segunda-feira, 2 de novembro de 2026

Listas negras petistas contra boicote lembram perseguição a judeus na Alemanha nazista


Após serem identificados e listados, judeus tinham seus estabelecimentos marcados pelos nazistas.


A “força-tarefa” de inspiração fascista do governo Lula (PT) para criar listas negras de quem se recusa a lidar com petistas ou a consumir seus produtos, encontra precedente na Alemanha nazista, com listas de comerciantes judeus, depois com a estrela de Davi pichada em suas portas. Aquela história de horrores acabaria nos campos de concentração. Foi a militância petista que introduziu isso no Brasil já em 2020, com boicote e até depredações a grandes marcas “bolsonaristas”.

Intolerância e barbárie

Além da Madero, passaram pelo perrengue do ódio petista empresas como a Havan, de Luciano Hang, caçado até no STF por apoiar a direita.

Rchlo pagou seu preço

A varejista Riachuelo entrou na lista negra petista pela opção corajosa do acionista majoritário Flávio Rocha, na defesa de pautas conservadoras.

Mens sana in corpore sano

As redes de academias Smart Fit e Bio Ritmo foram vítimas do ódio ativista após o fundador Edgard Corona ser apontado como “de direita”.

Jamais fariam nada igual

Também despejaram ira e inveja contra Coco Bambu (restaurantes) e Centauro (esportivos) porque os fundadores defenderiam ideias liberais.



Diário do Poder

domingo, 1 de novembro de 2026

The Economist: ex-presidiário Lula vence, investidores fogem e o Brasil caminha para o abismo fisca

 Publicação britânica alerta para o colapso econômico depois da reeleição do larápio petista


Petista participa da apresentação de novas medidas assistencialistas - Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil


A revista britânica The Economist emitiu um alerta sobre o futuro do Brasil depois da confirmação do quarto mandato de Luiz Inácio Lula da Silva. Segundo a publicação, o petista protagonizou uma virada histórica ao superar Flávio Bolsonaro por uma margem de quase quatro pontos porcentuais no segundo turno, em 25 de outubro. No entanto, enquanto os aliados do PT comemoram, os mercados e investidores entraram em pânico generalizado.

A reação foi imediata e violenta. No primeiro dia útil depois da eleição, o real despencou 8% frente ao dólar — o pior tombo diário registrado em mais de 25 anos. O índice Ibovespa, por sua vez, derreteu 14%. De acordo com a The Economist, o capital está em debandada porque os agentes econômicos temem, com razão, uma onda de gastos desenfreados e a estagnação do país. 


Ida de Flávio para os EUA 

Do lado da oposição, a revista relata que o clima é de temor. Flávio deixou o Brasil e buscou refúgio nos Estados Unidos. O senador tomou a decisão depois de o Supremo Tribunal Federal (STF) ordenar a retenção de seus passaportes. 

Apesar da turbulência política, a revista britânica enfatiza que o principal perigo ao país vem da rota de colisão econômica desenhada pelo governo Lula. 


A fatura da gastança de Lula

 Segundo o The Economist, o mercado apostava na vitória de Flávio pela absoluta desconfiança em relação a Lula. O texto destaca que sucessivas administrações gastaram sem limites, o que fez o Banco Central elevar a taxa de juros real para 9%. Como resultado, o Brasil compromete uma fatia do PIB com o pagamento de juros da dívida superior à de quase todas as grandes nações. 

Nem mesmo a fartura de recursos naturais, como o agronegócio, os minerais e o petróleo, foi capaz de livrar o país de décadas de crescimento medíocre sob a tutela de um Estado gastador. 

Os dados compilados pela publicação reforçam o tamanho do buraco: Déficit recorde: O déficit orçamentário do governo Lula supera 9% do PIB. Explosão da dívida: O Fundo Monetário Internacional estima que a dívida pública atingirá 97% do PIB ainda neste ano, contra 84% deixados em 2022.

Conta das promessas: Novos programas assistencialistas prometidos por Lula — que minimizou a responsabilidade fiscal — custarão cerca de 2% do PIB até o fim de 2027.


 Superpoderes e o aparelhamento do STF 

Para a revista londrina, se o presidente de 81 anos quiser salvar seu legado e não empurrar os mais pobres para uma crise severa, terá de adotar um rumo oposto ao discurso de campanha. As exigências incluem a indicação de um ministro da Fazenda com credibilidade perante o setor produtivo, a aprovação de um teto de gastos rigoroso, a extinção de isenções fiscais que beneficiam corporações ligadas a lobistas e o freio nos reajustes de aposentadorias de militares e servidores públicos, que avançam acima da inflação.


Vigarista incorporado à quadrilha, Janones abraça o descondenado -  Foto: Paulo Pinto/Agência Brasi

O periódico chama atenção para outro ponto sensível: a concentração de poder nas mãos de Lula neste novo mandato. O petista terá a prerrogativa de indicar diretores para o Banco Central, nomear cargos na Superintendência das Finanças Públicas e, sobretudo, indicar quatro novos ministros para o STF — corte classificada pela The Economist como um órgão abertamente politizado e desgastado por alegações de corrupção. 

A advertência final da publicação britânica é taxativa: se Lula encarar o resultado eleitoral como carta branca para intensificar a gastança e as políticas que quase o derrotaram, causará uma recessão profunda e um desastre fiscal, o que transformará sua vitória dourada em cinzas.


Com informaçöes de Uiliam Grizafis - Revista Oeste

sábado, 31 de outubro de 2026

Extração de Flávio é alerta ao Brasil, diz Ana Paula Henkel

Quando a retirada de um candidato presidencial derrotado exige a participação da Casa Branca, a crise institucional de um país já ultrapassou suas fronteiras


Flávio Bolsonaro, do Partido Liberal (PL), após perder o segundo turno das eleições presidenciais, em 25 de outubro de 2026 - Foto: Reuters/Agustin Marcarian


O que precisa acontecer com as instituições de uma democracia para que um candidato presidencial, depois de receber quase 60 milhões de votos, precise ser retirado de seu próprio país? 

A pergunta ganhou uma dimensão perturbadora nesta semana, quando Flávio Bolsonaro, senador da República, vencedor do primeiro turno e apontado como favorito pelas pesquisas para o segundo, deixou o Brasil em uma operação cuidadosamente organizada, com a participação de autoridades americanas e o envolvimento direto da Casa Branca e do Departamento de Estado dos Estados Unidos, conforme noticiado em primeira mão pela Revista Oeste. 

A história reúne elementos que, até pouco tempo atrás, dificilmente seriam considerados verossímeis na política brasileira, parecendo pertencer a um roteiro cinematográfico ou aos acontecimentos recentes de alguma ditadura latino-americana.

Veículos utilizados para despistar observadores, deslocamentos cuidadosamente planejados, uma travessia de fronteira, um avião particular e a participação de interlocutores próximos aos presidentes Donald Trump e Javier Milei compuseram uma operação de extração que terminou na manhã de quarta-feira, 28 de outubro, quando Flávio Bolsonaro desembarcou em Miami acompanhado da mulher e das duas filhas.


O senador brasileiro Flávio Bolsonaro desembarca de um avião após chegar ao Aeroporto Executivo de Opa-locka, perto de Miami, Flórida, EUA, em 28 de outubro de 2026 - Foto: Reuters/Eva Marie Uzcategui

Segundo o Wall Street Journal, quatro veículos deixaram a residência de Flávio Bolsonaro em Brasília, seguindo trajetos diferentes para despistar observadores. O senador atravessou a fronteira com a Argentina, embarcou em um avião particular em Puerto Iguazú e, depois de uma escala no Equador, chegou a Miami. Tudo sob a proteção de Washington. 

O contexto brasileiro torna o episódio ainda mais grave. Apenas sete minutos depois da confirmação do resultado pelo TSE, a Polícia Federal já havia solicitado a apreensão dos passaportes de Flávio Bolsonaro, medida autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal. A decisão judicial surgiu em um momento de enorme tensão política, quando o país ainda procurava compreender as controversas circunstâncias do segundo turno e suas consequências.

A extração de Flávio Bolsonaro precisa ser compreendida à luz dessa distinção. Reconhecer a excepcionalidade do que aconteceu não exige ter votado nele, concordar com suas posições ou compartilhar das convicções de sua campanha. O respeito às garantias constitucionais perderia qualquer significado se dependesse da simpatia que um cidadão desperta em seus adversários. Direitos fundamentais existem precisamente para impedir que a força política de uma maioria, a autoridade de um governante ou a atuação de um tribunal possam determinar arbitrariamente quem merece a proteção da lei.

 O caso de Flávio Bolsonaro exige, urgentemente, uma reflexão que ultrapasse as disputas entre lulistas e bolsonaristas. Um candidato presidencial que recebeu quase 60 milhões de votos deixou o Brasil com a participação de autoridades de uma potência estrangeira, em circunstâncias que desnudam uma profunda desconfiança quanto à segurança jurídica que encontraria em seu próprio país. O fato de uma operação dessa magnitude ter sido considerada necessária deveria provocar inquietação em qualquer brasileiro preocupado com a credibilidade de nossas instituições. 

A gravidade do episódio também se reflete na repercussão internacional, com reportagens e editoriais de veículos como The Wall Street Journal, The Washington Post e The New York Times, cuja cobertura atravessa diferentes orientações editoriais e está longe de se restringir à direita americana.


O precedente venezuelano e a erosão das instituições na América Latina

Em dezembro de 2025, María Corina Machado, principal liderança da oposição venezuelana, também precisou ser extraída de seu país. Perseguida pelo regime de Nicolás Maduro, ela vivia escondida havia quase um ano, sob ameaça constante de prisão e sem condições de circular livremente ou exercer publicamente sua atividade política. A operação, batizada de Dinamite Dourada, permitiu que deixasse a Venezuela e viajasse à Noruega para receber o Prêmio Nobel da Paz, com apoio de autoridades americanas.

A Venezuela de Nicolás Maduro e o Brasil de 2026 não se encontram na mesma situação institucional. O regime chavista acumulou décadas de perseguição à oposição, destruição de mecanismos de controle político e repressão sistemática à sociedade civil. Ignorar essas diferenças comprometeria a seriedade de qualquer análise. Entretanto, a operação que retirou María Corina da Venezuela evidencia um fenômeno que merece atenção: a necessidade de recorrer à proteção internacional quando a segurança de figuras políticas passa a ser considerada ameaçada em seus próprios países.


María Corina Machado, principal liderança da oposição venezuelana, também precisou ser extraída de seu país - Foto: Shutterstoc

A história latino-americana demonstra que a deterioração das instituições democráticas raramente acontece de maneira instantânea. Regimes autoritários podem preservar Constituições, parlamentos, tribunais e eleições enquanto esvaziam progressivamente os mecanismos destinados a limitar o poder e proteger as liberdades individuais.


Na Venezuela, a reforma de 2004 ampliou de 20 para 32 o número de magistrados do Tribunal Supremo de Justiça, permitindo que o governo de Hugo Chávez consolidasse sua influência sobre o Judiciário. Em 2015, quando a oposição conquistou a maioria qualificada na Assembleia Nacional, decisões judiciais passaram a restringir a atuação do Parlamento e anular suas deliberações. Em 2017, o Tribunal Supremo chegou a assumir competências legislativas. A Venezuela conservava Constituição, eleições e tribunais, mas os mecanismos institucionais destinados a limitar o poder já haviam sido profundamente comprometidos.

Em Cuba, a Revolução de 1959 foi seguida pela eliminação da competição política, pela restrição da liberdade de imprensa e pela submissão progressiva das instituições à autoridade revolucionária. A Constituição de 1976 consolidou o papel dirigente do Partido Comunista, preservando tribunais e procedimentos jurídicos dentro de uma estrutura que não admitia alternância democrática de poder.

Na Nicarágua, Daniel Ortega ampliou sua influência sobre o sistema judicial depois de retornar à Presidência, em 2007, utilizando mecanismos institucionais para restringir a atuação de adversários políticos. Em 2021, vários possíveis candidatos da oposição foram presos às vésperas das eleições presidenciais. A repressão também atingiu jornalistas, organizações civis e, de maneira crescente, membros da Igreja Católica.

Esses exemplos possuem trajetórias próprias, mas revelam uma vulnerabilidade comum: a transformação das instituições encarregadas de proteger o cidadão em instrumentos de preservação do poder. A existência de tribunais não garante a independência judicial, assim como a realização de eleições não assegura a liberdade política quando os mecanismos de competição e fiscalização deixam de funcionar adequadamente.


Daniel Ortega, ditador da Nicarágua, é acusado de perseguir todas as formas de oposição política | Foto: Divulgação/Presidência da Nicarágua


O Brasil sob o olhar da imprensa internacional 

Em editorial publicado na quarta-feira, 28 de outubro, intitulado “To Brazil’s Victor Goes Political Revenge” (“Ao vencedor no Brasil, a vingança política”), o Wall Street Journal criticou o risco de perseguição ao candidato derrotado e destacou que Lula poderá indicar até quatro novos ministros ao Supremo Tribunal Federal durante seu próximo mandato, ressaltando a responsabilidade do Senado na preservação da independência judicial.


Wall Street Journal Opinion @WSJopinion · Seguir To Brazil’s victor goes political revenge. Lula’s government targets losing opponent Flávio Bolsonaro.

No mesmo dia, o Washington Post publicou o editorial “When Judges Become Prosecutors” (“Quando juízes se tornam promotores de Justiça”), questionando a concentração de funções investigativas e judiciais no Supremo brasileiro, especialmente na atuação de Alexandre de Moraes, e os riscos dessa prática para o devido processo legal e a confiança pública na Justiça. 

O New York Times, por sua vez, dedicou reportagens aos bastidores da extração de Flávio Bolsonaro e à participação americana na operação. A contundência dos editoriais, somada à cobertura jornalística da operação, revela a gravidade das críticas internacionais à atuação do Judiciário brasileiro e à deterioração das garantias constitucionais.

Essa repercussão não significa que o Brasil precise de aprovação estrangeira para suas instituições. A questão é a gravidade de uma situação em que autoridades de outro país participaram diretamente da operação necessária para retirar e receber um candidato presidencial brasileiro. 

O Brasil atravessou sete anos de controvérsias judiciais que deixaram marcas profundas na confiança de parte da população. A reeleição de Lula, os questionamentos sobre o segundo turno e, sobretudo, a extração de Flávio Bolsonaro agravaram esse cenário. A dimensão extraordinária da operação, sem precedentes na história política recente do país, exige uma reflexão que ultrapasse as disputas eleitorais e impõe perguntas difíceis sobre a situação de nossas instituições. 

Com a perspectiva de novas indicações ao Supremo Tribunal Federal, torna-se ainda mais urgente discutir a responsabilidade do Senado e os mecanismos constitucionais destinados a impedir a concentração excessiva de autoridade.



Novas indicações ao STF reforçam o debate sobre o papel do Senado e os limites constitucionais à concentração de poder - Foto: STF


As ditaduras se consolidam quando uma sociedade permite que os limites constitucionais ao poder sejam enfraquecidos em nome de conveniências políticas ou do combate a adversários considerados perigosos. A operação que retirou Flávio Bolsonaro do Brasil deveria ser recebida como um alerta de enorme gravidade. O Brasil já pagou um preço alto demais pelos abusos de poder, e a história latino-americana oferece exemplos suficientes das consequências dessa permissividade. 

Quando a extração de um candidato presidencial mobiliza autoridades americanas, a crise institucional brasileira adquire uma dimensão que já não pode ser explicada apenas pelas disputas políticas internas. Mais alarmante, porém, é que um acontecimento dessa gravidade esteja sendo tratado por parte da imprensa brasileira como mais um episódio corriqueiro da política nacional. 

Regimes autoritários não anunciam sua chegada em editoriais de jornal nem publicam no Diário Oficial a data de sua instalação.


Ana Paula Henkel - Revista Oeste




A direita faxineira - por Gabriel Cepaluni, professor de ciência política da Unesp e autor de Capitalism and Development (Cambridge University Press)

 A esquerda gasta e forma quadros. Liberais e conservadores são chamados para arrumar a casa e depois são mandados embora




Em 25 de outubro, Lula venceu Flávio Bolsonaro por 51,8% a 48,2%. Flávio havia liderado o primeiro turno. Dezessete dias antes daquele primeiro turno, um decreto elevou o Bolsa Família em 15%, ao custo de R$ 5,8 bilhões neste ano e R$ 22,7 bilhões em 2027. 

Não escrevo para lamentar o resultado. Escrevo porque a derrota repete um padrão que a direita brasileira, e a latino-americana, ainda não encarou.

O padrão é simples. A esquerda governa gastando. Quando o dinheiro acaba, a direita é chamada para cortar. Corta, paga a conta política e sai. A esquerda volta e gasta de novo. 

Michel Temer aprovou o teto de gastos em 2016 e deixou o cargo com aprovação de um dígito. Mauricio Macri tentou um ajuste gradual na Argentina e perdeu em 2019 para a chapa de Cristina Kirchner. Cortar é menos divertido que gastar. 

Quem perde um benefício sabe o nome de quem o tirou. Quem ganha com as contas em ordem raramente percebe que ganhou. A lição que a direita precisa aprender Bolsonaro tentou o caminho oposto. 

Em 2022, elevou o Auxílio Brasil para R$ 600 por emenda constitucional, meses antes da eleição. Perdeu mesmo assim. A lição não é que a direita deva gastar mais. Num leilão de promessas, a esquerda sempre dá o lance maior.

Javier Milei mostra que cortar não é sentença de morte. Fez um ajuste duríssimo e venceu as eleições legislativas de outubro de 2025 com cerca de 41% dos votos. O argentino viu a inflação cair. O corte veio com um resultado que se podia sentir no supermercado. Milei, porém, é exceção, e exceção não sustenta projeto de poder.

 A pergunta que importa é outra: por que a esquerda sempre volta, mesmo depois de crises que ela própria criou? Parte da resposta está no que ela ocupa entre uma eleição e outra. A peça mais importante é a universidade.

Escrevo de dentro. Sou professor de uma universidade pública. A universidade brasileira deixou de ser apenas um lugar de ensino e pesquisa e virou um grupo de interesse, com orçamento a defender, carreiras a proteger e um aliado partidário claro. A UNE é presidida desde 1991 por quadros da União da Juventude Socialista, braço do PCdoB. No Andes-SN, o sindicato nacional dos docentes, a grande disputa interna dos últimos anos foi entre ficar numa central ligada ao PSTU ou se aproximar da CUT, ligada ao PT. Os dois lados da briga são de esquerda. 

Não há conspiração nisso. É a lógica de qualquer grupo de interesse: a universidade pública se alinha ao partido que promete expandir seu orçamento, e esse partido tem sido a esquerda. O efeito, contudo, vai muito além do orçamento. A universidade forma o juiz, o promotor, o diplomata, o técnico do Banco Central, o jornalista e o professor do ensino médio. Quem forma essa gente molda o país por 30 anos, muito depois de qualquer eleição.


A importância de hegemonia ideológica

A direita tem respostas, mas pequenas. O Estudantes pela Liberdade ajudou a formar os fundadores do MBL. O RenovaBR, suprapartidário, prepara candidatos. Institutos liberais publicam e debatem. Tudo isso tem valor. Mas forma militantes e candidatos, não a elite que ocupa o Estado por décadas.

Outros países fizeram apostas mais longas. Nos Estados Unidos, estudantes de Direito fundaram a Federalist Society em 1982. Quarenta anos depois, a maioria conservadora da Suprema Corte saiu da sua rede. No Chile, economistas e políticos de direita fundaram a Universidad del Desarrollo em 1990. 

Um dos fundadores, Cristián Larroulet, chegou a ministro de Sebastián Piñera. No Brasil, o agronegócio e o empresariado que financiam campanhas poderiam financiar coisa mais duradoura: bolsas de mestrado e doutorado no exterior para jovens talentosos, com compromisso de volta; cátedras com doadores em universidades que já existem; preparação para os concursos das carreiras de Estado. Uma campanha custa caro e dura três meses. Uma geração de quadros custa menos e dura 40 anos.

A segunda frente é o crescimento. A pesquisa sobre clientelismo mostra que o voto do eleitor pobre é mais barato de comprar, porque um benefício pequeno pesa muito no orçamento de quem tem pouco. Uma população mais rica é menos sensível ao decreto de véspera. E o crescimento é a única recompensa que torna o corte suportável. Foi o que Milei entregou e Temer não teve tempo de entregar.

 Eleição se ganha em campanha. Hegemonia se constrói em décadas. A esquerda entendeu isso há muito tempo. Enquanto a direita não entender, continuará sendo chamada só para limpar a casa. 


Gabriel Cepaluni, professor de ciência política da Unesp e autor de Capitalism and Development (Cambridge University Press) - Revista Oeste

Manter Alcolumbre na presidência do Senado é a desmoralização definitiva da oposição, escreve Mário Sabino

 A submissão do Congresso ao STF fortalece o autoritarismo e deixa o governo Lula sem freios


 

Alcolumbre ao fim da cerimônia de abertura do Ano Judiciário no Supremo Tribunal Federal, em Brasília - 2/2/2026 - Foto: Mateus Bonomi/Agif/Reuters


Se a oposição não fizer o próximo presidente do Senado, seja Rogério Marinho ou Tereza Cristina no lugar de Davi Alcolumbre, a derrota significará uma desmoralização ainda maior do que a de Flávio Bolsonaro na eleição presidencial. Significará principalmente um cheque em branco aos suspeitos de sempre da história de sempre. 

Teremos Alcolumbre mandando ainda mais no pedaço, em parceria estreitada (pelo bem do Brasil) com o ministro Alexandre de Moraes, tornado irremovível e, a partir do segundo semestre, na presidência do STF, que é para arrebentar a boca do balão.

Acrescente-se ao quadro a permanência de Hugo Motta na presidência da Câmara, e os brasileiros que nutrem a vaga esperança de que se faça alguma coisa certa um dia, sei lá, poderão deixá-la à porta do inferno. 

O inferno é aquele lugar no qual Lula, totalmente entregue aos próprios e baixos instintos no outono da existência, à extrema esquerda que o ajudou no momento janônico da campanha de segundo turno e a um Congresso voraz, fará no máximo uma gambiarrinha fiscal para um mercado obrigado a fingir que é ajuste, mas sem poder fingir completamente, porque isso é coisa de poeta. 

A falsa crença irá até determinado ponto, e o ponto será o bem passado dos gastos do governo em permanente alta, apesar dos estelionatos eleitorais aplicados em quem vai esquecê-los rapidamente, assim como o dos impostos lá em cima como nunca, estes, sim, inesquecíveis, inclusive um IVA, viva, da ordem de 30% ou mais.


O custo de manter Alcolumbre

 Quando o inferno tiver alcançado níveis abrasadores, talvez um Deus ex machina, na forma de recessão econômica, surja para iniciar uma crise política que faça rolar a cabeça do presidente já meio sobre o senil, esfriando o ambiente e nos recolocando no caminho da nossa anormalidade habitual. 

Tudo ao custo de sacrifícios adicionais, é claro, embora jamais da parte dos Alcolumbres, Moraes e Mottas, é evidente, mas não importa, tudo bem, pessoal: a gente aqui embaixo gosta de sofrer em prol das causas vendidas como boas, visto que agora a coisa vai, finalmente. 

Quer chamar esse eterno retorno de esperança? Por favor, fique à vontade, afinal a casa é sua, ou você pensa que é.



Mário Sabino - Revista Oeste 


Ibovespa perde 18% na semana da reeleição de Lula; dólar dispara 9%

 Bolsa registra pior desempenho semanal desde março de 2020; moeda norteamericana tem maior avanço desde a crise de 2008


Analistas acreditam que a irresponsabilidade fiscal do governo Lula disparou o dólar | Foto: Reprodução/Freepik


O Ibovespa acumulou queda de cerca de 18% na semana seguinte à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. No mesmo período, o dólar à vista subiu mais de 9%, em meio à revisão das expectativas dos investidores para a economia brasileira e às incertezas sobre a política fiscal.

Nesta sexta-feira, 30, o principal índice da Bolsa brasileira recuou 0,75%, aos 167.922 pontos. Foi o quinto pregão consecutivo de perdas. Durante a sessão, o indicador oscilou entre 167.008 e 169.185 pontos.

A desvalorização semanal foi a mais intensa desde março de 2020, no começo da pandemia de covid-19. Esse movimento também levou o resultado de outubro para o vermelho, com perda de aproximadamente 9,9%. 

As ações da Vale e da Petrobras subiram na sexta-feira e limitaram o recuo do índice. Ainda assim, a cautela com a formação da equipe econômica para o próximo mandato e com a trajetória das contas públicas manteve a pressão sobre os ativos brasileiros.


Dólar registra maior alta semanal desde 2008 

O dólar à vista encerrou a sexta-feira com valorização de 1,05%, cotado a R$ 5,44. Ao longo do pregão, a moeda norte-americana variou entre R$ 5,38 e R$ 5,46.

O avanço de 9% na semana foi o maior desde o período encerrado em 24 de outubro de 2008, durante a crise financeira internacional. O euro comercial também subiu na sexta-feira: avançou 1,12%, para R$ 6,08. 


Juros futuros também avançam 

A pressão alcançou os juros futuros, com investidores exigindo taxas maiores para negociar contratos de diferentes vencimentos. No encerramento dos negócios regulares, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2028 passou de 14,37%, no ajuste anterior, para 14,48%. 

A do contrato para janeiro de 2029 avançou de 14,80% para 14,96%. Para janeiro de 2031, a taxa subiu de 15,15% para 15,26%.

Além das dúvidas fiscais, a valorização do dólar e do petróleo ampliou as preocupações com a inflação. As taxas desses contratos refletem expectativas e condições de mercado, sem representar uma decisão do Banco Central sobre a Selic. Bolsas norte-americanas encerram em queda 

O ambiente externo também foi desfavorável às ações. 

Nos Estados Unidos, resultados trimestrais abaixo das expectativas de empresas de tecnologia pressionaram as bolsas. 

O Nasdaq caiu 2,86%, aos 25.437 pontos. O S&P 500 recuou 1,82%, para 7.579,82 pontos, enquanto o Dow Jones perdeu 1,09%, aos 51.771,14 pontos. Investidores também repercutiram declarações de dirigentes do Federal Reserve, o Banco Central norte-americano, favoráveis à manutenção de uma política monetária restritiva.


Matheus Santos - Revista Oeste

sexta-feira, 30 de outubro de 2026

Dívida pública federal dispara no governo Lula e chega a R$9,38 trilhões

Endividamento do governo cresce R$90,2 bilhões em setembro, impulsionado principalmente pela incorporação de juros


Foto: Reprodução


A Dívida Pública Federal (DPF) chegou a R$9,383 trilhões em setembro de 2026, registrando alta de 0,97% em relação ao mês anterior.

Os dados foram divulgados pelo Tesouro Nacional na quinta-feira (29) e representam um aumento de R$90,2 bilhões em apenas um mês.

Em agosto, o estoque da dívida estava em R$9,293 trilhões.

A elevação foi provocada principalmente pela incorporação de R$89,29 bilhões em juros ao montante devido pelo governo federal.

As emissões líquidas de títulos públicos também contribuíram para o resultado.

Durante setembro, o Tesouro emitiu R$189,44 bilhões em títulos públicos, enquanto os resgates totalizaram R$185,66 bilhões.

A diferença resultou em uma emissão líquida de R$3,78 bilhões na dívida interna.

A dívida interna, composta principalmente por títulos negociados no mercado nacional, alcançou R$9,037 trilhões, com crescimento de 1,04%.

Já a dívida externa recuou 0,82%, encerrando o período em R$345,41 bilhões.

O custo médio do estoque da dívida pública, considerando os últimos 12 meses, passou de 12,59% ao ano, em agosto, para 12,63% em setembro.

O indicador acompanha os encargos associados ao endividamento federal.

Na composição da dívida, os títulos vinculados à taxa Selic passaram a representar 51,6% do total, ante 52,74% no mês anterior.

Os papéis corrigidos pela inflação aumentaram sua participação de 23,22% para 23,59%, enquanto os prefixados avançaram de 20,31% para 21,14%.

Apesar do avanço do endividamento, a reserva de liquidez do Tesouro Nacional chegou a R$1,273 trilhão, uma alta de 5,33% em relação a agosto.

O montante, conhecido como colchão da dívida, é suficiente para cobrir aproximadamente 7,71 meses de vencimentos dos títulos públicos federais.

Pedro Taquari - Diário do Poder