sábado, 29 de novembro de 2025

Trump: 'Considerem o espaço aéreo da Venezuela totalmente fechado'

Presidente dos Estados Unidos acusa o ditador Nicolás Maduro de comandar um dos maiores esquemas de narcotráfico do planeta


O presidente dos EUA, Donald Trump | Foto: Reprodução/Twitter/X


Neste sábado, 29, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, informou que o espaço aéreo da Venezuela está fechado. A mensagem se dirige a criminosos. 

“A todas as companhias aéreas, pilotos, traficantes de drogas e traficantes de pessoas: considerem o espaço aéreo acima e ao redor da Venezuela totalmente fechado”, escreveu. 

“Obrigado a todos pela atenção a este assunto.” Donald J. Trump @realDonaldTrump · 4h To all Airlines, Pilots, Drug Dealers, and Human Traffickers, please consider THE AIRSPACE ABOVE AND SURROUNDING VENEZUELA TO BE CLOSED IN ITS ENTIRETY. Thank you for your attention to this matter! PRESIDENT 

O texto é o mais novo capítulo na conturbada relação republicano com o ditador da Venezuela, Nicolás Maduro. A Casa Branca acusa Maduro de ser um dos “maiores narcotraficantes do mundo”. 


A ditadura do cartel 

De acordo com o governo dos EUA, Maduro lidera o cartel de los soles. Formado por militares venezuelanos de alta patente, o grupo é acusado de usar o poder estatal para o tráfico internacional de drogas. Em agosto, a Casa Branca aumentou a recompensa pela captura do ditador, que passou de US$ 20 milhões para US$ 50 milhões. 


Trump na Venezuela 

Por determinação de Trump, o maior navio de guerra do mundo está nas proximidades da Venezuela. Trata-se do USS Gerald R. Ford, porta-aviões da Marinha dos EUA que entrou nas áreas de operação da América Latina em 11 de novembro com uma missão: dar apoio à operação “Lança Sul”, elaborada pela Casa Branca para combater o narcotráfico na região.


A embarcação tem capacidade para abrigar 90 aeronaves, entre helicópteros e caças. Segundo o G1, a pista de pouso tem área equivalente a três vezes o gramado do Maracanã.

Com a chegada do porta-aviões, as tensões aumentaram na região. Em 21 de novembro, a Administração Federal de Aviação dos EUA emitiu um alerta que cita “a piora da situação de segurança” no espaço aéreo venezuelano. “As ameaças podem representar risco potencial para aeronaves em todas as altitudes”, informa. 

Depois do comunicado, diversas empresas suspenderam voos para a Venezuela. Entre elas: Gol, Latam, Iberia, TAP, Avianca, Avianca Colômbia e Turkish Airlines. Em resposta, Caracas suspendeu as licenças de operação dessas companhias aéreas no país, na sextafeira 27. 

Revista Oeste

🔴LIVE ESPECIAL com Augusto Nunes, Pavinatto e Coppolla

Perfectly Frank.

'A luta pelo nuclear', por José Luiz Alquérez

 


No final da década de 1950 finalmente os grandes países do mundo concordaram pela criação, no âmbito da ONU, da Agência Internacional de Energia Atômica. O Almirante brasileiro Álvaro Alberto, nosso representante na Comissão de Energia Atômica da Organização das Nações Unidas (UNAEC), criada em 1946, órgão que precedeu a criação da Agencia Internacional de Energia Atômica, notabilizou-se pela defesa da soberania nacional sobre os recursos minerais do Brasil (como o tório e o urânio) e opôs-se aos esforços das grandes potências de controlar o ciclo do combustível nuclear em nível internacional.

O Brasil, desde então, procurou, na medida das suas possibilidades, se manter atualizado no estudo das diferentes vertentes da utilização pacífica do átomo, seja na geração de energia elétrica, em usos na medicina, na indústria e na propulsão de embarcações.

Em 1975, o país assinou com a Alemanha um acordo nuclear que previa a instalação de 8 grandes reatores e das indústrias de beneficiamento do urânio e da fabricação dos elementos combustíveis, de modo a possuir autonomia desde a mineração até sua utilização em usinas de geração de energia elétrica. Foi um longo percurso, cheio de enormes dificuldades no plano nacional e internacional e com grande dispêndio de recursos. Nas primeiras décadas destes últimos 50 anos, houve um enorme investimento na formação de pessoal qualificado para condução no país de todas as etapas deste ciclo nuclear. Centenas de técnicos e engenheiros foram enviados para a Alemanha para treinamento e, em seu retorno, contribuíram para o progresso – não só de empresas como Nuclen, Nuclep, Nuclebras , CBTM, como também da indústria nacional de equipamentos, órgãos de governo, órgãos reguladores e empresas do setor elétrico, como Furnas e Eletrobras. Esses quadros de excepcional qualidade permitiram que a usina de Angra I, um projeto de má qualidade da Westinghouse fosse integralmente refeito e passasse a operar com invejáveis índices de qualidade. A usina de Angra II, a primeira do conjunto de 8 do referido Acordo com a Alemanha, esteve muitos anos parada, mas suas obras foram retomadas a partir de autorização dada no dia 31 de dezembro de 1994 e, desde o início da operação, tem estado entre as usinas de maior índice de continuidade de fornecimento dentre as centenas que ora operam no mundo.

Outras frentes de desenvolvimento de utilização de energia nuclear foram então ativadas, como o projeto ARAMAR, da Marinha Brasileira, e uma linha de pequenas centrais (capacidade de 50 MW) igualmente estudadas em centros brasileiros de pesquisas.

Notícias da imprensa, confirmadas, apontam que o setor nuclear brasileiro parece estar passando por seu pior momento. Primeiro, porque a Eletronuclear não está obtendo recursos para manter seu pessoal de alto nível e treinar seus sucessores o que sacrifica a qualidade da operação das usinas existentes, criando enormes riscos para seu bom funcionamento, e mesmo, talvez, implicando em seu prematuro desligamento. Segundo, porque a continuidade do projeto Angra III segue sem solução. Não apenas há um substancial investimento onerando a conta de juros durante a construção e a de custos adicionais de extensão de garantias de equipamentos já em estoque, mas também porque a sua eventual interrupção significaria a perda de um valor incalculável de capacitações técnicas desenvolvidas no Brasil, além de um valor intangível associado a estas ditas qualificações. Terceiro, e por fim, para não continuar uma lista que foge aos objetivos deste artigo, é consenso nos meios científicos internacionais e nacionais que a futura demanda de eletricidade de fonte não emissora de gases de efeito estufa terá que ser atendida com a participação de novas e modernas usinas nucleares. No momento que mais iremos utilizar o grande investimento feito com enorme sacrifício pelos contribuintes brasileiros para que pudéssemos ter acesso a essa tecnologia, estaremos jogando no lixo cinquenta anos de trabalho.

Por duas vezes ao longo de minha carreira estive associado a encontrar soluções para a continuidade do programa nuclear. A primeira, quando na Eletrobras, integrando a diretoria de Engenharia e Planejamento, participei da equipe de coordenação do PRS-Plano de Recuperação Setorial, que criou o conceito de Custo da Hidrelétrica Equivalente, essencial para permitir aportes governamentais ao desenvolvimento desta tecnologia sem que isso implicasse em custos mais elevados para os consumidores de energia elétrica, em 1985. Em um segundo momento, após aprovação pelo Congresso Nacional, autorizei como presidente da Eletrobras, ao final do governo Itamar Franco, a retomada das obras de Angra II, a cargo de Furnas, em ação conjunta com o então seu presidente, o grande engenheiro Ronaldo Fabrício. Graças a isso, concluiu-se a primeira das oito usinas do acordo que, como mencionado, tem funcionado perfeitamente.

Urge que este programa tenha sua continuidade assegurada o que, a meu juízo, deve ser feito sob a integral responsabilidade do governo federal, anulando participações privadas impróprias para uma tecnologia altamente sensível. A tecnologia nuclear está vias de passar por uma guinada tecnológica nos próximos anos, guinada esta apenas passível de ser proporcionada com segurança se exclusivamente conduzida por entidade do governo federal que mantenha os técnicos e a experiência adquirida ao longo de todos estes anos.

José Luiz Alquéres é conselheiro do Clube de Engenharia.





 - José Luiz Alquérez - Diário do Poder

Entrevista com Guilherme Derrite, Secretário de Segurança Pública de SP - The Noite com Danilo Gentili

Viva a roubalheira!!! 'Justiça' manda soltar dono do Banco Master

 Daniel Vorcaro vai ter de cumprir medidas cautelares, como usar tornozeleira eletrônica


Justiça manda soltar Danie- Vorcaro, dono do Banco Master


A desembargadora Solange Salgado da Silva, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1), determinou, na noite desta sexta-feira, 28, a soltura do dono do Banco Master, Daniel Vorcaro. O executivo estava preso desde a noite de 17 de novembro, quando foi alvo da Compliance Zero, operação da Polícia Federal (PF) que apura a emissão de títulos falsos e outros crimes contra o sistema financeiro do país. +

Fora do sistema prisional, Vorcaro terá de cumprir medidas cautelares. Será obrigado, por exemplo, a usar tornozeleira eletrônica. Além disso, o banqueiro está proibido de deixar o Brasil, inclusive será obrigado a entregar o passaporte às autoridades competentes e não poderá manter contato com outros investigados no caso.

A decisão da Justiça Federal não benefquatro executivos da instituição financeira:icia apenas o presidente do Banco Master. Solange também determinou a soltura de outros quatro executivos da instituição financeira:


• Alberto Felix de Oliveira Neto, superintendente-executivo de tesouraria; 

• Ângelo Antônio Ribeiro da Silva, sócio; 

• Augusto Ferreira Lima, sócio e ex-CEO; e 

• Luiz Antônio Bull, diretor de riscos, compliance, recursos humanos, operações e tecnologia.


“Embora inegável a gravidade dos fatos e o vultoso montante financeiro envolvido, verifica-se que a substituição da prisão por um conjunto de medidas cautelares robustas (…) mostra-se suficiente para, atualmente, acautelar o meio social, prevenir eventual reiteração delitiva, garantir a ordem econômica, garantir o regular prosseguimento da persecução penal e coibir o risco de fuga”, avaliou a desembargadora do TRF-1, em trecho de sua decisão


Prisão do executivo 

A decisão da Justiça Federal ocorre depois de derrotas da defesa de Vorcaro. A soltura do executivo havia sido negada em solicitações anteriores. No dia 20, a mesma desembargadora Solange rejeitou o pedido de liberdade e falou em “risco concreto”. 

Na última segunda-feira, 24, o banqueiro sofrera outra derrota. Na ocasião, foi transferido da sede da PF na capital paulista para o Centro de Detenção Provisória 2, em Guarulhos, na Região Metropolitana de São Paulo. Com a situação, os advogados chegaram a afirmar que ele correria risco de vida.


A prisão do empresário ocorreu no Aeroporto Internacional de Guarulhos, quando tentava embarcar para os Emirados Árabes Unidos. De acordo com ele, a viagem ocorreria por motivo de negócios: tratativas para tentar vender a instituição ao Grupo Fictor. 

Com Daniel Vorcaro preso, Banco Central liquidou o Master


Sede do Banco Master, em São Paulo | Foto: Divulgação/Banco Master 


Diante da deflagração da Operação Compliance Zero e da prisão de Daniel Vorcaro, o Banco Central (BC) liquidou de forma extrajudicial o Master. A medida, na prática, representa o encerramento das atividades da instituição financeira, com todas as dívidas tidas como vencidas, com os credores tendo de recorrer para receberem os valores investidos. Além disso, um interventor assume a responsabilidade de vender bens e recuperar créditos. 

Com o Master tendo o total de R$ 85 bilhões em ativos, trata-se da maior intervenção da história do BC. Meses antes, o Banco Central havia barrado a venda do Master para o Banco de Brasília (BRB), instituição pública mantida pelo governo federal, por cerca de R$ 3,5 bilhões. 

A prisão de Vorcaro movimentou o cenário político. A deputada federal Carol De Toni (PL-SC) acionou o Tribunal de Contas da União para investigar o Master. Também nesse sentido, o deputado federal Ubiratan Sanderson (PL-RS) cobrou da Procuradoria-Geral da República a informação se o banco de Vorcaro teria envolvimento em esquema fraudulento com escritórios de advocacia. Além disso, o senador Eduardo Girão (Novo-CE) protocolou pedido para a instalação de Comissão Parlamentar de Inquérito contra o Master.

Anderson Scardoeli - Revista Oeste

'A realidade que o Ocidente fingiu não ver', por Ana Paula Henkel

A administração Joe Biden optou, em 2021, por flexibilizar os critérios de entrada de afegãos. A urgência humanitária serviu de justificativa política, mas a triagem foi falha e a fronteira converteuse em uma avenida aberta


Agentes da lei se reúnem em uma área isolada após dois membros da Guarda Nacional terem sido baleados perto da Casa Branca, em Washington, D.C., EUA, em 26 de novembro de 2025 - Foto: Nathan Howard/Reuters 


D urante um bom tempo, discutir sistemas de imigração foi tratado como falta de compaixão. Como se proteger fronteiras fosse um ato de hostilidade, e não de responsabilidade. Por anos, elites políticas e parte significativa da imprensa repetiram que exigir critérios, triagem e lei era sinal de intolerância. Até que a realidade começou a cobrar a conta. Desta vez, foi em Washington, no coração político dos Estados Unidos, a poucas quadras da Casa Branca. 

Dois soldados da Guarda Nacional da Virgínia Ocidental patrulhavam o centro da capital americana quando foram surpreendidos por disparos à queima-roupa. Uma das balas atingiu o pescoço de Sarah Beckstrom, uma jovem de apenas 20 anos. Outra feriu gravemente o cabo Andrew Wolfe, de 24. Sarah não resistiu e faleceu na quinta-feira, 27 de novembro. 

O atirador não era um cidadão americano. Não era sequer um imigrante documentado e legalizado no país. Rahmanullah Lakanwal, afegão de 29 anos, entrou nos Estados Unidos em 2021, no fluxo de refugiados aceitos às pressas após a retirada caótica das tropas americanas de Cabul durante o governo Biden. Chegou com status provisório, viveu sem rastreamento, sem visto permanente e sem controle migratório real.

Há uma informação ainda em verificação por diferentes veículos e que levanta novas dúvidas sobre os mecanismos de seleção de refugiados nos EUA: relatos preliminares indicam que Rahmanullah Lakanwal teria tido sua solicitação de asilo aprovada em abril de 2025, já sob a administração Trump. A confirmação oficial ainda está em apuração, mas o simples fato de essa possibilidade existir reacende um debate mais amplo: o processo de checagem e triagem aplicado a refugiados e solicitantes de asilo é realmente capaz de identificar perfis de risco? 

Se o atirador passou por esse filtro e foi aprovado, surge a pergunta que Washington tenta responder desde o ataque: quem está avaliando essas pessoas, com quais critérios, e até que ponto os protocolos atuais conseguem distinguir colaborador de ameaça potencial? O caso, além de doloroso, pode se tornar um divisor de águas na revisão dos sistemas de triagem migratória previstos para os próximos meses. 

A administração Joe Biden optou, em 2021, por flexibilizar os critérios de entrada de afegãos. A urgência humanitária serviu de justificativa política, mas a triagem foi falha, superficial, insuficiente para lidar com milhares de pessoas cuja procedE aqui, não se trata de metáfora. Trata-se de Sarah, uma jovem fardada que acreditava estar servindo e protegendo o seu país, quando, na verdade, era o país que havia deixado de protegê-la. 

Seu nome agora se torna mais uma lápide na conta de uma política pública que confundiu compaixão com imprudência, e que expõe sua fatura mais alta: vidas que não voltam, famílias que se dilaceram, e uma Nação que desperta tarde demais para a realidade que ignorou durante anos.ência era, em muitos casos, impossível de verificar completamente. A fronteira converteu-se em uma avenida aberta, sem portões, sem segurança. 

E quando um país  não controla quem entra, também perde o controle do que acontece depois.

E aqui, não se trata de metáfora. Trata-se de Sarah, uma jovem fardada que acreditava estar servindo e protegendo o seu país, quando, na verdade, era o país que havia deixado de protegê-la. Seu nome agora se torna mais uma lápide na conta de uma política pública que confundiu compaixão com imprudência, e que expõe sua fatura mais alta: vidas que não voltam, famílias que se dilaceram, e uma Nação que desperta tarde demais para a realidade que ignorou durante anos.

 

Rahmanullah Lakanwal, 29, é acusado de balear Sarah Beckstrom e Andrew Wolfe - Foto: Reprodução/ X


Durante a campanha de 2024, Donald Trump retomou com vigor a bandeira que o consagrou em 2016: proteger as fronteiras americanas, priorizar a segurança interna e colocar a vida dos cidadãos e residentes legais no centro das decisões do Estado. Seus discursos, diretos e sem eufemismos, sustentavam que nenhum país permanece livre se não controla quem entra em seu território, e que a compaixão sem filtro não é virtude, mas imprudência. O tema, por anos tratado com constrangimento pelas elites encasteladas, transformou-se em ativo eleitoral. Em um país exausto por crises migratórias, cidades sobrecarregadas e sensação crescente de vulnerabilidade, o discurso de soberania e proteção não apenas ganhou ressonância — foi decisivo para sua vitória.

Donald Trump classificou o atentado desta semana como terrorismo, covardia e ódio, e anunciou a revisão completa das permissões migratórias concedidas a cidadãos de nações consideradas de risco. Foi um recado duro, objetivo e previsível: os Estados Unidos retomam, ainda que tardiamente, a defesa de suas fronteiras. A pausa na concessão de vistos e na tramitação de pedidos de asilo de afegãos não é apenas medida administrativa; é mudança de clima político. A complacência ideológica perdeu o verniz moral. A realidade rompeu o véu da hipocrisia.


A civilização ocidental é forte e já sobreviveu a muitos desmandos, mas protegê-la requer zelo constante e rigor, não ingenuidade.


Há poucos anos, questionar políticas migratórias era, no Ocidente, um ato quase proibido, sinônimo de insensibilidade, falta de empatia, suposta xenofobia. Líderes evitavam o debate, jornalistas suavizavam números, universidades tratavam o tema como tabu moral. Defender controle de fronteiras era ser “reacionário”, “populista”, “antihumanitário”. O establishment progressista decretou que o bem residia no acolhimento irrestrito e que o mal estava em perguntar quem entra, por que entra e com quais antecedentes. Foi essa moral invertida que permitiu o ingresso de Rahmanullah Lakanwal. Foi essa moral invertida que matou Sarah. 

Agora, porém, o eixo parece estar se deslocando. Não por ideologia, mas por urgência prática. Dinamarca, Reino Unido e Irlanda, antes defensores entusiastas de fronteiras fluidas, passaram a restringir de forma severa o acesso de imigrantes e solicitantes de asilo. 

A Dinamarca anunciou que vai endurecer o processo de residência permanente, limitar benefícios a imigrantes recém-chegados e transferir refugiados para instalações desconfortáveis como forma de desencorajar a permanência massiva. 

O Reino Unido decidiu ampliar o tempo necessário para cidadania (de 5 para 20 anos), restringir apoio financeiro, eliminar a reunião automática de familiares e acabar com o modelo de hospedagem de requerentes em hotéis. 

A Irlanda segue no mesmo caminho. Nos últimos meses, o país aprovou um amplo endurecimento de suas regras de imigração e asilo: quem solicita proteção internacional ou busca naturalização deverá agora comprovar autonomia financeira, ausência de dívidas ao Estado e não ter recebido determinados benefícios sociais nos dois anos anteriores. A exigência mínima de residência para cidadania aumentou, e as regras de reunificação familiar tornaram-se mais rígidas: os requerentes deverão demonstrar meios financeiros e moradia adequada para acolher parentes. O acesso à cidadania poderá ser negado a quem já viveu ilegalmente no país.

Esse movimento na Europa não é coincidência histórica: é reação. O que ontem era chamado de radicalismo é, hoje, política pública. O que antes era denunciado como “agenda xenófoba” é, agora, reconhecido como simples defesa da soberania. 

Donald Trump não mudou esse caminho sozinho, mas foi o primeiro a pagar o preço político por dizer o óbvio em voz alta. Ele não discutiu o mundo como desejavam que fosse, mas como o mundo é — e foi ridicularizado e hostilizado por isso. Agora, o próprio establishment que o demonizou adota aquilo que ele apontou há quase uma década. O futuro, enfim, encontra a realidade e expõe o óbvio: “causas humanitárias” não podem caminhar ao lado da negligência estatal.


Donald Trump, durante pronunciamento sobre o atentado em Washington | Foto: Reprodução 

O desafio, daqui para frente, não é apenas fechar brechas migratórias, mas resgatar a noção de responsabilidade. Não se cobra culpa coletiva de uma comunidade inteira por um crime. Mas se cobra responsabilidade de um governo que permitiu a entrada sem rigor. Um Estado civilizado protege o inocente antes do risco. Um governo maduro compreende que compaixão sem prudência é crueldade disfarçada. O discurso humanitário que ignora a segurança transforma-se, inevitavelmente, em tragédia. 

Os defensores do modelo vigente tentarão reduzir o episódio a um incidente isolado. Dirão que casos como o de Lakanwal são raros, excepcionais. Talvez sejam. Mas basta um. Basta um tiro para encerrar uma vida. 

Basta um documento concedido sem verificação para transformar uma política em fatalidade por procuração. Segurança nacional não se mede pela média estatística, mede-se pela consequência do erro. E a consequência será enterrada no fim de semana. Tem nome. Tinha sonhos. Tinha 20 anos. Washington agora vive o dilema que o Ocidente tenta adiar há décadas: como conciliar abertura e responsabilidade? Como equilibrar acolhimento e soberania? Como exercer compaixão sem abdicar do dever primário de proteger seus próprios cidadãos? 

A resposta se impõe, lenta, porém inevitável: o Estado que renuncia à defesa de suas fronteiras renuncia também ao direito de existir. A paz não se sustenta na boa intenção. Sustenta-se na ordem, na lei, na capacidade de dizer sim — e de dizer não. Sarah Beckstrom não terá outra chance. Sua família jamais verá o futuro que ela prometia. Os Estados Unidos, porém, ainda têm a oportunidade de reescrever seu curso e mostrar ao mundo que soberania não é palavra suja — é pedra angular que sustenta a civilização. 

Nenhuma nação permanece grande se transforma seu território em corredor, suas fronteiras em véu simbólico, sua segurança em gentileza abstrata. Nenhum país sobrevive por muito tempo ignorando quem entra, por que entra e sob quais riscos entra. A liberdade americana sempre foi imensa demais para caber num mundo ingênuo, mas é igualmente frágil para sobreviver sem vigilância.



Membros da Guarda Nacional, da esquerda para a direita, o Sargento Andrew Wolfe e a Especialista Sarah Beckstrom | Foto: Reprodução/MS Now 

Talvez o Ocidente esteja, enfim, acordando. Não pela sabedoria, mas pela dor. Não pela elegância do debate, mas pelo estampido de uma arma na capital da maior democracia do planeta. A morte de uma soldado de vinte anos deve ser o ponto de inflexão de uma política, se encarada com honestidade e coragem. 

Que o nome de Sarah Beckstrom não desapareça entre manchetes. Que seu sacrifício não seja estatística, mas alerta. Que seu corpo não tenha servido apenas à pátria que ela amou e jurou defender, mas à lucidez de um tempo que ainda hesita em proteger o que construiu. 

A civilização ocidental é forte e já sobreviveu a muitos desmandos, mas protegê-la requer zelo constante e rigor, não ingenuidade. Não deixamos a porta de casa aberta para estranhos entrarem livremente; tampouco uma nação pode sobreviver se age como se não tivesse muros. 

Fronteiras escancaradas não são generosidade — são renúncia. E toda renúncia cobra seu preço, às vezes tarde demais para evitar o luto

Ana Paula Henkel - Revista Oeste