segunda-feira, 9 de março de 2026

Sem apoio da esquerda, Vieira protocola CPI contra Master, Moraes e Toffoli

Requerimento reúne 35 assinaturas e prevê apuração de possíveis relações entre ministros do STF e o empresário Daniel Vorcaro


Senador Alessandro Vieira (MDB-SE) - Foto: Andressa Anholete/Agência Senado 

O senador Alessandro Vieira (MDB-SE) protocolou nesta segundafeira, 9, o requerimento para a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) destinada a investigar possíveis conexões entre exdono Banco Master, Daniel Vorcaro, e os ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF).

O pedido foi apresentado com 35 assinaturas, número superior ao mínimo de 27 apoios exigidos para a instalação de uma CPI. A lista de signatários é composta majoritariamente por parlamentares de partidos de centro, direita e oposição ao governo, sem a adesão de senadores de partidos de esquerda.

Preso, o banqueiro Daniel Vorcaro foi levado para Penitenciária em Brasília | Foto: Divulgação/Secretaria da Administração Penitenciária 

No requerimento, Vieira afirmou que as investigações envolvendo o Banco Master levantaram dúvidas sobre eventuais vínculos entre o empresário e integrantes da mais alta Corte do país. Para o senador, o Congresso Nacional precisa apurar de forma transparente os fatos diante da repercussão institucional do caso.


O caso Master revelou ao país uma in completa teia de irregularidades inanceiras, cujos desdobramentos investigativos alcançaram o coração do Poder Judiciário nacional, gerando questionamentos de enorme gravidade sobre conduta de dois ministros do Supremo Tribunal Federal que merecem — e exigem — a atenção investigativa do Parlamento”, afirmou Vieira no documento. 

A proposta de CPI prevê investigar “eventuais relações pessoais, financeiras ou de outra natureza” entre Vorcaro e os ministros do STF, além de possíveis impactos dessas relações sobre decisões e atos praticados no exercício das funções institucionais.


Supostas relações de ministros no caso Master 

Entre os pontos citados no requerimento está a participação do ministro Dias Toffoli em empreendimento turístico ligado ao grupo empresarial de Vorcaro, o Tayayá Resort, no interior do Paraná. Segundo Vieira, a relação envolvendo o empreendimento levanta questionamentos que justificam uma investigação parlamentar para esclarecer eventuais vínculos entre o magistrado e o empresário investigado. 

O documento também menciona contrato de honorários firmado com a advogada Viviane Barci, mulher do ministro Alexandre de Moraes. De acordo com o requerimento, o contrato previa pagamento mensal de R$ 3,6 milhões a partir de janeiro de 2024 e poderia alcançar R$ 129 milhões até 2027. Para o senador, a existência desse acordo suscita dúvidas sobre possíveis conexões entre o grupo econômico investigado e a atuação do magistrado.


Ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli em sessão plenária do STF — Brasília (DF), 4/3/2026 | Foto: Victor Piemonte/STF

Encontros de Vorcaro

Outro trecho do pedido cita mensagens atribuídas a Vorcaro, nas quais o empresário relata encontros com Alexandre de Moraes. Para o senador, o conteúdo reforçou a necessidade de esclarecimentos públicos sobre a natureza dessas interações.


“O Senado Federal tem o dever de investigar, de esclarecer e de oferecer ao povo brasileiro a transparência que a crise institucional exige”, afirmou Vieira. 


Com o pedido de abertura da CPI protocolado, caberá ao presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP), avaliar a leitura do pedido em plenário e a eventual instalação da comissão parlamentar de inquérito. 


Veja os senadores apoiadores: 


1. Alessandro Vieira (MDB-SE)

2. Astronauta Marcos Pontes (PL-SP);   

3. Eduardo Girão (NOVO-CE); 

4. Magno Malta (PL-ES);

5. Luis Carlos Heinze (PP-RS); 

6. Sergio Moro (UNIÃO-PR); 

7. Esperidião Amin (PP-SC); 

8. Carlos Portinho (PL-RJ); 

9. Styvenson Valentim (PSDB-RN); 

10. Marcio Bittar (PL-AC); 1

11. Plínio Valério (PSDB-AM); 

12. Jaime Bagattoli (PL-RO); 

13. Oriovisto Guimarães (PSDB-PR); 

14. Damares Alves (REPUBLICANOS-DF); 

15. Cleitinho (REPUBLICANOS-MG); 

16. Hamilton Mourão (REPUBLICANOS-RS); 

17. Vanderlan Cardoso (PSD-GO); 

18. Jorge Kajuru (PSB-GO); 

19. Margareth Buzetti (PP-MT); 

20. Alan Rick (REPUBLICANOS-AC); 

21. Wilder Morais (PL-GO); \

22. Izalci Lucas (PL-DF); \

23. Mara Gabrilli (PSD-SP); \

24. Marcos do Val (PODEMOS-ES); \

25. Rogério Marinho (PL-RN); \

26. Flávio Arns (PSB-PR); \

27. Laércio Oliveira (PP-SE); \

28. Dr. Hiran (PP-RR); \29. Flávio Bolsonaro (PL-RJ); 

30. Nelsinho Trad (PSD-MS); 

31. Marcos Rogério (PL-RO); \

32. Wellington Fagundes (PL-MT); 

33. Carlos Viana (PODEMOS-MG); 

34. Efraim Filho (UNIÃO-PB); e \

35. Tereza Cristina (PP-MS). 


Sarah Peres - Revista Oeste

CPI do STF já tem número mínimo de apoio no SenadoDiário do Poder

 Alessandro Vieira diz que objetivo é "resgatar a confiança dos brasileiros nas instituições"


Senador Alessandro Vieira (MDB-SE) é autor do requerimento para criação da CPI | Foto: Senado Federal do Brasil


O senador Alessandro Vieira (MDB-SE) afirmou nesta segunda-feira (9) ter alcançado o número mínimo de assinaturas para protocolar um pedido de Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) no Senado a fim de investigar a atuação dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes e Dias Toffoli no caso Banco Master.

Para a abertura da CPI são necessárias 27 assinaturas. Até a tarde desta segunda, o requerimento já contava com 29. De acordo com Vieira, a coleta continuará para garantir uma base mais ampla antes do protocolo oficial.

“Sem condenação antecipada, vamos realizar uma investigação absolutamente necessária para resgatar a confiança dos brasileiros nas instituições”, afirmou.

Entre os 29 senadores que assinaram o requerimento estão Sergio Moro (União-PR), Hamilton Mourão (Republicanos-RS), Damares Alves (Republicanos-DF), Marcos Pontes (PL-SP) e Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que aderiu após o número mínimo já ter sido alcançado.

A oposição no Senado tem liderado a articulação contra os ministros do STF. Paralelamente, o governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), anunciou que pretende protocolar um pedido de impeachment contra Moraes. Caso seja apresentado, caberá ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), decidir se dará andamento ao pedido de CPI ou aos processos de impeachment, conforme prevê a legislação.

Segundo informações extraídas do celular de Vorcaro, o banqueiro teria relatado a Moraes negociações envolvendo a venda do banco e discutido um “inquérito sigiloso” que tramitava na Justiça Federal de Brasília. As mensagens também indicam que Vorcaro consultou uma lista de convidados de um fórum jurídico realizado em Londres em 2024.

Diário do Poder

Ex-'ministro' do ex-presidiário Lula, Franklin Martins, é deportado do Panamá

 Indigitado teve o passaporte retido por agentes à paisana e foi levado para uma sala de interrogatório


Franklin Martins, ex-ministro do descondenado Lula (Foto: EBC)

O 'jornalista' Franklin Martins foi detido e deportado do Panamá quando fazia conexão no país rumo à Guatemala, onde participaria de um seminário. Ele havia embarcado no Rio de Janeiro e faria apenas escala na Cidade do Panamá antes de seguir viagem.

Segundo relato do próprio ex-'ministro', ao desembarcar no aeroporto internacional de Tocumen ele teve o passaporte retido por agentes à paisana e foi levado para uma sala de interrogatório. Após perguntas sobre sua viagem e sua trajetória, incluindo uma prisão ocorrida durante a ditadura militar no Brasil, foi informado de que não poderia seguir viagem e seria deportado ao Brasil, sem explicação clara.

Depois da repercussão do caso, o governo do Panamá enviou uma carta ao Itamaraty pedindo desculpas e classificando o episódio como um incidente ligado a procedimentos migratórios baseados em informações presentes em sistemas de controle do país.

Diário do Poder

domingo, 8 de março de 2026

Cupincha do ex-presidiário Lula, Vorcaro torrou R$ 220 milhões em festa com Coldplay e Andrea Bocelli

 Planilha revela custos astronômicos com shows, além de hospedagem em hotel da série White Lotus


O empresário Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master| Foto: Reprodução/Instagram/Martha Graeff


Uma planilha de despesas obtida pelo portal g1 detalha a extravagância de uma festa privada organizada pelo banqueiro Daniel Vorcaro em Taormina, na Sicília, em setembro de 2023. O evento de cinco dias custou o equivalente a R$ 222 milhões e contou com apresentações de estrelas internacionais em cenários históricos da Itália. Atualmente, Vorcaro cumpre prisão preventiva na Penitenciária Federal de Brasília. Ele é investigado dentro da Operação Compliance Zero sobre fraudes bilionárias no Banco Master.

Os custos com entretenimento representam a maior fatia do orçamento revelado pelo documento. A banda Coldplay recebeu o cachê mais alto, faturando R$ 59,7 milhões por uma única apresentação. O tenor Andrea Bocelli embolsou R$ 5,1 milhões, enquanto atrações como Michael Bublé, The Strokes, David Guetta e Seal também realizaram shows exclusivos para os convidados de Vorcaro. A estrutura de produção e montagem dos palcos consumiu outros R$ 76,5 milhões, evidenciando a magnitude logística do evento internacional. 

A hospedagems de convidados e da equipe técnica totalizou R$ 19,9 milhões em alguns dos estabelecimentos mais exclusivos do mundo. O banqueiro fechou o Four Seasons San Domenico Palace, famoso por ambientar a série The White Lotus, ao custo de R$ 9,3 milhões. Outros hotéis luxuosos, como o Belmond Villa Sant’Andrea e o Grand Hotel Timeo, também integraram a reserva bilionária de Daniel Vorcaro. Durante as festividades, os presentes contavam com o suporte de sete helicópteros para deslocamentos entre as locações históricas da Sicília.

A planilha detalha ainda a locação de marcos culturais como o Teatro Greco e o Castello degli Schiavi, este último célebre por servir de cenário ao filme O Poderoso Chefão. Além dos cachês artísticos, o banqueiro destinou R$ 2,1 milhões para serviços de hospitalidade e transporte local. Enquanto Vorcaro financiava essa celebração na Europa, a Polícia Federal e o Ministério Público Federal aprofundavam as apurações sobre o esquema de corrupção e crimes financeiros que resultaram em sua recente prisão e isolamento no sistema penitenciário federal


Hotéis de luxo para Vorcaro e companhia 

Cupincha do ex-presidiário Lula, Vorcaro torrou R$ 220 milhões em festa com Coldplay e Andrea Bocelli


Com informações de Erick Mafra - Revista Oeste

Aumenta o cerco sobre o ex-presidiário Lula e quadrilha - Toffoli: empréstimo para o Resort Tayayá teve 5 renegociações

 Documentos revelam que o Bradesco adiou cobrança de dívida de R$ 20 milhões por quase uma década


Resort Tayaya, que foi de propriedade de Dias Toffoli | Foto: Resort Tayay


O Resort Tayayá, empreendimento imobiliário que contou com a participação societária do ministro José Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), carrega uma dívida com o banco Bradesco renegociada pelo menos cinco vezes nos últimos anos. Segundo informações do jornal O Estado de S. Paulo, o empréstimo original de R$ 20 milhões, contraído em 2016, deveria ter sido quitado em apenas três anos. Contudo, registros em cartório mostram que os prazos foram sucessivamente esticados sem a aplicação de multas por impontualidade e com taxas de juros significativamente inferiores à Selic, a principal referência do mercado financeiro.

A última repactuação ocorreu em outubro de 2024, período em que o magistrado ainda constava como sócio do empreendimento. Na ocasião, o saldo devedor de aproximadamente R$ 7,1 milhões recebeu um novo vencimento para julho de 2026, com juros prefixados de 6,5% ao ano. Conforme levantamento do Estadão, essa taxa contrasta com o Panorama de Crédito da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), que apontava juros médios de 10,5% para financiamentos imobiliários de pessoas jurídicas no mesmo período. O Bradesco não comentou o caso, citando sigilo bancário.


Conflito de interesses e atuação no STF 

O ministro Toffoli afirmou, via assessoria, que não participou das negociações do empréstimo ou de seus aditamentos. O magistrado destacou que declarou impedimento para julgar processos envolvendo o Bradesco há muitos anos. Entretanto, o jornal O Estado de S. Paulo identificou que o ministro voltou a proferir decisões monocráticas e votos em causas relacionadas à instituição financeira em período posterior a 2018, inclusive enquanto já era sócio formal da DGEP Empreendimentos, incorporadora do resort, por meio de sua empresa Maridt S.A. 


Conexões de Toffoli com o Banco Master 

O Resort Tayayá também figura no centro de questionamentos sobre a relatoria de Toffoli em inquéritos envolvendo o Banco Master. O magistrado vendeu parte de sua participação no empreendimento a um fundo de investimento ligado ao banqueiro Daniel Vorcaro. Mensagens e extratos obtidos pelo jornal O Estado de S. Paulo indicam que o fundo destinou R$ 35 milhões ao resort. 

Embora o ministro negue ter recebido valores de Vorcaro ou de seu cunhado, o pastor Fabiano Zettel, os documentos mostram aportes milionários coordenados entre os fundos Leal e Arleen nas mesmas datas em que o Arleen ingressou na sociedade do Tayayá. 

A relação dos Toffoli com o projeto remonta a 2006, quando um primo do ministro incorporou o terreno. Irmãos de Toffoli, incluindo um engenheiro e um padre, atuaram como dirigentes da empresa que controlava o resort. Enquanto a ordem constitucional exige transparência, o emaranhado de renegociações bancárias e investimentos cruzados com figuras investigadas pela Polícia Federal amplia a pressão sobre a conduta ética do magistrado no topo do Judiciário brasileiro. 

Aumenta o cerco sobre o ex-presidiário Lula e quadrilha


Erick Mafra - Revista Oeste

Teoria Austríaca dos Ciclos Econômicos – Parte 1: A Base do Crescimento Econômico, por Paul F. Cwik

 

Nota da edição:

Este artigo é uma tradução exclusiva para o português do Instituto Mises Brasil da primeira parte do livro Austrian Business Cycle Theory: An Introduction do economista e fellow do Mises Institute Paul F. Cwik. Nesta parte, o autor fala sobre a visão da Escola Austríaca em relação ao que garante o crescimento econômico verdadeiro contrastando-a com as visões keynesianas e da chamada economia mainstream.


Antes de podermos entender como uma economia “dá errado”, primeiro precisamos entender como uma economia “funciona corretamente”. 

O componente mais básico de qualquer economia é a transação que ocorre entre duas pessoas. Em qualquer transação de livre mercado, fazemos duas suposições básicas: as pessoas estão agindo voluntariamente e os direitos de propriedade estão claramente definidos. Em outras palavras, não há força, coerção ou fraude. Nessas condições, quando duas pessoas realizam uma troca, cada lado espera se beneficiar, tanto psicologicamente quanto materialmente. Sob a premissa da dupla coincidência de desejos, cada lado deve atribuir maior valor ao que está recebendo na troca do que ao que está entregando. Por exemplo, se a pessoa A tem maçãs e a pessoa B tem mirtilos, então a pessoa A deve valorizar os mirtilos mais do que as maçãs, e a pessoa B deve valorizar as maçãs mais do que os mirtilos. Se essa condição não for atendida, então nenhuma troca ocorrerá. Assim, como cada troca representa uma dupla coincidência de desejos, devemos concluir que cada transação traz pelo menos um benefício psicológico para ambos os participantes da troca.

Ao compreender os benefícios que se acumulam para os indivíduos que realizam trocas, podemos, por extensão, perceber como uma comunidade econômica inteira se beneficia do comércio. Por meio da lei da vantagem comparativa, também podemos concluir que, quando as pessoas se especializam na atividade em que possuem menor custo de oportunidade e depois realizam trocas, ambos os lados tornam-se materialmente mais prósperos (veja Ayau [2007]1 para exemplos claros e uma discussão simples de como essa lei funciona). O poder da lei da vantagem comparativa encontra-se na redução de custos. Quando o custo de produção é reduzido, é fácil entender como quem reduz custos se beneficia diretamente. Por exemplo, se uma pessoa encontra uma maneira mais eficiente de organizar suas ferramentas, ela conseguirá terminar seu trabalho mais rapidamente e terá mais tempo livre depois. Mas como esse benefício é transmitido aos outros?

Suponhamos que exista uma empresa de manufatura que venda mil unidades por dia ao preço de US$10 cada, com um custo de US$8 por unidade. Um cálculo rápido revela que a empresa está obtendo US$2.000 de lucro por dia (Lucro = Receita − Custos; portanto, para essa empresa: US$10.000 − US$8.000 = US$2.000). Para aumentar seus lucros, a empresa pode alterar seus preços, reduzir seus custos ou tentar uma combinação das duas estratégias. Se a empresa decidir aumentar o preço de suas unidades, perderá alguns clientes. Se perder clientes demais (devido à alta sensibilidade dos consumidores ao preço, isto é, demanda elástica), então sua receita total cairá. A empresa poderia, em vez disso, reduzir o preço para atrair mais clientes (também devido à elasticidade da demanda), mas a diminuição do preço poderia superar o aumento no número de consumidores. Na prática, as empresas costumam ser bastante hábeis em equilibrar essas estratégias. Elas sabem que, se aumentarem seus preços, seus clientes serão atraídos pelos concorrentes e que, se reduzirem os preços, perderão receita. Ambas as escolhas reduzem os lucros. Por essa razão, quando uma empresa tenta aumentar sua margem de lucro no mundo real, ela tende a se concentrar na redução de custos, e não no aumento da receita.

Suponha que nossa empresa fictícia encontre novas maneiras de tornar suas operações de manufatura mais eficientes, de modo que consiga reduzir seus custos de US$8 para US$6 por unidade. Os benefícios dessa redução de custos podem se manifestar de três maneiras. A mais evidente é que maiores lucros passam a beneficiar os proprietários (US$10.000 − US$6.000 = US$4.000). Eles agora possuem maior poder de compra para gastar em bens de consumo e bens de investimento. O segundo benefício aparece na forma de salários mais altos para os trabalhadores. Em equilíbrio, os fatores de produção recebem preços de acordo com o valor que contribuem para a produção. Se os trabalhadores aumentam sua produtividade, então, ao longo do tempo, seus salários aumentarão e eles passarão a ter maior poder de compra. Por fim, a empresa pode perceber que, com um custo menor por unidade, pode reduzir o preço de seu produto (a partir de $10) e tentar conquistar alguns clientes de seus concorrentes. O preço mais baixo beneficia diretamente os consumidores. Em cada um desses casos, a empresa consegue liberar recursos ao reduzir custos. Esses recursos adicionais levam a um aumento na oferta de bens de consumo, de bens de investimento, ou de ambos.

Figura 1: A “fórmula mágica” do crescimento econômico

Esse processo de crescimento econômico por meio da expansão da oferta recebeu vários nomes ao longo da história, sendo talvez o mais famoso a lei de Say. A lei de Say começa apontando que o dinheiro é um meio de troca, um elo que conecta a produção de uma pessoa à produção de outras pessoas. Em seguida, ela mostra que precisamos produzir antes de poder consumir. Eu chamei essa ideia de a “fórmula mágica” do crescimento econômico (é claro que não há nada de mágico nela; como mostra a figura 1).

Vamos examinar essa fórmula começando pelo final e trabalhando em sentido inverso. Podemos começar perguntando: “Qual é o objetivo dos participantes da economia?” De modo geral, podemos responder que as pessoas gostariam de melhorar sua situação (isto é, alcançar um padrão de vida mais elevado). Essa conclusão nos leva à pergunta: “Como podemos melhorar nosso padrão de vida?” A resposta mais genérica é obtendo mais “coisas”. Naturalmente, “coisas” não se limita a itens físicos. Pode incluir elementos intangíveis, como tempo livre. No entanto, para alcançar um padrão de vida mais elevado, uma coisa é certa: precisamos criar mais de alguma coisa. Mas como?

Ao longo da história, algumas sociedades obtiveram essas “coisas” adicionais por meio da conquista. Entretanto, anteriormente afirmamos que as transações de livre mercado não podem ocorrer por meio da coerção, de modo que a conquista está excluída como forma legítima de aumentar a produção. Outra possibilidade seria descobrir novos recursos. Recursos ainda não explorados foram descobertos e colocados em uso à medida que a humanidade se espalhou pelo globo. Contudo, embora ainda existam alguns recursos não descobertos, essa opção não é realmente viável, pois as descobertas ocorrem de maneira irregular e imprevisível. Isso nos deixa apenas uma alternativa disponível: aumentar nossa produtividade (isto é, aumentar nossa produção utilizando a mesma quantidade de tempo e/ou recursos ou manter a mesma produção utilizando menos tempo e/ou recursos). Sem novas fronteiras e sem conquistas, são necessárias novas técnicas, máquinas, ferramentas e equipamentos para elevar a produtividade. Em outras palavras, tornamo-nos mais produtivos por meio da acumulação de capital.

Os investimentos de mercado são a fonte da acumulação de capital. São necessários recursos para construir e estabelecer bens de capital e para implementar novas técnicas. Os mercados são essenciais para alocar adequadamente os recursos de investimento em empreendimentos lucrativos e evitar aqueles que seriam ineficientes.

A fonte dos recursos dos investidores é a poupança, também conhecida como consumo adiado. A poupança inclui mais do que o dinheiro que mantemos em nossas contas bancárias ou em espécie. Ela também inclui os lucros que as empresas reinvestem em suas próprias atividades empresariais (lucros retidos). Ao optar por não gastar, os poupadores desencadeiam uma reação em cadeia. Esse processo primeiro afeta os preços dos bens de consumo, pressionando-os para baixo, e depois se espalha por toda a economia. Simplesmente manter dinheiro em caixa tem o mesmo efeito que outras formas de poupança.

Em resumo, a “fórmula mágica” do crescimento econômico mostra que um aumento na poupança leva a um aumento no investimento. O aumento do investimento permite que ferramentas, máquinas e equipamentos melhores e em maior quantidade sejam utilizados na produção (acumulação de capital). Essas ferramentas aumentam a produtividade dos trabalhadores, o que exerce uma pressão no sentido de aumento sobre seus salários. O nível mais elevado de produtividade também significa que podemos ter mais bens e serviços, que agora são vendidos a preços reais mais baixos, utilizando a mesma quantidade, ou até menos, de insumos. Esse aumento de “coisas” é o que nos permite alcançar padrões de vida mais elevados.

A “fórmula mágica” do crescimento econômico chama nossa atenção para algumas conclusões importantes. Primeiro, a poupança é o primeiro passo necessário para o crescimento econômico. Mesmo uma boa ideia não pode produzir impacto econômico se não existirem recursos, isto é, a poupança, para implementá-la. Segundo, ao contrário da teoria keynesiana, não podemos “sair consumindo” para alcançar prosperidade. Embora o consumo seja o objetivo final de toda produção, precisamos produzir para poder consumir; essa percepção constitui a essência da lei de Say. Se uma economia consome capital, em vez de acumulá-lo por meio da poupança, então a renda e os padrões de vida cairão. Terceiro, o gasto do governo não é necessário para promover o crescimento econômico. O crescimento econômico é estritamente uma atividade do setor privado. Por último, e essa é uma conclusão muito importante, o crescimento econômico que segue a “fórmula mágica” leva a uma queda gradual dos preços. Em outras palavras, o crescimento econômico que resulta de ganhos de produtividade conduz a uma deflação natural, e essa deflação natural é benéfica (inversamente, mesmo com uma oferta monetária constante, uma economia em contração experimentaria pressões inflacionárias; veja Hayek [1999, p. 215]2). A ideia de que uma economia precisa de qualquer nível de inflação para crescer é simplesmente falsa.


Mises Brasil 

Brasileiros pagaram R$800 bilhões em impostos só este ano

 Estimativa do Impostômetro é que sejam tomados outros R$100 bilhões dos brasileiros apenas nos próximos dez dias


Foto- Marcelo Camargo - Ag.Brasil


Brasileiros amargamos, neste sábado (7), a marca de R$800 bilhões pagos em impostos, somente em 2026. A conta é do “Impostômetro” da Associação Comercial de São Paulo, que inclui todas as taxas tomadas dos cidadãos no âmbito federal, estadual e municipal. Foram R$100 bilhões em apenas dez dias. Em 26 de fevereiro, o Impostômetro apontava R$700 bilhões tomados dos brasileiros em impostos, este ano. As informações são do jornalista Cláudio Humberto, colunista do Diário do Poder.

Esta semana, a plataforma Gasto Brasil registrou que as despesas do governo já superaram R$1 trilhão no mesmo período.

A arrecadação de impostos no estado de São Paulo responde por 37,4% de tudo tomado pelo governo: mais de R$286 bilhões, até agora.

A estimativa do Impostômetro é que sejam tomados outros R$100 bilhões dos brasileiros apenas nos próximos dez dias.

Lula e quadrilha são insaciáveis...

Com informações do Diário do Poder