'É um nível de brutalidade totalmente novo', diz médico responsável por relatório sobre as vítimas
A ditadura islâmica matou entre 16,5 mil e 18 mil manifestantes na recente onda de protestos no Irã, denuncia um relatório produzido por médicos que atuam na região. O documento descreve a situação como “massacre total” e “genocídio”. A maior parte das vítimas tinha menos de 30 anos.
O jornal britânico The Sunday Times publicou o relatório no último sábado, 17. Entre os sobreviventes do massacre, estima-se haver 330 mil feridos. A repressão é descrita como a mais brutal em 47 anos de ditadura islâmica no comando do Irã. “Conversei com dezenas de médicos locais, e eles estão realmente chocados e chorando”, disse Amir Parasta, oftalmologista iraniano-alemão em Munique. “São cirurgiões que viram a guerra.”
Parasta afirma que estamos vendo são ferimentos por bala e estilhaços na cabeça, no pescoço e no peito. Este é um nível de brutalidade totalmente novo.”
Protestos nas ruas
No fim de 2025, a população iraniana passou a sair às ruas em protestos contra o aumento do custo de vida no país. Conforme o movimento ganhou força, os manifestantes passaram a reivindicar a queda do próprio governo: o regime dos aiatolás, no poder há quase 50 anos
Ditadura islâmica no Irã
O modelo vigente teve início em 1979, com a abolição da monarquia laica e pró-Ocidente. O xá Mohammad Reza Pahlavi foi deposto, e o poder passou às mãos do grupo liderado pelo aiatolá Ruhollah Khomeini. Ele assumiu como líder supremo do país e permaneceu no cargo até morrer, em 1989. Em seu lugar, subiu ao posto o aiatolá Ali Khamenei, no poder desde então.
Aiatolá é um termo árabe que significa “sinal de Deus” e designa um alto posto no clero muçulmano xiita.
Artur Piva - Revista Oeste