sexta-feira, 21 de agosto de 2026

Guilherme Fiuza e a 'SENSAÇÃO'

 

Ilustração: Montagem Revista Oeste/Gerado por IA

A palavra “sensação” está na moda. De fato, ela tem tudo a ver com os tempos atuais. A era das coisas “instagramáveis” ou não “instagramáveis” é um show de sensações. Quanto menos conectadas com a realidade, melhor. 

A humanidade se cansou da vida real. Compreensível. Na vida real, é bem difícil você ser herói com um vídeo e uma legenda. Isso frustra o ser humano.

 As pessoas não aguentavam mais ser comuns, vendo todo o charme e o frisson indo pro Antônio Fagundes, a Bruna Marquezine e o Cristiano Ronaldo.

 Aí chegou o Instagram e acabou com essa angústia. Hoje todo mundo é famoso sem precisar ser nada.

 Ufa, até que enfim.

 Basta uma frase humanitária e o dia tá ganho. É a chamada “sensação de grandeza”. 

E o pessoal preocupado com os preços… 

A sensação de grandeza não é só uma recompensa para o bem-estar individual. 

Ela deflagra outras sensações — de pertencimento, de utilidade, de simpatia, empatia, homeopatia e apatia (benigna). 

Nos dias de hoje, o ser apático é um pensador. 

Não perturbem a gestação da próxima postagem matadora. Quem continua aferrado às coisas reais está com a sensação errada. 

Desculpe o alerta, mas é para o seu bem. 

Talvez você estivesse pensando agora em criticar o poder por causa de algum desmando, e aí você já pode dar meia-volta e botar a viola no saco.

Você provavelmente estava prestes a disparar uma “narrativa antiestatal”, sem saber que isso hoje é pecado. 

Críticas ao poder fazia sua avó. 

Agora você estaria desacreditando as instituições e descredibilizando os fundamentos da democracia.

 Presta atenção, distraído. 

A imprensa é parceira do poder nessa nova ordem. 

Ela atua para garantir que as melhores sensações confortem a opinião pública — salvando a população das agruras das coisas reais. 

Se você criticar esse novo papel da imprensa, será imediatamente enquadrado como negacionista e propagador de ódio. 

Isso se não te chamarem também de bobalhão, por estar querendo ver jornalistas exercendo seu antigo ofício de fazer jornalismo. 

Você é um nostálgico. 

Sensação de preço alto se resolve com sensação de mordaça. 

Sensação de roubalheira (de novo?!) se resolve com sensação de impunidade. 

Sensação de Venezuela se resolve com sensação de Nicarágua. Sensação de enjoo se resolve com estômago de aço. 

E, claro, sensação de governo velho se resolve com aventureiros novos. 

Ou seja: tudo se resolve. 

A grande heresia se chama vida real — mas essa está sob controle.


Ilustração: Montagem Revista Oeste/Gerado por IA


Guilherme Fiuza - Revista Oeste


Lobista Roberta Luchsinger diz que o ex-presidiário Lula ofereceu cargo no governo e que ela recusou

 Em conversas obtidas pela PF, Roberta afirmou ter mantido proximidade com o presidente e optado por negócios privados com Lulinha


A empresária e lobista Roberta Luchsinger, amiga de Lulinha - Foto: Reprodução/Redes sociais


A lobista Roberta Luchsinger afirmou, em conversas de 2024 obtidas pela Polícia Federal (PF), que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva lhe ofereceu um cargo no governo. Segundo ela, recusou a função para se dedicar a negócios privados com Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, e Fernando Bittar. 

Nos diálogos, Roberta também declarou que mantinha proximidade com Lula. As conversas integram um relatório da Polícia Federal publicado pela revista Veja.



A imagem consta no relatório da Polícia Federal |-Imagem: Reprodução/ Revista Veja


Segundo o inquérito, Lulinha atuava como agenciador oculto de empresários interessados em contratos com autarquias federais. Os investigadores apontam indícios de corrupção e tráfico de influência na atuação do grupo. 

Mensagens citam atuação no governo 

As mensagens mostram que Roberta mantinha contato direto com o empresário Gustavo Gaspar. O relatório revela que ela, Lulinha e Fernando Bittar formavam um núcleo de atuação permanente para atender a interesses privados perante agentes e órgãos da administração pública federal, incluindo o Ministério da Saúde. 


Roberta afirmava atuar por meio do Palácio do Planalto e projetava receber R$ 100 milhões em 2024. As investigações também revelam que ela orientava o motorista a fazer entregas de valores em espécie transportados em malas. 

Entre os destinatários das quantias estava Fernando Bittar, um dos proprietários do sítio de Atibaia. 

Em uma das conversas, Lulinha questionou a disponibilidade de recursos para custear uma viagem à África e afirmou que Roberta cuidava de suas finanças.


O filho de Lula, Lulinha, e a amiga Roberta Luchsinger - Foto: Reprodução/Redes sociais 


Em nota ao portal Poder360, a defesa de Lulinha criticou o vazamento da investigação e afirmou que não existem provas no inquérito. O advogado Marco Aurélio Carvalho disse que a divulgação busca causar impacto no processo eleitoral. 

A assessoria de Fernando Bittar contestou o acesso seletivo aos autos e também citou interferência política. As defesas de Roberta Luchsinger, Gustavo Gaspar e Antônio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS, não se manifestaram ou informaram que aguardam acesso à íntegra do processo.


Letícia Alves - Revista Oeste




Adalberto Piotto - 'Lula castiga o varejo e o consumidor'

 A crise é fruto de um projeto de poder sem pudor e a qualquer custo


Foto: Montagem Revista Oeste/IA

O mesmo governo, no mesmo mandato, em menos de três anos, faz dois programas de renegociação de dívidas de consumidores. O Desenrola Brasil, em julho de 2023, e o Novo Desenrola Brasil, em maio de 2026. É prova cabal de incompetência da política econômica do governo Lula que, em vez de gerar desenvolvimento sustentável e autonomia para as pessoas, produz novos endividados hoje para se transformarem em dependentes de programas assistencialistas do governo amanhã. É a máquina de votos de Lula e do PT a todo vapor. Em ano de eleição, como este de 2026, a crise do varejo, do endividamento familiar recorde e de inadimplência crescente precisa ser compreendida como o projeto de poder sem pudor e a qualquer custo — para os outros — que Lula implementa sem piedade dos brasileiros.


O Desenrola voltou. O endividamento também. O que não veio foi uma política econômica capaz de quebrar esse ciclo de dependência - Foto: Shutterstock

Dois programas para renegociar dívidas em tão pouco tempo, sem nenhuma crise externa séria, mostram que o problema é só local. O varejo que fecha lojas, demite funcionários e recorre cada vez mais à recuperação judicial é a vítima da vez. Antes, foi o consumidor quem perdeu poder de compra, a primeira vítima dessa equação tenebrosa de empobrecimento e crise econômica. A conexão dos dois “desenrola” com a crise no varejo é umbilical. E ambos têm a mesma fonte, o terceiro mandato de Lula. Recorro aqui a um trecho do artigo “A fórmula do endividamento permanente” (Revista Oeste, Edição 321), que escrevi ainda em maio deste ano. Ali estão dados inequívocos da realidade brasileira:

“Segundo a Serasa Experian, em março deste ano, o número de inadimplentes chegou a 83 milhões de brasileiros com o CPF negativado. Algo em torno de 10 milhões a mais se comparado a julho de 2023, quando o governo Lula lançou o Desenrola 1. Ao recorrer uma vez mais a um programa que piorou o endividamento, insiste no erro porque interessado apenas em possíveis dividendos. eleitorais. (…) No Desenrola 1 [de 2023], foram renegociados R$ 53 bilhões. Desde o fim de maio de 2024, quando o programa foi finalizado, houve aumento de R$ 61 bilhões de novos calotes até o início deste ano. Mais que dobrou o valor da dívida com atrasos superiores a 90 dias, segundo relatório recente do Banco Central”. 

Uma população endividada em 2023, exposta a uma política econômica ruim nos três anos seguintes, ficou ainda mais endividada. É mera questão matemática, uma soma de dívidas. O varejo vive de consumidor com poder de compra. É justamente esse consumidor que ficou mais raro, porque convive com CPF negativado e tendo de escolher o que comprar, porque não dá para fazer tudo o que costumava fazer até anos atrás. Como entrar em um novo financiamento de uma geladeira em 24 vezes se está com prestações atrasadas do fogão comprado dois anos antes? 

Não dá. O consumidor pisa no freio para se proteger ou porque, como é esperado que aconteça, lhe é negado um novo crédito. O consumo retrai e a loja fecha. A inflação é real e já corroeu os salários. Uma melhora nos índices atuais, com o discurso oficial de estabilidade inflacionária, não traz refresco porque tudo já está bem mais caro que antes. E pior: com as pessoas já endividadas. É uma lógica tão simples quanto aterrorizadora. Consumidor endividado primeiro. 

Varejo em crise na sequência


Quando a dívida cresce, o poder de compra encolhe. O consumidor recua — e o varejo sente primeiro 


No total, são 602 empresas que entraram em recuperação judicial só até abril deste ano, segundo a Serasa Experian. Em 2025, foram 2.466 — uma alta de 13% em relação a 2024. É um quadro de piora constante a partir do segundo ano deste terceiro mandato de Lula. Os casos de grandes varejistas que recorreram à Justiça para tentar se recuperar chamam a atenção pelo tamanho, os números e por evidenciar que ninguém está a salvo quando a política econômica é a vilã de uma lógica perversa que derruba o consumidor antes e o vendedor depois. O Grupo Casas Bahia pediu recuperação em agosto. Divulgou dívida de R$ 17,3 bilhões. Prejuízo de R$ 10,1 bilhões no segundo trimestre de 2026. Quase 300 lojas foram fechadas no país, praticamente um terço de toda a operação de rua. A demissão de cerca de 3 mil funcionários só em agosto de 2026 apenas aprofunda a crise da empresa. Uma decisão do Tribunal Regional do Trabalho tenta reverter as demissões com uma liminar. É razoável supor que quando julgarem o mérito, verão que quando falta dinheiro para pagar folha de pagamento, só dinheiro resolve. É justamente o que a empresa está dizendo à Justiça que não tem, por isso pediu recuperação judicial. 

Nem dinheiro, nem crédito para si ou para o consumidor. Esse é o nó. Lojas Marabraz. A rede também fez pedido de recuperação na Justiça agora em agosto e declarou ter dívida de R$ 140,2 milhões. 

A dívida do grupo que comanda a rede varejista pode atingir R$ 400 milhões. 

Grupo Toky, uma fusão da Mobly com a Tok&Stok. Dívida de R$ 1,11 bilhão e recuperação deferida pelo Poder Judiciário em junho. Grupo Pão de Açúcar/GPA. 

Está em recuperação extrajudicial desde o primeiro semestre, com dívida assumida de R$ 4,5 bilhões. Fechou lojas ou fez conversões com o Extra para reduzir custos.

Grupo Pão de Açúcar/GPA. Está em recuperação extrajudicial desde o primeiro semestre, com dívida assumida de R$ 4,5 bilhões - Foto: Foto: GPA/Divulgação 

Há vários outros casos, mas grandes varejistas já reestruturaram mais de R$ 68 bilhões em dívidas via recuperação judicial ou extrajudicial nos últimos dois anos e meio. À exceção do caso das Americanas, em que má administração e fraude contábil são objetos de investigação, e o caso das Casas Bahia, do enorme prejuízo no último trimestre — que também sugere forte inconsistência contábil —, a proliferação do varejo em crise tem semelhanças enormes com a perda de poder de compra das famílias, cujo endividamento atingiu o recorde de 92%. E todas apontam para a série de dificuldades da política econômica de Lula: gastança governamental desenfreada + inflação + juros altos + endividamento do consumidor = crise no varejo.

Em que pesem eventuais casos particulares de má gestão e de concorrência com o mercado eletrônico, de adaptação integral ao ecommerce (muitas já atuam com o modelo), e a queda vertiginosa das ações da Magazine Luiza nos últimos anos (só em 2026, em torno de 50%), o ambiente econômico brasileiro se deteriorou a partir de 2023. Toda a recuperação elogiável do Brasil no pós-pandemia e, apesar da crise do petróleo com a guerra na Ucrânia, quando o país cresceu 2,9%, os investimentos cresceram e o governo Bolsonaro registrou superávit nas contas públicas, tudo isso foi perdido com o governo Lula e a equipe econômica nas mãos de Fernando Haddad e Simone Tebet, que ousadamente concorrem a governador e senadora por São Paulo, esperando que ninguém se lembre do governo a que pertenceram e o que fizeram nos verões passados. 

Sem pandemia, o Brasil de Lula tem endividamento de 81,9% na relação dívida/PIB. A taxa básica de juros de 14%, descontada a inflação, é a segunda maior do mundo (9,33% aa). No mercado, os juros reais são bem maiores. No cartão, fonte primária de crédito do consumidor desesperado, ultrapassa os 400% ao ano. A burocracia, a insegurança jurídica — da relação promíscua entre o governo federal e o STF — e a carga tributária aumentaram. 

O ambiente para se investir no Brasil ficou tóxico. A fuga de empresas para o Paraguai é um sintoma disso. Um Estado pesado, ineficiente, com rombos frequentes em estatais e a volta dos grandes escândalos de corrupção — como o do INSS e o do Master, que estão dentro do governo federal — desafiam o investidor e o cidadão, que tentam buscar meios de sobreviver diante de tanta concorrência desleal com o próprio Estado. Coloque na conta as mais de 30 vezes em que o governo Lula aumentou ou criou novos impostos, e a asfixia tributária de quem vive no Brasil explica o endividamento do consumidor e a crise do varejo. Mesmo assim, Lula concorre à reeleição, fingindo não ser o responsável por isso tudo. 

É o responsável. 

As famílias endividadas, o varejo sufocado e pedindo ajuda à Justiça para não quebrar estão aí para todo mundo ver. Uma hora a conta da irresponsabilidade e do populismo fiscal de gastar mais do que arrecada, elevando a dívida pública ao recorde temerário de R$ 11 trilhões com três anos e meio de déficits seguidos, iria chegar. Chegou. As eleições de outubro são uma chance de mudar essa bagunça populista que aflige mais uma vez o Brasil que trabalha, produz e insiste em dar certo


Adalberto Piotto - Revista Oeste


Ana Paula Henkel - Quem fiscaliza os fiscais?

 A imprensa sob ataque e o perigo de permitir que o poder escolha quem está autorizado a fiscalizá-lo


Ilustração: Shutterstock 

E xiste uma diferença fundamental entre um poder que aceita ser fiscalizado e um poder que tolera a fiscalização apenas enquanto ela não o incomoda. A primeira situação pertence à normalidade de uma sociedade livre. A segunda deveria acender todos os sinais de alerta de uma democracia. 

Na última semana, o Brasil atravessou uma fronteira perigosa nesse terreno. Uma investigação conduzida no Supremo Tribunal Federal avançou sobre fontes de um jornalista, alcançou seus dispositivos eletrônicos e provocou uma reação rara e ampla de entidades representativas da imprensa.

O jornalista maranhense Luís Pablo vinha fazendo aquilo que se espera do jornalismo investigativo: tentando descobrir como o poder utiliza o dinheiro do pagador de impostos. Desde novembro de 2025, publicava reportagens sobre o uso, por Flávio Dino e integrantes de sua família, de um veículo oficial blindado do Tribunal de Justiça do Maranhão, adquirido com recursos públicos para a segurança de magistrados do Estado. As reportagens acabaram inseridas em uma investigação que chegou ao Supremo a partir da suspeita de que Luís Pablo teria recebido R$ 100 mil para publicar material contra Dino.

Foi nesse contexto que Alexandre de Moraes autorizou medidas extraordinárias de busca e apreensão contra pessoas apontadas como fontes do jornalista e determinou a apreensão de seu telefone celular, posteriormente analisado pela Polícia Federal. O resultado da investigação, porém, enfraqueceu justamente a suspeita que havia colocado em movimento medidas tão invasivas: a própria Polícia Federal concluiu que não era possível afirmar que Luís Pablo tivesse recebido dinheiro para produzir reportagens contra Dino, e não apontou indícios de crime praticado pelo jornalista.


Luis Pablo - Querem me fazer de exemplo para mandar um recado à imprensa: jornalista que denunciar ministro do STF poderá sofrer as consequências!


O episódio já seria grave pelo que representa para uma das garantias essenciais do jornalismo, protegida na Constituição Federal: o sigilo da fonte. Tornou-se ainda mais inquietante quando, poucos dias depois, ministros da própria Corte passaram a discutir quem deveria ser reconhecido como jornalista e quais requisitos deveriam ser exigidos para o exercício da profissão. 

Alexandre de Moraes e Flávio Dino defenderam nesta semana que o Supremo volte a discutir a obrigatoriedade do diploma de jornalismo. Dino sustentou ainda que o sigilo da fonte não pode servir para proteger “desinformação”, enquanto Moraes falou em limites diante do “cometimento de crimes”.

 As declarações vieram justamente depois das críticas às medidas autorizadas por Moraes no caso Luís Pablo. A coincidência temporal é extraordinariamente reveladora. Quando o fiscalizado começa a decidir quem está autorizado a fiscalizá-lo, o que está em risco é a liberdade e a lei.

A pergunta jamais deveria ser dirigida ao cidadão nestes termos: você tem diploma para fiscalizar o poder? A pergunta deve ser dirigida ao poder: você está preparado para ser fiscalizado por qualquer cidadão? 

E existe uma questão anterior a todas as outras: se o Brasil pretende rediscutir as condições legais para o exercício de uma profissão, esse debate pertence primordialmente ao Congresso Nacional, onde representantes eleitos discutem, aprovam ou modificam as leis. Não deveria nascer da vontade de ministros do Supremo Tribunal Federal de revisitar uma decisão da própria Corte justamente no momento em que o tribunal enfrenta críticas por medidas que atingiram a atividade jornalística.

 Nenhuma das virtudes associadas à formação profissional transforma um diploma universitário em licença concedida pelo Estado para investigar aqueles que exercem o poder. 

A liberdade de imprensa antecede a regulamentação profissional e deriva de uma liberdade ainda mais elementar, que é a liberdade de expressão. O jornalista profissional exerce essa função de maneira permanente e especializada, enquanto o direito de buscar informação, investigar autoridades, publicar fatos e formular críticas pertence a todo cidadão.



Foto: Shutterstock

O próprio Supremo já compreendeu isso. Em 17 de junho de 2009, por 8 votos a 1, o plenário declarou inconstitucional a exigência do diploma de jornalismo como condição para o exercício da profissão. O tribunal entendeu que a regra, originada em um decreto-lei de 1969, durante o regime militar, feria a liberdade de imprensa e contrariava a livre manifestação do pensamento.

O relator daquele julgamento foi Gilmar Mendes, cuja formulação merece ser recuperada agora: “O jornalismo e a liberdade de expressão são atividades que estão imbricadas por sua própria natureza. O jornalismo é a própria manifestação e difusão do pensamento e da informação de forma contínua.”

 Dezessete anos depois, integrantes da mesma Corte cogitam reconstruir a barreira que o Supremo derrubou em nome da liberdade.


Notícia publicada no site do Supremo Tribunal Federal em 17/06/2009 - Foto: Reprodução Portal STF

Existe uma ironia adicional difícil de ignorar. Ministros do Supremo Tribunal Federal não precisam ter percorrido a carreira da magistratura. A Constituição estabelece os requisitos para sua nomeação, sem exigir que tenham sido juízes, e eles chegam à Corte por indicação do presidente da República e aprovação do Senado. 

Dias Toffoli é um exemplo especialmente curioso para o debate atual. Antes de ser indicado ao Supremo por Lula em 2009, foi reprovado em dois concursos para juiz estadual, em 1994 e 1995, o que não o impediu de chegar à mais alta Corte do país. A Constituição permite esse percurso e nunca estabeleceu a aprovação em concurso para magistratura como requisito para ocupar uma cadeira no Supremo. 

É justamente por isso que causa espanto assistir a integrantes de uma instituição formada por pessoas que sequer precisam ser juízes de carreira cogitando estabelecer novamente que alguém precise possuir um diploma específico para ser jornalista.


Posse do ministro José Dias Toffoli no Supremo Tribunal Federal (23/10/2009) - Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/ABr

A questão ultrapassa, portanto, o diploma e alcança um princípio muito mais importante. Quem concede ao Estado o poder de determinar quem está qualificado para fiscalizar o próprio Estado entrega ao fiscalizado uma ferramenta extraordinária para selecionar seus fiscais.

É aqui que uma constituição promulgada há mais de um século, em um país completamente diferente, merece ser lembrada. 


O alerta da Alemanha pré-Hitler 

Em agosto de 1919, entrava em vigor a Constituição de Weimar. Era um documento extraordinariamente moderno para sua época, que reconhecia direitos fundamentais, liberdade de expressão, liberdade de imprensa, liberdade religiosa, igualdade perante a lei e uma série de garantias que pareciam estabelecer as bases de uma democracia sólida. 

A República de Weimar também conheceu o perigo de transformar exceção em método de governo. O artigo 48 permitia suspender garantias constitucionais diante de “situações extraordinárias” que podiam ser definidas de acordo com as vontades políticas. 

Com o tempo, o extraordinário tornou-se recorrente, sempre acompanhado de justificativas como “proteger a ordem, enfrentar ameaças e preservar a democracia”. É justamente aí que a semelhança com o Brasil atual se torna perigosa. Também aqui medidas excepcionais são justificadas em nome da defesa da democracia, enquanto liberdade de expressão, liberdade de imprensa, sigilo da fonte e limites ao poder são relativizados. 

A lição de Weimar é simples: quando aqueles que exercem o poder passam a decidir também quando as garantias constitucionais podem ser afastadas, a exceção começa a ocupar o lugar da lei.


Constituição do Reich Alemão de 11 de agosto de 1919, primeira e última página - Foto: Domínio Público 

É para proteger a democracia, combater os inimigos das instituições, preservar a ordem, impedir a desinformação, enfrentar abusos ou proteger autoridades ameaçadas. Muitos dos problemas invocados podem ser reais. O perigo aparece quando a existência desses problemas começa a servir de autorização permanente para relativizar as garantias criadas justamente para limitar o poder. 

Depois do incêndio do Reichstag, em fevereiro de 1933, um decreto de emergência suspendeu a liberdade de expressão, a liberdade de imprensa, a liberdade de reunião e proteções contra buscas e intervenções estatais. A medida foi apresentada como resposta a uma ameaça à segurança do Estado. A excepcionalidade, uma vez normalizada, rapidamente deixou de funcionar como instrumento temporário e passou a integrar a própria estrutura do poder.

O Brasil de 2026 possui instituições, circunstâncias, personagens e uma trajetória histórica profundamente diferentes das da Alemanha de 1933. A utilidade de Weimar está no alerta sobre um mecanismo humano e institucional que atravessa épocas: sociedades livres nem sempre percebem imediatamente o momento em que uma garantia começa a deixar de funcionar como limite ao poder e passa a depender da autorização de quem exerce esse poder.


O Palácio do Reichstag, a sede do Parlamento alemão em Berlim, queimando enquanto os bombeiros tentam apagar o fogo (27/02/1933) - Foto: Wikimedia Commons 

A exceção brasileira sob os olhos do mundo

E o que acontece na Suprema Corte do Brasil já atravessou nossas fronteiras. Depois de anos acumulando decisões de enorme impacto político, avançando sobre a liberdade de expressão e ampliando o próprio alcance sobre jornalistas, cidadãos, plataformas digitais e adversários políticos, o Supremo Tribunal Federal deixou de ser observado no exterior apenas como a mais alta Corte brasileira e passou a ocupar o centro de uma discussão internacional sobre os limites do poder no Brasil. 

Nesta semana, o Financial Times revelou que o governo americano considera voltar a impor sanções a Alexandre de Moraes. O jornal britânico relacionou a nova discussão em Washington justamente ao episódio envolvendo as buscas contra o jornalista e suas fontes, o que provocou preocupações sobre liberdade de imprensa. A controvérsia passa, portanto, a integrar uma crise diplomática que já envolve liberdade de expressão, decisões do Judiciário brasileiro e a relação entre os dois maiores países das Américas. 

Também nesta semana, uma decisão do Supremo encontrou resistência na Justiça britânica. O caso envolve Mário Ildeu de Miranda, exengenheiro da Petrobras investigado pela Lava Jato por um esquema de propinas relacionado a contratos com a Odebrecht. Depois de invalidar provas e anular o processo no Brasil, Dias Toffoli anulou também a autorização que havia permitido o compartilhamento de provas com o Serious Fraud Office, órgão britânico de combate a crimes financeiros e corrupção.


Logotipo do departamento britânico Serious Fraud Office (SFO) - Foto: T. Schneider/Shutterstock

Em Londres, porém, o juiz Mark Weekes ignorou a decisão do Supremo e autorizou o uso do material no processo que busca o confisco de mais de 7 milhões de libras de Miranda. Weekes classificou como “altamente incomum” a tentativa de retirar, anos depois, a base jurídica de um compartilhamento de provas realizado legalmente. 

São episódios diferentes, mas que apontam para um mesmo fenômeno: decisões do Supremo brasileiro passaram a produzir tamanho grau de controvérsia que seus efeitos, seus limites e até seus fundamentos começam a ser questionados fora do Brasil Esse fato deveria preocupar qualquer brasileiro, independentemente de sua posição política.

Chegamos ao ponto em que decisões da mais alta Corte brasileira sobre liberdade de expressão e liberdade de imprensa passaram a produzir questionamentos internacionais sobre a qualidade das garantias democráticas no país.


Liberdade não é concessão 

Durante muito tempo, parte da imprensa brasileira tratou abusos cometidos contra determinados grupos políticos como problemas restritos aos atingidos. Essa sempre foi uma ilusão perigosa, pois uma garantia constitucional protegida seletivamente deixa de funcionar como garantia e passa a funcionar como permissão.


Foto: Shutterstock


O sigilo da fonte existe, sobretudo, para os casos difíceis. A liberdade de expressão mostra seu valor diante das opiniões incômodas. O devido processo se torna mais necessário quando o acusado é impopular. Limites institucionais existem para impedir que a convicção de quem exerce o poder substitua a lei. Defender a liberdade de quem concorda conosco é simples. Democracias são testadas quando a liberdade pertence a quem incomoda. 

O jornalismo possui defeitos, vaidades, erros, militância e irresponsabilidades, e tudo isso deve ser criticado. Crimes eventualmente praticados por jornalistas continuam sendo crimes e podem ser investigados dentro das regras constitucionais. Nenhuma dessas constatações concede ao poder o direito de escolher quem merece ser considerado jornalista para então decidir quem pode desfrutar das garantias associadas à atividade. 

A imprensa existe, entre outras razões, para incomodar governantes, autoridades, tribunais, partidos, empresas e qualquer outra concentração de poder. Quando passa a depender da aprovação daqueles que fiscaliza, perde justamente a função que justifica sua liberdade.

Foto: Shutterstock

Por isso, a pergunta levantada nesta semana é muito maior do que parece. O debate sobre diploma pode soar burocrático, o sigilo da fonte pode parecer uma discussão técnica, e uma busca autorizada por um ministro pode ser apresentada como mais uma decisão dentro de um “processo complexo”. Observados em conjunto, porém, esses episódios revelam uma questão que toda sociedade livre deveria levar muito a sério: 

Quando autoridades criticadas passam a participar da definição de quem pode criticá-las, quando garantias constitucionais acumulam exceções cada vez mais elásticas e quando a fiscalização depende progressivamente daquilo que o próprio fiscalizado considera legítimo, o problema já deixou de pertencer apenas aos jornalistas e passou a pertencer a todos os cidadãos. 

Constituições não preservam a liberdade sozinhas. Weimar tinha uma constituição, direitos fundamentais, liberdade de imprensa escrita no papel, instituições e tribunais. Nada disso foi suficiente quando os limites deixaram de cumprir sua função e a excepcionalidade conquistou espaço dentro da própria ordem política. O documento permaneceu enquanto a liberdade desaparecia. 

É por isso que sociedades livres precisam reconhecer os sinais enquanto ainda existe tempo para preservar suas garantias. A hora de defender uma liberdade constitucional chega muito antes de sua extinção, justamente quando ainda parece exagerado imaginar que ela possa desaparecer. Quando a exceção finalmente se transforma em regra, o alerta já chegou tarde demais.


Ana Paula Henkel - Revista Oeste

Adriano Pires: ‘Há ingerência de Lula na Petrobras'

Especialista no setor de energia aponta ‘sanha intervencionista’ do governo, critica política de subvenção aos combustíveis e defende capitalização da companhia nos moldes da Eletrobras


Adriano Pires, sócio-fundador e diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE)-| Foto: Divulgação/CBIE 


E m pleno ano eleitoral, o governo Lula não se constrange em interferir cada vez mais na Petrobras e continua apostando em uma política “equivocada e populista” de subsídios aos combustíveis para segurar a alta dos preços, principalmente da gasolina e do diesel. A avaliação é do economista Adriano Pires, sóciofundador e diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE) e um dos maiores especialistas do país no setor de energia. 

Em entrevista a Oeste, Pires afirma que as guerras na Ucrânia e no Oriente Médio mudaram profundamente o funcionamento do mercado de petróleo, levando a um “novo normal” caracterizado por forte oscilação na cotação da commodity e maiores riscos inflacionários. “Claramente, há uma ingerência do Lula na Petrobras e isso é muito grave. Ele não está preocupado com o acionista da empresa. Está preocupado com o governo dele e em se reeleger”, critica. 

Pires diz que o modelo de empresa de capital misto da Petrobras, que combina participação de Estado e mercado — no qual o governo detém a maioria das ações com direito a voto e comanda o negócio, mas que permite que qualquer pessoa possa comprar papéis da companhia na Bolsa de Valores —, está esgotado, não gera riqueza ao país e precisa ser reformulado.


Foto: Roberto Rosa/Agência Petrobras


O Preço médio do barril de petróleo tipo Brent, referência para o mercado internacional, teve alta de 54% no segundo trimestre de 2026 e atingiu US$ 104. Até onde ele pode chegar? 

O mundo está vivendo um “novo normal” que se caracteriza por grandes mudanças na geopolítica do mercado de petróleo. Essas mudanças começaram com a guerra entre Rússia e Ucrânia. Os russos são grandes produtores de petróleo, gás natural e fertilizantes. Houve uma série de sanções para a Rússia não vender mais gás e diesel para a Europa. A partir daí, ocorreu uma reorganização do mercado. O gás natural começou a ser mais direcionado ao mercado asiático, principalmente para a China. As sanções à Rússia mostraram que o gás deixou de ser mera fonte de energia e se tornou insumo estratégico para a produção de fertilizantes. Qualquer interrupção no abastecimento energético pode prejudicar a produção agrícola e fazer a inflação de alimentos acelerar. Em seguida, tivemos o conflito entre EUA e Irã, que já dura seis meses e ninguém sabe quando vai terminar. Passamos a ter oscilações muito grandes do preço do petróleo, dependendo basicamente das negociações entre norte-americanos e iranianos em torno do Estreito de Ormuz, canal marítimo estratégico pelo qual passa cerca de 20% a 30% do petróleo mundial. No fundo, o conflito é logístico. Não falta petróleo. Falta rota para transportá-lo. É um cenário ruim porque a inflação aumenta, a taxa de juros sobe e a economia tem crescimento menor. Não se sabe ao certo onde isso vai parar. Vamos continuar vivendo nessa gangorra.


De que forma isso impacta a economia brasileira? 

Esse processo afeta o mundo todo, mas o Brasil tem algumas características peculiares. O petróleo, hoje, é o principal produto da pauta de exportação brasileira, superando a soja. Significa que o petróleo caro não é de todo ruim para o Brasil. Você consegue aumentar o saldo da balança comercial e também a arrecadação de royalties. O lado negativo é que o Brasil é também importador de diesel e gasolina. O preço mais alto desses produtos no mercado internacional tem impacto inflacionário no país.


Ilustração: Júlia Xavier/Montagem Revista Oeste/Gerado por IA


O governo federal liberou R$ 3,4 bilhões para financiar subvenções à produção e à importação de combustíveis. Isso funciona? 

O governo está numa encruzilhada. Esse “novo normal” faz com que os preços oscilem muito. Enquanto não chegar a eleição, o governo vai manter ou até aumentar o subsídio. Depois que passar a eleição, é outra história. Até lá, o governo quer que o preço na bomba pelo menos se estabilize. É uma sanha intervencionista de quem quer fazer populismo barato com a gasolina. O governo do PT acha que é possível jogar uma lona sobre o Brasil e o país estará protegido de qualquer crise. E começa a fazer políticas de subsídios para a gasolina e o diesel, onerando ainda mais as contas fiscais. Assim, como não aumenta o preço de diesel e gasolina, você gera uma defasagem muito grande dos preços do Brasil em relação ao mercado internacional. É uma política completamente equivocada e populista em ano eleitoral. 

No fim de julho, segundo a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), o diesel importado subiu 13% e atingiu média de R$ 5,279 por litro, o maior valor em dois meses. O senhor vem alertando sobre a ameaça de desabastecimento no país. Esse risco existe?

Em tese, sim. Quando o petróleo chegou a US$ 100, a defasagem entre o preço praticado aqui e lá fora chegou a quase 70%. Com uma defasagem tão grande, ou a Petrobras assume a importação total do diesel e gera um prejuízo grande para o acionista da empresa, ou haverá desabastecimento. Quando a empresa mantém os preços internos abaixo da paridade internacional, os importadores privados e distribuidores reduzem as compras externas para evitar prejuízos na revenda. O Brasil importa de 25% a 30% do diesel consumido no país porque a produção interna das refinarias não é suficiente para suprir a demanda. Se o Brasil funcionasse como o mercado dos EUA, em que não há nenhuma possibilidade de controle de preço, já teríamos tido desabastecimento de diesel.


Presidente Lula, com as mãos sujas de petróleo, nas instalações da plataforma do Pré-Sal em Anchieta (ES) (15/07/2010) | Foto: Ricardo Stuckert/PR

Somente no primeiro semestre, Lula participou de anúncios de investimentos de R$ 120 bilhões bancados pela Petrobras ou suas subsidiárias. O governo está interferindo politicamente na companhia? 

Sim, esta é uma prática do PT: usar a Petrobras como instrumento de política econômica. E também para ajudar a eleger os candidatos do governo. Quando o Lula estava em campanha contra o Bolsonaro, em 2022, ele já falava que o preço do combustível no Brasil era dolarizado, que o brasileiro não poderia pagar etc. Pura retórica eleitoral. Aliás, vamos convir que é um absurdo você subsidiar a gasolina, um produto que nem é tão consumido pela baixa renda, que não tem carro. No início do governo Lula, antes de explodir a guerra no Irã, ele deu sorte porque o mercado do petróleo andou muito estável. Então, não tivemos tanta intervenção no preço. Depois da guerra, no entanto, começamos a ver o governo fazer o possível e o impossível em benesses eleitorais. Claramente, há uma ingerência do Lula na Petrobras e isso é muito grave. Ele não está preocupado com o acionista da empresa. Está preocupado com o governo dele e em se reeleger. Para não perder o costume, o PT governa a Petrobras pelo para-brisa, fazendo as mesmas políticas que não deram certo e nunca darão. Infelizmente, a gestão da Petrobras faz aquilo que o governo manda fazer. Para quem tem memória curta, é sempre bom lembrar que o PT quebrou a Petrobras no governo Dilma Rousseff. Pela forma como eles tratam a empresa, sempre há o risco de que essa sina se repita. 


A Petrobras deveria ser privatizada?

O modelo de empresa de capital misto que tem o governo como sócio majoritário já deu o que tinha que dar. É muito ruim para a empresa você mudar de acionista principal a cada quatro ou oito anos. Também não é bom que os presidentes da Petrobras tenham mandatos tão curtos, como acaba acontecendo hoje, porque quando fazem algo de que o presidente da República não gosta, o governo vai lá e demite. Se um dia esse modelo gerou riqueza para o país, hoje não gera mais. Está na hora de discutirmos um novo formato, talvez fazendo com a Petrobras o que foi feito com a Eletrobras no governo Bolsonaro, um processo de capitalização que abriu caminho para a privatização. A capitalização da Petrobras é uma discussão que está madura para ser feita no Congresso Nacional. Quanto mais tempo levarmos para capitalizar a Petrobras, menos dinheiro a sociedade vai arrecadar.


O que um eventual quarto mandato de Lula representaria para a Petrobras e para o setor de energia no Brasil? 

Sob o governo Lula, o Brasil andou para trás no setor de energia. A Petrobras voltou a ser comandada mais por interesses políticos do que empresariais. O setor elétrico ficou quase quatro anos sem fazer um leilão de capacidade, que é o processo de contratação feito pelo governo para que usinas fiquem prontas e disponíveis para gerar energia nos momentos de maior demanda, focando a potência elétrica e não a quantidade de energia consumida. Nossas tarifas estão entre as mais caras do mundo e voltamos a sofrer com risco de apagão. O governo aumentou o subsídio do setor elétrico para mais de US$ 50 bilhões, a principal razão para a tarifa mais cara. O gás natural só subiu de preço, enquanto a demanda por ele caiu em função dos valores elevados causados pelo monopólio da Petrobras. Não houve nenhum avanço significativo e, o que é pior, tivemos uma volta ao passado. Na área de energia, como em outros segmentos, Lula governa olhando para o retrovisor. Os governos petistas trazem insegurança jurídica e regulatória ao setor, o que afasta investimentos. Um eventual quarto mandato de Lula aprofundaria todo esse retrocesso.


Fábio Matos - Revista Oeste

Gastança do governo corrupto do ex-presidiário Lula é pior que fatores externos

 

Presidente Lula (PT) | Foto: Assessoria / Divulgação


Relatório da Instituição Fiscal Independente (IFI) do Senado Federal desmonta a lorota da equipe econômica de Lula que terceiriza para “fatores externos” a culpa pelo fraco desempenho da economia no Brasil. O documento é claro: “o governo central produziu um déficit primário efetivo”. O relatório cita programas sociais, como Bolsa Família, variação do preço do barril do petróleo e até as emendas parlamentares em ano eleitoral, mas conclui que a gastança da gestão Lula é o mais nocivo.

Meta fiscal

Não fossem manobras que aliviam artificialmente o caixa e retiram despesas e receitas do cálculo, o déficit, diz a IFI, seria de R$52 bilhões.

Gasta sem piedade

A receita cresceu (6%), mas a gastança foi maior (6,3%). Entre janeiro e julho de 2025, o déficit foi de R$70,3 bilhões. Este ano, R$81,2 bilhões.

Não é emenda

O relatório mostra que as despesas discricionárias explodiram e não foram só as emendas, em R$31,9 bi. Outras despesas somam R$83,5 bi.

Com o Diário do Poder





Covil do Lula - Lulinha só se apresentaria à Justiça com ‘garantias’ de não ser preso

 

Fábio Luís, o Lulinha - (Foto: Reprodução/Redes Sociais).


Enquanto Lula (PT) diz ter orientado o filhote Lulinha a se apresentar à Justiça para responder sobre os rolos dos quais é acusado no Supremo Tribunal Federal (STF), a coluna apurou que, alvo de três inquéritos da Polícia Federal, ele não cogita retornar ao Brasil tão cedo, com medo de ser preso. Eventual apresentação de Lulinha à Justiça só ocorreria sob a garantia de que não será preso e poderá pegar o primeiro avião de volta para Madri, blindado de PF batendo à porta às 6h da matina.

Solta a língua

Lulinha tem muito a explicar: já são três os inquéritos que o investigam por suspeitas graves como tráfico de influência e corrupção.

Papo foi político

Na reunião de três horas com o advogado de Lulinha, não foi o petista quem tocou no escândalo do filho, mas, sim, o advogado.

A crise chegou

O advogado de Lulinha, Marco Aurélio Carvalho, não deve ter muito o que fazer: ele também coordena a campanha de Lula em São Paulo.

Recheio petista

Fernando Haddad, escalado por Lula para o sacrifício de encarar Tarcísio de Freitas em São Paulo, também estava na reunião no Alvorada.

Diário do Poder