segunda-feira, 22 de junho de 2026

Remuneração de juízes nos EUA se atém ao salário. Coisa de país sério, decente... Pudera nenhum ladrão (muito menos condenado) chega à Casa Branca

 

Reprodução


Enquanto membros das diversas Cortes brasileiras discutem quanto devem receber além dos seus salários, juízes nos Estados Unidos, que ocupam diversas posições no sistema judicial, não têm qualquer penduricalho. Estão proibidos, por lei, de receber bônus, adicional ou auxílio. Juízes de lá têm direito a plano de saúde, seguro de vida e à aposentadoria especial e podem até ser pagos por aulas ministradas em universidades ou cursos jurídicos. Nada de palestra para bancões.

Royalties

O único extra autorizado é através de livros publicados, juíz de instâncias inferiores não pode ganhar mais de 15% do salário anual.

Só no Brasil

Não existe nos EUA auxílios moradia, alimentação, combustível, creche, gratificações, licenças compensatórias ou folgas convertidas em dinheiro.

Suficiente

Os salários anuais variam entre US$250 mil e US$300 mil (R$1,5 milhão), a depender do cargo ocupado pelo juiz.

Diário do Poder

Toma lá, dá cá - corrupção sem fim sob Lula - Descondenado já pagou R$18,4 bilhões em emendas

 

 Foto: assessoria/divulgação


O governo Lula (PT) abriu a carteira para bancar emendas de deputados e senadores nas últimas semanas. No total, já foram pagos R$18,4 bilhões em emendas parlamentares, este ano. O dado que mais impressiona é o total distribuído apenas no mês de maio: R$14,1 bilhões, quase 77% de tudo que o governo petista pagou em 2026. Em junho, já são R$605 milhões liberados pelo governo aos parlamentares.

Comparação

Em maio do ano passado, por exemplo, o governo Lula distribuiu pouco mais de R$188 milhões para pagar emendas parlamentares.

Coincidência?

Às vésperas da sabatina de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal (STF) o governo reservou R$12 bilhões para as emendas.

Individuais

A maior parte das emendas pagas pelo governo Lula este ano são individuais, que custaram mais de R$13 bilhões até o momento.

Bancada

Outros R$4,5 bilhões dos pagadores de impostos custearam as emendas de bancada do Congresso Nacional, este ano.

Diário do Poder

domingo, 21 de junho de 2026

Trump e seu Departamento de Estado sabem com quem estão lidando, por Flávio Gordon

Reação de Washington ao caso Eduardo Bolsonaro sugere que a erosão das garantias jurídicas no Brasil deixou de ser uma questão doméstica





Imagine um processo judicial em que o juiz é publicamente conhecido por “querer pegar” o réu que se encontra sob sua jurisdição. Em qualquer democracia com Estado de Direito funcional, esse juiz seria imediatamente afastado do caso — não por generosidade ao acusado, evidentemente, mas por uma exigência elementar de legitimidade: a de que a sentença seja proferida por alguém que não tenha interesse no resultado. No Brasil de Alexandre de Moraes, como se sabe, esse princípio foi solenemente ignorado. A condenação de Eduardo Bolsonaro, na última terça-feira, 16, foi mais um resultado previsível de um julgamento que nunca teve condições mínimas de ser justo.

Em novembro de 2022, como sabemos pela Vaza Toga, capangas de Moraes diziam entre si: “Ele quer pegar o Eduardo Bolsonaro”. Foi isso o que escreveu o juiz auxiliar Marco Antônio Vargas a Eduardo Tagliaferro, no mesmo dia em que se discutia como construir uma associação entre o filho do então presidente e o analista argentino Fernando Cerimedo, que denunciara o funcionamento irregular das urnas eletrônicas do TSE. Na mesma troca de mensagens, quando Tagliaferro não encontrou material comprometedor em relação à Revista Oeste, o sabujo Airton Vieira sugeriu-lhe que “usasse a criatividade”. O Careca do Master queria pegar Eduardo Bolsonaro e qualquer um que o criticasse. Seus assessores foram orientados a inventar o caminho. Quatro anos depois, o mesmo pseudo-juiz presidiu o julgamento, leu o relatório, votou primeiro e saiu vencedor. Unanimidade.

No processo fraudulento, o defensor público federal Antonio Ezequiel Inácio Barbosa bem apontou o absurdo da situação. A denúncia da PGR, disse ele, aponta Moraes como uma das vítimas diretas das ações atribuídas ao réu — “com nome, sobrenome e CPF” —, e dedica um tópico específico às sanções direcionadas ao próprio ministro. “Se há uma suspeição ou impedimento, todas as demais garantias caem por terra”. 

O argumento dispensa comentários: o juiz é simultaneamente vítima do crime que julga, relator que conduziu a instrução e membro do colegiado que votou a condenação. A Corte de Cassação italiana já catalogou configuração idêntica no caso Zambelli e a chamou pelo nome técnico que merece: violação macroscópica do princípio da imparcialidade. 

No Brasil do luloalexandrismo, aboliuse esse princípio fundamental de um Estado de Direito. 


O diagnóstico feito por Trump 

A reação internacional foi imediata e devastadora. Em nota divulgada inicialmente pela Reuters, um porta-voz do Departamento de Estado dos Estados Unidos afirmou que a sentença é o mais recente episódio “em um padrão de perseguição e guerra jurídica por parte dos tribunais brasileiros contra sua oposição política”, concluindo que “os debates políticos devem ser resolvidos por eleições democráticas e não por condenações”. 

Trata-se do reconhecimento formal, por parte do governo dos EUA, de que o Brasil vive sob uma juristocracia. Não foi uma opinião partidária ou um comentário de campanha. Foi uma nota oficial, de responsabilidade do Secretário de Estado, Marco Rubio, o mesmo que, dias antes, havia excluído o Brasil de uma lista de aliados norteamericanos na América Latina, colocando o país na companhia de  Nicarágua, Cuba e Venezuela.

No mesmo dia, à margem do G7 na França, Donald Trump comentou o julgamento. Disse que ouviu que “prenderam o Bolsonaro Jr.” por ter dado “uma declaração no Texas”, e que o Brasil se tornou “um país politicamente difícil”, “um pouco perigoso politicamente”. Trump errou o nome — confundindo Eduardo com Flávio —, mas acertou o diagnóstico. E, quando o presidente dos Estados Unidos usa a palavra “perigoso” para descrever o ambiente político de um país que se apresenta ao mundo como democracia, não estamos diante de uma mera peça de retórica. 

Trata-se de um veredito sobre o colapso do Estado de Direito brasileiro. Trump e seu Departamento de Estado já sabem perfeitamente bem com quem estão lidando…

 - Flávio Gordon - Revista Oeste

Espriella derrota extrema-esquerda e se elege presidente da Colômbia

Direitista venceu com 12.901.860 de votos, 255 mil a mais que extremista



Abelar de la Espriella, presidente eleito da Colômbia


O candidato de direita à presidência da Colômbia, Abelardo de la Espriella. foi eleito em segundo turno neste domingo (21), segundo anunciou o Conselho Nacional Eleitoral (CNE), derrotando o candidato de extrema-esquerda Ivan Cepeda, apoiado pelo presidente radical Gustavo Petro, amigo de Lila (PT), de notórias ligações aos narcoterroristas das Farc (“Forças Armadas Revolucionárias da Comlômbia”), que se notablizaram por atentados que mataram milhares de cidadãos e centenas de sequestros. 

Abelardo de la Espriella alcançou 12.901.860 votos, contra a 12.646.859 de Cepeda, com 99,45% de las mesas informadas

Ao votar, mais cedo, Petro prometeu solenemente que respeitaria o resultado das urnas, mas ninguém o levou a sério, por ser conhecido mentiroso. Não deu outra: anunciada a vitória de Espriella, Petro já foi divulgando que não respeitaria o resultado das urnas.

Conhecido pela leviandade, Gustavo Petro teve a ousadia de discursar no Central Park, em Nova York,exortando os militares norte-americanos a se rebelarem contra o presidente dos Estados Unidos , Donald Trump. O fato ocorreu no início da atual gestão do republicano. Esse tipo de apelo em geral é considerado crime em qualquer país, com a consequente prisão do criminoso, mas os EUA respeitam a liberdade de expressão, nem ao contrário das ditaduras de esquerda.

Petro tentou se vender como “anti-Trump” e passou a atribuir o favoritismo de Espriella à lorota de suposta interferência dos EUA no processo eleitoral. Seu governo é acusado de estar porbtrás de diversos crimes políticos, incluindo o assassinato do senador e pré-candidato à presidência da Miguel Uribe Turbay, que, aos 39 anos foi vítima de atentado a tiros ocorrido em junho de 2025, durante um comício político em Bogotá.

Diário do Poder

sexta-feira, 19 de junho de 2026

Imigração em massa: o alerta na Europa, por Ana Paula Henkel

Em vez de promover uma discussão séria, boa parte das elites políticas e midiáticas optou por tratar a crítica ao modelo vigente como sinal de intolerância ou preconceito



Ataque a facadas em Belfast e a violenta resposta popular provocam tensão e crise social no Reino Unido, relata a imprensa local - Foto: Shutterstock 


H á quase duas semanas, a Irlanda do Norte registra cenas de fortes protestos que rapidamente ganharam repercussão internacional. As manifestações começaram depois de um bárbaro ataque a faca ocorrido na cidade de Belfast, que deixou um homem gravemente ferido. A vítima, Stephen Ogilvie, sofreu ferimentos graves no rosto, no pescoço e nas costas, além de perder o olho esquerdo durante o ataque. Testemunhas conseguiram conter o agressor até a chegada da polícia, evitando consequências ainda mais graves. 

O agressor é Hadi Alodid, cidadão sudanês de 30 anos e requerente de asilo com autorização para permanecer no Reino Unido. Ele foi preso no local, acusado de tentativa de homicídio, posse de arma branca e de ameaçar de morte um funcionário do sistema público de saúde britânico, ficando sob custódia das autoridades. Alodid obteve permissão de permanecer na Grã-Bretanha por meio de um controverso sistema de tramitação acelerada, após preencher um questionário de dez páginas do ministério do interior, em vez de passar pelo processo padrão — e muito mais rigoroso — de entrevista presencial.

Vídeos da agressão se espalharam pelas redes sociais e serviram de catalisador para a explosão de indignação que já vinha se acumulando há muito tempo. Carros foram incendiados. Confrontos tomaram as ruas. 


Protestos se multiplicaram

Há dias, manifestações contra a 19/06/2026, 19:35 Imigração em massa: o alerta na Europa - Revista Oeste https://revistaoeste.com/revista/edicao-327/imigracao-em-massa-o-alerta-na-europa/ 3/17 imigração em massa reuniram dezenas de milhares de pessoas em diferentes cidades da Europa. 

Polônia, Itália, Espanha, Irlanda, Suécia, Escócia e Inglaterra registraram atos que, embora distintos entre si, compartilham uma mesma mensagem: uma parcela crescente da população europeia acredita que seus governos perderam o controle da política migratória e se recusam a ouvir preocupações legítimas de seus próprios cidadãos. 

O episódio de Belfast não criou essa insatisfação. Apenas a revelou. Durante anos, o debate sobre imigração na Europa foi conduzido de maneira superficial. De um lado, estavam aqueles que defendiam fronteiras praticamente abertas em nome de princípios humanitários. De outro, aqueles que alertavam para os impactos sociais, culturais e econômicos de uma imigração em massa sem critérios claros de integração. 

Em vez de promover uma discussão séria, boa parte das elites políticas e midiáticas optou por tratar qualquer crítica ao modelo vigente como sinal de intolerância ou preconceito.


O resultado foi previsível. 

Questões reais deixaram de ser discutidas até se transformarem em crises políticas. 

Milhões de europeus observam mudanças profundas em seus bairros, em suas escolas, em seus sistemas de saúde e em suas cidades. Muitos sentem que as autoridades não apenas ignoram suas preocupações, mas frequentemente procuram desqualificá-las. 

A consequência natural desse processo foi o crescimento de movimentos políticos que prometem fazer exatamente aquilo que os governos tradicionais se recusaram a fazer: controlar as fronteiras e reduzir os fluxos migratórios. Existe uma tendência de simplificar esse debate e apresentá-lo apenas como uma discussão sobre números. 

Não é disso que se trata. A questão central é confiança. Uma democracia depende da convicção de que os governantes estão ouvindo os governados. Quando milhões de pessoas passam a acreditar que suas preocupações são sistematicamente ignoradas, a confiança nas instituições começa a se deteriorar. 

A crise migratória europeia tornou-se, acima de tudo, uma crise de representação política. Há também uma dimensão econômica que não pode ser ignorada. 

Em diversos países europeus, cidadãos trabalham sob uma das maiores cargas tributárias do mundo. Pagam impostos elevados para financiar sistemas de saúde, educação, transporte e assistência social. Ao mesmo tempo, governos destinam bilhões de euros a programas voltados para requerentes de asilo e recém-chegados. 

A questão não é a existência de ajuda humanitária. Sociedades civilizadas sempre demonstraram solidariedade diante de tragédias e perseguições reais. O problema surge quando uma parcela significativa da população passa a perceber que o Estado parece mais eficiente para atender quem acaba de chegar do que aqueles que sustentam o sistema há décadas. 

Famílias enfrentam dificuldades para adquirir moradia. Jovens adiam projetos de vida devido ao custo crescente dos imóveis. Hospitais operam sob pressão. Serviços públicos enfrentam filas cada vez maiores. Nesse contexto, muitos cidadãos se perguntam por que governos parecem encontrar recursos ilimitados para novas políticas migratórias enquanto afirmam não possuir recursos suficientes para resolver problemas antigos que afetam seus próprios contribuintes. 

Ignorar essa pergunta não a faz desaparecer. Pelo contrário. Ela retorna às urnas. E foi exatamente isso que ocorreu nos Estados Unidos em 2024. A vitória avassaladora de Donald Trump na última eleição presidencial americana não pode ser compreendida apenas como um fenômeno partidário. Ela refletiu uma percepção compartilhada por milhões de americanos de que o governo federal havia perdido o controle da fronteira e deixado de priorizar as necessidades dos próprios cidadãos. 

A questão migratória ocupou papel central naquela eleição porque tocava em temas muito maiores do que imigração. Falava de soberania, segurança, responsabilidade fiscal e confiança institucional. Muitos americanos sentiam que trabalhavam, pagavam impostos e respeitavam as leis enquanto o governo direcionava recursos cada vez maiores para pessoas que haviam entrado ilegalmente no país.

 Independentemente da posição ideológica de cada eleitor, essa percepção era politicamente poderosa. A Europa começa a viver um processo semelhante. Mas existe uma dimensão ainda mais profunda, frequentemente evitada pelas elites políticas do continente. 

A dimensão civilizacional. Durante séculos, a Europa foi mais do que uma expressão geográfica. Foi uma civilização moldada por uma herança cultural, filosófica e religiosa profundamente influenciada pelo cristianismo. Suas universidades nasceram em ambientes cristãos. Suas catedrais moldaram suas cidades. 

Sua arte, sua literatura, suas instituições e até sua compreensão da dignidade humana carregam marcas dessa tradição. A imigração em massa transformou essa discussão em algo muito mais complexo do que uma questão de mercado de trabalho ou assistência social. 

Milhões de europeus observam a chegada de populações provenientes de contextos culturais e religiosos profundamente diferentes daqueles  que moldaram historicamente suas sociedades. Em muitas cidades, bairros inteiros passaram por transformações rápidas e significativas. 

O debate sobre integração deixou de ser teórico e tornou-se uma experiência cotidiana. Ao mesmo tempo, uma parte significativa das elites europeias parece ter desenvolvido uma relação ambígua com a própria herança cultural do continente. 

Enquanto igrejas esvaziam-se, tradições históricas são frequentemente tratadas como símbolos de um passado problemático e referências cristãs desaparecem gradualmente do espaço público, muitos cidadãos observam que a Europa parece menos disposta a defender sua própria identidade do que qualquer outra civilização do planeta. 

Essa percepção alimenta uma inquietação crescente. Não apenas sobre quem está chegando, mas sobre aquilo que os próprios europeus ainda desejam preservar. A preocupação manifestada por muitos cidadãos não se limita à segurança ou à economia. 

Ela envolve a continuidade histórica de suas nações, a preservação de costumes, tradições e valores que consideram fundamentais para sua identidade coletiva. 

Os defensores das políticas migratórias atuais frequentemente respondem que a imigração sempre fez parte da história das sociedades ocidentais. A observação é verdadeira. Os próprios Estados Unidos são resultado de sucessivas ondas migratórias. 

Ainda assim, muitos europeus argumentam que a discussão não pode ser reduzida simplesmente ao fato de haver imigração. Para eles, a questão envolve também a distância cultural entre as populações que chegam e as sociedades que as recebem. 

A Califórnia oferece um contraste interessante. Embora receba um grande número de imigrantes, a maioria vem de países latinoamericanos cuja herança histórica foi profundamente influenciada pelo cristianismo. Existem diferenças linguísticas, econômicas e nacionais importantes, mas também há referências culturais compartilhadas que facilitam processos de integração. 

Na Europa, parte do debate gira em torno de um fenômeno diferente. Milhões de recém-chegados são muçulmanos que vieram de regiões marcadas por tradições religiosas, estruturas sociais e visões de mundo significativamente distintas daquelas que moldaram historicamente as sociedades europeias. 

Para muitos cidadãos, a preocupação não está apenas na quantidade de imigrantes, mas na velocidade e na profundidade das transformações culturais produzidas por fluxos migratórios de grande escala. 

É nesse contexto que questões relacionadas à identidade nacional, ao cristianismo, à integração e à preservação de valores históricos passaram a ocupar um espaço cada vez maior no debate político europeu.

Esse é um dos motivos pelos quais o debate migratório se tornou tão intenso. Ele deixou de ser apenas uma discussão sobre fronteiras e transformou-se numa discussão sobre pertencimento. 

Os defensores das políticas migratórias atuais frequentemente respondem lembrando que a Europa sempre recebeu influências externas, e que a diversidade faz parte da história do continente. E há verdade nessa observação. A história europeia é marcada por trocas culturais constantes. 

Mas existe uma diferença importante entre imigração gradual e imigração em massa. Existe diferença entre integração e transformação acelerada, entre acolher indivíduos e alterar profundamente o perfil demográfico de sociedades inteiras em um período relativamente curto. 

Essas distinções são precisamente o que milhões de europeus tentam colocar no centro da discussão. 

Durante muito tempo, entretanto, a reação das elites foi negar a legitimidade dessas preocupações. Hoje, a realidade política demonstra o fracasso dessa estratégia. Partidos favoráveis a controles migratórios mais rígidos avançam em praticamente todo o continente. Governos que antes defendiam políticas mais abertas passaram a endurecer suas posições. 

A própria União Europeia discute mecanismos para acelerar deportações e reforçar controles fronteiriços. Nada disso aconteceu por acaso, mas porque a distância entre governantes e governados tornou-se grande demais para ser ignorada.

O episódio de Belfast, assim como tantos outros acontecimentos recentes, não deve servir para alimentar ódio contra imigrantes ou hostilidade contra pessoas que buscam uma vida melhor. Generalizações são injustas e intelectualmente preguiçosas. 

Mas tampouco deve servir para silenciar uma discussão legítima. Toda sociedade tem o direito de decidir quem entra em seu território, em quais condições entra e quais valores devem ser compartilhados para garantir a coesão social. Essa não é uma posição extremista. É um princípio básico de soberania. 

O grande erro de muitos líderes europeus foi acreditar que poderiam transformar profundamente suas sociedades sem consultar adequadamente aqueles que viveriam as consequências dessas decisões.

Agora a reação chegou e ela aparece nas ruas, nas urnas e nas pesquisas. E continuará aparecendo enquanto milhões de cidadãos sentirem que suas preocupações são tratadas com desprezo. A grande questão da Europa não é se a imigração deve existir. Todas as sociedades modernas recebem imigrantes.

A questão é quem define os limites desse processo, quais critérios orientam sua condução e quais elementos de uma civilização merecem ser preservados. A história mostra que sociedades saudáveis conseguem equilibrar abertura e continuidade, acolher sem perder a própria identidade, e adaptar-se sem esquecer quem são. 

A Europa ainda procura esse equilíbrio. E talvez a principal lição dos acontecimentos recentes seja justamente esta: quando governos deixam de ouvir seus próprios cidadãos durante tempo demais, os cidadãos acabam encontrando outras formas de serem ouvidos. 

Ana Paula Henkel - Revista Oeste

O show do trilhão, por Dagomir Marquezi e Erich Mafra

 


O biógrafo Walter Isaacson levou três anos para entender que Elon Musk vive em “estado de guerra”. Quando o sulafricano, prestes a completar 55 anos, aposta em uma ideia, age como num jogo de pôquer cuja única saída é o all in. Foi assim que criou a Zip2, sua primeira empresa. O “tudo ou nada” o levou na semana passada à Oferta Pública Inicial (IPO) da SpaceX, que estreou avaliada em US$ 1,77 trilhão e chegou a bater US$ 2,5 trilhões no pico. A companhia produz espaçonaves, oferece serviço de inteligência artificial (xAI) e internet por satélite (Starlink). 

“Se alguém dissesse que isso aconteceria, eu diria: ‘cara, você deve estar fumando um crack muito bom’.” Foi assim que Musk descreveu a estreia de suas ações. Isaacson o define como um man-child (“crianção”). A trajetória do dono da SpaceX mostra que o melhor adjetivo para ele é inovador. Musk tinha 12 anos quando ganhou seus primeiros US$ 500. Aproveitou o boom dos videogames nos anos 1980 e vendeu a uma revista um jogo chamado Blastar. Ali já estava seu DNA de empresário: tecnologia somada à paixão por ficção científica, nascida da admiração por autores como Douglas Adams e Isaac Asimov. 

O jogo dava ao usuário o controle da primeira espaçonave (virtual) que construiu. Em 1989, pressionado pela relação tortuosa com o pai, entendeu que só teria futuro longe da África do Sul. Foi para o Canadá, onde estudou física e economia na Queen’s University. Mudou-se para os EUA no meio dos cursos e se formou na Universidade da Pensilvânia e na Wharton School of Business. Em 1995, seguiu para a Califórnia a fim de fazer doutorado em física em Stanford, em “ciência dos materiais”, que talvez o ajudasse no sonho de produzir carros elétricos. Só ficou dois dias no curso. Segundo o biógrafo, teria dito a um amigo: “Tenho que pegar a onda da internet”

O estalo veio ao perceber que as antigas “páginas amarelas” se beneficiariam da tecnologia digital. Com o irmão, Kimbal, e dinheiro dos pais (US$ 40 mil e o cartão de crédito da mãe), fundou a Zip2, uma ouça este conteúdo readme 0:00 1.0x Olá,Jose 19/06/2026, 17:03 O show do trilhão - Revista Oeste https://revistaoeste.com/revista/edicao-327/o-show-do-trilhao/ 2/14 “rede interativa de listas de empresas” que ligava negócios a um “banco de mapas”. Um precursor de ferramentas como Google Maps e Waze. Em 1999, os irmãos venderam a empresa por US$ 305 milhões. Elon alcançava um patrimônio pessoal de US$ 22 milhões. 

O lado “crianção” apareceu no primeiro ato no clube do milhão. Comprou um McLaren F1, um dos carros mais rápidos da época, e chamou a CNN para filmar a entrega. O impulso pesou na consciência: ficou parecendo um “pirralho imperialista”, segundo ele próprio. Tomou duas providências: doou parte dos milhões aos pais e apostou num projeto útil à sociedade. O milionário que sofreu um golpe Em 1999, nasceu o X.com. Não o “X” que hoje nomeia o antigo Twitter, mas um banco digital que adiantava o conceito de fintech. 

Quando a maioria das pessoas ainda tinha pavor de digitar o número do cartão numa tela, Musk deixava qualquer um transferir dinheiro só com o email. O negócio prosperou e, para consolidar o monopólio, fundiu-se com a Confinity, startup de Peter Thiel. Ali nasceu o titã que o mundo conhece como PayPal. Foi também o passo que ligou o “estado de guerra” de Musk. Em setembro de 2000, quando estava num avião rumo à lua de mel com sua primeira mulher, foi destituído do cargo de CEO pelo conselho, que pôs Thiel no lugar. O motivo oficial foi uma briga sobre migrar o sistema para Windows. Mas o que pesava mesmo era a preferência dos investidores pelo “domável” Thiel.

Musk engoliu o orgulho e seguiu como acionista. A recompensa veio em 2002, quando o eBay comprou o PayPal por US$ 1,5 bilhão. Maior acionista individual, saiu da mesa com US$ 165 milhões. Os fundos deram o pontapé inicial num plano que ainda corre: transformar a humanidade numa “sociedade multiplanetária”. Suas prioridades viraram carros elétricos, chips que ligam cérebros a computadores, robôs autônomos e espaçonaves. 

Certa vez, explicou o motivo: “Existe uma diferença fundamental entre uma humanidade que é uma civilização espacial, explorando as estrelas… e outra para sempre confinada à Terra até um evento de extinção inevitável.” O ano em que o céu quase desabou Em 2002, Musk fundou a SpaceX, que agora lhe rendeu o primeiro trilhão. 

A indústria aeroespacial, dominada por gigantes estatais como a Nasa, debochou da ideia de um sul-africano construir foguetes baratos e reutilizáveis. O deboche quase se provou profético. Entre 2006 e 2008, as três primeiras tentativas de lançar o Falcon 1 explodiram antes da órbita e incineraram quase todo o caixa. 

Em paralelo, Musk dava o all in definitivo da vida. Virou o principal investidor e assumiu a Tesla, startup que queria viabilizar o carro elétrico. Em plena crise global, as duas empresas sangravam. Sem liquidez, o empresário vivia de empréstimos para pagar o aluguel e atravessava um divórcio devastador. Restava dinheiro só para mais um lançamento do Falcon 1. Se falhasse, o império morreria antes mesmo de nascer

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O triunfo da altivez - por Augusto Nunes

A coragem de Mendonça venceu a arrogância do decano 


Ministro André Mendonça na sessão da Segunda Turma do STF (16/06/2026) - Foto: Rosinei Coutinho/STF

Gilmar Mendes imaginou que também André Mendonça cairia na armadilha utilizada com sucesso nos embates com Joaquim Barbosa e Luís Roberto Barroso: provocar o oponente com apartes irritantes até que seja rebaixado a bate-boca o que deveria ser um confronto de ideias ou opiniões. Joaquim lembrou aos berros que Gilmar não estava falando com capangas a serviço do latifundiário mato-grossense. Barroso buscou socorro na baixaria erudita: “Você é uma pessoa horrível, uma mistura do mal com atraso e pitadas de psicopatia”, disse ao inimigo que depois virou amigo de infância. Com Mendonça o truque não funcionou.


Gilmar Mendes e André Mendonça na sessão da Segunda Turma do STF (16/06/2026) - Foto: Luiz Silveira/STF 

O que houve na sessão que manteve na cadeia o pai e um primo de Daniel Vorcaro foi o duelo entre um jovem homem da lei e um especialista em soltura de culpados. Se pudesse, Gilmar já teria devolvido o direito de ir e vir aos poucos prisioneiros engaiolados por patifarias vinculadas ao falecido Banco Master. Como até chicana tem limite, o decano resolveu convencer companheiros de turma de que os acusados mereciam a prisão domiciliar. Derrotado por 3 votos a 1 (o dele), já começou a coleta de vícios imaginários que lhe permitirão... 








Augusto Nunes - Revista Oeste