Ex-banqueiro afirma que colaboração poderia atingir Andrei Rodrigues; PGR diz que propostas anteriores tinham conteúdo frágil
Daniel Vorcaro durante depoimento à Polícia Federal - Foto: Reprodução/YouTube
O ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do antigo Banco Master, afirmou que as negociações para fechar uma delação premiada não avançaram porque uma eventual colaboração envolveria o diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues.
A declaração foi dada durante depoimento ao gabinete do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), em procedimento realizado sem a participação da PF.
Segundo Vorcaro, ele e Rodrigues tiveram uma relação anterior e chegaram a viajar para eventos juntos. Na avaliação do ex-dono do Banco Master, essa proximidade teria levado delegados da PF a evitarem o avanço das negociações. Vorcaro afirmou que uma eventual colaboração poderia prejudicar pessoas que estavam “do outro lado da mesa”, mas não teria apresentado detalhes sobre a alegação.
O ex-banqueiro também disse que não houve abertura para que fosse ouvido. Ele afirmou acreditar que existem pessoas interessadas em impedir a divulgação dos fatos que diz ter para revelar. Segundo ele, uma eventual delação envolveria ainda “pessoas de um núcleo político”.
Vorcaro, preso desde novembro, já teve propostas de colaboração recusadas pela PF e pela Procuradoria-Geral da República (PGR). Segundo as autoridades, o ex-banqueiro omitiu informações e não apresentou conteúdo suficiente para justificar um acordo.
No depoimento ao gabinete de Mendonça, Vorcaro sinalizou disposição para uma nova tentativa de colaboração premiada, desta vez incluindo informações sobre sua relação com Rodrigues. Ele também relatou ter sofrido ameaças na prisão e afirmou que poderia citar integrantes do governo federal. A defesa de Vorcaro não quis comentar o conteúdo do depoimento, que está sob sigilo. Rodrigues também não havia se manifestado.
PGR pede arquivamento de denúncias de Vorcaro Na quarta-feira 2, a PGR pediu o arquivamento das denúncias de intimidação apresentadas por Vorcaro. Em manifestação encaminhada ao STF, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, afirmou que Vorcaro não apresentou fatos concretos nem elementos mínimos capazes de sustentar as acusações.
Gonet também mencionou as tentativas anteriores de colaboração premiada. Segundo a PGR, a PF rejeitou uma proposta por considerar que Vorcaro não apresentou informações inéditas. O próprio Ministério Público também recusou um acordo por avaliar como frágil o conteúdo apresentado.
Rachel Dias - Revista Oeste
