Eduardo Geraça - O Globo
NOVA YORK - O democrata Bill de Blasio venceu com folga a disputa pela reeleição para a prefeitura da maior metrópole dos EUA. Com 72% dos votos apurados, o representante da ala esquerda do Partido Democrata tinha 64% dos votos válidos, contra 30% da segunda colocada, a deputada estadual republicana Nicole Malliotakis, que só aparecia à frente em seu reduto eleitoral, o distrito de Staten Island, o menos populoso da cidade. De Blasio tinha 79% dos votos no Bronx, 74% em Manhattan, 70% no Brooklyn e 59% no Queens. Um democrata não era reeleito em NYC desde Edward Koch, em 1985.
O ex-vereador do Brooklyn de 56 anos se consolida como um dos principais líderes da oposição ao também nova-yorkino presidente Donald Trump, que já ameaçou cortar fundos federais a programas sociais municipais por conta da postura do prefeito em relação aos imigrantes não-documentados.
Duas das principais promessas de campanha de De Blasio dependem de aprovação na Assembleia Legislativa, cujo Senado (nos EUA, vários estados contam com assembleias bicamerais), no entanto, tem maioria republicana. Uma é o imposto aos mais ricos, que financiaria programas sociais e a recuperação do sucateado sistema de transportes de NY, especialmente o centenário metrô. Outra é a instalação de educação pública gratuita para crianças de 3 anos, o que aliviaria o bolso da população menos privilegiada da cidade.
Ações que, se tiradas do papel, podem catapultar De Blasio, acusado de receber financiamento de campanha de construtoras para atender seus interesses durante seu mandato, fato negado pelo político, para suceder o veterano senador Bernie Sanders (Vermont) na liderança nacional da esquerda do Partido Democrata. Posto que, automaticamente, o levaria a sonhos mais altos, como o governo de Nova York e a presidência.