sexta-feira, 19 de junho de 2026

Imigração em massa: o alerta na Europa, por Ana Paula Henkel

Em vez de promover uma discussão séria, boa parte das elites políticas e midiáticas optou por tratar a crítica ao modelo vigente como sinal de intolerância ou preconceito



Ataque a facadas em Belfast e a violenta resposta popular provocam tensão e crise social no Reino Unido, relata a imprensa local - Foto: Shutterstock 


H á quase duas semanas, a Irlanda do Norte registra cenas de fortes protestos que rapidamente ganharam repercussão internacional. As manifestações começaram depois de um bárbaro ataque a faca ocorrido na cidade de Belfast, que deixou um homem gravemente ferido. A vítima, Stephen Ogilvie, sofreu ferimentos graves no rosto, no pescoço e nas costas, além de perder o olho esquerdo durante o ataque. Testemunhas conseguiram conter o agressor até a chegada da polícia, evitando consequências ainda mais graves. 

O agressor é Hadi Alodid, cidadão sudanês de 30 anos e requerente de asilo com autorização para permanecer no Reino Unido. Ele foi preso no local, acusado de tentativa de homicídio, posse de arma branca e de ameaçar de morte um funcionário do sistema público de saúde britânico, ficando sob custódia das autoridades. Alodid obteve permissão de permanecer na Grã-Bretanha por meio de um controverso sistema de tramitação acelerada, após preencher um questionário de dez páginas do ministério do interior, em vez de passar pelo processo padrão — e muito mais rigoroso — de entrevista presencial.

Vídeos da agressão se espalharam pelas redes sociais e serviram de catalisador para a explosão de indignação que já vinha se acumulando há muito tempo. Carros foram incendiados. Confrontos tomaram as ruas. 


Protestos se multiplicaram

Há dias, manifestações contra a 19/06/2026, 19:35 Imigração em massa: o alerta na Europa - Revista Oeste https://revistaoeste.com/revista/edicao-327/imigracao-em-massa-o-alerta-na-europa/ 3/17 imigração em massa reuniram dezenas de milhares de pessoas em diferentes cidades da Europa. 

Polônia, Itália, Espanha, Irlanda, Suécia, Escócia e Inglaterra registraram atos que, embora distintos entre si, compartilham uma mesma mensagem: uma parcela crescente da população europeia acredita que seus governos perderam o controle da política migratória e se recusam a ouvir preocupações legítimas de seus próprios cidadãos. 

O episódio de Belfast não criou essa insatisfação. Apenas a revelou. Durante anos, o debate sobre imigração na Europa foi conduzido de maneira superficial. De um lado, estavam aqueles que defendiam fronteiras praticamente abertas em nome de princípios humanitários. De outro, aqueles que alertavam para os impactos sociais, culturais e econômicos de uma imigração em massa sem critérios claros de integração. 

Em vez de promover uma discussão séria, boa parte das elites políticas e midiáticas optou por tratar qualquer crítica ao modelo vigente como sinal de intolerância ou preconceito.


O resultado foi previsível. 

Questões reais deixaram de ser discutidas até se transformarem em crises políticas. 

Milhões de europeus observam mudanças profundas em seus bairros, em suas escolas, em seus sistemas de saúde e em suas cidades. Muitos sentem que as autoridades não apenas ignoram suas preocupações, mas frequentemente procuram desqualificá-las. 

A consequência natural desse processo foi o crescimento de movimentos políticos que prometem fazer exatamente aquilo que os governos tradicionais se recusaram a fazer: controlar as fronteiras e reduzir os fluxos migratórios. Existe uma tendência de simplificar esse debate e apresentá-lo apenas como uma discussão sobre números. 

Não é disso que se trata. A questão central é confiança. Uma democracia depende da convicção de que os governantes estão ouvindo os governados. Quando milhões de pessoas passam a acreditar que suas preocupações são sistematicamente ignoradas, a confiança nas instituições começa a se deteriorar. 

A crise migratória europeia tornou-se, acima de tudo, uma crise de representação política. Há também uma dimensão econômica que não pode ser ignorada. 

Em diversos países europeus, cidadãos trabalham sob uma das maiores cargas tributárias do mundo. Pagam impostos elevados para financiar sistemas de saúde, educação, transporte e assistência social. Ao mesmo tempo, governos destinam bilhões de euros a programas voltados para requerentes de asilo e recém-chegados. 

A questão não é a existência de ajuda humanitária. Sociedades civilizadas sempre demonstraram solidariedade diante de tragédias e perseguições reais. O problema surge quando uma parcela significativa da população passa a perceber que o Estado parece mais eficiente para atender quem acaba de chegar do que aqueles que sustentam o sistema há décadas. 

Famílias enfrentam dificuldades para adquirir moradia. Jovens adiam projetos de vida devido ao custo crescente dos imóveis. Hospitais operam sob pressão. Serviços públicos enfrentam filas cada vez maiores. Nesse contexto, muitos cidadãos se perguntam por que governos parecem encontrar recursos ilimitados para novas políticas migratórias enquanto afirmam não possuir recursos suficientes para resolver problemas antigos que afetam seus próprios contribuintes. 

Ignorar essa pergunta não a faz desaparecer. Pelo contrário. Ela retorna às urnas. E foi exatamente isso que ocorreu nos Estados Unidos em 2024. A vitória avassaladora de Donald Trump na última eleição presidencial americana não pode ser compreendida apenas como um fenômeno partidário. Ela refletiu uma percepção compartilhada por milhões de americanos de que o governo federal havia perdido o controle da fronteira e deixado de priorizar as necessidades dos próprios cidadãos. 

A questão migratória ocupou papel central naquela eleição porque tocava em temas muito maiores do que imigração. Falava de soberania, segurança, responsabilidade fiscal e confiança institucional. Muitos americanos sentiam que trabalhavam, pagavam impostos e respeitavam as leis enquanto o governo direcionava recursos cada vez maiores para pessoas que haviam entrado ilegalmente no país.

 Independentemente da posição ideológica de cada eleitor, essa percepção era politicamente poderosa. A Europa começa a viver um processo semelhante. Mas existe uma dimensão ainda mais profunda, frequentemente evitada pelas elites políticas do continente. 

A dimensão civilizacional. Durante séculos, a Europa foi mais do que uma expressão geográfica. Foi uma civilização moldada por uma herança cultural, filosófica e religiosa profundamente influenciada pelo cristianismo. Suas universidades nasceram em ambientes cristãos. Suas catedrais moldaram suas cidades. 

Sua arte, sua literatura, suas instituições e até sua compreensão da dignidade humana carregam marcas dessa tradição. A imigração em massa transformou essa discussão em algo muito mais complexo do que uma questão de mercado de trabalho ou assistência social. 

Milhões de europeus observam a chegada de populações provenientes de contextos culturais e religiosos profundamente diferentes daqueles  que moldaram historicamente suas sociedades. Em muitas cidades, bairros inteiros passaram por transformações rápidas e significativas. 

O debate sobre integração deixou de ser teórico e tornou-se uma experiência cotidiana. Ao mesmo tempo, uma parte significativa das elites europeias parece ter desenvolvido uma relação ambígua com a própria herança cultural do continente. 

Enquanto igrejas esvaziam-se, tradições históricas são frequentemente tratadas como símbolos de um passado problemático e referências cristãs desaparecem gradualmente do espaço público, muitos cidadãos observam que a Europa parece menos disposta a defender sua própria identidade do que qualquer outra civilização do planeta. 

Essa percepção alimenta uma inquietação crescente. Não apenas sobre quem está chegando, mas sobre aquilo que os próprios europeus ainda desejam preservar. A preocupação manifestada por muitos cidadãos não se limita à segurança ou à economia. 

Ela envolve a continuidade histórica de suas nações, a preservação de costumes, tradições e valores que consideram fundamentais para sua identidade coletiva. 

Os defensores das políticas migratórias atuais frequentemente respondem que a imigração sempre fez parte da história das sociedades ocidentais. A observação é verdadeira. Os próprios Estados Unidos são resultado de sucessivas ondas migratórias. 

Ainda assim, muitos europeus argumentam que a discussão não pode ser reduzida simplesmente ao fato de haver imigração. Para eles, a questão envolve também a distância cultural entre as populações que chegam e as sociedades que as recebem. 

A Califórnia oferece um contraste interessante. Embora receba um grande número de imigrantes, a maioria vem de países latinoamericanos cuja herança histórica foi profundamente influenciada pelo cristianismo. Existem diferenças linguísticas, econômicas e nacionais importantes, mas também há referências culturais compartilhadas que facilitam processos de integração. 

Na Europa, parte do debate gira em torno de um fenômeno diferente. Milhões de recém-chegados são muçulmanos que vieram de regiões marcadas por tradições religiosas, estruturas sociais e visões de mundo significativamente distintas daquelas que moldaram historicamente as sociedades europeias. 

Para muitos cidadãos, a preocupação não está apenas na quantidade de imigrantes, mas na velocidade e na profundidade das transformações culturais produzidas por fluxos migratórios de grande escala. 

É nesse contexto que questões relacionadas à identidade nacional, ao cristianismo, à integração e à preservação de valores históricos passaram a ocupar um espaço cada vez maior no debate político europeu.

Esse é um dos motivos pelos quais o debate migratório se tornou tão intenso. Ele deixou de ser apenas uma discussão sobre fronteiras e transformou-se numa discussão sobre pertencimento. 

Os defensores das políticas migratórias atuais frequentemente respondem lembrando que a Europa sempre recebeu influências externas, e que a diversidade faz parte da história do continente. E há verdade nessa observação. A história europeia é marcada por trocas culturais constantes. 

Mas existe uma diferença importante entre imigração gradual e imigração em massa. Existe diferença entre integração e transformação acelerada, entre acolher indivíduos e alterar profundamente o perfil demográfico de sociedades inteiras em um período relativamente curto. 

Essas distinções são precisamente o que milhões de europeus tentam colocar no centro da discussão. 

Durante muito tempo, entretanto, a reação das elites foi negar a legitimidade dessas preocupações. Hoje, a realidade política demonstra o fracasso dessa estratégia. Partidos favoráveis a controles migratórios mais rígidos avançam em praticamente todo o continente. Governos que antes defendiam políticas mais abertas passaram a endurecer suas posições. 

A própria União Europeia discute mecanismos para acelerar deportações e reforçar controles fronteiriços. Nada disso aconteceu por acaso, mas porque a distância entre governantes e governados tornou-se grande demais para ser ignorada.

O episódio de Belfast, assim como tantos outros acontecimentos recentes, não deve servir para alimentar ódio contra imigrantes ou hostilidade contra pessoas que buscam uma vida melhor. Generalizações são injustas e intelectualmente preguiçosas. 

Mas tampouco deve servir para silenciar uma discussão legítima. Toda sociedade tem o direito de decidir quem entra em seu território, em quais condições entra e quais valores devem ser compartilhados para garantir a coesão social. Essa não é uma posição extremista. É um princípio básico de soberania. 

O grande erro de muitos líderes europeus foi acreditar que poderiam transformar profundamente suas sociedades sem consultar adequadamente aqueles que viveriam as consequências dessas decisões.

Agora a reação chegou e ela aparece nas ruas, nas urnas e nas pesquisas. E continuará aparecendo enquanto milhões de cidadãos sentirem que suas preocupações são tratadas com desprezo. A grande questão da Europa não é se a imigração deve existir. Todas as sociedades modernas recebem imigrantes.

A questão é quem define os limites desse processo, quais critérios orientam sua condução e quais elementos de uma civilização merecem ser preservados. A história mostra que sociedades saudáveis conseguem equilibrar abertura e continuidade, acolher sem perder a própria identidade, e adaptar-se sem esquecer quem são. 

A Europa ainda procura esse equilíbrio. E talvez a principal lição dos acontecimentos recentes seja justamente esta: quando governos deixam de ouvir seus próprios cidadãos durante tempo demais, os cidadãos acabam encontrando outras formas de serem ouvidos. 

Ana Paula Henkel - Revista Oeste

O show do trilhão, por Dagomir Marquezi e Erich Mafra

 


O biógrafo Walter Isaacson levou três anos para entender que Elon Musk vive em “estado de guerra”. Quando o sulafricano, prestes a completar 55 anos, aposta em uma ideia, age como num jogo de pôquer cuja única saída é o all in. Foi assim que criou a Zip2, sua primeira empresa. O “tudo ou nada” o levou na semana passada à Oferta Pública Inicial (IPO) da SpaceX, que estreou avaliada em US$ 1,77 trilhão e chegou a bater US$ 2,5 trilhões no pico. A companhia produz espaçonaves, oferece serviço de inteligência artificial (xAI) e internet por satélite (Starlink). 

“Se alguém dissesse que isso aconteceria, eu diria: ‘cara, você deve estar fumando um crack muito bom’.” Foi assim que Musk descreveu a estreia de suas ações. Isaacson o define como um man-child (“crianção”). A trajetória do dono da SpaceX mostra que o melhor adjetivo para ele é inovador. Musk tinha 12 anos quando ganhou seus primeiros US$ 500. Aproveitou o boom dos videogames nos anos 1980 e vendeu a uma revista um jogo chamado Blastar. Ali já estava seu DNA de empresário: tecnologia somada à paixão por ficção científica, nascida da admiração por autores como Douglas Adams e Isaac Asimov. 

O jogo dava ao usuário o controle da primeira espaçonave (virtual) que construiu. Em 1989, pressionado pela relação tortuosa com o pai, entendeu que só teria futuro longe da África do Sul. Foi para o Canadá, onde estudou física e economia na Queen’s University. Mudou-se para os EUA no meio dos cursos e se formou na Universidade da Pensilvânia e na Wharton School of Business. Em 1995, seguiu para a Califórnia a fim de fazer doutorado em física em Stanford, em “ciência dos materiais”, que talvez o ajudasse no sonho de produzir carros elétricos. Só ficou dois dias no curso. Segundo o biógrafo, teria dito a um amigo: “Tenho que pegar a onda da internet”

O estalo veio ao perceber que as antigas “páginas amarelas” se beneficiariam da tecnologia digital. Com o irmão, Kimbal, e dinheiro dos pais (US$ 40 mil e o cartão de crédito da mãe), fundou a Zip2, uma ouça este conteúdo readme 0:00 1.0x Olá,Jose 19/06/2026, 17:03 O show do trilhão - Revista Oeste https://revistaoeste.com/revista/edicao-327/o-show-do-trilhao/ 2/14 “rede interativa de listas de empresas” que ligava negócios a um “banco de mapas”. Um precursor de ferramentas como Google Maps e Waze. Em 1999, os irmãos venderam a empresa por US$ 305 milhões. Elon alcançava um patrimônio pessoal de US$ 22 milhões. 

O lado “crianção” apareceu no primeiro ato no clube do milhão. Comprou um McLaren F1, um dos carros mais rápidos da época, e chamou a CNN para filmar a entrega. O impulso pesou na consciência: ficou parecendo um “pirralho imperialista”, segundo ele próprio. Tomou duas providências: doou parte dos milhões aos pais e apostou num projeto útil à sociedade. O milionário que sofreu um golpe Em 1999, nasceu o X.com. Não o “X” que hoje nomeia o antigo Twitter, mas um banco digital que adiantava o conceito de fintech. 

Quando a maioria das pessoas ainda tinha pavor de digitar o número do cartão numa tela, Musk deixava qualquer um transferir dinheiro só com o email. O negócio prosperou e, para consolidar o monopólio, fundiu-se com a Confinity, startup de Peter Thiel. Ali nasceu o titã que o mundo conhece como PayPal. Foi também o passo que ligou o “estado de guerra” de Musk. Em setembro de 2000, quando estava num avião rumo à lua de mel com sua primeira mulher, foi destituído do cargo de CEO pelo conselho, que pôs Thiel no lugar. O motivo oficial foi uma briga sobre migrar o sistema para Windows. Mas o que pesava mesmo era a preferência dos investidores pelo “domável” Thiel.

Musk engoliu o orgulho e seguiu como acionista. A recompensa veio em 2002, quando o eBay comprou o PayPal por US$ 1,5 bilhão. Maior acionista individual, saiu da mesa com US$ 165 milhões. Os fundos deram o pontapé inicial num plano que ainda corre: transformar a humanidade numa “sociedade multiplanetária”. Suas prioridades viraram carros elétricos, chips que ligam cérebros a computadores, robôs autônomos e espaçonaves. 

Certa vez, explicou o motivo: “Existe uma diferença fundamental entre uma humanidade que é uma civilização espacial, explorando as estrelas… e outra para sempre confinada à Terra até um evento de extinção inevitável.” O ano em que o céu quase desabou Em 2002, Musk fundou a SpaceX, que agora lhe rendeu o primeiro trilhão. 

A indústria aeroespacial, dominada por gigantes estatais como a Nasa, debochou da ideia de um sul-africano construir foguetes baratos e reutilizáveis. O deboche quase se provou profético. Entre 2006 e 2008, as três primeiras tentativas de lançar o Falcon 1 explodiram antes da órbita e incineraram quase todo o caixa. 

Em paralelo, Musk dava o all in definitivo da vida. Virou o principal investidor e assumiu a Tesla, startup que queria viabilizar o carro elétrico. Em plena crise global, as duas empresas sangravam. Sem liquidez, o empresário vivia de empréstimos para pagar o aluguel e atravessava um divórcio devastador. Restava dinheiro só para mais um lançamento do Falcon 1. Se falhasse, o império morreria antes mesmo de nascer

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O triunfo da altivez - por Augusto Nunes

A coragem de Mendonça venceu a arrogância do decano 


Ministro André Mendonça na sessão da Segunda Turma do STF (16/06/2026) - Foto: Rosinei Coutinho/STF

Gilmar Mendes imaginou que também André Mendonça cairia na armadilha utilizada com sucesso nos embates com Joaquim Barbosa e Luís Roberto Barroso: provocar o oponente com apartes irritantes até que seja rebaixado a bate-boca o que deveria ser um confronto de ideias ou opiniões. Joaquim lembrou aos berros que Gilmar não estava falando com capangas a serviço do latifundiário mato-grossense. Barroso buscou socorro na baixaria erudita: “Você é uma pessoa horrível, uma mistura do mal com atraso e pitadas de psicopatia”, disse ao inimigo que depois virou amigo de infância. Com Mendonça o truque não funcionou.


Gilmar Mendes e André Mendonça na sessão da Segunda Turma do STF (16/06/2026) - Foto: Luiz Silveira/STF 

O que houve na sessão que manteve na cadeia o pai e um primo de Daniel Vorcaro foi o duelo entre um jovem homem da lei e um especialista em soltura de culpados. Se pudesse, Gilmar já teria devolvido o direito de ir e vir aos poucos prisioneiros engaiolados por patifarias vinculadas ao falecido Banco Master. Como até chicana tem limite, o decano resolveu convencer companheiros de turma de que os acusados mereciam a prisão domiciliar. Derrotado por 3 votos a 1 (o dele), já começou a coleta de vícios imaginários que lhe permitirão... 








Augusto Nunes - Revista Oeste

Ameaça suprema, escreve Cristyan Costa

André Mendonça tenta impedir que as investigações sobre o Banco Master tenham o mesmo destino da Lava Jato


André Mendonça e Gilmar Mendes - Ilustração: Gerada por IA/Freepik/Oeste


D espedida fria nos corredores, poucas palavras e olhares turvos. Assim terminou a sessão da 2ª Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) de terça-feira, 16, para André Mendonça e Gilmar Mendes, protagonistas de um embate que dominou o julgamento. Embora o colegiado tenha mantido a prisão do pai e do primo de Daniel Vorcaro, ex-dono do antigo Banco Master, liquidado há alguns meses, a principal disputa ocorreu nos votos do relator e do decano, revelando divergências que poderão definir o futuro da Compliance Zero, operação da Polícia Federal (PF) que apura as fraudes cometidas por Vorcaro em parceria com servidores públicos que participaram do esquema bilionário. 

O cerne da questão que despertou a fúria de Mendonça está nas entrelinhas das manifestações de Mendes. Embora tenha referendado parcialmente as medidas do relator, o decano fez ressalvas a respeito de prisões cautelares, vazamentos de informações sigilosas e o alcance das diligências em curso. Mais do que discordâncias pontuais, as observações reproduzem teses que, nos últimos anos, foram decisivas para a anulação de processos da Lava Jato. A depender de como as coisas caminharão, a Compliance Zero poderá enfrentar um destino bem semelhante no futuro.


Anatomia da chicana 

Durante o debate acalorado, Mendes evocou repetidamente a Lava Jato. Disse enxergar “desconcertantes semelhanças” entre episódios da força-tarefa e fatos observados no caso Master. Em outro momento, advertiu que “atropelos ao direito de defesa e às regras processuais podem gerar espuma midiática e linchamentos morais no curto prazo, mas cobram um preço alto no futuro”. Para o decano, “o debacle da Lava Jato é um exemplo disso”. 

Mendes foi um dos principais articuladores do desmonte da operação anticorrupção, principalmente quando ela chegou aos tucanos, bateu na porta do governo Michel Temer e ameaçou o Poder Judiciário como um todo. Mendonça reagiu de forma direta.

“Não estamos aqui a julgar a Lava Jato”, rebateu. Em seguida, elevou o tom: “Estamos aqui a julgar a maior fraude financeira da história do nosso país”. O ministro também procurou afastar suspeitas sobre a condução da investigação. “Eu não prendo para obter delação”, declarou, em alusão a Alexandre de Moraes, que manteve o tenente-coronel Mauro Cid detido por meses até o militar decidir delatar o ex-presidente Jair Bolsonaro, de quem foi ajudante de ordens. 

A Oeste, pessoas no entorno de Mendonça afirmam que a PF compartilha da visão do relator e nota a estratégia do decano: Mendes não tem votado para derrubar as medidas determinadas pelo colega. Ao contrário. Quando analisou a situação de Vorcaro, acompanhou a manutenção das cautelares. O mesmo ocorreu nos julgamentos envolvendo Paulo Henrique Costa, ex-presidente do Banco de Brasília, e na sessão que tratou do pai e do primo do ex-banqueiro. 

O que chama a atenção dos investigadores não é o resultado dos julgamentos, mas os fundamentos adotados pelo decano. Em todos esses episódios, Mendes fez questão de registrar ressalvas sobre os métodos da PF. 

Ao contestar a prisão preventiva de Vorcaro, por exemplo, Mendes atacou os conceitos de Mendonça sobre “confiança social na Justiça, pacificação social e resposta célere do sistema de Justiça”. Segundo o decano, “o manejo desses recursos argumentativos era desnecessário para a decretação das medidas cautelares”. 

“A meu ver, algumas das expressões usadas na decisão ora submetida a referendo são um retrato do que esses dispositivos buscam combater: o recurso a clichês que serviriam para justificar a prisão de qualquer pessoa que é acusada de um crime”, escreveu Mendes no voto. 

O ministro também criticou o “apelo a conceitos porosos e elásticos” utilizados por Mendonça em sua decisão. E citou — outra vez — a Lava Jato para alertar sobre o risco de “atropelo a ritos processuais”. As ponderações voltaram a se repetir no julgamento que manteve na cadeia o ex-BRB e o advogado Daniel Monteiro, que atuava pelo Master. Ao divergir parcialmente da operação, disse que Monteiro merecia o regime domiciliar. 

De acordo com o decano, embora a PF tenha achado indícios de participação do advogado no escândalo, não há elementos suficientes para equiparar sua conduta à de outros alvos. “Não me parece ter sido realizada a adequada distinção entre aquilo que constituiria atuação ilícita e aquilo que seria atividade advocatícia regular (que a própria autoridade policial admite que era também prestada pelo investigado em favor do Master)”, afirmou Mendes, no voto.


Muro de contenção 

Foi justamente esse padrão que acendeu o sinal de alerta entre investigadores. A preocupação decorre do histórico recente do próprio STF. Isso porque, no tribunal, grandes operações raramente são enfraquecidas por uma única decisão judicial. O processo costuma ser gradual. Primeiro surgem questionamentos sobre procedimentos específicos. Depois, essas críticas transformam-se em teses jurídicas mais amplas. Por fim, acabam servindo de fundamento para restringir investigações, invalidar provas e revisar condenações. Foi exatamente esse roteiro que marcou os capítulos finais da Lava Jato em meados de 2019.

Por isso, investigadores enxergam nos votos de Mendes algo que vai além das discussões travadas na sessão desta semana. Na visão deles, o ministro começou a deixar registrados, desde já, argumentos que poderão reaparecer caso a Compliance Zero avance para denúncias, ações penais e eventuais condenações. Em outras palavras, a preocupação não é que Mendes tente sepultar a operação agora. O receio é que ele esteja construindo, voto após voto, as bases jurídicas que poderão ser utilizadas para questioná-la no futuro. Portanto, Mendes estaria preparando o terreno — e não enterrando a operação neste momento. 

Com isso, a defesa tem fundamento para questionar a validade da investigação posteriormente. Ao apontar supostas irregularidades na condução da Compliance Zero e na obtenção de provas, o decano ofereceu argumentos que poderão ser explorados pela defesa para sustentar pedidos de nulidade processual. A aposta dos advogados de Vorcaro e demais envolvidos é que essas interpelações permitam invocar a teoria dos “frutos da árvore envenenada”, segundo a qual uma ilegalidade na origem da investigação comprometeria todos os elementos dela decorrentes. O então advogado de Lula, Cristiano Zanin, usou estratégia parecida para ajudar o petista no passado.

Conforme um ex-ministro do STF ouvido pela reportagem em caráter reservado, o voto vencido de Mendes deixa de ser apenas uma “divergência circunstancial dentro da 2ª Turma e passa a funcionar como um roteiro para futuras contestações judiciais”. Os argumentos de Mendes podem reaparecer em recursos ao plenário do STF e em pedidos de habeas corpus destinados a questionar prisões.

O cenário, contudo, não é o mesmo que existia quando a Lava Jato começou a ser desmontada. Nos últimos anos, a correlação de forças dentro da 2ª Turma sofreu alterações importantes. A principal delas ocorreu com a saída de Luís Roberto Barroso do STF e a mudança de Luiz Fux para o colegiado, no fim do ano passado, em virtude da cadeira vaga na Turma. Fux, que apoiou a Lava Jato, passou a divergir de praticamente todas as posições defendidas por Mendes e Dias Toffoli e alinhou-se a Mendonça e Nunes Marques, criando uma espécie de “muro de contenção”. 

A sintonia entre Mendes e Toffoli, por sua vez, não se restringe aos julgamentos. O decano aconselhou o colega a se declarar impedido em processos do Master. 

A recomendação foi acolhida por Toffoli, ex-relator das ações. A resistência, contudo, está longe de representar uma maioria consolidada. Indicado também ao STF pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, Nunes Marques mantém interlocução próxima com lideranças do centrão, entre elas, o senador Ciro Nogueira (PP-PI), alvo de operações da PF, e frequentemente adota posições próprias. Em maio, por exemplo, contrariando expectativas da oposição, seu voto contribuiu para inviabilizar a continuidade da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que investigava o roubo de aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). 

O nome dele ainda apareceu algumas vezes na mídia por ter voado em um jatinho particular com uma advogada ligada ao processo do Master. A aposta de Mendonça, porém, não se limita à nova correlação de forças dentro do colegiado. Segundo pessoas próximas ao ministro, o relator também procura blindar a Compliance Zero dos questionamentos que, no passado, contribuíram para o desmonte da Lava Jato. A preocupação aparece em diferentes frentes. 

Desde o início da investigação, Mendonça tem demonstrado cautela em relação ao uso de colaborações premiadas, evitando que a operação dependa exclusivamente de delatores para avançar. O ministro também acompanha com atenção episódios de divulgação indevida de informações sigilosas, um problema que ganhou relevância depois dos sucessivos vazamentos relacionados à CPMI do INSS, quando resolveu devolver à comissão os documentos relacionados a Vorcaro. 

Outra preocupação recorrente envolve a chamada fishing expedition, expressão utilizada para descrever investigações genéricas conduzidas sem alvo ou objeto definido. Em decisões e discussões internas com a PF, Mendonça tem insistido na necessidade de delimitar diligências, individualizar condutas e vincular cada medida cautelar a elementos concretos já existentes nos autos. 

A lógica é simples: quanto menor o espaço para alegações de abuso ou arbitrariedade, menor a possibilidade de que essas teses sejam utilizadas futuramente para questionar provas ou pedir a anulação do processo. Por isso, integrantes da investigação descrevem o trabalho do relator como um “exercício permanente de absoluta contenção de riscos”.


Hora da verdade 

O que está em jogo deixou de ser apenas o destino de Vorcaro, de seus familiares ou dos demais envolvidos no escândalo bilionário. O julgamento transformou-se em um teste para o próprio STF. Depois da derrocada da Lava Jato, nenhuma grande investigação de corrupção ou de crimes financeiros foi capaz de escapar da sombra que paira sobre o Judiciário brasileiro. O caso Master é a primeira oportunidade real de verificar se a Corte aprendeu com os erros do passado ou se está condenada a repeti-los. 

É justamente por isso que Mendonça age com tanta cautela. 

O receio do relator é justificável: não basta descobrir o que aconteceu. É preciso garantir que a investigação sobreviva quando chegar a hora de ser julgada. Quando as denúncias forem apresentadas e os recursos começarem a surgir, os argumentos lançados hoje voltarão ao centro do debate. Nesse momento, o Supremo terá de decidir se a Compliance Zero será lembrada como a operação que expôs a maior fraude financeira da história do país — ou como a próxima investigação a sucumbir ao mesmo roteiro que sepultou a Lava Jato.


Cristyan Costa - Revista Oeste

Haiti conquistou a independência, mas segue preso ao caos e à pobreza - Lipton Matthews

 

O Brasil enfrenta o Haiti hoje na Copa do Mundo, uma boa oportunidade para revisitar a história da independência haitiana e alguns de seus desdobramentos. Publicado originalmente em 2023, quando o Haiti passava por uma nova crise política aprofundada com gangues tomando a capital, o artigo explica a jornada do país até os dias atuais.

Pensando na Copa, o Instituto Mises Brasil também lançou um e-book especial sobre as relações entre futebol, economia, política e história, que pode ser acessado aqui.


O Haiti está mergulhado em uma crise política contínua e o mundo aguarda desesperadamente soluções que possam amenizar um ambiente político turbulento. Seus vizinhos no Caribe vêm sendo pressionados pela comunidade internacional a propor medidas que evitem novas calamidades. Trabalhar para conter a crise no Haiti beneficia os países caribenhos porque a instabilidade haitiana pode provocar turbulências em toda a região. Além disso, a busca por status de refugiado nos países caribenhos vizinhos certamente pressionará os orçamentos locais e fortalecerá sentimentos nacionalistas.

Alguns refugiados serão cidadãos respeitadores da lei, mas outros podem ser delinquentes ou integrantes de gangues que irão usar a crise no Haiti como uma desculpa para fugir. É provável que surjam choques culturais com a chegada de novas pessoas a um território, e os vizinhos do Haiti talvez não estejam preparados para lidar com esse tipo de problema. Diferentemente dos Estados Unidos e da Inglaterra, os pequenos estados do Caribe não têm a experiência nem a capacidade técnica necessárias para enfrentar uma crise contínua de refugiados. Além disso, suas populações estão mais preocupadas com questões locais e tendem a enxergar as tentativas de ajudar o Haiti como um desvio de recursos para um problema estrangeiro.

Por exemplo, grupos de direitos humanos estão pressionando o governo jamaicano a receber imigrantes, mas eles não terão de lidar com eleitores que questionam a lógica de ajudar haitianos enquanto o sistema público de saúde sofre com a falta de leitos. Os refugiados haitianos exigem um enorme volume de assistência, e a Jamaica já tem sua própria parcela considerável de pessoas pobres. Normalmente, os Estados Unidos e seus aliados europeus intervêm em crises internacionais, mas o desastre haitiano é visto como um problema que deve ser resolvido pelos povos do Caribe e por outras populações de ascendência africana.

O Haiti é um símbolo para a comunidade negra global porque se tornou o primeiro estado negro independente em 1804. Como tal, ele representa o orgulho e a resiliência dos negros, e por isso poucos estão dispostos a questionar a lógica da Revolução Haitiana e seus resultados. A França comandou um regime escravista brutal no Haiti, de modo que não se pode culpar os escravos por terem considerado a perspectiva da rebelião atraente. No entanto, os resultados da Revolução Haitiana não foram favoráveis.

Os efeitos terapêuticos da Revolução Haitiana se dissiparam pouco tempo após a independência. Embora o Haiti tenha saído vitorioso da guerra, em razão das relações de poder do século XIX, o país foi obrigado a pagar compensações à França. O Haiti não apenas tomou empréstimos junto a instituições francesas e americanas para indenizar a França, como também foi isolado pelas principais potências da época, e os Estados Unidos só reconheceram sua independência em 1862. Em vez de libertar o Haiti, a independência inaugurou um período de instabilidade política. O futuro do país foi marcado por guerras internas e conflitos de classe.

Como colônia, os escravos negros eram oprimidos pelos proprietários de plantações brancos, mas, após conquistarem a liberdade, os diversos grupos sociais do Haiti travaram uma amarga disputa pela supremacia. Desde a independência, o Haiti passou por múltiplos golpes de estado e uma longa lista de problemas econômicos. O fraco desempenho do país tem sido atribuído à corrupção política, a intervenções estrangeiras inescrupulosas e a uma série de desastres naturais. No entanto, o fracasso do Haiti guarda paralelos com o decepcionante desempenho pós-independência de várias ex-colônias.

O aprendizado institucional é fundamental para o desenvolvimento; por isso, colônias com maior experiência institucional tendem a ser mais bem-sucedidas após a independência. Algumas ex-colônias receberam a independência prematuramente, sem uma compreensão sofisticada de questões de políticas públicas nem o capital humano necessário para promover o desenvolvimento. Em seu programa de pesquisa sobre cópia institucional, Valentin Seidler demonstrou que os administradores coloniais britânicos desempenharam um papel fundamental na adaptação das colônias ao funcionamento das instituições ocidentais, fornecendo conhecimento técnico e capital humano.

Além disso, o fracasso dos estados independentes em conter as ambições políticas de grupos rivais fomentou a instabilidade política. Os regimes coloniais frequentemente conseguiam pacificar grupos rivais e libertar os nativos de tiranos opressores. O desastre é o resultado quando os colonizadores concedem independência a seus súditos sem antes estabelecer estados fortes. Edmond J. Keller, no artigo “Decolonization, Independence, and the Failure of Politics” [Descolonização, independência e o fracasso da política, em tradução livre], observa que as aspirações da África após a independência se transformaram em realidades trágicas: “Em meados da década de 1980, 60% dos países africanos haviam passado a ser governados por regimes militares e (…) em 1986, a África não era apenas um continente em ‘queda livre econômica’, caracterizado por má governança, mas também se tornara alvo de crescente atenção por parte dos doadores internacionais”.

Assim como muitas ex-colônias africanas, o Haiti não estava preparado para a soberania e atualmente enfrenta os perigos de uma independência precoce. A independência não é um indicador de desenvolvimento, pois, se fosse esse o caso, países como as Ilhas Cayman, Bermudas e os departamentos ultramarinos da França estariam enfrentando dificuldades. Dada a popularidade dos movimentos anticoloniais, seria de se imaginar que as colônias atuais estivessem ansiosas para romper seus laços com as potências coloniais; contudo, pesquisas recentes mostram que a oposição à independência vem crescendo nas Bermudas. Em média, os países não soberanos do Caribe são mais ricos do que seus equivalentes independentes e seus habitantes são tratados como cidadãos das potências coloniais; portanto, não existem grandes incentivos para abrir mão desses privilégios em nome da independência.

Os Estados Unidos lutaram por sua independência assim como o Haiti; no entanto, o primeiro foi fundado por homens que possuíam conhecimento prático de economia política e administração pública. Enquanto os Estados Unidos estavam preparados para enfrentar os desafios da independência, um país multirracial e dividido como o Haiti necessitava de maior maturidade para governar uma nação. O sucesso da Revolução Haitiana é celebrado por muitos, mas seus efeitos de longo prazo refletem as armadilhas de uma independência prematura.



Lipton Matthews - Mises Brasil

BRB é alvo de operação por fraudes na folha de pagamento de servidores do DF

Além do Banco de Brasília, a ação mira a Secretaria de Economia do Distrito Federal e a empresa PicPay


Ministério Público faz operação no BRB, Governo do DF e Picpay


O Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) deflagrou a Operação Juros Zero na manhã desta sexta-feira, 19. A ação apura um suposto esquema de fraudes na folha de pagamento dos servidores públicos do Distrito Federal (DF). Os alvos são o Banco de Brasília (BRB), a BRB Serviços S.A. e a Secretaria de Economia do Distrito Federal. O Instituto de Previdência dos Servidores do DF (Iprev-DF), o PicPay e associações ligadas às investigações também sofrem buscas.

Os agentes investigam atuais e ex-dirigentes das instituições. A lista inclui o ex-secretário de Economia do DF Ney Ferraz Júnior e Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB, que está preso.

O Conselho Especial do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios determinou o cumprimento de 50 mandados de busca e apreensão. Os policiais cumprem as ordens no Distrito Federal, em Curitiba (PR) e em Cuyritiba e em São Paulo, na sede do PicPay.


Picpay teria feito descontos irregulares de contas 

Segundo o MPDFT, as investigações apuram irregularidades em operações da folha de pagamento dos servidores do Distrito Federal. Uma inspeção do Tribunal de Contas do Distrito Federal (TCDF) originou a apuração. O órgão afirma que o PicPay, empresa dos irmãos Batista, realizou descontos irregulares de empréstimos consignados nos salários de servidores, aposentados e pensionistas do Governo do Distrito Federal (GDF). 


Ministério Público faz operação no BRB, Governo do DF e Picpa

Os descontos envolvem o serviço de antecipação salarial para o funcionalismo público. O PicPay e a Secretaria de Economia do DF firmaram o contrato em setembro de 2024. Além disso, o tribunal diz que houve “crescimento acentuado e alto volume em nova modalidade de desconto” diretamente na folha de pagamento para amortizar o serviço do PicPay.

Em 2024, os descontos somaram R$ 11,7 milhões. O montante chegou a R$ 70 milhões entre janeiro e agosto de 2025. O relatório do tribunal informa que o PicPay descontou R$ 81,7 milhões dos salários dos servidores do GDF entre 2024 e 2025. 

Em fevereiro, o TCDF suspendeu novos descontos em folha vinculados ao banco digital devido a irregularidades na taxa de antecipação salarial. Desde 2024, apenas o PicPay tem autorização para realizar descontos compulsórios na folha do GDF. A BRB Serviços, subsidiária do Banco de Brasília, executa a operação.

Revista Oeste






Jaques Wagner vive como milionário em Salvador

 

O luxuoso edifício Mansão Victory Tower, onde mora o ex-sindicalista Jaques Wagner.


O imóvel de R$2,5 milhões em Salvador, que teria sido negociado como propina para o líder do governo Lula (PT) no Senado, Jaques Wagner, vale dez vezes menos que o apartamento de luxo no edifício Mansão Victory Tower, onde mora o senador. Fica no Corredor da Vitória, metro quadrado mais caro de Salvador. Apartamento como o de Wagner pode custar mais de R$20 milhões. O prédio do comuna que adora os luxos da burguesia tem píer privativo e teleférico para a Baía de Todos-os-Santos.

Explica aí, companheiro

Difícil é explicar como um sindicalista do PT, que chegou na Bahia com a mão na frente e outra atrás, acumulou patrimônio milionário na política.

Muro petista é bem alto

Wagner disse que a Bahia “tem muro baixo”. Oura lorota: a espetacular Mansão Victory Tower, onde mora, é protegida por muros altíssimos.

Fora dos padrões do PT

O líder de Lula disse que seria para sua filha o tal apê de R$2,5 milhões, de 203m, praticamente uma quitinete para os padrões de luxo do petista.


Diário do Poder