Efeito das novas recomendações do JPMorgan foi imediato sobre os papéis dos dois bancos
Um dia depois da disparada das ações de empresas do setor financeiro, impulsionadas pela euforia do mercado com o resultado do primeiro turno das eleições no Brasil, o JPMorgan, o maior banco dos Estados Unidos e uma das principais instituições financeiras do mundo, rebaixou sua recomendação para as ações do Banco do Brasil (BBAS3) e a elevou para o Bradesco (BBDC4).
No caso do Banco do Brasil, a recomendação foi cortada de neutra para underweight (exposição abaixo da média do mercado, equivalente à venda)
Rebaixar a recomendação de uma ação (o chamado downgrade) significa que uma instituição financeira reduziu a sua avaliação sobre o potencial daquela empresa, indicando que as expectativas de lucro ou valorização diminuíram.
Quando isso acontece, na prática, a classificação da ação é modificada para uma categoria inferior (de compra para neutro ou de neutro para venda, como ocorreu com o Banco do Brasil).
O Bradesco, por sua vez, fez o caminho inverso. O JPMorgan elevou sua recomendação para as ações do banco brasileiro de neutro para overweight (exposição acima da média do mercado, equivalente à compra).
Impacto sobre as ações
O efeito das novas recomendações e estimativas do JPMorgan foi imediato sobre os papéis dos dois bancos. As ações do Banco do Brasil fecharam o pregão desta terça-feira, 6, em forte queda de 6,42%, negociadas a R$ 24,64. Foi a maior desvalorização do dia na Bolsa de Valores do Brasil (B3).
Além de subir a recomendação para o Bradesco, o JPMorgan aumentou o preço-alvo da ação do banco de R$ 22 para R$ 26, o que representou uma valorização de 19% em relação ao fechamento anterior. No caso do Banco do Brasil, o preço-alvo oscilou de R$ 22 para R$ 23.
O que diz o JPMorgan
De acordo com o JPMorgan, o Banco do Brasil deve enfrentar um cenário desafiador em 2027, com possível recuperação a partir de 2028. Segundo o banco norte-americano, a exposição relevante ao agronegócio fará com que a instituição se beneficie menos de uma eventual queda da taxa básica de juros (Selic) do que outros bancos privados.
A instituição financeira dos EUA projeta ainda que a recente deterioração da carteira de agronegócio pressione lucros, rentabilidade e distribuição de dividendos.
O JPMorgan projeta um lucro líquido ajustado do Banco do Brasil de R$ 16 bilhões em 2026, ante R$ 20,7 bilhões em 2025. Para 2027, a estimativa é de R$ 22,6 bilhões e, para 2028, de R$ 27,1 bilhões.
Fábio Matos - Revista Oeste
