quarta-feira, 31 de agosto de 2022

Contra empresários, Moraes desconsiderou até manifestação de juiz que o auxilia

Ao contrário da decisão do ministro, a manifestação do juiz instrutor relaciona apenas o nome de dois dos empresários

Empresas serão multadas por descumprimento | Foto: Rosinei Coutinho/SCO/STF
Empresas serão multadas por descumprimento | Foto: Rosinei Coutinho/SCO/STF

Para determinar uma operação policial contra um grupo de empresários, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes desconsiderou até mesmo uma manifestação formal feita pelo juiz Airton Vieira, que é magistrado instrutor do gabinete do ministro e o auxilia nas decisões.

A manifestação do juiz, de 161 páginas, fez uma relação das investigações do inquérito das fake news, que tramita no STF, com as mensagens dos empresários divulgadas pelo portal de notícias MetrópolesForam essas reportagens que serviram de sustentação para a ação determinada pelo ministro contra os empresários. Mas, ao contrário da decisão do ministro, que determinou que a Polícia Federal cumprisse mandados de busca e apreensão contra oito empresários, a manifestação do juiz instrutor relaciona apenas o nome de dois dos empresários alvos das buscas com o inquérito que já estava em tramitação.

Ao todo, endereços de oito empresários integrantes de um grupo de rede social de apoiadores do presidente Jair Bolsonaro (PL) foram alvo da ação, realizada no dia 23. A alegação de Alexandre de Moraes é que o grupo de empresários compartilhou supostos comentários de teor golpista, em conteúdo exposto pelo portal de notícias Metrópoles, na última semana, falando em algum tipo de ação caso Luiz Inácio Lula da Silva (PT) vença as eleições presidenciais deste ano. A conversa aconteceu em um aplicativo de mensagens.

Magistrados ouvidos por Oeste definem que o instrutor do gabinete é como se fosse ‘um braço direito do ministro”, e costuma ter voz ativa nas decisões tomadas pelos integrantes da Suprema Corte. No caso da operação determinada por Moraes, contudo, a manifestação do juiz Airton Vieira não foi seguida.

A presença de um magistrado instrutor do gabinete não é obrigatória no STF, e cada ministro opta pelo cargo de apoio. Alguns ministros, quando precisam praticar ato fora de Brasília, podem solicitar a colaboração do juiz federal da área, caso não tenham o juiz instrutor do gabinete.

A decisão de Moraes tem ao todo 32 páginas e usou como base as reportagens veiculadas pelo portal de notícias. Entre os alvos da operação estão Luciano Hang (lojas Havan), José Isaac Peres (rede de shopping Multiplan), Ivan Wrobel (Construtora W3), José Koury (Barra World Shopping), Luiz André Tissot (Grupo Serra), Meyer Joseph Nigri (Tecnisa), Marco Aurélio Raymundo (Mormaii) e Afrânio Barreira Filho (Grupo Coco Bambu).

A determinação do ministro foi duramente criticada pela Associação Brasileira de Juristas Conservadores (Abrajuc). “A Abrajuc manifesta repúdio a mais um ato autoritário e sem amparo legal proveniente da Corte, a qual deveria dar exemplo às demais instâncias do Poder Judiciário”, comunicou o grupo.

Em nota publicada na sexta-feira 26, a Abrajuc observou ainda que “nenhum ato de violência física” foi praticado pelos empresários. “Nenhuma pessoa sofreu qualquer tipo de ameaça por eles proferida”, ressaltou a Abrajuc. “Em suma, nenhum crime foi por eles cometido ao ponto de terem suas moradias devassadas. Mesmo assim, tiveram suas casas vasculhadas pela polícia.”

“Não bastasse isso, o Ministério Público Federal, titular da persecução penal em juízo, não foi sequer consultado, em mais uma violação do sistema acusatório — ao que parece, um padrão de atuação funcional do magistrado em questão”, ressaltou o grupo. Os juristas salientaram que o STF não pode julgar pessoas sem foro privilegiado. “Agrava-se a falta de suporte legal”, sustentaram, ao mencionar que os ministros não têm competência para determinar a ordem

Iara Lemos, Revista Oeste

Bolsonaro visita ponte Brasil-Paraguai

'A morte de Gorbachev e a restauração da União Soviética', por Daniel Lopez

 

Gorbachev junto a Henry Kissinger, um dos cabeças dos “powers at be”.| Foto: Financial Eye


Numa época em que se previa abundância, liberdade e o fim das tiranias, o mundo contempla o surgimento de uma tenebrosa era de escassez, controle e do surgimento de novos tiranetes. A Europa caiu inocentemente (ou propositalmente) na arapuca energética de Putin, o que ficou ainda mais evidente nesta quarta-feira (31), quando Moscou fechou totalmente o fornecimento de gás para a Europa por meio do gasoduto Nord Stream 1, ainda que por apenas 4 dias, segundo informações oficiais.

Dependência gera controle e controle gera poder. E a Europa está completamente nas mãos de Putin em termos energéticos. Agora, os componentes do “the powers at be” (“os poderes constituídos”, na expressão idiomática inglesa) querem submeter não apenas a Europa, mas todo o planeta, a uma dependência alimentícia. Para isso, precisam destruir os “celeiros” mundiais. Já desmantelaram a Ucrânia e a Rússia. Nos Estados Unidos, até fórmula para bebês está faltando. Agora, o plano é derrubar o maior produtor de comida da Europa: a Holanda. Se não fosse a resistência dos fazendeiros, os holandeses estariam já numa situação muito triste. Obviamente, o seguinte na lista é o Brasil.


A melhor pergunta que podemos fazer hoje é: se o desmantelamento da URSS foi proposital, seria possível que, hoje, estejam desmantelando propositalmente os EUA, a Europa, a segurança energética e alimentar do mundo.


Ontem (30), morreu Mikhail Gorbachev, último líder da União Soviética. Ele acabou se tronando um símbolo do fim da Guerra Fria, com a dissolução da URSS e a queda do muro de Berlim. Um momento que trouxe grande esperança à humanidade, com a sensação de que a fase mais obscura da ameaça de uma Terceira Guerra Mundial havia passado. Entretanto, a morte de Gorbachev parece ter prenunciado o fim dessa era de esperança. Vejam que aqui estamos nós, 33 anos após a queda do muro, novamente debaixo da sombra de uma nova guerra de proporções globais.

No dia 28 de dezembro de 2021, escrevi um artigo aqui na Gazeta do Povo chamado Putin e o “Apocalipse por Engano”, onde resumi o tamanho do problema que estava por vir. E parece que as análises que realizei no final do ano passado começaram e se tornar realidade. Na ocasião, eu lembrei que, no dia 8 de dezembro de 2021, completaram-se 30 anos desde o fim da União Soviética. Mas aproveitei para trazer uma questão vital para todos que perceberam a seriedade do que está sendo programado para o mundo hoje. Temos o costume de falar sobre o “fim da União Soviética”. Entretanto, para muitos autores, a URSS não caiu por conta própria, mas foi estrategicamente desmantelada, dentro de um plano muito bem arquitetado.

Reforcei que livros como Meias Verdades, Velhas Mentiras (do ex-agente da KGB Anatoliy Golitsyn), Desinformacão (do General Ion Mihai Pacepa, ex-chefe do serviço de espionagem romeno) e KGB e a Desinformação Soviética (de Ladislav Bittman, ex-integrante do serviço de inteligência tcheco) reforçam esta opinião. E entretanto, foi o jornalista e apresentador russo-americano Vladimir Pozner que trouxe a melhor análise. Em 2018, numa palestra na Universidade de Yale intitulada “Como os EUA criaram Vladimir Putin”, ele explicou como aconteceu a suposta queda de Gorbachev e a dissolução da Cortina de Ferro. Citando os Acordos de Belovezh, celebrados em 8 de dezembro de 1991, Pozner explicou que Gorbachev chegou ao poder em março de 1985, mas em dezembro de 1991, não havia mais União Soviética.

E foi tudo orquestrado. Pozner citou a misteriosa reunião entre os presidentes da Ucrânia, da Bielorrússia e da Rússia, Boris Yeltsin, que produziu os Acordos de Belovezh, celebrados em 8 de dezembro de 1991, quando estes, sem a participação de Mikhail Gorbachev, decidiram desmembrar a União Soviética. Cada líder tinha uma motivação muito clara nessa jogada. No caso de Yeltsin, ele era o presidente da Rússia, enquanto Mikhail Gorbachev era o líder de toda a URSS. Então, Yeltsin era o número dois. Livrando-se de Gorbachev, assumiria a primazia em toda a Rússia. E foi exatamente o que aconteceu.

O detalhe é que, segundo Pozner, quando eles estavam negociando a queda do Muro de Berlim e a reunificação alemã, James Baker, então secretário de Estado americano, teria assegurado a Mikhail Gorbachev que, caso cedesse, a OTAN não se moveria uma polegada em direção à Rússia. Muitos dizem que essa promessa nunca aconteceu. Mas, em 2017, a Universidade George Washington desclassificou a ata da conversa entre ambos. E assim foi.

Como sabemos, o Pacto de Varsóvia foi desfeito, mas a OTAN continuou existindo e continuamente descumpriu sua promessa de não se expandir em direção à Rússia, o que acabou levando ao atual conflito na Ucrânia, que tem tudo para ter sido propositalmente iniciado. Putin afirmou que se o Ocidente insistisse no convite a Kiev para se juntar à aliança do atlântico ele tomaria uma decisão drástica. Mas eles insistiram mesmo assim. Então, fica claro que o acirramento da relação foi proposital.

Em minha humilde opinião, a melhor pergunta que podemos fazer hoje é se o desmantelamento da URSS foi proposital, seria possível que, hoje, estejam desmantelando propositalmente os EUA, a Europa, a segurança energética e alimentar do mundo, e talvez, no final das contas, a própria ordem mundial neoliberal globalizada sob a liderança de Washington e do dólar? Estaríamos diante da reconstrução da União Soviética? Diante do questionamento, recordo a frase atribuída a Franklin D. Roosevelt: "Em política, nada acontece por acaso. Se isso acontecer, é porque assim foi planejado”. Gostaria de ler sua opinião nos comentários. Deus abençoe a todos.


Gazeta do Povo

O fim do sigilo escancara o arbítrio

 


O ministro do STF Alexandre de Moraes, que determinou operação policial contra empresários.| Foto: Nelson Jr./ STF


A revolta de parte da sociedade brasileira diante de um novo avanço do Supremo Tribunal Federal sobre as liberdades individuais foi tanta que o ministro Alexandre de Moraes abriu uma exceção ao sigilo completo que tem marcado os inquéritos abusivos que conduz. Alegando que “as diligências iniciais pendentes” já foram concluídas e que houve “inúmeras publicações jornalísticas” críticas, Moraes tornou pública a documentação sobre a operação contra oito empresários que teriam defendido um golpe de Estado em conversa privada realizada pelo WhatsApp. E, como era de se esperar, a divulgação dos textos apenas confirmou o que já se intuía: que não havia substância alguma na perseguição movida contra o grupo.

Já é estarrecedora a primeira peça, a representação da Polícia Federal solicitando que Moraes autorize a busca e apreensão contra os empresários. Nela, o delegado Fábio Shor afirma que “vários empresários estariam participando de um grupo no aplicativo de mensagens WhatsApp para arquitetar uma ruptura do Estado Democrático de Direito”, mas, para embasar tal afirmação, usa apenas as mesmas conversas tornadas públicas pelo portal Metrópoles semanas atrás e nas quais nem de longe se pode verificar algum tipo de orquestração. Ninguém ali está “arquitetando” nada, mas apenas exprimindo suas opiniões e preferências – deploráveis, mas jamais criminosas, como explicamos detalhadamente na semana passada, neste mesmo espaço.


Transformar opiniões e conjecturas feitas privadamente em motivo para medidas extremas que violam direitos básicos como a privacidade é coisa de Estados totalitários


A convicção ilusória de que os oito empresários estariam ativamente tramando uma ruptura institucional foi tanta que Shor nem sequer mencionou os crimes de apologia ou incitação ao crime. O delegado preferiu citar diretamente os crimes de constituição de milícia privada, previsto no artigo 288-A do Código Penal (“Constituir, organizar, integrar, manter ou custear organização paramilitar, milícia particular, grupo ou esquadrão com a finalidade de praticar qualquer dos crimes previstos neste Código”) e de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, descrito no artigo 359-L (“Tentar, com emprego de violência ou grave ameaça, abolir o Estado Democrático de Direito, impedindo ou restringindo o exercício dos poderes constitucionais”).

Nem mesmo as mentes mais férteis teriam como concluir, das conversas publicadas, que os diálogos poderiam levar seus autores a responder por algum desses crimes. Dizer preferir um golpe a uma vitória de Lula ou mesmo afirmar que o golpe deveria ter ocorrido anos atrás não é “tentar abolir o Estado de Direito”, muito menos “constituir organização paramilitar”. 

E sempre é preciso lembrar que, dos oito empresários perseguidos, apenas três fizeram menções a golpe de Estado; os demais trataram de outros assuntos, também considerados tabus por quem faz as regras do processo eleitoral – por mais que a “manifestação crítica aos poderes constitucionais” esteja explicitamente protegida pela nova lei de crimes contra o Estado Democrático de Direito, há tempos os ministros do STF e do TSE decidiram que tais manifestações são “ataques” que precisam ser coibidos usando a força do braço estatal.

Como se não bastasse o estabelecimento de um “crime de opinião”, o delegado pediu, e Moraes endossou, o acréscimo de mais uma figura ao arsenal liberticida do ministro relator: o “crime de cogitação”. Tanto a representação quanto a ordem de busca e apreensão citam uma mensagem específica na qual um dos empresários fala em “dar um bônus em dinheiro ou um prêmio legal pra todos os funcionários das nossas empresas”, sem detalhar em que condições isso se daria, com a ressalva de que “temos que ver se não é proibido”; um outro responde, dizendo acreditar que “seria compra de votos” e o assunto morre ali. 

Ainda que a concessão de valores financeiros a funcionários possa configurar abuso de poder econômico, a conversa não passou da menção a uma ideia rapidamente descartada. Pretender criminalizar ou mesmo investigar meras cogitações não concretizadas é algo que nem mesmo a ditadura militar brasileira chegou a fazer; seria uma espécie de “Minority Report da vida real”, em referência ao conto de ficção científica, posteriormente adaptado ao cinema, em que os poderes premonitórios de um grupo de mutantes levam pessoas a serem presas antes de efetivamente cometer algum crime.

Transformar opiniões e conjecturas feitas privadamente em motivo para busca e apreensão, bloqueio de contas bancárias, suspensão de perfis em mídias sociais, quebra de sigilos e outras medidas extremas que violam direitos básicos como a privacidade – só não houve prisão, embora ela tivesse sido solicitada por um trio de deputados federais do PT – é coisa de Estados totalitários, como lembrou à Gazeta do Povo o especialista em Direito Eleitoral Adriano Soares da Costa. É o arbítrio que se impõe não pela força dos tanques, mas das canetas; que se disfarça de normalidade institucional apenas porque as formalidades processuais continuam a ser seguidas. 

Os inquéritos conduzidos por Moraes já contêm abusos suficientes para dar como certo seu caráter antidemocrático, como a mistura entre vítima, investigador, acusador e julgador; o fato de quase todos os investigados em tais inquéritos não terem prerrogativa de foro; e a violação do direito à ampla defesa. Mas o que está sendo construído pelo STF e tolerado graças ao silêncio cúmplice de muitas entidades da sociedade civil organizada e de formadores de opinião vai ainda mais longe: só totalitarismos vigiam e perseguem opiniões.


Gazeta do Povo

PF não pediu a Moraes quebra de sigilo bancário e bloqueio de contas de empresários

 

O ministro Alexandre de Moraes, do STF, ordenou que a Polícia Federal fizesse busca e apreensão em endereços de oito empresários que trocavam mensagens num grupo de WhatsApp| Foto: Rosinei Coutinho/SCO/STF


A Polícia Federal não pediu ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, a quebra do sigilo bancário e o bloqueio das contas dos oito empresários que foram alvo de operação após supostamente terem defendido um golpe de Estado em um grupo de WhatsApp, caso o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) vença as eleições em outubro. A representação da PF a Moraes cita apenas quebra de sigilo telemático. Na semana passada, a PF cumpriu mandados de busca e apreensão contra os empresários.

Mas pedidos de quebra de sigilo bancário e bloqueio de contas - determinados por Moraes - constam em uma representação enviada ao ministro do STF pelo senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP). A informação e o documento com a representação feita pelo senador foram divulgados pelo colunista Fausto Macedo, do jornal O Estado de S. Paulo na quarta-feira (30). Os empresários alvo da ação são apoiadores do presidente Jair Bolsonaro (PL), candidato à reeleição. Já o parlamentar é um dos coordenadores da campanha de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que também concorre ao Palácio do Planalto.

Na decisão em que autorizou a operação contra os empresários, Moraes afirmou que o bloqueio das contas dos empresários era necessária em razão da suspeita de que eles supostamente financiariam ataques contra o STF e o Tribunal Superior Eleitoral. Confira alguns trechos da decisão do ministro do STF e presidente do TSE:

“[...] É importante ressaltar que o modus operandi identificado nos Inqs. 4.781/DF, 4.828/DF e 4.874/DF revela verdadeira estrutura destinada à propagação de ataques ao Estado Democrático de Direito, ao SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL, ao Tribunal Superior Eleitoral, além de autoridades vinculadas a esses órgãos, com estratégias de divulgação bem definidas [...]”.

“[...] Além disso, o poder de alcance das manifestações ilícitas fica absolutamente potencializado considerada a condição financeira dos empresários apontados como envolvidos nos fatos, eis que possuem vultosas quantias de dinheiro, enquanto pessoas naturais, e comandam empresas de grande porte, que contam com milhares de empregados, sujeitos às políticas de trabalho por elas implementadas. Esse cenário, portanto, exige uma reação absolutamente proporcional do Estado, no sentido de garantir a preservação dos direitos e garantias fundamentais e afastar a possível influência econômica na propagação de ideais e ações antidemocráticas [...]”.

“[...] Aliás, os indícios trazidos aos autos revelam a necessidade de bloqueio de contas bancárias que possam financiar a organização criminosa, sendo importante destacar, conforme representação da autoridade policial, que “os envolvidos não negam a autoria das mensagens, o que demonstra a necessidade das ações ora propostas para que o Estado não se fie somente em informações de fontes abertas e consiga aprofundar para completo esclarecimento dos fatos [...]”.

A decisão de Moraes é de 19 de agosto. Antes disso, em 17 de agosto, na representação enviada ao ministro, Randolfe Rodrigues solicitou que “[...] sejam apurados os fatos noticiados no dia de hoje, 17 de agosto, na coluna de Guilherme Amado, com a imediata remessa ao Ministério Público e à Polícia Federal para a tomada de depoimento dos envolvidos, a quebra dos sigilos, o bloqueio de contas e as necessárias prisões preventivas [...]”. Amado é colunista do site Metrópoles, que vazou as conversas dos empresários no WhatsApp. A representação é citada na decisão de Moraes. Mas, ao contrário do que foi pedido pelo senador, o ministro do STF não determinou a prisão preventiva dos empresários.


Com relação à representação da PF a Moraes, também de 19 de agosto, os pedidos listados foram:


afastamento do sigilo de dados telemáticos armazenados em meio digital para acesso a dados armazenados em Nuvem da empresa GOOGLE;

afastamento do sigilo de dados telemáticos armazenados em meio digital para acesso a dados armazenados em Nuvem da empresa APPLE;

determinação judicial para que as empresas de telefonia CLARO, TIM, VIVO e OI forneçam todos os terminais telefônicos cadastrados;

afastamento do sigilo de dados telemáticos armazenados no aplicativo WhatsApp das pessoas descritas; 

Solicita-se ainda, que o referido ofício autorize a autoridade policial designada encaminhar ofício extrajudicial com os dados de usuário necessários para implementação da medida cautelar.

Na segunda-feira (29), Moraes retirou o sigilo e divulgou a decisão que autorizou a operação da Polícia Federal.


Gazeta do Povo

Com sucesso do Pix, setor de pagamentos investe em inovações

 Operadoras de máquinas de cartão testam novos serviços para oferecer aos lojistas

Algumas operadoras de máquinas de cartão já começaram a oferecer outros serviços
Algumas operadoras de máquinas de cartão já começaram a oferecer outros serviços | Foto: Reprodução/Pixabay

Com a criação do Pix, sistema de pagamento do Banco Central que elimina os intermediários, o setor de pagamentos, como as operadoras de cartão de débito e crédito, terá de encontrar alternativas para se manterem no mercado. Essa é a avaliação de especialistas entrevistados pelo jornal O Estado de S. Paulo, em reportagem publicada nesta quarta-feira, 31. Algumas iniciativas já começaram a ser lançadas.

Com o Pix, criado em novembro de 2020, os correntistas podem fazer pagamentos diretamente ao fornecedor, sem a necessidade de usar cartão. No e-commerce, o Pix se tornou a segunda modalidade mais utilizada em julho.

Dessa forma, empresas de cartão terão, por exemplo, de agregar outros serviços aos comerciantes — como softwares de administração de contas e estoques — para continuar relevantes para os clientes. Algumas já começaram a investir em novos serviços ou funcionalidades para as maquininhas.

De acordo com Edson Santos, um dos maiores conhecedores do setor de meios de pagamento no Brasil, conforme a reportagem, o Pix ainda enfrenta alguns desafios no varejo — “Não pegou tanto”, disse ele —, e, por isso, os cartões ainda mantêm competitividade. A líder do mercado é a Cielo, seguida de perto pela Rede, do Itaú Unibanco. Depois vêm Getnet (do Santander), Stone, Vero e PagSeguro, conforme ranking recente divulgado pelo Instituto Propague.

Mas, com a chacoalhada, o setor começa a se movimentar. Santos afirmou que algumas companhias já estão se preparando para as mudanças no setor e investindo em novos serviços. Ele citou a Stone, que em 2020 comprou a empresa de tecnologia Linx mirando na mudança.

Na prática, porém, uma das poucas mudanças, até agora, é a oferta da funcionalidade do Pix na maquininha, permitindo que o lojista gere um QR-Code para a transferência, na tentativa de manter em uso o equipamento.

O uso do Pix diretamente no comércio precisa melhorar, dizem os analistas. Hoje, quando o lojista aceita Pix, o cliente usa a chave do estabelecimento para efetuar o pagamento — mostrando a tela com a transação ao atendente ou enviando o comprovante por WhatsApp. Já há startups trabalhando tornar o processo automático, com o uso de aplicativo para permitir a aceitação do Pix pelo caixa de forma direta

Outras empresas começam a oferecer o Pix parcelado (uma forma de dar crédito ao cliente), que poderá vir a substituir o cartão de crédito — essa opção já cresce em aceitação, especialmente no e-commerce. Hoje, essa modalidade já alcançou o volume de pagamentos em boleto.

Especialista no mercado financeiro, Boanerges Freitas disse que as operadoras de cartão certamente vão ter perda de receita ao migrar para o Pix, mas, disse ele, “é melhor ter essa perda e manter o cliente”.

Segundo Angelo Russomano, diretor da Rede, credenciadora do Itaú Unibanco, a empresa está debruçada no desenvolvimento de novas funcionalidades, e citou a que inclui a automação da frente do caixa, inclusive para integrar o pagamento pelo Pix. “Essa é a maior demanda dos varejistas”, disse ele.

Revista Oeste

Brasil é o país que mais recebeu investimentos da China em 2021

Os aportes chegaram a quase US$ 6 bilhões, maior valor desde 2017

Movimentação de cargas no Porto de Xangai, na China
Movimentação de cargas no Porto de Xangai, na China | Foto: Divulgação

O investimento chinês no Brasil chegou a quase US$ 6 bilhões no ano passado, maior valor desde 2017, segundo dados divulgados pelo Centro Empresarial Brasil-China (CEBC). Na comparação com 2020, a alta foi de 200%.

Com isso, o Brasil foi o país que mais recebeu investimentos da China no mundo em 2021, com participação de quase 15% do total, seguido por Países Baixos (10%) e Colômbia (9%).

Em termos de valores dos projetos, a área de petróleo absorveu 85% do total aportado no Brasil no ano passado. Esse cenário é reflexo de dois investimentos particularmente volumosos das estatais chinesas no pré-sal.

São Paulo foi o Estado que mais se beneficiou dos negócios chineses, chegando a quase 60% do total. Rio de Janeiro e Minas Gerais receberam, cada um, 10% dos aportes.

“Os investimentos chineses têm uma maturação de longo prazo, e o Brasil é uma economia relevante em âmbito regional, com mercado consumidor considerável, mão de obra qualificada em áreas técnicas e relativa estabilidade econômica”, disse o autor do estudo, Tulio Cariello, em entrevista ao jornal O Globo.

Ainda segundo o relatório do CEBC, entre 2007 e 2021, as empresas chinesas anunciaram 270 projetos no Brasil, com potencial de mais de US$ 116 bilhões. Desse total, 202 projetos foram efetivados com cerca de US$ 70 bilhões.

A China também foi o maior comprador de produtos brasileiros, somando quase US$ 90 bilhões (30%) no ano passado, em especial em produtos do agronegócio e minérios.

Revista Oeste