sábado, 13 de maio de 2017

‘Emaildilma’ registrado em cartório é entregue à Procuradoria

Julia Affonso, Rafael Moraes Moura, Breno Pires, Bernardo Gonzaga, Deivlin Vale e Liana Costa - O Estado de São Paulo

Mônica Moura, mulher do marqueteiro de campanhas do PT João Santana, levou aos investigadores uma Ata Notarial com lançamento de 'constatação de um fato'


A empresária Mônica Moura, mulher do marqueteiro de campanhas do PT João Santana, entregou à Procuradoria-Geral da República em seu acordo de delação premiada, uma Ata Notarial que registrou ‘emaildilma’. Segundo o documento, Bruna Nascimento Nunes foi ao 20.º Cartório em 10 de maio de 2016 ‘para a constatação de um fato’.

Documento

A substituta legal do tabelião, Thais Destazio, afirmou na Ata que Bruna apresentou ‘um computador já inicializado’.
“Através dele, orientada pela solicitante, na barra de tarefas cliquei sobre o arquivo intitulado “emaildilma”. Como consequência desta ação, uma nova página foi aberta”, anotou.
Segundo a substituta legal do tabelião, nesta nova página havia uma mensagem: “O seu grande amigo esta muito doente. Os médicos consideram que o risco é máximo, 10. O pior é que a esposa, que sempre tratou dele, agora está com câncer e com o mesmo risco. Os médicos acompanham os dois, dia e noite”.
Em seguida, Thais Destazio informou que clicou no ícone “Arquivo”, foi levada a uma nova tela e clicou em ‘Propriedades’.
“Como consequência desta ação, abriu-se uma nova página e nela, seguindo instruções da solicitante, cliquei sobre a aba intitulada ‘Estatísticas’. Na tela que se abriu, dentre diversas informações, constatei a seguinte: “Criado em: sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016 19:40”. Tirei fotografias das telas verificadas”, registrou.
segundo a delatora, foi Dilma quem escreveu por meio do e-mail secreto ‘Iolanda’: “Seu grande amigo está muito doente, os médicos consideram que o risco é máximo e o pior é que a esposa dele, que sempre tratou dele, agora também está doente com o mesmo risco. Os médicos acompanham dia e noite.’
“O médico era o Zé Eduardo (José Eduardo Cardozo, então ministro da Justiça)”, afirma Monica.
“Recebi essa notícia, aí eu desesperei.”
Diz ter exibido ao marido o texto gravado no Word. “Gravei o texto pra mostrar a João, pra João ver, e acabei me esquecendo de apagar. Tá lá, com a data do dia que eu fiz isso.”
Uma procuradora da força-tarefa indagou a Monica se ela entendeu que ia ser presa.
“Não, eu entendi que a coisa estava complicada. Isso foi em 19 de fevereiro. Aí passou o dia 20, comecei a procurar ela (Dilma) através do Anderson. Mandava recado, ‘preciso falar com o nosso amigo, avisa nosso amigo que eu mandei e-mail’. O rascunho estava lá o tempo todo e não apagava. Eu precisava de mais notícias.”
“Quando eu precisava (falar com Dilma), mandava mensagens pelo WhatsApp pra ele. Eu tenho as últimas. Ela (Dilma) não lia a minha resposta.”
Monica disse que a resposta para Dilma foi esta: ‘Existe uma forma desses médicos ajudarem o nosso amigo?’
“Foi esse e-mail que mandei pra ela (Dilma) e ela não respondia, não lia e não apagava.”
“Aí procurei a mulher dele (Anderson), eu conhecia, fala pro Anderson que eu preciso muito falar com ele, que nosso amigo que ele sabe quem é precisa responder aquela questão’. Isso está ali, tem duas ou três mensagens.”
A procuradora insistiu. “Vocês foram avisados que iam ser presos?”
“Que íamos ser presos, não.”
“Que tinha mandado de prisão?”
“Fomos, fomos avisados que tinha mandado, ‘foi visto mandado de prisão assinado em cima da mesa de alguém’.”
“Quem avisou?”
“Zé Eduardo.”
“Ela ligou pra vocês?”
“Não, não, não. Dessa vez foi assim, a gente recebeu e-mail dela (Dilma) que precisava de um telefone seguro pra falar. Ela tinha um telefone seguro no Alvorada. João falou com ela nesse telefone na noite do dia 21 de fevereiro, ou do dia 20. Fomos avisados que existia um mandado de prisão em cima da mesa, foi visto um mandado de prisão assinado já contra a gente. Não fizemos nada. Ficamos esperando. No dia 22 estourou a operação, a gente já estava esperando.”
O ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu retirar o sigilo das delações do marqueteiro João Santana e de sua mulher, a empresária Mônica Moura nesta quinta-feira, 11.
Relator dos processos da Operação Lava Jato no Supremo Tribunal Federal (STF), o ministro Edson Fachin homologou no dia 4 de abril o acordo de colaboração premiada do casal.
As delações de João Santana e Mônica Moura foram firmadas com o Ministério Público Federal e encaminhada ao STF porque envolve autoridades com foro privilegiado perante a Corte. Os dois foram responsáveis pelas campanhas do PT à Presidência da República em 2006, 2010 e 2014.
DEFESA. Em nota enviada à imprensa na quinta-feira (11) após o STF liberar o sigilo da delação do casal, a assessoria de Dilma Rousseff disse que João Santana e Mônica Moura “prestaram falso testemunho e faltaram com a verdade em seus depoimentos, provavelmente pressionados pelas ameaças dos investigadores”. “Apesar de tudo, a presidente eleita acredita na Justiça e sabe que a verdade virá à tona e será restabelecida”, afirma a nota.
*Sob supervisão de Fausto Macedo
https://www.youtube.com/edit?o=U&video_id=x4PLbEyN3x4


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