sexta-feira, 14 de agosto de 2026

'Democracia torturada', por Adalberto Piotto

‘Tortura Nunca Mais’? Ao derrubar o sigilo da fonte, Alexandre de Moraes prende e arrebenta mais um direito fundamental da Constituição



 Ilustração: Júlia Xavier/Montagem Revista Oeste/Gerado por IA


Até quando? Por quanto tempo mais o ministro Alexandre de Moraes e seus parceiros do Supremo Tribunal Federal vão descumprir direitos fundamentais da Constituição em nome de reafirmar seu poder sobre tudo e todos para protegerem amigos e a si mesmos da lei? A última decisão de determinar busca e apreensão contra a fonte do jornalista maranhense Luís Pablo, por uma denúncia de uso irregular de carro oficial pelo ministro Flávio Dino e por seus familiares no Maranhão, foi capaz de acordar até a sonolenta imprensa nacional. 

A mesma que se absteve de denunciar os excessos de Moraes até outro dia porque julgava ser para “salvar a democracia” da direita. Assim como não existe meia gravidez, a meia democracia com que se surpreendem agora é só uma meia ditadura avançando. Falta algo mais para cair a ficha dos democratas de ar-condicionado? Para que denunciem que a parte do STF que solapa a Constituição, em consórcio com Lula e a esquerda, é a real ameaça à democracia brasileira? 

A começar pela própria Escola de Direito da Universidade de São Paulo, que comemora 200 anos de existência neste mês de agosto. Na segunda, dia 10, na véspera de mais uma decisão inconstitucional e abusiva de Moraes, o presidente do STF, Edson Fachin, os ex-presidentes da República, José Sarney e Michel Temer, os presidentes de todas as Cortes Superiores de Brasília, juristas e acadêmicos da Faculdade de Direito do Largo de São Francisco se reuniram para defender a lei, a Constituição e o Direito reto e justo. 

Seria cômico, não fosse antes assombroso, que foi na mesma instituição em que, quatro anos atrás, um manifesto em defesda democracia foi lançado. Dizia a carta, com milhares de signatários, que o país corria sério risco. No fim, tratou-se apenas de uma manipulação eleitoreira contra a reeleição de Jair Bolsonaro e, por conseguinte, a favor de Lula. 

O prócere democrata — tratado a pão de ló pelos incautos acadêmicos — sempre defendeu o controle dos meios de comunicação, hoje os manipula com verba da Secom e quer censurar as redes sociais. Que outra explicação teríamos senão essa, ao vermos que um inquérito ilegal e sem fim, arbitrário e abusivo, o de número 4.781, o das “Fake News”, conduzido por Moraes, que afronta o Direito e a prática jurídica nacional desde 2019, não foi sequer mencionado? 

Ainda pior, que o tal inquérito permanece aberto, sem transparência e com finalidade ampla ou incerta, a depender de quem se acusa? Os abusos supremos do AI-5 dos democratas de araque persistem, a perseguição a um só lado do pensamento político continua, temos exilados políticos vivendo fora do país e, agora, o sigilo da fonte, uma garantia pétrea da Constituição para o livre exercício da imprensa, foi praticamente revogado por mais uma decisão monocrática de Moraes. Onde estão os signatários da carta para, agora sim, denunciarem o estado de exceção vigente? 

No dia 11 de agosto, em comemoração aos 200 anos da Escola de Direito do Largo de São Francisco, Alexandre, o juiz imparável, apagou mais uma garantia Constitucional do sagrado artigo 5º ao decidir que, dependendo de quem se acusa ou protege, não existe sigilo da fonte. Seria apenas um anticlímax acadêmico não se revelasse algo muito mais grave: a violação da Constituição em sua razão de existir.



Ilustração: Júlia Xavier/Montagem Revista Oeste/Gerado por IA


Em seu discurso para exaltar a escola e o ensino do Direito, Fachin disse: “Atrás de cada decisão, há uma história. Atrás de cada direito reconhecido ou negado, há uma existência humana que será afetada por aquilo que nós, profissionais do Direito, fazemos. Por isso, não há prestígio social do jurista que se justifique sem a contrapartida de um compromisso ético profundo”. Palavras são palavras. Sem ação, são apenas palavras. O que pensaria Ruy Barbosa acerca do momento do país e, em especial, do STF que se mostra incapaz de deter mais uma decisão abusiva do ministro Alexandre de Moraes?

A resposta está em 14 de dezembro de 1914, quando na Tribuna do Senado e cansado da corrupção e da degradação ética, ele, Ruy, com a coragem de sempre, disse: “De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar da virtude, a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto”. Quem ousaria fazer discurso semelhante no Plenário do Supremo hoje? Quando Fachin diz que “não há prestígio social do jurista que se justifique sem a contrapartida de um compromisso ético profundo”, ele se candidata a fazêlo. Mas o fará? Porque será preciso mais que um discurso.

Alexandre de Moraes é seu vice-presidente na Corte. É quem vai sucedê-lo no ano que vem. É um ex-aluno da São Francisco e chamado com frequência pela reitoria e os alunos para ser o paraninfo de turmas de novos advogados. Será que Fachin confiaria a guarda da Constituição ao seu colega ministro? Será que os acadêmicos da Escola de Direito da USP, os seus alunos e os milhares de signatários da “Carta em Defesa da Democracia” acreditam que Alexandre está certo em tudo o que faz? Se sim, é hora de se questionar a existência e o propósito da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo, custeada com os impostos dos paulistas. Se discordam de Moraes, por que não reagem com a autoridade de fato ou a moral que possuem? O caso denunciado pelo jornalista maranhense é justo como toda reportagem jornalística que investiga abuso de poder ou malversação de bem público. 

Toda denúncia, jornalística ou não, merece ser investigada com absoluta transparência e, se houver indícios claros de desvio e de autoria, que se faça um julgamento sob o devido processo legal e amplo direito de defesa. Somente desta forma as eventuais responsabilidades e responsabilizações serão devidamente apuradas. Não foi o que aconteceu até o momento. Não houve apuração pela polícia ou pelo Ministério Público para esclarecer o uso irregular ou não do veículo do Tribunal de Justiça do Maranhão por Dino e sua família. Bastaria apenas uma investigação técnica para que a lei fosse cumprida e o interesse público atendido com a revelação das eventuais responsabilidades de todos. Ninguém pode estar acima da lei ou protegido por um colega de Corte.

Fato é que o caso foi incluído no malfadado Inquérito das Fake News por indícios de crime de perseguição e exposição de dados sensíveis de segurança de autoridade do STF. Conduzido por Moraes, detalhes do inquérito são mantidos em sigilo e sem que os acusados tenham pleno acesso às acusações que lhes são impostas. De novo, o modus operandi é típico de ditaduras. E desde março deste ano, quando mandou apreender os telefones, o computador de trabalho e o HD de Luís Pablo. Na terça, dia 11 de agosto, no aniversário de 200 anos de sua Alma Mater, a Faculdade de Direito da USP, usando as informações extraídas ilegalmente dos equipamentos do jornalista, mandou a PF ir atrás da sua suposta fonte: Raimundo Cutrim, ex-secretário de Segurança Pública e Assuntos.

Legislativos do Maranhão. O advogado Diogo Diniz Lima também foi alvo da mesma ação de busca e apreensão da Polícia Federal. No que aparenta ser apenas uma ação grotesca de corporativismo para proteger o colega Flávio Dino, indicado por Lula ao STF, Alexandre atropelou o artigo 5º da Constituição, que garante a liberdade de expressão, o seu inciso XIV, do sigilo da fonte. E o artigo 220, que garante a liberdade de imprensa, veda a censura ou qualquer tentativa estatal de embaraço ao trabalho jornalístico.

O que mais falta para uma nova carta dos iluminados da USP? Ou uma indignação pública que paute a eleição de outubro em defesa da verdadeira democracia, desta vez não por uma ameaça imaginária eleitoreira, mas por uma realidade que se arrasta desde 2019 em um regime de exceção paralelo que aflige a vida nacional? 

Enquanto prendia, congelava contas bancárias e de redes sociais apenas de um lado, parte da imprensa, do mundo acadêmico e político simpática à esquerda fingia não ver problema na atuação persecutória e arbitrária do ministro Alexandre de Moraes, o principal aliado de Lula no STF. Mas sabe o ditado: “quem bate, esquece; quem apanha, não”! Agora, com a revogação 14/08/2026, 14:26 Democracia torturada - Revista Oeste https://revistaoeste.com/revista/edicao-335/democracia-torturada/ 6/10 Leia mais sobre: Luiz Inácio Lula da Silva Ditadura Censura Flávio Dino Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes Liberdade de imprensa 2 comentários Comentários exclusivos para assinantes. Comentário do sigilo da fonte numa canetada, é a imprensa inteira que levou uma bofetada na cara. Não apenas ela. A sociedade livre que se pretende no Brasil também. Tomara que não se esqueçam do “nunca mais”. Porque a tortura está de volta. São as cláusulas pétreas, os direitos e garantias individuais mais elementares e todos os brasileiros que foram colocados no pau-de-arara.


lustração: Júlia Xavier/Montagem Revista Oeste/Gerado por IA


Em seu discurso para exaltar a escola e o ensino do Direito, Fachin disse: “Atrás de cada decisão, há uma história. Atrás de cada direito reconhecido ou negado, há uma existência humana que será afetada por aquilo que nós, profissionais do Direito, fazemos. Por isso, não há prestígio social do jurista que se justifique sem a contrapartida de um compromisso ético profundo”. Palavras são palavras. Sem ação, são apenas palavras. O que pensaria Ruy Barbosa acerca do momento do país e, em especial, do STF que se mostra incapaz de deter mais uma decisão abusiva do ministro Alexandre de Moraes?

A resposta está em 14 de dezembro de 1914, quando na Tribuna do Senado e cansado da corrupção e da degradação ética, ele, Ruy, com a coragem de sempre, disse: “De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar da virtude, a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto”. Quem ousaria fazer discurso semelhante no Plenário do Supremo hoje? Quando Fachin diz que “não há prestígio social do jurista que se justifique sem a contrapartida de um compromisso ético profundo”, ele se candidata a fazêlo. Mas o fará? Porque será preciso mais que um discurso.

Alexandre de Moraes é seu vice-presidente na Corte. É quem vai sucedê-lo no ano que vem. É um ex-aluno da São Francisco e chamado com frequência pela reitoria e os alunos para ser o paraninfo de turmas de novos advogados. Será que Fachin confiaria a guarda da Constituição ao seu colega ministro? Será que os acadêmicos da Escola de Direito da USP, os seus alunos e os milhares de signatários da “Carta em Defesa da Democracia” acreditam que Alexandre está certo em tudo o que faz? Se sim, é hora de se questionar a existência e o propósito da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo, custeada com os impostos dos paulistas. Se discordam de Moraes, por que não reagem com a autoridade de fato ou a moral que possuem? O caso denunciado pelo jornalista maranhense é justo como toda reportagem jornalística que investiga abuso de poder ou malversação de bem público. 

Toda denúncia, jornalística ou não, merece ser investigada com absoluta transparência e, se houver indícios claros de desvio e de autoria, que se faça um julgamento sob o devido processo legal e amplo direito de defesa. Somente desta forma as eventuais responsabilidades e responsabilizações serão devidamente apuradas. Não foi o que aconteceu até o momento. Não houve apuração pela polícia ou pelo Ministério Público para esclarecer o uso irregular ou não do veículo do Tribunal de Justiça do Maranhão por Dino e sua família. Bastaria apenas uma investigação técnica para que a lei fosse cumprida e o interesse público atendido com a revelação das eventuais responsabilidades de todos. Ninguém pode estar acima da lei ou protegido por um colega de Corte.

Fato é que o caso foi incluído no malfadado Inquérito das Fake News por indícios de crime de perseguição e exposição de dados sensíveis de segurança de autoridade do STF. Conduzido por Moraes, detalhes do inquérito são mantidos em sigilo e sem que os acusados tenham pleno acesso às acusações que lhes são impostas. De novo, o modus operandi é típico de ditaduras. E desde março deste ano, quando mandou apreender os telefones, o computador de trabalho e o HD de Luís Pablo. Na terça, dia 11 de agosto, no aniversário de 200 anos de sua Alma Mater, a Faculdade de Direito da USP, usando as informações extraídas ilegalmente dos equipamentos do jornalista, mandou a PF ir atrás da sua suposta fonte: Raimundo Cutrim, ex-secretário de Segurança Pública e Assuntos.

Legislativos do Maranhão. O advogado Diogo Diniz Lima também foi alvo da mesma ação de busca e apreensão da Polícia Federal. No que aparenta ser apenas uma ação grotesca de corporativismo para proteger o colega Flávio Dino, indicado por Lula ao STF, Alexandre atropelou o artigo 5º da Constituição, que garante a liberdade de expressão, o seu inciso XIV, do sigilo da fonte. E o artigo 220, que garante a liberdade de imprensa, veda a censura ou qualquer tentativa estatal de embaraço ao trabalho jornalístico.

O que mais falta para uma nova carta dos iluminados da USP? Ou uma indignação pública que paute a eleição de outubro em defesa da verdadeira democracia, desta vez não por uma ameaça imaginária eleitoreira, mas por uma realidade que se arrasta desde 2019 em um regime de exceção paralelo que aflige a vida nacional? 

Enquanto prendia, congelava contas bancárias e de redes sociais apenas de um lado, parte da imprensa, do mundo acadêmico e político simpática à esquerda fingia não ver problema na atuação persecutória e arbitrária do ministro Alexandre de Moraes, o principal aliado de Lula no STF. Mas sabe o ditado: “quem bate, esquece; quem apanha, não”! Agora, com a revogação é a imprensa inteira que levou uma bofetada na cara. Não apenas ela. A sociedade livre que se pretende no Brasil também. Tomara que não se esqueçam do “nunca mais”. Porque a tortura está de volta. São as cláusulas pétreas, os direitos e garantias individuais mais elementares e todos os brasileiros que foram colocados no pau-de-arara.

Revista Oeste

A farra dos passaportes diplomáticos no governo corrupto do ex-presidiário Lula

 Benefício que foi criado para atender ao interesse do Estado brasileiros é concedido a cônjuges, filhos e outros dependentes de parlamentares


Reprodução Revista Oerste


Filas menores, tratamento preferencial na imigração e, em determinados países, dispensa da exigência de visto, são algumas das facilidades asseguradas a cônjuges, filhos e outros dependentes de deputados e senadores que recebem passaporte diplomático. 

Levantamento realizado por Oeste a partir das listas oficiais da Câmara dos Deputados e do Senado mostra que o benefício alcançou uma dimensão expressiva. 

Em 2026, 364 deputados federais e 64 senadores emitiram o documento para pelo menos um familiar. Ao todo, 428 parlamentares recorreram à prerrogativa para contemplar cônjuges, companheiros, filhos, enteados e outros dependentes, totalizando 825 passaportes diplomáticos — número bem superior ao de integrantes do Congresso. A prática deixou de ser pontual. 

Na Câmara, cerca de 70% dos deputados estenderam o benefício à família. No Senado, o número chega a 80%. Em média, cada parlamentar que solicitou o documento contemplou dois dependentes. Em alguns casos, um único mandato resultou na emissão de cinco ou seis passaportes diplomáticos para membros da mesma família. 

A ampliação acompanha o calendário político de Brasília. A posse de uma nova legislatura provoca a primeira corrida pelos documentos; nos anos seguintes, suplentes, novos dependentes e renovações mantêm a engrenagem funcionando. Como cada passaporte tem validade de dez anos, as concessões feitas em momentos diferentes acabam convivendo nas listas oficiais. 


Um ciclo que se repete 

O Senado oferece o retrato mais claro deste mecanismo. Em 2019, primeiro ano de uma nova legislatura, foram emitidos 131 passaportes diplomáticos, mais da metade de todas as emissões registradas no período analisado por Oeste. 

A concentração naquele ano mostra que a renovação das cadeiras não movimenta apenas a documentação dos novos senadores: ela também abre caminho para a entrada de seus familiares na lista de beneficiários. Casos como os de Alessandro Vieira (MDB-SE), Cid Gomes (PSB-CE) e Sérgio Petecão (PSD-AC) ajudam a dimensionar o fenômeno. 

Cada um deles obteve o documento para a esposa e três filhos. Assim, três mandatos foram suficientes para colocar 12 familiares na relação de beneficiários, além dos próprios senadores.


Alessandro Vieira (MDB-SE), Cid Gomes (PSB-CE) e Sérgio Petecão (PSD-AC) | Fotos: Senado Federal


Passada a concentração inicial, o fluxo diminuiu, mas não desapareceu. Em 2020, 2021 e 2022 foram expedidos em média 30 documentos por ano. É justamente essa sequência que ajuda a explicar o crescimento do estoque ao longo do mandato. 


Em 2024, outro componente ganhou destaque

Das 20 emissões registradas, boa parte esteve relacionada à entrada de suplentes em exercício. Castellar Neto (PP-MG), que assumiu a vaga de Carlos Viana (PodemosMG), recebeu o documento para si, para a esposa e dois filhos. André Amaral (União Brasil-PB), suplente de Efraim Filho (União Brasil-PB), também estendeu o benefício à mulher. O mesmo ocorreu com Beto Martins (PL-SC), que substituiu Jorginho Mello (PL-SC). 

A lista ainda inclui Janaína Farias (PT-CE), suplente de Camilo Santana (PT-CE); Bene Camacho (PSD-MA), suplente de Eliziane Gama (PSD-MA); Rosana Martinelli (PL-MT), suplente de Wellington Fagundes (PL-MT); e Ireneu Orth (PP-RS), suplente de Luis Carlos Heinze (PP-RS). Em 2025, a fotografia mudou novamente. 

Em vez de uma concentração de novos parlamentares, ganharam espaço as renovações e solicitações destinadas a filhos e cônjuges de senadores que já possuíam o documento. Na Câmara dos Deputados, a lógica é a mesma, mas em escala ainda maior.

Os registros públicos mostram que, no início da legislatura de 2019, havia 917 passaportes diplomáticos em vigor, dos quais 341 pertenciam a familiares. Somente naquele ano foram solicitados 155 novos documentos, divididos entre parlamentares (78) e dependentes.


Passaporte diplomático brasileiro - Foto: Shutterstock

Somados, Câmara e Senado registraram, naquele primeiro ano de legislatura, 286 novas emissões, evidenciando que a ampliação do benefício acompanha a renovação do Congresso. Sete anos depois, a comparação mostra o tamanho dessa expansão. Em 2026, a Câmara contabiliza aproximadamente 700 passaportes diplomáticos válidos emitidos para familiares, mais que o dobro do universo registrado no início da legislatura de 2019. 

O aumento foi de 370 documentos, ou cerca de 109%, enquanto o número constitucional de cadeiras da Casa permaneceu em 513. No Senado, os registros apontam 114 dependentes para 92 senadores e suplentes em exercício. Nas duas Casas, portanto, o grupo formado por familiares deixou de ser uma parcela secundária das listas e passou a representar uma parte substancial dos beneficiários. 

Desvio de função O passaporte diplomático foi criado para atender ao interesse do Estado brasileiro. A função original do documento é mais restrita do que o universo de beneficiários encontrado hoje nas listas do Congresso. Rubens Beçak, livre-docente em Teoria Geral do Estado e professor de Graduação e Pós-graduação da Universidade de São Paulo (USP), considera natural que o benefício alcance familiares que acompanham quem efetivamente desempenha uma função diplomática.

A crítica começa quando o mesmo direito é concedido a categorias que não exercem esse papel. “Não me parece natural que os parlamentares tenham o direito a usar o passaporte diplomático”, afirma. A mesma crítica se aplica aos membros do Judiciário, dos tribunais superiores. “Eu entendo que isso é uma distorção da ideia desse documento.” 

Carolina Montolli, professora de Direito da Universidade Estácio e especialista em Direito Internacional, faz outra ressalva: passaporte diplomático não significa status diplomático. O documento pode garantir facilidades administrativas no exterior, mas não concede, por si só, imunidade penal, civil ou administrativa ao familiar de um parlamentar.

“Em viagens particulares, o familiar permanece integralmente submetido à legislação do Estado estrangeiro”, explica. Segundo ela, sem uma missão oficial que lhe assegure status diplomático, o portador pode ser “fiscalizado, detido, processado e responsabilizado como qualquer outro cidadão”. As controvérsias em torno do benefício não se restringem a quem pode recebê-lo. 

Elas aparecem também no momento em que o vínculo que justificou a concessão é interrompido. Prisão, cassação e até o recolhimento físico do passaporte já conviveram com documentos que continuavam registrados como válidos no sistema do Itamaraty. 

Delcídio do Amaral, então senador por Mato Grosso do Sul, foi preso em 2015 e teve o mandato cassado em 2016. Por determinação judicial, entregou seus passaportes. Dois anos depois, porém, o benefício diplomático ainda constava como válido no sistema do Itamaraty. A prerrogativa permanecia também válida para a família: os documentos da mulher e de uma das filhas continuavam ativos, com validade até julho.


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Delcídio do Amaral, ex-senador por Mato Grosso do Sul - Foto: Pedro França/Agência Senado

Algo semelhante ocorreu com João Rodrigues (PSD-SC). O então deputado federal foi preso em fevereiro de 2018 e, mesmo atrás das grades, mantinha ativo o passaporte diplomático. A mulher e as duas filhas também conservaram os documentos, todos com validade até julho de 2019. 

Os casos de Delcídio e Rodrigues expuseram problemas no controle de documentos já concedidos. Com a família de Luiz Inácio Lula da Silva, a controvérsia surgiu antes, nos próprios critérios usados para justificar a concessão. Em 29 de dezembro de 2010, penúltimo dia útil do segundo governo Lula, dois filhos adultos do então presidente, Luís Cláudio Lula da Silva e Marcos Cláudio Lula da Silva, tiveram os passaportes diplomáticos renovados em caráter excepcional. Dois netos menores também foram contemplados. 

.Como os filhos adultos não preenchiam os requisitos que asseguravam o documento automaticamente aos dependentes, o Itamaraty recorreu a uma exceção prevista no Decreto nº 5.978/2006: o chamado “interesse do País”. 

A justificativa colocou as concessões na mira do Ministério Público Federal, que as considerou irregulares e recomendou o recolhimento dos passaportes. O Ministério das Relações Exteriores defendeu a legalidade das emissões. Em junho de 2011, cinco meses depois do fim do mandato de Lula, os dois filhos e os dois netos devolveram os documentos. Há ainda, segundo Beçak, uma segunda distorção: a duração do benefício. Para ele, a prerrogativa deveria terminar juntamente com a atividade que justificou sua concessão. 

“Ao fim da atividade, seria natural que o diplomata devolvesse o passaporte e não mais o utilizasse”, disse. A possibilidade de o documento continuar válido quando a função que lhe deu origem já terminou, conclui o professor, “é uma distorção completa” e “exige reflexão”. Carolina chama atenção para uma consequência externa dessa expansão. 

Segundo a especialista, o risco não é propriamente jurídico no plano internacional, mas diplomático e político. Governos estrangeiros podem reagir revendo as condições oferecidas aos portadores brasileiros, com a exigência de vistos, controles migratórios mais rigorosos ou restrições a benefícios previstos em acordos bilaterais. A Constituição estabelece que “todos são iguais perante a lei”. 

As listas oficiais do Congresso, contudo, expõem uma realidade peculiar: centenas de familiares de parlamentares têm acesso a um documento gratuito, acompanhado de facilidades que não estão disponíveis ao cidadão comum. A farra dos passaportes diplomáticos ajuda a mostrar que, em Brasília, alguns brasileiros continuam mais iguais do que os outros.


Por Luana Viana, Revista Oeste


Falsa filiação de Flávio Bolsonaro expõe vulnerabilidade no sistema da Justiça Eleitoral. Pudera! Com esse covil de ladrões 'governando' o Brasil inexiste segurança no País

Quem fez isso não é “zé mané”, conhece a legislação ou foi orientado por especialista



Pré-candidato à Presidência da República, senador Flávio Bolsonaro (PL) |- Foto: Divulgação / Flickr Flávio Bolsonaro


Temendo a retomada da desconfiança nacional relativa à insegurança das urnas eletrônicas, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) se apressou em negar que seu sistema tivesse sido hackeado para o cometimento dos crimes envolvendo a falsa “filiação” de Flavio Bolsonaro ao Missão, com o objetivo de inviabilizar o registro de sua candidatura. Quem fez isso não é “zé mané”, conhece a legislação ou foi orientado por especialista, porque a filiação a novo partido cancela de imediato a filiação anterior.

Criminoso sabia

Ao contrário do que muitos pensam, para se desfiliar a um partido não precisa de qualquer comunicação formal. Basta se filiar a outro.

Há juízes em Brasília

O crime seria perfeito se o presidente do TSE fosse outro, mas o ministro Nunes Marques restabeleceu a filiação ao PL quando percebeu a jogada.

Termina aos 45

O crime daria certo se fosse descoberto fora do prazo. Seria tão inútil reclamar quanto se queixar após o fim do jogo do pênalti não marcado.

A quem interessava?

Políticos de quase todos os partidos se manifestaram sobre a criminosa falsa filiação de Flávio, mas o silêncio do governo provocou suspeitas..

Com o Diário do Poder

quinta-feira, 13 de agosto de 2026

Plano de Flávio prevê reduzir maioridade penal, extinguir ministérios e limitar decisões do STF

 Documento reúne medidas para segurança, economia, educação e funcionamento do Estado



O senador Flávio Bolsonaro, candidato do Partido Liberal (PL) à presidência do Brasil, gesticula durante evento de anúncio de Alfredo Gaspar como vice-presidente na chapa presidencial brasileira , em Brasília, Brasil, 5 de agosto de 2026.-  Foto: REUTERS/Adriano


O plano de governo do candidato do PL à Presidência da República, Flávio Bolsonaro, prevê medidas nas áreas de segurança pública, economia, educação, saúde e funcionamento do Estado — como mudanças nas regras para o Supremo Tribunal Federal (STF), redução da maioridade penal e extinção de ministérios.

O programa “Para o Brasil Vencer o Atraso”, a que Oeste teve acesso, tem 76 páginas e está dividido em nove eixos:

1. Brasil sem Medo; 

2. Brasil por Elas; 

3. Brasil sem Fila; 

4. Brasil Mais Barato; 

5. Brasil que Prepara;

6. Brasil que Prospera; 

7. Brasil que Cresce; 

8. Brasil que Cumpre a Constituição; 

9. Brasil que Não Volta Atrás. Evaristo de Mirand 



Plano de Flávio estabelece meta de crescimento de 4% ao ano 

Na segurança pública, o candidato propõe ao menos duplicar os investimentos federais no setor, construir cinco presídios federais de segurança máxima e instalar mais de 1 milhão de câmeras de videomonitoramento. O programa também prevê classificar facções como Primeiro Comando da Capital e Comando Vermelho como organizações narcoterroristas e criar o Sistema Nacional de Fronteiras.

Além disso, o plano defende reduzir a maioridade penal de 18 para 16 anos e endurecer a responsabilização de adolescentes a partir dos 14 anos em crimes graves. Outra proposta permite a castração química de condenados por estupro e abuso de crianças, desde que uma lei sobre o tema seja aprovada pelo Congresso. 

Na economia, Flávio estabelece como meta um crescimento de 4% ao ano durante a próxima década. O programa prevê R$ 900 bilhões em quatro anos para rodovias, ferrovias, portos e aeroportos, além de medidas para estimular investimentos privados.

O candidato também propõe revisar impostos, reduzir o Imposto sobre Valor Agregado — tributo sobre o consumo previsto na reforma tributária — e desonerar combustíveis e energia elétrica. Na área fiscal, o programa prevê extinguir pelo menos dez ministérios, reduzir cargos comissionados e combater os chamados supersalários no serviço público.

Na área social, o plano afirma que os programas existentes serão preservados e aperfeiçoados. Entre as propostas estão a retomada do Casa Verde e Amarela, com meta de 2,5 milhões de residências, e a criação do programa Ganha-Ganha, pelo qual determinadas ações dos participantes poderão formar um histórico para facilitar o acesso a crédito, juros menores e cashback. 

Para as mulheres, o programa propõe criar a Central da Mulher, destinada a reunir serviços de segurança, saúde, orientação jurídica e psicológica, capacitação profissional, emprego e crédito.

 Também prevê monitoramento eletrônico de agressores submetidos a medidas protetivas e ampliação de creches em período integral, com vouchers onde não houver vagas públicas. 

Na educação, o plano defende a adoção do método fônico na alfabetização, a criação de novas escolas cívico-militares e a inclusão de conteúdos como robótica, educação financeira, empreendedorismo e inteligência artificial. 

O programa também prevê ampliar o ensino técnico em parceria com empresas. Na administração pública, Flávio propõe digitalizar 100% dos serviços federais e utilizar inteligência artificial para integrar atendimentos. 

Na saúde, o plano prevê um prontuário eletrônico único, além do uso de telessaúde e da contratação da rede privada em horários ociosos para atender pacientes do Sistema Único de Saúde. 


TSE restabelece filiação de Flávio ao PL, após ‘molecagem’ que o filiou ao Missão

 Decisão que viabiliza o registro da candidatura foi do presidente do TSE



Senador Flávio Bolsonaro, que disputará a Presidência da República - Foto: Agência Senado



O ministro Kassio Nunes Marques, presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), determinou que a filiação do senador Flávio Bolsonaro ao Partido Liberal (PL) seja restabelecida. A decisão atende a pedido da defesa do pré-candidato à Presidência e resolve o impasse criado por uma filiação indevida ao partido Missão, que havia sido registrada no sistema da Justiça Eleitoral.

A alteração constava em certidão de filiação partidária: Flávio aparecia desfiliado do PL em 12 de agosto de 2026 e filiado ao Missão no mesmo dia (por volta das 23h17). Como o Missão já havia oficializado a candidatura de Renan Santos à Presidência, a situação impedia o PL de registrar o nome de Flávio — o prazo final para registro de candidaturas é 15 de agosto.

O TSE informou que a filiação ao Missão “não foi fruto de hackeamento do sistema de filiação partidária”, mas sim de “uso indevido da ferramenta por parte de alguém que possuía as credenciais da legenda para efetivar filiações”. Nunes Marques determinou providências à Procuradoria-Geral Eleitoral e a instauração de inquérito pela Polícia Judiciária para apurar o episódio. O pedido de desfiliação de Flávio do Missão também estava em análise.

A campanha de Flávio classificou o ocorrido como fraude e “molecagem”, solicitou imediatamente o restabelecimento da filiação original ao PL e pediu investigação à Polícia Federal. O partido Missão, por sua vez, afirmou ter sido “vítima de uma tentativa de filiação fraudulenta”, disse ter tentado cancelar o cadastro (sem sucesso imediato) e informou ter notificado o gabinete do senador dias antes.

Com a decisão de Nunes Marques que restabelece a filiação de Flávio ao PL, o caminho fica aberto para o registro da candidatura do senador pelo partido, ainda dentro do prazo legal.

Diário do Poder

PF prende presidente da Conafer por fraude no INSS - E Lula, o chefe da quadrilha maior, quando volta para o xilindró?

 Carlos Roberto Ferreira Lopes estava foragido desde novembro e se entregou em Brasília



O presidente da Conafer, Carlos Roberto Ferreira Lopes - Foto: Carlos Moura/Agência Senado


O pecuarista Carlos Roberto Ferreira Lopes se entregou à Polícia Federal (PF) em Brasília na noite desta quarta-feira, 12. O presidente da Confederação Nacional de Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais do Brasil (Conafer) era o último alvo foragido da Operação Sem Desconto.

Os agentes cumpriram o mandado de prisão logo que o investigado se apresentou na Superintendência Regional da corporação no Distrito 

A PF vai encaminhar o empresário para o sistema penitenciário depois de concluir os trâmites burocráticos. Esquema no INSS e tempo na clandestinidade A Justiça Federal buscava Lopes desde novembro de 2025 por causa do envolvimento da Conafer nas irregularidades contra o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). As investigações apontam a entidade como peça central no desvio de recursos de aposentados e pensionistas.

O empresário mineiro permaneceu escondido durante nove meses enquanto a polícia avançava sobre os bens do grupo. A corporação identificou patrimônio em nome do pecuarista espalhado por diferentes regiões do país. 


Lojas em aeroporto e imóveis de alto padrão 

Lopes mantinha residências registradas em áreas nobres. O empresário é dono de um apartamento no bairro de Moema, na capital paulista, e possui quatro imóveis no Distrito Federal, divididos entre o Recanto das Emas e o Jardim Botânico.

O investigado abriu também o quiosque Jaguar no Aeroporto Internacional de Brasília em 2023. O estabelecimento funciona na entrada do terminal com capital social declarado de R$ 100 mil e comercializa peças de arte indígena.

Erich Mafra - Revista Oeste


Em TempoE Lula, o chefe da quadrilha maior, quando volta para o xilindró?

Foto mostra Haddad e traficante no mesmo palco, como Tarcísio afirmou

 

Fernando Haddad (PT) divide palanque com a traficante Alessandra Moja


Fernando Haddad (PT) disse primeiro “não lembrar” que esteve no mesmo palco ou palanque com a traficante Alessandra Moja, durante visita de Lula (PT) à Favela do Moinho, em São Paulo, em junho de 2025. Depois, afirmou que Tarcísio de Freitas “mentiu”, ao lembrar o caso durante debate na Band. Quem mente não é o governador de São Paulo. Foto mostra Haddad com o ex-ministro Márcio França (PSB) no mesmo palanque da criminosa que a Polícia Civil prenderia em 8 de setembro.

Imagens oficiais

O petista de memória seletiva até contestou a existência de imagens do episódio, mas existem e foram feitas até pelo Canal Gov, do governo.

Homenagem do PT

Naquele 26 de junho, três mulheres chamadas ao palco pelo PT, diante de Lula, foram anunciadas como “lideranças comunitárias”. Só que não.

Liderança do crime

Entre as “lideranças” estava a traficante que seria presa logo depois na Operação Sharpe, do Gaeco, Polícia Civil e Polícia Militar.

Sob comando do PCC

A cena acabou transmitida e reproduzida na imprensa. Só não checou quem não quis. A mulher e o irmão são acusados de ligação ao “PCC”.


Diário do Poder