sexta-feira, 24 de julho de 2026

Lula quebrou o Brasil

 O país está à beira de uma recessão, cenário parecido com o produzido por Dilma


Foto: Montagem Revista Oeste/IA 

S e quiser salvar o país da falência, quem assumir a Presidência em 1º de janeiro de 2027 terá de desarmar uma bomba. Nos últimos quatro anos, e especialmente neste, Lula torrou bilhões em programas sociais para dar a falsa ideia de que o Brasil está melhorando. Como ocorreu em 2015, no início do segundo mandato de Dilma Rousseff, a conta vai ficar, de novo, no vermelho. O roteiro é muito parecido com o que levou ao impeachment de Dilma. A incerteza fiscal abala a confiança dos investidores a respeito da capacidade de pagamento do governo. Esse receio faz com que o dólar fique mais caro, o que, por sua vez, encarece uma grande parte de produtos. O aumento de custos é repassado ao consumidor, resultando em uma inflação que aperta o bolso. Para segurar a inflação, o Banco Central eleva a taxa básica de juros, a chamada Selic, a qual serve de referência para contratos e empréstimos. Na prática, o dinheiro vale menos no mercado e o custo de vida aumenta. É um ciclo vicioso.


Nos últimos quatro anos, e especialmente neste, Lula torrou bilhões em programas sociais para dar a falsa ideia de que o Brasil está melhorando - Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil


“A falta de confiança fiscal acaba chegando à inflação, ao crédito e ao crescimento”, explica André Braz, economista da FGV Ibre. “O problema é que juros tão altos deixam as contas do dia a dia mais caras e sufocam muitas famílias que não conseguem pagar suas dívidas. Com isso, a inadimplência bate recordes e o consumo do brasileiro despenca”. Somente em 2026, Lula torrou mais de R$ 187 bilhões num pacote de “bondades” que inclui subsídios, expansão do Minha Casa Minha Vida, Desenrola e Pé de Meia, entre outros.




Números assustam A dívida pública em relação ao Produto Interno Bruto (PIB) vem crescendo nos últimos quatro anos. Em 2022, era 71,7%. Neste ano em que Lula tenta se reeleger, somente até maio, a dívida chegou a 81,1% e a projeção do mercado é que passe dos 86% em 2026. De acordo com o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), até 2028 a dívida bruta pode alcançar 90%, e até 2030, 94,1% do PIB. 

A relação entre a dívida do governo e o PIB é uma das principais medidas da situação fiscal porque mostra o tamanho da dívida em comparação com a capacidade de geração de renda do país. Ela reflete os déficits acumulados e o peso dos juros. Mas há outros dados que evidenciam a piora fiscal no país. O déficit primário atingiu R$ 92,3 bilhões em junho de 2026 — número dez vezes superior aos R$ 9,8 bilhões registrados no mesmo período do ano passado. O crescimento espantoso ocorreu porque as despesas do governo tem aumentado em proporção bem maior do que a capacidade de arrecadação, embora ela seja altíssima. É como se um chefe de família gastasse sempre mais do que recebe de salário. 

A dívida pública federal alcançou cerca de R$ 9 trilhões em maio de 2026. Nos cinco primeiros meses do ano, a arrecadação já havia chegado a R$ 3,3 trilhões. “O que vemos hoje é um cenário igual ou pior do que a tragédia com Dilma, a qual nos levou para a pior recessão do país, com crescimento desenfreado de gastos, tributos e dívida”, avalia Marina Helena, economista e ex-diretora do Ministério da Economia. “Tem que cortar de maneira geral, como os supersalários e verbas de municípios”, sugere. 

Os principais indicadores da economia vão mal. Nos últimos quatro anos, o PIB vem caindo, enquanto as taxas de juros e a inflação sobem. O dólar está baixando depois de chegar a R$ 6,19 em 2024 — a cotação mais alta em dez anos. A moeda também está vulnerável à pressão externa, com o preço do petróleo subindo por causa da guerra entre Estados Unidos e Irã — cerca de 20% da produção mundial passa pelo Estreito de Ormuz. 

Para piorar, “o tarifaço dos Estados Unidos vai afetar as exportações brasileiras, o crescimento econômico e a geração de emprego, o que atinge o orçamento das famílias, principalmente as mais pobres”, analisa Claudio Felisoni, professor da FIA Business School.








A dívida da dívida 

É aí que o nó da situação fiscal brasileira aperta. Uma das formas de o governo financiar seus gastos é com a venda de títulos públicos. Quando aumenta sua dívida em relação ao PIB, precisa vender mais títulos para ter fôlego financeiro. Mas, quando a dívida do país se torna muito grande e a previsão de estabilidade é turva, os investidores, receosos, exigem juros mais altos para emprestar dinheiro ao país.

Por isso, o Tesouro Direto oferece atualmente rentabilidade indexada à inflação oficial mais 8% de ganho real fixo todo ano (o IPCA+8%). A oferta é considerada uma rara oportunidade para quem investe. Já o mercado enxerga que o governo está gastando mais do que arrecada para compensar o risco de um calote ou de descontrole econômico. Além disso, é um dinheiro que vai para pagamento de dívida e não para investimentos. “Não por acaso, o Tesouro Nacional enfrenta dificuldade para vender títulos da dívida pública brasileira”, observa o comentarista de economia Carlo Cauti. “Bancos e corretoras preveem  uma alta forçada dos juros até o fim do ano para conter os preços.” 

No mercado financeiro, é difícil encontrar alguém que acredite que a meta de inflação de 3% será cumprida — com tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos. O próprio governo admitiu, ao subir a projeção para 5%. “O arcabouço fiscal perdeu força, enfrentando pressões por emendas parlamentares sem punições reais e sem compromisso do governo atual com o controle de despesas”, afirma Cauti, que ressalta outro ponto: as exceções. 

Para se blindar de não incorrer em nenhum crime fiscal, como aconteceu com Dilma, Lula vem conseguindo gastar mais com a ajuda do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Congresso Nacional para validar grandes manobras econômicas fora do limite de despesa. Um exemplo recente é a decisão do STF de derrubar a idade mínima para aposentadoria especial de trabalhadores expostos a agentes nocivos à saúde. Isso pode elevar as despesas da União em R$ 7,8 bilhões até 2030. 




Carga pesada sem retorno 

Renato Opice, gestor de recursos financeiros e sócio da Rafter Investimentos, alerta que o impacto fiscal chega também ao comércio, à indústria e ao mercado de trabalho: “Se os juros não caírem, muitas empresas vão quebrar”, diz. “Ou faz uma reforma ou quebra, está insustentável, há enorme quantidade de empresas pedindo concordata, o dinheiro está caro.” Segundo Opice, o ambiente de negócios desfavorável tem levado companhias brasileiras a investir em outros países. A Lupo, por exemplo, expandiu sua produção no Paraguai para fugir dos altos custos operacionais no Brasil.

Opice e Marina Helena salientam que, além de o brasileiro pagar muito imposto, não tem retorno. O Brasil ocupa a última posição (30º) no ranking do Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação (IBPT), que mede a conversão da carga tributária em serviços essenciais para a população. 

Diferentemente de nações desenvolvidas com carga tributária similar, o país não reverte os tributos em retornos efetivos para a sociedade. Ambos lembram do choque fiscal que Javier Milei aplicou na Argentina em 2023. Entre as ações que tiraram o país do vermelho, o governo eliminou repasses estatais que barateavam artificialmente as contas de luz, gás e água, paralisou obras e cortou ministérios.


A Lupo, por exemplo, expandiu sua produção no Paraguai para fugir dos altos custos operacionais no Brasil - Foto: Divulgação 


Há solução

O futuro presidente, no entendimento de muitos economistas, terá de ser muito claro a respeito de sua política econômica: se continuará gastando ou fará cortes e reajustes. Alguns defendem a ideia de rever planos na Educação, Saúde e Previdência e desvincular essas áreas do orçamento público. Outros, como o ex-ministro de Minas e Energia Adolfo Sachsida, são contra mexer nas aposentadorias. Em entrevista à Oeste, Sachsida afirmou que uma equipe experiente consegue reverter o cenário atual em cerca de um ano e meio. O ex-ministro elaborou, com um grupo de cerca de 100 especialistas, um projeto com propostas legislativas focadas em crescimento, produtividade e inclusão social, que será entregue ao próximo presidente.

Para não mexer nos benefícios, será necessário promover um imediato enxugamento da máquina pública. Outra forma de melhorar a arrecadação do governo sem aumentar impostos seria a venda ou concessão de ativos da União, com os recursos direcionados à redução do endividamento. Na visão desses economistas, um programa fiscal consistente e de longo prazo ajudaria a reduzir a percepção de risco, estimular a entrada de investimentos, melhorar gradualmente a trajetória da dívida em relação ao PIB e reduzir os juros. 

Seja qual for o caminho escolhido pelo próximo presidente, o essencial é reconstruir a previsibilidade. “O país precisa mostrar que consegue controlar a dívida sem paralisar a economia e promover crescimento sem reacender a inflação”, afirma Braz. De outro modo, continuaremos presos a uma combinação conhecida: juros altos, câmbio vulnerável e crescimento abaixo do potencial.


Raphaela Ribas - Revista Oeste