sexta-feira, 24 de julho de 2026

Flávio Gordon - O que a KGB deixou escrito sobre Cuba

 A infiltração cubano-soviética no Brasil não era apenas fantasia da direita fardada


Foto: Shutterstock


E m algum momento de 1976, num escritório da Direção-Geral de Inteligência cubana em Luanda, um agente da DGI fotografava, peça por peça, a fiação de uma máquina de cifra suíça instalada na embaixada do Brasil em Angola. O equipamento havia chegado de Moscou nas mãos de um técnico do Décimo Sexto Diretório da KGB, especializado em interceptação de sinais. O objetivo era simples: decifrar as comunicações diplomáticas de Brasília. 

O episódio, documentado nos arquivos que o coronel Vasili Mitrokhin contrabandeou do QG da inteligência soviética e que o historiador britânico Christopher Andrew organizou no livro The World Was Going Our Way: The KGB and the Battle for the Third World, é mais que um detalhe curioso de arquivo empoeirado. Trata-se da marca registrada de um método: havia muito tempo que Havana deixara de ser uma ilha caribenha simpática ao socialismo e se tornara sócia operacional de Moscou na tarefa de espionar, influenciar e, quando possível, capturar o Brasil.

Capa do livro The World Was Going Our Way, de Christopher Andrew e Vasili Mitrokhin - Foto: Divulgação

Essa é a história que boa parte da nossa intelligentsia progressista preferiria manter enterrada — e que o Departamento de Estado americano acaba de trazer de volta à luz, num extenso relatório divulgado há alguns dias, intitulado Cuba: The Capital of 21st Century Communism. O documento, elaborado sob a gestão do secretário Marco Rubio, sustenta uma tese que qualquer estudioso da Guerra Fria conhece há tempos: Cuba jamais teve poder militar ou econômico para disputar a ...












Flávio Gordon - Revista Oestde