem sequer para que serve um documento chamado passaporte. Não fazem ideia do que é zanzar entre nuvens nos jatinhos de amigos ricaços.
É improvável que saibam que o padrinho é o primeiro presidente
brasileiro preso por corrupção passiva e lavagem de dinheiro.
Tampouco sabem que deixaram de existir nos anos em que a seita
esteve fora do poder. “Tirei 60 bilhões da pobreza em oito anos na
Presidência”, jurou numa discurseira recente. (Como há cerca de 8,3
bilhões na Terra, decerto buscou o resto em outros planetas. Não
revelou quais.) “Com o Bolsonaro no governo, os pobres voltaram”, foi
em frente. “Tive de tirar 30 milhões outra vez”. E os bilhões que
existiam na conta anterior? Ninguém sabe.
Quem faz uma coisa dessas não poderia ficar fora do elenco que anda fazendo o diabo no épico caso Master.
É o primeiro faroeste à brasileira com tempero pornopolítico. Junta banqueiros larápios, ministros do Supremo Tribunal Federal, mulheres, filhos, irmãos e cunhados de juízes do STF, advogados que cobram em dólares por segundo, garotas de programa, policiais federais que descobrem bandalheiras escondidas por um procuradorgeral que nada procura, jornalistas alugados, blogueiros que atiram nos inimigos do freguês e matam a gramática e a ortografia, surubas restritas à turma do grupo A e até um padre implorando por excomunhão.
O ministro Dias Toffoli faz bonito no papel de esconderijo de provas. Os episódios históricos mais relevantes atestam que o país foi construído sem povo e sem partidos de verdade. Durante o longo reinado de D. Pedro II, as diferenças entre ministérios formados por liberais e conservadores eram tão pálidas que, caso os dois partidos se fundissem num só, nem o imperador notaria. E o povo contemplava a paisagem política de longe e em silêncio, como um figurante sem direito a falas. Foi assim quando a monarquia foi trocada pela república. “O povo assistiu aquilo bestializado, como se fosse uma parada militar”, resumiu Aristides Lobo, jornalista e integrante do então esquálido Partido Republicano.
Sempre à espera do Homem Providencial, capaz de resolver sozinho e em pouco tempo os problemas passados, presentes e futuros do país, o eleitorado frequentemente forma agrupamentos cuja denominação deriva do prenome do líder. Tivemos o janismo, o brizolismo, o getulismo e outros “ismos”. Só os partidários de Getúlio Vargas conseguiram que o presidente suicida sobrevivesse politicamente à morte física e continuasse a influenciar disputas eleitorais quando haviam chegado os anos 1960. Ciumento como todo populista, Lula impediu o surgimento de possíveis herdeiros. E não seguiu o exemplo de Getúlio, autor da carta-testamento que serviu de guia para devotos. inconformados.
Como um bebê de colo, o octogenário Lula não sabe escrever.
Augusto Nunes - Revista Oeste