terça-feira, 5 de julho de 2022

Investigação liga vereador do PT ao PCC

Senival Moura seria sócio de uma das maiores facções criminosas do país

Senival Moura, vereador pelo PT na cidade de São Paulo
Senival Moura, vereador pelo PT na cidade de São Paulo | Foto: Reprodução/Site de Senival Moura

Uma investigação conduzida pela Polícia Civil paulista encontrou evidência de que o vereador Senival Moura (PT-SP) pode estar ligado ao PCC. O político exerce o cargo na capital, São Paulo.

Durante as buscas nos imóveis ligados ao parlamentar, a Polícia Civil encontrou seis cheques assinados por Adauto Soares, ex-presidente da empresa de ônibus Transunião. A companhia teria sido usada pelo PCC para lavar dinheiro do tráfico.

Soares foi assassinado em março de 2020. Os policiais suspeitam que ele foi colocado à frente da Transunião por Moura, de acordo com o portal R7. Ele seria uma espécie de testa de ferro do vereador, e os cheques encontrados provariam um fluxo mensal de pagamentos ao político. Além disso, em mensagens enviadas de um celular de Soares, Moura é tratado como “presidente” e autoriza os pagamentos da empresa.

De acordo com as investigações, os traficantes da facção controlavam a empresa de ônibus com o político, em uma relação intermediada por Soares. O PCC supostamente ordenou o assassinato depois de descobrir um desfalque milionário nas contas da empresa, informou o jornal Folha de S.Paulo.

Delator confirma ligação do vereador do PT com o PCC

Documentos da Polícia Civil trazem um testemunho informando que o vereador petista era quem realmente comandava a Transunião. O delator é Identificado pelo codinome “Guilherme”, por questões de segurança. No depoimento, ele também confirma a relação do político com Soares.

“As pessoas que o sucederam no comando da cooperativa, e depois da empresa, sempre foram, em verdade, seus ‘laranjas’, porque a última palavra sempre foi dele”, disse o informante. “Neste contexto, Adauto Soares era, sim, mais um dos ‘laranjas’ que ao longo do tempo se postaram na condição de ‘representantes’ de Senival.”

Facção chegou a ordenar a morte do político

No depoimento, Guilherme disse que a facção queria matar Soares também. Contudo, ele disse que o vereador do PT só não foi morto pelo PCC porque ressarciu os prejuízos do grupo e ainda passou 13 ônibus para a facção.

Segundo o delator, o político foi poupado graças ao intermédio de Leonel Moreira Martins, ladrão de bancos encarregado de organizar as execuções. Ele ainda afirmou que Jair Ramos de Freitas, o Cachorrão, assassinou Soares — versão confirmada pela polícia por meio dos vídeos gravados no local do crime.

Bancado por criminosos

Guilherme conta que Moura chegou a Guaianases, na zona leste da cidade de São Paulo, no fim da década de 1970. No começo, ele passou a explorar uma linha de transporte clandestino. O informante sustenta que o político decidiu se candidatar após virar líder da categoria, e que a relação com PCC teve início em 1990.

Sem ter dinheiro para a primeira campanha, o petista teria aceitado ajuda do crime organizado para bancar a candidatura para o cargo de vereador, no início dos anos 2000. Dois criminosos, identificados como “Cunta” e “Alexandre Gordo”, ficaram encarregados de captar os recursos.

Os policiais acreditam que eles eram, respectivamente, Ricardo Pereira dos Santos, suspeito de integrar a facção, morto em 2012, e Alexandre Ferreira Viana, acusado de sequestro e preso desde 2005. Por causa da dívida com a dupla, o vereador do PT teria criado o esquema de lavagem de dinheiro para o PCC.

Moura ingressou no partido em 1984. Em 2004, ele se elegeu suplente na Câmara Municipal de São Paulo. No ano de 2007, o político assumiu uma vaga de vereador, cargo que ocupa até hoje.

Revista Oeste