domingo, 19 de julho de 2026

Flávio Gordon e 'O sequestro político de Jair Bolsonaro'

 'Um homem já silenciado nas redes, proibido de comunicar-se inclusive por intermédio de terceiros, vê-se agora privado do convívio com o filho e do encontro com um aliado internacional'


Reprodução X


Um juiz que teme o veredicto das urnas já não é juiz: é parte interessada, um carcereiro, um tirano” , escreve Flávio Gordon, sobre a decisão de Alexandre de Moraes que ele define como sequestro do ex-presidente Jair Bolsonaro

Se ainda restava alguma dúvida quanto à natureza do regime que se instalou no Brasil sob o disfarce da defesa da democracia, a rotina de despachos que emana do gabinete de Alexandre de Moraes encarregouse de dissipá-la. Aos analistas, poupa-se o trabalho de teorizar sobre o que é um estado de exceção quando basta, para demonstrá-lo, a simples crônica dos fatos.

Na segunda-feira 13, o ministro do Supremo Tribunal Federal suspendeu por 90 dias as visitas do senador Flávio Bolsonaro ao próprio pai, punindo o crime imperdoável de haver lido em público uma carta manuscrita do ex-presidente Jair Bolsonaro dirigida “aos brasileiros”. 

No sábado 18, coroando a obra com o requinte próprio dos déspotas meticulosos, Moraes negou até mesmo a visita de Javier Milei, chefe de Estado de uma nação vizinha e aliada, como se a presença de um presidente estrangeiro à cabeceira de um septuagenário em prisão domiciliar constituísse ameaça à ordem constituciona.

nte-se à lógica que preside o conjunto: um homem já silenciado nas redes, proibido de comunicar-se inclusive por intermédio de terceiros, vê-se agora privado do convívio com o filho e do encontro com um aliado internacional. E tudo isso “até o fim das eleições deste ano”.


Moraes e o sequestro de Bolsonaro 

Alexandre de Moraes é inteiramente movido pelo calendário eleitoral. O processo aí é mero pretexto para o seu real objetivo: extirpar da disputa política não apenas um homem, mas um movimento inteiro, aquilo que a nomenklatura judiciária, valendo-se do vocabulário emprestado da imprensa progressista internacional, batizou de “populismo de extrema direita”. 

 Flávio Bolsonaro, agora pré-candidato ao Palácio do Planalto, resumiu o essencial ao dizer que usar a força do Estado para satisfazer devaneios pessoais não é Justiça, mas vingança. Um juiz que teme o
devaneios pessoais não é Justiça, mas vingança. Um juiz que teme o veredicto das urnas já não é juiz: é parte interessada, um carcereiro, um tirano… É assim que o parceiro de Daniel Vorcaro entrará para a história, essa bem menos condescendente que as presentes instituições nacionais. 

Flávio Gordon - Revista Oeste