'Um homem já silenciado nas redes, proibido de comunicar-se inclusive por intermédio de terceiros, vê-se agora privado do convívio com o filho e do encontro com um aliado internacional'
Um juiz que teme o veredicto das urnas já não é juiz: é parte interessada, um carcereiro, um tirano” , escreve Flávio Gordon, sobre a decisão de Alexandre de Moraes que ele define como sequestro do ex-presidente Jair Bolsonaro
Se ainda restava alguma dúvida quanto à natureza do regime que se instalou no Brasil sob o disfarce da defesa da democracia, a rotina de despachos que emana do gabinete de Alexandre de Moraes encarregouse de dissipá-la. Aos analistas, poupa-se o trabalho de teorizar sobre o que é um estado de exceção quando basta, para demonstrá-lo, a simples crônica dos fatos.Na segunda-feira 13, o ministro do Supremo Tribunal Federal
suspendeu por 90 dias as visitas do senador Flávio Bolsonaro ao
próprio pai, punindo o crime imperdoável de haver lido em público
uma carta manuscrita do ex-presidente Jair Bolsonaro dirigida “aos
brasileiros”.
No sábado 18, coroando a obra com o requinte próprio dos déspotas
meticulosos, Moraes negou até mesmo a visita de Javier Milei, chefe
de Estado de uma nação vizinha e aliada, como se a presença de um
presidente estrangeiro à cabeceira de um septuagenário em prisão
domiciliar constituísse ameaça à ordem constituciona.
nte-se à lógica que preside o conjunto: um homem já silenciado nas
redes, proibido de comunicar-se inclusive por intermédio de terceiros,
vê-se agora privado do convívio com o filho e do encontro com um
aliado internacional. E tudo isso “até o fim das eleições deste ano”.
Moraes e o sequestro de Bolsonaro
Alexandre de Moraes é inteiramente movido pelo calendário eleitoral. O
processo aí é mero pretexto para o seu real objetivo: extirpar da disputa
política não apenas um homem, mas um movimento inteiro, aquilo que
a nomenklatura judiciária, valendo-se do vocabulário emprestado da
imprensa progressista internacional, batizou de “populismo de
extrema direita”.
Flávio Bolsonaro, agora pré-candidato ao Palácio do Planalto, resumiu
o essencial ao dizer que usar a força do Estado para satisfazer
devaneios pessoais não é Justiça, mas vingança. Um juiz que teme o
devaneios pessoais não é Justiça, mas vingança. Um juiz que teme o
veredicto das urnas já não é juiz: é parte interessada, um carcereiro,
um tirano… É assim que o parceiro de Daniel Vorcaro entrará para a
história, essa bem menos condescendente que as presentes instituições
nacionais.
Flávio Gordon - Revista Oeste