quinta-feira, 5 de março de 2015

Promotor argentino Nisman foi 'vítima de homicídio', diz ex-mulher

EFE


A ex-mulher de Alberto Nisman, a juíza Sandra Arroyo Salgado, querelante na causa que investiga a morte do promotor que denunciou a presidente argentina, afirmou nesta quinta-feira (5) que seu ex-marido foi "vítima de homicídio, sem sombra de dúvida".

"Alberto Nisman não se suicidou. Alberto Nisman foi morto", disse a juíza, em coletiva na qual apresentou as conclusões do relatório elaborado por seus próprios peritos sobre o promotor que foi achado morto em 18 de janeiro com um tiro na cabeça, em circunstâncias ainda não esclarecidas.

Juan Mabromata/AFP
Juíza federal argentina Sandra Arroyo Salgado, ex-mulher do promotor Alberto Nisman
Juíza federal argentina Sandra Arroyo Salgado, ex-mulher do promotor Alberto Nisman

A magistrada disse que, com base na análise das provas colhidas no apartamento de Nisman, foram descartadas as hipótese de um acidente ou de um suicídio.

Para Sandra, que junto às duas filhas que teve com o promotor e à mãe do mesmo integra a denúncia nesse caso, a morte de Nisman constituiu um "fato de magnitude criminosa".

Nisman, que investigava o atentado de 1994 contra uma associação judaica, foi encontrado morto quatro dias após denunciar a presidente argentina, Cristina Kirchner, pelo suposto encobrimento dos iranianos acusados pelo ataque.

Sandra sustentou que "a morte violenta" de Nisman ocorreu em um "contexto político e judicial" que "marcou totalmente a institucionalidade da república, além de pôr em xeque o papel do Estado nacional frente à comunidade internacional em matéria de terrorismo".

Editoria de Arte/Folhapress
CRONOLOGIA DO CASO NISMAN Eventos que levaram à morte do promotor

Segundo a juíza, Nisman não morreu de forma instantânea, mas agonizou. Seu corpo não apresentava espasmo cadavérico —ao contrário do que afirmou a promotora do caso—, foi movido de sua posição original e não havia presença de álcool em sangue.