quarta-feira, 30 de setembro de 2026

Lobista Roberta Luchsinger organizou viagem milionária para Lulinha

Planejamento tem gastos com hospedagens de alto padrão, seis dias de esqui, além de serviços de chef e mordomo



Lobista Roberta Luchsinger (E), amiga intima de Lulinha (D), filho do ex-presidiário Lula

A lobista Roberta Luchsinger teria organizado e custeado uma viagem de luxo de R$ 1,868 milhão para Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e familiares, em janeiro de 2025. O roteiro tinha como objetivo acompanhar a aurora boreal e passou por países da Escandinávia e pela Suíça. As informações constam de um orçamento localizado pela Polícia Federal no celular de Roberta. As informações são da jornalista Malu Gaspar, do O Globo.

O documento detalha gastos com hospedagens de alto padrão, seis dias de esqui, além de serviços de chef e mordomo. O custo estimado foi de R$ 266,8 mil por pessoa. O roteiro foi organizado por Roberta com auxílio da agência de viagens TTW, onde atua Marina Mantega, filha do ex-ministro Guido Mantega. Segundo mensagens obtidas pela PF, a lobista pagou R$ 339 mil de sinal em outubro de 2024 para fechar o pacote.

Durante a viagem, o grupo ficou hospedado no hotel HUUS Gstaad, nos Alpes suíços. Em janeiro de 2025, Roberta também acionou a agência para fretar um jatinho entre a Suíça e Estocolmo, na Suécia, por R$ 220,8 mil. Com esse custo adicional, o valor total da viagem teria ultrapassado R$ 2 milhões.

O material integra uma investigação sigilosa conduzida pela PF e relatada no Supremo Tribunal Federal pelo ministro Flávio Dino. Os investigadores apuram suspeitas de tráfico de influência envolvendo Lulinha e Roberta, inclusive em tratativas relacionadas à empresa Unigel e à Petrobras. A PF também investiga a atuação dos dois em assuntos de interesse de uma empresa ligada a Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, junto ao Ministério da Saúde.

A defesa de Lulinha afirma que ele não cometeu nenhum crime e que prestará esclarecimentos às autoridades. Também criticou o que classificou como divulgação seletiva e descontextualizada de elementos da investigação. O advogado de Roberta não se manifestou.

Rodrigo Vilela - Diário do Poder

terça-feira, 29 de setembro de 2026

Mensagens de celular mostram Hugo Motta tratando de negócios milionários com Vorcaro

Operação envolve empréstimo ao menos de R$22 milhões do Master


PF encontra mensagens de Motta pedindo para Vorcaro liberar empréstimo de R$22 milhões para cunhada


Mensagens extraídas pela Polícia Federal do celular de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, mostram conversas com o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), sobre uma possível “sociedade” na compra de um terreno em João Pessoa (PB) ligado à cunhada do deputado. A história é mal contada, mas explica a recusa de Motta para instalar comissões parlamentares de inquérito (CPIs) propostas para investigar o Banco Master, seguindo o padrão de Davi Alcolumbre, também ligado a Vorcaro, que adota comportamento idêntico no Senado.

As conversas, iniciadas em março de 2024, indicam que Motta tratava diretamente com Vorcaro sobre a negociação. A operação envolveu um empréstimo de ao menos R$ 22 milhões do Banco Master para uma empresa da cunhada do parlamentar, usado na aquisição de uma área de mais de 400 hectares, comprada por R$ 45 milhões.

Em uma das mensagens, Motta afirma que a empresa havia sido transferida para a cunhada e diz acreditar que a outra parte da negociação não conhecia o “formato de sociedade” que havia sido combinado. Dias depois, o deputado agradeceu a Vorcaro pela “confiança e parceria” e afirmou acreditar que o projeto teria êxito.

Os diálogos também mostram que Vorcaro procurou Motta, em novembro de 2024, para tratar de um projeto de lei sobre mercado de carbono que havia sido aprovado pelo Senado. Em outra conversa, Motta pediu ao banqueiro um estudo sobre o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) para discutir possíveis formas de incluir o tema na pauta.

As mensagens ainda indicam que Vorcaro teria colocado uma aeronave à disposição de Motta para uma viagem entre São Paulo e Brasília. O presidente da Câmara negou irregularidades e afirmou que mantém diálogo com diversos setores do empresariado. Segundo Motta, os diálogos não retratam qualquer ilícito ou favorecimento e ele confia nas investigações conduzidas pelas autoridades.


Diário do Poder

Lula torra sem piedade R$328,9 bilhões para tentar se reeleger, aponta revela O Estado de São Paulo

 Levantamento estima gastos que chocam pelo descontrole




Na tentativa de renoar seu mandato, Lula (PT) acumulou R$ 328,9 bilhões em medidas, créditos, subsídios, renúncias fiscais e programas sociais no terceiro mandato, de acordo com o Gastômetro, ferramenta do Estadão que monitora em tempo real os desembolsos federais em ano eleitoral. O valor foi atualizado com novas ações anunciadas recentemente.

Gastómetro do ‘Estadão’ detalha a farra.

A maior parte dessa fortuna reúne programas de crédito e subvenções a setores específicos (como motoristas de aplicativo e caminhoneiros), financiamentos habitacionais, isenções tributárias — entre elas o desconto e a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 7 mil —, além de benefícios sociais como Bolsa Família, Pé-de-Meia e Gás do Povo. Também entram despesas com publicidade institucional e medidas de resposta a crises. Parte dos valores corresponde a linhas de crédito e a impactos futuros, e não necessariamente a recursos já desembolsados.

Após a publicação da ferramenta, a Secretaria de Comunicação da Presidência (Secom) enviou nota classificando a abordagem como “descabida e metodologicamente insustentável”. Segundo o Palácio do Planalto, as ações não são eleitorais, mas políticas públicas indispensáveis para manter jovens na escola, combater o crime organizado, proteger empregos e empresas, conter pressões sobre preços e enfrentar calamidades em um ano de El Niño forte. A nota cita o Pé-de-Meia (criado em 2024 contra a evasão escolar) e o Programa Brasil Contra o Crime Organizado como exemplos de distorção na classificação.

O debate gira em torno da natureza dessas medidas em ano de eleição: se representam expansão pontual de gastos para fins políticos ou continuidade de políticas sociais e econômicas. O Gastômetro continua sendo atualizado à medida que novas iniciativas são anunciadas.

Com Diário do Poder

sábado, 26 de setembro de 2026

Gilmar sai em defesa do cúmplice Gonet depois de arquivamento de investigação

Decano do STF critica 'vazamentos seletivos' e decisões individuais 'tomadas de afogadilho'; Conselho Superior do MPF rejeitou, por 5 a 4, pedido para investigar o PGR 


Gilmar Mendes e Paulo Gonet em sessão plenária do STF (19/11/2025) | Foto: Victor Piemonte/STF

O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), saiu em defesa do procurador-geral da República, Paulo Gonet, depois do Conselho Superior do Ministério Público Federal arquivar, por 5 votos a 4, o pedido de investigação contra ele. A decisão foi tomada nesta sextafeira, 25, e também rejeitou, por unanimidade, o afastamento de Gonet dos processos relacionados ao Banco Master.

Em publicação no X, Gilmar afirmou que a decisão do Conselho “confirma o que já se sabia”. “Nada havia que impedisse o ProcuradorGeral de seguir atuando nos processos do Banco Master, muito menos algo que arranhasse a reputação construída em décadas de serviço público”, escreveu.


Gilmar Mendes @gilmarmendes · Seguir A decisão do Conselho Superior do Ministério Público Federal, ontem, confirma o que já se sabia. Nada havia que impedisse o Procurador-Geral de seguir atuando nos processos do Banco Master, muito menos algo que arranhasse a reputação construída em décadas de serviço público. Mostrar mais 9:38 AM · 26 de set de 2026


Críticas de Gilmar a Mendonça 

O decano do STF criticou o relator do processo do Banco Master na Corte, ministro André Mendonça. Ele não citou nomes durante a manifestação. A crítica envolveu o levantamento do sigilo de conversas do PGR Paulo Gonet. Segundo Gilmar, o levantamento do sigilo ocorreu antes da comprovação da fragilidade das suspeitas. O ministro afirmou que o ato expôs um homem honrado a ataques nas redes.

Para Gilmar, o dano reputacional já estava consumado. Ele classificou o episódio como resultado de “vazamentos seletivos” em um inquérito que, segundo ele, “ganhou tração conforme avançava o ciclo eleitoral”. 

Na mesma manifestação, Gilmar voltou a defender o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues. Mendonça havia determinado o afastamento de Andrei do comando da corporação, decisão posteriormente revertida pelo ministro Flávio Dino e depois ambas anuladas pelo presidente do STF, ministro Edson Fachin. Gilmar classificou a medida como “desproporcional, de efeitos institucionais imprevisíveis”, e disse que ela desarticulou temporariamente a direção do órgão responsável pela segurança das fronteiras.

Vanessa Araújo - Revista Oeste

Grupo terrorista Hamas elogia e agradece discurso do ex-presdidiário Lula na ONU

Manifestação é de Khaled Qaddoumi, representante do grupo terrorista no Irã


Khaled Qaddoumi, representante do grupo terrorista Hamas, atualmente sob proteção da ditadura do Irã

O grupo terrorista Hamas elogiou e agradeceu o discurso de Lula (PT) na abertura da 81ª Assembleia Geral da ONU e classificou a postura do petista como “positiva”. O agradecimento é obra do representante político do grupo no Irã, Khaled Qaddoumi e foi enviada ao site Metropoles.

O elogio do grupo terrorista reforça sua relação política com o político brasileiro. Os terroristas do Hamas já haviam se manifestado publicamente a favor de Lula nas eleições de 2022.

Lula usou parte da fala na ONU para denunciar o que chamou de “genocídio praticado pelo governo Netanyahu” em Gaza. Qaddoumi, do grupo terrorista Hamas, respondeu: “Essa é uma postura positiva por parte de um grupo de países, que aponta para a direção certa.” Completou que o presidente brasileiro é um “defensor dos direitos dos palestinos”.

O episódio não é isolado. Em 31 de outubro de 2022, um dia após a vitória de Lula no segundo turno, o site oficial do Hamas publicou nota em que Basim Naim, membro do Bureau Político do grupo terrorista, parabenizou o “lutador pela liberdade Luiz Inácio Lula da Silva”. O texto está disponível nas páginas da organização terrorista na internet.

Diário do Poder

Ex-presidiário Lula tem a máquina, mas não sai do lugar nas pesquisas

Enquanto Flávio Bolsonaro avança, a imagem do petista e a insatisfação com a economia ajudam a explicar a derrota iminente


  

No ersforço para tentatr iludir o cidadão decente, ex-presidiário vai à Missa e até segura a Bandeira do Brasil - Foto: Ricardo Stucker


Mesmo com a Presidência nas mãos, Luiz Inácio Lula da Silva chega à reta final da campanha sem se firmar acima dos 40% das intenções de voto. Já o senador e principal adversário do petista, Flávio Bolsonaro, avançou em setembro e reduziu a distância. A dez dias da eleição, marcada para 4 de outubro, a vantagem do presidente quase não existe mais. 

De acordo com o agregador de pesquisas PollingData para o primeiro turno, o ex-presidiário Lula aparece com 40,3% em 25 de setembro, praticamente o mesmo patamar de 1º de junho, quando tinha 40,7%. Flávio, porém, passou de 32,9% para 37,8% no período. A distância entre os dois caiu de 7,8 para 2,5 pontos porcentuais.

O presidente tentou reagir à queda registrada no fim de agosto, mas o adversário cresceu mais. Em 1º de setembro, o PollingData estimava 38,4% para Lula e 31,8% para Flávio. Desde então, o petista ganhou 1,9 e o senador, 6 pontos porcentuais. Lula recuperou terreno sem ampliar o patamar que já ocupava meses antes.

Agregador de pesquisas do PollingData mostra oscilação dos candidatos nos últimos 3 meses | Imagem: Reprodução/ https://flex.pollingdata.com.br/


O agregador reúne resultados de 149 pesquisas, de 22 institutos, para produzir as estimativas. No total, avalia 235 cenários diferentes que comprovam que Lula tem oscilado para cima e para baixo, sem sair da casa dos 40%, enquanto Flávio cresce. 

A aproximação nas pesquisas Dois levantamentos da Futura/100% Cidades mostram movimento semelhante. No início de setembro, Lula tinha 39,2%, contra 33,6% de Flávio. Na pesquisa divulgada na quinta-feira 24, porém, o presidente marcou 38,4%, e o senador chegou a 40,4%. 

Flávio ganhou 6,8 pontos porcentuais; e Lula oscilou 0,8 ponto para baixo. Com margem de erro de 2,2 pontos porcentuais, os dois estão tecnicamente empatados no levantamento mais recente.


Flávio Bolsonaro, durante transmissão ao vivo em seu canal no YouTube — 16/8/2026 | Foto: Reprodução/YouTube

Em uma simulação de segundo turno do PoderData/Aya, Flávio registra 46%, e Lula, 45%. A diferença também está dentro da margem de erro, de 1,8 ponto porcentual. As pesquisas usam métodos distintos e não podem ser tratadas como uma única série. Em conjunto, porém, expõem a dificuldade do presidente para abrir vantagem enquanto o principal adversário se aproxima. 


O peso de estar no poder 

Para João Medeiros Neto, advogado e pós-graduado em análise política, a visibilidade do cargo já não basta para ampliar o apoio a Lula. Na avaliação dele, os muitos anos do presidente no centro da política reforçaram sua associação ao chamado “sistema” e dificultam a conquista de novos eleitores. 

Medeiros Neto também aponta o desgaste provocado por escândalos que atingem pessoas próximas ao presidente, como os desvios do INSS e o caso do Banco Master. Além disso, as críticas aos gastos excessivos com viagens não passam batido ao eleitor, sobretudo ao que usa as redes sociais para se informar.


Promessas vazias de resultados 

As promessas não cumpridas também têm peso na rejeição a Lula. “A ‘picanha’ se tornou um símbolo dessa cobrança”, resume o analista. Ele também menciona a deterioração da economia brasileira, com o aumento das famílias endividadas e a dificuldade de fechar as contas no fim do mês.

53% dos eleitores classificavam a situação econômica como ruim ou péssima na pesquisa BTG/Nexus de 31 de agosto. “O brasileiro médio não entende os números de aumento de PIB ou as taxas de juros, mas ele percebe quando o salário não dá mais para comprar tudo o que precisa no mercado”, diz ainda Medeiros Neto.

O governo federal ainda tenta converter anúncios em entregas antes da votação. O fim da escala de trabalho 6×1 e a PEC da Segurança Pública seguem sem definição no Congresso. O reajuste de 15,04% do Bolsa Família, anunciado em setembro, só começará a valer em 19 de outubro, depois do primeiro turno.


Com informações de Letícia Alves, Revista Oeste

sexta-feira, 25 de setembro de 2026

Adalberto Piotto - Tirem a eleição de Gilmar

Em modo desespero, o decano do STF usa, abusa e extrapola para favorecer Lula na eleição. E rebaixa o Supremo a comitê eleitoral do PT



“N unca na história deste país”, como gosta de dizer Lula, com a embriaguez de autoelogios que lhe é peculiar, um ministro do Supremo Tribunal Federal havia decidido a favor de uma candidatura, com medida tão populista, a dias de uma eleição. Nunca, até Gilmar Mendes desengavetar um caso já arquivado, juridicamente morto, e aceitar o pedido do governo para dar aumento ao Bolsa Família. O tempo, o momento e o oportunismo são vitais para entender o caso. A decisão de Gilmar foi a 17 dias da eleição. E o aumento de 15,04% cairá na conta do beneficiário entre o primeiro e o segundo turno. O piso de R$ 600 subirá para R$ 690.

Em outros tempos, numa Justiça justa, isso seria classificado como compra deslavada de voto. Neste momento de teratologia jurídica e radicalização do consórcio STF-Lula em favor do presidente que concorre à reeleição e perde apoio popular, querem colar a narrativa de “correção monetária” de perdas não repostas entre janeiro de 2023 e agosto de 2026. Zombam da inteligência do eleitor. Lula tem arrebentado as contas públicas desde que voltou ao poder. Durante três anos e meio de déficits fiscais consecutivos, em que gastou sem dó o dinheiro do pagador de impostos, não encontrou um mísero momento para repor as perdas do benefício. E só o faz agora, às vésperas do primeiro turno da eleição, quando já é superado por Flávio Bolsonaro nas pesquisas? 

Apesar de notadamente ilegal, visto que Gilmar se antecipou à análise do caso pelo TSE, a manobra salva-Lula pode dar errado. Para as famílias endividadas justamente pela inflação do governo petista, os R$ 90 a mais podem não ser um alívio capaz de surtir efeito eleitoral. Ainda pior para o governo: quem acredita que esse eleitor atendido pelo programa assistencialista e transformado em cabresto eleitoral pelo lulopetismo não vai perceber a manipulação, cansado que está da violência e da picanha que nunca chega? Pobreza, deveriam o PT e Lula aprender de vez, é só falta de dinheiro, não de dignidade.

Fato é que está posta a exata dimensão do desespero da campanha de Lula e da banda do STF abusadora da Constituição. Ambos não escondem que estariam dispostos a, como Dilma Rousseff já dissera, “fazer o diabo para ganhar a eleição”. Em publicação em sua conta no X, o ministro Gilmar Mendes ultrapassou todos os limites institucionais e foi muito mais longe na sua sanha governista atual. A ameaça de um golpe na democracia e nas instituições está num post de 19 de setembro, em que insinua estar pronto a não respeitar as decisões do TSE: “Mais grave, porém, é o risco que vem de dentro: o da politização da Justiça Eleitoral. Quem tenta engajar o tribunal em proselitismo partidário deve avaliar se reúne condições de nele permanecer. E os partidos políticos e o Ministério Público Eleitoral devem fiscalizar atentamente se essas condições estão presentes, arguindo a suspeição nos casos em que ela se configure“. 

Mais adiante, no longo post fora de lugar e desaforado à Constituição e à lei da magistratura, porque juízes deveriam se manifestar apenas nos autos e não fazer “proselitismo partidário” em redes sociais, ele revela muito mais que um atropelo ao decoro e à liturgia do cargo que ocupa. Incontido em sua pretensa grandiloquência, promete sair atirando: “O STF, por sua vez, continuará a atuar como instância de supervisão, com a firmeza que o momento exige, intervindo sempre que necessário à preservação de seus próprios precedentes e da Constituição”. Que Constituição, Excelência? O TSE é a autoridade eleitoral. Não depende do senhor. As eleições são uma conversa direta entre o eleitor e os candidatos. O nome disso, acostumese, é democracia. “Instância de supervisão” é só seu desejo irremediável e ilegal de intervencionismo ilimitado. Não vai acontecer. Não de novo. 

O ministro André Mendonça, durante sessão plenária no STF (02/09/2026) | Foto: Antonio Augusto/ST

“O poder absoluto corrompe absolutamente”, diria Lord Acton, o liberal historiador inglês do século 19 que se dedicou a estudar as anomalias que o poder e os poderosos criam na sociedade. Em português do século 21, com sotaque brasileiro dos trópicos, podemos dizer sem medo de errar que quem manda de fato nos bastidores, como Gilmar gosta de apregoar a fama que lhe atribuem, não manda recado público. Costuma ser sinal de fraqueza. Tanto que, segundo informação da coluna de Lauro Jardim, de O Globo, foi no escurinho das conversas palacianas de Brasília que, em junho deste ano, num encontro reservado com Lula, o Gilmar que ainda se imaginava no comando disse e garantiu: “…será o Supremo quem vai, se for preciso, vigiar o TSE nestas eleições”.

Era um recado de quem batia no peito, incomodado com a Justiça Eleitoral sob o comando do ministro Nunes Marques, como presidente, e seu vice André Mendonça, hoje o maior desafeto de decano por defender a moralidade pública antimáfia dentro do STF. Mendonça não aceitou fazer parte da omertà alegada por Gilmar na vergonhosa sessão da Corte no dia 15. Por isso, aposta nas fraquezas de Kassio Nunes Marques e na prosaica — e altamente questionável — tese de que os brasileiros têm memória curta. Não temos e nem Mendonça deixará de reagir, como tem acontecido.

Seria curioso, não fosse antes um tapa na cara da decência e do povo brasileiro, que foi o próprio Gilmar que, em 14 de outubro de 2023, no 1º Fórum Esfera, em Paris, disse: “Se hoje temos a eleição do presidente Lula, isso se deveu a uma decisão do Supremo Tribunal Federal”. Falou sem gaguejar, sem reservas, sem pruridos. Tempos em que Gilmar Mendes era o todopoderoso do Supremo e quis cobrar a fatura do envolvimento espúrio e confesso da Corte nas eleições que decretaram a derrota de Bolsonaro e reconduziram Lula ao Palácio do Planalto. 

Naquele momento, o presidente do TSE era o pupilo do decano, uma espécie de pitbull disposto a prender e arrebentar em nome do grupo, o ministro Alexandre de Moraes, que conduzia também o violento e ilegal Inquérito das Fake News. Foi Alexandre que Gilmar, em companhia de Flávio Dino e Cristiano Zanin, o comunista e o ex-advogado de Lula na Corte, protegeu de ser investigado por corrupção e tráfico de influência na mesma sessão de 15 de setembro. Ganhou-se tempo, mas tudo ficou exposto. Porque as investigações da Polícia Federal dentro do inquérito do gabinete de Mendonça continuam gritando e todo mundo já ouviu e entendeu.


Alexandre de Moraes em sessão plenária extraordinária do STF (15/09/2026) | Foto: Rosinei Coutinho/STF


Fato é que o andamento das investigações dos escândalos do Banco Master, de Daniel Vorcaro, preso acusado de corrupção nos Três Poderes, e do roubo dos aposentados do INSS, que mostram Lulinha abrindo as portas do governo do pai a lobistas, revelam que Gilmar, se controlava alguma coisa, já não controla mais. Não a realidade, os fatos, a vida como ela é e como o Brasil decente quer de volta.

Ninguém está acima da lei. Nem Gilmar e tampouco Alexandre de Moraes. Por isso, o clima de desespero e de “barata voa” entre os aliados do decano na Corte e na campanha de Lula, com a iminente derrota que começam a sinalizar as pesquisas. Não há mais como esconder que o terceiro mandato de Lula é uma farsa econômica e política. Afinal, que nome se daria a um governo que só voltou ao poder, recorrendo a Gilmar Mendes mais uma vez, por causa do STF, que descondenou Lula e perseguiu seu adversário, o então presidente Jair Bolsonaro? Ou desmente o ministro falastrão ou assume de vez o que as urnas de agora vão jogar na cara: o absurdo que estamos vivendo há quase quatro anos vai acabar. 

A decisão sobre o Bolsa Família, longe de corrigir os valores do benefício a quem mais precisa, não é nada mais que mera falta de escrúpulo e tentativa de interferir nas eleições. Afrontar a autoridade do TSE, uma tentativa de golpe na democracia vinda do decano. O Brasil que trabalha, produz e paga a contas está dizendo “chega”! 

Por fim, como escreveu o ministro Luiz Fux em resposta ao mesmo Gilmar Mendes, “cuide de não encher o meu saco”, o saco do Brasil. Estamos realmente em um momento único. Afinal, nunca na história desse país um decano da Suprema Corte foi tão enxotado assim por um colega.

Adalberto Piotto - Revista Oestje